Aquela garota havia me chamado atenção desde que a vi no portão da escola, talvez pela sua aparência nada comum no meio das garotas loiras e morenas da escola. Também o seu olhar não era como o de todas, não tinha nem se quer um pouco de brilho.
Minha grande surpresa foi quando descobri que essa garota era minha colega de classe, e iríamos compartilhar o mesmo ambiente de estudo.
Fiquei assustado com a resposta que ela deu a Bi, não pensei que essa menina fosse tão direta, parecia que tinha segurança total de suas palavras. Não posso julgá-la até porque ainda é o primeiro dia que ela esta na escola, mas posso dizer que ela parece não ter muita felicidade em sua vida.
Quando a olhava nos olhos um choque repentino correu pelo meu corpo, — nunca havia sentido isso antes, — e não sabia o porquê senti isso. Foi como se uma luz dentro de mim acendesse, fazendo-me querer ficar mais próximo dela. Os poucos livros que havia lido sobre coisas assim, mostravam dois sintomas, ou eu estava com algum problema e doença, ou isso foi como um amor à primeira vista.
Mas como vou dizer que é amor se nunca senti isso por ninguém? Nunca me apaixonei para saber como é.
De repente ela olhou para mim e vi que seus olhos agora demonstravam um tipo de fúria que desconhecia. O olhar dela era matador, de certa forma me fez sentir medo, era como se ela me mandasse nunca mais olhar para ela, mas mesmo que eu quisesse não olhá-la, algo dentro de mim dizia que não poderia ter medo disso.
Continuei enfrentando-a até que ela baixou a cabeça, e de longe pude ver que respirou fundo como se estivesse com seus pensamentos a mil. Mas parou de pensar sabe se lá o que, pois a professora começou a chamá-la sem parar.