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Retratações: Os personagens principais são propriedades das empresas japonesas Soutsuu Agency e Sunrise Television. Eu não ganho nenhum dinheiro com eles. Somente promovo a diversão.
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Desafio Gundam Wing 2010 – Amores Possíveis
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Fanfic: Fragrâncias
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Gênero: Yaoi, Romance, Drama, Angústia
Casais: 2x4
Censura: M
Avisos: Universo Alternativo
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Capítulo III – Aroma de Desprezo
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– Senhor Maxwell, sou Quatre Raberba, e serei seu professor de Etiqueta, a pedido do senhor seu pai. – o loiro esticou a mão para cumprimentá-lo, mantendo seus olhos fixos nos do filho do patrão.
Duo ficou olhando a mão de Quatre em riste por um tempo; até que ergueu seus orbes para a face do loiro, notando a rispidez estampada em seus traços delicados disfarçada por um sorriso leve. A raiva que ele acumulara de si durante todos aqueles anos era evidente no brilho dos seus olhos. Mas estava disposto a consertar seus erros do passado, inclusive, aquele recente, quando o beijara no jardim à força.
– Não precisamos nos apresentar... – respondeu, segurando o punho do rapaz e puxando-o para um abraço. – Você não mudou quase nada, Will.
Por um minuto, Quatre se deteve naquele abraço. Algo estranho o invadira. Lembrou-se do gosto da boca de Duo na sua, do sangue que vertera do ferimento o qual ele mesmo provocara, misturando-se a sua saliva. Seu rosto afogueou-se. Não entendia aquele sentimento, muito menos, o porquê de seu coração ter disparado. Aquele abraço... era quente e confortável. Estava começando a fraquejar. Não podia, precisava manter-se firme, fechou os punhos e, enfiando-os entre seus corpos, o empurrou.
– Seu pai tem razão, você é mesmo sem modos! – esbravejou – Não se cumprimenta um homem desta forma.
– Escute, Will...
– Meu nome é Quatre Raberba!
– Sim, mas eu o conheci como William. Mas está certo. É Quatre. Como preferir. Mas acho que nosso reencontro foi um pouco desastroso, eu quero me desculpar pelo ocorrido no jardim.
– Vamos começar a aula. – O loiro pronunciou-se, ignorando o pedido de Duo e apontando para a mesa montada, solicitou: – Sente-se, por favor.
– Não vai me desculpar?
– Maxwell, eu não tenho do que lhe desculpar. – respondeu com uma voz sonora, suave, totalmente recomposto. – Eu revidei seu estranho ataque. Estamos quites.
Absolutamente nada, daquela atitude exageradamente educada de Quatre, agradara ao filho de Treize. Estava evidente: aquele jovem estava tentando lhe atingir. Tudo que ele falava parecia minuciosamente e premeditadamente calculado para lhe ferir. Sim, tinha certeza. Aquilo se chamava "indiferença". Conhecia muito bem essa palavra. Já que por várias ocasiões, fora alvo da indiferença de garotas que rejeitara. Só que a forma que as mulheres utilizavam era diferente. Normalmente, estas, ofendidas, faziam questão de chamar-lhe atenção, desfilando em sua frente como se fossem modelos, lhe mostrando as pernas ou os bustos, através dos decotes avantajados de suas roupas, chacoalhando seus densos e volumosos cabelos de um lado para o outro e, enfim, quando conseguiam o que queriam: sua atenção. Fingiam não conhecê-lo.
Entretanto, Quatre passava longe de ser uma mulher. Mesmo assim, ele queria feri-lo. Vingança por suas belas rosa, por tê-lo ignorado na infância. Se fosse daquela forma, não iria fugir como um covarde. Jogaria o jogo dele e veria quem cederia primeiro. Sentou-se na cadeira que o mordomo havia afastado.
Já o loiro, se acomodou na cadeira na ponta da mesa, como se fosse o dono da residência.
– Acho que teremos de começar dos princípios básicos.
– Básicos? Eu só me sentei e já conseguiu deduzir o quanto sou ruim?
