04/10/17
01:14 pm:
Eu desisti do diário por um longo tempo e estou feliz por isso, eu finalmente de maneira libertadora recorri a minha irmã e as minhas amigas para falar o que sinto, entretanto tem algo que preciso escrever por ser apenas um pensamento do qual essas pessoas não fariam tanta questão. Acontece que hoje eu percebi algo novo, algo que estava na minha frente o tempo todo: Eu nunca me afastei da minha melhor amiga. Não precisava me sentir culpada por pensar que a havia magoado ou a deixado de lado, esse tempo todo eu só precisava tentar falar com ela e saberia o que estava acontecendo. Saberia o porquê de estarmos afastadas e como isso era bom para que ambas criassem maturidade.
Saímos mais cedo da escola e apenas ela e eu estávamos indo em direção à estação de trem, em um caminhar constrangedor, silencioso, estranho e mais longo do que deveria ser. Já não falava sozinha com ela há mais de dois meses, não sabia nada sobre quem ela se tornou durante esse tempo e ela não sabia sobre quem eu me tornei, não havia assunto, não havia nenhum resquício do que era algo tão forte em 2015. Eu tinha certeza de que muitas coisas mudaram em mim, então esperava que fosse o mesmo com ela. Felizmente eu, depois de repetir milhares de vezes algumas palavras em minha cabeça sobre como poderia puxar assunto, falei com ela tentando ser o mais natural possível. E as palavras que saíram dos meus lábios foram mais constrangedoras do que o silêncio, "Está muito estranho" nos fez rir tanto quanto rimos com a "aceroleira" e isso restaurou algo com o qual jamais pensei que entraria em contato de novo. Eu perguntei se só eu estava achando aquela situação estranha e para meu alívio ela discordou, também achava aqueles passos tão tensos quanto eu. Então passamos a falar dos acasos que o tempo força em nossas vidas, tudo relacionado à forma como mudamos e à normalidade com a qual enfrentamos isso. Esclarecemos enfim o motivo para termos nos afastado tão naturalmente como se tudo o que passamos nem ao menos tivesse existido.
Basicamente, mudamos. Mudamos muito. Eu já não tenho mais uma visão admirada ilusória sobre ela e ela já não se importa mais com as pessoas a julgando sobre suas ações. Eu escolhi ficar quieta, parar de sair e aos poucos já não passava tanto tempo com ela, da mesma forma com a qual ela escolheu sair ainda mais e passar mais tempo com outras pessoas que a faziam se sentir muito bem. Me aproximei mais de outras duas amigas do grupo, ela se aproximou de outros dois amigos nossos, agora não sabemos mais para onde ir. Enfim, no início estávamos apenas tentando substituir e tampar o buraco que a ausência da outra causava, após nossa conversa vimos com clareza que não precisávamos substituir ninguém.
Ambas sofremos ao perceber o afastamento, choramos e ficamos com raiva, mas agora somos amigas, não as melhores do mundo, não o suficiente para evitar um constrangimento silencioso, não o bastante para contar coisas pessoais uma para a outra. Somos só amigas. Daquelas que você copia a lição, vai junto para o ponto de ônibus, fala sobre um crush ou outro e faz piadas idiotas sobre qualquer coisa sem graça. Isso é o bastante para mim, uma vez que dedicar-se uma para a outra sem ter mais nada em comum não funcionou. Me sentirei bem melhor a partir desse dia sabendo que nossa amizade não morreu, só retornou algumas casas para crescer mais no futuro.
10:30 pm:
Esqueci de citar tantas coisas pela manhã, estava ocupada me empolgando com a minha conversa com a amiga perdida. Basicamente, tomei uma grande decisão sobre o garoto que gosto... Bom... Eu decidi escolher o certo, pelo menos o certo para que eu continua me sentindo bem. No final das contas vi que eu tenho escolha. Posso controlar o que sinto e se não puder fazer isso, no mínimo consigo esconder. É apenas questão de tratá-lo exatamente da mesma forma como trato todos os meus outros amigos, se pensar nele devo guardar as imagens bonitas em minha memória e sorrateiramente sonhar com elas durante a noite. Assim eu não irei me machucar, continuamos bons amigos e posso continuar o olhando e admirando. Eu estou finalmente grata com sinceridade por mantê-lo perto, é algo precioso e jamais quero jogar isso fora. Já gostei de outros garotos antes, não amei nenhum como eu o amei, esse sentimento puro de ficar bem em vê-lo sorrir sei que é admirável, tenho orgulho de mesmo nos tempos atuais ainda ter a chama do amor verdadeiro queimando em mim. Se ser uma romântica incorrigível é algo destrutivo, então não irei sobreviver por muito tempo mais.
