Depois que Naruto saiu da floricultura, Sakura pegou-se pensando várias vezes no rapaz até que seu expediente acabasse. Era sábado, então funcionaria até a hora do almoço. Então, dado o fim de suas obrigações diárias, tirou o avental que usava como "uniforme" da loja e pegou as chaves do estabelecimento afim de trancar tudo, uma vez que o senhor Yamanaka havia deixado o local antes dela.

Sakura era a funcionária mais confiável de Inoichi, de fato. Talvez grande parte de tal confiança fosse originada da amizade que mantinha com Ino desde que eram pequenas, mas isso não tirava os méritos da menina como sendo competente, pontual e organizada. Todos esses requisitos davam à Sakura o título de melhor funcionária das Floriculturas de Inoichi que se estendiam pela cidade. Tanto é que ela gerenciava e atendia a loja principal, na qual havia sido a primeira de todas. E, também por isso, Inoichi mantinha seu escritório naquele estabelecimento em específico.

Estou morta de fome! Espero que tenha algo que preste em casa. - pensou enquanto trancava as portas da floricultura.

O caminho até seu apartamento não era tão longo, porém era uma caminhada meio desgastante até lá e, como Sakura não tinha carro, via-se quase sempre obrigada a utilizar o transporte público. A menina não se importava muito em ter que pegar ônibus para retornar à sua casa, uma vez que eles eram bem cuidados e na cidade não fazia um calor infernal ou aquele sol de fritar ovos na palma da mão.

Ao chegar na parada, a menina dos cabelos rosados repousou as costas no poste e procurou seu iPod que estava perdido dentro da bolsa. Colocou os fones de ouvido e deu play em sua lista de reprodução favorita, na qual possuía um mix de Skrillex, The Beatles, Avenged Sevenfold, David Guetta e Ne-Yo. Era certo que Sakura não tinha uma grande situação financeira, mas não abria mão de ter alguns eletrônicos que nem todo mundo podia ter. Logo avistou o ônibus que a levaria para casa.

Como dito antes, o caminho não era tão longo se você pegasse um ônibus ou fosse de carro. Então não demorou muito para que Sakura levantasse e desse o sinal para descer. A parada em que ficaria se encontrava a poucos metros da entrada de seu prédio.

A menina apressou-se para chegar até em casa, pois em seu estômago já era possível se ouvir uma sinfonia de roncos. Passou pela portaria rapidamente e seu "boa tarde" fora quase inaudível ao porteiro, que apenas bocejou para aquele gesto de Sakura que já era meio que uma rotina.

O elevador parecia demorar séculos para chegar ao térreo e, quando finalmente deu o ar da graça, a menina teve que esperar todos aqueles moradores que o lotavam saírem vagarosamente.

Andem, seus bundões! – praguejava mentalmente.

Logo que pôde entrar no elevador, Sakura apertou o botão de seu andar e, para chegar até lá, seria uma questão de tempo. Período esse que parecia uma eternidade para ela. E ao escutar a campainha que indicava que seu andar havia chegado, quase arrancou a porta das dobradiças de tanta força que usou para andar o mais rápido possível até sua apreciada cozinha.

Então, de repente, enquanto passava em frente ao apartamento vizinho, Sakura pôde ouvir alguns sons meio altos, mesmo que estivesse com fones de ouvido. Parou a uns dois metros da porta e recuou para entender o que era aquele barulho. Aproximou-se levemente da porta e depositou uma das orelhas contra a porta. Gemidos. Gemidos eram aqueles benditos sons. Sakura não sabia se ria ou se ficada chocada após constatar, depois de um sonoro "Isso! Mais rápido, pelo amor de Deus!", pôde identificar a dona da voz.

Decidiu que o melhor a fazer seria voltar para casa.

– Definitivamente, é uma ploc. - riu.