– Seu pai pediu para que eu me esforçasse em lhe transmitir os modos de uma pessoa elegante. – o professor de Etiqueta explicou, ignorando o comentário do moreno. – Parece que ele pretende levá-lo ao seu primeiro jantar da alta sociedade daqui duas semanas. Por isso, nossa primeira aula será sobre modos à mesa. O Chang nos ajudará, fazendo o papel do mordomo da festa. Eu interpretarei o seu anfitrião. Primeiro, quando você chegar à mesa, e os convidados já tiverem apostos, jamais os cumprimente com contato físico, dirija-se primeiro aos homens, posteriormente, as mulheres. Mas use somente breves acenos ou meneios de cabeça. Ao sentar-se, sente-se reto, não da forma relaxada em que está; seus ombros devem transmitir firmeza e não peso. O guardanapo sobre a mesa deve ser desenrolado e posto em seu colo. Os cotovelos devem ficar mais próximo possíveis do corpo, jamais abertos ou em cima da mesa...
Enquanto Quatre falava, Duo tentava seguir as instruções, se corrigindo. Mas, após quinze minutos, já estava enfadado daquela "ladainha" tediosa, como nomeara em sua mente. Não compreendia o motivo de tantos talheres, muito menos, o porquê de ter que decorar tantas regras idiotas só para comer. O importante não era só ingerir o alimento?
Havia momentos em que se perdia na fala do outro: só prestava atenção nos lábios dele se movendo, o som desaparecia. Seus gestos meticulosos, exatos e sua postura altiva o encantavam de alguma maneira. Lembrava-o de certa forma o pai, ao piano. Nunca confessara ao seu velho aquilo, mas gostava de vê-lo tocando. Quando ele tocava, parecia estar sozinho. Por mais que estivesse frente a uma platéia imensa, ele se desprendia do mundo e adentrava em outro só seu: o da música. Quatre também era assim; cuidar do jardim parecia ser para ele algo tão prazeroso que o tirava de si.
Só não conseguia entender como o jardineiro conseguia entender melhor de toda aquela baboseira de etiqueta, do que ele.
– Os talheres ficam dispostos na mesa conforme sua ordem de utilização. Exemplo: do seu lado direto está primeiro a colher de sopa, isso significa que o prato de entrada será líquido. A faca do lado direito e o garfo do lado esquerdo do seu prato, os mais extensos, são utilizados para o primeiro prato da noite. Geralmente, carne branca como peixe ou alguma ave. Os talheres mais próximos ao seu prato são para serem utilizados com o alimento principal da noite. Os pequenos talheres dispostos acima são para sobremesa. Além do prato auxiliar à sua esquerda, que poderá servir para colocar um pedaço de pão, que deve ser pego com as mãos. Vamos às taças. Essa que tem a base maior é para água, a que tem base menor, é para o vinho branco, que acompanha o primeiro prato, a taça média é para...
– Para a bebida que acompanha o prato principal. – Duo o interrompeu, farto, já com um dos cotovelos sobre a mesa e a mão apoiando o rosto.
– Então você já conhece as regras?
– Não. Eu só conheço uma regra: mandar pra dentro quando estou com fome. Mas eu deduzi. Afinal, é o último copo que sobrou, então, só deveria ser para o último prato.
– Tire os cotovelos da mesa e arrume sua postura. – o loiro suspirou, voltando para explicação. – Existem duas formas de manusear os talheres: a primeira é a que se troca de talher...
– Escuta, isso tudo é muito chato. – Duo o interrompeu, novamente. – Eu não me importo com esse bando de regras idiotas de como se deve comer na mesa de gente chique.
– Escuta, senhor Duo Maxwell, não me agrada também ensinar alguém que não está nem aí para essas "regras idiotas". Só quero que tenha ciência de que estou fazendo isso por um pedido do seu pai, uma pessoa que considero muito.
Duo não queria, mas acabou se irritando com aquele comentário.
– Eu também estou fazendo isso por ele! – replicou, revoltado.
– Então, prove, se esforçando mais!
O rapaz moreno fechou o cenho, emburrado. Ficou ereto na cadeira, retirou os cotovelos da mesa e olhando nos olhos azuis do loiro, pediu, ironicamente:
– Por favor, continue.
– Certo. Após cortar o alimento com a faca na mão direita, descanse-a na borda do prato do mesmo lado onde ela estava, ou um pouco mais acima, e passe o garfo para a mão direita, levando-o a boca com alimento. Nunca sobrecarregue o garfo para que o alimento não despenque no percurso; também, não curve o corpo com intuito de alcançar a comida o mais rápido possível, você é rico, não um morto de fome. Segunda forma: corta-se o alimento direto com a faca na mão direita e leve-o até a boca com o garfo na mão esquerda. Parece complicado, mais com um pouco de treino, você se habitua.
