Academia de vampiros não me pertence e sim a Richele Mead. Eu sou apenas uma fã dentre tantas outras com uma imaginação de sobra.

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-Mamãe... – escutei uma vozinha muito longe e algo cutucando o meu braço. Minha consciência ainda estava lenta. Eu estava naquele momento entre o sono e a realidade. Meio dormindo ou meio acordada. Não sei. Preferi ceder a parte do meio dormindo e ignorar aquela vozinha.

-Mãe, acorde! –senti um leve sacudida. – O vovô Abe já está esperando a gente lá embaixo! Ele disse que tem novidades! –eu já estava acordada, mas fingi continuar dormindo. Nunca me cansava de ouvir a voz do meu filho. Já fazia alguns anos que eu escutava aquela voz desde que quando eram apenas murmúrios incompreensíveis. Faziam seis anos que Ibrahim entrou na minha vida permanentemente. Virando-a de cabeça para baixo e me fazendo a pessoa mais feliz deste mundo.

–Mamãe! Ele tem notícias da tia Lissa, vamos!

Ao ouvir o nome de Lissa eu sai das minhas divagações epulei da cama. Me levantei tão rápido que tombei e cai de bunda no chão. Ouvi uma gargalhada infantil e voltei o meu rosto na direção do som.

-É feio rir dos outros Ibrahim, principalmente quando a pessoa é sua mãe! –tentei soar dura mas eu também achei engraçado o tombo. Ele riu ainda mais e me olhou divertido. –Posso saber onde é o fogo para você me acordar desse jeito garoto? –perguntei enquanto me levantava do chão.

-Mamãe! O vovô Abe está lá embaixo e tem novidades sobre a tia Lissa, mas ele só vai falar quando você descer! Vamos, vamos logo! –Ibrahim falou tudo tão rápido que eu tive que processar um minuto o que tinha falado. Seus olhos brilhavam, o garoto adorava a Lissa, não o culpo, eu também a adoro. Alguns dizem que todo esse carisma é influencia do espírito, mas na verdade, Lissa é realmente adorável, independente do espírito.

Apesar de suas visitas serem escassas, talvez uma ou duas vezes no ano. Ela era uma figura querida na nossa vida junto com Christian, seu namorado e Edie, um dos seus guardiões e meu fiel amigo. Ibrahim os adorava e a recíproca também era verdadeira. Lissa, Christian e Edie eram massinha de modelar nas mãos do meu filho. Se meu filho não fosse um dampiro, eu diria que ele era usuário do espírito também, juro. Era impressionante como todos o adoravam.

Abe, meu pai, ou Zmey como ele conhecido na Rússia, ou ainda Ibrahim Mazur, seu nome de batismo. O mesmo nome que eu dei ao meu filho. Nunca vi Abe se emocionar tanto, eu acho que ele chorou, no entanto achei melhor não perguntar. Assim como eu, Abe era muito orgulhoso. E esse orgulho foi transferido para o meu pequeno, que era tão hiperativo quanto eu. Juro, se Ibrahim tivesse o meu sangue não pareceríamos tanto. Seus rasgos eram muito parecidos com os meus, os olhos assim como os cabelos são escuros como os meus. Cheguei a questionar Abe sobre alguma amante dampira nas redondezas de Moscou, talvez o Ibrahim fosse meu irmão. A ideia não era tão descabida, Abe é um conquistador incorrigível e eu não me surpreenderia de dezenas de herdeiros Mazur pelo mundo. Ao parecer Abe não compartilhava do meu raciocínio e me jurou que não tinha filhos perdidos pelo mundo, além de mim.

No entanto, talvez fosse a convivência diária, ou já era a genética dele mesmo. O gênio do meu filho é terrível, tão ruim quanto o meu era, Jesus, agora eu entendo os meus pais! O menino era genioso, arrogante, desordeiro, incrivelmente cativante... E ciumento. Meu filho era o meu guardião como ele gostava de dizer. Me protegia de todos os "aproveitadores". O que enchia de satisfação o Abe, tenho certeza de que ele é a mente por trás de tudo.

