Capítulo Dois
ou
Aquele em que Albus se vê curioso
7h27 WET, quinta-feira, 2 de setembro
Dormitório masculino da Sonserina
Algum lugar da Escócia (Hogwarts)
— Eu ainda não consigo acreditar que você deu essa função para a Weasley — Scorpius Malfoy reclamou pela quinta vez desde quando acordou. Os cabelos loiros caíram sobre seus olhos azuis quase gelo quando ele se abaixou para pegar a gravata verde e prata caída no chão.
Olhando o amigo pelo reflexo do espelho, Albus Potter revirou os olhos e voltou a se concentrar no nó da sua gravata - uma coisa extremamente difícil para ele.
— Até porque, eu duvido que ela conheça alguém que sabe tocar rock do jeito que nós, sonserinos, gostamos. Ela é da Lufa-Lufa — e como para que pontuar sua frase, Scorpius empurrou Albus da frente do espelho, fazendo-o cair de bunda no chão — É tão perdedora quanto você quando tenta fazer o nó dessa maldita gravata, mesmo sabendo que desde o primeiro de setembro do nosso primeiro ano você nunca conseguiu fazê-lo.
— As senhoritas já terminaram de discutir? Porque quem quer usar o espelho agora sou eu — falou Jason Zabini, empurrando o loiro da frente do espelho para ajeitar seus cabelos castanho-claros.
— Ei!
— Bem feito — resmungou Albus, levantando do chão e pegando sua mochila ao lado da sua cama — Andem logo. Eu ainda quero ter tempo de comer. E, Scorpius, não era para você estar ajudando o seu primo a se adaptar?
Exclamando um palavrão, o loiro saiu do chão e desfez a gravata para não perder mais tempo. Passou correndo por Albus e desceu as escadas para o Salão Comunal da Sonserina.
— Esse daí não tem jeito — riu Jason antes de sair com Albus para o Salão Principal.
Eles passaram por Scorpius e seu primo transferido da Durmstrang, Matthew Devinette, e saíram das masmorras em silêncio.
Albus também tinha sérias dúvidas de que sua prima fosse encontrar alguém que cantasse o tipo de música que grande parte de seus convidados gostariam de ouvir. A única pessoa de Hogwarts que ele já tinha ouvido falar que sabia cantar alguma coisa era Theodore Finnigan - e tinha sido bem difícil fazê-lo tocar qualquer coisa próxima de rock - e sua enorme paixão pelo quadribol irlandês fez com que ele perdesse a voz sem condições de que alguma poção pudesse trazê-la de volta. Mas tinha que confiar em Rose e sua capacidade de fazer amizade com os mais diferenciados tipos de pessoas. Com certeza deveria ter alguém que ela conhecesse que soubesse cantar e que adoraria fazer uma apresentação no aniversário dele. Tinha que ter.
Eles se sentaram na mesa da Sonserina e minutos depois Scorpius entrou no Salão Principal, sem seu primo.
— Obrigado por me esperarem — ironizou ele, tirando mais uma vez os cabelos da frente dos olhos.
— Cadê o Devinette?
— Disse que já arranjou outro para fazer companhia. O que é melhor para mim. A propósito, devo dizer, mais uma vez, que eu não acho que a Weasley-.
— Albus? — Uma voz feminina interrompeu Scorpius - para a felicidade de seus amigos.
Eles olharam para frente e viram Rose Weasley - "É só pensar no diabo que ele mexe o rabo" - sentando-se na mesa, em frente eles.
— Você não vai acreditar em quem eu arranjei para você! — Ela abraçou o primo, deu um beijo na bochecha de Jason e fez uma careta para Scorpius.
— Mau dia para você também, Weasley.
— Cala a boca, Malfoy. Não vim discutir com você — Rose virou-se para Albus — Caramba, você definitivamente vai amar quem eu escolhi para cantar na SFASAP.
— Como?
— Resumindo, na sua festa. De qualquer modo, esse vai ser o meu presente de aniversário para você.
— Sua família está tão pobre assim, Weasley? — provocou Scorpius, parecendo incomodado por ela ter arranjado alguém para a festa de Albus.
— Mais uma vez, cala a boca, Malfoy. De qualquer forma, assim que você conhecê-la, eu tenho certeza de que vai me agradecer eternamente.
— Uma garota vai cantar na minha festa? — exclamou o moreno ao mesmo tempo em que Jason dizia:
— Eu quero um presente desses de aniversário também.
— Sim e talvez eu arranje uma para você também, Jason. O negocio é que agora você não pode mais dispensar. Revirei toda a minha cabeça tentando encontrar alguém e, a não ser que você queira que eu chame aquele segundanista que passou pela gente cantando Hey Mickey, é melhor você calar a boca e me agradecer. Eu literalmente quase morri para conseguir ela para cantar.
