Oi!!

Mais um capítulo saindo do forno. Este eu escrevi bem rápido, em dois dias. A inspiração para ele surgiu do nada, então eu resolvi escrever e postar de uma vez. Ainda estou escrevendo os capítulos de Hogwarts High School e de Harry Potter e os Herdeiros de Hogwarts. Como os capítulos de HHS são enormes, ele deve demorar um pouco mais. Mas espero que eu consiga terminar em breve.

Esse capítulo de hoje começa já em 1974, e não em 1972, como o anterior. Para todos se situarem, os marotos e Lily estão no quarto ano, e Regulus e Ellie estão no terceiro.

Por hoje é só.

Beijos para todos, e peço aos que lerem, para deixar uma review, para eu saber as opiniões de vocês sobre a história.

Priscila Black.

Cap. 3 – Amizades verdadeiras.

Dia 05 de outubro de 1974.

- Ah, nem vem!

- E você não acredita? Pois eu vou te mostrar. Espere, e verá!

Uma dupla de alunos saía do salão principal, e caminhava displicentemente em direção ao jardim da escola. Eram um garoto e uma garota. E eles prosseguiram a discussão iniciada há pouco.

- Não estou te chamando de mentiroso, apenas... acho um exagero! – a garota falou.

- Qual é, Ellie! – o garoto argumentou. – Você mais que qualquer um sabe que eu posso fazer isso!

Ellie sorriu levemente ao ouvir o amigo.

- Reggie... não estou duvidando da sua capacidade, apenas estou dizendo que você vai precisar bem mais que pensamento positivo...

Ela se segurava para não rir. O garoto percebeu, e resolveu fingir não ter entendido.

Os dois agora estavam caminhando pelo jardim. Os dois anos que se passaram desde a primeira vez que os amigos se viram agora estavam muito óbvios. Os dois estavam bem mais crescidos. Eles estavam cursando o início do terceiro ano em Hogwarts. Regulus continuava mais alto que Ellie. Só que agora a diferença de altura entre os dois era bem maior, já que o garoto estava bem crescido. Mas ele ainda conservava alguns poucos traços infantis, como geralmente os garotos da idade dele ainda conservam. Seus cabelos pretos estavam um pouquinho maiores que estavam aos 11 anos, mas ainda permaneciam curtos. Os olhos azul-acinzentados brilhavam com intensidade enquanto ele se divertia com a conversa da amiga. Sua pele permanecia branca, como se ele tivesse passado o verão inteiro trancado em casa.

Já Ellie apresentava pequenas mudanças em sua aparência, mas elas eram cada vez mais visíveis. Agora, aos 13 anos, a garota tinha crescido alguns centímetros. Mas ela continuava não sendo das garotas mais altas de seu ano. Isso a deixava secretamente frustrada, já que seus pais tinham sido ambos altos. Seus cabelos pareciam finalmente ter decidido uma cor definitiva, já que ela, com o passar dos anos, viu seus cabelos loiros da infância se tornar cada vez mais escuros, como eram os de deu pai. Agora, eles estavam castanho claro, e já se mantinham assim por algum tempo. Seu rosto ia perdendo a aparência infantil com o passar do tempo, e agora ela apresentava feições um pouco mais maduras. Mas os olhos azuis continuavam tão belos e penetrantes como sempre foram. As pequeninas sardas no nariz arrebitado e delicado continuavam dando um ar sapeca à garota, mas agora ela começava a perceber, de forma discreta, que elas também atraíam a atenção dos garotos da escola. E de uma forma bem diferente do que antes.

Regulus continuou andando ao lado da amiga. E ele sorriu ao falar.

- Você só está falando isso porque teme por seu time...

Ellie olhou para ele, e levantou uma sobrancelha.

- Temo por meu time?

O sorriso do garoto se transformou em gargalhada.

- Teme sim! Nem adianta fingir que nem liga. Só porque eu entrei no time da sonserina...

Ellie estava visivelmente contrariada.

- Nem vem, Reggie! Não vou dar opinião sobre o assunto. Fico feliz que você entrou para o time, mas eu sou da Grifinória!

- E? – ele falou, mais para brincar com ela que por qualquer outra coisa.

