Capítulo III – Two Times, Four Times

My poor heart, it's been so dark since you been gone

After all, you're the one who turns me off

You're the only one who can turn me back on

Eu tinha acabado de retornar da casa dos meus pais, para me despedir deles antes de viajarem, quando ouvi a porta da sala sendo aberta. Eu nem tinha chegado às escadas ainda, e a única pessoa que poderia estar chegando àquela hora era...

- Draco! – vir-me-ei e corri na direção dele enquanto ele deixava a mala surrada no chão e fechava a porta.

- Meu amor – e me pegou em seus braços, já tomando meus lábios com um beijo suave.

Agarrei um pouco mais ele, esquecendo-me que nossas filhas estavam logo no andar de cima, e aparatamos em nosso quarto.

Acariciei sua face por um instante, afastando-me dele, apenas para ver seu rosto mais uma vez e notar qualquer cicatriz nova. Um sorriso pairou em seus lábios enquanto a ponta de seus dedos passava languidamente nas minhas costas.

Draco beijou-me mais uma vez e antes de algo mais quente poder ao menos acontecer, ouvi a voz fina e irritante de Elisabeth gritando. Ele riu quando eu me afastei dele com uma careta e se virou para a garotinha loura que corria até si.

- Olá, Lisbeth – pegou-a nos braços como fizera comigo, e se virou para mim.

Neguei a pergunta silenciosa que ele me fizera, e lembrei-me da promessa que tinha feito a William.

- Vamos sair à noite. – Sorri perversamente ao me lembrar do destino proposto. – Will, Jackie e Vicktória vão conosco.

Afastei-me dos dois e segui para o banheiro. Eu precisava de um banho de água gelada depois dessa.


Estávamos como no passado, em uma boate, bebendo vodka, dançando e provocando um ao outro.

- Você sabe que não podemos transar aqui, Draco. – Murmurei, enquanto ele sussurrava ideias interessantes no meu ouvido e me abraçava por trás.

- E quem disse que faremos aqui? – Draco provavelmente sorriu ao dizer isso, eu podia apostar.

- Você não presta, Malfoy – ri, virando-me para ele e beijando-o provocadoramente.

Então, como todas as outras vezes, uma música pior do que o que eu estava fazendo com ele, começou a tocar.

I've been a bad, bad girl

(Eu tenho sido uma garota muito má)

I've been careless with a delicate man

(Fui descuidada com um homem delicado)

Don't you tell me to deny it

(Não me diga para negar isso)

I've done wrong and I want to suffer for my sins

(Fiz mal e quero pagar por meus pecados)

Ele encarou-me com surpresa por um momento quando eu comecei a dançar, e logo em seguida, sua expressão era de malícia e divertimento.

- Você sabe como provocar um homem, Mione – sussurrou, segurando-me pela cintura e tentando me beijar.

Desvencilhei-me dele, e o sorriso de malícia cresceu. Eu podia sentir vários pares de olhos em mim, além dos do meu marido, e simplesmente aproveitei a situação para instigar ainda mais. Eu não dançava assim há tanto tempo, que quase sentia falta, então por que não utilizar a oportunidade que me foi estendida?

Fiquei de costas para Draco e comecei a rebolar quando ele segurou minha cintura com as duas mãos. Eu simplesmente sabia onde o olhar dele estava fixo, e sorri. Draco Malfoy não mudaria nunca. E era exatamente dessa forma que eu o amava.

Então, em algum momento da minha dança, ele começou a dançar comigo, e quando percebi já estava terminando de girar para no segundo seguinte cair em seus braços e ser beijada com voracidade.

Ouvi aplausos atrás de nós, antes de não ouvir mais nada, a não serem os meus suspiros e alguns gemidos ocasionais que vinham de Draco, enquanto procurava desesperadamente a barra do meu vestido.

Like you're perfume

(É como se você fosse um perfume)

Your skin is smooth

(Sua pele é macia)

The way you move

(O jeito como você se mexe)

I'm in the mood

(Estou entrando no clima)

Tease the crowd

(Provoque a multidão)

Please the crowd

(Satisfaça a multidão)

I'm boiling, I want you to see me now

(Estou fervendo, quero que você me olhe agora)

Assim que ele alcançou seu objetivo, caímos na cama e meu vestido desapareceu, enquanto meu marido beijava meu corpo inteiro.

- Oh, Draco... – tentei começar a dizer-lhe, mas minhas palavras se transformaram em um gemido. – Oh, Draco, senti tanto a sua falta.

- Imagino – sorriu, subindo os beijos e parando em meus seios já descobertos. – Acho que você se divertiu muito sem mim, não é? – sussurrou em meu ouvido, deixando-me louca.

- Oh, não.

- Não minta, meu amor – e mordeu o lóbulo da minha orelha.

