Ice Box

Capítulo 3 - Depressão

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''The world slows down
But my heart beats fast right now
I know this is the part
Where the end starts''

'' O mundo fica lento
Mas meu coração bate forte nesse momento
Eu sei que essa é a parte
Onde o fim começa ''

I Hate This Part - The Pussycat Dolls

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- Neji-nii-san... Acorde...

- Hinata-sama? - abriu os olhos cerrando-os pela escuridão.

Ela estava um pouco afastada. No meio de toda aquela escuridão, apenas ela brilhava. Hinata estendeu seu braço em direção ao primo:

- Venha comigo. - sorriu.

O Hyuuga riscou um sorriso fraco, porém sincero. Sua prima parecia feliz, seu rosto estava mais lindo do que nunca. Deu um passo em direção a ela, mas seus orbes capturaram a imagem de uma grande serpente esverdeada aproximamando-se da garota - Hinata-sama!

A serpente a envolveu e Hinata gritou quando o réptil deu o bote, mordendo seu pescoço:

- Não! - exclamou Neji.

- Agora ela é minha. - disse a serpente, logo tomando forma humana, abraçando a Hyuuga por trás, com uma mão cobrindo o pescoço da garota - E não há nada... que você possa fazer... - Neji reconheceu aquele rosto pálido, o Sannin lambeu o rosto de Hinata, que soltou um gemido apavorado.

- Maldito! - o moreno correu em direção a eles mas suas pernas não eram rápidas o suficiente, pois a cada passo, Orochimaru e Hinata iam para longe, longe, cada vez mais longe...

- NII-SAN!!

- Não! - acordou assustado e suando frio.

Ofegava enquanto apertava o descanço de braço da poltrona na qual estava sentado e acabara pegando no sono. Mirou as paredes brancas daquele quarto de hospital e pousou seus olhos na garota adormecida sobre a cama, coberta por um lençol branco:

- Hinata-sama, - levantou-se e caminhou até a cama, ficando ao lado da mesma. A palidez em seu rosto não era normal, mas o Hyuuga ainda podia se encantar com a beleza da prima. E pensar que aquele anjo sobre cama sofreria por causa de sua incompetência... Sem ao menos perceber, a bochecha da prima estava sendo acariciado pelas costas de sua mão - Me perdoe...

Recolheu sua mão ao ouvir a porta sendo aberta:

- Neji-san?

- Sim, Shizune.

- Tem alguém que deseja vê-lo.

O Hyuuga mirou Hinata uma última vez e caminhou até a porta:

- Obrigado, Shizune.

Neji deixou o quarto juntamente de Shizune, que direcionou-se pelo lado oposto ao do gênio. Não precisou caminhar muito para encontrar o visitante à alguns metros da porta do quarto:

- Hiashi-sama?

- Neji, - começou tão sério quanto de costume - quando retornaram a Konoha?

- De madrugada. Trouxemos Hinata-sama direto para cá. Perdão por não avisá-lo assim que...

Neji não pôde finalizar suas desculpas. Hiashi desferiu um forte e certeiro tapa no rosto do sobrinho. O jovem Hyuuga permaneceu com o rosto virado.

- Você sabe qual é a sua função dentro do Clã Hyuuga, Neji?

Ele não respondeu, não ousaria.

- Você é um protetor. E não um qualquer... - mantinha seu tom sério e firme - Você protege a herdeira. Este é o único motivo de sua existência, Neji (N/A: by: DoraDelacour xD) . Não devia se esquecer disso.

- Hiashi-sama...

- Silêncio!

O mais novo pareceu tomar um choque com a exclamação do líder. Não notaram que as outras equipes chegaram e assitiam àquela cena entre tio e sobrinho.

- Por sua culpa, Hinata agora tem a maldita marca de Orochimaru. Ela está fadada ao mesmo destino desgraçado de Sasuke Uchiha!

O gênio cerrou os dentes e o punho e encarou Hiashi.

- É de seu total conhecimento que Hinata é uma fraca! Seu dever é protegê-la e treiná-la. - dizia, novamente desmerecendo a própria filha - Se antes já não era forte, agora ela é totalmente inútil!

Neji, assim como os parceiros da prima e seus outros amigos tinham em sua expressão certa raiva e descontetamento. Hiashi Hyuuga, líder dos Hyuugas era, sem dúvida, uma pedra de gelo, ou talvez mais gelado que uma.

Ouviram um suspiro e miraram a porta, onde o corpo da garota deslizou, perdendo a sustância. Enquanto tentava mater-se de pé, segurava firmemente na porta.

- Hinata! - exclamou Kiba que assim como Shino, correu até a porta e a pegou no colo a levando para dentro do quarto novamente.

Da porta, Neji passou a mirar o tio:

- Ela mal se agüenta de pé. Espero que esteja satisfeito, Neji. - finalizou suas últimas palavras e foi embora, sendo seguido pelos olhares revoltados dos jovens.

Ele esperou o tio distanciar-se. Hizashi, seu pai, lhe veio à mente. Tão iguais, mas tão diferentes...

- Hinata-sama! - e correu para dentro do quarto, encontrando Shino e Kiba, um em cada lado da cama. O Inuzuka segurava uma mão da garota. Akamaru choramingava de pé nas duas patas traseiras e repousava a cabeça no ventre da Hyuuga, que havia desmaido. Seu corpo parecia ser de vidro de tão frágil.

Aproximou-se devagar:

- Como ela está? - quiz saber ele.

- Dormiu de novo... - respondeu Shino a mirando por trás dos óculos escuros.

- Ele não podia ter dito aquelas coisas... - começou Kiba - Ela ouviu tudo. - levou a mão da amiga até sua bochecha - Hinata não merece um pai assim. - acariciou a mão suave e fria de Hinata em sua própira bochecha tatuada.

- Neji, não deve se sentir culpado por nada. - começou Lee adentrando o quarto - Não dê valor às palavras de Hiashi-sama.

- Isso, Neji. - completou Tenten acompanhando Lee - Ele disse da boca pra fora.

- Porque apesar de tudo, Hinata é filha dele. - finalizou Sakura encostando a porta atrás de si. Ela havia pedido para que os outros esperassem do lado de fora.

O Hyuuga escondeu os lábios, como se não quizesse liberar as palavras presas em sua garganta. Entreabriu-os prentendo dizer algo, mas fora interrompido:

- Ahnn... - Hinata gemia enquanto cerrava os dentes e os punhos, Kiba pôde sentir o quão forte seus punhos se fechavam.

- O que ela tem?! - pergunta Kiba, sendo seguido por um ganido de seu cão, que voltou às quatro patas ao chão.

- Sakura, examine a Hinata! - exclamou Tenten chamando a Haruno, que tinha o olhar fixo em Hinata.

- Sakura? Vamos, ela está mal! - chamava Kiba.

- Não... - sussurrou a rósea dando alguns passos para trás enquanto balançava a cabeça negativamente - Eu não posso com isso. Não! - e saiu correndo porta à fora.

Ela passou correndo pelo restante dos amigos que esperavam do lado de fora:

- Sakura?! - estranhou Ino.

- O que deu nela? - perguntou Chouji.

Logo, Naruto saiu do quarto também. Avistou a parceira já bastante afastada, e correu atrás dela.

- Sakura-chan! - finalmente a alcançando, Naruto a pega pelo braço e a vira para si - Sakura-chan, o que há com você?! Hinata precisa de sua ajuda! Por quê correu?!

- Naruto... - as lágrimas já rolavam amargas por seu rosto - Não dá... Eu passei por todo aquele pesadelo com Sasuke-kun. Não consigo passar pelo mesmo pesadelo outra vez! Não dá pra mim, não dá!

- Sakura-chan...

- Não posso com isso tudo de novo, Naruto! Não de novo... - chorava.

- Hinata é nossa amiga. Precisa de nós e de nossa experiência. Kiba e Shino também precisam de nós, e temos que ajudar! - dizia enquanto buscava o olhar esmeraldino da parceira num gesto meigo, segurando seu rosto enxarcado pelas lágrimas - Eu estou aqui com você, Sakura-chan, não tenha medo.

- Naruto...

Se abraçaram.

Não puderam curtir seu contato por muito tempo, pois Tsunade passou correndo por eles como um raio, com Shizune em seu encalço.

- Hah, Tsunade-sama! - chamou a Haruno afastando-se de Naruto dando um passo a frente, para que a Hokage ouvisse seu chamado.

- Venha conosco, Sakura-chan! - berrou Shizune já um pouco afastada com Tsunade a frente de si.

A rósea encarou o loiro atrás de si.

- Vai, doutora Haruno! - sorriu o loiro arrancando um sorriso riscado da garota.

Sakura correu atrás de Tsunade e Shizune. Logo o trio, seguido por Naruto também, adentrou o quarto, onde Hinata tentava conter os gritos para não preocupar os amigos. Mas mesmo assim, apertava fortemente a mão de Kiba, que ainda tinha a mão dada a ela.

- Afastem-se todos! - exclamou Tsunade aproximando-se da cama, o Inuzuka afastou-se. A loira pousou sua mão na testa da Hyuuga, tendo sua mão coberta pela franja negra-azulada - A febre não abaixou nem um pouco. Shizune!

- Sim, Tsunade-sama!

- Tire todos do quarto.

- Sim! - a jovem vira-se para os amigos da Hyuuga - Vocês ouviram! Todos para fora do quarto. Tsunade-sama precisa examinar Hinata.

- Tsunade-sama, deixe-nos ficar com ela, por favor. - pediu Shino.

- Por favor, Kiba e Shino, vão chamar Kurenai! Preciso dela aqui. - ordenou a Hokage - Vão!

Sem mais palavras, a dupla saiu pela porta, passando pelos amigos no corredor, mas não pararam. Tinham de achar Kurenai. Obedecendo às ordens da Hokage, os jovens deixam o quarto.

- Sakura, fique! Preciso de você também.

A Haruno mirou de Tsunade a Naruto. A rósea pôde fazer a leitura labial do loiro: ''Acredito em você!''. Assentiu e virou-se para a cama enquanto o Uzumaki deixava o quarto.

- Hinata. - chamou a loira - Hinata, você está me ouvindo? Sente dor?

- Urgh... - gemia - Tsunade... sama... Não posso... suportar... a dor!

- Acalme-se. Vai dar tudo certo.

Enquanto Tsunade, Shizune e Sakura faziam de tudo para aliviar as dores da Hyuuga, os outros esperavam impacientes do lado de fora.

- Ela está gemendo tanto... - dizia Ino caminhando em círculos - Deve estar sentindo muita dor.

- E não podemos fazer nada. - a voz do Uzumaki saiu praticamente num rosnado enquanto seus punhos fechavam-se fortemente - Me sinto um inútil outra vez! Primeiro Sasuke, agora Hinata!