-Mãe! –fui chamada de volta a realidade pela voz impaciente e irritada do meu filho. Sua expressão era cômica. De braços cruzados, Ibrahim fazia um bico que eu achei adorável. Segurei o riso.

-Okay, camarada. Diga ao vovô Abe que eu desço em dez minutos. Vou me trocar e daqui a pouco me junto a vocês. Certo? – o sorriso que ele me deu foi deslumbrante.

-Certo mamãe! Não demore! -e correu para fora do quarto.

Quinze minutos depois eu descia as escadas em direção a cozinha. Ouvi ao longe o som de vozes animadas, seguida de risos, um riso infantil seguido de outro grave e masculino.

-Posso saber o motivo de tanto bom humor? –perguntei me fazendo presente na cozinha. O menor colocou a mão na boca e olhou rapidamente para o mais velho, como se pedindo ajuda. Abe sorriu e olhou para mim:

- Assuntos de homens, Rose. –e piscou para Ibrahim. Vendo o apoio do avô, o menino sorriu e concordou.

- É mamãe, assuntos de homem! E você é menina, não pode saber.

Resolvi entrar na brincadeira.

-Bem, mas a mães estão acima de todos os segredos. Por que são elas que preparam o seu leite, faz chocolate quente, colocam para dormir, deixam dormir na cama dela quando o certo homem está com medo do escuro...-enumerei nos dedos.- Por isso elas devem saber.

Ibrahim ponderou por alguns segundos como se tomasse uma decisão muito difícil. Por fim, olhou para o avô como se pedisse sua aprovação.

-Vovô temos que contar a mamãe. Ela faz o chocolate quente. –disse ele como se fosse um tremendo argumento. E eu prendi o riso. Pelo visto, Abe também.

-É, meu caro você tem razão. Vamos contar. – Abe se virou pra mim. –Correspondência da rainha Lissa. -e me entregou um envelope.

Percebi o brasão Dragomir impresso no envelope e dentro dele havia uma carta e um convite. Na verdade um convite de casamento. O que não foi uma grande surpresa, eu sabia que Lissa e Christian se casariam mais cedo ou mais tarde. O que me surpreendeu foi o conteúdo da carta.

"Querida Rose,

Desculpe não poder dar essa notícia pessoalmente. Acredite era o que eu mais queria, porém, estou tendo alguns problemas aqui na corte e não vou poder me ausentar por um bom tempo. Okay, não posso sair até o casamento. Não posso entrar em detalhes. E é ai que entra o meu pedido. Rose, preciso de você não só como amiga mas como a rainha. Eu sei que nesses últimos anos muita coisa mudou, principalmente com a chegada do Ibrahim, mas algumas coisas nunca mudam por que fazem parte de quem somos. Você é uma das melhores guardiãs que temos e sua fama como caçadora de Strigois é ainda mais impressionante. Mas, mais que isso você é minha amiga e alguém em que eu confio cegamente. Preciso de seus conselhos. Por isso volte para a Corte nas semanas que antecedem o casamento. É importante.

"Com amor, Lissa."

PS: Você foi a primeira a ser convidada para o casamento.

PS: Mande o grande beijo para o meu sobrinho e outro para Abe.

Agora estou preocupada. Deve ser algo muito sério. Lissa nunca me pediria algo dessa natureza para mim se não fosse. Ela sabe que não tenho a menor inclinação para voltar para os Estados Unidos, nem de férias. Eu já tinha uma vida feita aqui na Rússia. Uma guardiã de elite e caçadora profissional de Strigois. Tinha uma família. Tinha um filho para criar. Não quero voltar. Porém, é de Lissa que estamos falando. Não posso abandona-la. Não uma segunda vez.

