Cheguei
Taise Nogueira, difícil mesmo né? E pior, sem apoio da própria mãe.
Chirstye, da vontade de socar o Ed no começo da visita, mas depois ele acorda e é muito fofa a forma que ele trata a Bella.
A ,TTTTOOOOO POOOOOOSSSSSTTTTTAAANNNDDDOOOO kkkkkkkkkkkkkkk
Sara ,kkkkkkkkk eu sempre posto rapidinho, odeio enrolar, e aqui esta o cap.
KJessica ,meu queixo caiu quando vi o prq, esperava tudo, nem pensei nessa possibilidade, surpresa!
Barbara, boa demais da conta kkkkkk
Cheiva, nós somos. É um prazer anjo.
Ana Carol, não consegui resistir kkkkkk. Cachorro . Não esqueci não. Vai ser a próxima.
Dayane, encontrou um anjo né?
Penelope, oi flor, obrigada, mas é um livro que adaptei. Esta aqui o cap.
Kjessica, ódio do Phill tbm, Renne parece que é tipo pau mandado.
OBRIGADA PELOS COMENTÁRIOS MENINAS. AMO LER CADA UM. AGORA VAMOS AO CAP.
Edward inclinou a cabeça com a intenção de beijá-la no rosto, mas Bella se moveu ligeiramente e seus lábios se roçaram.
Não foi proposital, mas Edward esqueceu-se imediatamente de que pensara em Bella como criança até um minuto antes. Agora ela era uma mulher doce e adorável em seus braços e estava beijando-o de um modo que fazia seu sangue ferver nas veias.
O beijo terminou tão depressa quanto começara, mas deixou-o com dificuldade para respirar.
Sem perceber disse um palavrão. Para si mesmo. Mas Bella ouviu a julgar pelo modo que passou a encará-lo.
— Sinto muito. Sei que estou errado. Não deveria ter feito o que fiz.
Mas fizera. Com o carinho que a tratara, Edward conseguira comovê-la. E acabar com o que restava de suas forças.
Ele disse algo. Bella não prestou atenção. Encolheu-se no banco, virada para a janela. Tudo o que queria era dormir. Quando Edward perguntou se queria ir para a Escócia ou para Londres, simplesmente fez um gesto de indiferença com os ombros.
A decisão foi deixada para Edward. Ele estava arrependido por tê-la beijado. Errara. E erraria ainda mais se a levasse consigo. Precisava se lembrar de que não estava mais trabalhando na Cruz Vermelha e tentando salvar o mundo. Após dois anos de guerra, merecia ter um pouco de paz.
Ligou o carro e partiu rumo a Londres.
— Chegamos? — Bella perguntou ao final da viagem.
— Sim.
Ela esfregou os olhos e espiou pela janela. Não havia lua, nem luzes na rua, nem casas, apenas escuridão. Esta vam no meio do nada, diante de uma torre em ruínas.
Um arrepio de medo percorreu suas costas.
—Pensei que você tivesse dito que morava em Edinburgh.
—Nos arredores de Edinburgh — Edward corrigiu.
—Onde, exatamente?
—Aqui, exatamente. — Edward apontou para a construção de pedra.
—Está brincando, não?
— Já ouviu falar que devemos tomar cuidado quando desejamos algo? Não disse a sua mãe que eu possuía um castelo na Escócia?
— Sim, mas eu estava pensando em outro tipo de castelo.
— Bella engoliu em seco. — Você mora aí de verdade?
Após o beijo, mergulhara em uma espécie de torpor. Vira placas anunciando a cidade de Londres. Depois, as pálpebras começaram a pesar tanto que resolveu fechá-las. Quando tornou a abri-las, algumas vezes, notou que as placas ha viam mudado. Reconhecera os nomes Sheffield e Barnsley, mas não se preocupou com o fato de que esses lugares ficavam muito distantes de onde imaginara ir.
— Resolvi levá-la para minha casa por algum tempo — foi tudo que Edward disse.
Ela não discutiu. Qualquer lugar lhe era indiferente.
Pararam duas vezes na estrada para comerem sanduíches e tomarem café.
— Sim — Edward finalmente respondeu. — Esta é minha casa. É mais confortável do que parece.
Bella olhou para Edward como se pedisse desculpa. Afinal, estava criticando o lugar que ele deveria considerar de estimação e cujas portas estava lhe abrindo.
Tentou descer do carro, mas o joelho não permitiu. Edward ajudou-a.
Bella olhou para cima e viu uma série de janelas cortando as pedras escuras da construção que deveria datar de sé culos. Contou cinco andares.
Pararam diante de uma porta alta de carvalho. Em vez de abri-la, Edward apertou a campainha.
— Não disse que morava sozinho? — Bella estranhou.
— No momento, estou dividindo a casa com uma pessoa.
Bella quase perguntou quem era, mas calou-se. Não significava nada para Edward. Não tinha o direito de se intrometer em sua vida.
— Não tem uma cópia da chave? — perguntou após a terceira tentativa.
— Tenho, mas como são duas horas da manhã, Joseph poderia imaginar que somos ladrões.
— Ah, um homem! — Bella exclamou e Edward olhou-a, surpreso.
— Um jovem. Joseph tem apenas dezoito anos.
— Avisou-o sobre sua chegada?
— Disse que chegaria esta semana, mas não especifiquei o dia. Ele deve ter saído. Vou dar uma olhada por aí.
Edward afastou-se e deu a volta à torre. Bella não tinha ideia de que ele estava procurando. Queria que Edward voltasse logo. A escuridão era total. Além disso, Henry não parava de rosnar por causa dos ruídos da noite.
— Edward? — chamou quando sentiu-se no auge do nervosismo.
Ele não respondeu. Gritou mais alto. O silêncio persistiu, De repente, uma luz foi acesa e ela ouviu passos. O medo a fez esconder-se atrás de uma viga.