- Não diga isso, Naruto... - começa Lee.

- Não pudemos evitar. - sussurra Tenten abraçando o próprio corpo - A culpa não é de ninguém.

- Depois de Hinata, - começa Shikamaru - minhas maiores preocupações são Shino e Kiba...

- É, eles vão sofrer muito se algo acontecer a ela. - completa Chouji.

- Vou apoiá-los... - as atenções se concentram em Naruto - Vou apoiá-los em tudo! Como eles me apoiaram! Como todos vocês me apoiaram! - mirou a porta do quarto, ainda ouvindo os gemidos dolorosos da Hyuuga - Não permitirei que Hinata passe pelo mesmo que Sasuke.

- Não vai passar... - pela primeira vez desde que saíram do quarto, Neji se pronunciou - Sasuke foi por conta própria, mas Hinata-sama não tem motivos para deixar a vila como ele fez. E se algo do tipo passar pela mente dela, a impedirei. Eu posso morrer, mas ela não vai sair desta vila, porque eu não permitirei.

O silêncio predominou.

- Escutem! - diz Shikamaru.

- Não escuto nada. - Ino arquea uma sombrancelha estranhando, assim como os outros.

- Ela parou de gemer. - Chouji arregala os olhos.

- Será que... - começa Lee.

- Não! - exclama Neji já abrindo a porta - Hinata-sama! - chamou já dentro do quarto.

- Shh... - fez Shizune com o dedo indicador frente a boca.

- O que houve? - perguntou o Hyuuga num tom bem mais baixo.

- Tsunade-sama injetou um calmante em Hinata. - informou a jovem - Ela irá dormir até à noite.

Alguns suspiros foram ouvidos por Neji, porém ele não se alivou nem um pouco. O fato dos médicos fazerem de tudo para que Hinata dormisse, deixava o Hyuuga um tanto nervoso. Desse jeito não havia como conversar com a prima e fazê-la desabafar um pouco, já que tanto Neji, quanto os outros amigos da garota, sabiam que ela teria muitos pontos de interrogação em sua mente, assim como dores e sentimentos presos em seu frágil coração.

- Mandou me chamar, Hokage-sama?

- Kurenai! Que bom que chegou. - disse a loira - Precisamos conversar.

Antes de acompanhar a Hokage, Kurenai aproximou-se da cama e deslizou sua mão sobre os cabelos da aprendiz:

- Como ela está?

- Bom, ela ainda sente dores no pescoço. - informou Sakura - Isso é normal, mas enquanto dorme a dor não a pertubará. E a febre continua na mesma temperatura. Alta.

A sensei mirou a morena adomercida para depois pousar seu olhar rubro em Tsunade:

- Vamos, Hokage-sama.

As duas mulheres saíram do quarto, deixando os jovens com Hinata, dormindo calmamente.

- Sakura, Hinata está mesmo bem? - pergunta Shino.

A rósea respira fundo, mas nada respondeu.

- Sakura, ela está bem... Certo? - reforça Kiba.

- Tsunade-sama disse que... - fez uma pausa, engolindo a imensa vontade de chorar - que vai conversar com vocês dois sobre... - uma nova pausa - sobre a atual situação de Hinata... - uma lágrima escapa.

Os olhares direcinaram-se à cama. A linda jovem parecia mais aliviada. A dor não a fazia contrair seu rosto, a dor não a fazia gemer dolorosa. Mas o aperto em seus corações era insuportável. Hinata sempre fora tão gentil e meiga... Como algo tão terrível pôde acontecer a ela dessa maneira tão inesperada e confusa?! E por quê Hinata? O que Orochimaru poderia querer dela? Se fosse pelo Byakugan e pelas técnicas exclusivas do Clã Hyuuga, poque não Neji, já que sempre fora o gênio dos Hyuuga? Tantas perguntas e nenhuma resposta... E o tempo estava passando. E passava muito devagar enquanto as respostas não eram esclarecidas e novas perguntas surgiam.

- De... qualquer forma, - tenta a Haruno novamente - não há nada o que fazer sem que Tsunade-sama ordene algo.

Realmente, enquanto a Hokage não desse uma ordem, nada podiam fazer, por mais angustiante que fosse ter de esperar enquanto Hinata era possuída pelo poder do Sannin das Cobras.

Meia hora depois, quando a luz do Sol já era escassa no céu, Kurenai retornou ao quarto juntamente com a Hokage.

- Kurenai-sensei, - começou Kiba - o que vocês decidiram? - perguntou impaciente.

- Bem, - esta palavra saiu com o ar solto pelos pulmões da sensei - Tsunade-sama e eu conversamos muito, e decidimos que a marca de Orochimaru em Hinata deve ser selada o mais rápido possível.

Naruto saiu do quarto assim que Kurenai finalizou suas palavras. Shikamaru e Sakura seguiram pelo mesmo caminho do loiro, o encontrando do lado de fora do quarto, apoiando o cotovelo na parede e a mão deslizou pelas madeixas loiras nervosavemente.

- Naruto... - começou Sakura.

- Ela receberá um selo... Assim como Sasuke... Assim como eu! - finalizou socando a parede.

A Haruno baixou a cabeça segurando o choro.

- Naruto, não adianta ficar desse jeito, só está deixando a situação ainda mais problemática. - dizia o Nara - Tá certo que Hinata receberá um selo, mas pense bem, isso pode funcionar.

- Não funcinou com o Sasuke... - a voz do Uzumaki tornava-se um rosnado a cada palavra - Não funcionará com Hinata!

- Não seja tão negativo! - exclama Shikamaru - Você não é assim! Tá certo que essa situação está confusa demais, até mais confusa do que na época do Sasuke mas... - pausou por um momento, acalmando-se - Mas não devemos desisitir assim... Você não desisitiu de Sasuke e nos prometeu não desistir de Hinata! Eu confio em você. Assim como os outros. Você vai nos deixar na mão, Naruto?! Hã?!

O loiro mirou o amigo por um momento. Querendo ou não, aquele pesadelo recomeçou. E de um modo, talvez, mais triste, porém não mais tão bizarro quanto na primeira vez. Agora tinham experiência. Sakura e Naruto sabiam de todas as etapas que Sasuke passou e que agora, Hinata passaria. Sofrimento e sentimentos intensos bagunçariam as mentes e corações de seus amigos mais uma vez.

- Tem toda a razão, Shikamaru. - começou o portador da Kyuubi, já bem mais calmo - Não acredito que fraquejei desse jeito. - virou-se para o amigo - Obrigado! - e sorriu largamente, como sempre.

O Nara riscou um sorriso e adentrou o quatro novamente, deixando os companheiros a sós.

- Naruto.

O loiro fica atento ao chamado baixo e tímido da parceira:

- O-obrigada...

- Obrigada?! Por quê, Sakura-chan?

- Por... - riscou um sorriso, ainda de cabeça baixa e com poucas lágrimas escorrendo por sua face - Por não desitir. Por não me deixar desistir... - levanta a cabeça e o encara - Obrigada por isso. - e sorri para ele.

- Sakura-chan... mais que ninguém você sabe que não volto com minhas palavras. - e lhe sorriu novamente.


A noite chegou silenciosa. O sol quente deu passagem à lua cheia daquela noite. Ao despertar, Hinata deparou-se com seus parceiros conversando perto da janela:

- Shino-kun... Kiba-kun...

Os dois viram-se imediatamente:

- Hinata! - o Inuzuka passa na frente do outro, chegando primeiro ao lado da cama e pegando a mão da garota.

- Sente-se melhor? - perguntou o outro após mirar o amigo de modo desaprovador, resultando numa careta do de bochechas tatuadas.

- Sim. - respondeu num fio de voz - A quanto tempo estou dormindo?

- Desde a tarde. - respondeu o Aburame - Tsunade-sama disse que enquanto você dorme, a dor não a pertuba tanto. À propósito, sente dor?

- Não, não muita. - respondeu levando a mão até sua nuca - A dor vai e vem. Mas está tudo bem, não se preocupem.

- Como não? - exclamou o Inuzuka.

- Fala baixo, retardado. - disse Shino dando-lhe um pedala - Isso é um hospital, não um botequim, vê se abaixa o tom.

- Ah, cala a boca! - e Kiba lhe mostrou a língua.

Os dois cessaram sua sessão de olhares mortais ao ouvirem uma risadinha. Miraram a parceira que, ao notar que os amigos a encaravam, escondeu a boca com a mão, tentando conter o riso.

- Olha, pelo menos pra uma coisa o Shino serve! - começou Kiba - Você a fez rir, esquisitão! - e soltou uma risada.

- Cale a boca.

De certo modo, as briguinhas entre os parceiros eram divertidas. Bom, pelo menos Hinata achava graça e ria. Mas sempre sabia que nenhuma dessas bobeiras se tornariam algo realmente sério. Às vezes, Kiba provocava o Aburame apenas para fazê-la rir, e Shino, que não é bobo, definitivamente, acabava respondendo, pois era por uma boa causa. Respondia apenas quando via a parceira tristonha. Isso a divertia por um momento. Shino pôde respirar, não totalmente aliviado, por um momento. Pelo menos ela pôde esquecer por um instante que sua vida agora tornarasse o início de um pesadeo sem fim.

- Au, au!

- Oi, grandão - disse a morena o chamando num gesto de mãos - Vem cá! - disse dando tapinhas na cama para que Akamaru subisse.

O cão ficou de pé sobre as patas traseiras e pôz-se a lamber as mãos e braços da garota. Como se sentisse imensas saudades dos carinhos dela.

- Ohh, - fez um biquinho fofo - que saudade desse garotão! É sim, eu tava com saudade de você. - dizia meiga enquanto massageava o pescoço peludo do cachorro, enquanto este tentava lamber sua face, mas Hinata desviava, como sempre.

- Oh, finalmente acordou, bela adormecida! - Tsunade adentrou o quarto com Shizune e Kurenai logo atrás.

A Hyuuga riscou um sorriso meigo ao vê-las e cessou os carinhos no cão, que pareceu soltar um gemido reclamão.

- Kurenai-sensei...

- Hinata... - a jounnin se aproximou - Como se sente?

- Melhor.

- Que bom, Hinata, - começou a Hokage - porque precisamos conversar um pouquinho.

Shino e Kiba perceberam que a cabeça da amiga abaixou e seu olhar tornou-se imediatamente melancólico.

- Hinata... - chamou o Aburame.

- Está tudo bem, Shino-kun. - o encarou com um sorriso - Não se preocupe comigo.

- Kiba, Shino, - chamou a sensei do time - podem nos dar licença por um minuto?

- Mas, Kurenai-sensei, eu acho que devemos ficar aqui com Hi...

- Vamos, Kiba. - disse Shino já o puxando pela manga do casaco.

- Mas...!

- Andando, Kiba. - disse o Aburame entre os dentes.