-Mamãe? Tudo bem? –voltei o rosto a tempo de ver meu filho me olhando um tanto duvidoso. Ele estava preocupado comigo. Meu pequeno guardião.

- Tudo ótimo, meu amor. Tia Lissa mandou um monte de beijos para você e o Abe. E sabe do que mais? Ela nos convidou para o seu casamento com tio Christian! – falei empolgada tentando distrair o meu pequeno. A boca de Ibrahim formou um "o" perfeito em surpresa pela novidade. – E sabe do que mais? Nós iremos para o casamento camarada!

Parecia que o natal tinha chegado mais cedo.

Mais tarde depois da noticia do casamento de Lissa. Depois que Ibrahim dormiu, aproveitei para conversar com Abe sobre as minhas decisões. Antigamente eu nunca precisei da aprovação de ninguém para tomar decisões. no entanto, muitas coisas mudaram nesses últimos seis anos. E Abe é um dos responsáveis por essas mudanças.

Quando eu surtei a alguns anos atrás foi a ele que eu recorri. Eu quase implorei pra que ele me aceitasse como sua guardiã e me tirasse dali. Apesar de ser um Moroi, Abe não pertencia a realeza, não que isso fizesse muita diferença. Ele é tão poderoso quanto qualquer um outro membro real ou até mais. Não era difícil para ele conseguir um guardião e foi o que ele fez. Abe foi. Não. Ele é minha tábua de salvação junto com Ibrahim.

Mas foi há quase seis anos que minha admiração por Abe se tornou em amor. Sim, foi a partir daí que eu comecei a senti-lo como o meu pai e ama-lo assim como amava a minha mãe. Há seis anos quando Ibrahim chegou a mim. Diferente do meu pesadelo eu consegui chegar até o pequeno bebê.

Quando eu cheguei no local do encontro com Abe toda machucada e com um embrulho barulhento preso possessivamente no colo. Não houve troca de palavras ou olhares acusadores. Aqueles olhos escuros e profundos pareciam ver a minha alma e ele, Abe, soube antes de eu mesma me dar conta que eu nunca poderia me desfazer desse pequeno.

E assim foi. Abe me acompanhou durante a procura por parentes daquela mulher, ou melhor, aquela dampira e do menino, mas ao que parecia, não possuíam parentes conhecidos. Mais tarde, descobrimos que o nome daquela dampira era Mariah, uma prostituta do sangue, que trabalhava em um dos bordeis da região. Ninguém sabia muito, ela não era russa, havia chegado ao país a poucas semanas e ninguém a conhecia bem.

Enquanto o pessoal de Abe buscava informações do caso, eu cuidava do pequeno. Era assim que eu o chamava. Não permiti que e o levassem, eu cuidaria dele até que encontrassem algum parente dele. Hoje eu me dou conta. Eu nunca poderia deixa-lo ir. Meu pequeno. Ele era tão pequeno e indefeso. Ao levarmos para o hospital descobrimos que ele tinha em media dois meses de vida e estava faminto. No meu colo, ele buscava o meu seio incessantemente com a cabeça e isso me partia o coração por não poder alimenta-lo. Depois de alimenta-lo com o leite disponibilizado pelo hospital, o levamos de volta para a casa para cuida-lo de lá. Um mês depois, as notícias do caso não mudaram. O pequeno não possuía família e iriam encaminha-lo para um orfanato até que ele fosse adotado. Neste momento eu me desesperei, não conseguia abandona-lo. Me doía pensar em não tê-lo mais por perto.

E foi aí que tudo aconteceu. Abe vendo o meu desespero. Olhou para mim seriamente e pegou o pequeno bebê dos meus braços. Segundo ele era preciso. E naquele momento eu o odiei. Odiei conhece-lo. Odiei que ele fosse meu pai. Ódio. Simples e puro ódio. Aquele homem que me olhava impassível levaria embora o meu pequeno partindo meu coração uma segunda vez. E então ele se foi. Uma semana se passou sem noticias de Abe e do bebê. Nenhum telefonema. Nenhum recado. Nada. Silêncio.

