Título: There's a Light... (ou a Cia. Hogwarts de Teatro apresenta Rocky Horror Picture Show)

Disclaimer: Fanfic escrita por diversão e para me botar de volta ao rumo. Os direitos autorais de Harry Potter pertecem a JK Rowling, a Warner Bros. e etc. Rocky Horror Picture Show também não é meu e eu não gostaria de ter problemas com quem possui os direitos. Eu não possuo nada e nem quero dinheiro por essa história.

Avisos: Slash, slash e mais um pouco de slash. Se você não sabe o que é isso, talvez seja melhor nem ler.


Capítulo 2: O que é que tem de errado com o texto?

Pansy queria que a gente saísse para comemorar minha entrada na peça e na Cia., mas eu precisava urgentemente contar para minha mãe. Apesar de ter decido fazer o teste por mim mesmo, a empolgação e o orgulho que minha mãe estava sentindo eram tão importantes quanto tudo que eu estava sentindo no momento. Peguei meu carro e voltei para casa dirigindo como um louco, ainda tentando absorver a notícia. Eu seria Frank'n'Furter. E nada me faria desistir do papel dos meus sonhos.

Chegando a casa, perguntei para sra. Bates, nossa governanta, onde estava minha mãe. Ela me disse meus pais estavam conversando no escritório e aquilo tirou o sorriso da minha cara. Então pedi a ela que avisasse minha mãe que eu queria falar com ela, mas só quando meu pai não estivesse em casa. A sra. Bates não estranhou o pedido, já que de algum tempo para cá (precisamente desde que eu tinha saído do armário para minha mãe) era comum eu e minha mãe só conversarmos quando meu pai não estava.

Infelizmente, Lucius Malfoy estava disposto a passar um tempo de qualidade com a família naquela noite, perguntando como eu estava indo na faculdade a partir dos mínimos detalhes. Ele também aproveitou para fazer um longo e entediante relatório de como iam os negócios e zombar da minha mãe por não ter nada para fazer. Mas ela, como sempre, não se abalou com os comentários dele e apesar de não estar sorrindo abertamente, eu percebia sua felicidade toda vez que olhava para mim.

Quando finalmente pude ir para meu quarto, tudo que pude fazer foi me jogar na cama e dormir de tão cansado que estava me sentindo. Sonhos que misturavam motocicletas em alta velocidade, raios lasers, cabelos loiros extremamente longos ao vento e uma quantidade absurda de paetês vermelhos brilhantes acabaram me fazendo acordar atrasado no dia seguinte. Depois de um banho rápido e de colocar a primeira roupa limpa que apareceu na minha frente, desci para o café da manhã. Para minha sorte, meu pai já tinha saído para trabalhar e assim que sentei a mesa, minha mãe perguntou:

- Como foi a audição, querido?

- Consegui o papel, mãe... – Falei sorrindo para ela, que tinha acabado de pegar uma colherada de iogurte. Minha mãe soltou a colher sem se importar onde ela cairia e me abraçou forte.

- Estou tão orgulhosa de você, Draco.

- Também estou, mãe. – sussurrei em seu ouvido. Ela me soltou do abraço e uma lágrima caia por sua bochecha, deixando um rastro sem maquiagem em seu rosto.

- Você não sabe o quanto eu estou feliz, querido. Você pode ter feitos algumas bobagens na sua vida, mas você também merece ser feliz e eu sei que fazer essa peça vai te ajudar a ser feliz.

- É só uma peça, mãe. – falei tentando ser sério, mas Narcisa Malfoy sempre via por de trás das minhas defesas.

- Rocky Horror sempre teve um poder sobre você, querido. – ela voltou ao seu café da manhã – E ela sempre muda a vida das pessoas que atuam nela. Mudou a minha.

- Você já esteve em Rocky Horror? – perguntei depois de uma longa pausa. Ela fez que sim com a cabeça e sorriu nostalgicamente.

- Foi no meu ultimo ano de faculdade. O filme tinha saído há apenas seis meses e aquela foi a última peça que o professor Dumbledore dirigiu. Por causa dela, a Cia. ficou parada até o seu professor a reativar, devido a quantidade de protestos. A gente nem chegou a fazer a estreia. – ela respirou fundo e olhou em meus olhos. – Seu pai também estava nela. Ele foi o Riff Raff e sua tia Bellatrix foi a Magenta. Eu era a Columbia. Foi nessa época que nós começamos a namorar.

