Disclaimer: Todos esses personagens não me pertencem, pena porque eu acho que escreveria mais uns dois ou três livros. :P

~o~

12 de agosto

Apesar dos esforços de Monstro, Grimmauld Place ainda guardava o ar fétido e abandonado.

O elfo agora se dedicava intensamente a fazer da casa um lugar habitável para Harry, Ron e Hermione. Todos os cômodos estavam limpos e organizados, mas anos de abandono não se apagam em alguns dias de trabalho intenso.

Hermione protestava diariamente, dizendo que Monstro não precisava fazer todas aquelas tarefas. E Ron e Harry sempre diziam que ele não os obedeceria, servir era sua natureza. Assim ele seguia satisfeito, ainda mais agora que parecia o mais dedicado dos elfos; feliz e agradecido pela gentileza de Harry em lhe dar o medalhão que um dia pertenceu a Regulus Black.

Depois que Monstro contou como o medalhão foi parar na casa e quem o havia roubado, Harry, Ron e Hermione tentavam bolar um plano para conseguir pegar o medalhão que, para o azar deles, estava com Dolores Umbridge.

A ideia de entrar no ministério não tardou a surgir. E foi com indignação que Ron e Harry ouviram a sugestão dada por Hermione. Mas ela não se deixou abater quando os dois declinaram, insistiu até convencê-los de que não seria suficiente tentar encurralar Umbridge no caminho para o trabalho.

Era muito provável, Hermione ponderou, que a bruxa não se desse ao trabalho de ir a pé para o Ministério, o que não os ajudava em nada. Por fim, Harry e Ron se deram por vencidos e tiveram de aceitar que aquela provavelmente seria a única saída para conseguir chegar ao medalhão.

Hermione estava sentada à mesa, estudando os mapas e esquemas de segurança das entradas e andares do Ministério. Havia tantos corredores intrincados quanto entradas. Na verdade, entrar não seria um problema tão grande, mas sair... Eles teriam pouco mais de uma hora e com sorte não seriam percebidos. Graças a Merlin, Mundungus Fletcher teve a fantástica ideia dos sete Potters. Logo, Hermione pegou uma boa dose de poção polissuco para casos como esse.

- Bom dia, Hermione!

- Bom dia, Harry! Monstro já serviu o café, mas deve ter algo pra você.

- Cadê o Ron?

- Foi pro ministério. Essa morosidade está deixando ele muito nervoso.

- Eu sei, também estou impaciente. - Harry sentou-se e Monstro o serviu com rapidez. A todo instante se inclinava para seu mestre, uma gratidão enorme no olhar envelhecido. – Obrigado, Monstro. Você poderia, por favor, retirar duas caixas de papelão do quarto do Sirius?

- Monstro fará como deseja o mestre, agora mesmo. – Crack

- O que há nessas caixas? Pensei que monstro tivesse limpado o quarto do Sirius.

- Não, eu pedi pra ele não limpar enquanto eu não desse uma olhada em tudo que tinha lá dentro. Duas caixas de lixo depois, não encontrei nada relevante.

- Bom, quem sabe o Snape não veio aqui e pegou algo que valesse a pena?

- Duvido, aquele quarto foi revirado pelo menos umas três vezes e tenho a impressão de que a única coisa que levaram foi a parte da carta e da foto que estão faltando. Só não sei quem ia se interessar por isso.

- Também não faz sentido para mim. – Hermione atentou-se a detalhes no nível 1, onde Umbridge trabalhava, se concentrando em uma ideia.

Harry silenciou, o olhar perdeu-se na janela alta por onde entrava um raio de sol fraco. O pensamento fixo em uma única pessoa desde o momento em que havia acordado.

- O que foi, Harry?

- Queria saber como a Gin está. Sei que fiz o certo quando terminei o namoro com ela, mas... – Hermione esticou o braço por sobre a mesa, colocando sua mão sobre a do amigo.

- Eu não sei como você está se sentindo, tento apenas imaginar, mas não fica triste assim. Quando tudo isso acabar, você vai ter o tempo que quiser para ficar com ela.

