Hoje eu finalmente consegui um tempo para publicar. Obrigado a todos que adicionaram a fic como historia favorita autor favorito e autor e historia alert. Eu realmente apreciei, mas vamos lá cliquem e comentem. Obrigada a todos que comentaram .

Beijos e obrigada.

Capitulo três

Quando mi lorde desapareceu ao longe, ela entrou e bateu a porta pesada, o que não costumava fazer. Bella nunca fora dada a demonstrar sentimentos. Na verdade, passara a maior parte da vida tentando evitar estímulos fortes de qualquer natureza. Eles só serviam para causar-lhe uma variedade de sensações físicas desagradáveis. Coração disparado falta de ar, queimação no estômago e dor de cabeça.

Lorde Cullen conseguira fustigar-lhe as emoções ao extremo. Ela ficou admirada de não ter se fragmentado da cabeça aos pés.

Lá de baixo, vinha um aroma delicioso de pão de mel. Bella inspirou-o e imediatamente sentiu a agitação começar a diminuir. Determinada a esquecer lorde Cullen, ela seguiu o cheiro tentador e desceu os degraus até a cozinha.

Ali, descobriu duas assadeiras grandes em cima do balcão, à espera que os bolos esfriassem. A cozinheira, uma mulher magra e miúda, lutava para enfiar um assado enorme no forno.

— Espere Carmen, deixe-me ajudá-la. — Ângela apressou-se em carregar uma parte do peso. — O que temos para jantar?

— Carneiro assado e pudim de legumes — a Sra. Denali respondeu, fechou a porta do forno e enfiou para dentro da touca alguns fios de cabelos grisalhos. — Ainda vai demorar um pouco. Gostaria de tomar uma xícara de chá e comer um pedacinho de pão de mel para enganar seu estômago até lá?

Bella anuiu e imaginou Edward Cullen escondido atrás de uma montanha doce feita de pães de mel, bolos de sementes aromáticas e tortas de limão. Pegou chávenas e pires, enquanto Carmen cortava um "pedacinho" de

Bolo morno que daria para saciar o apetite de um trabalhador esfomeado.

— Ouvi dizer que Lorde Lúcifer aventurou-se a sair à luz do dia para fazer-lhe uma visita — Carmen comentou, ao servir o chá. — Eu disse ao Garret que montasse guarda do lado de fora da sala, para ter certeza de que nada aconteceria à senhorita. O velho tolo limitou-se a sorrir. Não admite que se fale nada contra mi lorde.

— Por falar nisso, a senhora nunca tem uma boa palavra a respeito dele — Bella recordou-a de maneira inútil e mudou de assunto. — Ah, este bolo está delicioso! Era do que eu estava precisando, depois de abrir meu apetite com a jardinagem.

Ela jamais admitiria, e muito menos para a tagarela de Carmen, que não tinham sido as horas no jardim que a levaram até a cozinha, mas sim a visita inesperada de mi lorde.

— O que Lorde Lúcifer desejava? — A cozinheira espiou por cima da xícara, com os olhos negros, pequenos e brilhantes de curiosidade.

— Eu gostaria que não o chamasse dessa maneira — Bella protestou, sabendo que Carmen não se contentaria com explicações vagas sobre o assunto favorito de seus mexericos. Aquela região tranqüila de Northamptonshire não oferecia nada de muito picante sobre o que se pudesse tagarelar. — O pobre homem foi ferido a serviço da pátria. Deveríamos ter pena dele, em vez de dar ouvidos a essas conversas ridículas sobre bruxaria.

Bella nunca conseguira harmonizar os dois extremos. O neto respeitoso e cumpridor de seus deveres presente nos inúmeros relatos do conde era o mesmo corajoso oficial de cavalaria, sempre irônico nas cartas por ele escritas, mas não combinava com a reputação sinistra Que lorde Cullen adquirira desde que voltara reformado, para Helmhurst.

O encontro daquela tarde frustrara ainda mais seu entendimento.

A senhorita não as chamaria de ridículas se o tivesse visto perambulando após o escurecer. — Carmen estremeceu. A Sra. Kate Marshall jura que ele rogou uma praga no poço deles, e os Yorke afirmam que dois porcos sumiram sem deixar nenhum rastro.

Bella cuspiu o chá em uma chuva fina sobre o bolo.

Carmen! A senhora não está acusando o herdeiro de um condado de ser um simples ladrão de porcos, além de todo o resto, está?

A cozinheira ergueu os ombros ossudos até quase alcançarem as orelhas.

— Não digo nem que sim e nem que não — ela sussurrou com ares fantasmagóricos e estreitou os olhos. — Mas ouvi dizer que as entranhas e o sangue de porcos são usados para... Sacrifícios.

Bella sentiu arrepios na nuca, mas se apressou a escarnecer das suposições.

— Absurdo! Mi lorde não sai muito durante o dia, pois seus olhos são muito sensíveis à luz.

Carmen digeriu a informação com pouco-caso.

— Bella, ainda não me disse o que ele queria aqui. Se não dissesse qualquer coisa para Carmen, era quase certo que no dia seguinte, logo cedo, toda a vizinhança saberia que lorde Cullen viera convocá-la para as suas bruxarias ou qualquer outra maldade semelhante. E embora Bella houvesse pressentido uma faceta escura e talvez perigosa de mi lorde, sabia muito bem que nele não havia nada do ser demoníaco que os boatos ignorantes insistiam em pintar.

