Os personagens de Naruto são da autoria de Masashi Kishimoto.

Essa estória trata-se de um mini-fic sem fins lucrativos.

A traição do Sacrifício

Terceira parte

"Cada dia traz sua alegria e sua pena, e também sua lição proveitosa."

Saramago

A madrugada estava fria quando a acordaram requerindo sua presença no hospital, o apressado menino do aviso não tinha identificado quem poderia ser o ferido, seguindo seu caminho provavelmente à casa de outra pobre alma a quem levaria más noticias, no entanto sua presença por si só significava a chegada do recolhimento de outro batalhão. Estava ficando cada vez mais comum as ordens de retirada maciça de todo um regimento após enfrentamentos espinhosos, a medida apesar de muito criticada por tratar-se do deslocamento de uma enorme quantidade de ninjas já debilitados, o que os tornavam um alvo fácil a ataques, mostrava-se eficiente na diminuição das perdas humanas.

Tanto seu pai como Hanabi e Neji encontravam-se fora da vila, podendo dessa forma tratar-se de qualquer um deles. Ao chegar ao hospital apesar de esperar um pandemônio se assustou com a proporção, algo deveria ter dado muito errado. No balcão lhe informaram da presença dos seus três familiares, entre eles Neji em estado grave e Hanabi em gravíssimo, chegando ao corredor da UTI onde ocorriam muitas operações de risco simultaneamente viu seu pai e foi sentar-se ao lado deste.

O homem como sempre era um quadro de serenidade, se ela não soubesse dos profundos sentimentos que ele nutria por aqueles dois que estavam entre a vida e a morte nesse exato instante julgaria que estava indiferente ou quem sabe preparando-se para tomar chá.

- Pai, qual é o estado deles?

- Nada me foi dito – silêncio- De qualquer forma sua irmã está sendo atendida pela própria Hokage e Neji pela Yamanaka.

Os minutos passavam tortuosamente, Ino apareceu com uma expressão neutra no rosto ao mesmo tempo que Tsunade.

- Neji está bem, ficara cerca de uma semana no hospital e com outra de descanso estará como novo.

Hinata soltou um suspiro de alivio ao tempo que levava o olhar a Quinta, essa por sua vez retirava as luvas num gesto bruto e frustrado.

- Eu sinto muito.

- Transfira os olhos dela a Neji.

Como ele era capaz de pensar nisso numa hora dessas, de manter-se assim de impassível!

- Pai!- a velha mulher a segurou pelo braço...

- Cale-se!

- Ino faça o procedimento – ...ao tempo que o via sumir dobrando a esquina e que suas pernas perdiam forças sendo levada ao sentar-se novamente.

- Eu realmente sinto muito Hinata... – a líder da aldeia mal pronunciou as últimas palavras do nome da menina quando sua expressão transformou-se totalmente enquanto a cabeça da Hyuga girava.

- Que diabos aconteceu ali Naruto!

- Quando cheguei as lutas já haviam começado e boa parte do estrago já havia sido feito, preciso primeiro contar o que acontec

- Seu grande idiota! – Tenten gritou sem se importar em estar no hospital enquanto encostava o loiro na parede – Isso foi tudo culpa sua! – apertava o agarre – Como você ousa!

A garota sobre a cadeira levanta o olhar um pouco perdida, encontra a sua frente um jovem coberto de sangue e machucados, visivelmente negligenciados por baixo de uma camisa branca claramente colocada recentemente ao apresentar-se inteira e sem marcas de terra, sendo espremido contra a parede por uma mulher mais baixa que ele, esta com o cabelo esvoaçado, coberta de faixas arrastando um cabide com um saco de sangue conectado ao braço esquerdo, atrás deles estava uma estupefata loira que intervém apartando os outros dois.

