Capítulo 3 – Alguém com quem contar.

Seguindo o mesmo procedimento das vezes anteriores, porém sem gastar tantas flechas, Kagome derrotou o inimigo. Seus amigos não queriam acreditar no que acabavam de ver, estavam pasmos, mas logo que conseguiram reagir milhões de perguntas vieram à tona.

Antes mesmo de deixar que as mil e uma perguntas fossem feitas Kagome se adiantou, e contou algo que praticamente ninguém daquela época sabia. Surpresos os dois não sabiam nem por onde começar, apesar de confusos pareciam aceitar a situação e ainda querer participar da ação.

- Eu quero ajudar – disse Alli.

- Eu também – concordou Toushi

- Que? M-m-mas porque? – indagou espantada.

- Ueh! Como você quer que eu deixe o mundo nas mãos de youkais? E ainda só contando com você para destruí-los? – retrucou Toushi em um tom irônico.

- É verdade, não é justo que você tenha que lutar contra eles sozinha. Nós vamos te ajudar – continuou Alli.

Não tendo como negar a ajuda, Kagome cedeu e aceitou os dois "ajudantes". No final do período se encontraram com Souta e lá saíram para caçar youkais. Logo na primeira luta Kagome sentiu que havia algo errado, ou melhor, algo certo.

- Que estranho, tenho a sensação de que Sango e Mirku estão lutando ao meu lado. – pensava ela. – mas é impossível... Não há como eles chegarem aqui... não realmente não são eles, mas sim Toushi e Alli. Será que conseguiremos vencer sozinhos?

Passaram o dia lutando contra os terríveis e inesgotáveis youkais. Estavam próximos há um local onde havia uma grande concentração. Mas tiveram que parar a luta, pois Alli havia se machucado, e precisava descansar. Deixaram então para invadir esse local no dia seguinte e seguiram para o templo da família Higurashi onde poderiam descansar e recompor as energias.

Mais tarde naquela noite, Alli já estava bem melhor e conversava com Kagome.

- Você está melhor Kagome-chan? – perguntou Alli.

- Uhm? Do que se ta falando? – respondeu confusa.

- Bem, é que esses dias você me parecia tão distante.

- Desculpe preocupá-la Alli, mas já estou bem, não se preocupe.

- Posso perguntar uma coisa? – perguntou ela tímida

- Claro, o que quiser.

- Foi porque brigou com seu namorado? – perguntou ela.

Kagome ao principio não entendeu o motivo da pergunta, mas lembrou-se que suas antigas amigas também se preocupavam quanto a isso. Estavam sempre perguntando sobre se namorado, e ou empurrando-a para o Housho. Lembrando-se disso, lembrou-se também de Inuyasha e com essa memória uma tristeza enorme agarrou seu coração. Algumas lágrimas teimavam em cair, deixando Alli preocupada, até que Kagome criou coragem para lhe contar sua verdadeira história. Toushi e Souta escutavam tudo pela porta, até que Kagome os mandou entrar.

- Acho que eu devia essa história para vocês né? Afinal, nos ajudaram muito hoje. Aproposito Alli, como está seu ferimento? – lembrou-se

- Está bem melhor! Acho que amanhã já podemos continuar avançando. – respondeu a menina com um sorriso.

- Ah! Olha só a hora! Acho que é melhor dormirmos, porque pelo que parece amanhã será um longo dia. – disse Kagome entrando debaixo das cobertas para disfarçar a vontade de chorar. - Como eu queria vê-lo novamente – pensava enquanto tentava dormir.

Após se revirar na cama por horas, concluiu que não conseguia dormir, resolveu ir dar uma volta, pois havia cansado da paisagem do quarto. Desceu as escadas caminhando em direção ao poço, tentaria mais uma vez voltar. Antes que chegasse ao poço algo a fez mudar o caminho. Virou-se em direção a árvore sagrada.

- Essa marca – dizia ela olhando para a marca de flecha na árvore. – é o símbolo de quando eu te conheci... Você estava lacrado e eu o libertei, desde então minha vida mudou totalmente. Quando eu o conheci, era tão grosso, ingênuo, irritante era um idiota, mas com o tempo, você foi mudando, se fortaleceu e jurou me proteger. Enfrentamos muitas coisas juntos... E conseguimos superar tudo, porque estávamos juntos. Eu e você... nos fortalecemos e crescemos. Ah! Como eu queria estar ao seu lado! Queria ser abraçada por você. E também dizer o que não te disse.

- Mana? – uma voz doce se acercava – você ainda não está dormindo?

- uhm, Souta é você? – perguntava ela disfarçando a tristeza. – Eu perdi o sono e vim dar uma volta.

- Você quer voltar não quer?

- uhm?

- Pra junto do Inuyasha não quer?

Kagome ao ouvir as palavras do irmão colocou-se a chorar. Souta não havia dito nada de mais, apenas disse a verdade e Kagome sabia disso. Abraçou o irmão com força e chorou um pouco, queria ter chorado mais, porém sentiu a presença da jóia.

- Não é possível – disse a garota se recompondo. – A jóia! Como é possível? E está vindo para cá.

- Que? – perguntou Souta assustado.

- Vai já pra dentro Souta – disse ela puxando o irmão e pegando suas armas.

- Mana onde você vai? – gritou o menino confuso.

- Fique aqui! Eu já volto! – disse ela correndo em direção a uma área já não usada o templo.

- Souta aconteceu alguma coisa? – perguntou a senhora Higurashi

- A Kagome saiu mamãe. Me mandou ficar aqui e pegou o arco e flecha. Antes ela tinha dito algo sobre a jóia de quatro almas e...

- Pode ser perigoso ela ir sozinha... – disse Toushi em um tom de voz calmo e com voz de sono.

- É melhor irmos atrás dela né? Souta. – disse Alli já pronta para sair.

- Eu vou também... - disse o vovô. – Se a Kagome disse algo sobre a jóia com certeza é um youkai poderoso.

- É melhor o senhor ficar aqui – disse a mãe de Kagome. – Se ela foi sozinha, então devemos confiar nela.

- Mas mamãe...

- Nada disso, eu confio na Kagome, mas se enquanto eu não estiver vendo vocês saírem de fininho, então não poderei fazer nada – disse a senhora Higurashi dando uma piscadela.

- Senhora Higurashi – disse Alli abrindo um sorriso. – não se preocupe ficaremos bem, e a Kagome também.