—Bella, onde você está? — Edward chamou.
— Aonde você foi? — Ela saiu do esconderijo.
— Verificar se a moto de Joseph estava no depósito. Não estava. Podemos entrar sem perigo.
Edward abriu a porta e Bella o seguiu até a base de uma escadaria de pedras em espiral.
— São dois andares. Subirei atrás de você para qualquer eventualidade.
Bella não respondeu. Edward estava certo. Com o joelho machucado, seria uma verdadeira escalada.
No primeiro andar, Bella parou para tomar fôlego.
— Aqui ficam a sala e a cozinha. — Edward indicou as portas fechadas. Não a convidou para conhecer os ambientes nem ela pediu para vê-los. Deveriam ser tão antigos quanto a torre.
Continuaram subindo. Edward explicou que o segundo e o terceiro andares abrigavam os quartos e um escritório.
— Você ficará neste quarto. — Edward abriu uma pesada porta à direita e acendeu a luz. Não entrou. Em vez disso, avisou que iria se certificar de que Joseph realmente não estava em casa.
O quarto de Joseph ficava à esquerda. Enquanto Edward batia à porta, Bella parou diante do quarto que lhe fora destinado. A surpresa deixou-a boquiaberta. Não se tratava de um cômodo simples e rústico como esperava, mas de aposentos dignos de uma rainha.
As paredes eram de pedra e o pé direito muito alto. Uma lareira diante da cama dava um aspecto acolhedor e agradável. Sobre o chão de tábuas de carvalho estendiam-se espessos tapetes de lã. Os móveis eram feitos de madeira escura. Ao fundo, estava uma imensa cama de dossel. Bella caminhou até lá e sentou-se sobre a rica colcha de brocado.
Um pequeno papel sobre o travesseiro chamou-lhe a atenção. Dizia:
Saudações, meu querido irmãozinho,
O aquecedor está ligado, a geladeira e o freezer estão abastecidos e a firma de limpeza esteve aqui. Joseph foi para a casa de uns amigos em Edinburgh por uns dias. E você? Onde esteve que não deu notícias? Aconselho-o a ligar-me assim que chegar. Se não fizer isso, prepare-se para arcar com as consequências.
Da irmã devotada que você não merece,
Alice
Bella leu a carta duas vezes. Era estranho ver alguém se referir a Edward como irmãozinho. Ele era tão charmoso e tão seguro de si que era difícil pensar que um dia fora criança.
A batida à porta pegou-a tão distraída que soltou a carta como se ela a tivesse queimado.
— Bella?
— Sim? — Edward continuou do lado de fora do quarto. — Entre.
Edward abriu a porta, mas não deu nem sequer um passo para dentro.
— Precisa de alguma coisa?
— Não, obrigada. Bem, eu esqueci minha escova de dentes.
— Atrás daquela porta — Edward apontou —, encontrará um banheiro. Deve haver uma no armário.
— Obrigada. Por acaso você teria uma camisa velha para emprestar?
— Para quê?
— Para eu dormir. Também não trouxe pijama.
Ele pegou a primeira camisa que viu no armário.
— Esta serve?
Bella olhou para a camisa branca com listras chocolates e novamente para Edward.
— Tem certeza? Parece nova...
— Não faz meu estilo. — Ela concordou. Edward gostava de usar roupas esportivas e práticas. Aquela parecia muito formal e sofisticada. — Foi um presente de minha irmã. Portanto, procure não vesti-la quando ela estiver por perto.
— E sua irmã quem lhe compra roupas?
—Algumas — Edward admitiu. — Em geral, não tenho tempo. Bella entendeu que a irmã costumava fazer coisas para ele, fossem ou não de seu agrado. Isso lembrou-a sobre a carta.
—A propósito, ela lhe deixou um bilhete.
Edward leu-o rapidamente e deu um sorriso. Em seguida dobrou o papel e guardou-o no bolso.
— Bem, a menos que queira que eu faça um novo curativo, vou deixá-la para que descanse.
— Não, obrigada.
Edward começou a se afastar.
— Estarei no andar de cima, se precisar de mim.
Bella ficou sem jeito.
— Este é seu quarto, não?
— Normalmente, sim.
O rosto de Bella assumiu um ar de culpa que foi mal-interpretado.
— Não se preocupe. Não pretendo vir reclamá-lo no meio da noite.
— Não foi isso...
— Está em seu direito. Aquele beijo não deveria ter acontecido. Foi um erro.
— Sim — Bella admitiu, ansiosa para que Edward não mencionasse mais o fato, mas ele continuou:
— Você estava deprimida e vulnerável. Eu deveria tê-la respeitado. Minha única desculpa é não ter estado com uma mulher por muito tempo.
No início, Bella sentiu-se lisonjeada por ele ter se referido a ela como mulher. Em seguida, ao analisar .as palavras e descobrir que o beijo só havia acontecido por uma questão de instinto e disponibilidade de momento, franziu o cenho.
— Desculpe. Não pretendia ofendê-la. Apenas...
— Esqueça — Bella interrompeu-o. E como seu orgulho estava ferido, disse as primeiras frases que lhe vieram à mente. — Não foi nada demais. Já beijei outros homens.
Por sorte, a maioria não se arrependeu.
A ideia era parecer indiferente, mas o resultado foi lamentável.
— Procurarei lembrar-me disso se resolver fazer parte da multidão.
Até que Bella conseguisse pensar em uma resposta à altura, Edward já havia subido para o outro andar.
Ele não fechou a porta ao sair e ela ouviu os passos se distanciarem. Fora uma tola. Por não querer que Edward a julgasse uma jovem tímida e sem graça, portara-se como uma libertina.
Deitou-se na cama e procurou não pensar mais na patética discussão. Em vez disso, examinou o quarto. A decoração era tão austera quanto seu dono. O único toque feminino era um vaso de flores sobre a lareira. Teria sido colocado por Alice?
