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Retratações: Nada me pertence além deste enredo.


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Desafio Gundam Wing 2010 – Amores Possíveis

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Fanfic: Futile Resistance

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Gênero: Yaoi, Romance, Comédia, Ficção Científicai, Angústia Leve, Universo Alternativo

Casal: 6x2

Censura: M – NC-17

Avisos: Essa fic foi escrita a pedido de uma pessoa especial.


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Capítulo 3

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Eu acordei sendo... paparicado. Por mais bizarro que isso possa parecer. O Anaconda-man estava me fazendo cafuné, meu irmão! E tinha uma travessa de comida no colo dele, aparentemente me esperando! Sentei, assustado, e me afastei um pouco, olhando-o de forma suspeita. Quando o paparico é demais, o santo desconfia.

– Bom dia, Duo. – Ele disse, sorrindo do mesmo jeito de ontem, aquele sorriso. Eu quase derreti, sendo 'quase' a palavra-chave.

– Bom dia... – Respondi, só porque eu sou um cara educado.

– Eu trouxe seu desjejum. Relena queria que você tivesse a refeição com ela, mas hoje eu tirei o dia para passar com você. Tenho algo que gostaria de te mostrar.

Aquela constatação me deixou meio temeroso. Tenho certeza que ele tem algo para me mostrar e, pelo porte físico daquele loiro todo, juntamente com aquela calça branca indecente, eu podia jurar que esse algo era também enorme. Santo Expedito das causas impossíveis, não me deixe ser estuprado por aquela cobra! Eu sempre sonhei de ter a minha primeira vez com velas, incensos, óleos... enfim, todas as coisas românticas e não-dolorosas.

Ele usou a língua pra provar o ar e, ao invés de eu achar aquilo bizarro, eu não tinha idéia do porque era... sexy. Talvez fosse o jeito que aquela língua rosada passava pelos lábios dele vagarosamente e, bem, eu não vou pensar nisso. Não mesmo. Não quero outro arrepio desses correndo pela minha espinha, de verdade; foi quase uma convulsão e ele notou.

– Eu não pretendo te fazer mal, Duo. – Ele afirmou, estendendo a bandeja na minha direção. – Se eu quisesse, você estaria numa cela, sendo tratado como um rato e não em meu quarto, comendo comigo.

Bem, ele tinha um ponto. Mas isso não mudava o fato de que ele não era um cara lá muito inofensivo. Ele me intimidava. Ele mexia comigo de uma forma que me deixava em pânico e eu não sabia lidar com isso.

– Eu... não sei o que fazer... não sei como agir... – Eu disse, abaixando os olhos e aceitando a bandeja. Oba! Frutinha-picles! Mordi uma, empolgado, e mastiguei feliz. Aquela coisa tinha o dom de mudar meu humor.

– Seja você mesmo. Só me respeite e eu te respeitarei também. – O loiro disse, pegando uma das minhas frutinhas-picles, o que me fez olhar feio em sua direção e afastar o pratinho com as frutas. Sai fora, sai! Ele riu baixo diante da minha reação e foi só assim que eu notei o que estava fazendo. Mas nem tive tempo de ficar mortificado pelas minhas ações, pois ele simplesmente colocou a frutinha na minha boca, sorrindo. – Pode ficar com as Arhnans. Elas são realmente viciantes.

Oh, então esse era o nome da frutinha-picles... interessante. Mas aquilo não me desviou do papo furado dele sobre ser eu mesmo, respeito e blábláblá. Ele deixou bem claro que eu era um ser inferior no planeta estranho dele e depois vinha com essa parada de não ter medo? Ele ta achando que eu sou o quê? Retardado?

– De onde eu venho, ser escravo é ser objeto. – Respondi, retomando o assunto e ousando olhá-lo nos olhos.

– Aqui você é minha companhia. Se eu quisesse um objeto, comprava um, não ia até a Terra para isso. Há milhões de garotos mais atraentes que você que me serviriam com prazer, se eu os quisesse. – Ele atestou. E ouch, essa doeu, mesmo que eu não entendesse o porquê. – Tudo isso será explicado com o que eu quero te mostrar depois que você se alimentar.