- E? E eu vou torcer por meu time! Grifinória!

Regulus começou a rir da expressão séria que Ellie apresentava. Aquilo realmente parecia um assunto sério para a garota. E era. Ela estava dividida entre a amizade à Regulus, e a rivalidade entre as casas.

Mas ele não estava nem um pouco preocupado com o assunto. Estava feliz. Sempre quisera entrar no time da Sonserina, e finalmente conseguira. Com a formatura do antigo apanhador, ele pode se candidatar à vaga. E, após exaustivos testes, ele fora escolhido. Aquilo era motivo de enorme orgulho para o jovem Black.

Os dois finalmente chegaram a um destino familiar. Eles sentaram à sombra de uma árvore no jardim. A árvore que eles sempre sentavam quando o tempo estava bom. Aquela tarde de outubro estava agradável, e não estava frio o suficiente para espantar os alunos dos jardins. Assim que chegaram à sombra da árvore, Ellie largou a mochila que carregava às costas, e sentou. Ela ainda apresentava a expressão séria. Regulus se largou na grama de qualquer jeito, e o sorriso continuava em seu rosto.

- Ah, Ellie... – ele continuou, e agora a voz dele estava cheia de falsa preocupação – você não vai torcer para mim? Seu querido amigo?

Ellie ficou um pouco vermelha ao responder. Ela estava ficando alterada, e não conseguiu esconder que estava cada vez com mais raiva do assunto.

- Não! Quer dizer... – ela estava se enrolando por querer demonstrar ao amigo que o apoiava, mas que não trairia sua casa por isso – Eu vou te apoiar, e tal... mas eu sou Grifinória, Reggie!

Regulus agora ria abertamente. Ellie ficou quase furiosa com ele.

- Seu... você está tirando onda com minha cara!

Ele continuou a rir, e respondeu.

- E só agora você percebeu!

Ellie o olhou com raiva, mas um segundo depois já estava sorrindo, por mais que tentasse aparentar estar séria.

- Idiota. – ela retrucou, mas já sorria.

Regulus a puxou para perto, e começou a bagunçar o cabelo dele.

- Ei! Pára com isso! – ela resmungou, tentando afastar as mãos do amigo.

Regulus ainda ria, e agora tentava segurar as duas mãos dela, e continuava a tentar bagunçar o cabelo da garota. Em um segundo os dois já estavam se embolando, numa luta cheia de braços e mãos, cada um tentando imobilizar o outro.

Regulus, como era maior e mais forte, logo tinha conseguido prender as mãos de Ellie. Ela respirava superficialmente, e era visível em sua expressão que estava contrariada por ter perdido a disputa.

- Desiste? – ele perguntou, entre gargalhadas.

- Nunca! – ela retrucou. Mas estava presa, sem ter como escapar.

Regulus apenas sorriu para a amiga, e soltou os braços dela. Assim que se viu livre, ela deu um tapa não muito de leve no braço dele, e virou a cara, fingindo procurar algum livro na mochila.

- Ai! – ele reclamou. – Você não é muito boa perdedora, não é?

- Não quando a disputa é injusta. Se fosse um duelo, você já estaria na ala hospitalar uma hora dessas. – ela respondeu, sem olhar para ele. Tinha pegado um livro na mochila, e estava deitada na grama, com o livro no colo.

Regulus não respondeu nada. Simplesmente porque sabia que ela estava certa. Num duelo com varinhas, Ellie teria mandado qualquer aluno do ano deles para a ala hospitalar. Sem dificuldade nenhuma.

Ellie agora estava concentrada lendo seu livro, ou então fingia estar concentrada. Mas ela ainda estava com a testa franzida, sinal que não tinha esquecido do recém ocorrido.

Regulus deitou ao lado de Ellie, e colocou sua cabeça bem ao lado da dela. E falou, agora sem rir.

- Oh, Ellie... não fica brava comigo, não...

- E quem disse que eu estou brava com você? – ela respondeu, mas sem tirar os olhos do livro. Isso era sinal que ainda estava brava.

Regulus agora encostou a cabeça na dela, e falou.

- Ah, Ellie... você sabe que é minha baixinha preferida!

