Capítulo 3: Perdão e progresso

- Bem, entre, sente-se - eu disse a Sekai para entrar.

Eu conheço Sekai Saionji, a garota que me dei conta que amo mais do que outra pessoa, desde o início deste semestre. Eu já a tinha visto antes na minha turma, mas como não precisei falar com ela, eu nunca o fiz. Agora ela é a pessoa com quem eu mais quero e preciso falar. É curioso como Sekai, gradualmente, tornou-se alguém importante para mim neste curto espaço de tempo, mas preciso ver como alcançá-la, para que ela aceite o meu pedido de perdão.

- E, você, como está ? - uma pergunta muito idiota, aliás, já que, depois de tudo isso, ela deve estar muito mal, mas, afinal, eu lhe disse para quebrar o gelo, por educação.

- ... - foi só o que eu recebi como resposta.

- Então você foi ao médico, como foi ? - eu conto os segundos silenciosos que se passam, para mim são praticamente eternos, eu nunca tinha passado por momentos tão desesperadores. Maldição, Makoto ! Fale as palavras, fale-as, você tem de fazer isso por ela, por você, pelo bebê... por nós.

- Vou preparar um pouco de chá - eu digo a primeira coisa que me vem à cabeça, para ganhar um pouco de tempo e pensar, pois, com o sono e a pressão, eu não sei o que fazer. Talvez dizer-lhe "Eu te amo" não seja suficiente, eu acho, mas eu tenho de fazer algo.

- Eu vou prepará-lo - disse ela, do modo mais frio e sério com o qual jamais tinha me falado.

Sekai vai à cozinha preparar o chá... eu vi Sekai de todas as maneiras possíveis: feliz, chorando contra a minha vontade, zangada, ruborizada, excitada, enfim, de muitas maneiras, mas eu jamais a vira com essa expressão tão sem emoções, séria e irritada; depois do que eu fiz a ela, eu mereço. Não importa, eu preciso falar e admitir, neste momento ela está preparando o chá, e não há tempo a perder, eu te amo, Sekai, e eu vou lhe dizer.

Meu celular começou a tocar no meu quarto, eu devia tê-lo deixado no meu bolso. Atendo-o ?... Não ! Isto é importante, pode ser Kotonoha; é evidente que Sekai vem em primeiro lugar. Pode ser minha mãe, eu deveria atender, mas posso retornar a ligação depois, além do mais ela não vai se incomodar tanto quando eu lhe explicar. Nada importa, nada, nada mais.

Eu me levanto e vou para a cozinha para ver o que Sekai está escrevendo ou fazendo no seu celular, o que será ? Bom, isso não importa, o que eu percebo é que ela também está olhando fixamente para a comida que fez para mim ontem mesmo, como eu; como eu mudei tanto. Mas acho que já sei o que dizer, e vou fazer isso. Eu me aproximo dela, e dirijo-lhe a palavra:

- Então, você queria que nós comêssemos juntos ontem, não é ? - eu perguntei a Sekai, que ficou surpresa com a minha pergunta - Estou falando a verdade, a comida era realmente apetitosa, mas, como estava no chão, muito a contragosto eu tive de limpá-lo e jogar tudo na lixeira.

Sekai pôs algo no balcão da cozinha e continuou a me ouvir enquanto eu falava com ela.

- E, quer saber de uma coisa, as suas habilidades culinárias são realmente importantes - eu acrescentei - Quer saber por quê ?

- Por quê ? - perguntou ela, surpresa.

- Para que o nosso filho cresça grande e forte, e diga aos seus amigos que sua mamãe cozinha muito bem, além de eu também dizer aos meus amigos o mesmo sobre você.

- Makoto - diz Sekai nesse momento.

POV Sekai

Por que Makoto está me dizendo isso ? Eu realmente escutei direito ? Pela primeira vez ele está chamando o bebê de nosso filho, ou seja, de nós dois, além disso ele também parece consternado pelo que aconteceu ontem. Mas eu não entendo, ontem ele e Katsura-san, além da mensagem que ele me mandou, o que está acontecendo ? Mas eu conheço Makoto-kun, e sei quando ele está falando com sinceridade, e agora, está, sim. É como quando eu o conheci, Mas quero escutar para saber o que ele tem a dizer. Obrigada, Makoto, por ter falado, agora tinha me atravessado a cabeça a idéia de ma... não, oh, meu Deus ! O que eu ia fazer ? Muito obrigada, Makoto.

POV Makoto

- Além do mais, as suas habilidades são muito boas - eu disse-lhe, sorrindo.

- Makoto... - ela começou a soluçar e a olhar fixamente para mim, e, depois disso...

Boooom !

Ela me acertou com força no estômago, um soco que me fez cair e me ajoelhar diante dela.

- Makoto ! Por que você me fez esperar até agora para me falar ? Eu e seu filho passamos por coisas muito difíceis por sua culpa, eu até pensei que iria odiá-lo ou coisa pior.

- Sekai, se você me odeia, se for o caso, eu não a culpo, talvez eu seja o pior tipo de pessoa que existe - diante disso, eu não pude agüentar mais, e começaram a escorrer lágrimas dos meus olhos - Pedir para desfazer-se do meu filho, e pior ainda, pedir isso à sua mãe, e, o pior de tudo, fazer coisas tão horríveis à pessoa a quem eu mais amei até agora em toda a minha vida, como o que fiz com Kotonoha e com as outras garotas, então realmente eu mereço que você me odeie e que não me perdoe - eu disse, chorando.