Certo. Eu comi calmamente, ao contrário de como eu me sentia por dentro. Acho que queria atrasar essa parada que ele queria me mostrar, afinal, eu estava me mijando de medo. Quem não estaria, não é? Eu tava me sentindo a chapeuzinho vermelho na toca do lobo mal. Mesmo ele não tendo toca, é como eu imagino que ela se sentiria se ele tivesse uma. Enfim.

Notei as comidas novas na travessa, apesar de estar perdido em medos e pensamentos. Um treco parecido pão, só que rosa e doce. Acho que era bolo. Comi pra cacete daquilo, muito bom. Uma frutinha preta bem pequena, que o loiro amassou e colocou em cima de uma parada verde que devia ser a torrada alien – pelo menos algo alien era verde, né? – e me deu na boca. Isso eu detestei, quase cuspi. São João Batista, que merda era aquela? Era pior que o jiló da minha mãe! Argh que nojo, que nojo!

Tomei uns goles do chá, o mesmo de ontem, e enfiei umas cinco frutinhas-picles na boca, mastigando loucamente até o gosto daquela titica desaparecer. O loiro filho da mãe não estava rindo, mas os olhos dele gargalhavam da minha cara. Muito engraçado, sua cobra traiçoeira!

– Curthe requer um paladar apurado para apreciar. – Ele disse e eu o olhei. Feio. Tentando ser intimidador e falhando, mas não me importando.

– Você podia ter me avisado! – Revidei, comendo mais do bolo rosa e das frutinhas.

– Eu não sabia. Perdoe-me.

Bom, ele parecia arrependido, então, eu podia relevar. Ele não podia adivinhar, não é? Enfim. Terminei meu café da manhã sem encostar mais naquelas coisas pavorosas, e logo em seguida as criadas voltaram para me pentear e vestir. A serpente tarada assistiu tudo, sem desviar os olhos, e aquilo me deixou extremamente constrangido. Mas eu ignorei, porque assim que eu estava pronto, ele simplesmente pegou a minha mão e me arrastou pelos corredores. Eu não fazia idéia de onde estávamos indo, mas o loiro parecia empolgado de me mostrar sei lá o que.

E bem, se fosse pra me estuprar, por que ele me levaria pra fora do quarto? Isso me deixou um pouco mais tranqüilo.

Os corredores pareciam não acabar nunca, mas, depois de parar em frente a uma porta maior que as outras, o loirão colocou o dedo num painel-holograma. A porta se abriu vagarosamente, revelando a presença de algo que me lembrou muito um laboratório. Ou um hospital. Ok, uma mistura macabra dos dois. O cheiro era daqueles lugares desinfetados e, assim que entramos, uma fumaça escrota foi acionada em cima da gente. Eu tossi, né. Não queria aquilo nos meus pulmões, mas o loiro simplesmente me lançou um olhar divertido e continuou me guiando.

– Bem, como eu disse anteriormente, você está aqui por um motivo em especial. – Ele disse, estancando e me olhando nos olhos.

– Ser sua 'companhia'? – Arrisquei, vendo que ele queria que eu participasse do papo, mas não vendo o sentido disso.

– Não só. Eu não sou tão fútil. – A resposta dele me surpreendeu e acho que ele notou. – Eu não o tiraria da sua vida por um capricho apenas.

Agora eu realmente estava confuso. Ele estava tentando me amolecer, era isso? Porque se for, não está funcionando. Ou está? Bem...

– Eu não vejo um motivo bom o suficiente pra me tirar do meu planeta, sendo sincero. – Eu falei, me sentindo bravo o suficiente. Acho que a expressão estranhamente aberta dele tava me deixando mais confiante de mim mesmo. E bem, eu não o desrespeitei, não é? E eu tava sendo eu mesmo. Como ele mandou.