Ellie mexeu um pouco os lábios, como se fosse rir. Mas conseguiu se controlar.

- Quer dizer que você tem mais de uma baixinha? – ela falou. Sua voz demonstrava estar mais descontraída.

- Não. Você é minha única baixinha. Minha melhor amiga. – ele falou. E agora estava sério.

Ellie retirou os olhos do livro, e olhou nos olhos de Regulus. Mas não disse nada. Eles se entendiam pelo olhar.

Regulus viu nos olhos dela que estava tudo bem. E sorriu, voltando ao assunto inicial.

- Então quer dizer que você acha que eu não tenho chance contra a Grifinória?

Ellie sorriu de lado, e voltou os olhos para o livro, mas respondendo ao amigo na mesma hora.

- Exato.

- Você acha que o Stuart MacKay é melhor que eu? Aquele escocês esquisito?

Ellie sorriu ao ouvir Regulus falando de Stuart. Sim, ele tinha razão. O apanhador ruivo da grifinória era mesmo esquisito. Mas ela jamais admitiria isso.

- Porque você pergunta isso? Agora minha opinião vale alguma coisa?

- Sua opinião sempre vale, Ellie. – ele disse, sério.

Ellie fechou o livro que lia, e passou a encarar as nuvens no céu. Elas estavam ficando alaranjadas, à medida que o sol ia baixando. Regulus viu o que ela observava, mas ainda queria sua resposta.

- Então? – ele falou.

Ellie estava perdida, observando as nuvens. Ela simplesmente pegou a mão dele, e o puxou. Eles foram para longe da sobra da árvore. Ellie deitou com as costas no gramado, e chamou Regulus para deitar com ela.

- Vem cá.

Os dois amigos deitaram completamente na grama. Os olhos pregados no céu. Regulus observou as nuvens de diferentes formatos, algumas cheias como algodão, e outras compridas e ralas. Ellie começou a falar.

- Eu fazia sempre isso quando era criança. Minha mãe e meu pai deitavam comigo, e ficávamos olhando as nuvens.

Regulus ficou em silêncio. Ellie não gostava de falar sobre os pais, então, nos momentos que ela fazia, ele sempre respeitava, e dava a ela a oportunidade de falar sem ser interrompida.

Os dois ficaram em silêncio por algum tempo apenas observando as nuvens no céu. Após um bom tempo, quando o céu começou a dar sinais que o por do sol se aproximava, Ellie falou, com a voz bem tranqüila e suave.

- Eu não acho que o Stuart é melhor que você.

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O casal de amigos continuou no jardim por mais algum tempo. Viram a maioria dos alunos entrarem no castelo. Alguns os observavam discretamente, mas ninguém parou para falar com eles.

Regulus e Ellie eram conhecidos na escola como uma dupla incomum. Normalmente, sonserinos e grifinórios não se davam bem. Mas aqueles dois sempre estavam grudados, como se fossem gêmeos siameses. Fora Ellie e Regulus, a única amizade conhecida entre sonserinos e grifinórios ficava por conta de Lily Evans e Severus Snape. Mas, na verdade, Lily Evans tinha uma porção de amigos, e ela não andava o tempo todo com Snape. Era mais o caso de ele ficar atrás dela o tempo que pudesse.

O que não acontecia no caso de Ellie e Regulus. Os dois andavam juntos boa parte do tempo que dispunham. Provavelmente não ficavam mais tempo juntos por serem de casas diferentes. Quando os alunos iam para as salas comunais, eles se separavam, e cada um ia ficar com os amigos de casa. No caso de Ellie, isso significava passar tempo com Sarah.

Os dois se despediram no salão principal, após jantarem. Ambos estavam muito animados com a primeira visita à Hogsmeade, que só era permitida a alunos do terceiro ano para cima. Como a primeira visita seria ainda naquele mês, eles já estavam planejando o que fariam na pequena vila.

Ellie subiu as escadas, em direção à torre da Grifinória. Passou pelo buraco do retrato, e encontrou a sala comunal da grifinória cheia.

Era noite de sexta-feira, e grande parte dos alunos estava aliviada por ter algum descanso dos estudos. Ela percorreu a sala com os olhos, e logo encontrou Sarah conversando com Liz e Barbara, suas colegas de ano. Rapidamente ela cruzou a sala, e se reuniu às garotas.