Assim, as aulas prosseguiram durante a semana. Duo achou que realmente tiraria de letra, mas a cada dia que se passava, percebia o quanto ser um lorde era complicado. Havia tantas regras que, se juntassem tudo, daria um livro maior que a Bíblia. Havia até mesmo, regra do que se pode vestir e o que não podia, em determinadas ocasiões.
Quatre permanecia ostentando seu tom profissional. Em nenhum momento ele dera brecha a Duo de tirá-lo do assunto. O senhor Treize, quando estava se sentindo bem, acompanhava as aulas para ver como o filho estava se saindo. E ficou realmente feliz ao perceber que Duo parecia aplicado.
Algo que o moreno de trança notara e que o perturbara de uma forma extremamente incômoda, era a mudança de humor de Quatre quando seu pai estava acompanhando às lições. O loiro suavizava sua feição quase sempre carrancuda, tirava dúvidas com o músico e até sorria exageradamente quando o homem fazia alguma brincadeira. Ainda mais, se enrubescia todo ao receber um elogio do mais velho.
Não era só com o pai essa mudança. Ele também agia diferente com Chang e Trowa. Sendo que o primeiro, ele tratava de uma forma muito respeitosa. Já o segundo... percebia entre eles algo que não sabia identificar. Não parecia só amizade. Barton tinha um cuidado desnecessário ao se dirigir a Quatre e, muitas vezes, se atropelava ou ficava vermelho diante dele.
Parecia que o outro rapaz era realmente querido pelas três pessoas residentes daquela casa. Querido até demais. Assim, ele era o único excluído do círculo. O que o chateou bastante, já que começou a se sentir sozinho. Na sexta, seu digníssimo professor lhe dera uma folga; Quatre fazia faculdade a distância e tinha uma aula presencial por semana. Mesmo assim, não conseguiu dormir até meio-dia como planejara: não fazia nada durante a noite, por isso, dormia cedo, o que em consequência, obrigava-o a acordar cedo também.
Ao se levantar, foi direto para o computador, iria tentar conversar com uma das suas paqueras que havia ficado em Madri. Afinal, estava há uma semana sem sexo e a abstinência não o deixava pensar direito. Não era do tipo que precisava ficar fazendo "justiça com as próprias mãos"; sempre tivera as mulheres que desejara para fazer consigo as loucuras mais indecentes. Porém, estava encerrado em uma casa que fedia a homem. Não entendia por que o pai só contratara empregados do sexo masculino.
Talvez...
Ele lembrou-se do jeito carinhoso que o adulto tratava o loiro. Porém, balançou sua cabeça negativamente, repreendendo-se, ao idear tal coisa do seu velho. Sabia que a sua libido avançada fora herdada de algum dos seus entes. A mãe não podia, ela fora uma verdadeira santa. Porém, seu pai se fazia de sério, mas lembrava-se das vezes que viajaram juntos. Havia sempre belas mulheres acompanhando-o. Não acreditava que ele houvesse mudado de lado na velhice e estando à beira da morte.
Seu estômago resmungou. Havia amanhecido um dia claro, o que era raro para aquela cidade acinzentada. Sorriu de lado e desistiu da internet. Não tinha graça contatar alguém que estava a quilômetros de distância; não o ajudaria em nada. Fechou o programa de mensagens instantâneas. Estava sozinho em casa, o pai lhe avisara que sairia com Trowa cedo, porque tinha exames. E também, era o dia de mercado do Chang.
Assim, resolveu que daria uma volta também, depois de comer uma enorme baguete com tudo que tinha direito dentro. Arrancou as amassadas roupas de dormir e ficou totalmente nu diante do roupeiro aberto, com a mão no queixo, pensando no que usar.
Contudo...
O barulho da porta se abrindo e de coisas caindo no chão, o fez sobressaltar. A mulher de cabelos negros e olhos azuis parada na porta, se desculpou, virando-se de costas:
– Perdão, senhor. Eu não imaginei que estaria se trocando.
– Deus do céu, você me assustou. – Duo enfim, suspirou aliviado, apanhando a toalha que estava nas costas da cadeira do computador e envolve-a na cintura. – Pode se virar.
A mulher o fez, ainda um tanto constrangida e foi recebida pelo sorriso matreiro do jovem de cabelos longos.
– Bem, eu nem sabia que havia deixado a porcaria da porta aberta... – o moreno catou algumas roupas no armário e passou pela garota, com intento de ir para o banheiro se vestir com privacidade.
