3º Capítulo: Robin e como nasceu sua mania

Quando bebê, Robin era muito séria e costumava escanear as pessoas, com seus imensos olhos. Assim sendo, Howard começou a brincar com ela desde pequenina, chamando-a de "detetive".

Ela adorava o pai, e prestava muita atenção em absolutamente tudo que ele falava. Aprendeu muita coisa, só de ouvir ele falar. Começou a ficar fascinada, com tudo que se referia à investigação.

Aos seis anos, Grissom lhe deu uma enorme lupa, da qual ela não se desgrudava. Ela ficava sempre olhando uma folha, bichinhos ou digitais. A mãe e Catherine percebendo seu interesse em investigações incentivaram-na, trazendo do CSI, pincel, pó para digitais, saquinhos para pôr evidências, etc.

Ela gostava muito de fuçar o que acontecia no bairro e na escola; assim descobriu o que aconteceu com o pássaro da Sra. Smudsen; quem colocou bombinhas no assento da Srta. Mansfield, professora do segundo ano, e assim por diante.

Em breve, muita gente pedia a sua ajuda, quer para achar quem quebrou a vidraça da Sra. Onkmoney até quem fez a malvadeza de rabiscar a boneca favorita de Sissy.

Em pouco tempo, porém, as mães começaram a olhar feio para ela, pois seus anjinhos eram vistos pela vizinhança, como facínoras mirins, e não como crianças que faziam peraltices, precisando de um corretivo e só.

Era a respeito disso que Sara batia de frente com Grissom, que não entendia ou fazia não entender a situação. Toda a vez que ela entrava nesse assunto, ele tomava o partido da menina.

- Ora, Sara, acho que ela é muito integra, não deixando de lado as evidências.. O que você queria? Que ela fosse desonesta e manipulasse as provas?

- Claro que não – ela se apressava em responder – mas, pelo amor de Deus, Gil, ela tem só oito anos! Eu gostaria que ela não levasse as coisas, tão a ferro e fogo!

- Bobagem! Ela será uma grande CSI. - Ele dizia, todo orgulhoso.

- Pois eu preferiria que ela aproveitasse mais, a sua infância, e não se enfronhasse tão cedo, no mundo dos crimes.

- Quem diz que ela não aproveita?

- O jeito dela é muito sério: ela não se diverte. O Ryan a ajuda, você sabe, e para ele, tudo é uma grande brincadeira...

- JÁ falamos sobre isso, querida! Cada um é cada um e tem a sua própria personalidade.

- Eu sei, mas... Será que é demais uma mãe querer que apreciem seus filhos?

Grissom olhava para a mulher, condoído. Não queria que ela tivesse sequer, um pinguinho de sofrimento, fosse lá pelo que fosse. Trouxe-a para junto de si, beijou seus cabelos amorosamente encostou a cabeça dela em seu peito e perguntou baixinho:

- E quem não está apreciando Robin?

- As outras mães! Eu as entendo, sabe? Se olhassem para Ryan como um criminoso, por ter quebrado uma vidraça, com sua bola de beisebol, eu também olharia feio...

- Você acha que ela é assim pela situação traumática, que você passou na gestação dela?

- Que situação traumática, querido? – Perguntou com o jeito mais inocente do mundo.

- Você sabe... Por eu não estar ao seu lado...- Ele tinha na voz, traços de decepção e arrependimento.

Sara adorava que esse assunto volta e meia fosse citado e ele se mostrasse arrependido. Ela minimizava o assunto, mas no fundo sentia-se feliz.

- Que bobagem, amor! O Dr. Harris achou minha gravidez de Robin, excelente. E eu tive muito apoio e ajuda de todos.

- Mas ainda assim eu não estava aqui... - E outra vez ela ouvia a voz lamuriosa dele.

- Não, mas recompensou lindamente, quando eu esperava Ryan.

-Mas não é a mesma coisa...

-Não, não é..- E beijou-o com carinho. - Mas não se importe, não é porisso que Robin é do jeito que é...

Mas pelo jeito, Grissom tinha algo a falar. Continuou:

- Em Berkeley, pesquisas apontam, que estatisticamente...

- Gil, me recuso a ver nossos filhos como números impessoais, em alguma pesquisa! –Cortou-o antes que ele lhe expusesse um monte de números vazios, como era seu costume.

Como ela ficasse linda, assim brava e para evitar uma possível briga, ele tampou sua boca com um beijo, daqueles de tirar o fôlego. Ela calou-se e amoleceu toda...

Sara levou a mão à boca. Ryan puxava sua saia e gritava frenético:

- Mamãe! MÃE! Está sonhando? A campainha...

Sara saiu do seu torpor e ouviu a campainha tocar.

- Está tocando há muito tempo, filho?

- Há um tempinho sim! Estava pensando no papai?

- Por quê Ryan?

- Porque quando estão pensando, um no outro, fazem essas caras de bobos e ficam como se estivessem dormindo. – Respondeu o menino inocentemente.

Sara se recompôs e foi atender a porta. Estivera recordando uma conversa com o marido, de dois dias atrás, na cama e não tinha acabado no beijo... Sentiu o vermelhão subindo ao seu rosto: precisava tomar cuidado, agora as crianças estavam crescendo.

Na cozinha, as crianças estavam conversando.

- Meus pais fazem igual! - Dizia o Theo, ao amiguinho Ryan. - Você, Robin, que gosta de mistérios, decifre este.

- Assim que eu souber, conto para vocês.

- Pais... São todos iguais... – Reclamou Ryan, balançando a cabeça.

Sara abriu a porta e atendeu um sorridente Howard.

- Olá, Howard, Gil ainda não chegou!

- Ainda não chegou? A que horas ele chega? – Indagou Howard, olhando o relógio.

Sara deu de ombros e disse ao compadre para ir à cozinha, que o pessoal estava todo lá. Howard foi até lá e quase caiu, com a algazarra do conjunto de crianças, que felizes com a presença dele, quase o derrubaram.

- Calma! Tem Howard para todo mundo! – E sorria, adorando tudo aquilo.

Catherine entrou na cozinha, com copos numa bandeja:

- Espero que você não se incomode, Sara; dei refresco para esses diabinhos sedentos!

A outra jogou um "ok" desatento a Catherine, porque ouvira já um carro estacionar lá fora. E não se enganara, porque pouco depois Grissom entrava em casa.

- Queridos cheguei!