E alguns dias depois não sei quantos. Abe apareceu. Eu estava no meu quarto, recusava-me a vê-lo. Por mais que minha consciência me dissesse que não era culpa dele, eu não conseguia deixar de me sentir traída. Ouvi passos vindo na direção do quarto e rapidamente dei as costas a porta, maldizendo-me por não tê-la trancado. A porta se abriu e alguém passou por ela silenciosamente. Continuei de costas não queria ver ninguém e muito menos Abe. E após uns cinco minutos de silêncio ele desistiu e falou:

-Vai continuar me ignorando Rose?- perguntou em um tom cansado.

-Sim, quem sabe assim você vai embora. –falei venenosamente.

-Não seja infantil! É assim que você resolve seus problemas? Fazendo birra? Parece que eu me enganei com você! – seu tom era decepcionado.

E foi aí que eu me enfureci. Ele não era ninguém para dizer como eu devia ou não me comportar. Dessa vez eu me virei e esqueci que eu estava o ignorando.

- Não me venha com essa ladainha de papai responsável agora! Você não é ninguém, tá me ouvindo? Ninguém para me jugar! –gritei possessa.

Ele me olhou tranquilamente e aquilo me irritou ainda mais.

-Não grite Rose. Vai acorda-lo. – sorriu ternamente.

E nesse instante eu ouvi um choro vindo de uma canto do quarto. Havia um cestinha em cima da cômoda e dentro dela algo se mexia inquieto. Não sei como, mas eu já estava de pé do lado da cesta. Foi quando o vi e meus lacrimejaram instantaneamente. Ele estava aqui. Meu bebê estava de volta. Encarei Abe sem entender e ele sorria.

- Você... Como você... Porque? – eu não conseguia formar uma frase coerente. Eu só esperei que ele entendesse.

Abe me sorriu enquanto eu pegava o pequeno nos meus braços.

- Demorei um pouco pra resolver toda a papelada. A burocracia para adoção é um porre, mas por fim resolvi. Nada que um pouco de incentivo não agilizasse o processo, mas mesmo assim...- ele sacudiu a cabeça como se estivesse cansado.- Está tudo encaminhado.

Eu olhei perplexa. Ele estava dizendo o que eu acho que ele está? E mais uma vez eu não precisei por meus pensamentos em palavras.

- Sim, Rose. Ele é seu. - e foi o suficiente. Agora eu chorava copiosamente, as lágrimas caiam pelo meu rosto incontroláveis. E eu ria enquanto chorava, lágrimas de felicidade.

- Obrigada! Obrigada! –pulei nos braços de Abe e o abracei. – Obrigada! Obrigada! Não conseguia dizer outra coisa. Abe me abraçou de volta.

- Disponha, minha querida. - O abraço foi interrompido por um choro estridente. –Bom Rose, espero que você saiba as responsabilidades que virão a partir de agora. Este pequeno depende de você. Cuide bem dele. Tenho certeza que você será uma excelente mãe. – e saiu.

Mãe. Eu agora era mãe. Eu não poderia estar mais assustada mas apesar do medo, eu não conseguia me arrepender disso. Algo me dizia que era a decisão mais correta a se tomar. E assim foi.

Voltando ao presente. Abe tomava um vinho confortavelmente acomodado em uma poltrona próximo a lareira. Seu traje era menos chamativo do que o normal, talvez por estar em casa, não sei. Abe não é alguém previsível.

- Abe?- o chamei. Quando ele voltou seu olhar, vi a pergunta muda em seus olhos. – É hora de voltar.

E ele assentiu como se soubesse que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde. Levantou-se e andou em minha direção. Me encarou por alguns segundos e falou:

- Sim Rose. Já é hora de voltar. – sem mais delongas, deu meia volta e se foi.

É isso aí. Preparem-se. Rose Hathaway está de volta.