- Mitsashi controle-se! Não é porque a equipe médica esta sobrecarregada que você pode sair assim pelos corredores, nem que por algo ter dado errado que pode acusar o Nar

- Você não entende! A culpa e dele! Do seu favorito e agora Neji...

- Neji está bem, agora volte pro seu quart

- Ela está certa. A culpa foi minha. – Hinata tinha olhado entorpecida toda a cena até esse preciso instante no qual o Uzumaki havia se expressado pela primeira vez dês que sua "cunhada" havia entrado no recinto, sua voz estava tão monocromática que se não estivesse olhado para seus olhos não teria captado a culpa e a tristeza escondida em seu rosto morto, impassível.

- Naruto, nem tudo que dá errado é responsabilidade sua. – falou a Hokage com voz surpreendentemente maternal ao ponto que levava suas mãos ao garoto que rapidamente se afasta como se fugisse de algo repugnante.

- Permissão para dar meu informe Godaime-sama – ou como um leproso que foge do toque de um são.

- Permissão concedida - suspirou ao tempo que se apoiava na parede oposta levando a mão à testa.

- A duas madrugadas atrás recebi as ordens de Shikaku ordenando minha presença no amanhecer seguinte para comandar a batalha no vale Poka juntamente com Hiashi, no caminho eu deveria encontrar-me com Sakura, Sai e o Raikage, o último me passaria o comando de um grande batalhão composto de ninjas da chuva que eu deveria levar até o ponto de encontro.

Não obstante percebi uma movimentação estranha em minha travessia, tinha tempo sobrando então resolvi investigar, havia muitos esquadrões espalhados ao redor da aldeia da chuva, ao verificar descobri se tratar de inimigos, eles pretendiam realizar um ataque duplo e destruir a aldeia da chuva que estaria menos protegida, suponho que queriam desestabilizar a rota, afinal aquele é um importante ponto de entroncamento da união pela posição geográfica.

Fui até Amegakure no Sato dar o aviso a Konan, eles não tinham gente o suficiente para se defender, mesmo com o aviso eles perderiam, fui então até o Raikage para uma mudança de estratégia, mesmo usando o Hiraishin no Jutsu o tempo já estava apertado, ele resolveu que levaria o batalhão de volta a chuva onde reforçaria a frente, eu deveria voltar imediatamente, dar o aviso e agir como batedor eliminando parte dos adversários antes do confronto e na retaguarda depois que esse começasse.

- Então você e aquele velho rabugento resolveram nos abandonar a morte, quando iam nos avisar antes ou depois dos nossos funerais? – Falou irônica.

- Tenten esse é meu último aviso, ou se cala ou de darei machucados graves o suficiente para que só saia da cama na terceira idade!

- Ou seja, da sua idade – sussurrou.

- Disse algo Mitsashi?

- Não Quinta.

- Continue Uzumaki, eu não acredito que tenha abandonado os seus – Naruto quis dizer que não era isso que o seu tom revelava, contudo continuou sua narração.

- Sakura e Sai deveria continuar e avisar a Hiashi, suas novas ordens seria de evacuar os civis e nossas bases tanto no vale como ao seu redor e destruir tudo que não pudesse ser deslocado a tempo, depois disso deveriam ir também à chuva que abrigaria os não militantes e usariam o material deslocado mais a mão-de-obra adicional para reparar os estragos, de lá esperaríamos novas ordens.

Conseguimos salvaguardar a vila, porém durante não conseguia sentir ninguém se aproximando mesmo com o Senjutsu ativo, pedi permissão para o Raikage para escolher um esquadrão e ir investigar – Naruto para um momento enquanto bagunça mais os cabelos, de por si bagunçados, em um gesto furioso – ele negou, afirmou que estavam todos muito fracos e isso me incluía, ele proibiu minha saída.

