- Gina, cheguei meu amor... - Harry anunciou enquanto colocava a pasta em cima da mesa perto da porta de entrada.
Ele ouviu barulhos no andar de cima. Owen desceu as escadas correndo e abraçou o pai.
- Oi filho. Como foi o seu dia?
- Foi bom, pai. Hally veio aqui. O tio Ron a trouxe na hora do almoço, nós brincamos um pouco com Floftys e depois da "tia Mione" lá me explicar tudo o que eu NUNCA quis saber sobre fênix... - Harry riu. - A tia Mione verdadeira veio aqui e a levou para casa. Ela e o tio Ron iam comemorar uma promoção que o titio recebeu no trabalho. Iam jantar naquele restaurante chique e cheio de frescuras que só garotas gostam de ir...
- Por falar em garotas, como está sua mãe, Owen? - perguntou, achando graça do menino.
- Ela está lá em cima vomitando de novo, papai - Harry deixou o sorriso se perder. - Acho que o meu futuro irmão ou irmã está querendo mesmo chamar a atenção de vocês - Harry agachou até os olhos ficarem na altura dos identicamente verdes do filho.
- Owen, você sabe que eu e sua mãe sempre vamos amar você, não importa quantos irmãos você tenha, não sabe? - o menino riu.
- Eu sei sim pai. Eu só estou brincando. É que a mamãe anda muito enjoada e está tendo vontade de comer umas coisas estranhas. Essa tarde ela comeu picles com sorvete e banana caramelada - Harry e o menino fizeram a mesma careta e riram.
- Urgh! Não me admira ela estar passando mal... - o pai disse enquanto subia as escadas com a mão nos ombros do menino. - Gina? - chamou da porta do quarto. A mulher saiu ligeiramente verde de dentro do banheiro. - Você quer ir ao médico, meu amor? - ela sacudiu a cabeça.
- Eu estou óti... - colocou a mão sobre a boca, deu meia volta e voltou para o banheiro. Owen deu de ombros e Harry respirou fundo enquanto a mulher vomitava de novo.
- Owen, vá lá embaixo e chame o Dobby - os olhos do menino brilharam.
- Dobby está aqui? - Harry sorriu.
- Está sim. Ele ficou invisível porque era para ser uma surpresa. Ele vai morar conosco agora e ajudar a sua mãe no serviço de casa. Estava querendo mesmo se aposentar de Hogwarts - o menino sorriu satisfeito.
- Eu vou adorar brincar com ele, pai.
- Eu sei que vai, filho. Mas o chame e peça para ele fazer um chá forte contra enjôos, mostre a cozinha para ele e o ajude... - Owen confirmou e desceu as escadas chamando o nome do elfo doméstico.
- Gina? - Harry abriu a porta do banheiro e encontrou a mulher sentada no chão frio em frente à banheira. Parecia exausta. - Hey, você não está nada bem... - ele disse, amparando-a. Gina apoiou a cabeça no peito dele, que havia se sentado ao lado dela no chão. Ela tentou sorrir.
- Estou bem, Harry... - ele segurou o rosto pálido e frio dela e a olhou com carinho. - Só me cansei escovando os dentes...
- Percebe-se, meu amor... - ela riu.
- Estou tão horrível assim? - ele deu um beijo de leve na testa dela.
- Gina, você não ficaria horrível nem se estivesse coberta de escamas... Você é linda... - ela respirou fundo.
- Eu estou tão cansada. Minha cabeça dói. Meu corpo todo dói...
- Eu sei meu amor. É por isso que eu trouxe companhia... - ele olhou para a porta entreaberta do banheiro e apontou.
Dobby e Owen olhavam para os dois pela fresta da porta encostada. O elfo trazia uma bandeja com uma xícara de chá medicinal e Owen observava atentamente a variedade de cores diferentes que Dobby tinha apenas nas meias listradas. Gina sorriu.
- Então você trouxe mesmo Dobby para morar conosco? - Harry confirmar mas o elfo se adiantou.
- Dobby se sente honrado em servir a família de Harry Potter, Sra. Potter Weasley... - Gina estendeu a mão para o elfo e apanhou a xícara cheia de líquido verde claro e fumegante.