– Não havia opção. Você vai salvar a minha raça, Duo Maxwell. – Ele disse, sua voz tão solene que quase me fez acreditar no que dizia. Quase.

Porque não, eu não sou o Jesus do espaço. Até mesmo considerar aquilo era ridículo, e acho que só não ri porque eu estava tremendo de nervoso. Ele tava bem louco! Ele devia ter mordido a língua e engolido o próprio veneno! Aquele loiro definitivamente tava drogado.

Era só o que me faltava! Estou esperando agora ele me dizer sobre alguma profecia ancestral de humanos salvando aliens. Muito boa essa!

– Você tá bem? – Perguntei, não conseguindo evitar. Eu posso ser tudo, menos idiota.

Ele respirou fundo, aproximando-se de mim e me olhando nos olhos.

– A minha raça tem falhas genéticas que podem nos levar a extinção em alguns anos. De todas as espécies as quais pudemos analisar, os humanos são os únicos que possuem os genes capazes de corrigir essa falha. – Ele explicou. Demorou alguns segundos para eu digerir aquela informação, e meu rosto devia estar perplexo, pois o loiro o tocou e me acariciou, como se para me deixar tranqüilo.

– Isso quer dizer que... quer dizer que você me trouxe para engravidar aliens? – Sussurrei, me livrando dele e me sentindo estranho. Eu não sabia o que pensar. Por que justamente eu? O ET queria me fazer de Adão do espaço? Ele ia me forçar a levar fêmeas pra cama? São Jorge que me auxilie, mas vou me inspirar nele pra matar jararaca!

– Não. Eu não permitiria que ninguém mais te tocasse. – Ele afirmou e eu pude ouvir o tom possessivo de sua voz. Menos mal, aquilo era um alívio. – Eu já disse que a nossa tecnologia é avançada. O seu esperma foi enviado para análise e seu DNA foi misturado com o meu e aplicado nos ovos pelo computador.

Oh, Deus. Deus do céu. Os ETs colocavam ovos mesmo. Jesus Cristo Nazareno. Vou vomitar.

Acho que entrei em algum tipo de choque, pois o loiro gato-louco-cobra me estendeu um copo de algum líquido, ao qual tinha um bebedor ali perto, que eu peguei automaticamente e o esvaziei num gole. DNA, esperma, ovos, misturar, computador... misturar meu DNA com o dele... meu esperma...

Puta merda, aquele ET estava anunciando que eu seria pai?

Comecei a suar frio, vendo tudo rodar a minha volta. Minha pressão foi parar no inferno e dar bom dia pra Lúcifer. Eu devo ter empalidecido loucamente, porque o alien me puxou e me segurou, dando leves tapas em meu rosto e chamando meu nome.

Eu ia ser pai. Pai de criancinhas alienígenas. Que nasciam de ovos. Pai de criancinhas alienígenas que nasciam de ovos junto com outro cara. Não, aquela situação era mais assustadora que qualquer filme de sci-fi dos anos setenta. Eu ia desmaiar, eu realmente ia desmaiar... Era demais pra mim.

Mas um cheiro forte, horroroso, adentrou as minhas narinas e minha pressão subiu tão rápido que meu rosto esquentou. Afastei o lenço, que era a fonte do fedor nojento, e me sentei, livrando-me dos braços do príncipe anaconda e o olhando em total horror, sequer questionando de onde surgira aquele lenço com aquele cheiro. Ou o ET vestido de branco que nos observava ali perto.

– Você tem noção de quantos anos eu tenho? Eu não quero ter filhos, nunca quis! Você não tem o direito de fazer bebês com meu sêmen sem a minha autorização! Eu só tenho quinze anos, seu... sua cobra destruidora de vidas! – Berrei, totalmente descontrolado, sentindo lágrimas de raiva e desespero rolarem por meu rosto. – Eu tinha que estar na escola agora, com meus amigos, ouvindo esporro de algum professor prega-presa por não ter feito o dever de casa. Eu não tenho idade para cuidar de criança! Ainda mais criança alien nascida de ovo! Deus... – Eu estava histérico e sabia bem disso. – Solo... Eu nunca vou ter mesmo uma chance com o Solo... – Murmurei, mas acho que minha audiência escutou, porque o loiro me olhou com uma mistura de dor e ultraje que eu podia jurar que ele estava com ciúmes.

