Lírio Branco Selvagem
Por Arthemisys e Juli.chan
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Terceiro Capítulo
- Aquele baixinho não pode ser o Seiya... - Jasão ainda dizia a si mesmo, desanimado, subindo as escadas das Doze Casas, observando Seiya de Pégaso de longe.
- As aparências enganam. - Shiva tentava levantar o ânimo do amigo.
- É... Quem olhasse para você e soubesse que é um Espectro, também ficaria decepcionado. - Iolaus o provocou, sussurrando para ele.
- Por quê? Todos têm que ser feios como você? - Jasão e Iolaus começaram a se empurrar, atraindo os olhares de todos os presentes.
- Lembre-me de bater neles depois? - Atalanta pediu a Shiva.
Em meio a esta pequena confusão, acabaram descendo escada abaixo e esbarrando em Cicno que vinha por último no cortejo. Os dois garotos olharam para o sisudo Espectro, e este falou com a voz gélida e impessoal:
- Se me tocarem de novo... Estarão mortos. - ameaçou.
- Deixa de ser estressado, Cicnos. – Iolaus retorquiu de imediato.
- Esquece esse morto-vivo. – Jasão respondeu e tão logo, recebeu um frio olhar de Cicnos que preferiu apressar seus passos e andar junto aos outros espectros.
Ephemeron estava simplesmente maravilhada com a paisagem. Ao passo que avançavam pelas doze casas, a jovem ia percebendo a multiplicidade de culturas que se fazia presente nos domínios da deusa Athena. E as diferentes características culturais dos humanos podiam ser ainda mais sentidas quando adentravam em cada casa zodiacal.
- Que lindo... – a deusa não deixou de se fascinar pelos inúmeros afrescos existentes na casa de Virgem. Em cada imagem, era possível reconhecer cada divindade do panteão hindu.
- Está vendo aquela? – Shun apontou para uma imagem que mostrava uma donzela de grandes olhos negros e cabelos da mesma cor, dançando ao lado de um homem de pele azul. – Parece com você.
Ephemeron sentiu o rosto corar com a comparação.
- Aquela é Radharani, o lado feminino de Shiva, a deusa do amor. – Shaka concluiu para Ephemeron, que logo se precipitou a indagar.
- Mas não seria Afrodite a deusa do amor?
- O amor pode ser quem nós queremos que seja. – Shun falou mais uma vez, atraindo a atenção da convidada de Saori e do cavaleiro de Virgem. – Pode ser Radharani, pode ser Afrodite ou pode ser aquela pessoa a quem poderíamos dar a nossa própria vida.
- Esse garoto é um gênio! Com essa carinha de anjo e filosofando assim!... Tsc. - Acis provocava Heitor que revirou os olhos, cansado disto. - Vai ficar parado aí?
- Maldita hora que deixei que você soubesse sobre o que sinto por Ephemeron. - resmungou.
- Ao contrário, meu caro amigo. Acho que a deusa do amor queria que eu o ajudasse a vencer suas limitações e se declarasse para Ephemeron. - falou o outro, colocando o braço amigavelmente no ombro de Heitor. - Em se tratando de belas mulheres... Eu sou o melhor no que eu faço.
- Ah, sei... Menthe que o diga. - zombou.
- Ela não conta! Ela tem uma pedra de gelo no lugar do coração! - defendeu-se. - E não falávamos de mim e de Menthe e sim... Você e a princesa!
- Calado!
- Se ficar sonhando vai perdê-la! - avisou Acis.
- Ele tem razão. - Aioros falou assustando os dois. - Se gosta de uma mulher, tem que dizer isso a ela.
- Até um cavaleiro de ouro concorda! - Acis comentou.
- Ah... - Heitor ergueu o dedo primeiro para Acis e depois para Aioros, abriu a boca para responder e disse. - Dá para me deixarem em paz?
- Sobre o que vocês estão conversando?
Os três se voltaram para Ephemeron que tinha se aproximado deles.
- Sobre nada, alteza. – Heitor se defendeu imediatamente.
- Alteza? – Shun indagou surpreso. – Vocês se conhecem?
- Não, claro que não. – Acis reverteu àquela situação de imediato. – Apenas conhecemos os pais dela, somente isso. – e ao se aproximar de Shun, Acis o chamou com um gesto de mãos e sussurrou para Shun, dizendo. – E pelo que eu saiba, o pai de Ephemeron é muito ciumento em relação à filha...
