Oi, pessoal...

Amei as reviews de vcs...

Muito, muito obrigada...

E não se preocupem, tudo vai ficar bem...

Quanto a eles ficarem ou não só como amigos... Quem sabe??? rs

Taí a continuação, então...

Capítulo 3 – Revelação

## Edward PoV ##

Carlisle estava parado à minha frente, em uma outra poltrona, em um silêncio absoluto, enquanto esperava que eu falasse sobre o que havia acontecido mais cedo.

- Pai, - eu disse, ainda com alguma tristeza na voz. Era assim que eu o chamava quando tínhamos essas conversas, longe de todos – eu realmente não sei o que está acontecendo. Essa garota, Bella, ela realmente tem algo diferente, mas não tem nada a ver com a visão de Alice.

- O que há de diferente, Edward? – Ele me perguntou tranqüilo, sem deixar escapar um pensamento sequer. – Você nunca se aproximou de nenhum humano antes, e agora Alice o vê assim...

Ele não queria repetir a palavra "apaixonado". Sabia que isso me irritaria. Carlisle me conhecia melhor que qualquer um na família.

- Bella não é uma humana comum, pai. Ela não se comporta como os outros humanos. Ela não se incomoda na minha presença. Ao contrário, ela parece se incomodar na presença dos outros garotos.

Carlisle continuava me observando, ilegível, ainda sem nenhum pensamento que eu pudesse ouvir.

- Quando nós chegamos a Forks, e eu decidi continuar estudando, foi apenas para dar privacidade a vocês. Eu sei que deve ser incômodo não poder manter seus pensamentos em segredo, e pra mim certos pensamentos são bem incômodos. Não é fácil ser o único vampiro solitário no meio de três casais apaixonados. Você sabe que eu prefiro freqüentar a escola e dar algumas horas de liberdade a vocês, sem que alguém tenha que ficar sempre me fazendo companhia, quando poderia estar fazendo qualquer outra coisa.

- Filho, - ele disse, ainda tranqüilo – você sabe que nós não pensamos assim. Sabe que nós o amamos, e que sempre que estamos com você é por vontade própria, que gostamos de estar na sua companhia. Não pense isso, por favor.

- Eu sei. – Eu respondi, interrompendo-o – Mas eu realmente prefiro agir assim. Os outros podem continuar fingindo que recebem instrução em casa, mas eu realmente prefiro fingir ser uma pessoa normal. Eu não fico chateado por isso. Eu sei o quanto todos me amam, mas eu sei que às vezes eu acabo sobrando aqui. E não se preocupe, eu realmente não me chateio por isso. Eu sempre vi as horas perdidas no colégio como meu período de sono. Mas isso mudou hoje. O fato de Bella ficar à vontade comigo me deixou confuso, mas o fato de eu ficar à vontade na presença dela me deixou totalmente perdido. Eu nunca me aproximei de ninguém, mas aquela garota me despertou uma curiosidade absurda. E o cheiro dela, era delicioso.

Nesse momento eu vi algo diferente no rosto de Carlisle e me lembrei da visão de Alice. Parecia medo, mas ele logo recompôs a expressão vazia, me deixando em dúvida se eu tinha visto alguma coisa ou não. Carlisle havia nos ensinado a não beber sangue dos humanos, e eu vivia bem com isso. Não passava pela minha cabeça agir de outra forma, mesmo agora.

- Mas não se preocupe. Eu nunca faria mal à garota. Eu confesso que fiquei hipnotizado por ela, mas nunca faria nada que pudesse prejudicar a ela ou à nossa família. Eu não sou um monstro, pai.

A tristeza voltara à minha voz. Eu repetia isso, como se fosse pra mim mesmo, tentando acreditar em minhas próprias palavras, tentando me convencer disso. Se eu pudesse, eu estaria chorando nesse momento.

- A visão de Alice está totalmente errada– continuei – Eu sou forte o suficiente. Eu tenho vivido sem o sangue de qualquer humano desde sempre. Por que eu faria aquilo agora, depois de tanto tempo? Porque eu mataria aquela garota? Se eu viesse a me apaixonar por ela, o que já é absurdo por si só, porque eu a mataria? Eu não entendo.

- Então é isso? – Carlisle perguntou, uma alegria súbita em sua voz. – É isso o que você está pensando? Foi por isso que agiu daquela forma?

Eu não entendi sua reação. Fiquei confuso com o seu tom divertido. Como assim o que eu estava pensando? Foi isso o que Alice me mostrou, não foi? Eu matando Bella.

- Está me deixando confuso, pai. O que é tão engraçado aqui?

- Edward, filho – ele disse calmamente, como se explicando uma coisa óbvia – Alice não o viu matando Bella. Alice o viu mordê-la, sim, mas não a matando. Ela fará parte da família. Bella está destinada a você. Você vai amá-la da forma como ela o amará. Da forma como nós todos nos amamos. Agora eu entendo o seu descontrole.