E ao deixarem o quarto, caminharam até um parte onde havia algumas cadeiras não muito afastada da porta do quarto de Hinata. Lá estavam acomodados as outras equipes. Shikamaru já dormia, mas Ino lhe deu uma cotovelada ao ver a dupla se aproximar, o fazendo acordar assustado.

- E então? - perguntou Tenten.

- Ela acordou. - respondeu Shino, simplesmente.

- Ai, - suspirou Ino - e o que ela disse?

- Disse que está bem. - respondeu Kiba.

- Vimos Tsunde-sama, Kurenai-sensei e Shizune passarem. - começou Chouji.

- Estão lá dentro com ela? - pergunta Neji se levantando.

- Sim. - responderam os dois parceiros da Hyuuga em uníssono.

- Já... disseram à ela? - pergunta Lee que, assim como os outros, pareciam anciosos pela resposta.

- Devem estar falando neste exato momento. - mal Shino respondeu ao sombrancelhudo e as atenções dos jovens foram chamadas pela porta do quarto da Hyuuga sendo aberta.

De lá saíram Tsunade, com Shizune e logo atrás vinha Kurenai apoiando Hinata, que mal conseguia manter-se de pé. Kiba correu até elas quando viu a amiga desequilibrando-se, enquanto a sensei fazia força para não deixá-la cair.

O Inuzuka, com Akamaru em seu encalço, aproximou-se e passou o braço de Hinata por seu pescoço e segurou firmemente a cintura da garota pelo lado oposto com a outra mão.

- Você está bem? - perguntou Shino num gesto que dizia a Kurenai que deixasse que levasse a parceira junto com Kiba. Kurenai afastou-se um pouco dando espaço ao aluno, que imitou Kiba.

- Si-sim... Só perdi o equilíbrio. Está tudo bem. - tentou sorri-lhes, mas sabia que não estava nada bem.

Depois da conversa com a Hokage e sua sensei, Hinata sentiu-se anormal. Estranha. Suja. Está certo que Naruto foi selado ao nascer, mas ele tornara-se um exemplo a ser seguido. Nunca poderia sentir-se sujo. Mas ela... Com Hinata era diferente. Em seu corpo corria todo o mal de Orochimaru. Agora, achava que seu corpo era algo ruim, indigno. Não tinha nada contra o selo, pelo contrário, Neji possía um. Naruto possuía um. Mas sua situação ainda era bem diferente da deles. Temia não ter escolha por seu própiro destino de agora em diante. Perguntava-se se Sasuke chegou a sentir o mesmo que ela.

- Vamos, sigam-me.

E os dois, apoaindo Hinata, seguiram a Hokage assim como os outros.

Durante o percurso, Kurenai assistia a cena entre seus alunos, e refletia:

- ''Não importa o que aconteça, Hinata. Eles estarão ao seu lado, então não desanime...''

Seguiram a Hokage até um corredor nos fins do hospital. Ela parou em frente a uma grande porta de madeira escura com alguns símbolos desenhados e, bem ao meio, havia um símbolo de Konoha mediano em vermelho. A loira fez um curto sinal de mãos e logo a grande porta se abriu, mas pelo que puderam ver, seu interior estava completamente escuro.

- Ei! - todos miram de onde vinha a voz masculina.

- Kakashi-sensei? - Naruto o mira para depois reconhecer os outros dois homens que o acompanhavam - Asuma-sensei e Gai-sensei também?

- Viemos ver como Hinata está. - começou Gai - A recepcionista nos disse que a trouxeram para cá.

- Isto é mesmo necessário, Tsunade-sama? - pergunta o Hatake - Me lembro bem do dia em que tive de selar a marca em Sasuke.

- Temo que sim, Kakashi. - responde a loira baixando o olhar, assim como a Hyuuga - Assim como com Sasuke, não devemos permitir que a marca se manisfeste pelo corpo de Hinata. É preciso.

- Seja forte, Hinata. - começou Asuma após liberar a fumaça de seu cigarro da boca - Todos estão ao seu lado.

A morena ainda apoiada pelos amigos, riscou um meigo sorriso. Por um lado, tudo estava mais fácil para ela. Em compensação, Sasuke não teve tanta sorte, pois fora marcado por Orochimaru durante a segunda fase da Prova Chunnin. Ela ainda pôde receber cuidados médicos imediatamente, o Uchiha não.

- Agora podem deixá-la comigo. - virou-se Kurenai para o trio.

- Com todo o respeito, Tsunade-sama, - começou o Aburame - deixe-nos entrar com a Hinata.

- Se eles entrarem, eu também entro. - disse Neji dando um passo à frente.

- Ah, não mesmo! - começou Tsunade antes que Konoha inteira quisesse adentrar a sala com a Hyuuga - Apenas Kurenai vai entrar com Hinata. O resto, espera aqui fora!

Kiba fez um bico e assim como Shino, contrariados, deixaram Kurenai apoiar a morena. As duas adentram a sala e a Hokage invocou um justu e logo a sala fora iluminada por velas e tochas, que revelaram a forma circular da sala.

- Pode começar, Kurenai. - virou-se a loira para deixar a sala - E boa sorte. - mirou as duas pela úlimta vez e fechou a porta, e ainda puderam ver os olhares curiosos e precupados dos jovens lá fora.

Virou-se para a aluna e começou:

- Venha. - a guiou até o centro, onde havia desenhado no chão um grande círculo com vários símbolos.

A Hyuuga soltou um gemido medroso:

- Acalme-se, Hinata. - começou a sensei a acomodando no centro do círculo, a fazendo ajoelhar-se - Vai ficar tudo bem. - sorriu-lhe - Tire a blusa.

Corada, Hinata começou a retirar a blusa branca que as enfermeiras haviam vestido nela, ficando apenas com a calça também branca. Cobriu os seios com a sua blusa, a segurando firmente.

Kurenai aproximou-se com uma tigela contendo tinta preta nas mãos. Pôz-se a desenhar alguns símbolos nas costas e pescoço da aprendiz, que já começara a tremer, medrosa.

- Calma. - começou finalizando os desenhos nas costas de Hinata - Vai ficar tudo bem... - levantou-se e pôz-se no exterior do círculo, preparando um sinal de mãos e invocou o justu.

- Urgh... - gemeu a Hyuuga - AHHHH!!

Os gritos iniciaram-se e conseqüentemente foram ouvidos do lado de fora:

- Ai, meu Deus! - exclama Ino tomando um susto.

- Hinata-sama... - sussurra Neji.

O Hyuuga aproximou-se da porta.

- Acalmam-se todos! - exclama a Hokage, autoritária - Kurenai já iniciou o processo, e não pode ser interrompida.

- Mas...!

- É doloroso, eu sei! - continuou a mulher interrompendo Kiba - Sim, ela está sentindo dor, mas é preciso.

- Entendam, todos vocês, - começou Kakashi - É para o próprio bem de Hinata.

Neji baixou a cabeça e mordeu seu lábio inferior fortemente. Aqueles gritos desesperados e dolorosos partia seu corção em mil pedaços, como vidro. Ora gemidos altos, ora gritos estridentes. Kiba socou a parede e terminou por apoiar a cabeça em sua mão fechada, e a mais um alto e fino grito, fechou os olhos fortemente. Shino afastou-se ficando de costas para outros. Sentiu a respiração dificultar-se, os olhos lacrimejarem de forma incômoda. Sakura pôz-se a chorar silenciosamente no ombro de Naruto, que fechou os olhos. Logo idealizou uma imagem. Era a voz de Sasuke que ouvira em forma de gritos de dor. Cerrou o dentes e rosnou baixo.

Kurenai ainda tinha o processo em andamento. Hinata segurava fortemente a blusa contra o peito e sentia o corpo desfalecer. A dor percorria cada centímetro de seu pesocço e se espalhava por seu corpo.

A sensei de olhos rubros finalizou o justu e ainda pôde ouvir o último grito da garota, que tinha o corpo mole, quase sem sustentação. Hinata pôz uma mão no chão e a outra continuava por cima dos seios, os escondendo com a blusa branca. Gemeu exausta, e seu suspiro fez com que seu corpo caísse um pouco para frente. Ofegava intensamente enquanto sentia a dor aliviando aos poucos. Suas pálbebras pesaram e sua visão tornava-se turva enquanto obeservou a sombra de Kurenai aproximar-se:

- Vai ficar tudo bem, Hinata...

''Vai ficar tudo bem...''

Naquele mesmo dia, muitos disseram isso à ela. Desejava mesmo poder acreditar nestas palavras tão confortáveis e amistosas. Mas no fundo, já tinha o conhecimento de que tudo já estava certo. Seu destino já havia sido escrito, talvez por um sádico, não sei dizer. Em certos momentos, ela mesma aceitava seu futuro obscuro. Como se já não fosse dona de sua própria vida.

Suas pálberas pesaram e sua visão turvou-se. Antes que seus olhos já cerrados se fechassem por completo, sua mente ainda fora capaz de gritar:

'' Não vai ficar tudo bem! ''


A noite tornavasse alta. As luzes da vila já estavam apagadas e os vagalumes já vinham brincar no laguinho do jardim do hospital de Konoha. A janela aberta tinha suas cortinas dançando ao sabor do vento daquela madrugada.

A jovem adormecida tinha a face pálida e sem vida. Kiba dormia sentado numa cadeira e com os braços cruzados sobre a cama servindo de travesseiro. Shino adomercido numa poltrona e Neji em outra. Os três estavam alheios à pertubações mentais e as batalhas internas que Hinata travava. Sozinha...

''Hinata...''

Apertou os olhos fechados.

''Não lute contra o seu destino, criança. Você me pertence...''

- Não...

''Você não se encaixa nesta vila. Eles não te querem por perto. Te chamam de inútil...''

Choramingou, aflita.

''Acha mesmo que eles se preocupam? Acha mesmo que gostam de você? Apenas não querem que a consciência os castigue mais tarde se caso abandonarem você.''

Apertou ainda mais os olhos fechados.

''Todos te consolando... Todos perto de você... Tudo uma mentira. Uma falsa amizade!''

Gemeu sendo vencida pelo desgosto e tristeza.

''Pelo menos, alguém é totalmente sincero... Uma só pessoa tem coragem de expressar o que realemnte pensa e sente por você... Seu pai.''

Mordeu o lábio infeiror fortemente e seu queixo começou a tremer. Seu coração disparou e o ar começava a lhe faltar nos pulmões.

'' Ele te acha tola... inútil... indigna do título de líder. Seu pai não se orgulha por ter lhe dado a vida. Se envergonha por apresentar ao mundo um ser tão fraco.''

A primeira e amarga lágrima rolou.

''É tempo de mudaças, pequena Hiuuga. É tempo de tornar-se poderosa e mostrar a todos seus incríveis dotes. Somente dessa forma... poderá orgulhá-lo. Dessa forma poderá orgulhar seu pai...''