- Ciumento?
- Sim, meu amigo. É alguém perigoso. Bastante perigoso.
A resposta de Shun foi apenas um sorriso tranqüilo.
- Vamos nos apressar. – Atalanta interveio e Shun e Acis pararam de conversar. O espectro então se aproximou de Heitor e disse com segurança.
- Pronto Heitor, eu acabei de lhe fazer um imenso favor. Já semeei no coração do cavaleiro, a semente do medo. Pelo menos por enquanto, ele não se aproximará da princesa! Ehehehe...
Ele o olhou de lado e arrematou. – Então a semente nem germinou.
Para o desgosto de Acis e o ciúme ainda maior de Heitor, o cavaleiro de Andrômeda estava novamente do lado da princesa, conversando animadamente. Ele parecia satisfeito em contar algo para ela que mantinha um ar de fascínio.
- Hum... Acho que precisam de ajuda nesta área. - Aioros comentou.
- E quem ajudaria? Você? - Acis apontou para o sagitariano.
- Eu não. Ele! - apontou para Saga, que parou de caminhar ao notar isso.
- Eu o quê? - indagou erguendo uma sobrancelha, curioso.
- Eu te conto no caminho. - Aioros e Acis iam conversando com Saga, deixando Heitor para trás.
- Zeus... Mande um raio e me fulmine. - pediu o rapaz e depois olhou para o amigo. - Melhor... Fulmine Acis.
Mais algum tempo de caminhada e chegara ao Salão principal, onde os demais Cavaleiros de ouro os esperavam para jantar, conforme a deusa havia pedido antes. Breves apresentações, e logo começaram a conversas animadas... E também as provocações.
- Tá que os garotos são discípulos de cavaleiros de ouro, mas isso não quer dizer que tenham que comer na mesma mesa que a gente! - comentou Máscara da Morte
- Está sendo indelicado com os convidados de Atena. - Mu o repreendeu.
- Não há necessidade de que se alterem por nossa causa. - avisou Heitor, olhando o Cavaleiro de Câncer com descaso. - Nos juntaremos aos demais aprendizes para a refeição.
- Mas... - Ephemeron ia protestar vendo os seus amigos saírem do Salão, mas Atalanta tocou em seu braço, indicando que não deveria interferir.
Atena também não pôde dizer nada, afinal o disfarce de Ephemeron exigia que seus Guardiões ficassem entre os aprendizes, e qualquer coisa que dissesse poderia gerar desconfianças entre os demais Cavaleiros.
- Não posso provar o franguinho assado? - Iolaus perguntou com os olhos rasos d'água.
- Não. - Avisou Heitor.
- Hunf... Perceberam seu lugar. - Máscara continuou e Heitor lançou um olhar colérico para ele. O cavaleiro de Câncer estreitou o olhar ao sentir um lampejo de seu cosmo.
Preferiu se calar. Averiguaria aquele "pequeno" problema numa outra ocasião.
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Mal o sol surgiu no nascente e a princesa saltou da cama, indo abrir as pesadas cortinas que impediam a passagem dos raios solares. Ao passo que permitia que o sol adentrasse no recinto, Ephemeron podia sentir rufadas de vento sacudirem seus cabelos e a camisola que sua anfitriã havia lhe cedido na noite anterior. Pensou com entusiasmo na conversa que tivera com Atena na noite passada, principalmente nas promessas que Saori lhe fizera quanto a conhecer o mundo que para a felicidade da filha de Hades, era algo bem maior do que ela poderia imaginar.
Sons vindos da porta fizeram com que a princesa se virasse imediatamente. Era Atena.
- Dormiu bem? – a deusa da paz indagou com um sorriso radiante.
- Sim, bem... Um pouco!
- Um pouco? – Saori tomou para si, ares preocupados. – Está se sentindo bem?
- Sim, como nunca! Mas... Eu estou sentindo algo estranho... Não sei dizer bem o que é. – Ephemeron respondeu enquanto colocava a mão na altura do coração.
A deusa se aproximou e abraçou a outra divindade, dizendo:
- Isso que você está sentindo é normal. Tanto para os humanos, quanto para os deuses. O medo pelo novo é algo inexplicável com palavras e apenas entendível pelo coração. Não se preocupe. Nada irá sair errado. Nem com você, nem com ninguém. Eu prometo.