Mas ele não estava pronto para a minha reação de agora. Acho que nem eu estava. Eu me levantei em um salto, entendendo agora a felicidade de Esme e de Alice. Mas isso era ainda pior pra mim. Eu condenaria Bella. Isso era pior que mata-la.

- Não! – eu gritei – Eu nunca faria isso, Carlisle. Isso é muito pior que matá-la. Eu não a condenaria dessa maneira, eu não tiraria a alma de ninguém, você sabe disso!

- Edward, se acalme filho.

- Não! Eu não posso ser tão ruim assim! Eu não sou esse monstro! Eu não posso ser. Porque eu faria isso?

Eu andava de um lado pro outro da sala, Carlisle me acompanhando com os olhos, tentando inutilmente me acalmar. Eu estava descontrolado mais uma vez.

- Filho, o que há de tão errado nisso? Se ela o ama, é claro que ela vai querer ficar ao seu lado pra sempre. E você também merece ser feliz. Mais do que ninguém. É justo que você também encontre o amor. O destino deve isso a você. Você é melhor que qualquer um de nós.

- Não! Eu não sou tão bom quanto você pensa, pai. E eu seria ainda pior se fosse capaz de uma maldade dessas. Pare com isso!

- Edward, filho, sente aqui – ele me pegou pelo braço e me fez sentar novamente na poltrona à sua frente – Nós temos visto você solitário durante todos esses anos. Tem sido difícil pra nós ver a sua tristeza, a sua solidão. Você não tem idéia de como ficamos felizes quando Alice nos disse o que aconteceria. Você não imagina como fiquei feliz quando vi você chegar em casa, sorrindo. O brilho que havia em seus olhos, como se você fosse humano de novo. E isso é algo que você não pode negar.

- Mas pai – eu choraminguei – eu não nego nada disso, mas eu não posso ser tão egoísta a ponto de condenar alguém pra me satisfazer.

- Edward, não vamos entrar em outra discussão a respeito da sua alma. Ela ainda está aí, apesar de você não acreditar. E uma prova disso é a sua preocupação com a alma da menina. E eu não estou dizendo que você deva ou não deva transformá-la. Apenas quero que você não se atormente com isso. Esqueça a visão de Alice. Vamos voltar a falar da garota. Como você se sente hoje em relação a ela?

Eu soltei um suspiro, voltando a deitar na poltrona, sentindo-me cansado.

- Eu realmente estou fascinado por ela, pai, mas não da maneira como todos estão pensando. Isso não tem nada a ver com paixão ou qualquer outro sentimento romântico. É mais como curiosidade. E tem mais um detalhe: eu não consigo ouvir seus pensamentos. Há um silêncio impenetrável em mente daquela garota, como se não houvesse ninguém ali. Isso nunca aconteceu antes.

Quando olhei pra Carlisle novamente, ele tinha um largo sorriso no rosto. Tentei ouvir seus pensamentos para entender aquela reação, mas era inútil. Ele sabia ficar em silêncio melhor do que ninguém, e isso me trouxe novamente a lembrança de Bella.

- Filho, não se preocupe. – Ele disse passando a mão no meu cabelo – Vai ficar tudo bem. Você é mais forte do que pensa. Fique em paz consigo mesmo. Viva sua vida e esqueça a visão de Alice. Faça o que você achar que tem que ser feito. Nós vamos sair agora para caçar e te deixaremos sozinho com seus próprios pensamentos.

E assim Carlisle me deu um longo abraço e deixou o escritório. Ainda fiquei ali, imóvel, por alguns minutos, esperando que eles saíssem. Eu não queria ver ninguém, não queria ouvir mais nenhum pensamento além dos meus. Eu estava novamente em paz e não queria me aborrecer de novo.

Depois de um tempo eu deixei o escritório e fui para o meu quarto, me jogando na cama. Alcancei o controle remoto e liguei o som. Clair de Lune invadiu o ar, me acalmando um pouco mais. Eu estava feliz pela conversa com Carlisle. Feliz por saber que ele confiava em mim, e por saber que ele me apoiaria em qualquer decisão que eu tomasse, independente da visão de Alice.

No fundo eu também estava aliviado por ter colocado meus sentimentos em palavras, por ter entendido realmente o que aconteceu naquela tarde. Eu sabia o que estava acontecendo. Eu queria ficar perto de Bella, queria conhecê-la a fundo, fazer o que estivesse ao meu alcance para protegê-la, mas eu não terminaria sua vida. Eu nunca faria isso. E eu gostava mesmo dela.

Está decidido. Eu vou fazer parte da vida de Bella, do jeito que ela precisar que eu seja. Eu serei seu melhor amigo, pelo tempo que eu puder ser. Eu posso fazer isso. Posso estar perto dela sem oferecer perigo algum. Eu sou forte o suficiente para provar a Alice que sua visão não acontecerá nunca. Dessa vez eu aposto contra Alice.

Assim a noite se passou. Quando dei por mim o sol já estava nascendo, anunciando um novo dia, um novo encontro com aquela garota de mente fechada. E eu estava ansioso por isso. Colocaria meu plano em prática hoje mesmo...