- É bem mais fácil falar que acreditar. E não sei se eu devo acreditar.

- É bom acreditar.

- Seria bem mais fácil se eu soubesse o que fazer. Ainda acho que você e o Ron não deveriam estar aqui comigo. – Hermione rolou os olhos, cansada da insistência com que Harry tentava convencê-los de que o melhor era não o acompanhar.

- Escuta aqui, Harry, se eu e o Ron quiséssemos ir embora, nós nem teríamos vindo com você. Espero que um dia você se convença de que estamos juntos nisso, não importa pelo que a gente vai passar, nós não vamos deixar você sozinho.

Uma onda de afeição e gratidão tomou conta do coração de Harry. Ele jamais teria condições de retribuir a lealdade e amizade que Ron e Hermione dedicavam a ele.

Mais vezes do que ousava admitir, Harry se via como um grande perigo ambulante que colocava seus amigos em apuros... sempre. Obviamente, estar com eles naquela casa, escondidos e planejando uma invasão ao Ministério da Magia não era bem o que Harry chamaria de um programa saudável entre amigos.

A bem da verdade, Harry pensava diariamente que o mais seguro dos lugares seria longe dele.. Não bastava ter de se preocupar em encontrar e destruir os horcruxes, ele ainda tinha que se lembrar que havia pessoas a quem ele amava e que deveriam ser protegidas; e se destruir Voldemort fosse a única maneira para acabar com aquela agonia que ele sentia sempre que imaginava que algo poderia acontecer a Hermione, Ron, Ginny ou qualquer um de seus amigos, então ele abraçaria seu destino, fosse qual fosse o final.

- Harry, você está me ouvindo? – Hermione perguntou, preocupada com a falta de atenção do amigo.

- Ah, desculpe. Estava pensando em algumas coisas, mas o que você disse?

- Eu queria saber o porquê de você estar tão triste hoje. Não que estivesse muito animado antes, imagina, mas não é sempre que eu te vejo tão calado.

- Não é nada.

- Nada?

- Isso mesmo, nada.

- Bom Harry, ás vezes você mente pior do que o Rony. Tá escrito na sua cara que tem alguma coisa acontecendo ou pelo menos te deixando preocupado, o que acaba deixando essa expressão triste aí no seu rosto. – Hermione olhava para o amigo como se o estivesse interrogando, ávida para saber o porquê da repentina tristeza.

- O Ron tem razão, você é assustadora.

- Não desvia a conversa, Potter!

- Ugh, você é insistente demais.

- E vou continuar sendo até que você fale. Tenho todo tempo do mundo. Pelo menos por enquanto. – Agora Harry lançou um olhar indignado para Hermione. Será que ela não conseguia respeitar a privacidade dele?

- É melhor eu falar depois, deixa isso pra lá.

- Estou esperando, Harry. – Ele respirou fundo.

- Hoje é aniversário da Gin.

- Oh! – Desconcertada, Hermione não sabia o que dizer, nem o que fazer.

- Desculpe, Harry! Eu não deveria ter te pressionado. Desculpe!

- Não se preocupe. Você não ia me dar sossego se não te dissesse mesmo.

- Harry, nós somos amigos, você sabe que pode falar sobre a Gin comigo, só que eu realmente fui inconveniente. Me desculpe!

- Eu sei que posso falar dela com você e é um alívio. Eu só não consegui segurar o ímpeto da minha memória. Fiquei uns dias sem pensar nela, mas não tinha como não me lembrar lendo o jornal todo dia, né?

- É uma pena vocês não estarem juntos.

- Eu também lamento, tanto quanto você possa imaginar. Mas espero que valha a pena no final.

- Não tenho dúvida de que vai valer. A gente vai conseguir, você vai ver. – Harry ficou olhando para Hermione por alguns momentos. Mais uma vez uma onda intensa de afeição fez o garoto se levantar e dar a volta a mesa para agradecer por ter seus amigos a seu lado, por ainda viver momentos de "vida normal".