Eu estava chocado. Como assim meu pai tinha atuado em Rocky Horror? Minha mãe me deu um beijo na testa e saiu da sala de jantar. As memórias dos tempos de namoro, apesar de felizes, sempre faziam mal para minha mãe. Eu não sabia a história toda, mas desconfiava que as coisas desandaram para meus pais um pouco antes de eu nascer, quando meu avô morreu e meu pai foi obrigado a tomar conta dos negócios lícitos e não-lícitos da família. Os três anos entre esse momento e o meu nascimento nunca são comentados e parecem ser extremamente dolorosos para ambos. E para completar a infelicidade da minha mãe, ela descobriu que meu pai tinha várias amantes quando eu tinha cinco anos. Acho que ela não o largou por causa de mim. A sra. Bates me acordou dos meus devaneios me perguntando se eu já não deveria estar na faculdade. Como ela estava certa, eu fui o mais rápido que podia para Hogwarts.

Let's do the time warp again…

Pansy havia tentado me tirar de casa o final de semana inteiro, sem nenhum sucesso. Então quando nos encontramos para almoçar na segunda feira, ela estava uma fera. Reclamou comigo o tempo inteiro e até Blaise ficou assustado. Depois que ela foi embora, ele me contou que ela tinha saído com o pessoal da Cia. o sábado à noite e que a Chang, a Brown e o Smith tinham passado boa parte do tempo reclamando da minha escalação para a peça. O que me surpreendeu foi que apesar da Pansy ter discutido feio com elas, foi Granger que saiu de cabeça quente da história. Pelo jeito, ela apoiou Pansy na discussão, perdeu as estribeiras com a Brown e ainda brigou com o Weasley. Blaise ainda falou que quando Ginny Weasley perguntou para ela porque tanto entusiasmo em me defender, Granger disse que era porque ela não ia ficar calada ouvindo tanta baboseira e preconceito , só porque eu era novo na Cia. e melhor ator do que eles.

Aquilo mexeu profundamente comigo. Eu me sentia envergonhado por tudo que havia feito com ela durante o colégio. Todos os nomes e todas as coisas que tinha feito para prejudica-la e prejudicar seus amigos. Não consegui prestar atenção em nada a partir daquele momento e quando passei por Granger nos corredores, não tive coragem de fazer mais do que um gesto de reconhecimento com a cabeça. Fiquei nervoso por causa do ensaio no dia seguinte e perdi mais uma noite de sono. Não queria sair da cama, mas Pansy, que ficou sabendo que Blaise havia me contado sobre a discussão, fez questão de ir me buscar em casa e na cama no dia seguinte.

Durante toda a manhã, fiquei ensaiando minha demissão da peça na minha mente. Aquilo era loucura e eu simplesmente devia ter ficado no meu canto. No almoço, eu não consegui comer e meus amigos me olhavam com cara de preocupados. Então Pansy começou a reclamar em voz baixa com Blaise e ele tentou se defender aos sussurros. Eu olhei em volta e vi Luna Lovegood almoçando sozinha e parecendo a criatura mais serena do universo. Aquilo me acalmou o suficiente para prestar atenção no que meus amigos discutiam.

- Até agora não entendi o que fiz de tão errado. – Blaise falou um pouco mais alto do que deveria. – Ele precisava saber por que você estava tão irritada.

- Você sabe muito bem que é por causa do que você falou que ele vai desistir da peça, porque acha que ninguém vai aceitar ele lá. – ele fez cara de entendimento e ela continuou sussurrando. – Sendo que isso tudo ia ajudar tanto ele. O Draco nem parece mais com ele mesmo. Sempre preocupado demais, envergonhado demais. Ele nem faz tantos comentários irônicos.

- Eu não vou desistir, Pansy. – decidi falar e os dois olharam assustados para mim. Eles não tinham percebido que eu estava ouvindo. Os dois então sorriram para mim e o clima ficou menos tenso na mesa. Era verdade que há poucos minutos eu estava decidido a desistir do papel da minha vida, mas a visão de Luna, tão diferente e tão segura de si, me fez querer ser como ela. Sem me importar com o que os outros pensam de mim.

Nós três ficamos comendo em silêncio, sendo que o alivio dos meus amigos era perceptível no ar. Luna terminou seu pudim e passou por nós falando "Alô", o que deixou eu e Blaise um pouco desconcertados. Nós ficamos por ali até a hora do ensaio e Blaise, por falta de coisa melhor para fazer, foi conosco para o teatro. Os ensaios da Cia. eram abertos ao público, mas raramente alguém aparecia, já que praticamente ninguém em toda Hogwarts se interessava por teatro.

