Nossa, já faz um ano desde que eu atualizei isso aqui. Enfim, estive em meio à um bloqueio e falta de tempo, terminando a faculdade e tudo mais. Pois bem, eu escrevi e já postei, portanto, não está revisado. Qualquer erro, por favor, me avisem! Gostaria de agradecer pelos reviews, favoritos e seguidores! No mais, espero que gostem!
Quando, por fim, o sol escaldante se punha, os homens de gaara encarregaram-se de remover a estava junto com o corpo de Norihito. A multidão dispersara, mas o imperador, as duas mulheres com vestidos nobres e uma legião de servos continuavam, sob a tenda para proteger-lhes do sol e assistir aos escravos.
A mulher de cabelos curtos servia-se de taças e mais taças de vinho e demonstrava certa embriaguez. Gaara saboreava um pão, vez em outra, arremessando ao chão pedaços deste. Só para ver a boca daqueles miseráveis salivarem, tamanha fome que sentiam. Mas a imperatriz mal se movia. Bebericava, muito raramente, da taça dourada em suas mãos, e rejeitou todas as vezes que seus servos ofereciam-lhe comida.
Alguns dos prisioneiros, em sua maioria mulheres, já desfaleciam pela exaustão, porém continuavam sem receber socorro algum, aqueles que tentavam ajudar eram castigados com chibatadas ou eram espancados.
Shikamaru mal se mantinha em pé. A realidade parecia apenas uma alucinação. Só despertou de seu transe, quando ele e os demais receberam ordens para seguir os soldados. Seus passos eram tão pesados quanto as correntes que o prendiam. Ele beirava o limite, já não sabia quanto mais aguentaria.
Distanciaram-se o suficiente para conseguir ver apenas o telhado do palácio: uma cúpula branca e dourada. Um a um, os prisioneiros eram libertos das correntes, porém aquilo era apenas uma metáfora. Liberdade era apenas um passado distante, estava acorrentado àquele inferno, e não era pelo ferro, e sim, pelo maldito destino. Seus dentes estavam cerrados, a mandíbula doía. Os grilhões tinham ido embora, mas o peso deles continuava ali, nas marcas roxas e nos cortes que deixaram.
Estavam frente à um rio cheio, largo e cheio de pedras, a dança das águas rápidas e azuis o fez lembrar daquela mulher ao lado de Gaara, e, naquele momento, quis ter o pescoço dela em suas mãos e estrangulá-la. Assim como o imperador, a mulher de cabelos curtos e todos os outros naquele maldito império. Queria matar à todos.
- Dispam-se! – um dos homens ordenou.
A ordem demorou alguns segundos para ser interpretada. Logo, os escravos estavam todos nus e entraram nas águas do rio. Era o mais próximo de um banho que eles teriam, mas ainda assim, Shikamaru sentiu-se minimamente renovado.
Ino abriu as pesadas portas da sala onde Gaara passava a maior parte do tempo e a cena que viu revirou-lhe as entranhas. Ainda que se mostrasse inabalável, sentia nojo. Seu marido encontra-se sentado no sofá vermelho de veludo, com duas concubinas ao seu lado. Temari estava sentada na poltrona a sua frente, e ria-se, escandalosamente como sempre. Porém, o que lhe enojara era a mistura alva, rubra e negra atada como um animal e fazendo o papel de mesa. A escrava que antes gritava pelo nome do empalado estava, agora, com a pele das costas esfolada e pesadas bandejas de cobre sobre elas. Os braços e pernas ostentavam cortes profundos, devido às chibatadas que levara. Estava de quatro sobre o mármore frio, uma corda prendia seus punhos aos joelhos, sem que pudesse se mover, e tinha a boca amordaçada. Ela já não conseguia gritar, entretanto lágrimas lhe escorriam aos olhos.
-Olá, irmãzinha! Achei que não iria se juntar a nós... – Temari debochou.
-Não iria... – Ino respondeu, ainda em sua postura altiva e indiferente.
Gaara fez um sinal dispensando as concubinas e ela sentou-se ao seu lado. Ver os ferimentos mais de perto a fez arrepiar. Sem que se desse conta, continuava a encarar a carne exposta da jovem mulher, ainda que não expressasse reação alguma. O imperador passou o braço esquerdo sobre seus ombros e a puxou para mais perto de si e mordiscou seu pescoço. O hálito carregado de vinho a incomodou e ela o afastou sutilmente.
Não lembrava o que a levara até aquele ambiente profano, porém cada célula de seu corpo entrou em desespero para que ela saísse de lá. Mais uma vez, ela sufocara sem que pudesse fazer nada.
De repente o barulho da porta se abrindo fez com que todos se voltassem a atenção à figura de cabelos longos e castanhos que irrompera pela sala. O homem fez uma mesura às mulheres, e reverenciou o Imperador, mantendo-se cabisbaixo, tanto em sinal de respeito quanto para evitar olhar para a cena grotesca.
-Senhor, Hinata teve outra visão.
Sem que fosse necessária outra palavra, Gaara levantou-se e saiu apressado. Temari foi até o homem que, agora, mantinha-se austero.
-Vamos, Neji, me ajude chegar até meu quarto. – A mulher levantou-se, e cambaleou até ele.
Antes que saísse com a mulher agarrada à si, o homem cumprimentou Ino, lançando lhe um olhar de cumplicidade. A ideia de ficar sozinha com a escrava não lhe agradou. Ino fez seu caminho para fora, deixando a jovem e a poça de sangue no chão. Ela pode ouvir os murmúrios dela antes que passasse pela porta.
Ele e os demais homens foram encaminhados à uma construção que mais parecia um formigueiro, ainda que tivesse dimensões grandes, não se comparava em nada ao palácio. Em fila, adentraram o lugar escuro, úmido e com um cheiro forte de mofo. A única luz era das poucas tochas penduradas à parede.
Shikamaru percebia o brilho triste nos olhos dos outros que já estavam acomodados nas celas. As expressões divergiam entre fúria, compaixão e deboche. Ele mal podia manter-se em pé, e o empurrão que um dos homens de Gaara lhe deu foi o suficiente para que caísse de joelhos, rasgando violentamente a pele.
-Ei, levante-se, fracote. Ainda não é hora de descansar! – O homem provocou.
O escravo reuniu todas as forças que lhe restavam e pôs-se em pé novamente, só para dar mais dois passos e ser empurrado para dentro de uma das celas. Não era mais que um buraco cavado grosseiramente na formação rochosa.
Percebeu mais três figuras do lado de dentro das pesadas grades de ferro. Por mais que quisesse manter-se firme, faltaram-lhe forças, e sem emitir som algum, apagou.
-Chiyo! Chiyo! – A voz de Ino se fazia ouvir insistentemente pela ala das serviçais do palácio.
A imperatriz gritou mais algumas vezes antes de ser respondida. Uma senhora de baixa estatura e cabelos e rosto que denunciavam sua idade avançada.
-Pelos Deuses, Senhora! O que foi?
-Gaara está passando dos limites... – a frase saiu num fiasco, quase como se a frase fosse dita apenas para ela mesma.
- O que, minha Senhora?
-Vá até o salão da ala oeste! Leve mais duas ou três com você. –Ino andava de um lado para outro, arrastando as saias finas. Vez ou outra, levava a mão sobre a testa. Desespero visível. – Tire ela de lá!
-Sim, Senhora!
Se saber o que a esperava, mas entendendo a aflição de Ino, a velha saiu do campo de vista da Imperatriz e obedeceu.
E então? O que acharam? Manifestem-se!