Eles pareciam ser muito amigos. Talvez os laços familiares tivessem se aprofundado com a morte prematura dos pais. Houvera um tempo em que desejara muito um irmão ou uma irmã. Não fora possível. Agora estava sozinha no mundo.
Fechou os olhos com força. Não queria chorar. Precisava ser forte. Afinal, aonde a fraqueza a levara? Não viera parar em uma torre em ruínas?
Bem, talvez estivesse exagerando ao dizer que a torre estava em ruínas. O banheiro da suíte de Edward era moderno e bonito. Contava, inclusive, com um bidé, um chuveiro elétrico e espelhos.
Encontrou uma escova de dentes nova no armário e usou-a. Depois lavou o rosto com água fria. Olhou-se ao espelho e levou um choque. Não parecia mais a mesma pessoa de alguns meses antes. Seus cabelos longos haviam desaparecido assim como o sorriso das fotos antigas. O rosado das faces havia sido substituído por uma profunda palidez. Os três brincos, em vez de enfeitá-la, estavam desfigurando-a.
Tirou-os um a um e olhou-se novamente ao espelho. O resultado ainda não a agradou. Deveria fazer semanas que não cuidava dos cabelos. Examinou o armário e encontrou alguns frascos de xampu e de condicionadores. Separou os dois mais perfumados e abriu o chuveiro.
Posicionou-se sob o jato morno até sentir o joelho latejar. Nesse instante, sentou-se e abraçou as pernas, sem desligar o chuveiro, em uma tentativa inconsciente de lavar não só o corpo mas também a alma.
Apenas de short, Edward deitou-se. Estava tão cansado que precisaria de semanas para se recuperar. Não queria pensar em nada. Principalmente em Bella com seus problemas e na reação que sua irmã teria quando soubesse da nova complicação em sua vida.
Apagou a luz e fechou os olhos à espera do sono. Estava quase adormecendo quando ouviu alguém bater com força a sua porta.
Por uma fração de segundo imaginou-se de volta à África e se preparou para o tiro seguinte. Depois riu de seu pânico. Era apenas Bella tomando banho. Ele havia trocado a fiação elétrica de toda a casa e modernizado os ambientes, mas os serviços de encanamento haviam ficado para outra etapa. Os tubos antigos ainda funcionavam, mas eram sujeitos a vácuos e efeitos de percussão.
Contou alguns minutos, certo de que o barulho logo seria interrompido, e tentou dormir. Mas Bella parecia ter se esquecido de fechar a torneira.
Fazia dez anos que herdara a torre de seu avô. O problema do encanamento viera com ela, mas em geral não o incomodava. Afinal, como sempre morara sozinho, se havia alguém usando o chuveiro à noite, era ele.
Esperou no escuro. De tempos em tempos consultava o relógio de ponteiros luminosos e franzia o cenho. Às três horas da manhã, praguejou consigo mesmo. Entendia que Bella estivesse com saudade de um bom banho, mas será que ela não poderia ter esperado até que amanhecesse?
Quando calculou trinta e quatro minutos de água corrente e perdeu a conta das explosões provocadas pelo ar nos canos, levantou-se e vestiu a calça. Não se importou em colocar uma camisa, meias ou sapatos. Desceu até o andar inferior e bateu à porta do quarto com força suficiente para acordar Bella caso ela tivesse adormecido no banho. Como não obtivesse resposta, abriu-a. Como a cama estivesse vazia, seguiu até o banheiro e tornou a bater.
— Bella! Bella! — gritou e não foi ouvido nem sequer assim.
Bella estava tão distraída sob a cascata do chuveiro, sentada e abraçada aos joelhos que só se deu conta da presença de Edward quando ele abriu a porta do box.
Mais tarde, Bella iria se perguntar por que não se assustou ao vê-lo apesar de estar completamente nua. Permaneceu calmamente sob a ducha, olhando-o.
Edward foi o primeiro a reagir. Desligou o chuveiro e estendeu-lhe uma enorme toalha.
—Enrole-se nisto — ordenou. Mas como Bella não parecia disposta a atendê-lo, ajeitou a toalha sobre os ombros e levantou-a pelos braços. Bella parecia alheia. Para se certificar de que ela não corria o perigo de cair, Edward sentou-a sobre a tampa do vaso.
— Sabe por quanto tempo ficou nesse chuveiro?
Ela negou com um movimento de cabeça.
— Deixe-me ver seu joelho.
Feito o exame, Edward retirou a faixa molhada e censurou-a.
— Não estou pedindo para que cuide de mim — Bella retrucou. — Aliás, agradeceria se saísse daqui!
Edward se levantou. Naquele instante, Bella sentiu-se frágil e pequena. Por sorte, Edward ignorou sua grosseria e providenciou um novo curativo. Não porque sentia algo por ela, é claro, mas porque era seu dever como médico. Mal dava para acreditar que naquela mesma tarde a abraçara com imenso carinho.
— Se não poupar esse joelho, o mal poderá se tornar crÔnico — preveniu-a.
— Você se importaria?
— Está com pena de si mesma? — retrucou e tentou ajudá-la a se levantar.
— Não, obrigada. Posso ir para a cama sozinha.
Na tentativa de se desvencilhar, a toalha se soltou. Quando Bella percebeu que um dos seios estava completamente exposto, puxou a toalha. O resultado foi pior. Ela quase caiu por completo.
Edward não parou de andar e de ampará-la. Por que de veria? Nunca se interessara por ela como mulher.
Mas Bella descobriu que estava errada. Quando a deitou, teve oportunidade de perceber que os olhos de Edward não se afastavam de seu corpo.
— Desculpe — ele murmurou quando Bella cobriu-se com o lençol. — Fiquei surpreso.
— Surpreso com o quê?
— Com seus seios. Eles são bonitos, bem desenvolvidos.
Bella não soube o que responder dessa vez. Edward sorriu.