Chegamos quando Finnigan e Thomas acabavam de montar um telão no palco. Eles nos cumprimentaram cordialmente, mas havia certa tensão sexual entre o irlandês e Pansy. Blaise cochichou algo para ela, que olhou de cara feia para ele. Então um fragmento de memória veio até minha mente, onde Pansy me contava que tinha terminado com alguém da Cia. Decidi que iria observar e ter certeza antes de perguntar a ela sobre esse relacionamento. O resto do grupo foi chegando aos poucos até que Tonks apareceu com seus cabelos roxos e anunciou que iríamos fazer hoje.

- Nós vamos assistir ao filme e peço a todos os atores principais que prestem atenção em seus personagens, porque não temos tempo a perder.

Com estas palavras, as luzes do teatro foram apagadas e o filme começou a passar. Apesar de estar prestando atenção na tela, percebi que Potter, que estava sentado na minha diagonal ao lado de Ginny Weasley, ficava cada vez mais corado. Parecia que não era só eu que tinha pensado em votar atrás. Então comecei a reparar nos outros. Weasley parecia feliz de não aparecer muito e McLaggen não parecia nem um pouco desconfortável com a ideia de usar uma sunga dourada (a situação dele mudou um pouco quando chegou a cena em todos usam corset, meia arrastão e salto alto). Chang parecia reclamar de tudo em voz baixa com Diggory e Granger e Luna estavam tomando notas. A Weasley parecia prestar mais atenção na coloração incomum nos olhos de Potter e as outras meninas conversavam e davam risadinhas, enquanto Pansy as mandava calar a boca. Os gêmeos tinham cara de estar conspirando contra tudo e todos e Longbottom parecia bem nervoso com toda a situação.

Quando o filme acabou e depois de algumas cotoveladas em Blaise para que ele acordasse, Tonks subiu a o palco e quase derrubou telão. Após de pedir silêncio várias vezes e de tentar controlar o grupo como Lupin teria feito, Granger foi ajuda-la e elas finalmente conseguiram silêncio. Luna subiu apareceu com os braços cheios de papéis e Tonks sorriu de orelha a orelha.

- A Luna vai distribuir os textos e peço a todos que os estudem bastante até nosso próximo ensaio de quinta feira, porque nós vamos fazer nossa primeira leitura... – Tonks foi interrompida pela entrada de um furioso prof. Lupin.

- Srta. Lovegood, não distribua esses papéis.

- Remus, o que está acontecendo? – perguntou Tonks quase caindo do palco no processo de descer.

- Ninfadora...

- Não me chame de Ninfadora! – Tonks falou com tanta raiva que seu cabelo parecia ter mudado de cor.

- Achei que tínhamos combinado que você ia adaptar o texto para a apresentação. – falou Lupin, ignorando a interrupção.

- Eu adaptei o texto. – ela falou com um pouco de má vontade.

- Sua versão é pior que o filme! – Lupin falou sem a normal cautela e comedição. O queixo de Tonks caiu e ela cruzou os braços, parecendo magoada. – Desculpe, me expressei mal. O que tentei dizer é que a sua versão é mais... – nesse momento, ele parecia sem palavras, mas a carranca dela o fez continuar – É mais picante que a versão do filme.

- E qual o problema? Não estamos mais nos anos 70, onde travestis e libertinagem são normais.

- Mesmo que os tempos sejam outros, seu texto é inapropriado para uma apresentação de teatro universitário.

Antes que Tonks respondesse, Granger aconselhou os dois a irem resolver essa questão com o diretor Dumbledore e eles nos liberaram para ir. Luna guardou os textos em sua bolsa e alguns foram até ela pedir o texto. Não entendi o que ela disse, mas todos saíram sem texto. Pansy então foi até ela e depois de alguns minutos ela voltou, pedindo que só perguntássemos depois que estivéssemos fora do teatro. Potter e a Weasley saíram na nossa frente de mãos dadas. Eu comecei a me sentir estranho, como se meu estômago tivesse caído do lugar onde ele geralmente fica.

- E então? – perguntou Blaise, quando estávamos chegando ao estacionamento.

- Eu perguntei para a Luna se ela tinha lido o roteiro e ela disse que sim. – Pansy respirou fundo e continuou. – Perguntei para ela o que tinha nele para causar tanta discussão entre Lupin e Tonks, porque eles nunca brigam assim, e ela disse que não tinha nada mais, mas que talvez Lupin tivesse ficado nervoso com os beijos e caricias mais explicitas que a Tonks pôs no texto.