Ao adentrar seu apartamento, a primeira coisa que Sakura fez foi jogar sua bolsa em cima do sofá da sala e ir direto à cozinha. Abriu a porta da geladeira vorazmente à espera de encontra algo delicioso para saciar sua fome. Porém o destino não lhe era grato. Apenas as sobras do dia anterior que, por sinal, não eram nem um pouco atrativas ou deliciosas estavam a esperando.

– Maldição... - fechou a porta da geladeira e foi até sua bolsa. Procurou sua carteira e viu que tinha pouco dinheiro, mas era o suficiente para uma refeição barata num restaurante que havia ali perto. Definitivamente, era um estabelecimento "de pobre", mas aquele fato não impedia a comida de ser deliciosa. Sakura não hesitaria mais um segundo, porém lembrou-se de sua amiga, a pessoa com quem dividia o apartamento que, por sinal, não se encontrava lá. Resolveu fazer uma ligação.

No apartamento de Naruto, finalmente os dois se cansaram daquele momento tão intenso. Renderam-se à fraqueza e deitaram-se no chão da sala, um ao lado do outro.

– Nossa... Estou exausto.

– Nem me fale! – disse Ino ofegante.

– Eu não esperava isso de você. Nunca em um milhão de anos. - riu enquanto virava-se para olhá-la.

– Eu meio que não posso dizer o mesmo. - olhou para ele.

– Como assim? – riu.

– Bem, quando éramos do último ano, eu e as meninas costumávamos analisar os garotos. Se eram bonitos e sarados, se poderiam ou não ser dotados... - deu ênfase na palavra "dotados".

– Então... Quer dizer que você, a Sakura e as outras meninas achavam que eu era dotado? – sorriu malicioso enquanto aproximava-se um pouco mais de Ino.

– Se dissesse que sim, estaria mentindo. Digamos que a maioria de nós achava que você não fosse tão capacitado. - riu com a cara que ele fez. – Mas posso te afirmar que sempre defendi sua "hiperatividade", alegando que você usaria toda aquela energia para algo bem melhor do que apenas tamanho.

Ele retomou o belo sorriso que sempre mantinha e lhe depositou um beijo rápido no lábio inferior da loira.

– E o que você constatou?

– Que você tem algo bem maior e melhor que apenas tamanho. - riu e logo após o beijou novamente. Definitivamente, aquele havia sido o melhor sexo da vida de Ino. Naruto era grande, ágil, forte, sarado, bonito, alto, gentil, delicado... Ele era a mistura do yin e yang. Era simplesmente perfeito. Sorte teria a garota que o fisgasse definitivamente.

Talvez estivessem prontos pro segundo round, mas seu momento foi interrompido por um toque de telefone.

– Argh! Odeio quando isso acontece. - praguejou Ino enquanto afastava-se de Naruto para buscar seu celular. – Nesse momento, eu amaldiçoo este ser que me interrompe. – Ino dizer isso fez Naruto rir. Ela era um amor de pessoa mesmo sendo meio doentia. – O que foi?

– Ino? Você vai almoçar em casa hoje? – perguntou do outro lado.

– Não sei. Talvez não. - lembrou-se que pretendia chamar Naruto para almoçar fora. Afinal ele acabara de chegar de viajem e, provavelmente, não tinha nenhuma comida decente na geladeira.

Enquanto Ino falava no telefone, Naruto resolveu se vestir. Estava morrendo de fome e não aguentaria outra rodada com Ino de estômago vazio. Para falar a verdade, apesar de ter sido um ótimo sexo, ele não pretendia repeti-lo. Afinal, deixaram bem claro um para o outro que era casual. E, de certa forma, sentia-se mal por ter "traído" seus sentimentos por Sakura. Era uma culpa comum. Toda vez que ficava com uma garota, sentia-se dessa forma.

– Certo. Eu estava pensando nisso mesmo. - disse levantando-se. – Te encontro lá. Até. - desligou o celular e deixou-o em cima da mesinha de centro. Viu que Naruto vestia sua bermuda, então resolveu fazer o mesmo. Talvez ela se sentisse da mesma forma que ele. "Paixão" de uma noite só. Nesse caso, de uma manhã. – Naruto, você planeja almoçar em algum lugar?