A jovem sentiu as pernas trêmulas depois que o filho do patrão saiu. Tinha que confessar para si mesma: ele tinha um corpo e tanto. Mordeu o lábio inferior e viu seu rosto ficando vermelho no reflexo do espelho.
– Certo! Depois de arrumar essa bagunça, me desculpo com o senhor Bumbum Arrebitado Mais Perfeito que já vi na vida. Ha, ha!
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.:. Desafio GW .:.
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O rapaz de cabelos cumpridos saiu para correr e chegou quando já era quase hora do almoço. Para sua infelicidade, não havia encontrado ninguém interessante. Tradução: mulher boazuda. Apesar de que, a empregada daria para o gasto, já que era bem bonitinha. O encontro dos dois havia sido tão tenso, que acabou nem perguntando o nome dela.
Deu a volta na grande residência, para se refrescar na mangueira do jardim. Observou as flores bem cuidadas e sentiu algo como uma frustração lhe invadir. Fora graças à beleza irradiante daquelas benditas que havia perdido um amigo... Sim, Quatre e ele poderiam ter sido grandes amigos, assim como ele era com Trowa e Chang.
– Ahhh! – ele gritou, irritado, soltando a longa trança. – Eu não sei por que estou pensando tanto nessa babaquice! Se ele não quer ser meu amigo, que não seja! Inferno! – xingou, abrindo a torneira e se molhando todo.
O cabelo grande pesou e ondulou. Arrancou a camisa e passou a compartilhar a água da mangueira com as plantas.
– Certo, espero que me desculpem por ter sido um babaca naquela época. Mas eu não sabia que vocês tinham sentimentos...
– Está conversando com as flores?
A voz feminina, ao seu lado, o fez sobressaltar, mais uma vez. Ao ter certeza de quem era a dona dela, voltou-se para a jovem que lhe ria debochado, com as sobrancelhas crispadas.
– Você ainda está por aqui? – ironizou.
– Só vou embora à noite. Já viu o tamanho dessa casa? – ela replicou, colocando as mãos na cintura.
Duo riu de lado e, de repente, a vontade de fazer uma travessura falou mais alto. Apontou a esguicho de água para a garota à sua frente, banhando-a completamente.
– Então, londrinas gostam de banho, hein? Ha, ha, ha!
De boca aberta e sem se mover, a empregada se deixou ser encharcada enquanto o ódio mortal que lhe consumia, fazia a veia em sua fronte latejar. Aquele rapaz era mesmo um idiota. Abaixou-se e apanhou um punhado de barro feito no canteiro das flores. Se brincar era o que ele queria, brincariam então. E, sem pensar nas consequências, lançou o tufo de lama e acertou em cheio na cara dele.
A partir dali começou uma guerra de água e lama entre os dois. Até que eles deitaram cansados na calçada, um do lado do outro, sentindo os raios quentes do sol secando-lhes o rosto.
– Seu pai vai me matar... – ela tentava controlar a risada.
– O velho não tem mais forças para isso. Não se preocupe.
– Ah, eu nem trouxe meu uniforme reserva. – ela virou para o lado, buscando apoiar-se no chão para se levantar. Contudo, teve uma das mãos seguradas e foi puxada de volta.
Duo era bonito, animado e tinha algo de sedutor.
– Eu a preferiria trabalhando só de avental.
– Cara de pau! – o rosto da jovem avermelhou-se no mesmo instante. – Que levar um soco, é?
– Nem... Estou brincando. – ele disse, retirando os fios negros que estavam grudados na face dela. – Eu ainda nem sei seu nome...
– Hilde. – ela informou, debruçando-se e indo de encontro à boca dele.
Duo fechou os olhos e, segurando-a pela nuca, correspondeu ao beijo. Mas havia algo de errado, não estava se excitando e aquilo era grave. Afinal, a empregada era linda, divertida, cheia de vida. Conseguia sentir, mesmo coberto pelo tecido molhado da roupa do uniforme, os seios rijos, loucos para serem acariciados. Tentou aprofundar o beijo, passeando as mãos pelas costas dela, contudo, nada. Seu corpo não correspondia. Estava nervoso, com medo de alguém chegar e flagrá-los naquela situação. Mas por que estava pensando naquilo? Jamais teve receio que alguém o visse ficando com uma garota antes. Na verdade, aquilo o envaidecia. Servia para provar o quanto era bom na arte da conquista.