— Não se preocupe. Não estou planejando nenhum ato de sedução. — Ainda sorrindo, Edward estendeu a camisa e se virou para que Bella se vestisse.
— Eu sei — Bella provocou-o. — Talvez não goste realmente de mulheres.
Ela percebeu que o comentário foi levado à sério quando Edward apertou os punhos.
— Pensei que esse assunto tivesse sido esclarecido. Não poderia estar mais enganada a meu respeito.
— Se você diz... — ela murmurou com deliberada malícia.
— Não acredita? É uma prova que quer? E isso?
Quando Bella percebeu o significado daquele desafio era tarde demais. Edward já estava deitado ao seu lado. Em outra, segurou-a por ambos os braços e obrigou-a a encará-lo. O coração de Bella disparou no peito, mas ela não esboçou nenhuma reação.
— Não está com medo de mim? — Edward questionou, espantado.
— Não — ela mentiu.
— Ainda bem. — Edward suspirou. — Eu jamais a obrigaria a fazer o que não deseja.
Um arrepio percorreu o corpo de Bella. A verdade era que ela estava com medo. Não de Edward, mas de suas emoções. Pela primeira vez, não se sentia segura de conseguir controlá-las. Bastaria pedir que Edward a deixasse sozinha e ele iria embora. Por que não dizia nada? Por que continuava sentada, olhando para ele, com os lábios entreabertos como se pedisse um beijo?
— Diga que não quer — Edward pediu.
Ela tentou falar, mas não conseguiu. Em vez disso, estendeu as mãos e tocou-o no peito. A pele estava quente e úmida. O calor de Edward parecia estar passando para ela como uma corrente elétrica, deixando-a cada vez mais fraca.
Eles não pareciam capazes de se afastar.
Sem dizer nada, Edward começou a lhe acariciar os lábios com a ponta dos dedos até introduzi-los em sua boca em movimentos lentos e sensuais.
Com a respiração suspensa, ela fitou-o com um misto de prazer e de surpresa.
Edward cogitou se Bella tinha alguma experiência sexual. Sua consciência ordenava que recuasse, mas os olhos e os lábios de Bella eram um convite irresistível ao amor completo.
Bella mal compreendia o que estava acontecendo. Já havia sido beijada algumas vezes, mas não daquele jeito. A sensação era doce e inebriante. Ondas de desejo a engolfavam. Edward estava agora acariciando-a sob a camisa. Moldava seus seios e depois beijava-os não apenas com os lábios, mas também com a língua.
Certo de que Bella o queria tanto quanto ele a queria, pôs-se a acariciá-la com intimidade cada vez maior. Mas quando a tocou entre as coxas, sentiu-a enrijecer.
Com a respiração suspensa, beijou-a. Mas, embora o beijo fosse correspondido, a dúvida persistiu. Para se certificar de que poderia continuar em frente, Edward decidiu pegar a mão de Bella e conduzi-la ao próprio sexo.
Bella levou um choque com sua reação ao tocá-lo sobre o jeans. Conhecia os mecanismos do sexo pelas leituras de livros e de revistas, mas a realidade era muito diferente.
Edward estava querendo que ela o tocasse. Todos os casais deviam fazer isso, pensou. O objetivo era dar prazer um ao outro. Mas algo a impedia de corresponder a esse tipo de carícia.
De repente, antes que pudesse se decidir sobre o que fazer, Edward soltou-a e se afastou. Mas seus olhos não a deixaram. Tentou perguntar-lhe, sem palavras, o que fizera de errado.
Edward balançou a cabeça. Como pudera ir tão longe? A verdade estava escrita nos olhos puros de Bella. Ela nunca tivera um homem.
Dominada por uma súbita timidez, Bella virou-se na cama e esperou que Edward fosse embora. Em vez disso, ele a segurou pelos ombros e a fez encará-lo.
— Isso nunca te aconteceu antes, não é?
Bella sentiu uma onda de calor lhe subir ao rosto.
— Não.
— Pensei que você e seu padrasto... — Ela enrijeceu à sugestão e ele interrompeu o que dizia. — Deveria ter me contado. Se eu não tivesse pressentido... — A expressão magoada de Bella o fez parar novamente. — Não pode imaginar o quanto me custou. Você é linda e inteligente. Sua primeira vez deve ser especial. Está tremendo, Bella?
— Estou com frio — confessou, envergonhada e frustrada.
Edward se levantou e pegou um cobertor no armário.
— Vou buscar algo mais quente. — Ele saiu do quarto e voltou com um edredom. Em seguida tocou-a na testa.
— Eu estou bem.
— Quero ter certeza.
— Não estou com febre. — Ela cobriu-se até o queixo. — Pare de me tratar como um médico. Deixe-me em paz.
Edward mordeu o lábio. Bella estava certa em querer ficar sozinha. Embora soubesse dos problemas que vinha enfrentando, causara-lhe um mal ainda maior aquela noite.
Bella fechou os olhos e esperou que a porta fechasse à saída de Edward. Em vez disso, ouviu uma cadeira sendo arrastada. Edward parecia disposto a passar a noite ali, vigiando-a. E se isso fosse verdade, como poderia chorar pela rejeição sofrida? Por ainda não ser uma mulher como ele queria?
Bella pestanejou. O quarto estava inundado de sol, mas não fora a luz que a acordara.
— Bom dia — disse uma mulher aos pés da cama.
— Bom dia. Você deve ser a irmã de Edward.
Um sorriso foi a resposta.
— E você?
— Uma amiga — Bella respondeu, sem jeito.
— Foi o que imaginei. — Os olhos da irmã de Edward pousaram sobre a camisa listrada. — Ele está no banheiro?
Bella olhou para a cadeira que ele ocupara durante a noite. Estava vazia. Edward havia adormecido ali e ela o cobrira com um cobertor. Agora, apenas o cobertor ocupava o assento.