Os orbes perolados abriram-se assustadoramente. Sentou-se, mas seus olhos já não podiam ser chamados de pérolas, mas sim de rubis.

Desceu da cama e seguiu em direção à porta. Deixou o quarto sem ao menos olhar para trás. Caminhou pelos corredores, que era iluminado apenas pela luz da Lua que banhava sua pele pálida. Mirava apenas seu caminho à frente, sem nenhuma expressão. Caminhou até a saída. Mirou o céu quando o som de um trovão invadiu seus ouvidos.


A chuva já começara a cair a uns minutos. Ao som de mais um trovão, o jovem desperta. Os olhos perolados miraram Shino adormercido, passando por Kiba, e ao constatar a cama vazia, desesperou-se:

- Hinata-sama?! - levantou-se e caminhou a passos extremamente largos aé o banehiro. Não estava lá. Voltou ao quarto e acordou os outros dois - Shino, Kiba! Acordem!

- Hum... - resmungou o Inuzuka pegando o travessereiro e o colocando sobre a cabeça - Que é?

- Hinata-sama sumiu!


- Sakura, tudo bem?

- Hã? - mirou a kunoichi à uns metos atrás de si - Oh, sim! Estou bem, Shizune.

- Parece tão abatida.

A rósea voltou-se a janela e continuou a assistir as gotas caírem do céu escuro. Abraçou o próprio corpo enquanto suspirou pesadamente.

- Sakura, - ouviu a voz de sua mestra, que estava sentada em sua cadeira atrás da mesa - sei que tudo isso faz lembrar Sasuke, mas entenda que...

- TSUNADE-SAMA! Hinata-sama sumiu! - exclamou a voz desesperada de Neji adentrando o escritório da loira.

- O QUÊ?! - berrou a Hokage fazendo com que a cadeira na qual estava sentada caísse no chão ao levantar-se bruscamente.

- Ela sumiu. - começou Shino - Não está no hospital!

- Já procuramos por todo o hospital. E não consegui seguir seu cheiro. Nem eu, nem Akamaru.

- Se Kiba não pôde farejá-la, ou é pela chuva, ou...

- Ou Orochimaru está començando a agir. - a Hokage interrompeu Shizune, concluindo o raciocínio de todos os presentes.

A loira voltou-se a janela, onde assistiu a chuva apertar. Um trovão sôou forte e ela virou-se para eles novamente:

- Shizune!

- Sim, Tsunade-sama!

- Convoque as equipes! Quero que percorram a vila inteira!

- Agora mesmo! - e Shizune saiu apressada.

Sakura mirou Neji, que lhe retribuiu o olhar:

- Sakura, - começou ele dando um vagaroso passo a frente, em direção à garota - Sasuke... passou por uma fase assim, não passou?

Nenhuma resposta. As lágrimas já embaçavam os orbes esmeraldinos e seus joelhos tremeram. O Hyuuga desesperou-se com o silêncio da Haruno:

- Responda.

A rósea assentiu, temerosa pela reação do gênio.

- E... o que houve depois?

Ela abaixou a cabeça e uma lágrima caiu, chegando ao piso do escritório:

- Ele se foi... - e soluçou, já em prantos, e abraçou o próprio corpo.

O Hyuuga deu alguns passos incertos em volta da sala. O transtorno o enlouqueceu por um momento. Não... Hinata não deixará a vila! Não pode.

- Vamos! - exclamou Tsunade despertando todos de seus devaneios - Hinata não pode estar longe!


O Nara parecia um raio passando entre as ruas de Konoha, desviando de um ou outro cidadão que caminhava na madrugada. Recebera a notícia e agora ia encontrar-se com os amigos para as intruções de Tsunade.

- Shika!

Não precisava virar seu rosto para reconhecer aquela voz e seu apelido:

- Não posso acreditar no que aconteceu! - disse a loira alcançando o parceiro correndo lado a lado com ele.

- Eu também não, Ino. - disse sem mirá-la.

- Hinata-chan não posso nos deixar!

E seguiram ao ponto de encontro.


- Kurenai!

A morena virou-se e reconheceu os vultos que acabavam de chegar. Kakashi, Gai e Asuma se aproximaram.

- O que fazem aqui? Tsunade-sama convocou todos os ninjas no pátio do...

- Kurenai. - a sensei pausou pelo chamado de Gai - Viemos ver como está.

- Que história é essa?! Não temos tempo para isso! - dizia enquanto passava por eles - Hinata está por aí com a idéia fixa de se unir àquele maldito! Temos que... - fora interompida por Asuma que puxou levemente seu braço a virando. Olhou de seu braço para o Sarutobi.

- Eu te entendo, Kurenai. - começou Kakashi - Você se sente sobrecarregada, não só por Hinata como por Kiba e Shino. Eles irão sofrer mais que qualquer um, e você sabe.

- Não precisa negar. - finalizou Asuma, ainda segurando o braço da mulher.

A sensei mirou os três, séria:

- Não temos tempo para isso. - disse num tom baixo e decidido, soltando-se de Asuma e começando a caminhar em direção ao pátio onde a Hokage já os esperava.

Os senseis assistiram-na se afastar, e logo seguiram pelo mesmo caminho de Kurenai. Chegaram ao pátio, que ficava em frente ao prédio do escritório da Hokage, já estava povoado por ninjas. Tsunade estava em um local elevado, de onde podia ver cada ninja.

- Uma kunoichi está desaparecida. Conhecem sua missão!

Todos ergueram suas cabeças em sinal de confiança e determinação. Com um movimento com o braço, a Hokage sinalizou seu ''Vão!'' e todos os shinnobis e kunoichis saltaram ou simplesmente sumiram em cortinas de fumaça, ou tornaram-se vultos.

- Encontrem Hinata! - os ninjas ainda puderam ouvir essa exclamação.

Sai juntou-se à Naruto, Sakura e Kakashi na entrada da vila, onde deveriam revistar primeiro. O time Asuma juntamente ao time Gai, revistaram os confis da vila. Kiba, Shino e Kurenai aguardavam instruções de Tsunade em seu escritório.

- Por quanto tempo temos que ficar aqui parados?! - berrava o Inuzuka, seguido de um latido descontente de Akamaru.

- Estamos perdendo tempo. - começou o Aburame - Se nós já estivéssemos ajudando nas buscas, cobriríamos o dobro da área das outras equipes. Tenho certeza.

- Calma, vocês dois. - disse Kurenai, já aflita - Tsunade-sama nos mandou esperar... Então vamos esperar.

- Isso é loucura... - o Inuzuka passou a dar passos incertos pela sala deslizando as mãos por seu cabelo castanho - Não pode tá acontecendo...

- Kiba... - chamou Shino.

- Já não basta o Sasuke?!

- Kiba...

- Cara, eu não tô no meu normal... É muita pressão... Eu não sei se...

- Kiba! - exclamou o Aburame em frente ao Inuzuka, sério e preocupado - Sai dessa! Eu sei que as coisas estão acontecendo rápido demais e de um jeito muito doido, mas é a Hinata! Nossa parceira, nossa amiga. Não podemos desistir dela assim!

- Agüente firme, - começou Kurenai aproximando-se - por Hinata...

O de bochechas tatuadas respirou fundo e mirou o céu sem estrelas através da grande janela. A chuva cessou e agora apenas alguns relâmpagos soavam. Fechou os olhos negros e mordeu seu lábio infeiror.

- ''O que ele fez com você?''

- Time 8! - a porta abriu-se bruscamente e a Hokage encaminhou-se até sua mesa e sentou-se na cadeira.

- Alguma notícia, Tsunade-sama?

- Ainda não, Kurenai. - respondeu - Mas as equipes já estão por toda a vila. Se Hinata ainda estiver na vila, alguém irá encontrá-la.

- Com assim ''Se Hinata ainda estiver na vila''?! - começou Kiba, irritado - Ela não pode ter saído!

- Kiba, contenha-se. - disse Shino entre os dentes.

- Não! - exclamou - Não podemos ficar aqui de braços cruzados esperando que ela se torne uma criminosa nível ''S'' como aquele maldito! Ela não é assim! - ao finalizar suas plavras, deu as costas aos presentes e dirigiu-se à porta.

- Aonde pensa que vai, Inuzuka?! - perguntou a Hokage num tom rígido.

- Eu preciso mesmo responder?!

- Kiba! - repreendeu a sensei.

- Você já está passando dos limites. - Shino aproximou-se do amigo - Pára com isso. Discutir com a Hokage-sama não tratrá Hinata de volta, então controle o seu gênio.

Kiba preparou-se para uma resposta, que por sinal saira mal educada, mas suas inteções foram interrompidas quando Shizune adentrou o escritório quase acertando a porta em Kiba:

- TSUNADE-SAMA!! TSUNADE-SAMA!!

- O que foi, mulher?! - exclama Tsunade tão surpresa quanto os outros pela entrada sufocante da jovem.

- Tsunade-sama... - fez uma pausa e respirou - acharam um rastro de Hinata!

- O quê?! - a loira levantou-se com as mãos espalmadas sobre a mesa.

- Isso mesmo! - afirmou a assistente - Um pedaço da roupa que Hinata vestia foi encontrado preso num galho de árvore, na entrada da floresta que dá para a fronteira.

- Muito bem, time 8 vocês...

Ao virar-se para o trio, a Hokage constatou que já não estavam mais ali.


Tinha as roupas molhadas, assim como seu cabelo e seu corpo. Caminhava entre as árvores calmamente, sem pressa. O olhar malígno ainda não havia desaparecido. Parecia um robô programado. Caminhava sem cessar até deixar Konoha para trás.

Imagens estranhas projetaram-se em sua mente. Atrás de uma grande colina, começava uma curta área desértica. Depois dele, havia um paraíso verde e glorioso. Um rio, de azul delirante, cortava o desenho constantemente verde. E ao topo de uma colina verdejante, pôde ver uma enorme mansão, maior que a dos Hyuuga.

As imagens cessaram. Já sabia aonde ir e não perderia tempo em sair da vila para chegar ao seu destino.

Hinata mirou o céu sem estrelas. Podia ouvir os relâmpagos fracos vindos do céu. A Lua queria sair, mas era tímida e medrosa demais para tomar o espaço ocupado pelas grossas e escuras nuvens.

- Hinata-sama!

Tremeu e ficou estática. Virou o rosto lentamente para seu olhar vermelho encontrar o olhar preocupado do primo.

- Não vá! Não cometa o mesmo erro que Sasuke cometeu!

- Erro? - tombou a cabeça.

- Sim. Um erro fatal que nos custou muito. Á todos nós!

- Não, Nii-san...

Uma expressão confusa, e ao mesmo tempo preocupada se fez na face do Hyuuga.

