Mil desculpas pela demora, no final eu explico o que houve.

Pra escrever esse capítulo eu ouvi muito Lorde e Birdy. Dão uma emoção extra.


Capítulo 2 – Standing in the way of the light

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Eu acordei com a sensação de que meus pulmões estavam em chama.

Sem ar, eu abria a boca como se tentasse o engolir, e fazia muito pouco efeito perto do que eu precisava. Em minha cabeça giravam as imagens do pesadelo que havia arrancado aquela reação de mim.

Ao que pareceu uma eternidade depois eu consegui controlar minha respiração. Minha garganta queimava e eu me sentia um pouco tonta, mas aos poucos sentia que o sangue do meu corpo se distribuía de forma correta.

Suspirando fundo, eu consegui fazer minha cabeça parar de girar e prestar atenção no quarto iluminado pela luz baixa do abajur da minha cabeceira, e só então eu me senti verdadeiramente calma.

Fazia quase dois dias que eu havia sido resgatada com Lucy.

Os médicos tinham nos dado a boa noticia que estávamos bem de saúde, só precisaríamos tomar algumas vitaminas e nos adaptar ao mundo exterior. Lucy precisaria tomar algumas vacinas, mas a pediatra havia traçado um plano para não ser tudo de uma vez.

E agora eu estava em minha casa, em Forks.

Eu e Lucy fomos recebidas por uma multidão de pessoas e placas dando boas-vindas. A porta da minha casa parecia o local de um show de um grande artista. Vizinhos vinham a toda a hora com um pouco de comida ou algo do tipo como desculpa para tentar entrar e me ver. Havia repórteres de vários lugares implorando por uma rápida entrevista. As janelas da casa agora estavam sempre cobertas por cortinas porque eles não conheciam limites.

Olhando ao meu lado vi que Lucy ainda dormia. Ela usava seu mais novo pijama de sereia que havia ganhado de seu avô e estava abraçada ao urso de pelúcia em forma de cachorrinho que havia ganhado de Charlie.

Passando a mão eu seu rostinho, ganhando um pouco de paz com isso, eu lhe beijei a testa e saí da cama de casal que eu tinha desde que eu era adolescente. Parte de mim não havia ficado surpresa em encontrar meu quarto exatamente como eu havia deixado antes de ser sequestrada. As paredes continuavam no tom clarinho de verde e a decoração ainda era roxa, só que com cobertores e travesseiros novos. Charlie disse que sempre soube que eu precisaria daquele quarto.

Com a garganta queimando e me sentindo agitada demais para ficar ali, eu saí do quarto sendo guiada pela luz do abajur da sala de estar no andar debaixo. Era estranho ter tanta mobilidade depois de passar tanto tempo presa naquele porão.

A minha casa não havia sido tão imutável quanto meu quarto, no entanto. As paredes verde-musgo agora eram todas brancas, um tom claro que dava a ideia de que os ambientes eram maiores. A decoração também havia mudado, o sofá agora era de um couro marrom e combinava com as duas poltronas confortáveis em frente à grande televisão que ficava em cima da lareira.

A justificava da mudança estava em uma das fotos que ficava no painel de fotos da cozinha. Charlie e Sue sorriam um para o outro enquanto ignoravam a paisagem proporcionada pelo por do sol em um dos penhascos de La Push. Eu ri pra mim mesma analisando a foto. Havia ficada meio confusa quando Charlie me informou que havia se "juntado" com a mãe de dois dos meus melhores amigos, mas depois ele me explicou que ele e Sue haviam encontrado consolo um no outro depois que o marido dela faleceu alguns meses depois do meu sumiço.

Eu não tinha como não ficar feliz por meu pai ter alguém para cuidar dele quando eu não pude, e depois de ver como eles interagiam e de ver como Sue se esforçava para agradar eu e Lucy, eu já a adorava como nunca antes.

Colocando a foto de volta ao local onde estava, eu abri a geladeira e peguei um pouco do suco de laranja e um pedaço de torta de maça que a vizinha do lado havia trazido. Com meu lanche em mãos eu sentei à mesa em frente ao notebook que Sue havia me dado permissão de usar.

Por um segundo me perguntei se eu realmente queria navegar na internet e matar um pouco minha curiosidade sobre o mundo lá fora. Fazia menos de 48 horas desde que fui resgatada e meu nível de estresse já havia sido elevado o suficiente com a chegada de Renée.

Suspirei fundo pensando nela.

Renée chegou a Port Angels e veio direto à Forks, aparentemente hospitais não lhe agradavam nem mesmo para ir visitar a filha que ela não tinha noticias há mais de cinco anos. Então nosso reencontro ocorreu na sala de estar de Charlie.