— Acho que ele está no quarto de cima.
— Oh, desculpe.
"Por ter imaginado que ela e Edward eram amantes?", Bella pensou.
— Meu nome é Alice, mas todos me chamam de Ali— a mulher se apresentou.
— Meu nome é Isabella , mas prefiro que me chamem de Bella — Bella imitou.
— Prazer em conhecê-la. O cachorro que encontrei na cozinha é seu?
— É. Ele está bem?
— Parece que sim. Espero que goste de crianças. Minha filha ficou afagando-o enquanto meu marido descarregava o carro.
— Hoop.
— Edward lhe falou sobre nós?
— Um pouco.
— Mas a atenção não foi recíproca, infelizmente. Meu irmão é muito fechado sobre sua vida íntima. Por acaso ele lhe falou sobre Joseph, o jovem africano que trouxe para casa?
Bella fez um movimento afirmativo com a cabeça, embora não soubesse até aquele instante a nacionalidade do outro hóspede.
— Ele tem dezoito anos. E você?
— Quase dezoito — Bella respondeu na defensiva.
— Mas você é uma menina! Que loucura!
Bella supôs que ela estivesse se referindo aos planos de casamento de Edward.
— Acho que ele mudou de ideia — Bella murmurou.
— Ainda bem! — Ali respirou, aliviada, para em seguida franzir o cenho. — Então por que ele a trouxe para cá?
Boa pergunta. Essa ela não poderia responder.
— Eu machuquei, a perna.
— Bem, acho que é melhor eu subir e falar direto com ele. Desculpe por tê-la acordado. Quando cheguei, vi o carro de meu irmão e subi para vê-lo.
— Nós chegamos tarde. Que horas são?
— Quase meio-dia. Deve estar com fome. Farei um bom almoço para nós.
Bella forçou um sorriso. Assim que a porta foi fechada, tornou a deitar-se. Depois do que acontecera na noite anterior, não tinha coragem para se levantar e encarar Edward. Quanto mais sua família.
Havia duas opções. Uma delas seria fingir que o joelho estava doendo e permanecer na cama. A outra seria se levantar e sair, o que lhe parecia mais seguro.
Levantou-se devagar. O joelho ainda doía, mas não tanto que não pudesse sustentar-lhe o peso.
Como a mochila havia ficado no carro, vestiu a mesma roupa com a qual viajara e tornou a pegar emprestada a jaqueta de couro.
Encontrou Henry na cozinha ao lado de um fogão antigo. A única peça, aliás, a destoar do conjunto moderno e branco. À mesa, estavam Hoop, uma linda garotinha de cerca de cinco anos, o pai e a mãe. De Edward não havia nem sinal.
— Oi — cumprimentou-os.
— Está é Bella — Alice apresentou-a ao marido. — Bella, este é Jasper.
— Prazer em conhecê-la, Bella.
Bella cumprimentou o cunhado de Edward com um sorriso surpreso. Ele era bem mais velho do que Alice.
— Meu nome é Hoop — disse a menina. — Por que está usando a jaqueta de meu tio?'
Um silêncio breve, mas incômodo, invadiu o ambiente.
— Não seja tola, querida. A jaqueta de Bella apenas parece com a de seu tio.
— Não. Ela é dele. Tio Edward usou-a no Natal. Eu me lembro. Você não tem uma sua? — a menina insistiu.
— Para ser sincera, não. A minha foi roubada. Seu tio emprestou-me a dele até que eu possa comprar uma nova.
— Isso se chama partilhar, não? Minha mãe disse que se eu não aprender a partilhar meus brinquedos com minhas amigas, logo nenhuma me convidará para brincar. Você quer brincar comigo?
— Eu... preciso levar meu cachorro para passear. — Bella deu a primeira desculpa que lhe veio à mente.
— Talvez mais tarde, querida. — Alice procurou contornar a situação.
— Mais tarde não poderá ser — a menina explicou. — Quando meu tio acordar, terei de brincar com ele.
O pai colocou um fim na conversa, pegando a filha no colo e distraindo-a.
— Ela está muito mimada, esse é o problema — Ali se desculpou.
Bella não respondeu. A cena levou-a de volta ao passado, para o tempo em que seu pai ainda vivia. Não percebeu que a tristeza havia atingido seu semblante.
— Você está bem?
— Oh, sim. — Bella voltou a si e se apressou a puxar Henry para fora da cozinha. Alice acompanhou-a.
— Tem certeza de que está em condições de sair por aí.
— Não se preocupe. O joelho ainda dói um pouco, mas não me impede de andar.
Alie não pareceu convencida.
— Quanto tempo pretende ficar fora? Edward poderá ficar preocupado.
— Edward sabe que sei cuidar de mim.
Ali meneou a cabeça. A que a jovem desconhecida estaria se referindo?
— Em todo caso, procure não ir muito longe. Há uma trilha que leva à montanha. E um bom lugar para seu cachorro se exercitar.
— Obrigada.
Não havia nenhuma outra habitação ao redor. Para re tornar à civilização, precisaria andar alguns quilômetros. Ou, então, pegar o carro que Edward havia alugado.
Encontrou-o aberto e isso lhe pareceu um bom sinal. Recolheu a mochila e continuou seu caminho. Após quinze minutos, a estrada de terra e cascalhos desembocou em uma estrada pavimentada. Era estreita e vazia e os ônibus deveriam demorar horas para surgir, mas como ela fatalmente terminaria em algum lugar, Bella prosseguiu.
Na Escócia fazia tanto calor no mês do julho quanto na Inglaterra. Meia hora de caminhada e ela estava transpirando.
Sentou-se em uma pedra e tentou pedir uma carona, mas os poucos carros que passaram não aceitaram que levasse Henry consigo. Chorou por fim. Em sua ansiedade de fugir de Edward e de sua família, cometera um grande erro.
