Show me Forever
Capítulo 02 – Killing me Softly.
'Alguém pode explicar o que diabos há de errado comigo?'
Sim, porque definitivamente, há algo errado aqui. Começando pelo fato dessa pequena e irritantemente irresistível morena, ainda está viva e literalmente, pendurada no meu pescoço.
O que aconteceu?Ah, sim...
Ela se jogou em meus braços, implorando para que eu a matasse. Em séculos isso foi a atitude mais sexy que eu já vi. Não me leve a mal, mas para os meus instintos vampirescos, ter uma bela mulher em meus braços, se oferecendo dessa maneira é por definição, muito sexy e indescritívelmente delicioso.
E isso é exatamente o que me deixa ainda mais confusa. 'Como ela conseguiu me subjulgar dessa forma? A simples presença dela afasta o vazio que me assombrou durante todo esses anos.'
Isso tudo está me deixando extremamente irritada e incrivelmente frustrada. Obviamente você está se perguntando, por quê? Pois eu vou te dizer o porque ...
'Porqueeeeee tudo isso que estou sentindo deveriam ser ainda mais motivos para ela estar morta em meus braços agora, ao invés de estar chorando agarrada no meu pescoço.'
Okay. Eu perdi a cabeça por alguns segundos, mas o que eu não entendo é como ainda não fui capaz de realizar o desejo dela? Por que ainda não consigo ceifar a vida, que ela me ofereceu com tanta determinação?
O 'nosso abraço'já durava mais que cinco minutos. Ela soluçava baixinho com o rosto escondido na curva do meu pescoço, enquanto minha única vontade era manter esse pequeno e frágil ser seguro.
Ela se afastou um pouco, novamente me fazendo refém daqueles olhos castanhos. Era incrível como mesmo levemente inchados e avermelhados, a força desse olhar não diminuia.
Com um gesto firme, ela segurou meu ombro com uma das mãos, enquanto com a outra removia a parte de seu cabelo que cobria o lado esquerdo de seu pescoço. Depois levantou o queixo, inclinando o rosto para o lado para expor ainda mais uma pele linda, bronzeada e quente.
Engolir a saliva que imundou minha boca quase se tornou impossível. Lembram do que eu falei sobre ser sexy? Sim,ela está fazendo isso de novo.
Só que desta vez, eu acariciei aquela pele delicada de sua garganta com meus lábios. Eu deslizei a ponta da minha língua sobre aquela pele sensível e maravilhosa, antes de sussurar em seu ouvido.
"Esse é realmente o seu desejo? Morrer?"
Pude sentir o arrepio percorrer seu corpo frágil, mas algo me disse que não era medo que ela estava sentindo.
"P-por favor.", ela implorou suavemente.
Foi como se ela tivesse desengatilhado todas as travas que me impediam de tomar uma atitude. Imediatamente meus lábios se apossaram de seu pescoço, beijando possessivamente toda área, desde sua nuca até a clavícula. Eu degustei aquela pele macia, me preparando reclama-la como minha. E então, eu ouvi um gemido e...
"Meu nome é Rachel."
'Droga. Droga. Droga.'
No segundo seguinte, Rachel estava sentada no chão da estação, derrubada por um empurrão meu.
"O que diabos há de errado com você?" Eu berrei para a garota jogada no chão. 'E o que diabos há de errado comigo?'Quer dizer, eu sei que tem algo de errado comigo, mas definitivamente o que me incomoda mais, é a ânsia dessa garota de que eu tire sua vida.
"Você acha que é fácil para mim, me concentrar no que eu tenho que fazer, quando você fica se comportando dessa maneira? Por acaso, você acha que é fácil tirar a vida de alguém? Você acha que faço isso porque gosto? Que diabos aconteceu para que você queria tanto assim desaparecer deste mundo? E como diabos você sabe o quêeu sou?"
Rachelme encarava assustada, encolhida no chão frio de concreto. Um dos três da linha G verde, passou feito um borrão pela estação.
"Eu sinto muito...". Ela sussurrou.
'Ahhhhh... isso é tudo o que ela tem para me dizer?'
Agarrando-a pelos ombros eu a suspendi até que seus olhos ficassem na mesma altura que os meus. Eu estava furiosa, era inconcebível que ela quisesse morrer. Eu me recusava a aceitar.