– Você não vai ter qualquer trabalho com os filhotes, as fêmeas cuidarão deles. Sua idade pouco importa, você é fértil. Poderá ir a escola aqui se quiser, posso lhe conceder isso. – Ele disse, sua voz calma, mas, quando ele agarrou o meu braço e me trouxe para perto, me apertando de uma forma que eu sabia que ia deixar marcas, o brilho enlouquecido dos seus olhos me deixou travado de medo. – Esqueça Solo. Você é meu. Não pense em Solo ou eu volto à Terra e o mato. E nunca mais eleve a voz para mim.

Engoli em seco, assentindo e notando que mais e mais lágrimas molhavam meu rosto. Ele respirou fundo, parecendo notar o quanto eu tremia, e soltou meu braço, me abraçando e utilizando-se de toda a sua estatura extremamente avantajada para me envolver totalmente, fazendo eu me sentir quase... seguro. O príncipe das serpentes era forte, o corpo dele era quente e firme, e os braços dele, a minha volta, me trouxeram uma sensação tão estranha que um bolo se formou em minha garganta. Ele beijou os meus cabelos com tanta adoração que me fez chorar ainda mais.

– Você não está sozinho. – Dito isso, ele ergueu meu rosto, secando minhas lágrimas e beijando cada um dos meus olhos delicadamente. – Venha.

Ele me puxou pela mão e me levou até algo que lembrava uma maternidade, só que de ovos. Na verdade, parecia fábrica de ovo de páscoa. Eles eram imensos! E eram tantos que eu esperava que não fossem todos meus. Aquele pensamento fez com que novos soluços brotassem por meus lábios.

Mas aquele loiro tinha um destino, pois parou na frente de um dos pseudo-fornos de ovos, onde possuíam três, e voltou a olhar pra mim.

– São esses os nossos ovos.

Eu os observei por alguns segundos. Meus filhos estavam ali dentro. A idéia era tão absurda que eu me vi rindo, gargalhando em histerismo, enquanto o líquido salgado voltava a escorrer por meu rosto. Eu não queria acreditar naquele alien, não conseguia. Nossos ovos, meus ovos. Aquilo não podia ser real!

– Majestade, eu aconselho que traga seu humano outra hora. Ele está entrando em choque, precisa de conforto e apoio agora. – O ET de branco, que mais parecia uma sombra, falou e eu ouvi. Acho que ele estava certo, eu realmente não me sentia muito bem. Parecia que algo dentro de mim estava desabando e eu não conseguia fazer toda aquela gama de sentimentos simplesmente parar. Não tinha botão de pause.

Eu só soube o que estava acontecendo quando senti os braços fortes do réptil loiro me envolverem novamente e me levantarem do chão. Ele caminhava em passos rápidos para fora dali e eu não pude agradecer mais. Aquele cheiro, juntamente com todo o resto, ia me fazer vomitar. E meu choro descontrolado e escandaloso não estava ajudando; todos os aliens que cruzavam conosco no corredor olhavam pra gente como se estivéssemos num zoológico.

Eu nem pensei em protestar por estar sendo carregado porque duvidava muito que minhas pernas fossem me agüentar por muito tempo. No passo dele, nós chegamos ao quarto em poucos minutos. Ele me deitou na cama, me olhando com preocupação antes de ativar – como ele faz isso? – o holograma-computador e digitar algumas coisas rapidamente.

Uma criada entrou no quarto segundos depois trazendo um copo, ao qual ele pegou e me ofereceu. Eu me sentei e bebi num gole só, vendo a alien sumir. Era incrível a capacidade dos empregados desse lugar de serem invisíveis.

– Para você se acalmar. – Ele disse, voltando a me puxar contra si.