Desobedeci ao procurar o chakra do meu time e sentir que eles estavam parados, não só isso Zetsu e Juugo estavam lá, entretanto não era só isso tinham dois exércitos se aproximando do ponto de encontro, eu tinha de escolher uma das lutas para ajudar, e – a voz que se manteve morta durante todo o dialogo, recém adquiriu um tom de desespero até que se calou e ficou assim por um minuto interminável.

Dirigi-me até Poka, quando cheguei já estávamos sendo massacrados, aquele idiota começou a batalha mesmo sem o apoio ter chegado,

- Nos acreditamos que vocês chegariam, porque você dirigia o apoio, você sempre chegava a tempo, sempre, acreditamos em você! – Falou a moça caindo ajoelhada ao chão levando consigo a bolsa de sangue que rascou derramando seu conteúdo vagarosamente no chão como se consciente de ter todos os olhares perdidos sobe o desenho que o liquido carmim traçava no piso impecavelmente branco.

No instante que a poça tocou os pés do menino ele levantou um olhar vazio ao patético vulto no chão que derramava lágrimas silenciosas, prosseguiu como se não houvesse sido interrompido, a única diferença é que não parava de olhá-la ao tempo que Tsunade chamava com um gesto mudo uma enfermeira que passava, esta retirou a ninja dali como se tratasse de uma boneca.

- Eu fiz que os nossos partissem em retirada, quando eles estavam longe o suficiente liberei a kyuubi,

- Você vez o que? Eu mesma te proibi de...

- Não se exalte. Era necessário, eu estava com pouco chakra, não podia dar cobertura por muito tempo, tive de eliminar todos os inimigos para não haver riscos de sermos perseguidos, entenda já havíamos sofrido muitas baixas, garantir a segurança deles era a prioridade.

- Um shinobi não escolhe suas prioridades! Tinha ordens diretas de não usar esse jutsu, você poderia ter morrido, já lhe expliquei milhões de vezes que não importa o quão resistente você seja, seu corpo se sobrecarrega com uma retirada e depois reentrada tão abruta de tanto chakra, ainda mais sendo chakra da raposa, se continuar com isso perecerá de enfarde.

- Minha saúde era irrelevant

- Já me cansei do seu desleixo consigo! Se não e capaz de obedecer por si faça por nos, o que faremos se fosse morrer e o zorro cair nas mãos de Madara? O que diriam as outras nações se fosse morresse numa situação como essas defendendo seus amigos após desobedecer ao Raikage? Quem você acha que eles culpariam? Han?

-...

- Vou mandar uma equipe atrás da Sakura e do Sai.

- Não precisa, Kakashi me mandou essa mensagem informando dos resultados. – retirou uma nota do bolso, depois a estendeu.

- Kakashi?

- Eu mandei um clone reforçado junto com Gamakichi para auxiliá-los, no caminho encontramos Kakashi e Yamato. – A Senju parou para ler, ao terminar a leitura dirigiu um olhar sofrido ao garoto.

- Eu sinto muit

- Quando chegamos Sai já estava morto, ele sacrificou a vida para destruir Zetsu, ele não era forte o suficiente para matá-lo sozinho, Sakura se enfrentava com Juugo, ele poderia ter recuado, mesmo assim preferiu cumprir as ordens de matar aquele desgraçado a qualquer custo. – falou com amargura.

- A ordem era pertinente, aquele homem causava muitos problemas pela sua velocidade de transmitir informação. Compreenda a morte de Sai foi triste mais necessária.

Um porta se abre, uma loira escuta o ocorrido, para no chão, começa um ataque epilético, um parte do sangue no chão respinga por todos os lados, outra e absorvida pelo vestido e a bata branca, o restante do liquido fica indiferente. Como se em vez de essência vital fosse a própria dor do mundo.

"Há ocasiões que é mil vezes preferível fazer de menos que fazer de mais, entrega-se o assunto ao governamento da sensibilidade, ela, melhor que a inteligência racional, saberá proceder segundo o que mais convenha à perfeição dos instantes seguintes."

Saramago.

Continua...