Minha mãe sempre fora um mistério pra mim. Ela e meu pai nunca realmente formaram um casal, a gravidez foi um acidente durante uma festa de formatura, e eles ficaram juntos por apenas alguns meses depois do meu nascimento. Minha infância foi viajando de um lado pro outro acompanhando minha mãe, até que com 14 anos eu resolvi que queria passar pelo ensino médio em uma única escola, e assim resolvi morar com Charlie. Não muito depois Renée casou um jogador de baseball, Paul, e assim ela se encontrou na vida.

Agora Renée não estava mais casada com Paul, seu marido se chamava Aro e era um importante empresário italiano. Eles moravam em Nova Iorque e minha mãe agora se vestia como uma personagem de reality show do E!.

Nosso reencontro foi um grande desastre. Primeiro ela me abraçou, beijou e mandou que Charlie não se preocupasse com o importuno de nossa estadia, já que ela já havia feito planos para eu ir embora com ela para Nova Iorque.

De fato eu sempre tive vontade de ir morar na Big Apple, mas naquele momento eu precisava da minha casa, do meu pai e de tranqüilidade. Eu definitivamente não precisava do caos de ir morar em uma cidade grande depois de tanto tempo presa.

Mas esse não foi o maior problema. O caos se instaurou quando Renée percebeu a presença de Lucy nos braços de Charlie.

Lucy era minha versão criança só que com olhos verdes e algumas mechas acobreadas no cabelo. Então eu não tinha muito o que explicar.

Renée foi à loucura. Todo o astral leve e descontraído de seu jeito exagerado de ser sumiu. Eu a apresentei a Lucy, mas ela pouco acenou com a cabeça em direção à minha filha antes de me puxar pelo braço para a cozinha onde ficaríamos a sós.

"Você teve um bebê?" ela perguntou como se não fosse óbvio.

"Lucy nasceu enquanto eu estava em cativeiro" Eu expliquei tentando ser calma. "Você vai a adorar. Ela é a menina mais preciosa desse mundo. Ela é a razão de eu não desistir"

"Por que essa informação não está nos jornais?" Ela perguntou sem demonstrar muita emoção.

"A policia está guardando as informações enquanto investigam mais sobre Riley. Por enquanto tem só a informação de que eu fui encontrada e que ele está entre os dez mais procurados do país. Mas agora eu acho que a mídia já deve estar especulando algo. Tenho certeza que os repórteres que nos esperavam na entrada daqui de casa viram que eu carregava Lucy comigo".

"Isabella, você não pode ta querendo ficar com essa menina. Ela filha desse homem louc..."

"Ela é minha filha" Eu a cortei antes que ela pudesse falar qualquer outra coisa. Minha calma completamente perdida.

Renée percebeu que aquele assunto não tinha chance de prosperar.

"Ela é fruto de um estupro. Você é jovem, nem terminou o ensino médio ainda, e tem faculdade e se recuperar desse trauma. Uma criança vai atrasar você. Ninguém vai te julgar por não querer ficar com essa menina. Tenho certeza que exista uma possibilidade pra ela ficar bem e você seguir em frente, não sei, alguém da família dele ou até mesmo uma adoção. Com esse caso famoso, vai chover proposta de pais querendo-a..."

Flexionei minha mão direita lembrando-me do calor que havia sentido depois do tapa que dei em minha mãe. Eu nunca havia sido uma pessoa muito agressiva, nem mesmo com Riley em meu maior momento de fúria eu havia sentido tanto ódio.

Mas o que ela falava sobre abandonar minha Lucy em um mundo desconhecido com pessoas desconhecidas era um absurdo, e eu nunca havia sentido tanto ódio brotar dentro de mim. Nem o que Riley fez havia me doído tanto quanto ouvir minha mãe pedir que eu descartasse a coisa mais importante da minha vida.

Depois do tapa, Renée entendeu a mensagem e foi embora. Horas depois a chefe de policia de Port Angels, Kelly, entrou em contato com meu pai e informou que a noticia sobre Lucy havia vazado. Durante todo o resto da tarde a intensidade de pessoas do lado de fora havia aumentado. Toda hora chegava um brinquedo pra Lucy e pessoas querendo saber como ela era e o que eu tinha a dizer sobre isso.

Eu batia o pé de um jeito descontrolado enquanto o computador ligava. Não tinha senha e a imagem de fundo da página inicial era uma foto de La Push. No canto inferior esquerdo informava que eram 5 horas da manhã do dia 19 de maio de 2017.