Para a minha total surpresa, o loirão me consolou de verdade, sussurrando coisas em meu ouvido, tentando me acalmar. Não tentou mais abusar de mim enquanto o fazia, deixando que eu afogasse as mágoas em seu ombro com meu choro e soluços histéricos. Eu queria odiá-lo ainda mais por aquilo, mas não conseguia. Eu não tinha mais nada, mais absolutamente nada, e seria inteligente da minha parte se eu aproveitasse conforto enquanto poderia ter, afinal, ta no inferno, abraça o capeta, colega!

Mas, como tudo o que é bom dura pouco, ele tentou me beijar quando eu já estava mais calmo. Minha luta foi breve e, mesmo que meus lábios permanecessem imóveis enquanto ele os molestava, eu fechei os olhos e deixei meu corpo absorver o calor dele, necessitando de qualquer tipo de alento para a minha mente.

Mas, depois de alguns segundos, eu simplesmente... deixei acontecer. Deixei os lábios dele consumirem aos meus. Aliás, eu retribuí pela primeira vez e acho que isso o surpreendeu tanto quanto a mim mesmo. Eu não sei por que o fiz, essa resposta está distante da minha compreensão, mas eu o fiz. Eu sentia a língua dele contra a minha e era algo tão... estranho. A língua dele era mais suave que a minha e quase me fazia cócegas. Além de ser bifurcada, né. E ele tinha formas malignas de estimular a minha boca com aquelas duas pontas from hell.

Ele me colocou sentado em seu colo, correndo as mãos pelas minhas costas com uma avidez que me deixou no clima. Sem que eu soubesse como ou o porquê, meus braços já haviam enlaçado o pescoço dele e bem, eu me rendi. Eu deixei as mãos dele entrarem pela minha túnica e tocarem a minha pele; deixei ele me deitar na cama e cobrir o meu corpo com o dele; deixei os lábios dele correrem pelo meu pescoço. Deixei ele tirar minha roupa.

Eu não sabia o que tinha me possuído, nem que drogas eles haviam enfiado na bebida, mas eu simplesmente deixei acontecer.

– Eu quero cuidar de você. – Ele sussurrou no meu ouvido, me causando arrepios nada discretos. – Quero fazer amor com você.

Acho que gemi. Podia jurar ter ouvido a minha voz gemendo, mas não tinha certeza. Aquele loiro tarado deve ter tomado isso como um sim, porque continuou me despindo e correndo a mão pelo meu corpo como se eu fosse o último biscoito do pacote. E devo dizer que essa sensação de ser desejado assim é incrivelmente agradável. E excitante. Eu já nem lembrava mais o porquê de estar triste, a única coisa que eu sentia era o toque dele.

Quando a boca dele tomou um dos meus mamilos, eu tive certeza de que gemi. Alto. Eu nunca havia sentido algo assim. As pontas da língua dele faziam alguma mágica, porque meu corpo inteiro estava em chamas enquanto elas me acariciavam. Minha Nossa Senhora, aquele loiro sabia mesmo o que estava fazendo. Ele era uma máquina.

O soberano das cobras ia se despindo enquanto lambia e beijava meu abdômen, e meus olhos iam dobrando de tamanho a cada peça de roupa que ele retirava. Que corpo era aquele! Que músculos, que estrutura física, quê isso! Quando a mão dele encontrou a minha ereção e me tocou, eu quase agradeci aos céus, porque se ele não o fizesse, eu mesmo o faria enquanto assistia a aquele show de strip-tease. Ele é perfeito, perfeito!

Porém, as calças brancas ficaram, mesmo com a enorme – foco no enorme – tenda que se formava em sua frente. Eu não sabia o porquê de ele estar enrolando para tirá-las; eu estava curioso! Queria ver se ele era como os humanos ou não, se aquele tamanho todo era real ou não, e bem... eu era gay, né. Eu estava absolutamente e avidamente louco pra ver o que ele estava guardando.