- Dobby, pode me chamar de Gina... - o elfo arregalou os olhos e corou. Owen riu. - Obrigada pelo chá... - Owen puxou o elfo para fora do banheiro.
- Vamos Dobby, eu quero te mostrar os meus brinquedos... - Harry e Gina sorriram um para o outro.
- Eu acho que um irmão vai ser muito bom para ele, Harry... - ela disse de repente, antes de tomar um gole revigorante do chá. - Bem como um bom banho de banheira, preparado pelo meu maridinho... - Harry elevou as sobrancelhas.
- Mas você está passando mal... - ela baixou os olhos.
- Hummm, eu até estava... - passou a mão de levinho no peito dele. - Mas você aí parado me deu algumas idéias...
- Ho ho! Idéias, é? - ele perguntou marotamente. - E eu posso saber por acaso que tipo de idéias são essas, Sra. Potter? - Gina abriu o primeiro botão da camisa dele.
- Depende...
- Depende de quê?
- Depende se você vai apenas preparar o banho para mim ou se vai me dar esse banho... - Harry ajoelhou em frente a ela e, passando a mão por baixo do braço de Gina, abriu a torneira quente da banheira.
- Isso responde a sua pergunta? - ele disse, beijando o pescoço dela devagar. Gina virou os olhos para cima e sorriu.
- Não. Não responde mas começa a elucidar algumas coisas... - ela buscou os lábios dele, beijando-o por alguns minutos. Então ele parou.
- E Owen? - perguntou enquanto Gina acabava de lhe tirar a camisa.
- Ele vai ficar bem com Dobby. Provavelmente vai passar um bom tempo brincando... - respondeu, passando para o fecho da calça dele.
- E o seu enjôo? - Gina riu e passou a camisola por cima da própria cabeça de uma só vez.
- Sabe, Harry, eu não me enjôo disso nunca... - disse, jogando a roupa dentro do cesto. - E depois, pense pelo lado positivo: dessa vez não tem como eu ficar grávida... - os dois riram antes de voltar a se beijar e desfrutar juntos mais uma vez a velha banheira apertada.
- Ele ainda está estranho. Não come direito e quase não fala... - Draco passou a mão no rosto de Nicolle. Estavam deitados de frente um para o outro na cama.
- Eu sinto muito. Eu sabia que algo assim poderia acontecer. Eu só não queria acreditar... - ela suspirou.
- Temos que ajudá-lo, Draco. Ele precisa falar o que houve. Precisa nos dizer o que aquele monstro fez com ele ou vai se tornar frio e amargo.
- Nikki, eu não sei como fazê-lo falar. Ele simplesmente me hostiliza o tempo todo. Quando fala é para me agredir. Já se passaram quase três meses. Nem a volta às aulas ajudou.
- Nattie está infeliz. Está particularmente sentida pelo irmão não querer mais dividir o quarto com ela. Me perguntou ontem por que permitimos que Dylan durma no sofá do escritório - Draco mordeu os lábios. Não estava certo se deveria dizer que preferia que o garoto ficasse longe da irmã quando não estavam por perto.
- Eu sei. Eles são muito ligados - limitou-se a dizer.
- Exatamente, mas por algum motivo não estão mais. Nattie anda amuada pelos cantos. Dylan nunca mais quis brincar com ela e esconde os brinquedos preferidos dela agora - Draco passou a mão pelos cabelos, preocupado.
- O que você sugere? - perguntou secamente. - Sei que tem algo em mente... - Nicolle abaixou os olhos e disse timidamente.
- Uma psicóloga amiga minha disse que... - Draco sentou na cama subitamente.
- Nikki, eu não quero nenhuma trouxa estudando o meu filho. Nenhum dos meus filhos... - disse ríspido e a esposa sacudiu a cabeça.
- Ela pode ajudá-lo a se abrir... - ponderou.
- Ou talvez ele a abra ao meio... - debochou. - Nicolle, francamente. Você imagina o que pode acontecer se Dylan revelar algo sobre o mundo bruxo durante uma dessas sessões? Ia ser algo embaraçoso demais para mim e depois... - Nicolle levantou da cama e encarou o marido.