Contudo...
Havia algo incômodo apertando seu peito. Sentiu uma brisa, e junto com ela o perfume das rosas. Era como se elas os estivessem vigiando e desaprovando sua conduta. Sem perceber, já havia parado com o beijo. Hilde desgrudara dos seus lábios e, com a face muito vermelha, tentou esconder a blusa molhada, cruzando os braços no peito.
– Você não quer... – ela afirmou
– Desculpe?
– Gosta de alguém?
– Não... Bem... Não é isso... Eu... nunca...
– Você é o filho do patrão. – ela deu a justificativa do que, talvez, ele tivesse vergonha de mencionar. – Isso só seria possível em contos de fadas, não é? – ela se levantou.
Duo fez o mesmo, erguendo-se para acompanhá-la e percebendo que o tom dela estava carregado de mágoa.
– Espere, Hilde! – ele a segurou pelo pulso mais uma vez, impedindo-a de ir. – Isso não tem nada haver com sermos patrão e empregada, acredite! Não é nada disso. Eu só estou confuso...
Ela puxou o punho de volta de forma brusca e, fitando-o com de forma dura, respondeu:
– Não precisa inventar desculpas, senhor Maxwell. "Confusão" é uma desculpa altamente feminina. Não precisa ter vergonha de confessar. Eu sei muito bem que pertencemos a mundos muitos distintos.
– Não, Hilde! Espere!
Mas enquanto a garota fugia do rapaz, o carro do pai adentrou o terreno da residência e parou. Os ocupantes do veículo, inclusive Quatre, que trazia seus cadernos junto ao peito, olharam da empregada molhada e desgrenhada, para o jovem Duo.
– Meu filho? Hilde? – o homem franziu as sobrancelhas. – Podem explicar o que está havendo?
– Perdoe-me, senhor Maxwell! Mas a culpa foi minha! Eu que não sei me colocar no meu lugar. Depois que eu me vestir, vou embora. – a garota saiu com lágrimas nos olhos, para em seguida, adentrar a casa.
Duo não soube o que fazer. Na verdade, Hilde que o desculpasse, mas não queria ir atrás dela. Estava com as pernas trêmulas e sentia uma ânsia imensa de se explicar e confessar perante aqueles olhares acusadores, que não havia acontecido nada do que estavam imaginando.
– Pai, eu juro! Eu não fiz nada!
– Filho, não é o lugar apropriado para conversarmos.
– Mas eu quero me explicar!
– Duo... – o homem o chamou, fechando a porta do carro por onde descera e colocando as duas mãos dentro do bolso da calça social. – Vá se limpar. Almoçaremos e mais tarde conversaremos sobre esse pequeno incidente. Além disso, quero que se prepare, há uma festa para irmos hoje e eu quero que coloque em prática tudo que aprendeu durante essa primeira semana.
– Mas, pai!
O homem passou pelo filho e seguiu direto para entrada da residência. Trowa voltou para o veículo, manobrando-o em direção da garagem. Já o rapaz loiro fez menção de seguir o tutor, todavia, foi chamado pelo filho dele.
– Quatre...
– Hm?
– Eu não...
– Você não quer se explicar logo pra mim, não é? – o rapaz loiro quis saber, incrédulo no que estava prestes a ouvir. – A sua vida pessoal diz respeito somente a você, Maxwell. Além do que, muitos grandes homens da sociedade têm comportamentos idênticos aos seus, senão dizer, piores. Você não está fora do pretendido. Mas deverá aprender a ser discreto.
O jovem lançou um olhar de desaprovação de cima embaixo ao filho do patrão para, em seguida, dar-lhe as costas e seguir rumo à mansão.
– À noite irei até seu quarto para ajudá-lo a vestir-se de forma adequada para a festa, e também para repassarmos alguns passos importantes da lição. Até.
Duo elevou as duas mãos à cabeça. A dor que condensou em seu peito foi algo tão atormentador que não conseguiu manter-se de pé, caiu de joelhos no chão. Fechou os punhos e os repousou sobre as coxas. Quis sufocar o que estava sentindo, mas não conseguiu. Aquela angústia era a pior de todas. Nunca se sentira tão desprezado. Sentiu algo morno descendo por sua face e pingando nos punhos fechados. Estava chorando...
– Meu Deus! O que está acontecendo comigo? Que dor insuportável é essa? – ele soluçou alto e esfregou o rosto, tentando afastar as lágrimas que caíam...
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Continua...
