Capítulo 3: A História de Kiandra – Parte 1

- Não sei não Vector – a abelha dizia. – Essa banda aí não está com nada!

- Eu não acho!

- Então pergunte ao... – Charmy olha para o lado, notando a distração do camaleão. - ?? Espio?

- Ei Espio! – Vector o empurra, "acordando-o". – O que acha daquela nova banda de rock?

- Nova banda? – ele diz, virando o rosto para traz para olhar na direção de seu amigo.

Vector responderia a pergunta de Espio, se não fosse o fato de Charmy ter-lhe cortado antes da hora. Ele olhava para Rouge e Kiandra, tendo os braços cruzados.

- Ora Rouge, vejo que veio tarde demais.

- "Tarde"? Pelo que sei, vocês quem vieram depois.

- Não me lembro de vê-las aqui. – Charmy olha para Kiandra. – Aliás, quem é ela?

- Ah, me desculpe! Sou Kiandra, Kiandra The Chameleon! Aliás – ela volta seu olhar a Espio, - muita coincidência estarmos no mesmo caso, não?

- É sim! – ele sorria, contente. – Já faz tanto tempo...

- Um ano e meio quase...

- ?? – Rouge, Vector e Charmy olhavam para os dois, não compreendendo nada do que diziam.

- Já... – o crocodilo gaguejava. – Se conhecem?

- Ei, vão mesmo ficar aí conversando? – diz o presidente, chamando a atenção deles pros papéis que tinha em mãos. – Ou vamos ao trabalho?

- Ah, mas é claro... – a morcega responde.

- Bem, então aqui está a documentação dos animais que vocês trouxeram. – ele estende uma papelada aos Chaotix, a qual é Vector a pegar. – Já a de vocês duas vai demorar mais um pouquinho.

- Quanto tempo senhor? – indaga a camaleoa.

- Não muito, podem esperar aqui mesmo. Só que vocês – ele aponta para os Chaotix, - já podem ir.

- Sim senhor! – responde Charmy, batendo continência.

- Mas afinal, o que temos que fazer com isso. – pergunta Vector.

- Descobrir quando os animais desapareceram e como e quem são seus donos. Qualquer outra informação que nos ajude também é válida. Agora podem ir.

Espio dá uma última olhada em direção à Kiandra, que lhe sorri docemente, antes de seguir seus amigos.

- E só mais uma coisa. – os Chaotix se viram para o presidente novamente. – Não precisam voltar à Base de Eggman hoje à noite. Vocês certamente terão muito trabalho com isso aí.

Vector se vira de costas ao seu superior novamente, fazendo com a boca um gesto que certamente diria "Duvido!", o qual Charmy corresponde com um ambicioso sorriso.

Rouge olhava para Kiandra, "desconfiada", prestes a perguntar-lhe o que fora tudo aquilo. O fumegante olhar da morcega é interrompido quando um dos cientistas entra na sala com certa papelada em mãos.

- Aqui está senhor!

- Ah, veja só que sorte vocês tiveram. Não terão que esperar.

- Ótimo! – Rouge pega os papéis antes do presidente, e começa a folha-los. – Quando quer que retornemos?

- Ás cinco está bom? Ainda quero que voltem lá...

- As cinco está ótimo! Vamos Kiandra.

- Huhum.

As duas saem da sala, rumo a descobrir quais são os verdadeiros donos do coelho.

- E então Espio? – a abelha voava ao seu redor. – Vai ou não nos dizer o que foi aquilo?

- Huh! – o camaleão tinha um largo sorriso em seus lábios. – Querem mesmo que eu conte?

- Queremos! – os dois dizem ao mesmo tempo.

- Então está bem, eu lhes conterei. Tudo começa há... – pausa para pensar. -... Quase dois anos atrás...

- Ei Espio, você não vai lá ver ela? – o camaleão, de cor amarelada, encostava-se agitado no batente.

- Ela quem? – indaga o camaleão roxo, encostado na pia e apoiado na mesa com ambas as pernas cruzadas.

- Ora, então você não ouviu os boatos? É uma parente da princesa...

- E todos nós não somos?

- Mas ela é mais próxima ainda!

- E o que tem "ela"?

- Acabou de chegar, e quase todos já foram vê-la. Vamos, vai Espio!

- Ai, está bem! – Espio se desencosta da pia, descruzando as pernas e levantando-se. – Mas pode ir na frente.

- Eba! Te vejo lá então!

Espio, sem muita pressa, se dirige á porta, olhando o horizonte por alguns minutos antes de se dirigir para onde o outro estaria. Chegando lá, ele vê uma enorme multidão, e começa a se infiltrar nela. Esbarrando em muitos ali presentes, o camaleão encontra um outro já de idade, que o cumprimenta.