"Eu vou enfiar minhas presas em seu pescoço, e isso não vai ser nada agradável, Rachel. Você vai se contorcer, enquanto eu bebo todo seu sangue, até você secar. Seus únicos pensamentos serão de desespero perante sua morte eminente. Eu vou me deliciar com sua vida fluindo para dentro do meu corpo, e você só vai ser capaz de sentir uma dor imensurável rasgando seu coração. Vou devorar sua vida, e depois largar seu corpo frio nesse chão sujo."
Nossos rostos estavam a milímetros de distância. As lágrimas já escorriam pela sua face.
"É isso que você quer?" Quase rosnei para ela.
"Perdi meus pais. Minha voz. Meus sonhos. Eu perdi tudo. Estou completamente sozinha... Eu não aguento mais isso... Eu só quero morrer... por favor..."
Oh... então é isso.
Largo de uma vez seu pequeno corpo e ela mal consegue ficar de pé. Mas, mesmo assim, ela continua a falar, entre soluços e com uma voz trêmula.
"Há algumas noites, eu vi você neste mesmo lugar. Eu não sabia o que você era naquele momento. Quero dizer, você parecia estar b-beijandoaquela mulher, mas então eu percebi... E-Eu percebi quando ela... e, então você deixou o corpo naquele banco..."
A morena apontou para o mesmo lugar, onde antes, ela estava sentada.
"Naquela noite, fui para casa com muito medo. E-Eu nunca imaginei que alguém como você poderia existir. Eu p-pensei... Eu n-não acreditei, e disse a mim mesma que tudo não tinha passado de um engano. E que eu não tinha visto, o que eu pensei que tinha visto. Mesmo assim, não consegui dormir naquela noite..."
Rachel fez uma pequena pausa, e enxugou os olhos mais uma vez.
"O dia seguinte, era o dia do meu aniversário. Meus pais vinham para Nova York para comemorar porque eu sou egoísta o suficiente para não querer voltar para Lima. E-Eles estavam viajando de carro porque meu pai odeia aviões e papai não iria forçá-lo a viajar sob a influência de comprimidos para dormir de novo..." Os soluços pioraram e foi quase impossível para Quinn entender o que a morena falou em seguida.
"O-O c-carro coli-d-diu com um cami-nhão em Comlumbia... E-Eles m-morreram na hora. E-Eu só recebi a no-tícia m-mais tarde na-quela manhã ... na manhã do meu aniversário... E-Eles eram tudopara mim. M-Mesmo quando eu perdi minha voz... e-eu não posso mais cantar... e-eles tentaram me incentivar a-a continuar a perseguir meu s-sonho. Eles acreditavam que eu iria me recuperar... e de que um dia, eu seria uma estrela na Broadway. Mas... Eu não posso ... Isso dói demais ..."
Ouvi o que ela tinha a dizer e quando parecia que ela tinha terminado, virei as costas para ela fez menção de me afastar. Acho que ela percebeu minhas intenções, porque mal consegui dar um passo, quando senti um puxão no meu antebraço.
"Estive esperando por você desde aquele dia e se você não fizer... e-eu não vou ter outra alternativa, a não ser me jogar na frente do próximo trem."
Arregalei os olhos, a encarando.
"Você têm vindo aqui durante todas as noites, por quase duas semanas? Você é maluca? Por quê? Se você quer morrer tanto assim, você poderia ter simplesmente pulado de uma ponte ou de um prédio?! Por que eupreciso fazer isso?"
'Não acredito que eu estava discutindo o futuro daquela que deveria ter sido meu jantar?! O que diabos está acontecendo com você, Fabray? O que essa garota fez para encoleirar você?'
Ela parecia perdida em pensamentos, quando falou.
"Ela morreu com um beijo... em seus braços. Ela morreu enquanto você a segurava tão carinhosamente junto de seu corpo. Você ficou com ela até o fim. E-Eu não quero morrer sozinha... eu não teria coragem de fazer isso sozinha."
Aquele olhar no rosto dela estava me torturando.
Por séculos eu vaguei por este mundo sozinha. Já vi tantas coisas que passei a pensar que tinha perdido qualquer traço de humanidade em mim. Até que esta pequena e irritante morena apareceu no meu caminho.
A tomei em meus braços, a envolvendo carinhosamente junto a mim.
"Você não estará sozinha, Rachel..."
E a beijei.