- Agora entendo o que o Uchiha-san sentiu ao receber a marca da maldição.

Neji estranhou o tom de voz suspeitamente decidido da prima. Algo muito errado estava acontecendo e ele sentia, não era nada bom.

- Ele tinha um propósito. Um objetivo pelo qual vivia, crescia e amadurecia. Algo que o motivava a viver e aprender. Mas mesmo com todo esse valor dentro si, era inútil. Não tinha como cumprir com seu destino sem poder. Mas depois da marca... - riscou um sorriso em seus lábios, incrivelmente doentío, enquanto dava as costas ao primo - Tudo mudou para ele. E tudo vai mudar para mim, porque... - virou-se novamente para encará-lo e Neji pôde ver as marcas espalharem-se pelo rosto da prima e os desenhos que se formavam, lembravam flores - Porque nós somos iguais.

As perólas já eram visívies nos olhos da Hyuuga. Isso significava que era Hinata quem estava falando, não a marca.

O Hyuuga arregalou os olhos, pasmo. Não podia estar acontecendo o que ele mais temia:

- Hinata-sama, você está... totalmente fora de si. Não pode estar falando sério.

- Neji-nii-san, será que não entende?! - sorriu, amedrontando o primo - Agora posso me tornar o que o Clã Hyuuga precisa. Vou poder me tornar uma líder digna, de verdade. Poderei finalmente... orgulhar meu pai.

- Não diga essas bobagens! - esbravejou - Não será dessa maneira que conseguirá o que deseja, Hinata-sama! Se seguir pelo caminho que Orochimaru quer, irá se arrepender futuramente, e sabe disso! - exclamava enquanto caminhava em direção à prima.

A pele da Hyuuga foi sendo tingida por flores negras num desenho perfeito e detalhado.

- Venha comigo, Hinata-sama. - começou Neji pegando a mão da prima - Vamos falar com a Hokge antes que essas marcas...

- Não! - Hinata soltou-se dele e se afastou - Não vou a lugar algum com você!

Neji a encarou surpreso.

- Não, Neji-nii-san! Ninguém pode me ajudar, só Orochimaru!

- Nunca mais repita isso!

Os Hyuugas miraram as árvores de onde vinha a voz:

- Naruto?!

- Neji! - Tenten e Lee chegavam com Naruto e os outros.

- Essa não é você, Hinata! - continuou o Uzumaki, se aproximando - Mesmo que essa idéia idota fique na sua cabeça, não permitirei que se una à ele, tô certo!

- Você não precisa ser má para se tornar mais forte, Hinata-chan. - começou Sakura - Não queremos te perder como... - baixou o olhar trisonho, e logo voltou a mirar a amiga - Como perdermos Sasuke-kun...

Hinata balançou a cabeça negativamente. Em sua mente confusa, seus amigos não a queriam por perto por ser fraca, inútil. Por mais que demonstrassem afeto, para ela, os sentimentos dos amigos para com ela não passavam de piedade. Mas uma parte em seu interior acreditava que aqueles jovens com os quais cresceu, sempre estariam ali para ajudá-la a escolher o caminho certo. Porém sua mente bagunçada insitia em acreditar que seu futuro dependia das lições que Orochimaru iria dar à ela.

- Vocês não entendem... - começou ela - Nunca entederam e NUNCA vão me entender! - virou-se e pôz-se a correr, tendo seus amigos atrás de si.

- Pare, Hinata! - exclamou Shikamaru - Não pode fugir de nós!

- Eu posso, se eu tentar! - neste momento a garota parou, fazendo com que os outros também parassem. As marcas em seu rosto espalharam-se por todo seu corpo, enquanto uma chama arroxeada envolvia seu corpo. - O que... está acontecendo comigo? - mirou as própias mãos, as quais estavam tingidas pelas flores negras.

- Não... - Sakura deu alguns passos incertos para trás - De novo não... - balançava suavemente a cabeça negativamente com a voz embargada pelo choro.

- Sakura, não é hora para isso! - Ino ficou de frente para a rósea a balançando pelos ombros - Reage!

- Hinata, mantenha o controle! - exclama Lee.

A Hyuuga suspirou enquanto um sorriso formava-se em seus lábios. Sentia os poderes nasceram dentro de si, e gostava daquela sensação.

- Me sinto diferente... - mirou os amigos, estavam estáticos. Já que aquela cena lembrava outra. Quando os poderes da marca começaram a pertubar e modificar a mente de Sasuke.

- Hinata!

Os olhares dirigiram-se até uns metros à frente, onde surgiram o restante da equipe 8:

- Mantenha o controle! Use o selo. - exclamava Kurenai - Se não partir de você, a marca tomará conta do seu corpo e de sua mente.

- Não! - exclamou - Não quero que pare. Preciso desse poder!

- Você não precisa de nada que venha daquele desgraçado! - berrou Kiba, tão nervoso quanto os outros. Hinata já começara a se entregar à maldição, redendo-se completamente.

- Ele não pode te dominar se você não se deixar dominar. - exclamou Shino.

As vozes de seus amigos ecoavam por sua mente. Mas ao mesmo tempo, outra voz suave, porém gelada e firme, a confundia. Seus amigos a faziam recuar, enquanto a voz a fazia seguir em frente. Tudo se misturava dentro de sua cabeça. Muitas vozes. Pouco controle. Faça isso, Hinata... Faça aquilo, Hinata... Em quem acreditar?! A quem seguir?! O que é certo?! O que é melhor?! O que fazer?! Controle! Onde está o controle?! Ela precisava sair dali. Mas para onde?! Voltaria para a vila com seus amigos ou seguiria em frente como a voz lhe mandava?!

- Parem... - tapou os ouvidos enquanto balançava a cabeça negativamente - Por favor... Me deixem em paz! PAREM!

Junto a seu grito, vieram as dores no pescoço, viajando por todo o corpo, e concentrando-se em suas costas, onde uma dor aguda iniciou-se. As flores negras tatuaram completamente seu corpo.

- AHH! - caiu sobre os joelhos.

- Hinata-sama! - Neji ajoelhou-se ao seu lado pegando em sua mão.

- Nii-san... - virou o rosto para o primo, que pôde ver as lágrimas enxarcarem a face sofrida da prima - Não... consigo manter... - gemeu alto, a dor era insuportável - o CONTROLE!

Neste útimo grito, algo estranho rasgou a roupa branca na parte das costas da Hyuuga. Duas asas de penas negras nasceram de suas costas, golpeando Neji e o lançando para longe.

- O que é isso?! - Tenten exclamou afastando-se assim como os outros.

Sakura virou-se para Naruto e constatou seu choque:

- Naruto? - pôz-se à frente do loiro, que tinha o olhar fixo em Hinata, que gemia de dor e susto - Naruto!

Neste momento, Naruto não via absolutamente nada. Sua mente era capaz de processar apenas uma lembrança: a transformação de Sasuke. Não via Hinata. Via Sasuke. As asas de Hinata lembravam um anjo negro, havia até um tom de beleza em sua transformação. Mas a de Sasuke, era pura maldade. Como se ele fosse o mais terrível dos demônios.

- Não...

- Naruto? - chamou Sakura.

- Hinata, não. - e começou a caminhar em direção à Hinata.

Os olhares seguiram o Uzumaki, que se aproximava. A Hyuuga chorava e se encolhia. Mirou o loiro, e este pôde contemplar novamente os olhos cor de sangue. Mas dessa vez, eles não transmitiam crueldade, ou qualquer outro sentimento ruim. Não. Transmitiam medo. Insegurança. Constrangimento. Carência. Confusão. E as lágrimas não cessavam.

Ajoelhou-se em frente à Hinata e passou a mirá-la. A garota afastou-se um pouco e se encolheu, escondendo seu corpo com as enormes asas negras.

Era diferente...

Não era como fora com Sasuke. Definitivamente não!

Era Hinata...

A garota mais doce que conhecera.

Não era Sasuke...

Era Hinata...

Num movimento rápido, Naruto a abraçou. E por impulso, as asas negras da garota afastaram-se de seu corpo, ficando eriçadas. Praticamente esticadas para o alto. Os orbes vermelhos arregalaram-se, assim como os outros orbes de seus outros amigos. Naruto a aconchegou em seus braços, e docemente, conduziu a cabeça dela com uma mão até seu peito para repousá-la. Fechou os olhos azuis e lembrou-se do amigo Uchiha.

Aos poucos, Neji e os outros puderam ver as asas de Hinata retornarem às suas costas, e quando finalmente as pontas sumiram na pele alva, as roupas rasgadas exibiram parte da pele delicada das costas da Hyuuga. Finalmente, as pérolas expulsaram o vermelho sangue dos orbes da garota, que fechou os olhos ao retribuir ao abraço de Naruto. Este riscou um doce sorriso.

O Uzumaki a afastou depois de alguns instantes e a mirou nos olhos:

- Sasuke se foi... Mas não permitirei que você vá, Hinata.

- O-obrigada, Naruto-kun... - desmanchou-se em lágrimas, mas dessa vez não eram lágrimas amargas de dor, e sim lágrimas felizes.

- Hinata...

A garota virou seu rosto e viu Kiba, que tinha na face uma expressão feliz e aliviada, porém ela pôde reconhecer um traço ciumento.

- Kiba-kun... - olhou para seu lado - Shino-kun...

- É você... - sorriu o Inuzuka - Agora é mesmo você! - ajoelhou-se praticamente se jogando no chão e a abraçou forte.

O Aburame suspirou baixo, aliviado. Seria capaz de sorrir, mas ainda era um Aburame, apesar de seu coração aliviado estar explodindo de felicidade por ter a certeza de que a companheira não iria a lugar algum.

- Au, au! - Akamaru aproximou-se e lambeu a face enxarcada de lágrimas de Hinata, arrancando-lhe risadinhas, e o cão pôde sentir o gostinho salgado das lágrimas.

- Ahh, você tá bem! - Ino infiltrou-se na mini multidão que se formou em volta da Hyuuga e a abraçou, libertando Hinata de Kiba e Akamaru, porém a aprisionando em seus próprios braços.

Passando por despercebido, Naruto afastou-se e deixou que Hinata fosse paparicada por todos os amigos que tanto se preocuparam com ela. Notou que Sakura também estava entretida com toda aquela bagunça. Mas ela cessou por um momento e dirigiu seu olhar esmeraldino ao Uzumaki. Riscou um lindo sorriso, e ele pôde fazer a leitura labial da rósea: ''Obrigada.'' Lhe retribuiu o sorriso e viu a Haruno direcionar sua atenção novamente à bagunça a qual Hinata era motivo.

- Naruto.

O azul satisfeito e divertido encontrou o perolado, sem expressão alguma, como sempre:

- Neji? Não vai ficar com a sua pri...

- Obrigado.

O louro arregalou um pouco os olhos.