Sozinha com seu cachorro no meio do nada, viu-se pensando repetidas vezes em Edward e nos acontecimentos da noite. Não conseguiu se lembrar de nenhum momento que não tivesse desejado as carícias. Fora ele quem recuara. Porque ela era virgem.
Deveria sentir-se grata. Perdera seu lar para conservar sua virgindade. Por quê, então, estivera disposta a entregá-la a um homem que não a queria?
Não estava apaixonada por Edward, estava? Afinal, eles mal se conheciam.
Não conseguia encontrar uma resposta. Talvez fosse melhor prosseguir viagem e aumentar a distância entre eles.
As esperanças se renovaram quando um carro parou alguns metros adiante, e pereceram quando o motorista desceu.
— Bella? Ficamos preocupados com sua demora — disse Alice. — Foi por causa da perna?
— Sim — Bella mentiu.
— Edward disse que você não estava em condições de andar por tanto tempo. Ele foi procurá-la a pé.
Enquanto Bella se sentava no banco da frente, Alice colocou Henry no banco de trás.
Não houve oportunidade para Bella recusar a carona. Mas assim que ela se sentou atrás do volante, Bella pediu que a levasse para a cidade mais próxima.
— Linlithgow?
— Sim, por favor. Preciso comprar algumas coisas.
Ali fitou-a em silêncio por um instante.
— Não acha que seria melhor voltarmos para casa antes? — Sem esperar pela resposta, fez o retorno.
Jasper aguardava-as à porta. Assim que chegaram, trocou duas palavras com a esposa e saiu com seu Audi.
Bella mordeu o lábio. Sua frustrada tentativa de fuga resultara apenas no atraso de uma pessoa para uma reunião de negócios e em preocupações para todos.
— Dê-me licença por alguns instantes, está bem? Vou verificar se Hoop precisa de algo e depois sairei atrás de meu irmão, de moto, para avisar que já a encontrei.
Bella ainda estava junto à porta, sem saber o que fazer, quando ela voltou.
— Já avisei meu irmão. Ele ficou aliviado quando lhe contei que você estava bem. Como havia subido até o alto do penhasco, demorará a voltar. Enquanto isso, pediu que eu a impedisse de tentar uma nova fuga — brincou.
Um segundo depois, ao notar a expressão séria de Bella, mudou de tom.
— Estava realmente fugindo, não?
Bella fez um movimento afirmativo com a cabeça.
— De Edward ou da situação?
De Edward, Bella poderia ter respondido, mas não queria que a irmã entendesse mal.
— Ele só quer me ajudar, mas não creio que deva ficar aqui.
— Talvez você esteja certa. Admiro meu irmão como homem e também como médico, mas considero essa sua ideia de se casarem muito arriscada. Entendo que ele se sinta no dever de reparar o problema, mas como você está em dúvida...
— Sim — Bella concordou, sem entender exatamente a que ela se referia. Dever? Reparação? A quem?
— Não deve se preocupar com nada — Alice procurou tranquilizá-la. — Não permitirei que ele a force. Todos já almoçaram. Por que não come algo? Deixamos um prato para você.
— Obrigada.
Na cozinha, serviu-lhe macarronada com frango e abobrinha. Após a longa dieta de sanduíches e frituras, o cardápio pareceu a Bella um banquete.
Enquanto Alice se ocupava com a louça, Hoop encarava Bella do outro lado da mesa.
— Como seu cachorro se chama?
— Henry.
— Se eu tivesse uma cachorrinha a chamaria de Belle.
— É um bonito nome.
— Eu quero uma cachorrinha — Hoop baixou o tom de voz —, mas minha mãe vai ter um bebe.
Alice ouviu a conversa e sorriu.
— Ainda demora.
— Você também tem um irmão? — Hoop quis saber.
— Não, infelizmente. Gostaria de ter um irmão ou uma irmã como você.
A menina pareceu refletir por um momento.
— Não se preocupe. Você e tio Edward poderão ter uma porção de filhos.
Bella engasgou. Alice parou o que estava fazendo e olhou para a filha.
— Hoop! Por que disse isso?
— Eu ouvi sua conversa com papai. Você disse que não considerava Bella jovem demais para se casar com meu tio, se era o que ela queria fazer.
— Precisa parar de escutar as conversas dos adultos, Hoop. Você confunde tudo. Eu disse que Bella, talvez, quisesse se casar, mas não com seu tio.
— Com quem, então?
Bella esperou pela resposta com os olhos muito abertos.
— Bem, existe uma pequena possibilidade de ela se casar com Joseph.
— Com Joseph? — a menina repetiu, surpresa.
Bella quase caiu para trás. Então era com Joseph que Edward queria que ela se casasse? Não com ele?
— Eu disse que a possibilidade era pequena — Alice se apressou a acrescentar ao notar a expressão contrariada de Bella.
— Por que não? — Hoop quis saber. — Eu gosto dele. Joseph me faz rir. Mamãe, se eles se casarem, como serão os bebés?
— Hoop! Por que não vai brincar lá fora?
Assim que a menina saiu, Alice se desculpou.
— Sinto muito. No momento, Hoop não pensa em nada exceto em bebes. E eu não posso lhe dar explicações sobre você e Joseph. Quanto menos as pessoas souberem a respeito, melhor será. Você entende?
Bella estava começando a entender. Edward lhe dera dinheiro para se casar com um jovem que viera da África. Só poderia haver uma razão para isso.
— Quando expira o visto de permanência de Joseph?
— Não sei exatamente. Meu irmão o trouxe para cá no Natal. Pensou que ele poderia continuar no país como estudante, mas o Departamento de Imigração está criando problemas. Pensei que ele estivesse brincando quando sugeriu que arrumássemos uma noiva inglesa para Joseph.
— Por que Edward quer tanto ajudar o rapaz? — Bella indagou.