- Olá meu jovem. Então você também veio vê-la?

- Er... Sim. Mas você sabe algo sobre ela?

- Ainda não se sabe muito, mas ela é uma representante da princesa e dizem que a tatuagem é real.

- Tatuagem?

- Nunca ouviu falar sobre a tatuagem?

- Não que me lembre.

- Éh uma tatuagem natural que nasce com o camaleão em raríssimos casos. Ela aumenta o seu poder de invisibilidade, e dependendo da forma como é usada, nem mesmo sua voz ou respiração pode ser ouvida. Porém aqueles que a tem não a mostram, exceto para pessoas de total confiança. Ainda assim, sabe-se do fato dela ser um em um milhão que tem a famosa "marca". Nenhuma tatuagem é igual, e ainda assim muitos acham que, fazendo uma réplica desta no corpo, pode-se adquirir tais habilidades. Kiandra teve sorte em ser uma daquelas que, legalmente, "não pode ser tocada", senão já estaria em apuros.

- Kiandra?

- Sim, esse é o nome da tal jovem.

- Abram alas para Kiandra The Chamaleon!! – grita alguém responsável pela guarda da garota.

Todos andam para traz, abrindo caminho ao veículo. Espio, ao ver aquela linda jovem, não nota o que havia sido dito.

- Eu mandei se desaproximar! – um dos guardas empurra Espio, que é jogado para traz devido à brutalidade. Kiandra, em lugar privilegiado do transporte, olha para ele, lhe sorrindo amigavelmente e acenando para todos os outros.

- Ela parece legal não é mesmo?

- Então você está aí? – Espio olha para cima, vendo aquele camaleão amarelo de antes.

- Conseguiu descobrir algo na multidão? Eu não consegui te encontrar e fui perguntando aos outros sobre ela. Descobri que ela é uma representante da princesa e que veio aqui para ver como andam as coisas com a população. Eu não acho que estejamos precisando dela, você acha?

- Eu não sei. Mas vejo que não são muitos que sabem dela. – ele se levantava, olhando em volta e recebendo outro sorriso, dessa vez por parte de um idoso camaleão.

- Como se sente agora que já está hospedada minha princesa? – o camaleão, á moda de um mordomo, fazia reverências.

- Ora, por favor, me chame apenas de Kiandra. Afinal, eu não sou a princesa, apenas uma representante dela.

- Imagino. – ele começa a bater palmas fortemente. - Servos, ao trabalho! A princesa precisa de um aconchegante lugar e de uma boa refeição! Você deve estar cansada da viagem, não é mesmo?

- Não, imagina! Eu apenas tive que ficar sentada ent...

- Oh, mas isso já é demais. Vamos, mais rápido!

Kiandra suspira. Aproveitando a distração do mordomo, ela se levanta e começa a andar pelo local, se aproximando da porta. Por uma fresta, ela podia ver a movimentação do lado de fora.

- Parece que eles aqui são humildes e têm gostos diversos. Acho que será divertido passar alguns dias nesta cidade. – Kiandra se assusta quando a campainha é tocada, indo para traz. Ela olha para o mordomo, apontando para a porta. – Acho que tem alguém querendo entrar.

- Ora minha princesa! Você não tem que ficar ai e atender a porta! – ele começa a empurra-la para o banheiro. - Vamos, você tem que se dirigir á banheira real. Você! Vá atender á porta!

"Banheira real? Como ele é exagerado...".

- O que deseja? – um dos empregados, sério, abria a porta.

- Er... Bem...

- Não quer nada?

- Ah não, não! Na verdade eu quero sim. É que eu sou um ninja e gostaria de saber se vocês estão contratando pessoas para guardarem a representante da princesa, Kiandra The Chameleon.

- Aqui ela é a princesa, então apenas tire o "representante da". Eu acho que no momento as vagas estão fechadas, volte no ano que vem! – ele já ia fechando a porta, mas Espio não o permite.

- Por favor, eu sei que me aceitariam.

- Não, eu já disse: as vagas não estão...

- Quem é? – um camaleão se aproximava.

- Ah, meu senhor, não é nada! Eu irei resolver!

- Quem é, eu perguntei.

- Meu nome é Espio.

- Hã... – com um olhar do camaleão verde, ele sai da frente da porta, dando visão ao seu superior.

- Espio? Não lhe conheço...

- Não sou muito famoso.

- Imagino. E o que você quer aqui? Algo que ele não quer lhe dar, com certeza! – ele estende a mão a Espio, que a aperta. – Eu sou Grandtop The Chameleon, mas pode me chamar de Tody, é preferível!