- Makoto ! - ela me disse, chorando, me abraçou e me levantou no chão.

- Sekai, eu te amo ! - finalmente consegui.

- Makoto, eu também te amo, e só por isso eu vou te perdoar ! - ela me disse, emocionada e feliz como eu eu nunca a tinha visto.

- Muito bem ! Agora prepare-se - eu avisei.

- Para quê ? - ela me perguntou.

- Bem, eu tenho de compensá-la, eu vou preparar o jantar hoje. De qualquer modo, eu estou em débito para com você. Além do mais, não vou jogar a comida no chão - eu sorri para ela.

- Seu tolo ! - disse ela, em tom de brincadeira.

Ela se sentou e eu comecei a preparar uma refeição para nós dois. Bem, eu consegui ! O problema que eu mesmo comecei e o que é mais importante de se resolver. Enquanto preparamos tudo, eu vejo-a sentada em minha mesa, ela parece tão feliz tocando em seu ventre, pensando em nosso filho. Estou tão feliz por ela ter me perdoado. De agora em diante, entendo que temos de tratar de nossos problemas juntos, agora somos dois. Mesmo assim, sinto que agora tenho alguém ao meu lado para poder seguir em frente, embora ela também precise de mim.

POV Sekai

Tenho de admitir que eu jamais havia me sentido tão feliz antes. Makoto está finalmente assumindo a responsabilidade, talvez eu tenha um pouco de culpa por tê-lo pressionado tanto naquela ocasião, quando eu contei a ele que estava grávida, afinal, como ele disse, nós somos estudantes, então não vai ser fácil, mas parece que ele quer seguir em frente, e, com essa vontade, nós conseguiremos, juntos. Além disso, eu evito fazer algo do qual talvez fosse me arrepender pelo resto da vida. Acho que escolhi bem, por isso estou grata e vou perdoá-lo.

POV Makoto

Nós terminamos de comer agora, o jantar foi muito bom, melhor do que o meu almoço com Kotonoha. Nós conversamos e rimos exatamente como antes, só nos divertíamos, mas agora tenho de tratar de um assunto sério com Sekai.

- Bem, Sekai, nós agora precisamos falar sobre um assunto importante.

- Está bem, mas sobre o quê ?

- Sobre o que nós vamos fazer a partir de agora.

- MMM. É isso o que você tem em mente ? - ela me perguntou.

- Em primeiro lugar, nós temos de ir a um médico - obviamente, essa é a primeira providência, afinal o bebê é prioridade.

- Ehhhh - ela exclamou, com uma expressão preocupada e triste, algo que eu achei estranho.

- É para descobrir se ele é saudável, e, além disso, há quanto tempo você está grávida - eu expliquei, para que ela se tranqüilizasse.

- Ah, entendo. Me desculpe, é que eu pensei que você ainda estava com aquela idéia que teve há algum tempo - disse ela, aliviada.

- Não, nada disso, eu nunca vou voltar a pensar nisso - sinceramente, eu não ia pensar nisso outra vez.

- Mas acho que você também tem de me explicar uma coisa, Makoto.

- Sim, eu vou contar tudo.

- Mas o que eu mais quero saber é sobre Katsura-san.

- Está bem, eu vou dizer tudo. Mas, depois disso, há outra coisa que, depois de ir ao médico, eu quero que nós façamos.

- O quê ?

- Eu prometi a Kotonoha que iria falar com ela depois.

- Makoto, não vá fazer isso de novo - ela me disse, zangada.

- NÃO ! É que tudo começou mal porque eu não contei a Kotonoha, como você disse que devíamos ter feito.

- Bem, você tem razão - ela concordou.

- Não seria bom deixar isso pela metade, inacabado.

- Você tem razão. Acho que eu tenho de ir para casa.

- Eu lhe acompanho. Além do mais, já está um pouco tarde - disse eu, carinhosamente.

- Não é necessário, eu posso ir sozinha.

- Não, além disso é para me assegurar de que você e o bebê estejam bem - disse eu, querendo acompanhá-la.

Depois de deixá-la em casa, eu beijei-a e abracei-a, e fiz algo que me fez sentir muito bem sobre o seu... ventre, onde estava o nosso filho, e sussurrei-lhe ao ouvido:

- Eu te amo mais do que tudo.

- Eu também, Makoto.

- Ou melhor, amo os dois mais do que tudo.

- Nós três nos amamos muito.

Depois disso, ela entrou em sua casa, muito feliz, e eu também voltei para a minha casa, muito mais despreocupado e feliz do que nunca. Finalmente estou tomando decisões acertadas, mas isso é apenas o começo.


N/A: Bem, Makoto já resolveu o mais importante, o que tem a ver como seu filho e com Sekai. A situação vai melhorando por ora, embora eles ainda tenham de falar com Kotonoha, e isso não vai ser nada fácil. Vou fazer com que este capítulos esteja cheio de situações desconfortáveis para esquentar o ambiente, embora tudo vá acabar bem. Espero que vocês gostem da história assim como eu, ao escrevê-la.


N/T: Continua no Capítulo 4.