Tantas coisas haviam mudado nos últimos anos, mas ainda eram as mesmas de certo modo. Eu costumava ter uma conta no facebook, então a primeira coisa que fiz foi abrir o Google chrome e procurar pelo site. Demorei um pouco para lembrar o email correto, mas a senha era a que eu sempre usava e nunca havia esquecido.

Charlie havia me inteirado sobre alguns amigos meus. Paul e Emily estavam casados e não tinham filhos. Emilly havia sofrido um acidente alguns anos atrás quando um turista em La Push tentou a violentar, e hoje em dia lidava com uma cicatriz em boa parte de seu rosto. Paul e Embry, também da reserva, estavam morando no Havaí. Seth, que era um ano mais novo que eu, havia engravidado a namorada e agora era pai de um menino chamado Harry. Ele morava com a família na antiga casa de Sue. E por fim tinha Jacob e Leah, que me surpreenderam quando meu pai me informou que eles estavam juntos e tinham uma filha de 3 anos chamada Isabelle.

Eu costumava gostar de Jacob antes de ser sequestrada, ele era meu melhor amigo e meu sol, mas eu estava genuinamente feliz por ele estar com Leah.

Eu ainda não os tinha visto. Charlie me explicou que estavam esperando eu me sentir confortável o suficiente em casa para me visitarem. Eu realmente contava os segundos.

A minha página do facebook finalmente se abriu e eu fiquei impressionada com quantidade de notificações que me esperava. Eram mensagens no privado e milhares de outras coisas. A página principal era uma enxurrada de mensagens de desconhecidos comentando sobre o meu resgate e mandado as mais gentis mensagens. Eu jamais seria capaz de responder a todos. Deixaria para escrever uma mensagem quando estivesse preparada.

Descendo a página, no entanto, me deparei com a noticia que não era tão surpreendente assim. Minha mãe era a capa da noticia e duas fotos menores adornavam seu rosto, uma de quando eu era adolescente e outra de hoje mais cedo quando eu saia do carro e corria para dentro da minha casa.

"Renée Volturi, mãe de Isabella Swan, confirma as suspeitas de que Isabella deu a luz enquanto estava em cativeiro" lia-se a manchete da noticia.

Eu a abri sem pensar duas e vezes e vi que havia sido postada há cinco horas. A notícia recontava toda a história superficial do meu desaparecimento e de como eu havia sido encontrada durante uma busca na casa do principal suspeito de um assassinato. E depois apareciam fotos minhas de mais cedo de quando eu chegava em casa.

A informação de Renée não parecia preencher muito o conteúdo, apenas confirmar o que as redes de noticias já suspeitavam. Renée, entretanto, contava que o nome "da criança" era Lucy e a mesma tinha por volta de uns 4 anos. O que me deixou espantada, entretanto era o detalhe em que ela informava que eu não estava nas minhas melhores condições mentais e minha família estava considerando a possibilidade de dar um futuro melhor para "a criança" com outra família, uma vez eu não precisava de uma lembrança diária do sofrimento que passei enquanto estava fora.

A vontade que eu tinha era de poder dar mais um tapa em Renée. Meu sangue de repente borbulhava ao reler o detalhe final. Será que ela não entendia que Lucy era a única razão que eu tive esse tempo todo pra não desistir. Será se ela não conseguia entender que o amor de uma mãe por um filho podia ser maior do que qualquer sofrimento?

Tapei o rosto com a mão na tentativa de não deixar um grito de raiva escapar e acordar a todos antes da hora.

Eu sabia que não deveria ter ido navegar na internet. Sue havia me alertado que muitas pessoas eram solidárias com meu momento, mas ainda assim haviam muitas pessoas maldosas com comentários e opiniões que me machucariam.

Eu desliguei o computador sentindo que minhas energias haviam sido sugadas. Meu peito ardia e eu não sabia exatamente o que sentir. Naquele momento, ali sentada na cadeira da mesa da cozinha, de frente para as fotos que meu pai colecionava desde que eu era uma criança, eu não sabia nem mesmo o que pensar, minha cabeça parecia um grande vazio com pequenos pensamentos vagando sem rumo, e eu não conseguia saber que direção seguir.

Lembro do dia em que Lucy nasceu. Foram quase 13 horas em trabalho de parto sozinha. Eu gritava e chorava de dor achando que iria morrer. E eu só queria Renée do meu lado segurando minha mãe e prometendo que tudo ficaria bem. E então quando Lucy teve a primeira febre, os dentinhos estavam nascendo e ela chorava sem parar, e eu queria chorar desejando minha mãe ao meu lado.