Mas, para a minha total surpresa, ele se abaixou e passou aquela língua do mal pelo Duo Jr, me fazendo basicamente gritar tanto de surpresa quanto de êxtase. Oh Deus, Deus do céu... ele estava simplesmente me engolindo e me estimulando de uma forma que eu fiquei vesgo. Minhas mãos acharam aqueles cabelos maravilhosos e eu me surpreendi com a textura deles; suaves, lisos, perfeitos. Acho que meus dedos tomaram vida própria, pois ficaram acariciando os fantásticos fios loiros enquanto eu gemia feito uma moça. O quê? Não é como se eu já tivesse sido chupado antes. Eu sou virgem, totalmente virgem! Ou bem... não mais tão virgem assim. Acho que até o fim do dia, eu não vou ser nem mais um pouco virgem. Nem de orelha, se o olhar luxurioso daquela cobra tinha algo a me dizer.

Porém, para a minha total surpresa, ele simplesmente parou tudo – NOES! – e me virou de bruços, erguendo meus quadris e me fazendo apoiar o rosto no travesseiro. O que ele ia fazer? Ele não podia estar simplesmente pensando em entrar em mim agora, né? Não com aquela coisa gigantesca que ele tinha nas calças. Eu espero que ele não seja tão loiro assim, pelo meu próprio bem. Acho que estou começando a hiper-ventilar...

Meu cérebro deu curto circuito quando, ao invés do que eu esperava, senti aquela língua proveniente dos sete infernos circundar a minha entrada. Eu berrei, assim, bem alto. Minha Nossa Senhora do Ó. Aliás, acho que agora eu entendo o nome dessa santa. Eu sempre achei bem ridículo ter um santo que protegia o 'Ó', mas depois desse meu berro – sim, um ó. Mais como um oh. – eu manjei tudo. Eu não consigo nem tentar descrever as sensações que aquele réptil estava me causando com aquela fucking língua, mas eu sei que quando ela entrou em mim e se mexeu, eu gozei. Gozei tão forte que acho que só não desabei porque as mãos do loiro estavam firmemente presas em minhas nádegas. E ele nem tinha me tocado!

Ele não parou, pelo contrario. Acho que ele estava se divertindo bastante me fazendo grunhir daquele jeito, enquanto simplesmente brincava com meu corpo e apertava e massageava minha bunda. Como eu sou um saudável garoto hormonal de quinze anos, em segundos – repito, segundos – eu estava ereto novamente, pronto pra outra. Aliás, acho que nunca estive tão excitado na vida. Nem vendo pornô. Muito menos batendo uma pensando no Solo.

Para a minha surpresa, logo a língua dele foi substituída por dedos tão malignos quanto. Foi desconfortável no começo, afinal, os dedos dele não eram pequenos, mas foi exatamente por isso que ele encontrou minha próstata tão rápido. Minha visão havia virado um borrão duplo, e minha pressão tinha subido tanto que eu estava com medo de acabar morrendo do coração no meio da coisa. Tipo aqueles velhos gulosos.

Eu o sentia beijar meus quadris e coxas, com tanta adoração que me arrepiou. Até que, sem que eu esperasse, o senti morder uma das minhas nádegas com força o suficiente praquelas presas malditas romperem a pele. Dessa vez eu gemi de dor, mas tão rápido quanto veio, ela passou. Em seguida, ele me virou novamente de barriga para cima e cobriu o meu corpo com o dele, tomando meus lábios imediatamente. Eu o acomodei, separando as pernas e percebendo que ele tentava ser mágico, me beijando e tirando aquela calça apertada ao mesmo tempo. Resolvi ajudar, né, afinal, eu era o interessado ali. Mas, quando rompi o beijo para ver quando ele já estava nu, eu achei que realmente fosse hiper-ventilar. Ele era maior do que enorme. Ele era colossal.

Jesus amado, aquilo ia doer. Loucamente.

– Não se preocupe, Duo. O veneno que apliquei em você agora, inibe seus receptores de dor e estimula os de prazer. Eu não vou te machucar. – O loiro cobra sussurrou no meu ouvido, parecendo ler meus pensamentos. Acho que nunca fiquei tão agradecido por ser envenenado na vida. – Não precisa ter medo.