Ephemeron sorriu desconcertada. Era claro que tudo daria certo, afinal, ela era uma deusa e estava sendo tutelada por uma outra divindade, ainda mais poderosa que ela.
E despreocupadas, as duas jovens saíram do quarto, ao encontro de um apetitoso café da manhã.
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Enquanto isso, em outro ponto do Santuário.
- Certo que temos que manter o disfarce de sermos aprendizes enquanto estamos aqui, mas este tal de Saga é um carrasco! - bufou Iolaus e depois olhou para Heitor que realiza os exercícios propostos por Saga com facilidade. - Você deve tá amando isso.
Heitor não respondeu, embora realizasse as dez mil flexões exigidas por Saga, que fingia ser seu mestre, seus pensamentos estavam na princesa, nas palavras ditas por Acis e de como estava se sentido ridículo com este ciúme todo... Ciúme! Era isso que estava sentindo. Ciúmes e uma vontade louca de manter aquele moleque longe dela!
- Lá vem os outros. - avisou Iolaus, e Heitor apenas virou o olhar, sem interromper o exercício.
Jasão ficou sob a tutela de Dohko de Libra, Acis treinou arduamente com Aioros, enquanto que Shiva e Cicnos permaneceram com o Cavaleiro de Virgem. Assim que se aproximaram, Heitor finalizou o exercício.
- Dez mil duzentos e cinqüenta. - contou Iolaus. - Ele bateu seu recorde Jasão. De novo!
- Ah, mas eu me recupero! Espera só eu me aquecer! - dizia o rapaz entusiasmado.
- Sabe, serei honesto ao dizer isso. - começou Saga. - Nunca imaginei que houvesse espectros como vocês servindo Hades.
- Sei que as circunstâncias que se deveram os encontros entre os Cavaleiros de Atena e o Exército de Hades não foram as mais amistosas. - disse-lhe Shiva.
- De fato. Mas agora não estão aqui como inimigos e sim como convidados da deusa. - falou Dohko. - Atena me informou que esta manhã mostrará o Santuário e as vila próximas à princesa. Atalanta, Menthe e dois Cavaleiros de Ouro as acompanharão. Não se preocupem. À tarde, iremos com elas à cidade conhecer o centro histórico.
- Se Atalanta está com elas, eu não me preocupo. - disse-lhe Heitor.
- E o que faremos agora? Para passar o tempo? - indagou Jasão.
- Hei, onde fica a Vila das Amazonas? - Acis perguntou e recebeu um duplo olhar reprovador de Heitor e Shiva. - Que foi?
- Bem... - Shaka ia sugerir algo, quando avistou os Cavaleiros de Bronze se aproximando. - Temos visitas.
- Eu quero lutar com ele! - Jasão apontou para Seiya que ficou sem entender.
- Qual é a sua bronca comigo? - perguntou Seiya.
- Quero ver se é tão forte quanto dizem! - Jasão afirmou.
- Ai, ai... - suspirou Heitor.
- Crianças... - suspirou Acis.
- Tá legal! É luta que quer? É luta que vai ter! – Seiya respondeu esbaforido, indo à direção ao coliseu de treinamento.
- Beleza! – Jasão já começava a caminhar quando sentiu que era puxado bruscamente para trás.
- Nem ouse lutar contra este cavaleiro! – Heitor outorgou.
- Heitor. Esse cara lutou cara-a-cara com Nossa Alteza! Dizem que ele conseguiu ferir Hades!
- Se conseguiu ou não, nós não temos nada haver com isso. Não queira me arrumar confusões!
Sem se importar com as palavras de Heitor, Jasão saiu a passos firmes até o coliseu.
- Seiya! – Hyoga chamou, correndo em direção ao amigo. – Você não está pensando em lutar contra um aprendiz, não é?
- Quando enfrentamos os cavaleiros de ouro, éramos os aprendizes, se esqueceu? E agora, me deu uma vontade doida de ensinar com quantos golpes se faz um cavaleiro! Ehehehehe...
Cisne meneou a cabeça. Se existia alguém mais teimoso que Seiya, este ainda estava para nascer... Ou renascer.