- Se não se importa, vou concordar!

- Não faz mal! Sou irmão da princesa Kiandra. O que mesmo que você queria aqui?

- Você sabe quem é que organiza a guarda dela?

- Sou eu, por quê?

- Você?! Ah, que ótimo! Eu sou um ninja, o único daqui, e gostaria de trabalhar para vocês.

- Um ninja? Interessante... Venha, entre, vamos conversar melhor na minha sala.

Espio entra no local, seguindo Tody até uma sala de estar, onde uma bebida e salgados foram servidos aos dois. Ele pede para que Espio sentasse em um dos sofás, e quando ele o faz, os dois começam a conversa.

- Então deixa eu ver se entendi: você é um ninja e quer proteger a minha irmã?

- Sim.

- E por que quer esse cargo?

- Não acho mais nenhum no qual eu possa me encaixar como ninja. Já que surgiu a oportunidade...

- E por que você acha que eu lhe aceitaria?

- Isso é um teste?

- De psicologia, eu diria. Sabe, muitos cobiçam esse cargo, mas não é simplesmente porque gostam de serem guardas, e sim porque querem se aproximar de Kiandra. Tenho que escolher os que a protegerão minuciosamente.

- Você realmente sabe em que cidade está?

- E por que não saberia? Afinal, é minha obrigação.

- Então acho que não cumpriu direito com ela dessa vez. Quando Kiandra The Chameleon chegou, todos se surpreenderam com a etiqueta de vocês, e só por isso notaram que teriam alguma coisa haver com a princesa. Nós estamos tão distantes de vocês que eu ao menos me lembrava que os camaleões tinham uma princesa, e sendo assim eu nunca havia ouvido falar em vocês dois. Sendo assim, não vejo porque eu estaria querendo me aproveitar de vocês.

- Eu lhe daria muitas razões... Mas se você não as conhece, melhor assim. De qualquer forma, não me convenceu.

- E o que fazer parar convencê-lo?

- Primeiro: quero uma documentação completa. Segundo: um teste.

- Outro?

- Esse é físico. Mesmo porque, aquilo de antes não era um teste. As pessoas costumam ficar nervosas ao saberem que aquilo pode custar a "vaga". O teste físico vai decidir se você realmente é apto pro emprego.

- E como ele será?

- Apareça aqui amanhã com a documentação e você saberá.

No dia seguinte...

- Aqui está!

- Ótimo. Agora, enquanto a examino, você já pode ir fazendo o teste.

- É claro que antes você irá me dizer qual é, não é mesmo?

- Ah sim, é claro! Sabe, os meus guardas costumam ser os melhores, e é bem difícil que alguém consiga passar por eles. Você terá que derrotar todos eles em uma arena, sem mata-los (mas pode machucar um pouquinho...). Aceita?

- Huh! Vai ser moleza!

- Que bom! Agora pode ir, um de meus empregados lhe levará até lá. Ah, e só mais uma coisa: você tem uma hora pra isso.

Quando Espio sai da sala, Tody senta mais aconchegado no sofá, começando a ler a papelada.

- Quinze anos?! – ele olha para a porta por onde Espio havia sido levado. – Coitado, acho que o matei...

- Falando sozinho, um irmão? – Kiandra; vestida com um exótico e longo vestido e tendo o cabelo preso num elegante coque, sendo que o lenço que cobria sua testa era o que o estava prendendo; entra na sala.

- Olá Ki, não a havia visto. – ela se senta ao lado de Tody. – Eu só estou pensando alto.

- E pensando no que? – a camaleoa indaga, sorrindo.

- É que estou lendo a documentação de um rapaz que quer ser seu guarda-costas. Ele disse ser um ninja (e tem cara mesmo), mas só agora fiquei sabendo que ele tem quinze anos. Se eu tivesse visto isso antes, não o teria enviado para a arena.

- Para a arena? Tody, como pôde fazer isso?!

- Ki, estou falando sério: ele não tem cara de quem é tão jovem assim.

- Mas mesmo que ele passasse você não o iria contratar, não é?

- Por ele ser de menor?

- Huhum.

- É, isso é um tanto complicado; mas se ele for assim tão bom, não vejo por que não contratá-lo. Afinal, a escolha final é sempre dele.

- Senhor! – um dos empregados abria a porta, e tinha no rosto uma expressão assustada.

- O que houve?

- É aquele camaleão que você mandou para a arena...

- Ai ai... – Tody olha para Kiandra, que também estava assustada. Ele se levanta. – É melhor eu ir olhá-lo.

- E parabenizá-lo!

- O quê?! – os dois irmãos se assustam.

- Ele conseguiu derrotá-los em menos de quinze minutos!