Dito isso, aquela serpente gigante do mal voltou a me beijar. Eu me vi ainda mais curioso, agora que estava aliviado, e corri a mão por seu peito musculoso e perfeito. Senti-o estremecer, assim como eu mesmo estremeci diante da textura da pele dele. Parecia uma seda, daquelas que você passa a mão e quer esfregar pelo corpo todo. Eu observava, com a garganta seca, minha mão acariciar o torso dele depois de interromper mais uma vez o beijo. Ele parecia gostar daquilo, pois a respiração dele ia aumentando de intensidade à medida que meus toques se aproximavam de seu baixo ventre. Quando eu segurei a ereção dele, ele fechou os olhos e trincou o maxilar, parecendo lutar para se controlar, e aquela reação me deu uma incrível sensação de... poder. Poder sobre aquele alien enorme e forte em cima de mim, sobre o que nós íamos fazer. Eu percebi que ele realmente não ia me machucar.

Devo acrescentar que o pênis dele não era tão diferente do humano, só na cor e na textura. Mais avermelhado e tão suave quanto a pele dele. Eu estava gostando de senti-lo em minha mão, mesmo que esta não se fechasse ao redor dele. Acho que se eu realmente quisesse fazer isso direito, eu teria que usar as duas mãos, mas ele me impediu. Ele segurou meus pulsos – com uma mão só! – acima de minha cabeça e se acomodou melhor entre as minhas pernas. Com a outra, ele pegou alguma coisa na cabeceira, que eu tive certeza se tratar de algum tipo de lubrificante, pois logo em seguida ele aplicou algo oleoso em minha entrada. Eu realmente pude notar o efeito do veneno, porque quando o dedo dele entrou em mim, eu não senti nenhum tipo de desconforto ou dor, só um prazer louco que me fez gemer por mais.

O loiro não teve problema algum em me atender. Ele simplesmente ergueu as minhas pernas, se posicionou e entrou. O fato de não haver dor me fez aproveitar aquilo num nível totalmente diferente. Eu sentia o corpo dele preencher o meu aos poucos, a textura incrível da ereção dele dentro de mim me dando arrepios convulsivos enquanto minhas mãos se agarravam aos ombros dele.

Nas primeiras estocadas, eu o ouvi arfar em meio aos meus gemidos, e ele soltou as minhas pernas. Eu as enlacei na cintura dele sem dó, puxando-o para mais perto de mim enquanto os olhos dele encontravam os meus numa intensidade quase febril. Eu estava ficando totalmente descontrolado de prazer, cravando minhas unhas minúsculas nos ombros dele enquanto movimentava meus quadris contra os dele e o sentia tão fundo dentro de mim que minha próstata era atingida constantemente.

– Milliardo... – Me vi gemendo o nome dele, sem ter controle sobre o que eu realmente fazia.

– Zechs. Me chame de Zechs. – Ele me pediu num sussurrou, me beijando rapidamente enquanto se movia dentro de mim intensa, mas de certa forma, suavemente.

– Zechs... – Murmurei, me contorcendo de prazer na cama, sem sequer pensar em questionar o pedido estranho dele. Eu nem sabia o que Zechs era, mas, nessa altura do campeonato, eu o chamaria até de Ave Maria se ele me pedisse.

Mas para a minha surpresa, aquele apelido ou sei lá, saído dos meus lábios o deixou completamente louco. Ele grunhiu, excitado, e aumentou a velocidade das suas estocadas de tal forma que eu tive que me segurar nele para não acabar caindo da cama. Isso podia não estar doendo agora – aliás, eu estava no paraíso – mas eu sabia que amanhã eu não conseguiria andar. Não que eu me importasse, era só uma observação.