Finalmente, os dois estavam frente-a-frente no anfiteatro de batalhas. Ambos não retiravam os olhos um do outro, esperando com paciência pelo primeiro ataque que não acontecia. Com impaciência, Jasão preferiu atacar.
A velocidade com que se locomovia foi algo que impressionou Seiya que tão logo, se pôs em defesa. O soco de Jasão foi bloqueado com facilidade e Seiya aproveitou a brecha aberta pelo outro e lhe desferiu um chute na região lombar. Jasão sentiu ser arremessado por alguns metros.
- Aprendeu a lição, pintor de rodapé? – Seiya perguntou enquanto fazia gestos de um digno atleta de musculação.
Jasão se levantou do chão empoeirado e sorriu para Seiya, dizendo:
- Quem deve ter aprendido a lição é você, nanico!
No exato momento, Pégaso sentiu uma pequena pontada no ventre. Ao abaixar a cabeça para averiguar o que se tratava, viu uma pequena depressão feita pelo efeito do soco de Jasão.
- Hei! Você me acertou? – Seiya estava boquiaberto.
- Agora que descobriu? – o jovem indagou sorrindo, enquanto tocava a área atingida pelo chute do japonês. - Você é um Pégaso ou um burro?
- Agora você vai ver seu anão de jardim! – Seiya bradou, correndo a toda velocidade em direção ao espectro que já se mantinha em posição de ataque.
- Quem vai ver é você seu quadrúpede alado!
A densa nuvem de poeira foi algo inevitável quando o choque entre os dois guerreiros se sucedeu. O que os espectadores – formados pelos demais espectros, Hyoga, Shun, Saga, Shaka e Dohko – puderam apenas perceber, foi uma saraivada desconcertada de socos, chutes, e pontapés.
- Eu não acredito no que estou vendo. – Iolaus estava boquiaberto.
Hyoga apenas balançou a cabeça e Heitor... Bem, este já estava de cabeça baixa de tanta vergonha.
- Bem... Eu acho que o duelo épico terminou. – Saga concatenou, ao ver que a nuvem de poeira começava a se dispersar.
E o cavaleiro de Gêmeos acertara. Quando a poeira baixou, o que viram era uma cena digna de foto. Os dois "gladiadores" estavam no chão, cobertos de pó. Seiya estava sentado por cima de Jasão, puxando a perna desse para cima, enquanto Jasão puxava Seiya pelos cabelos, formando um arco corporal que daria inveja a qualquer bailarino.
- Para de puxar meu cabelo! – Seiya reclamava com dificuldade, graças ao estado nada agradável em que estava.
- Só se você parar de fazer da minha perna um arco! – Jasão retorquiu não menos a vontade.
Ao mesmo tempo, ambos se soltaram e ficaram gemendo ainda no chão. Após o breve momento de dor, os dois levantaram-se de imediato e sorriram, dando as mãos amigavelmente.
- Cara, aquele seu soco foi demais! Eu ainda não entendo como você conseguiu!
- Você tem um chute poderoso! Não é a toa que enfrentou até os deuses!
- Perai! – Iolaus sacudiu Heitor que ainda estava cabisbaixo. – Eles se tornaram amigos!
- Eu não acredito... – Heitor parecia incrédulo ao ver que Seiya e Jasão saiam da arena, a risos largos.
- Ninguém compreende a alma humana, meus amigos. – Shiva arrematou, com sua típica serenidade.
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Numa vila próxima...
- Olha que lindo, Atalanta! - Ephemeron apontava para um colar feito com contas coloridas exposto por um vendedor ambulante. Depois avistou um grupo folclórico e arrastou a pobre Guardiã com ela. - Vamos.
- Devagar... - pedia Atalanta.
Acompanhando as duas, com um sorriso satisfeito estava Atena. Ao seu lado Aiolia mostrava-se vigilante, mas também envolvido pela alegria contagiante da jovem. Mas seu companheiro, no entanto, estava entediado e com o típico mau humor que o caracterizava.
- Hunf... - resmungou pela vigésima vez na última meia hora, o Cavaleiro de Câncer. - Babá de uma adolescente... A que ponto cheguei.
- Não veja por esse lado, Máscara da Morte. Estamos protegendo Atena. - repreendeu o Cavaleiro de Leão.