- Como assim? – Blaise perguntou e eu já estava com palpitações no peito e suando frio antes da resposta dela.

- Um exemplo é a cena quando o Frank'n'Furter vai para a cama com o Rocky, que não aparece nada do que eles fazem no filme. Mas no texto da Tonks, eles começam a se beijar e a mão do Frank fica boba antes da cortina em volta da cama se fechar. – Pansy olhou para mim – Draco, você tá bem?

- Acho que não... – respondi e os dois me carregaram até o carro de Pansy.

Depois de me colocarem no banco de trás, Blaise foi comprar alguma coisa para eu beber e comer, porque minha pressão tinha baixado. Eu não estava conseguindo pensar direito e a cara de preocupação de Pansy estava me fazendo sentir pior. Depois que Blaise voltou com água e um pacote de batatas fritas e os dois me fizeram comer e descansar um pouco, os dois começaram a conversar sobre a questão do texto e eu me esforcei para não ouvi-los, o que não foi muito difícil.

- Draco... – Blaise me chamou, mas pela sua cara, ele já estava fazendo isso por algum tempo. – O que você vai fazer se o Dumbledore permitir o texto da Tonks?

- Ele não vai fazer isso. – Pansy respondeu por mim. – Dumbledore pode ser incomum e até um pouco maluco, mas ele é sensato o suficiente para não embarcar na maluquice da Tonks.

- Acho que a gente vai ter que esperar para ver... – foi a única coisa que falei, antes deles me levarem para casa.

A espera não foi muito longa. O tempo correu de acordo com o meu medo. Rápido e urgente. Conversei com minha mãe, ela logo percebeu que tinha algo de errado comigo, e me aconselhou a não desistir da peça e conversar com a Tonks sobre o meu desconforto de fazer essas cenas. Claro que para conversar com a diretora eu teria que explicar que o meu desconforto não é exatamente meu. Eu não teria nenhum problema em fazer cenas picantes com os outros atores e provavelmente nem com as atrizes, mas que talvez Potter e McLaggen se sentissem incomodados de fazer as cenas comigo, já que eu sou gay. A expectativa dessa conversa não era muito animadora.

Logo no inicio de quinta, eu pude respirar aliviado. Tonks estava com cara de poucos amigos e dava respostas atravessadas a quem falasse com ela. Mas quando Lupin apareceu com olheiras muito profundas embaixo dos olhos e uma áurea mal humorada, meu coração bateu mais forte e eu me senti extremamente ansioso. Quando o grupo estava completo, nem Tonks nem Lupin subiram no palco. Houve uma movimentação na parte de trás do teatro e o prof. Dumbledore se encaminhou ao palco.

- Todos vocês devem estar se perguntando o que o diretor está fazendo aqui. – ele deu um sorriso alegre e continuou. – Por causa de diferenças de pensamento muito grande, a Srta. Tonks e o prof. Lupin vieram até o meu escritório na terça feira, decidir o que seria feito em relação ao roteiro da peça que você estão montando. – Dumbledore fez uma pausa e sua voz se tornou mais séria. – Após analisar o texto que a Srta. Tonks escreveu, decidi que o texto deveria ser modificado devido aos passos além que foram dados em certas cenas. Então encarreguei ao prof. Lupin juntamente com a Srta. Tonks de reescreverem o roteiro de forma que o texto agradasse a ambos. E de acordo com o que me foi apresentado nesta manhã, ouso dizer que eles conseguiram. As Srtas. Granger e Lovegood vão distribuir os textos e eu espero que não haja mais problemas. – o diretor sorriu novamente, se despediu e saiu.

Os textos foram passados e agora era óbvio o motivo do mau humor do professor e de sua assistente. Eles haviam sido obrigados a trabalhar juntos em algo que eles dificilmente chegariam a um consenso. Fizemos a primeira leitura sentados na plateia mesmo e com o prof. Lupin lendo o que não era fala. As falas eram as mesmas do original, assim como as músicas, mas as ações não estavam bem descritas. Após a leitura, Tonks explicou que a única forma de entrar em concordância com Lupin era deixar as ações livres para nós encontrarmos a melhor forma de fazer as coisas. Aquilo me deixou aliviado por um lado, porque provavelmente as coisas não iam ficar muito picantes. Mas por outro lado, aquilo significava que o elenco deveria estar muito bem entrosado para conseguir uma boa performance.


Notas: Oi, gente.

Um novo capítulo para vocês.

Espero que tenham gostado desse também.

Só avisando antecipadamente para vocês se prepararem, no próximo capítulo tem lemon.

Tô nervosa. Bjos.