Confiança

Dois

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Quem confia pode dizer; 'minhas palavras são suas'.

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Ele tivera uma noite cheia. Tinha que receber todos que vinham falar com ele, com enorme sorriso no rosto. Suas mandíbulas cansaram logo, por estar fazendo algo tão falso. A única coisa que tinha acontecido na noite anterior, era a jovem Tenten. Ela havia gostado dela, realmente. Era uma bela moça, e apesar de não pertencer ao clero, tinha uma boa família.

Acordou cansado. As olheiras que se formaram em sua face até então perfeita, denunciavam isso. Levantou, fez sua higiene matinal, tomou um delicioso café da manhã, como sempre fazia, preparado pelas melhores cozinheiras da vila de Konoha. Voltou novamente ao banheiro, agora para escovar os dentes e verificar se nenhum fio de cabelo estava fora do lugar. Aproveitou para verificar também a hora. Olhou para o relógio que estava na parede de quarto, que era visível do banheiro, já que ele não fechara a porta. 8h52min. Todos os servos já deveriam estar trabalhando. Servos. Ele não gostava dessa palavra. Para ele, era o mesmo que escravos. A única diferença que ele via nisso, é que os servos eram livres e ganhavam para trabalhar. Pouco, às vezes muito pouco, mas ganhavam. Decidiu ir cavalgar, aproveitar para pegar um ar puro, torcendo para que isso lhe tirasse as olheiras que havia adquirido. Claro, passaria pelas hortas, e estradas em construção, ele gostava de parecer simpático sem precisar de falsidade como na noite anterior. Ontem, ele fora obrigado, hoje, ele não se importaria em sorrir, já que tudo que os trabalhadores, para mencionar o menos possível servos, estavam fazendo era para ele e seu pai. E também... Ele tinha esperanças de encontrar Tenten.

Saiu do castelo às pressas, dirigiu-se ao estábulo onde se encontrava Rick, seu belo cavalo branco. O nome, Rick, fora escolhido pela mãe de Neji, pouco antes que ela viesse a falecer.

Neji tirou Rick do estábulo, acariciou o animal, e montou nele. Estava conduzindo-o pelo belo tapete verde que a grama formava em seu amplo jardim. Verde, sem uma falha se quer, com árvores grandes, com os troncos grossos, o que significava que teriam presenciado muita coisa desse mundo, com flores, claro. Os pés de Ipê estavam floridos, já que a época deles florescerem era o final do Inverno. Isso dava um toque a mais de cor para o jardim. As rosas também estavam presentes no último, e devo acrescentar, em grande quantidade e variedade.

Seguia o curso do rio, e andava pela beirada do mesmo. A água clara, limpa, perfeita para tomar banho. Cavalgou alguns metros, até que avistou algo no chão. Uma pessoa.

Desceu imediatamente de seu cavalo, correu até alcançar o corpo, se abaixou.

Era uma mulher. Estava deitada, com as costas para cima. Parecia respirar com dificuldades.

Neji a virou, para poder contemplar seu rosto. Era Tenten. A jovem da noite anterior. Estava com as mesmas vestimentas, o vestido vermelho com o corpete, ainda apertado, branco.

Ele precisava ajudá-la, abriu o corpete, e o retirou do fino corpo a sua frente, ela pareceu respirar mais aliviadamente. Mas ainda parecia desacordada. E também estava molhada. Encharcada para dizer a verdade. Talvez tivesse caído no rio, e a correnteza a tivesse arrastado até não poderia saber até ela acordar.

Tudo o que ele podia fazer agora, era levá-la ao castelo, pedir que lhe dessem um banho, e a vestissem com roupas limpas, quentes e principalmente secas. E procurar a família dela.

Foi o que ele fez. Levou-a até o castelo, sorte dele, que estava com Rick, além de não precisar carregá-la, ainda chegariam mais rápido.

E agora, estava esperando que o pai de Tenten viesse falar com ele, já que tinha pedido a Seb, seu criado mais confiável, que chamasse o trabalhador até ali.