- E quem em sã consciência iria atacar Atena aqui? Neste lugar moram Cavaleiros de Prata. Para protegê-la, eles devem servir! - resmungou de novo.
- Ai, você é sempre assim? Tão... Intragável? - perguntou Menthe fazendo uma careta de reprovação.
- Se me acompanhar até a Casa de Câncer... Mostrarei um lado meu que geralmente é inesquecível! - provocou com um sorriso malicioso, avaliando a ninfa dos pés a cabeça, parando para apreciar os seios emoldurados pela blusa que ela usava.
- Acredito que este lado seja realmente inesquecível. - disse-lhe Menthe com um sorriso. - Só de imaginar já tenho náuseas.
- Se provar, não dirá isso. - ainda a provocava. Já estava interessado na jovem desde que a vira no jantar, e ainda não havia tido oportunidade de conversar a sós com ela.
- A idéia me enjoa. - ela respondeu com um sorriso. Aiolia revirou os olhos, afastando dos dois e ficando ao lado de Atena.
- As mulheres geralmente me acham atraente.
- As opiniões da sua avozinha e da mamãe não contam. - devolveu ela ainda sorrindo.
- Quero ver você manter este sorriso quando eu a estrangular. - respondeu ele, sorrindo também.
- Você e que exército?
- Bruxa.
- Arrogante.
- Megera.
- Idiota.
- Encalhada.
- Cachorro.
- Tudo bem? - Ephemeron perguntou preocupada.
- Tudo maravilhoso! - respondeu Menthe com um sorriso, e batendo palmas e se virando para um sorveteiro. - Vamos? Quero experimentar o sorvete de morango!
- Eu também. - disse-lhe Ephemeron.
- OH... - a ninfa pega os sorvetes e depois aponta para Máscara da Morte. - Ele paga.
E saiu, deixando-o contar mentalmente até dez para não manda-la para o Yomotsu. Enquanto pagava os sorvetes contrariado, imaginava maneiras de se vingar dela...e somente uma o fez sorrir.
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Nesse momento, no mundo dos mortos.
A túnica longa que a deusa Perséfone usava se arrastava lentamente pelo chão de granito negro do Palácio. Já caminhava a esmo pelas alas do imenso castelo há horas, completamente entediada pela ausência da filha.
Ao pensar na princesa, a divindade não deixou de esfregar as mãos, num gesto de preocupação e ansiedade. Entretanto, Cora jamais revelaria o seu medo a ninguém, nem mesmo ao marido. Sabia que toda a angústia que sentia era apenas, o fruto da preocupação materna. Sabia também que nada de mal aconteceria à única filha. Pelo menos, era o que ela teimava em insistir consigo mesma.
E com o pensamento longe, não percebeu um vulto negro que ao sair apressadamente de um dos corredores, acabou abalroando nela.
- Ai! – a deusa gemeu de dor, enquanto colocava a mão no ombro que ainda doía. – O que deu em você?
O jovem alto e magro que havia esbarrado nela ofegava pela corrida e olhava para todos os lados desesperadamente.
- O que aconteceu, Narciso...? – Cora dessa vez indagou preocupada com o estado do pajem de sua mãe, a deusa Deméter.
- Ai, minha nossa senhora dos carvalhos fortes! Eu machuquei a senhora! – o rapaz respondeu, esganiçado, enquanto massageava o ombro da jovem rainha.
- Eu estou bem. Do que estás a correr? Parece muito amedrontado!
- Eu não pareço, eu ESTOU muito amedrontado! A senhora viu ele por aqui!
- "Ele"?
- Sim! – ao ver o ar de interrogação de Cora, continuou. – A senhora sabe de quem eu estou falando, não é!
- Ah, sim... Radhamantys? Não, não o vi... Mas sinto o cosmo dele bem próximo daqui.
- Ai meus deuses! – o rapaz voltou a ficar em desespero e mais afetado ainda. – Eu preciso me esconder!
- Continue seguindo por este corredor. – ela disse, apontando para outra viela do castelo. – Eu o despistarei.
- A senhora fará isso por mim!
- E por que não o faria? – respondeu sorrindo.
- Ai! Muito obrigado! – ele disse, tomando o rosto de Cora com as mãos e beijando sua testa. Não é preciso dizer que a filha de Deméter corou com o gesto tão impulsivo, mas ao mesmo tempo, tão sincero de Narciso a quem em tão pouco tempo, conseguiu conquistar a sua confiança e seu afeto.