Sarah, agora aos 13 anos, continuava com seus cabelos castanhos escuros muito cacheados. Mas eles eram muito bem cuidados, com cachos bem feitos, algo que custava um bom tempo à garota todas as manhãs. Ela continuava tagarela e simpática, e ela e Ellie eram boas amigas. E Ellie continuava sempre ajudando Sarah com os estudos, já que eles não pareciam ser a prioridade da garota na escola.

Liz agora tinha crescido um bocado, mas continuava com os cabelos muito loiros e com as bochechas grandes e coradas. Já Barbara era visivelmente a garota que mais crescera no terceiro ano, estava alta para a idade delas, esguia e com uma bela postura. Ela já chamava muita atenção entre os garotos, com sua bela pele bem morena e olhos escuros e expressivos.

Ellie sentou ao lado de Sarah, numa poltrona vazia. Sorriu para as garotas, e elas prosseguiram a conversa.

- Não sei, Liz. Ainda não respondi. – falou Barbara.

Sarah sorria abertamente, e tampou a boca para sufocar uma risadinha. Ellie olhou para as três, e falou.

- Qual é o assunto?

Barbara abriu a boca para responder, mas Sarah foi mais rápida. Ela sempre era a mais rápida em falar qualquer coisa.

- Thomas Hunter convidou a Barbara para ir à Hogsmeade com ele! – ela falou, muito rápido. E logo depois teve um acesso de risos.

Ellie também riu, mas foi por ver a enorme excitação de Sarah com o assunto.

- Sério? – Ellie perguntou. – E aí?

Barbara inspirou levemente, e respondeu.

- Eu ainda não dei uma resposta a ele. Vou responder nesse fim de semana. Ainda estou em dúvida... – mas a expressão da garota demonstrava claramente que ela estava no mínimo lisonjeada com o convite.

- Pois eu acho que você deve aceitar. – disse Liz. – Ele é mais velho, é popular... ouvi dizer que ele vai ser escolhido monitor da Lufa-lufa no ano que vem...

Sarah concordou com a cabeça, e logo acrescentou.

- Fora que ele é uma gracinha... – ela falou, suspirando sorridente.

Liz e Ellie confirmaram com a cabeça. Thomas Hunter era mesmo uma gracinha...

Barbara sorriu com a aprovação das colegas. E finalmente falou.

- Tá bom. Vou falar com ele amanhã.

Liz sorriu, feliz pela amiga. Sarah estava tão animada que enlaçou os dedos uns nos outros, em visível sinal de contentamento. Ellie se recostou na poltrona, e percorreu a sala com os olhos. Viu alguns dos alunos mais velhos conversando, e um ou outro casal de namorados, sentados em poltronas, sempre bem próximos uns dos outros. Ela se voltou para as amigas, e falou.

- Sabe, acho que esse convite que a Barbara recebeu é como um marco nas nossas vidas...

- Como assim? – perguntou Liz.

Ellie olhou rapidamente para um casal de namorados do último ano, Alice MacKenzie e Frank Longbottom, que se beijavam discretamente numa poltrona mais escondida. E olhou de novo para as amigas, respondendo a pergunta de Liz.

- Pela primeira vez, uma de nós é convidada para sair por um rapaz. Agora, tudo vai mudar. Os garotos vão crescer, e provavelmente irão se tornar menos imbecis e mais... vamos dizer... agradáveis.

Sarah abriu a boca para responder, mas um barulho a interrompeu. Ellie olhou para o lado, e viu James Potter e Sirius Black, alunos do quarto ano, morrendo de rir. Eles estavam jogando snap explosivo. Ellie percebeu que eles riam por Peter Pettigrew, que assistia à partida de muito perto, estar com o rosto todo chamuscado.

- Bem – Ellie completou, observando os garotos que riam sem parar – nem todos vão se tornar agradáveis. Alguns vão continuar sendo os mesmos imbecis de sempre...

Liz e Barbara se entreolharam, e Barbara falou.

- Mas para você as coisas já estão prontas, não é, Ellie?