Albus suspirou desistindo, e falou:
— É bom que valha a pena.
— Vai valer — ela pulou do banco e correu para a mesa da Lufa-Lufa, mas não antes de gritar — Não vai se arrepender.
É bom mesmo, Albus pensou ao ouvir Scorpius reclamando mais uma vez sobre como Rose não ia fazer algo que prestasse.
14h31 WET, segunda-feira, 6 de setembro
Aula de Adivinhação
Algum lugar da Escócia (Hogwarts)
— Eu não acredito que você me convenceu a continuar nessa matéria — Rose sussurrou para Meena mais uma vez.
— Shh — a loira falou, balançando a mão num pedido de silêncio, voltando a se concentrar na Profª. Sibila Trelawney, que falava algo sobre males agourentos a frente da classe.
Com certeza, dos sete alunos que continuaram na matéria, somente Meena estava prestando atenção no que a professora falava - que era considerado baboseira pelos outros alunos. De todas as aulas as quais ela podia se dedicar, aquela era a que mais prendia a atenção da garota por ser sua única chance de entender algo do seu dom. Desde o terceiro ano, quando começou a cursar as aulas de Adivinhação, Meena se prendia a cada palavra de Trelawney como se fosse um bote salva-vidas, apesar de não ter achado em nenhuma de suas aulas uma deixa para que ela pudesse iniciar alguma pesquisa.
Ela, Penélope e Rose fariam todas as matérias juntas, se não fosse pelo pai de Penny ser atual diretor e professor da escola e a impedisse de fazer Adivinhação junto com as amigas. Rose sempre estava resmungando sobre o quão bom seria se o pai dela fizesse isso também - pelo que Meena sabia, somente a Sra. Weasley era contra a filha cursar a disciplina.
O sinal tocou e a Profª. Trelawney dispensou a turma, sem nenhum dever a não ser ler o capítulo sobre Previsões Agourentas - Meena já tinha lido aquele e não havia encontrado nada promissor. Elas saíram da torre e andaram a esmo pelo corredor enquanto Rose reclamava do método de ensino de Trelawney.
—... além do péssimo método de ensino, que nos ajuda em nada a não ser aprender como nãodar aula. Preferia mil vezes Aritimancia.
— Ok, Rose. Mas eu não te pedi para se inscrever comigo. Você fez porque quis — Meena interrompeu as reclamações da ruiva sem dó — Eu que não ia perder meu tempo em Aritimancia! Eu tenho que achar alguma coisa que me ajude a me livrar daquilo ou a entender o que eu faço e Adivinhação faz isso por mim.
— Mas sua tia já procurou em todos os lugares e não achou nada. Já falou com pessoas mais confiáveis que a Trelawney e ninguém soube respondê-la! — Rose parou de andar e ficou na frente da amiga — Já passou da hora de você aceitar isso, Meen. É o melhor para todos nós.
— Eu não quero aceitar! Tem que ter alguma-.
Alguém ao lado delas limpou a garganta e interrompeu a loira no meio da frase.
— Com licença, mas qual de vocês é Meena Harper? — Quem estava falando era um garoto. Sonserino, rosto muito bonito, alto e cabelos castanhos. Deu para perceber que até Rose - que não se deixava impressionar por nenhum sonserino - ficou totalmente desconcertada quando olhou para os olhos azuis dele.
— Depende de quem pergunta — Meena respondeu, abrindo um sorriso petulante para ele.
— Matthew Devinette, mas pergunto em nome da Profª. de Transfiguração.
— Então sou eu — a loira se despediu de Rose com um aceno de cabeça e começou a andar para o outro lado do corredor, para onde ficava o escritório da ex-diretora. Ao ver que Matthew não estava a acompanhando, ela se virou e viu ele parado no mesmo lugar de antes, olhando-a curiosamente — Você não vem?
Ele começou a andar e logo chegou ao lado dela. Eles andaram por um tempo em silêncio até que Matthew resolveu se pronunciar.
— Pergunto-me como você sabia que deveria vir comigo.
— Minha tia nunca me chamaria pelos outros a não ser que quisesse que eu fosse até a sala dela — explicou Meena, impressionada pela maneira elegante que Matthew falava — Então, diga-me Sr. Devinette, de onde você veio? Ninguém, seja britânico ou não, fala com alguém da sua idade como se estivesse falando com um professor.
— Transferido da Durmstrang, natural da Inglaterra. Falo dessa maneira porque fui muito bem educado.
— Auch. Essa doeu — ela riu — Não quer dizer que só porque eu sou americana e falo como uma americana eu não sou educada.
— Ah, eu não disse isso, Srta. Harper. Pelo que eu soube você foi educada pela alta classe nova-iorquina, estou correto?
— Quero saber por onde você anda que já está sabendo tanto de mim. E me chame de Meena, por favor.