Eu sabia que talvez fosse ser difícil, mas nunca imaginei que Renée iria ter a capacidade de enxergar qualquer outra possibilidade que não envolvesse Lucy em minha vida.

Meu coração se apertava em agonia. Já na bastava toda a confusão que eu fui metida quando tinha apenas 17 anos. Não bastava eu não saber o que seria da minha vida a partir de agora, não bastava eu ver todos os meus amigos trabalhando e construindo suas famílias enquanto eu estava estancada no tempo sem nem um diploma do ensino médio, não bastava eu me preocupar em onde estava Riley e se ele voltaria ou não, agora eu também tinha que me preocupar com o abandono da pessoa que eu mais queria do meu lado.

Cansada demais e de repente me sentido esgotada, eu fui até o armário da cozinha que Charlie havia guardado os remédios que trouxemos do hospital e tomei metade do comprimido do calmante que o médico havia receitado. Abandonei o pedaço de torta e o suco na geladeira e subi de volta ao quarto, esperando encontrar em Lucy a paz de um sono tranqüilo.

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Eu não sabia exatamente o que me fez acordar, mas minha garganta estava seca e eu sentia pequenas mãozinhas acariciarem meu rosto.

"Acorda, Bela adormecida" Lucy cantava em sua voz de criança. Abri os olhos encontrando o rosto sereno e sorridente da minha filha. Ela estava com os cabelos amarrados em duas tranças, certamente obra de sua fada madrinha Sue.

"Bom dia" Eu falei a puxando para um beijo. O quarto estava claro pela luz do sol que conseguia ultrapassar a fina camada da cortinha de linho na janela do meu quarto.

"Bom dia, mamãe" Ela falou sorrindo "Você sabia que durante o dia tem sol?" Ela perguntou com curiosidade.

"Sabia sim, onde a gente estava não tinha janela, mas agora podemos ver o sol" Eu falei me sentindo muito melhor do que estava da última vez em que estive acordada.

"A tia Sue disse que quando as coisas estiverem mais calmas, ela vai me levar pra praia e vai ter muito sol. Mamãe, quando as coisas vão estar calmas? Eu quero conhecer a pequena sereia, ela vai na praia"

Eu ri lhe dando mais um beijo por sua inocência. Como no mundo eu conseguiria viver sem aquela menina? Renée estava louca.

Lucy me ajudou a separar uma roupa e me esperou no quarto enquanto eu ia ao banheiro cuidar um pouco de mim. Vinte minutos mais tarde estávamos na cozinha vendo Sue preparar um almoço que cheirava maravilhoso. Charlie havia saído para resolver uns problemas, mas Sue me garantiu que haviam dois policiais na porta contendo os repórteres e mantendo vigília para caso Riley aparecesse.

Lucy brincava com uma boneca enquanto escutávamos Sue contar uma história do povo Quileute quando escutamos a campainha tocar. Como Sue estava super ocupada cozinhando, eu me ofereci pra ver quem era.

"Você tem certeza?" Ela perguntou cautelosamente. O que eu mais gostava em Sue era que ela não estava me tratando como uma boneca de porcelana.

"Os policiais não deixariam um repórter ou Riley bater à porta" Eu respondi, por dentro eu tremia.

Ela acenou com a cabeça e eu mandei Lucy ficar onde estava.

Os passos até a porta da frente pareciam tomar horas até que me vi de frente à porta.

Sem tirar a corrente, abri a porta só o suficiente para ver quem era.

O que eu encontrei me deixou paralisada.

Eram os olhos verdes de um homem claro, com o cabelo estranhamente acobreado adornando o rosto mais angular que eu já havia visto, uma barba curta lhe dava um ar misterioso e destacava sua mandíbula angular. Ele era uma verão melhorada de Riley.

"Olá Isabella" O estanho falou "Me chamo Edward Cullen, eu sou meio irmão de Rilley Biers e eu vim falar com você a respeito da minha sobrinha".


Bom, primeiramente eu devo pedir desculpas pela demora. Eu tive um pequeno acidente em casa e consegui torcer um dedo da minha mão direita e não tava conseguindo digitar, então passei alguns dias sem escrever.

Mas estou melhor.

A história é da Bella e eu pretendo contar o ponto de vista nesse momento de readaptação ao mundo real. Eu não vou fazer exatamente igual ao filme Room, até porque a premissa é um pouco diferente. Lucy é uma criança que cresceu ciente do mundo que a esperava lá fora.

Obrigada pelas reviews, fazem meu coração explodir de alegria ler que estão gostando.