Ouviu uma batida na porta, e quase que no mesmo instante, a viu ser aberta por Seb.

– Senhor Neji? – Seb pediu, enquanto abria mais a porta, e deixava espaço para o pai de Tenten entrar. Porém, ele não o fez. – Trouxe quem o senhor pediu o mais rápido que eu pude.

– Obrigado. – Disse Neji, enquanto se levantava de onde estava sentado, e se dirigia até a porta. – Entre, por favor. – Esperou o senhor se acomodar em seu escritório, o que demorou um pouco, e depois de fechar a porta, sentou-se novamente atrás da mesa de madeira, talhada a mão que tinha em sua sala.

– Com licença, senhor, tem algo que eu possa fazer pelo Senhor? – O Senhor Mitsashi perguntou, torcendo para que não fosse despedido.

– Na verdade, tem sim. O senhor é o pai de Tenten? – Neji perguntou seriamente. Viu a face do homem a sua frente se tornar branca.

– Sim. O que ela fez? - Ele perguntou, preocupado se a filha teria feito alguma besteira.

– Eu a encontrei hoje, desacordada perto da margem do rio, nas minhas dependências. Ela tinha um ferimento leve na cabeça, nada para se preocupar, segundo o médico da vila.

– Foi... Foi por isso que ela não apareceu em casa ontem à noite... – O senhor ficou de pé.

– Não apareceu? – Neji se espantou com a declaração. Ela parecia uma moça direita.

– Não. – Ele tentava não gaguejar. – Senhor... Eu preciso vê-la. Ela é muito importante pra mim! Por favor! – O homem que havia ficado de joelhos implorava.

– Sim, claro, se levante e me acompanhe, por favor.

Neji havia saído de seu escritório, e dirigia o homem por uma série de corredores e portas sem fim. Depois de algum tempo, parou em frente a última porta daquele corredor. Se o senhor Mitsashi tivesse que voltar sozinho mais tarde, ficaria perdido.

– Ela está aqui. – Neji bateu na porta. Um homem jovem, não tanto quanto Neji, atendeu. – Senhor Mitsashi, este aqui é Kakashi, médico da família.

– Prazer. – Disse apenas.

– Senhor Hyuuga. A jovem acordou faz poucos minutos. – Disse o médico. – Eu fui aviá-lo, só que o senhor estava conversando. Não quis atrapalhar.

– Não tem problema. Podemos entrar? – Perguntou o jovem.

– Claro. – Disse o médico, e deu passagem para os dois.

A sala não era tão grande quanto às outras, mas era confortável. Era toda em tons claros, exceto pelas flores que haviam sido colocadas em cima do criado mudo da cama que se encontrava ali. Deitada na cama estava uma jovem de cabelos soltos, e vestido longo, branco.

Estava com os olhos abertos, parecendo desconhecer o lugar.

– Tenten? Filha?- Perguntou o homem, já com lágrimas nos olhos. – Eu fiquei tão preocupado. – E no momento, o senhor Mitsashi se esqueceu que não estava em sua casa, se esqueceu dos modos, se esqueceu que estava na frente do futuro soberano, ele simplesmente correu e se jogou nos braços da filha.

– Desculpe. – Disse a moça com a voz baixa. – Mas... Quem é você?

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– Eu ia avisar senhor Hyuuga, mas o homem foi mais rápido... – Dizia o médico. Encontravam-se novamente no escritório de Neji, na sala estavam presentes Neji e Kakashi.

–Sim, claro, sem problemas, o que vamos fazer agora? – Perguntou Neji. – Tudo bem, eu vou conversar com o pai dela. Pode me dar licença Kakashi? E quando sair peça a ele que entre.

Kakashi se retirou da sala e logo em seguida o senhor Mitsashi entrou.

– Senhor Mitsashi, eu não sei como lhe dizer isso, mas... Sua filha não está em condições de sair do castelo no momento... Aqui ela será mais bem cuidada... Terá o acompanhamento médico necessário.