— Só se você me chamar de Matthew.
— Então, temos um acordo? — perguntou Meena, parando em frente a Gárgula que ficava na entrada do escritório de sua tia.
— Creio que sim.
— Adeus, Matthew. Espero vê-lo em breve — e dando um leve beijo em sua bochecha, ela virou-se para a porta que protegia as escadas.
Ela abriu-a subiu as escadas em espiral sem olhar para trás. Ainda sentia o olhar de Matthew a suas costas e se esforçava para segurar um sorriso. Era interessante para Meena saber como ela poderia chamar atenção de algum garoto que não soubesse da fama dela. Matthew era carne nova e era bom aproveitar enquanto podia - lê-se: até que alguém falasse para ele não se meter com a Garota Você-Vai-Morrer.
Bateu na porta do escritório de sua tia e entrou, permitindo-se então a dar um sorriso cheio de dentes quando viu Minerva McGonagall concentrada na leitura de algum livro.
— Boa tarde!
— Olá, Meena. Sente-se. Deixe-me só acabar essa pagina aqui.
Ela se sentou na cadeira que Minerva havia apontado e esperou ela terminar a página que estava lendo antes de se concentrar na sobrinha.
— Bem, quero saber como foram suas férias. Não perguntei mais cedo porque estava concentrada em alguns... Problemas do Ministério.
Ainda sorrindo, Meena contou sobre suas férias distraidamente enquanto trançava seus cabelos loiros. Quando terminou de contar sobre o Incidente Luke Walsh, Minerva se pronunciou pela primeira vez desde que ela havia começado a narrativa.
— Hmm, férias tão ruins e um sorriso tão bonito? Você me permitiria fazer algumas conjecturas? — Meena assentiu — Eu tenho duas opções em minha mente: ou você conseguiu algum avanço nas suas pesquisas sobre o seu dom na aula de Adivinhação ou você gostou muito de um aluno novato que eu mandei ir lhe buscar da aula.
— Eu não chamaria de gostar. Eu diria que eu aprecieia belíssima vista que o aluno novo me propiciou — disse ela, fazendo Minerva sorrir.
— Bons tempos, esses das apreciações de vistas — os olhos castanhos da diretora se nublaram por um tempo antes dela voltar a olhar para sua sobrinha — Soube que você andou brigando ontem à noite. Posso saber a razão?
Meena não se surpreendeu tanto assim. Como ex-diretora e ainda professora de Hogwarts, muitas vezes, Minerva McGonagall sabia de coisas que os alunos apostariam a vida achando que ela desconhecia. Coisas como a festa de aniversário de Albus Potter - que, supostamente, deveria ser secreta.
— Eu vou ter que cantar na festa de Albus Potter a pedido da Rose.
— Mas isso é ótimo! Quem sabe sua popularidade não cresce por causa disso?
Meena revirou os olhos e baixou-os para o colo. Seus olhos amarelados se arregalaram de surpresa quando percebeu há quanto tempo estava ali.
— Por falar nisso, o ensaio é daqui a cinco minutos. Tenho que ir — ela se levantou e correu para o lado da tia, dando-lhe um beijo de despedida — Te vejo no jantar!
Com isso, ela saiu da sala e desceu as escadas.
A sala em que ocorreriam os ensaios era uma sala que, na verdade, já era reservada e devidamente protegida, exclusiva para o uso de Meena. Isso foi providenciado para ela em seu terceiro ano, quando, para evitar que um balaço acertasse em cheio a cabeça da professora de vôo e a fizesse cair e morrer, a loira teve de quebrar a vassoura da Profª. Hoochna frente de todo o corpo docente e discente de Hogwarts a beira do campo de Quadribol. A professora queria que ela fosse expulsa, mas Minerva pediu que Madame Pomfrey fizesse um exame psicológico em Meena num ato desesperado para evitar que o temor dos pais dos outros alunos a tirasse da escola. A enfermeira disse que Meena não tinha nada além de ser extraordinariamente estressada e descobriu que somente a música fazia a garota relaxar. Foi providenciado isolamento acústico, os instrumentos musicais que ela sabia tocar - piano, violão e guitarra - e que ela visitasse freqüentemente a sala. A Profª. Hoochse aposentou logo em seguida, mas deixou para Meena um presente totalmente indesejado: o apelido Garota Você-Vai-Morrer.
E foi assim que Meena Harper conseguiu virar a esquisita de Hogwarts além de ser a maluca de Nova York.
Ela chegou à sala e encontrou os quatro alunos que faziam parte da banda parados lhe esperando na porta. Ela automaticamente os reconheceu como Derek Jordan, Sean Thomas, Adam Macmillan e Hugo Weasley - o irmão de Rose. E eles, é claro, automaticamente a reconheceram como a Garota Você-Vai-Morrer, já que Derek e Adam deram um pulo para trás assim que ela se aproximou.