– Que os deuses te dêem um bom marido! – Narciso abençoou, absolutamente empolgado.
- Err... Um bom marido eu já tenho... Esqueceu?
- Ai é! Que burro que sou! Aliás, um bom marido não... Um marido TUDO-DE-BOM isso sim! Ai, ai! Um Hades desse só pra mim e...
- Narciso?
- Sim!
- Sinto Radhamantys a menos de um minuto de nós.
- AAA! – o grito dado por Narciso antes de este sair correndo loucamente, fez Cora dar uma gostosa gargalhada. E continuaria assim, se não fosse à presença definitiva do espectro de Hades que aparentava um ar de completo ódio.
Ao ver a rainha do Érebo, o juiz teve que frear sua corrida e se ajoelhar aos pés desta, como era praxe do protocolo real.
- Radhamantys. – Cora falou, enquanto tentava a todo custo, segurar o riso.
- Minha dama. Por acaso vistes o jovem... Narciso enquanto caminhavas?
- O pajem de minha mãe? – ela retrucou desinteressada.
- Sim.
- Sim, eu o vi. – e apontando para o lado oposto no qual Narciso havia corrido, completou. – Ele seguiu por este lado.
- Muito obrigado! – Radhamantys respondeu já se levantando e correndo na direção que Cora afirmou.
- Juiz.
- Senhora? – ele teve que frear a corrida, a fim de ouvir sua senhora.
- O que houve entre você e o jovem Narciso?
- Bom... – Cora pode perceber o rosto de Radhamantys ganhar tons muito avermelhados. – Um fato que não merece ser levado ao conhecimento de Vossa Majestade.
- Tudo bem, pode ir.
Imediatamente, o juiz retornou a correr, ainda com mais ímpeto.
Cora pôs uma das mãos no queixo, pensativa. Após um breve instante, voltou a rir novamente.
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No Santuário.
- Hei, então são discípulos dos cavaleiros de ouro? - Seiya refletia, observando o grupo de espectros sem desconfiar de suas origens. - Isso explica o quanto o Jasão é forte!
- Modéstia à parte. Eu sou bom! - se vangloriava o rapaz.
- Muito modesto. - retorquiu Iolaus, levando um clássico pedala do amigo.
Estavam os grupos sentados à sombra do Coliseu, observando garotos treinando, enquanto os Cavaleiros de ouro permaneciam calados, afastados, ajudando no disfarce.
- Desculpe minha franqueza, mas... - Hyoga olhou desconfiado o grupo. - Não me lembro de meu mestre se referir sobre vocês. Aliás, alguém se lembra de algum de seus mestres falarem deles?
- Hyoga! - Seiya chamou-lhe a atenção. - Isso não foi educado, cara!
- O pato é desconfiado mesmo. - Ikki comentou. - Mas tenho que concordar com ele desta vez. Eu nunca ouvi a respeito de vocês até agora. Por quais armaduras vocês lutam?
- Bem... - Jasão olhou para Heitor que permanecia sério, encarando Ikki. - Sabe como é...
- Tarado! - uma voz feminina seguida de um sonoro tapa foi ouvido fazendo os rapazes olharem na direção dela. Acis se aproximava com a marca do tapa de uma serva em seu rosto.
- As mulheres gregas são tão temperamentais! - resmungou esfregando o rosto.
- Acis... - suspirou Heitor.
- Tem certeza de que ele não é discípulo do Milo? - Seiya cochichou para Jasão.
- Desculpem, mas esta conversa de "eu desconfio de você" me deixou entediado. - dizia Acis, claramente zombando de Hyoga. - Preferi gastar meu tempo com algo mas prazeroso... Mulheres!
- Que até agora não conseguiu pegar nenhuma. - Iolaus comentou e ele e Jasão bateram as mãos rindo.
- Vocês são crianças demais para compreender as sutilezas de uma conquista. - falava.
- Hum... - Shiva ergueu-se, caminhou até a serva que ainda estava furiosa com Acis e conversou com ela. Alguns minutos depois, ela sorria para Shiva, e este beijou sua mão se despedindo dela. Voltou a sentar perto dos rapazes, e Acis o encarava boquiaberto. - Tem razão... Daphne gosta de homens sutis.