- Embaraçoso para você? Embaraçoso para você? - ela aumentou o tom de voz. - Você não é capaz de passar embaraço pelo seu filho, Draco? - ele olhou dentro dos olhos da esposa e respondeu calmamente.
- Eu ia acrescentar que seria embaraçoso demais ter que apagar a memória da sua amiga mas você não deixou com o seu interessante estado de nervos... - disse sarcástico.
- Eu queria poder falar sério com você pelo menos uma vez na vida, Draco Malfoy. Por que você não pode aceitar a minha idéia? - ele ergueu as sobrancelhas.
- Você quer mesmo que eu responda, Nikki? - ela cruzou os braços.
- É geralmente como adultos conversam, Draco. Perguntas e respostas intercaladas - disse em um tom superior e explicativo, como se falasse com uma criança.
Draco deu um sorrisinho com o canto dos lábios.
- Você quer uma resposta? "timo. A sua idéia não vai dar certo simplesmente pelo fato de que ela é a mais estúpida que eu já ouvi em toda a minha vida, só perde para a vez que o idiota do Hagrid resolveu criar explosivins. Hey, não. Espere, a sua idéia é pior... - Nicolle rugiu furiosa e bateu a porta do banheiro com força. - Isso foi realmente adulto de sua parte - Draco gritou. Colocou um casaco por cima do pijama e desaparatou. Precisava de um pouco de paz.
Dylan encostou a fresta da porta, por onde havia observado toda a discussão dos pais se formar, e voltou para o escritório sorrindo satisfeito.
- O que você está fazendo aqui? - ele perguntou irritado, o sorriso morrendo em seu rosto.
- Eu ainda moro nessa casa, Dyll. Eu sou sua irmã. Gêmea... - Nattalie achou por bem acrescentar.
- "timo, dessa eu não sabia - respondeu com impaciência. A menina cruzou os braços e se colocou à sua frente.
- O que está havendo com você? - ela perguntou em um tom autoritário.
- Nada maninha - respondeu com desdém. - Vá dormir vai. Deite na sua caminha cor-de-rosa de trouxa e me deixe sozinho - Nattie sentiu os olhos arderem mas manteve a pose.
- Por que você está sendo cruel, Dylan? O que você ganha com isso? - ele riu.
- Eu tenho que ganhar alguma coisa? Desculpe mas eu não sabia dessa regra. Eu devo ganhar algo sendo gentil? - Natallie rolou os olhos para cima.
- Pare de fingir que não está me entendendo. Eu ouvi os gritos. Eu sei que é você quem está fazendo eles brigarem. Eu só não sei como mas é por sua causa... - a expressão confiante de Dylan mudou para uma completamente furiosa.
- Não se meta nos meus assuntos, mana. Ou vai se arrepender - ameaçou.
- Dylan... - a voz dela tremeu.
- Eu estou avisando. Fique fora disso. Você não entende. É algo aberrante. É uma vergonha. Você não sabe o que o nosso pai é. Não tem capacidade para entender o que ele está jogando fora... - Nattalie sacudiu a cabeça.
- Me explique então - disse com lágrimas escorrendo dos olhos. Dylan riu.
- Não. Você jurou. Você jurou pelo seu sangue que jamais me trairia e você contou. Você contou para ele onde eu estava e ele me encontrou. Ele me impediu de aprender o que ele escolheu não aprender. Ele me tirou essa escolha, maninha - a voz era fria e carregada de ressentimento. Nattie fechou os olhos.
- Eu não disse nada. Eu juro. Eu juro. Não sei como ele descobriu. Não sei o que ele fez para...
- Pare de mentir. Você era a única que podia contar onde eu estava. O meu avô me disse isso...
- Ele mentiu para você, Dylan. Ele é um grande mentiroso e cretino - Dylan a segurou pelo braço e apertou com força.
- Retire o que disse já - disse com ódio nos olhos. Nattie gemeu.
- Não - ele levantou a mão para a irmã e ela o empurrou. - Você jurou que nunca ia me machucar Dyll - ela deixou a frase no ar e saiu do quarto chorando.
No início a menina achou que fosse alguma fase de transição, que tudo ficaria bem depois. Mas ela estava enganada. Aquela fora a conversa mais longa que os dois tiveram em quatro anos.