Ellie franziu a testa, sem entender.

- Como assim?

Liz se aproximou um pouco mais, e baixou o tom de voz.

- Ah, você sabe... com certeza a Barbara não vai ser a única que terá um encontro em Hogsmeade...

Ellie continuava sem entender. Pela expressão que ela fez, Barbara falou, explicando.

- Você e o Regulus Black!

A expressão no rosto de Ellie misturava assombro e incredulidade.

- Vocês estão de brincadeira! – ela finalmente falou.

Desta vez foi Sarah quem falou.

- Ah, Ellie... até eu já notei. Ele sempre vai embora quando eu chego perto de vocês, e ele nem sempre tem uma boa desculpa para isso. Vocês dois vivem juntos, de um lado para o outro... ele não te convidou para ir à Hogsmeade com ele?

Ellie estava perplexa. Ela até tinha notado que Regulus se afastava quando Sarah se juntava a eles, mas achava que era por ele achar que Sarah era muito tagarela. Regulus era um garoto um tanto reservado, e ela sempre teve certeza que o temperamento muito expansivo da garota o incomodava.

- Não! – Ellie respondeu – Quer dizer... nós combinamos de ir, mas não é assim... como vocês estão pensando.

Liz e Barbara se entreolharam como se Ellie tivesse dado uma confirmação para o que elas pensavam. Sarah deu um sorrisinho, e Ellie novamente falou, e ela estava começando a ficar preocupada.

- Não! Não é assim, garotas... Eu e o Reggie... nós somos amigos, só isso!

Barbara olhou para Ellie, e colocou a mão no ombro da colega.

- É, Ellie. Isso pode ser verdade, pelo menos da sua parte. Mas da dele...

Liz concordou com a cabeça. E Sarah também. Ellie olhou para a amiga, e falou.

- Sarah, você concorda com isso? Por que nunca me disse nada?

Sarah ficou um pouco corada ao responder.

- É que eu... bem, eu achava que você também gostava dele. Achei melhor não falar nada, e esperar você me contar.

Ellie olhou para o rosto de cada uma das garotas. Elas pareciam esperar que ela confirmasse alguma coisa. Provavelmente esperavam a confirmação de que Ellie e Regulus estavam namorando.

- Não! Gente, eu e o Regulus somos só amigos! Só isso. Eu não gosto dele. Quer dizer... eu gosto muito dele, mas não dessa forma! É só amizade... – Ellie falou, em um tom um pouco mais alto que o normal.

As três se entreolharam, e pareciam ter se dado por satisfeitas, pelo menos por enquanto. Ellie sentiu de uma hora para a outra seu rosto ficar quente. Ela estava pensando se o que Sarah tinha dito poderia ter algum fundamento. Será que Regulus a via como algo mais que uma amiga?

Após alguns minutos de silêncio entre as quatro colegas, Ellie falou.

- Eu vou... vou tomar meu banho. Vejo vocês lá em cima.

Ela se levantou, e foi andando lentamente pela sala comunal. Normalmente Sarah a acompanharia, mas a garota permaneceu sentada com Liz e Barbara. Ellie pensou que Sarah poderia ter feito isso para deixar Ellie sozinha com seus pensamentos por algum tempo, mas ela teve quase certeza que ela tinha ficado para trás para continuar a conversa com as outras colegas de quarto. Ellie ficou ainda mais corada ao imaginar a conversa entre as três, e resolveu apertar um pouco o passo.

Ela olhava para o chão enquanto caminhava, e nem notou que havia uma pessoa parada na passagem para os dormitórios femininos. Ela só percebeu quando estava quase em cima da pessoa.

Levantou a cabeça, e viu quem era.

A última pessoa que ela queria encontrar naquele momento. Talvez não a última, mas com certeza era a penúltima.

Sirius Black.

Ele estava parado, encostado na parede. Seus braços cruzados. Ele parecia uma versão um pouco maior de Regulus. Mas ele tinha algo que Regulus jamais teria. Um sorriso sarcástico nos lábios que ela jamais vira em Regulus, ou em qualquer outra pessoa que ela conhecia.

Ela pretendia passar direto por ele, mas foi impedida pela voz do rapaz.