- Acho que... se não você por você... Hinata-sama teria... - mordeu seu lábio inferior e baixou a cabeça.

- Relaxa, cara.

O Hyuuga o mirou e viu aquele sorrisão típico e animador:

- Sasuke também ganhou asas. E quando as ganhou, aquele idiota voôu. Agora que Hinata ganhou as suas próprias asas, não permitirei que voe pra longe de casa. - finalizou riscando um sorriso meigo enquanto pensava em Hinata.

Seus orbes perolados arregalados deram espaço a um sorriso riscado.

- Você não existe. - arqueou uma sombrancelha sem perder o sorriso.

Naruto cruzou os braços atrás da cabeça e abriu outro de seus belos e grandes sorrisos.

Os dois rapazes agora passaram a fitar a pequena multidão de jovens em cima de Hinata, que neste momento estava ''afogando-se'' na baba de Akamaru, que a lambia alegremente.


A loira jogou-se em sua cadeira almofadada em frente à mesa repleta de papéis que deviam estar sendo assinados. Finalmente pôde relaxar depois de horas de estresse.

- Tsunade-sama! - a Hokage encolheu os ombros e fechou os olhos em sinal de irritação ao ouvir essa voz - Esses papéis não serão assinados sozinhos! Trate de trabalhar!

- Shizune, - começou a loira abrindo os olhos e vendo a aprendiz fechar a porta atrás de si - não me venha com suas exigências! Não agora! Finalmente está tudo sob controle e eu mereço e QUERO relaxar um pouco.

- O fato de Hinata-san estar em seu quarto sã e salva, não quer dizer que a Hokage possa tirar férias e beber sakê à vontade. Então, Tsunade-sama, por favor... - Shizune já pegava uma caneta que estava em cima da mesa e a estendia à mais velha.

- Sakê... - Tsunade pareceu contemplar o nada por uns instantes - Boa idéia! - e levantou-se dirigindo-se à porta.

- Ah, Tsunade-sama, volte... - a porta bateu - aqui.


- Kiba-kun, - começou a Hyuuga com sua voz abafada enquanto era sufocada pelo grosso cobertor que Kiba estendia sobre ela - assim não consigo respirar.

- Oh! - o Inuzuka tirou o cobertor de cima do rosto da amiga - Foi mal, Hinata.

O sorriso ''Sem problemas'' da garota riscou-se em seus lábios e o Inuzuka retribuiu.

- Nem está tão frio para cobrí-la com um cobertor tão grosso, Kiba. - começou Shino aproximando-se da cama com Akamaru atrás de si.

O cão subiu nas duas patas traseiras, apoiando as patas dianteiras na cama e pousando a cabeça sobre o ventre de Hinata.

- Que foi? - a garota sentou-se sobre a cama acariciando a cabeça do cachorro, que lhe parecia desanimado - Por que você está tão amoadinho, hein?

Akamaru gemeu e Hinata lhe beijou o focinho.

O trio ouviu batidas na porta:

- Entra! - berrou Kiba.

- Nii-san! - Hinata abriu um lindo sorriso.

Neji adentrou o quarto com sua típica face inexpressiva.

- E aí, Neji! - cumprimentou Kiba com seu jeito escandaloso.

O Hyuuga mirou a prima debaixo do cobertor:

- Vocês querem matá-la? - perguntou.

- Eu estou bem, Neji-nii-san. - começou a Hyuuga - Kiba-kun e Shino-kun estão c-cuidando bem de mim...

- É isso aí! - o de bochehcas tatuadas sorriu largamente.

- Vocês dois me dão licença para conversar um minuto com a Hinata-sama?

- Ah, Neji, você muito egoísta! - Kiba fechou a cara - Quer a Hina-chan só pra você, né espertalhão?!

- Ah, não fala besteira. - disse simplesmente o Hyuuga.

- Vem, Kiba... - suspirou o Aburame já abrindo a porta.

Kiba fez um bico, que arrancou um sorriso divertido de Hinata, e assoviou chamando seu cão, que logo lhe seguiu porta a fora.

Neji direcionou seu olhar até a prima, que riscou um sorriso. Aproximou-se timidamente da cama e sentou-se na beirada, ficando de frente para a prima, mas ainda não a encarava diretamente:

- Você está bem?

- Sim, Nii-san. M-me sinto ótima. - respondeu calmente tentando parecer emocionalmente tranqüila.

O rapaz apertou os lábios e os libertou no momento em que também libertou o ar de seus pulmões.

- Hinata-sama, eu... - hesitou, e a garota pôde notar que a irritação o tomava aos poucos - Eu não sei por onde começar a me desculpar por tudo que...

- Neji-nii-san. - chamou, com sua voz baixa e melodiosa que Neji tanto gostava de ouvir - Não é culpa sua.

- Não precisa fingir que não me culpa. - levantou-se, visivelmente nervoso - Todos me culpam, eu tenho certeza disso!

- Não f-faz idéia do quanto s-suas palavras estão s-sendo... tolas, Neji-nii-san!

O Hyuuga ficou de costas para a prima, mirando o céu estrelado da madrugada. Hinata tinha em sua expressão, incredulidade. Seu primo não era este em sua frente.

- A-acha que sou assim tão... fraca?

Neji voltou-se para a prima. As lágrimas brotando, mas ela não as deixaria rolar. Não mesmo!

- O quê?

- Não se faça de desentendido! - exclamou sem gaguejar, surpreendendo o rapaz.

Por um momento, Hinata sentiu seu primo intimidar-se, como se realmente tocasse uma ferida dele.

O silêncio predominou por uns poucos instantes, até que Neji voltou a si:

- Refere-se ao que ouviu de seu pai?

- Não tem nada a ver com meu pai. - disse com o maxilar rígido - Eu sei exatamente o que ele pensa de mim. E agora eu quero saber o você pensa de mim.

- Está sendo injusta comigo.

- Não estou, não. Apenas te fiz uma pergunta, Nii-san. E gostaria que me respondesse. - quanto mais Hinata não gaguejava, mais estava claro que aquela conversa era muito séria para ela.

- Eu nunca te achei fraca.

- E antes da prova Chunnin?

- Por Deus, Hinata-sama, convivi com uma mentira até a prova Chunnin. Eu era cego antes disso tudo! - virou-se por impulso.

- Então confessa que me achava fraca?!

- Sim! - voltou a encará-la, nervoso - Satisfeita? Eu te achava o ser mais inútil da face da Terra. Era isso que queria ouvir, Hinata-sama, hein? Pois bem. Agora você, assim como os outros, sabem que mudei. Mudei completamente meus conceitos sobre você e as outras pessoas. Eu finalmente consegui enxergar que o tempo todo, o fraco fui eu!

A Hyuuga ouviu tudo, em silêncio. Tudo que Neji guardou por todos esses anos, estava saindo de sua boca sem pausas ou interrupções. Por um lado, Hinata sentia-se satisfeita de certo modo, pois finalmente seu primo esvaziava seu coração de todas as frustrações. E ela ficava feliz com o fato de Neji contar tudo isso à ela.

O Hyuuga deixou um breve riso escapar:

- Não acredito que joguei tudo isso em cima de você. - sacudiu a cabeça negativamente - Eu sou um idota.

- Não, Nii-san. - ela sorriu, meiga e compreenssiva - Finalmente sua dor se foi. Sente-se aliviado?

- Pior que sim. - admitiu - Mas não deveria ter lhe contado isso tudo. Não está certo.

- Por quê não?

Ele riscou um sorriso torto e belo:

- Você não entenderia.

- Se me explicasse... - fez uma cara fofa de interesse reprimido.

- Não. - disse firme - Não hoje. Você precisa descansar.

A garota fez um beicinho e Neji riu baixinho e brevemente. Gostava muito das conversas que tinha com a prima, pois ela era a única que o fazia rir das coisas mais banais e infantis.

Toc-toc.

- Entra. - disseram juntos.

A cabeça de Tenten surgiu da brecha da porta:

- Tem alguém aqui querendo ver você. - a de coques praticamente cantarolando enquanto abria mais a porta e os dois Hyuuga reconheceram o par de olhos perolados.

- Hanabi!

- Nee-chan! - exclamou enquanto disparou na frente de Tenten e jogou-se na cama em cima da irmã.

- Cuidado, Hanabi. - disse Neji enquanto a mais nova enforcava a irmã mais velha - Sua irmã ainda está fraca.

- Desculpe. - a pequena Hyuuga desculpou-se forjando bons modos. Sorriu maliciosamente para a irmã e se atirou em seus braços. - Nee-chan! Como senti sua falta! Ah, eu estava tão preocupada com você!

Neji revirou os olhos e riscou um sorrido fraco enquanto Tenten colocava-se ao seu lado.

- Eu estou bem, Nee-chan. - disse Hinata afagando os cabelos castanhos da irmã - Estou muito feliz em te ver.

- Ai, Nee-chan, você tem que sair desse hospital. - dizia a pequena enquanto sua expressão ficava divertidamente séria - Isso não é lugar pra você. - finalizou com uma careta - Fique boa logo! E é uma ordem, Nee-chan! - disse mostrando-lhe o dedo indicador.

- Sim, senhora!

Neji e Tenten deixavam o quarto enquanto ainda ouviam as risadas divertidas entre as duas. No lado de fora, a Mitsashi começou:

- Tá melhor?

- Ela está se sentindo bem. - respondeu simplesmete ainda sem mirar a amiga.

- Você está melhor?

O Hyuuga a fitou confuso e a viu arquear uma sombrancelha.

- Eu estou ótimo. - respondeu ainda confuso e franzindo a testa.

Tenten soltou uma risada e permaneceu com seu sorriso sugestivo:

- O que Hinata não faz com você, Neji...

- Hã? - perguntou incrédulo, mas muito mais confuso do que incrédulo. Ficou com a boca aberta por uns instantes.

- Neji, seu safadinho, primo com prima não pode.

- Você bebeu? - perguntou ele baixando a cabeça na altura dos olhos chocolate e os encarou.

- Não, bobinho. - ela sorriu e o empurrou de leve - Eu sei que a Hinata é muito especial pra você. E eu disse, muito especial, mesmo. - ela fez questão de enfatizar o ''muito''.

- Ihh, o Lee andou contando aquelas histórias doidas pra você outra vez, né? - resmungou enquanto andava a deixando pra trás.

- Ai, Neji! Deixa de ser bobo. Pra mim você pode contar, sabe disso. - garantiu enquanto o seguia.

- Tenten, eu tô começando a ficar preocupado com você, garota. Eu tô falando sério. - com os parceiros, ele sentia que podia ser um pouco mais relaxado em seu modo de falar.

- Você não vai me contar nada mesmo, não é? - parou colocando as mãos na cintura e fechando a cara.

Neji virou-se:

- Não. - forjou o tom de voz da amiga - Se eu tivesse alguma coisa pra contar, eu contaria, mas não tem. - finalizou rindo da cara amarrada de Tenten.