As mãos dele apertavam meus quadris com força e eu pedia por mais, gritava por mais, agarrando os cabelos dele e buscando por mais fricção em minha ereção. Eu queria sentir aquela pele deliciosa do ventre dele contra mim, por isso, eu o puxava pelos fios loiros, para que o corpo dele cobrisse o meu. Ele obedeceu, me beijando agressivamente, mas voltando a se levantar para me masturbar enquanto se arremetia em mim com força. Achei essa idéia dele genial.

– Mais, Zechs! – Pedi, implorei, sei lá! Eu só queria que ele fizesse meu corpo parar de queimar daquela forma; aquele prazer todo ia acabar me matando, eu tinha certeza!

– Mais o quê, Duo? – Ele me perguntou, com um sorrisinho sacana nos lábios, acalmando seus movimentos só pra me provocar. Cretino.

– Mais tudo! Mais forte, mais rápido, mais, seu filho da mãe! – Grunhi, olhando-o feio antes de ser beijado mais uma vez. E obedecido.

Eu suava, loucamente, e minha respiração era pior que a de um asmático em crise. Eu o arranhava, mordia, apertava e ele grunhia e gemia baixo em meu ouvido. Como aquele bastardo conseguia ser tão controlado enquanto eu estava me acabando? Não, sério, aquilo era uma sacanagem! Eu basicamente me esgoelei berrando o nome dele quando gozei e o Zechs simplesmente... grunhiu. Eu logo senti o gozo dele me preencher e aquilo fez com que um arrepio prazeroso corresse minha espinha, mesmo que eu estivesse indignado com o fato de ele ter simplesmente arfado pra expressar seu prazer.

Mas vou admitir: era excitante o fato de ele ser tão viril que conseguia controlar as reações só com um trincar de dentes e alguns ofegos. Era tão... macho.

Zechs simplesmente desabou e me admira que ele tenha tido presença de espírito o suficiente para rolar para o lado e me puxar com ele. Os olhos dele, aqueles olhos azuis frios e gélidos com aquelas pupilas esquisitas, estavam tão... amenos e ternos que eu me senti esquentar por dentro. Ele acariciou minha face e o sorriso no rosto dele foi feliz. Sinceramente feliz, mesmo sendo pequeno. Eu pude ver que o havia deixado simplesmente realizado.

– Eu te amo. – Ele murmurou pra mim e eu travei. De verdade.

Nunca, em toda a minha vida, alguém me dissera isso. Nem meu pai, nem minha mãe, nem meus amigos. Não com aquela sinceridade, com aqueles sentimentos escritos nos olhos. Eu nunca havia me sentido amado assim, com uma simples frase. Acho que vou chorar.

Zechs notou minha emotividade excessiva, pois me envolveu num abraço reconfortante e puxou o cobertor sobre nós dois. Ele acariciava meus cabelos, minhas costas e beijava meus ombros, me fazendo suspirar e verter as lágrimas que meu corpo maldito traidor resolveu produzir. Eu nunca fui um emo, mas acho que a ET-lândia muda as pessoas.

– Eu sei que você precisa de tempo, mas tente, Duo. Eu posso fazer você ser muito feliz. – Ele voltou a dizer, sua voz aveludada trabalhando encantos na minha mente. – Eu vou fazer o possível para você ser feliz.

E eu... acreditei nele. Naquela convicção, naquele pedido. Eu acreditei que conseguiria ser feliz ali, com ele, mesmo com todas as esquisitices daquele lugar. Eu poderia tentar, eu era amado, como sempre sonhei ser na vida toda. Zechs estava oferecendo pra mim o que eu sempre busquei em Solo, nos outros garotos de quem eu gostei, e nunca recebi. Acho que aquele lance de 'cuide do seu jardim que o amor te encontra quando você menos espera' ou sei lá o quê, era bastante verdadeiro. Acho que eu poderia amar ele também, no devido tempo.

Bem, eu espero que sim. Eu não tinha outra opção, não era mesmo?

Foi pensando nisso que eu adormeci, sem me preocupar com o que aconteceria amanhã. Eu me sentia, estranhamente e anormalmente, em paz. Mesmo com uma serpente peçonhenta dormindo ao meu lado.

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Continua...

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