- É verdade?

Ellie não estava com a mínima vontade de conversar com ninguém naquele momento, ainda mais com Sirius Black. Mas sabia que se não respondesse seria bem pior. Ele provavelmente ficaria uma semana pegando no pé dela, simplesmente por ter sido ignorado.

- O que? – ela respondeu, sem emoção.

Sirius se desencostou da parede, e deu um passo na direção dela. Mas manteve os braços cruzados.

- Você e meu irmão.

Ellie sentiu o rosto em brasa. Ela estava completamente vermelha. Sirius sorriu de lado, e Ellie ficou com vontade de arrancar com os próprios dedos aquele sorriso sarcástico do rosto dele.

- Acho que isso confirma tudo, não é?

Ele estava provocando ela. Ellie tinha certeza. Então ela retrucou, não se importar em ser educada.

- Você não tem nada melhor para fazer, não?

Sirius franziu ligeiramente a testa, de forma quase imperceptível. Mas pareceu até ter gostado da garota ter retrucado.

- Você não me respondeu... – ele falou, com a voz falsamente delicada.

- Não tenho nada para te responder, Black! O que você tem a ver com isso?

O sorriso morreu no rosto de Sirius. Ele falou, olhando sério para a garota.

- Tenho a ver porque estamos falando do meu irmão mais novo, senhorita Peverell. Se o que eu ouvi você falando com suas amigas é verdade, só estou tentando proteger meu querido irmãozinho de sofrer uma decepção amorosa...

O tom que ele usou ao falar misturava contrariedade com ironia. Ellie pode perceber que ele estava muito mais preocupado em perturbá-la do que com os sentimentos de Regulus.

- Por que você não arranja outra pessoa para atormentar, heim, Black? E me deixa em paz!

Ela fez menção de começar a subir as escadas, mas sentiu uma mão segurando seu braço. Sirius a impedia de ir embora.

- E por que você não se muda logo para a Sonserina, já que adora tanto eles?

Ellie agora estava novamente vermelha. Mas dessa vez era de raiva.

- Larga meu braço agora! – ela falou, entre os dentes.

Mas ele não largou. Ficou encarando por algum tempo o rosto em brasa da garota. Ela respirava superficialmente. Mas nenhum dos dois desviou o olhar. Como se disputassem uma queda de braço psicológica.

Foi uma outra voz que fez os dois desviarem o olhar. No topo da escada, alguém falou.

- Dá para fazer o que ela pediu, Black? Ou vou ter que chamar a professora McGonagall?

Lily Evans estava parada no topo da escada, com as mãos na cintura e expressão muito séria. Sirius largou imediatamente o braço de Ellie. Mas ele olhou para Lily com um meio sorriso.

- Claro que posso, Evans!

Lily não sorriu de volta. Continuou olhando para o maroto, séria. Sirius deu um passo para trás, e foi se afastando, mas não sem antes lançar um olhar para Ellie, e falar.

- Depois terminamos a conversa, Peverell.

Ellie não respondeu nada, apenas o encarou raivosa. Aquilo fez o rapaz dar um pequeno sorriso. Ellie ainda observou ele se afastar, e começou a subir as escadas. Quando chegou ao topo, Lily imediatamente falou.

- Está tudo bem?

Ellie confirmou com a cabeça, e falou.

- Eu não sei o que eu fiz para ele... Mas desde o primeiro ano ele me atormenta sempre que tem a oportunidade. Deve achar divertido implicar com alunos mais novos que ele.

Lily e Ellie foram andando pelo corredor dos dormitórios femininos. E Lily prosseguiu com a conversa.

- Bem, acho que não é esse exatamente o motivo...

Ellie franziu a testa. As duas pararam de andar, e Ellie encarou o rosto da ruiva. Lily completou.

- É um pouco óbvio, não é?

- Não para mim! – respondeu Ellie.

Lily se aproximou um pouco, e falou em tom um pouco mais baixo. Ela sabia muito bem que o dormitório feminino era um local no qual fofocas se espalhavam com enorme facilidade.

- Você é muito amiga do irmão dele, não é? O da sonserina.

Ellie confirmou com a cabeça, e Lily prosseguiu.