– Senhor... – Pediu o homem encarecidamente. – Cuide de minha filha. Deixe que ela viva com você. Ninguém precisa saber que ela é minha filha. Eu digo a minha esposa e filhas que aconteceu um acidente, e que ela não resistiu, ela é a coisa mais importante do mundo pra mim, cuide dela, deixe que ela seja sua. Ela terá uma vida melhor...

Neji se assustou com a proposta. Ele não a queria... Pelo menos não dessa forma. O homem estava lhe dando a filha dele, para ela ter uma condição de vida melhor. Claro, ele estava pensando nela, mas dizer à família que ela morreu, seria um exagero.

– Eu cuido dela. – Disse Neji por fim. Nem ele parecia saber o que estava dizendo. – Mas não diga a ninguém que ela morreu... Diga que está desaparecida, ou melhor, nem diga nada.

– Obrigado, senhor, obrigado! Eu trabalharei o dobro para o senhor, pelo resto de minha vida! – Disse o servo.

– Não. Não quero que trabalhe mais. O senhor já trabalha demais, e ganha pouco. E eu também não avisarei meu pai que ela é uma camponesa. Vou dizer que a achei caída perto do rio. Apenas isso.

– Obrigado! - Disse ele, que já se encontrava na porta. – Com licença Senhor, vou voltar ao trabalho, há uma ponte que precisa ser restaurada, e é melhor eu ir logo, antes que deem a minha falta.

– Certo. – Disse Neji, enquanto via o Senhor Mitsashi sair. Logo após, se pegou pensando na jovem, ela não se lembrava de nada, teria uma tarefa difícil... Decidiu visitar a moça novamente. Começou a andar rapidamente pelos corredores do castelo até se encontrar na sala onde Tenten estava.

– Com licença? – Ele perguntou.

A moça, que observava atentamente as flores que estavam no criado mudo, ao lado da cama. Ela parecia analisá-las com cuidado, parecia... Fascinada.

– Margaridas... – Ela comentou, ainda olhando para as flores. – São simples... Porém belas.

– Exato. – Ele confirma. - Assim como você. Como está se sentindo?

– Obrigada. – Ela abaixa a cabeça. Começa a brincar com os dedos. – Estou com dor na cabeça na verdade.

– Entendo, logo estará na hora de seu remédio, não se preocupe, mas... – Ele falava, enquanto se aproximava da cama dela. – Então... Não se lembra de nada?

– Não, do quê eu deveria me lembrar? – A jovem perguntara, e não recebera uma resposta. – Há algo que eu deveria me importar? Por favor, me conte! – Implorou.

– Você... Você é minha noiva. – Ele achou melhor se explicar com o seu pai depois, do quê contar a jovem, que estava sendo muito bem cuidada, que na verdade ela era pobre. – Vamos nos casar em breve. Você estava cavalgando hoje pela manhã, parece que o cavalo se assustou com algo, uma cobra talvez, não posso afirmar, e te derrubou, você bateu a cabeça, e parece não se lembrar de nada.

– Nossa, eu estou noiva e não me lembro! Que coisa... Estranha, e me desculpe por não me lembrar de você meu amor, mas... Eu realmente não consigo... – Ela passou a encará-lo.

– Sem problemas. Sou Neji Hyuuga, como você deveria saber, sou o futuro rei de nossa pequena aldeia, e você consequentemente, rainha. – Tentou, achou que já que ela não se lembrava de nada, não faria mal mentir um pouco, além disso, ele poderia muito bem se acostumar com a ideia de ter uma bela jovem o chamando de meu amor.

– Certo Neji Hyuuga. Vou me lembrar com certeza! – E sorriu. Ela podia até não lembrar dele, mas podia até arriscar afirmar, que gostou de saber que estava noiva dele.

Continua...


Então povo, depois de algum (muito) tempo, a Hamii voltou!

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