— Olha aqui, cara, e-eu não fiz nada. Desde quando minha mãe também me mandou parar de malhar demais eu parei, ok? — gaguejou Adam, fazendo o sinal da cruz com os dedos.
— Cala a boca, idiota! Ela é quem vai ser a vocalista — Hugo falou e deu um tapa nas mãos do outro, andando em direção a ela — Minha irmã me disse daquela coisa doida que você faz então, me diz aí, algum de nós vai morrer?
Para a ampla felicidade de Meena, Hugo teve a decência de falar aquilo baixo, poupando-a dos outros. Ela também ficou surpresa por ele ter falado aquilo como se acreditasse nela e com naturalidade.
— Não, não vão.
— Ótimo. Seria muito ruim eu me esforçar tanto para ser o próximo baterista d'As Esquisitonas se eu fosse morrer num futuro próximo — ele sussurrou aliviado, dando as costas para ela em seguida e abrindo a porta — Vamos logo ensaiar e, Adam, cara, para de fazer isso na frente da gatinha. Ela vai se assustar com você.
Erguendo as sobrancelhas e sorrindo, Meena entrou por último, trancando a porta enquanto pensava se não acharia aquilo ali muito divertido, afinal.
20h05 WET, quinta-feira, 16 de setembro
Sala Precisa
Algum lugar da Escócia (Hogwarts)
— Hugo! Ei, Hugo! — gritou Albus, saindo da porta e andando até o lado da Sala Precisa onde estaria o palco.
— E aí, futuro aniversariante? Como é que 'cê tá? Animado?
— Na verdade, eu estou mais para preocupado. Nenhum de vocês me disse como é que anda a banda e a Rose não quer me dizer quem é que vai tocar com vocês...
— Aposto que a garota é uma merda — intrometeu-se Scorpius, levitando várias caixas de cerveja amanteigada para o bar — Primeiro porque foi sua irmã que escolheu - sem ofensa, cara - e segundo, porque sua irmã não tem bom gosto para música - ofendendo mesmo.
— Acho melhor você calar a boca, Malfoy. A gatinha que a Rose arranjou arrasa! — gritou Derek do outro lado da sala onde ajudava Jason a escolher as músicas para o DJ.
Scorpius fez uma careta ao ver que todos os outros membros da banda concordavam com o grifinório e voltou a levitar as bebidas calado.
— Mas, diz aí, Hugo, quem é essa garota?
— Ih, priminho. A Rosie mandou todo mundo que sabe calar a boca. Eu soube que umas garotas da Lufa-Lufa sabiam, mas a Rose mandou elas ficarem quietas também — o ruivo ajeitou a caixa de som e se sentou sobre ela — Apesar de eu achar muita maldade da minha maninha querer dar a outra gatinha de presente pra você, já que eu soube que o primo do Scorpius tá curioso sobre ela.
— O Matthew sabe quem é? — o loiro perguntou/gritou, deixando a caixa de firewhisky - contrabandeado, é claro - cair sobre seu próprio pé, xingando nomes tão feios que fariam um marinheiro corar.
— Nossa! Que boca suja, Malfoy! — riu Rose, que acabava de entrar na Sala Precisa. Ela sacou a varinha e apontou para o sonserino — Limpar.
Todos caíram na risada vendo Scorpius cuspir sabão cor de rosa enquanto tentava tirar o carregamento de firewhisky de cima de seu próprio pé.
— Respondendo a sua pergunta, sim, o Devinette sabe, mas a minha vocalista já tratou de calá-lo também.
— Qual é Rose! Conta — falou Jason, indo em direção a ruiva que estava parada no meio da sala.
— Se eu contar não vai ser surpresa de aniversário — retrucou ela, acenando com a varinha e fazendo um lustre que estava encostado no chão se prender ao teto — Agora, calem a boca e trabalhem! Amanhã ninguém aqui tem tempo livre e precisamos terminar isso logo porque eu tenho mais o que fazer.
Obedecendo a ruiva, os garotos voltaram cada um a fazer seu trabalho - sem fazerem silêncio, é claro. Albus, ainda intrigado, foi ajudar Scorpius antes que ele voltasse a falar obscenidades que irritariam sua prima.
N/A:
Jinx: Obrigada pelo review querida! Eu me baseei mesmo na história da Meg - porque é imperdível esse livro. Beijos :*
Scorpius Malfoy: Alexander Ludwig
Jason Zabini: Hayden Christesen - isso mesmo, aquele que faz o gato do Anakin Skywalker
Matthew Devinette: Matt Lanter - o Anakin dos desenhos animados
Albus Potter: Matt Dallas
Eu acho que deu para todo mundo perceber que eu amo Star Wars. Anyway, beijos e até o próximo capítulo.