Todos começaram a rir, deixando-o furioso.
- Calem-se! - resmungou. - Pois eu vou provar como se conquista uma garota. E será a primeira que aparecer ali naquela arena! - apontou para uma amazona que acabava de entrar na arena. - Há... Uma beldade!
- Err... Eu não faria isso se fosse você. - dizia Seiya, ignorado por Acis. - Bem, eu a conheço e...
- Shina! - falaram Hyoga, Shiryu e Ikki ao mesmo tempo.
- Ah, belo nome... Deve ser linda por detrás da máscara. - comentava Acis.
- Algo errado com ela? - Jasão perguntou a Seiya.
- Nada... Se considerar que ela pode querer te matar se você vê o rosto dela.
- Vai ser divertido! - Jasão comentou com Iolaus.
- Quanto tempo dura? - cochichou Iolaus ao amigo.
- Hum... Três dias e ela o detona?
- Três dias? Hei, é o Acis! O terror das ninfas dos Campos Elíseos... Quatro dias.
- Certo!
- Nem quero saber do que tanto resmungam. - comentou Shiva.
- Onde está Cicno? - Heitor ignorava as brincadeiras dos amigos, percebendo a longa ausência do companheiro. Como não obteve resposta dos companheiros, resolveu sair e olhar pelos arredores. Sua busca não durou muito, pois o avistou sentado em uma ruína, dando carne para dois lobos.
- Cicno?
Este se virou e os animais se afastaram dele. Sem dizer nenhuma palavra, o espectro passou por Heitor que também nada falou.
Ao longe, os animais de pêlo cinza e olhos vermelhos, rosnaram mostrando os dentes ensangüentados. Logo, saíram rapidamente, rumo ao lado sudoeste do Santuário.
Continua...
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Notas finais...
Julie: Este Cicno me arrepiou...
Acis: A mim também...
Themis: Bando de covardes...¬¬
Acis: Ei! Eu não tenho medo de nada e ninguém!
- QUERIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIDAAAAAAAAAAAAAAAAASSSSSSSSSSSSSSSS!
Todos olham espantados pára o rapaz saltitante usando roupas rosas que entrava na sala!
- Que maravilha encontrar vocês aqui, meninas! - pegando as mãos da Arthemisys e da Julie e pulando.
Acis: Quem é a Pantera Cor de rosa?
-Narciso ao seu dispor, lindo. –estende a mão e o olha de cima a baixo, pega a mão de Acis e fala bem perto.- Sempre ao seu dispor...-pisca.
Julie: Acho que Acis encontrou algo a temer.
Themis: Acha? - Acis escondido atrás dela.
Julie: Depois tem mais... Desculpem a demora. Agora Acis e Narciso responderão aos reviews!
Narciso: Respondendo ao review da SAORYYYYYYYYYYYYYYYYY-SAN! - grita e Acis recua.
Acis: Pra que gritar!
Narciso: Sempre quis fazer isso... Bem, Saory-san... Eu também acho estes bofes uma figura melhor e mais gostosa que a outra...
Acis: ...
Narciso: E Aiolos e Atalanta um casal? Acho que sim... Ui que emoção! Eu quero ver minha princesa linda beijando aquele bofe mais gostoso e lindoso do Heitor! Cadê meus sais?
Acis:... Err... Lulu-lilits... Espero que com o rumo da história você mude de idéia a respeito do meu amigo Heitor. Ele é um cara legal, boa pinta...é só um espectro muito bacana.
Narciso: AAAAAAAAAAAHHHHH... E lindooooo!
Acis:... Deusa Selena... Obrigado pelos seus elogios, não é sempre que uma deusa me elogia tanto. - pisca para ela. - Tem celular? Podemos marcar algo e...
Narciso: Fã insandecida...AAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHH! Lógico que continuamos o fic!
Acis: Para de gritar sua versão fresca de Bambi! Juliane...lindo nome hein? Obrigado por nos acompanhar. Tem o sábado livre?
Narciso: Para de cantar as moças!
Acis: Narciso?
Narciso: Sim?
Acis: O Radhamantys ali... - aponta.
Narciso sai correndo em disparada.
Acis: Aaahhh...silêncio abençoado...
To be continued...