— Eu não lhe contei? — Bella usou o tom mais casual que pôde encontrar. — Mi lorde veio pedir minha mão.

Carmen ficou boquiaberta. O queixo pontudo caiu de vez e os globos oculares ficaram em risco de pular para fora das órbitas e rolar por cima da mesa.

Bella esforçou-se para manter a seriedade, enquanto comia mais um pedaço do bolo umedecido. O sabor doce na língua e o calor da massa no estômago tiveram o efeito costumeiro e desejado de conforto. Talvez fosse as suspeitas exageradas de Carmen a respeito de lorde Cullen que fizessem as próprias desconfianças anteriores sobre ele parecerem tão tolas.

Independente de qual fosse o motivo, Bella descobria-se mais disposta a defender lorde Cullen a cada momento que passava.

— Misericórdia! — A cozinheira fez o sinal-da-cruz no peito magro. — E o que ele disse, quando a senhorita recusou seu pedido? Eu o ouvi sair pisando duro e bater a porta. Será que ele amaldiçoou Netherstowe? Deus nos livre!

— Acalme-se, Carmen. — Bella engoliu o último pedaço do pão de mel com um gole de chá. — Mi lorde não disse uma só palavra que lembrasse uma praga.

A Sra. Carmen liberou a respiração que estivera segurando.

— E o que a faz imaginar que eu recusei? — Bella não resistiu à maldade da pergunta.

— Será que a senhorita poderia pensar em casar-se com uma criatura daquelas?

— E por que não? — Estaria tentando convencer Carmen ou a si mesma? — Nunca tive e nem terei pretendentes. Não sou dona de um único pêni. Não sou inteligente nem preparada e muito menos bonita. Essa poderia ser minha única oportunidade de ter um lar.

Por que falava como se lorde Cullen a houvesse pedido mesmo em casamento? Bella admirou-se. Bem, não ousaria contar a verdade para Carmen. Seria como arriscar-se a permitir que as palavras chegassem aos ouvidos do conde.

— Não é bonita? — Foi à vez de a cozinheira cuspir o gole de chá que tomara para acalmar-se. — Nunca se olhou num espelho, minha filha? Além disso, tem inteligência para satisfazer a maioria dos homens, e ainda por cima possui o coração mais bondoso deste mundo. Se milady a levasse a Londres ou a Brighton, como seria seu dever, a senhorita teria à sua volta uma legião de pretendentes para escolher.

— Bobagem, Carmen, não seja tão parcial. Conheço muito bem minhas deficiências. — A tia e as primas haviam se esmerado em apontá-las durante aqueles anos de convivência. — Tenho certeza de que qualquer jovem adoraria tolerar as excentricidades de lorde Cullen para tornar-se a senhora de Helmhurst.

— Um bando de tolas — Carmen murmurou.

— Pois eu acredito que mi lorde seria o marido ideal — Bella ironizou. — Dorme durante a maior parte do dia e perambula à noite.

A consciência advertiu-a para não provocar a pobre Carmen, que fora para ela uma substituta de mãe muito melhor do que a tia Lauren. Todavia teve de admitir que fosse incapaz de não defender alguém que fosse atacado. Nem mesmo quando se tratava do poderoso lorde Cullen e muito menos de falatórios absurdos.

— Não se preocupe Carmen. Eu não aceitei. De qualquer maneira, não tenho certeza se ele ainda persiste na idéia. Devo ter dito alguma coisa que o ofendeu, pois mi lorde afirmou que o pedido havia sido uma idéia absurda. Depois disso, ele saiu.

O que o provocara daquele modo? Bella cismou. Ela somente perguntara se o noivado deles incluiria... Beijos. Será que ele considerava a possibilidade tão desagradável?

— Então está bem. — Carmen deixou de lado o assunto com um aceno de mão. — A senhorita não o aceitou e não houve maldição. Agora me conte tudo o que ele disse.

Bella mal ouviu o que Carmen dizia, sob o rugir de seus próprios pensamentos. Lorde Cullen teria imaginado que ela não iria querer beijá-lo por causa de sua reputação ou de seus ferimentos?

— Oh, céus! — Bella levantou-se de repente. — Preciso falar com ele agora!

— Não precisa nada! — Carmen gritou. — Não me disse que ele mudou de idéia? Não vai arriscar-se a ofendê-lo ainda mais, vai?

— Voltarei a tempo para o jantar — Bella avisou a cozinheira por sobre o ombro e subiu correndo a escada.

— Não faça nenhuma tolice só porque tem pena dele! — Carmen gritou. — Seu coração é bondoso demais para o meu gosto!

Onde estivera a bondade durante a conversa com lorde Cullen?

Bella precipitou-se para dentro da sala de estar, à procura da touca e das luvas.

Esconder o sofrimento atrás de uma fachada impassível de ironia não significava que mi lorde nada sentisse ou que merecesse menor compaixão do que outros que o exibiam sem pudor. Ela, mais do que ninguém, deveria saber disso.

Precisava convencer mi lorde a conceder-lhe outra oportunidade.