- Obrigado! – E Harry abraçou Hermione.

Ele queria proteger seus amigos dos perigos que enfrentariam em breve, faria qualquer coisa para mantê-los vivos e seguros (especialmente porque ele tinha a certeza interessante de que os veria juntos e logo), por isso não parava de pensar na maneira menos complicada para encontrar os horcruxes e destruí-los. O problema é que a tarefa em si era difícil, perigosa e complexa.

Assim, enquanto abraçava Hermione, que retribuía o gesto da maneira mais desajeitada, Ron precipitou-se pela porta da cozinha, mal humorado e xingando, e quando viu a cena estacou no lugar, o rosto perdendo a cor, o olhar estranhamente indecifrável.

- Oh, desculpe. – Ele não queria, mas também não conseguiu conter um sentimento estranho em seu peito. Estranho, mas não desconhecido.

Hermione e Harry se soltaram, assustados.

- Ron, por que chegou mais cedo?

- Aconteceu alguma coisa no Ministério?

- Viu a sapa velha?

- Descobriu alguma novidade?

- Perguntas demais, vocês dois. E eu teria ficado mais tempo se não fosse um estúpido conjurar uma bolha de água enorme e a estourar no meio da rua. Os trouxas pensaram que um 'vibrante'...

- Hidrante.

- Tanto faz. Pensaram que esse negócio aí tinha estourado. Me molhei todo. Consegui secar a calça, mas a capa também encharcou, achei melhor voltar, mas vejo que não cheguei em boa hora.

- Chegou sim. Na verdade, a gente tava lembrando da Gin, cara. Hoje é o aniversário dela. – Ron soltou a capa da invisibilidade no chão e ficou encarando Harry por um momento.

Ele não sabia se sentia vergonha de ter desconfiado de algo, mas também não sabia se era verdade o que o amigo lhe dizia.

- É uma pena a gente não poder falar com ela. Sinto falta de todos. – Hermione falou num fio de voz, como se lamentasse ter de estar longe dos Weasley também.

Ron tirou os sapatos e os entregou a Monstro, que havia aparecido e se oferecido para secar as roupas ainda úmidas.

- Eu queria poder avisar a eles que estamos bem. Queria poder conversar com o papai, sei lá, descobrir o que está acontecendo, mas não posso. Hoje eu o vi na entrada do ministério. Parecia desconfiado, mas bem. Quase falei com ele e...

- A gente não pode falar com eles!

- Eu sei cara, eu disse que quase falei com ele. Não sou tão idiota quanto pareço.

- Eu não disse isso. E fica calmo, sei que é difícil ver o Sr. Weasley passar e não poder falar com ele. Eu mesmo quase falei com ele semana passada.

- Eu também. – disse Hermione, percebendo o quão desesperados por contato eles estavam. Estar sozinhos nessa hora não era muito bom.

Ficaram sentados em silêncio por um bom tempo, perdidos em seus pensamentos, torcendo para que no fim de toda essa loucura de caça a horcruxes estivessem vivos, pelo menos vivos.

- Vou pra lá depois do almoço. – Harry falou e levantou rápido, saindo apressadamente da cozinha.

Ron e Hermione permaneceram em silêncio, sem saber o que dizer ou fazer. Falar dos Weasley para Hermione era como falar de seus pais e a discreta dor que sentia ao se lembrar deles aumentava um pouco quando via Ron triste por estar longe de seus pais e seus irmãos.

A vida é injusta! Ela pensou. E mais injusto ainda é ver esses dois sofrendo e não poder fazer nada. Droga!

Hermione pegou os mapas e voltou a estudá-los. Ocupar a mente nesses momentos, era o melhor a se fazer.

~o~

Enfim o capítulo 3!

Espero que gostem e comentem, porque é a única maneira de eu saber o que vocês estão pensando, se estão gostando ou não. Não se intimidem, eu não mordo (talvez ao vivo, mas enfim...).

Até o próximo capítulo, que só virá mesmo depois do lançamento do filme... OMG! D:

Bom filme pra todos, btw! \o