- Eu... Oh. Ninguém é como você, meu bem. – Inverti nossas posições e sentei-me por cima dele, obtendo um sorriso deliciado de seus lábios. Arranhei-lhe o peito e comecei a provocá-lo enquanto me lembrava de tudo o que tinha acontecido naquela semana.

Andrew dormia tranquilamente na cama enquanto eu estava sentada numa cadeira em frente à mesa do quarto, ligando para casa.

- Hermione?

- Desculpe acordá-la, mamãe. Preciso que cuide das crianças um pouco mais pra mim.

- Claro. Mas eu e Matthew viajaremos em uma semana. Esteja aqui antes disso.

- Certo, eu estarei. Preciso daquele favor.

- Sobre Dimitri?

Comecei a fazer um mistura de português, russo e polonês exatamente nesse instante, para que apenas minha mãe entendesse os detalhes ínfimos daquilo. Nós aprendíamos obrigatoriamente, no mínimo, duas línguas além das línguas maternas da família: inglês e português. Aprendíamos a falar em códigos quando necessário e precisamente quando alguém não podia ouvir.

- Sim. Você sabe o que perguntar. Passe-me assim que conseguir. – Desliguei no exato instante em que ele se levantou e veio até mim.

Então, assim que mamãe mandou-me tudo sobre a vida de Andrew, de cabo a rabo, porque era uma coisa fácil de descobrir já que éramos parentes, ou melhor, primos em terceiro ou quarto grau, não faz diferença, dei corda aos planos dele e começamos a fazer as ligações necessárias.

Eu não estava acreditando que a história ia se repetir de novo.

- Alô?

- Oi, Dave. Desculpe por ligar tão cedo, mas eu tenho que resolver alguns problemas pessoais em outra cidade por... – olhei para a expressão travessa de Andrew. – Hmmm, cinco dias.

- Você tem alguma substituta para isso?

- Eu vou ligar para Gina e Anne logo em seguida, apenas queria avisá-lo antes.

- Ok. Você pode ter os cinco dias que quer para resolver seus problemas.

- Obrigada, chefe.

Ele riu.

- De nada, Granger. Até mais.

Desliguei o telefone e olhei para Andrew com uma sobrancelha arqueada.

- E então? – ele perguntou.

- Consegui os tais dias – e sorri para ele. – Mas tenho que ligar para uma das garotas antes para me substituir, como sempre. Ou... Qual a profissão de Carolinna?

- Ela é médica. Por quê?

Revirei os olhos.

- Em que área?

- Bem, Mitra tem apenas trinta anos, mas é especializada na sua área e na de Dimitri.

- Ela está trabalhando agora ou está de férias?

- De férias, eu acho. Por que tantas perguntas sobre Carolinna, Hermione?

- Meu problema com a substituição está acabado – eu devaneei. – Você podia pedir isso a ela? – e me aproximei dele para sussurrar em seu ouvido. – Por favor?

- Eu vou tentar, tudo bem?

- Tudo bem. – Eu sorri e tive que me segurar para não beijá-lo quando ele pegou o telefone.

Beberiquei um pouco do café para fingir que não estava prestando atenção à conversa deles, mas eu estava ouvindo cada palavra que era dita, apesar de ignorar completamente o início da conversa.

- Acalme-se Mitra, eu só quero que você me faça um favor.

- O que é agora? Diga logo, Tony está quase voltando.

Tive que morder o lábio inferior, para não rir, ao ouvir vagamente a voz fria dela no telefone. Carolinna Minoo Mitra gostava de Andrew? Mas por que então estava noiva de Anthony? Uma ideia capciosa surgiu em minha mente, e sorri malignamente.

- Em outra época você não me trataria assim, Carolinna.

Em outra época? Quer dizer que eu estava certa? Eles tinham realmente transado depois de ela já ser noiva de Pollack? Que nojo! Claro que eu não era nenhuma santa ou nada disso, além de ser casada com o homem mais maravilhoso do mundo, mas a minha situação com Draco era completamente diferente. Ele não era como Anthony. Meu marido não era um completo boçal. Além disso, ele sabia. E se...?

- Você pode trabalhar em Jacksonville por quatro dias?

- Você está bêbado, Drew? Eu estou de férias!

Drew? Isso estava sendo mais divertido do que eu achei inicialmente. Por que não me divertir por alguns dias antes de Draco voltar?

- Não. Diga sim ou não.

Não ainda, meu bem. Ai, se isso continuar assim tão divertido, será impossível não rir.

- Sim, tudo bem. Para quem?

Oh, ela cedia aos caprichos dele com alguma insistência? Isso um dia ainda me será muito útil.

- No lugar de Hermione no St. Mungus.

- Ah, não. Estou de férias!