— Ele prometeu aos pais de Joseph, antes de morrerem, que o ajudaria. Eles trabalhavam com Edward no apanharam uma febre. Edward escapou mas ficou vulnerável a infecções. Foi por isso que voltou para a Escócia.
— Como ele está se sentindo a respeito?
— Para ser franca, ainda não tive oportunidade de perguntar. Fiquei muito feliz com sua volta. Vivia com medo de que ele morresse naquela guerra. Tudo o que quero, agora, é que meu irmão tenha uma vida normal.
Bella não respondeu. Ficou pensativa. Mas tomou uma decisão sobre o que fazer quando Hoop voltou para a cozinha.
— Vocês me dão licença? Acho que preciso me deitar um pouco. Posso deixar Henry aqui?
A resposta afirmativa de Alice, Bella se dirigiu à escada. Ouviu Hoop perguntando à mãe sobre sua perna. Na verdade, o esforço fizera o joelho inchar.
Esvaziou a mochila sobre a cama e separou uma muda de roupa. Em seguida lavou-se no banheiro e tomou cuidado para não molhar novamente o curativo. Quando voltou ao quarto, encontrou Edward a sua espera.
Se fosse um sonho, ele abriria os braços para recebê-la. Em vez disso, Edward avançou para ela com o cenho franzido.
— Aonde você foi?
— Dar um passeio — mentiu.
— Com uma mochila cheia de roupas? Não me faça de idiota! Para onde estava indo?
— Não faço a menor ideia — ela respondeu, de repente zangada. — Qualquer lugar seria melhor do que este!
— Por causa de ontem à noite?
O rosto de Bella tornou-se vermelho.
— Eu lhe disse que não tornaria a acontecer! Não sei como aconteceu! — Edward exclamou.
— Por quê? Eu lhe causo repulsa?
— Não foi isso que eu quis dizer — Edward murmurou.
— Muitos homens perderiam a cabeça por você, apesar dos cabelos curtos e dos brincos. — Ele se deteve. Bella estava diferente desde a noite anterior. Naquele instante percebeu o detalhe. Ela havia tirado os brincos. — Acontece que eu não sou do tipo que persegue garotas virgens.
A mágoa deixou-a ainda mais zangada.
— Ontem à noite você não teve tantos escrúpulos.
— Não — ele admitiu com um suspiro. — Estava cansado e carente. Não estou pedindo que me perdoe, mas que tente entender. Faz mais de um ano que não tenho uma mulher nos braços.
— Oh, eu entendi. Entendi que você queria sexo fácil. Quando descobriu que eu não era quem pensava que fosse, mudou de ideia.
Edward sentiu tristeza. O que acontecera à garota que ele vira na foto e que parecia sorrir para o mundo?
— Não foi assim que aconteceu. Reconheço que meu comportamento foi imperdoável, mas garanto que nada foi planejado e que eu nunca pensei em você naqueles termos.
A sinceridade que captou na voz de Edward expulsou totalmente a mágoa.
— Sério?
— Sério. Apesar de não ter experiência, você é muito provocante. No futuro, eu a aconselharia a ter mais cuidado quando tratar com os homens. Eles poderão chegar a uma conclusão errada a seu respeito.
Bella gostaria de dizer que ele havia sido o único homem que a fizera reagir daquela forma, mas calou-se.
Edward fez um movimento afirmativo com a cabeça, como se o gesto significasse um acordo.
— Bem, agora que nos entendemos, aceita ficar aqui?
— Em que base? — Bella quis saber.
— Você não tem um lugar onde se abrigar no momento, nem emprego e está com o joelho machucado. Acho que as três razões são boas.
Bella poderia apontar razões igualmente boas para partir. Levara meses para se adaptar à dureza da vida nas ruas. Como se sentiria após algumas semanas hospedada em uma torre de marfim? Sem coragem, no mínimo!
-— Você ainda não mencionou a razão principal.
— O que houve ontem à noite não tornará a acontecer, eu já disse.
— Não estou me referindo a isso, mas à razão pela qual você me trouxe para cá. — Diante do silêncio de Edward, Bella assobiou a Marcha Nupcial. — Pretendia esperar até quando para me explicar sobre o casamento?
Edward balançou a cabeça.
— Fique tranquila. Nosso casamento está fora de questão.
— Oh, isso eu sei! — Bella afirmou, irônica. — Era seu amigo nativo de Kirundi que eu tinha em mente.
Se irritá-lo era o que Bella queria, seu objetivo foi alcançado.
— Não seja preconceituosa. Meu amigo nativo é um jovem brilhante, filho de príncipes africanos. Em tempos normais, ele nem sequer dirigia um olhar para você.
Bella mordeu o lábio. Não era preconceituosa. Sua intenção fora apenas atacar Edward por seu jogo duplo.
— Esqueça essa história de casamento de uma vez — Edward esbravejou. — Não se casará com ninguém por meu intermédio!
Porque ela não era digna de confiança, por certo. Afinal, se desse com a língua nos dentes sobre o plano de Edward de conseguir a cidadania britânica a seu pupilo africano por meio de um casamento falso, ambos poderiam ser presos.
— Eu não contaria a ninguém.
—Não é tão simples assim — Edward declarou. — O Departamento de Imigração passaria a vigiá-los. Não bastaria não contar. Você teria de fingir que o casamento era de verdade e que estava apaixonada por Joseph.
—Eu seria capaz de enganá-los — Bella garantiu. — Se fosse necessário...
Edward encarou-a, cético. Era difícil imaginar Bella se por tando como uma mulher carinhosa e apaixonada.
— A tarefa seria mais difícil do que imagina. Seria preciso aprender tudo sobre a vida de Joseph e passar um longo tempo em companhia dele. Vocês teriam de sair e serem vistos pelas pessoas...
— Aonde está querendo chegar, Edward? — Bella interrompeu-o. — Por que faz questão que eu desista do casamento, se há três dias estava disposto a me pagar um bom dinheiro em troca desse favor?