- Sem graça.

- Insistente.

- Chato.

- Inconveniente.

- Irritante.

- Mala.

- Mala, não! - prostestou ela.

- Mala, sim. Uma mala sem alsa!

A cara amarrada de Tenten o fez rir, e os dois nem notaram que Hanabi se aproximava.

- Ei, Neji-nii-san, a Nee-chan quer falar com você!

- Já estou indo, Hanabi. - sua expressão vazia voltou a sua face.

Hanabi sorriu para Tenten e saiu logo em seguida. O Hyuuga mirou a amiga, que riscou um sorriso malicioso.

- Sai dessa, Tenten. - disse simplesmente e pôz-se a caminhar de volta ao quarto de Hinata.

Ele bufou antes de abrir a porta e pensar no quanto a parceira de equipe havia enlouquecido de uns tempos para cá.

- Hinata-sama?

- Entre, Nii-san.

Ela o esperou acomodar-se na beirada de sua cama:

- Pode me fazer um favor?

- Depende. - respondeu sinceramente, arqueando uma sombrancelha.

- Não deixe que Hanabi venha aqui me ver outra vez.

Neji estranhou o pedido, e não se conteve:

- Por quê, não?

- Não quero que ela me veja assim. Não é esse tipo de lembrança que ele deve ter da irmã mais velha.

- Parece que quem está em minha frente me dizendio isto é Hiashi-sama, não você.

Ela baixou o olhar, não era triste, mas sim, pensativo e ao mesmo tempo alterado.

- Não pense que quero seguir meu pai em todos os aspectos.

- Nunca pensei assim.

- Mas em compensação, - ela sorriu, deixando um breve riso escapar - você tem sortre.

- Eu?

- Sim, e muita. - ela o fitou intesamente seus olhos - Você sim pode seguir seu pai em todos aspectos. Por que ele sim é um exemplo a ser seguido.

Neji sorriu. Hinata o considerava sortudo, e graças a seu pai.

- Se não for muito possessivo, - ela começou, divertida - eu também quero seguir o exemplo dele. Você deixa, Neji-nii-san? - finalizou com um de seus sorrisos meigos e avassaladores.

- Claro. - ele sorriu também.

BUM!

O estrondo ao longe fez com que as cabeças deles mirassem, por instinto, a janela.

- O que foi isso? - Hinata perguntou enquanto Neji levantava-se e caminhava até a janela.

O Hyuuga olhou através da janela e viu uma nuvem negra de fumaça ao norte.

- NEJI! - a porta abriu-se bruscamente e Lee surgiu dela.

- Lee?! O que houve?

- Uma explosão na entrada da vila. - respondeu ofegante. Sem dúvidas, ele havia corrido muito para avisar Neji.

- Invasores? - a voz de Hinata era a mais baixa.

Lee lançou seu olhar de Hinata para Neji.

- Provavelmente. - disse enquanto soltou o ar dos pulmões - Tsunade-sama me mandou chamá-lo, Neji. Precisam de você lá.

O Hyuuga mirou a prima. Não podia deixá-la ali sozinha.

- Não posso. Não vou deixá-la sozinha. Se alguém chegar até aqui?

- Ora, Nii-san, eu vou ficar bem.

- Neji, Tsunade-sama precisa de você.

Contrariado, o Hyuuga suspirou.

- Não saia do quarto, entendeu? - advertiu enquanto encaminhava-se a porta.

- Não sairei. - prometeu ela, com um sorriso tranquilizador.

Lee e Neji sairam.


A entrada da vila era o próprio caos!

Corpos e sangue marcavam a intensa batalha. Tsunade encontrava-se à frente, derrubando quantos invasores pudesse. As equipes Gai, Asuma, Kakashi, e parte da equipe Kurenai davam tudo de si, assim como os outros ninjas.

- Parece que quanto mais invasores são destruídos, mais surgem! - reclamou Lee.

Aquela era uma situação difícil, e incrivelmente suspeita. Tsunade tentava buscar uma resposta para suas perguntas enquanto finalizava seus golpes. Quem mandou esses invasores? Por quê estavam atacando? Algo estava muito errado, e a Hokage estava se irritando.


Curiosa, a Hyuuga caminhou até a janela e ativou o Byakugan, na esperança de assistir à batalha. Primeiro, foi como uma agulhada em seus olhos. Depois a marca ardeu, queimou intensamente. Suas pernas bambearam e ela jogou-se contra o parapeito, tentando manter-se firme. Seu corpo deslizou e ela sentou-se no chão. Até o Byakugan fora afetado. Ela estava assutada. Levantou-se e voltou para a cama.

Hinata deitou-se, aconchegando-se debaixo do cobertor. Fechou os olhos, tentando relaxar e pensar.

Tudo aconteceu tão depressa. Por quê com ela?

Apertou os olhos enquanto mordia seu lábio infeiror. Levou a mão até seu pescoço.

- Por quê? - sussurrou.

- Você poderá descobrir...

Aquela voz...

Não pode ser!

A Hyuuga virou-se enquanto levantava-se rapidamente na cama, mirando em direção á janela. Lá estava ele.

- Se vier comigo. - o sorriso riscado naquele belo, porém malicioso rosto, fazia sua coluna gelar.

O queixo de Hinata começou a tremer, assim como o resto de seu corpo. O ar acumulado soltou-se de seus pulmões num suspiro desesperado quando ele se aproximou da cama. Soltou um gemido apavorado quando sentiu aquela mão gelada acariciar seu rosto novamente.

- V-você? - gaguejou, congelada.

- Sim, minha querida. - disse, ainda sorrindo - Vim buscar você.

Neste momento, seu sangue cessou sua corrida em suas veias, ela pôde sentir. Seu estômago deu um salto e sua garganta secou.

- B-buscar?

- Claro. Achou mesmo que ia deixá-la aqui depois disto? - ele acariciou o pescoço dela, no local onde a marca tatuava a pele da Hyuuga.

Era realmente impressionante como uma voz tão melodiosa quanto a de Orochimaru podia desencadear e acumular tanto pânico em seu peito.

Ele se afastou, indo em direção à janela. Sorriu ao som de mais uma explosão. Logo, Hinata entendeu tudo.

- São... seus s-subordinados.

- Bela distração, não acha? - virou-se para mirá-la - Essa confusão toda é por sua causa, pequena.

As pérolas arregalaram-se.

- Isso mesmo, Hinata. - virou-se completamente em sua direção - Neste exato momento, seus amiguinhos e sua Hokage estão morrendo tentando evitar que minhas crianças invadam a vila.

As lágrimas queimaram em seus olhos. Tudo estava claro para ela agora.

- Sei o que está pensando, criança. - ela o encarou, e a primeira lágrima rolou - Só depende de você agora. - aproximou-se, enquanto ela desviou involuntariamente seu olhar do dele, atordoada - Ou você vem comigo, ou sua querida Konoha estará fadada ao esquecimento pelos próximos anos.

Fechou os olhos por um momento e imaginou sua vila destruída. Eu não valho tudo isso, pensava. Não poderia permitir a morte de tantas pessoas. Ela odiava quando as situações mais difíceis ficavam em suas mãos.

- E o que me diz, querida?

- J-jure que não irá m-machucar ninguém.

- Tem a minha palavra de Sannin.

Como se ela confiasse na palavra de um maníaco sádico como ele.

Orochimaru estranhou e se divertiu com o silêncio por parte dela:

- O que foi? - começou, sarcástico - Não confia em mim? - riu.

Não obteve uma resposta com palavras de Hinata, e sim uma expressão raivosa enfeitada com lágrimas.

- Pequena... - o Sannin segurou o rosto alvo e raivoso da Hyuuga - Que tal pensar positivo de agora em diante, hã? Pense que seu futuro será muito mais glorioso do que seria se ficasse neste vila, brincando de ser ninja. - com um rosnado, Hinata livrou seu rosto da mão gelada dele - Ou, - capturou o rosto dela novamente de forma bruta - se preferir, podemos fazer de um jeito que não me agradaria, de verdade.

O aperto em seu queixo fez com que as lágrimas desobedientes rolassem, para o divertimento de Orochimaru.

- Um de meus subordinados estará à sua espera à meia noite de amanhã na entrada da floresta. - explicou enquanto caminhava em direção à janela - Vê como sou bondoso em deixá-la desperdir-se de seus amiguinhos? - riu ao virar-se e conferir a expressão revoltada da Hyuuga - Não se atrase.

Neste momento a porta se abriu e automaticamente seu olhar direcionou-se à ela e Akamaru adentrou o quarto latindo escâdaloso.

- Akamaru?

O cachorro a ignorou e correu até a janela. Hinata o seguiu com os olhos e pôde ver que não havia ninguém. O cão pôz-se sobre as duas patas traseiras e apoiou as dianteiras no peitoril da janela, ainda latindo, agressivo.

A garota teve um sobressalto ao ouvir os chamados de Kiba pelo companheiro de quatro patas no corredor. Respirou fundo e ajeitou seus cabelos e sua franja. Enxugou as lágrimas de modo tão desesperado que acabou arranhando de leve sua bochecha. Endireitou-se na cama enquanto Kiba surgia na porta.

- Ei, Akamaru! - adentrou o quarto indo em direção ao cão que ainda lhe parecia desesperado - Que foi? - agaichou-se ao lado dele massageando seu pescoço peludo, ele pausou os latidos, mas logo recomeçou.

- K-kiba-kun... está t-tudo bem? - ela tentou parecer natural, mas não obeteve sucesso.

- É o Akamaru. Parece que sentiu alguma coisa. Alguma coisa ruim.

Ela estremeceu enquanto sua garganta secou novamente. Sem dúvida Akamaru sentiu a presença de Orochimaru e fora por este motivo que correu tão rápido. A garota teve vontade de chorar por saber que Akamaru estava preocupado e tentava protegê-la.

- Kiba, o que houve?

Shino adentrou o quarto. Neste momento a Hyuuga sentiu medo. E se Kiba entendesse o que o cão dissesse? O Inuzuka contaria para o Aburame e ambos ficariam desconfiados. Então ela não poderia sair da vila pois eles não a deixariam sozinha nem por um segundo sequer. Seu consciente trabalhou rápido e resolveu que o melhor a fazer era mudar rapidamente de assunto sem que percebessem. Analisou atentamente as roupas dos companheiros e notou que estavam sujas e com manchas de sangue.

- Os... invasores já f-foram derrotados? - sua voz saiu fraca.

- Rá, os covardes saíram correndo como coelhos assutados! - disse Kiba convencido, sorriu mostrando seus dentes brancos e seus caninos afiados.

O ar saiu de seus pulmões num suspiro aliviado. Ele honrou o combinado.

- Estranho.