Ciúmes, Carolinna? Só porque eu estou brincando um pouco com o seu priminho muito distante e que você tem uma certa atração? Oh, oh, tarde demais.

- Carolinna – ele repreendeu-a. – Você tem uma dívida comigo e sabe disso.

Oh, quer dizer que ir para a cama com ela não tinha sido suficiente? Meus deuses, como eu estava me divertindo.

- Tem que ser isso? Não pode ser outra coisa?

Tentando ir para a cama com o priminho novamente, Minoo?

- Sim.

- Tudo bem, tudo bem. Farei esse favor por você e não por sua... Enfim, farei esse favor por você. Quando?

Ela sabia então? Sinto que Minoo Mitra me deve uma longa conversa. Claro que qualquer um saberia se não fosse um completo fantoche boçal como Andrew.

- Daqui a duas horas.

- Você está louco? Só a viagem até Jacksonville é mais que isso!

- Faça uma chave de portal.

- Ilegal?

- Em Durmstrang nada era ilegal, se lembra?

- Em Durmstrang. Agora nós estamos na vida real, Andrew.

Revirei os olhos. Médicos complexados esses, só pode. Era tão fácil resolver esse tipo de problema.

- Passe-me o telefone, Witherspoon. Deixe-me falar com ela.

Andrew olhou para mim, como se só agora tivesse percebido que eu estava lá. Resisti à tentação de revirar os olhos, e peguei o celular da mão dele.

- Carolinna? É Hermione. Eu posso resolver o seu problema com a chave de portal. Alguém chamado Rodham vai te ligar e passar todas as instruções.

- Certo. Você trabalha...

- Segunda, terça e quarta, todo o dia. Quinta, de noite. Sexta, eu não trabalho. Ou seja, você só vai ter que trabalhar quatro dias.

- Nós precisamos conversar, Granger. E você sabe do que se trata.

- Claro – sorri. Ela sabia. – Até mais, Carolinna.

Aquilo seria realmente interessante.

Olhei para a cama desarrumada e tentei me lembrar de um último número de telefone, antes de poder jogar como uma criança má.

- Rodham?

- Mione? Quanto tempo!

- Eu sei. Desculpe-me. Podemos sair para beber na sexta, se quiser. Como Jackie e Chloé estão?

- Estão ótimas! Sim, é na sexta que Draco volta, não é? Vou avisar Jackie. Ainda está me devendo um drinque, se lembra?

- Claro – gargalhei à menção da última vez que nós quatro havíamos saído juntos e bebido como loucos. Mal conseguíamos nos mexer no outro dia, de tamanha ressaca. – Faça-me um favor, e lhe pago em dobro.

- Feito!

- Quem está em casa com você?

- Jackie e Wright. Chloé está com Elisabeth, imagino.

- Vicktória Wright, jura? Faz tanto tempo que não a vejo, também. Chame-a para ir conosco. Agora, quanto àquele favor...

E aqui estava eu, em casa – com as minhas filhas na casa de Gina –, enquanto já nua, Draco brincava com os meus sentidos.

- Você está tão lenta, meu amor. – Ele sorriu maliciosamente, já por cima de mim, enquanto suas mãos vagavam pela minha cintura.

- Eu juro que... – e engoli em seco quando Draco tocou meu ponto mais sensível.

- Jura o quê, Mione?

- Eu... – e agarrei-lhe os cabelos, trazendo sua boca para mais perto da minha. – Eu juro que vou lhe fazer implorar por mim. – Desci minhas mãos por sua barriga e toquei-lhe o membro, fazendo-o gemer meu nome.

Essa sim era uma brincadeira divertida.


- Você está me sufocando, Draco – comecei a dizer-lhe, sem forças para lhe empurrar.

- Eu estou tão morto quanto você, meu bem. Pelo menos, eu acho, já que você ainda não está tanto assim... – e passou a língua em volta do meu mamilo.

- Eu... Meu Deus, quatro rodadas não são o bastante para você?

Ele riu e se deitou ao meu lado antes de me puxar para si.

- Deveriam ser?

- Sim, é claro que sim. A não ser que esteja planejando me matar.

- Deveríamos experimentar aquela sua sugestão, agora.

- Você está louco?

- Por você, sim – e começou a brincar com meus seios novamente.

- Acha que Vicktória e Nate ainda estão lá? – engoli em seco quando senti seus lábios substituírem as mãos.

- Quem sabe – e subiu para meu pescoço. – Agora, meu bem, é hora de eu brincar com você.

Fim do Capítulo III.


N/A: Hi people! Minha imaginação não me ajudou dessa vez, então é isso aí. As músicas são Turn Me On (Norah Jones), Criminal (Fiona Apple) e Stripper (The Soho Dolls). Xoxo.