Dentro da Penseira:

- Amo você, ruivo. Beijou os lábios dele com força. - Não morra. Mandou.

- E eu amo você, Leãozinho. Retribuiu com um sorriso.

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Não conseguia enxergar através da poeira, tudo que sentia eram os arranhões ardendo e o nariz escorrendo e sua alma pesando, pesando, pesando... Entrou no semidestruído Salão Principal, cada passo era como mover uma rocha. Doía. Parou quando encontrou a família Weasley rodeando uma pessoa e desespero preencheu suas veias.

- Ele está vivo. Ron disse a segurando pela cintura e fungando muito. - Ele vai ser levado para Saint Mungu's, fique calma.

Olhou George que chorava segurando a mão desfalecida de seu gêmeo, observou enquanto uma machucada Alicia Spinnet furava o círculo que a família fazia e se jogava sobre Fred beijando os lábios azulados e feridos dele.

- Não me deixe, por favor. Ela chorou alto. - Temos tantos planos, não morra. Suplicava. Bill retirou a loira de cima do irmão e a abraçou.

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Deitou-se no colchão empoeirado, mas não conseguia fechar os olhos. Era tudo uma loucura... Esperava que Harry ou Ronald aparecessem e falassem que tudo estava finalmente bem... Ninguém surgiu e depois de duas horas a porta foi aberta por uma destruída Alicia Spinnet.

- Desculpe Mione, você quer ficar sozinha?

Não queria. Só não queria a loira que amava seu homem como companhia.

- Fique. A voz rouca e quebrada.

A bruxa aproximou-se da cama de Granger e a abraçou chorando. - Eu sinto muito, estou apavorada com a ideia de perder Fred. Falou encarando o castanho dos olhos de Hermione. - Charlie disse que era melhor eu ficar aqui e que mandaria notícias do hospital.

- Eu também estou com medo. Foi tudo que conseguiu pronunciar.

- Posso te contar algo?

- Diga.

Spinnet mostrou a mão enfeitava por uma delicada aliança em ouro branco, ela retirou e colocou na palma da mão da outra. - Fred me pediu em casamento.

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Abriu a porta do quarto de hospital e entrou vagarosamente, suas mãos tremiam com violência e seus olhos já estavam irritados de tanto chorar. Analisou com cuidado o homem deitado no leito em coma, seu corpo tão machucado. Seu coração sangrou. Ela amava o ruivo. E nada poderia mudar isso.

- Acorde Fred. Pediu segurando a mão dele. - Eu não quero saber se você mentiu para mim eu só quero que você fique bem, amor.

- Hermione. George colocou uma mão sobre o ombro dela.

O gêmeo não tinha nenhum brilho nos olhos e parecia exausto. - Fred vai ter uma recuperação extremamente difícil, por favor, não torne a vida dele pior. Suplicou encarando com firmeza os olhos dela. - Ele gosta muito de você, porém ele se reaproximou de Alicia nos últimos meses e eles se amam verdadeiramente. Afirmou. - Fred nunca quis machuca-la, e tudo que eu estou implorando é que quando ele acordar você não faça um escândalo pelo termino de um relacionamento que para todos nunca existiu.

Ela não conseguia falar, não conseguia entender, não conseguia... Saiu do quarto silenciosamente. Sua mente em tal nível de atordoamento que não notou quando trombou em Ronald.

- Mione, o que houve? Questionou assustado pelo semblante da melhor-amiga. - Fred piorou?

- Ele ficará bem. Não sabia sequer o que dizia. - Eu preciso ir embora.

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Quebrou o quarto inteiro, destruiu os lençóis e o espelho, machucou os pulsos e caiu no chão chorando incansavelmente. Não aguentava mais. Tanto medo. Tanta dor. Tanto pânico. Sentia que estava perdendo a sanidade...

- Eu quero meus pais. Sussurrou perdida.

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Austrália. Linda e ensolarada. Tão distante de toda aquela maldita guerra, sentia que podia recomeçar ali junto das pessoas que sempre a amariam. Claro só precisava reverter o feitiço.

Encontrou a casa que os pais deveriam morar com uma placa de aluga-se, espantou-se e ficou preocupada. Onde estariam?

- Por favor, aqui morava um casal de dentistas? Perguntou para uma simpática velhinha que morava ao lado da casa.

- Oh! Foi tão triste. A senhora exclamou. - Você é parente deles?

- Sim. Respondeu com o coração apertado.

- Sinto muito, querida. O semblante de pesar a chocou. - Eles morreram num acidente de carro realmente assustador.

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Quebrou. As lágrimas já haviam secado. Não tinha força para abrir a janela ou para se alimentar. Tudo que pedia era que a morte a levasse gentilmente. Lutou tanto, sofreu tanto. Por quê? Pra quê? Seus pais estavam mortos. Seu coração estava morto. A esperança estava morta.

- Senhorita. Uma voz chamou do outro lado da porta.

Não conseguiu responder, estava congelada pela dor.

- Vamos arrombar. A voz disse mais firme.

Após um estrondo, a mulher surgiu com um rapaz forte ao lado. Fechou os olhos. Não queria ajuda, só queria desistir... Finalmente, Hermione desistia de algo. Dela própria.

- Não mesmo senhorita, ninguém morre na minha hospedaria! Era uma mulher realmente enérgica. - Pode ir John, eu vou cuidar dela.

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Entrou insegura no consultório da Dra. Irina Sabackov, se não fosse pela dona da hospedaria teria desistido de viver. Contudo, se sabia algo dessa vida é que não importava a tormenta, era uma sobrevivente. Então tudo que poderia fazer era procurar ajuda profissional, pois sabia que sozinha não conseguia lidar com todos os traumas.

- Obrigado por nos procurar, Srta. Granger. Dra. Irina a cumprimentou.

- Vocês desenvolvem um trabalho maravilhoso nesse hospital, eu pesquisei muito. Informou sem sorrir, seu estado era deplorável e tinha consciência disso. - Só preciso que me garanta algo.

- Eu imagino que queira manter sua estádia em nossa instituição o mais reservada possível, acertei?

- Eu quero total garantia que ninguém saberá do meu paradeiro, tenho certeza que Harry Potter e provavelmente a família Weasley estão a minha procura. Continuou em seu tom sem vida. - Eu quero a certeza que não importa a influência deles, nenhuma palavra sobre minha pessoa será dita a eles.

- Eu te dou minha palavra. A medibruxa levantou-se. - Seja bem-vinda ao Instituto de Psiquiatria Dobruja.

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- Harry! Não, ele não! Gritou ainda dormindo, o lençol grudava em seu corpo suado. - Parem! Tirem a mão dele.

- Calma Srta. Granger foi um pesadelo.


História postada também no Spirit e Nyah!