— Você é engraçada. Faltou ao encontro e se comporta como se o culpado fosse eu!
— Na verdade, eu não faltei — Bella finalmente admitiu. — Perdi a hora. Quando cheguei ao Continental, você já havia saído.
A explicação não o convenceu.
— Não me disse nada quando nos vimos mais tarde.
— Não. Estava muito ocupada com meu joelho.
— A propósito, como ele está?
— Bem.
— Difícil acreditar, após o esforço que o obrigou a fazer.
Edward estava certo. O joelho estava latejando.
— Não quero ser examinada por você.
— Está em seu direito. Mas como ainda precisa de cuidados, pedirei a Alice para levá-la a Linlithgow amanhã. Em seguida, poderá pegar um trem para Edinburgh ou para qualquer outro lugar.
— É o que você quer? — Bella desafiou-o.
— Não. Acho que você não está em condições de viajar. Por outro lado, tenho mais com o que me preocupar.
— Com Joseph, por exemplo?
— Eu era amigo dos pais dele. Devo-lhes esse favor.
— Alice me contou que eles morreram.
— Sim. A água do hospital foi contaminada por um vírus.
— Não me parece que a culpa tenha sido sua.
— Talvez não, mas como o hospital estava sob minha supervisão, senti-me responsável.
— Por que não me contou a verdade?
Afinal, Edward tornava-se uma pessoa muito melhor sob essa nova luz.
Ele deu de ombros. Em seguida pôs-se a esvaziar a comoda e a colocar suas roupas sobre a cama.
— Não preciso de tantas gavetas — Bella explicou. — Uma será suficiente.
— Acho que sua mãe mandará o restante de suas coisas em breve. Ela me pediu o endereço e eu dei.
A informação deixou Bella perplexa.
— Ontem, você me deu a impressão de que me levaria de volta a Londres.
— Mudei de ideia.
— Por quê? — Bella indagou, mais perplexa ainda.
— Confesso que não sei. De qualquer forma, quer ela mande mais roupas ou não, você precisará de mais trocas, se pretende ficar aqui por um tempo.
"Como poderei ficar depois do que aconteceu ontem à noite?", Bella desejou perguntar. Para ele, obviamente, não havia significado nada.
— Darei um jeito.
— Se o problema é dinheiro, posso lhe emprestar algum.
— Obrigada. Não quero seu dinheiro.
— Talvez possa trabalhar para ganhá-lo.
— Como?
— Sabe cozinhar?
— Nunca cozinhei. — Bella foi sincera. — Mas seria capaz de cuidar da limpeza.
— Faria isso?
— Bem, admito que essa não é a profissão de meus sonhos. Por outro lado, jamais imaginei que um dia seria capaz de pedir esmolas em estações do metro.
— De se apresentar — Edward corrigiu-a, como ela o fizera ao se conhecerem. Ambos sorriram. — Qual é a profissão de seus sonhos?
— Acho que ainda não me defini, mas sei que quero ingressar em uma faculdade.
— Não será difícil. Sua mãe comentou que você sempre tirava notas excelentes. Bem, preciso ir à cidade e devolver o carro. Quer que lhe traga algo? Xampu, escova de dentes?
— Uma passagem para Londres?
Ele não riu.
— Sim, se é isso que você quer. Não é uma prisioneira aqui.
Era livre. Aliás, não conseguia entender por que fizera aquela tolice de tentar fugir. Edward jamais a tratara como uma prisioneira. Bastaria um pedido seu e ele a levaria para onde quisesse, de carro.
Por quê, então, deu aquela resposta?
—Se tanto faz para você, ficarei por um dia ou dois.
Em resposta, Edward apenas fez um movimento afirmativo com a cabeça e saiu.
Ao ouvir vozes, Bella foi até a janela. Logo depois, viu Edward sair de mãos dadas com a sobrinha. Eles riam. A menina fitava-o com adoração. E a adoração era mútua. Quando Edward se abaixou e pegou-a no colo, seu rosto mudou. A menina pediu algo e ele atendeu-a. E quanto mais a girava no ar, mais ela ria.
A menina subiu no carro alugado e Alice no outro. Obviamente traria o irmão e a filha de volta após a devolução à locadora.
Sozinha, Bella deitou-se. Estava cansada, mas sem sono. Ficou olhando o jogo de luzes e sombras nas paredes e tentando não pensar. Mas não conseguiu. Era como se uma semente tivesse sido plantada em seu peito e agora estivesse criando raízes e crescendo. Todos seus pensamentos levavam a Edward.
Não havia motivos para sentir-se grata a ele. Edward não lhe fizera nenhum favor. Seu joelho estava machucado por culpa dele e também por causa dele, quase havia perdido sua auto-estima. Em troca, Edward lhe oferecera a chance de ganhar algum dinheiro para ajudá-lo em um ato ilegal que poderia, inclusive, levá-la à prisão.
Por quê, então, após uma convivência de três dias, durante a qual passaram mais da metade do tempo brigando, estava tão certa de ter encontrado o homem com quem gostaria de passar o resto de sua vida?
TO POSTANDO BEM CEDINHO ESTE CAP. PORQUE ESTOU INDO PARA UM PLANTÃO DE 48 HRS. SE TIVER UM TEMPINHO, ACABO DE ADAPTAR E POSTO, MAS SE NÃO DER, NA QUARTA BEM CEDO O CAP. ESTARÁ POR AQUI.
ANA CAROL amei os livros. Não sou muito fã de BDSM, mas a estória é linda. Agora chorei rios com o segundo livro, lindo, lindo, lindo... só de lembrar da situação dela no inicio da estória me dá vontade de chorar de novo. Estou em dúvida em qual postarei primeiro. Mais uma vez, obrigada anjo.
BEIJOS E ATÉ
ESQUECI DE AVISAR QUE O PRÓXIMO CAP. É ULTIMO!