– Pra falar a verdade, eu esperava almoçar em algum lugar. Mas não tenho nenhum em mente. - disse entregando-lhe a blusa roxa que ele havia jogado pela cozinha há pouco tempo.

– Obrigada. - vestiu a blusa. – Então por que você não me acompanha? Eu almoçarei fora hoje.

– Oh, sim. Eu aceitaria honrosamente. - sorriu e, logo após isso, Ino soltou uma leve gargalhada. – O que foi?

– Não, nada. É só que você mudou bastante. - sorriu delicada.

Naruto riu levemente.

– Sabe, eu estava me sentindo meio culpado agora há pouco. - disse coçando a nuca.

– Ora, por quê? – perguntou curiosa.

– Ah, você sabe. Pela Sakura. - fez uma leve careta. – E por você também.

– Quanto a mim, já disse que n ão precisa se preocupar. Tenho uma mente bem aberta e sei que o que aconteceu aqui não passou de uma crise hormonal. - riram com o comentário. – E quanto a Sakura, não creio que ela vá se importar. Aliás, não creio nem que ela precise saber.

Riram novamente.

– Eu não pretendia informá-la sobre minha vida sexual. - riu. – E você?

– Por respeito a você, não esfregarei na cara dela, mais uma vez, que fiquei com um cara maravilhoso que nem você.

– Você quer dizer que... Sakura ainda é virgem? – ele pergunta incrédulo, mas de certa forma feliz por isso.

– Se eu não tivesse presenciado várias vezes, duvidaria até de que tivesse beijado. - riu do próprio comentário.

– Nossa, estou surpreso. Ela é tão... Perfeita. - desfocou o olhar para lembrar da imagem de sua rosada.

– Você é, definitivamente, um louco. - riram. – Sakura não sabe o que está perdendo. Você merece bem mais que o desprezo dela.

– Não sei. Talvez, no final das contas, eu mesmo tenha causado toda essa aversão.

– Como assim?

– Se eu tivesse sido como o Sasuke, alguns anos atrás, eu-

– Não seria você. - interrompeu-o. – Se você tivesse sido como o Sasuke não seria essa pessoa maravilhosa que todos sempre admiraram.

- Eu achei que todos vocês me achassem um garoto irritante e burro, que não seguia as regras a fio só causava problemas.

– De fato. - riram. – Mas nós éramos crianças. Aprendemos a te respeitar depois de entendermos tudo o que você passou a vida inteira. Você, mesmo sendo irritante, burro, quebrador de regras e bagunceiro, nunca desistiu de seu sonho. E essa é uma atitude muito honrável. E, o principal de tudo, você o realizou. Isso nos deixou muito felizes e orgulhosos, mesmo que você não soubesse.

Naruto estava simplesmente emocionado com aquela declaração. Jamais imaginaria que seus antigos colegas o respeitariam e teriam orgulho dele. Só pôde se aproximar de Ino e depositar-lhe um beijo na testa. Com esse ato, ali se formava um novo laço.

– Obrigado, Ino.

– Não tem de que. - sorriu e o abraçou. – Somos amigos e é isso que amigos fazem.

– De fato, amigos, amigos nunca fomos. - riram. – Mas estou feliz por ganhar sua amizade. De agora em diante ela será um de meus maiores bens.

– Ai, que honra. Sou um grande bem do Senhor Naruto Uzumaki. - riram. – Agora, vamos que estou morrendo de fome!

– Aposto cem pilas que você não está mais que eu. - disse indo em direção a porta e abrindo-a para que Ino saísse.

– Isso, por acaso, faz parte dessa coisa de amizades masculinas? – perguntou após sair do apartamento.

– Na verdade, a coisa da amizade masculina começa mesmo quando você disser: "Droga! Você não pode apenas avisar quando vai peidar?". - disse.

– Ai, meu Deus. Estou começando a me arrepender. - respondeu rindo.