Hinata estremeceu. Era óbvio que Shino desconfiaria, ela o conhecia muito bem e sabia que este fato o indrigaria. E o que mais a preocupava era o fato de ele sempre desvendar os mistérios com os quais se comprometia pessoalmente. Não que achasse Kiba um verdadeiro asno, pelo contrário. Ele era esperto até demias, mas certos detalhes não eram tão atraentes para ele como eram para o Aburame.

Ela sentia-se completa por conhecer tão bem a personalidade de seus amigos. Não só a de seus companheiros, mas também de todos os outros. Pelo menos, a mémoria de cada um deles a confortaria um pouco enquanto estivesse longe deles.

A madrugada já havia se iniciado à muito tempo, e Kiba e Shino, depois de muita insistência por parte de Hinata, retornaram aos seus clãs para um bom e demorado banho, e um descanço mais do que merecido.

Naquela noite, Hinata dormiria sozinha. Seus amigos estavam cansados, e confusos, depois do ataque surpresa de poucas horas antes. Ela queria ter o poder de fazer com que todos esquecessem esta batalha, mas o máximo que poderia fazer, era mudar de assunto ao longo do dia posterior.

Amanhã será o último dia que os verá.

O último dia. E não tinha como saber quando os veria novamente.

Ela faria questão de na manhã seguinte analisar cada parte do corpo e do rosto deles, para gravá-los em sua mente e coração. Sorriu ao pensar neles. Ino e Sakura com suas briguinhas infernais e fúteis. Tenten equilibrando a pressão entre Lee e Neji quando necessário. Chouji, comilão e carinhoso. A vida cada vez mais problemática para Shikamaru. A perseverança intáquita e eterna de Naruto. O aprendizado desengonçado de Sai sobre os sentimentos humanos, que por sinal, já dava resultados; hilários, mas de coração, ela podia sentir que eram verdadeiros. Gaara cada vez mais amistoso, segundo seu desejo. Kankurou tornando-se cada vez mais respeitável e digno. Temari tornava-se rapidamente uma kunoichi, que no futuro, seria conhecida como uma das menlhores que já pisou na Terra. Sem falar em como os senseis estavam mais orgulhosos a cada dia. Por último, mas com certeza não menos importantes, estavam Shino, Kiba e Akamaru. Os anos mais felizes, sem dúvidas, ela viveu ao lados deles. Neji, seu protetor, seu primo, seu amigo. Ele seria a pessoa que mais sofreria com a ausência de Hinata.

Como doía pensar que traria sofrimento e desepero às pesosas que mais amava.

E Hanabi?

As lágrimas que brotaram ao pensar nos amigos, rolaram teimosas ao lembrar-se da irmã. Tentou buscar conforto no fato de ter visto seu rostinho a um tempo atrás.

Por incrível que pareça, admitiu ao seu orgulho fraco que sentiria a falta do pai. Hiashi sempre seria seu pai, e nunca mentiria sua felicidade por isso.

Quando seu choro já não tinha como machucar ainda mais seu coração, de tanto que tentou conter seus soluços, ela adormeceu, exausta.


O dia amanheceu animado. Ino, Tenten e Sakura apareceram logo cedo e, na hora do almoço, comeram com Hinata na lanchonete do hospital. Bateram altos papos femininos. Meninos, roupas, cabelo. Risadinhas e gargalhadas alteradas, que de vez em quando chamavam a atenção, foram distrações perfeitas.

Depois do almoço, ela recebera a visita de Tsunade, Shizune e os senseis. Hanabi apareceu logo depois, mas teve de voltar cedo para casa pois treinaria com Hiashi.

De tardinha, as meninas retornaram com os meninos. Como Hinata já podia andar livremente pelas dependências do hospital, e seu quarto não comportava tanta gente, eles ficaram sentados sob a sombra do imenso carvalho nos fundos do hospital. Akamaru veio deitar ao seu lado e repousar a cabeça no colo de Hinata, sobre suas pernas cruzadas na posição de índio. Afagava-lhe as orelhas grandes e peludas com carinho, e ele quase adormecera algumas vezes. Neji reclamou algumas vezes por causa do pêlo do cão, criando uma discussão com Kiba, que gerou risos e a participação hilária de Naruto, Lee e Chouji. Mas o Hyuuga desistiu daquela discussão tola.

A noite chegou desapercebida por eles. Hinata somente percebera que o dia se fora, quando a luz do sol fora substituída pela luz da lua cheia. Já passara das dez da noite quando Neji, Shino, Kiba e Akamaru a levaram de volta para o quarto.

- Está entregue, senhorita Hyuuga. - brincou Kiba.

- Obrigada. - agredeceu acomodando-se na cama, um sorriso amarelo, doentío.

- Agora vamos embora e deixá-la descansar. - começou Shino aproximando-se da cama e a mirando por trás dos óculos.

- O dia foi cheio, né? - comentou o Inuzuka, ainda muito animado.

A garota assentiu forjando um sorriso feliz.

- Boa noite, Hinata-sama.

- Até, Hina-chan!

- Boa noite.

Os três direcionaram-se à porta. Um buraco abriu-se no peito dela. Talvez, aquela fosse a última vez que os visse. Não! Sua despedida não poderia ser um simples ''Até logo!''. Mordeu o lábio infeiror tentando conter o desespero. Começou a ofegar, até que sentiu-se extremamente deseperada ao ponto de gritar:

- Esperem!

Neji, que já havia girado a maçaneta, parou bruscamente. Kiba foi de encontro com as costas de Shino e soltou um palavrão. Os três a miraram surpresos e confusos.

Legal. Ela conseguiu evitar que saíssem. Mas e agora? O que ela diria à eles? Você é louca, gritava internamente. Suas bochechas queimavam intensamente.

- Que foi, Hinata? - indagou o Aburame. A Hyuuga pôde ver uma de suas sombrancelhas arquear em cima dos óculos.

- É... é que... - engoliu seco - É porque... - gaguejava como idiota, pensava - Bom, é porque eu esqueci... esqueci de... - ela encontrou o olhar brilhante de Akamaru - De me despedir do Akamaru! É isso! - disse forjando uma risada - Aqui, garoto! Vem cá. - chamou-o dando tapas na beirada da cama.

O cachorro, todo animadinho, pôz-se sobre as patas traseiras e abraçou as pernas de Hinata por cima do cobertor. Hinata ocupou-se em acariciar animadamente o cachorro.

A garota sentia-se muito idiota, mas este foi o único meio de evitar que eles saíssem antes que pensasse em algo mais. Acariciando Akamaru, ela se deu conta de que sentiria muita a falta dele também. Aquele pêlo macio e branco, as orelhas enormes as quais ela adorava afagar. Abraçou seu pescoço peludo e beijou seu focinho. Akamaru voltou para o lado de Kiba.

- Tá tudo bem? - perguntou o Inuzuka.

- Uhum... - murmurou assentindo.

- Tem certeza? - forçou Neji.

Em resposta, ela murmurou novamente, um pouco mais suave. A vontade de chorar veio lhe aborrecer. Decidiu apenas murmurar respostas, pois sabia que sua voz a entregaria na certa.

- Boa noite. - desejou Shino.

Neji fez o mesmo e Kiba abriu um enorme sorriso. A porta bateu atrás deles quando deixaram o quarto. Hinata continuava a segurar o choro. Mas seu coração estava machucado demais, precisando de consolo, de carinho; precisava chorar. Mordeu o lábio infeiror quando sentiu sua garganta embargar pelo chroro.

Engoliu em seco e procurou o relógio com os olhos. Já eram quase onze da noite. Ainda tinha um tempo para preparar seu emocional para o que vinha pela frente.


- Hinata-chan estava tão quietinha hoje. - comentou Ino com o restante do grupo - Será que ela está realmente bem?

- Ino, a Hinata é quietinha. - lembrou-lhe Tenten.

- Tá bom, eu sei. Mas ela estava mais quietinha do que de costume, não acham?

- Realmente. - concordou Sakura - Mas ela deve estar apenas um pouco estressada.

- Depois de tudo o que aconteceu com a garota, até eu ficaria estressado. - confessou Naruto - Eu sairia quebrando tudo!

- Tá aì um problema... - começou Shikamaru.

- Problema?

- Vamos supor que Hinata esteja realmente estressada. Acham mesmo que ela demonstraria qualquer emoção como um de nós faria?

O silêcio pairou.


O relógio soôu.

Meia-noite.

Era agora.

Ela não poderia escapar de seu destino. Ele não permitiria isto. A seguraça de Konoha estava em suas mãos agora.

Saíra do hospital sem chamar atenção. Ninguém a viu. E ela respirou aliviada por isso.

Uma sombra a esperava na entrada da vila. A luz da lua refletiu nas lentes dos óculos ao longe. Ao se aproximar, a sombra pronunciou-se:

- Boa noite, Hinata-sama. - disse cordialmete.

- Kabuto Yakushi...

- Então se lembra de mim, não é Hinata-sama?

Como ela poderia esquecer?

Seu olhar perolado captou duas sombras mais a frente. A viagem seria longa, e a noite parecia uma eternidade.

- Vamos indo, Hinata-sama. - começou ele dando-lhe as costas para que ela o seguisse - Há alguém a sua espera.

Antes que começasse a seguí-lo, a Hyuuga contemplou sua vila pela última vez.

Estava deixando para trás sua infância e boa parte de sua adolescência. Deixando seus amigos e sua família. Deixando sua honra. Deixando de ser a kunoichi que sonhou que seria. Seu sonhos tornaram-se pó. Estava deixando sua vida para trás.

As lágrimas queimaram seus olhos. Ela odiava essa parte de agora. Naquele momento, as lágrimas simbolizavam fraqueza. E isso era tudo que ela não queria demonstrar perante aqueles malditos. Mas nada disso a faria voltar atrás. Sua vida fora destruída, mas Hinata Hyuuga não permitirá que vidas sejam destruídas por sua causa! Se tudo dependia de si, ela faria tudo que estivesse ao seu alcance.

Ao rolar da primeira lágrima, ela virou-se de cabeça erguida.

- '' Se este é meu destino, então que seja.''

Konoha ficou para trás.

'' Não há como fugir de seu destino... ''


Primeiramente:

ME PERDOEM!!!!

Vcs não fazem idéia de como minha vida virou de cabeça pra baixo de setembro pra cá!

Me sinto um monstro por fazê-los esperar tanto tempo! Sério mesmo!

Este capítulo foi MUUUUITO demorado para ser escrito!

Ele é meio que decisivo, por isso queria fazê-lo bem-feito!

Espero que todos entendam bem a mensagem! ;D

O próximo capítulo é um dos mais fortes, e vocês sabem muito bem quem vai aparecer, não é? ;)

Gostaria de agradecer a cada um de vcs pelas reviews!

Mas uma vez: Desculpem-me!

Beiijoos!

;*