- Não é novidade nenhuma que o Black não se dá bem com a família. Por todos serem sonserinos, e ele grifinório. Então você vai lá, e faz amizade com o irmão dele. Ele deve achar que você deveria ser mais... "leal" à Grifinória...

- Mas eu sou leal à Grifinória! – Ellie falou, imediatamente.

Lily sorriu de leve, ao perceber a preocupação de Ellie em demonstrar fidelidade à casa.

- Eu sei. É besteira dele. Eu também tenho um amigo sonserino e não vejo nada de mais nisso. Acho que ele implica com você para atingir o irmão, sabe? De forma indireta ele está implicando com a própria família.

Ellie ficou pensando um pouco sobre o assunto. O que Lily tinha dito fazia bastante sentido. As duas continuaram pelo caminho até chegar ao dormitório do terceiro ano. Lá, Lily sorriu, e se despediu.

- Bem, boa noite, Ellie. Se precisar de alguma coisa, é só falar.

Ellie sorriu para Lily.

- Tudo bem. Obrigada Lily! Boa noite.

A ruiva ainda sorriu, e foi caminhando até o próprio dormitório.

Ellie entrou no quarto, e se jogou na cama. Ainda estava sentindo raiva pela pequena e estúpida discussão que acabara de ter com o irmão mais velho de Regulus. Por que ele tinha que ser sempre tão desagradável? Bem, o ponto de vista de Lily fazia muito sentido. Mas aquilo não justificava nenhum dos comentários desagradáveis que Sirius Black volta e meia endereçava à Ellie. Ou pelo menos era isso que ela pensava.

Pensar em Sirius Black a fez imediatamente lembrar da conversa que tivera com as colegas de quarto sobre o irmão mais novo. Sobre Regulus.

Ela não acreditava que as garotas pudessem estar certas. Não podia ser verdade.

Ela prezava a amizade com Regulus imensamente. Ela sempre estivera presente em sua vida, desde que os dois se conheceram, no primeiro ano. Correspondiam-se no verão, mesmo que sem muita freqüência, por conta da distância. Ela passava os verões com a avó materna, na França. Não podiam mandar corujas todas as semanas, as aves não agüentariam longas viagens com tanta freqüência. Mas sempre tentavam se manterem informados sobre como estavam as coisas em casa, e se estava tudo bem.

Ellie não dava quase nenhum detalhe sobre sua família, por conta do segredo que guardava, mas sempre escrevia enormes cartas com seu dia a dia, desde passeios pelos bosques franceses até pequenas excursões na vila trouxa que ficava relativamente perto de sua casa. Regulus ficava um tanto curioso a respeito da vida dos trouxas, mas não convivia com eles com uma freqüência tão grande como Ellie fazia. A família Black evitava o contato com trouxas, e as cartas de Regulus normalmente narravam as intermináveis confusões e discussões de seu irmão. Ou falavam sobre pequenos acontecimentos do dia a dia de Regulus. Mas ele sempre reservava uma enorme parte para falar sobre quadribol. Ellie não recebia o Profeta Diário em casa, apenas quando estava na escola. Então, ele narrava os jogos, contratações de jogadores e fazia prognósticos sobre a futura temporada. Ellie gostava muito de quadribol, e eles sempre conversavam sobre o assunto.

Ellie ainda estava esparramada em sua cama, tentando por os pensamentos em ordem.

Ela não estava apaixonada por Regulus. Ela o adorava, certamente, mas apenas como amigo. Quase um irmão. Jamais gostaria de se afastar dele, por qualquer motivo que fosse. E só de pensar que ele poderia sentir algo diferente do que ela sentia a deixava arrasada. Não queria magoá-lo. De forma alguma.

Ela tinha que conversar com ele. E isso teria que ser feito no dia seguinte.

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Dia 06 de outubro de 1974.

O sábado amanheceu nublado. Ellie levantou da cama num pulo. Precisava levantar logo. Precisava conversar com Regulus e esclarecer logo aquela situação.

Viu que as colegas ainda dormiam profundamente. Ela se esgueirou pelo quarto, sem fazer som algum. Foi até o banheiro, e tomou um banho rápido. Mas aproveitou o tempo para organizar os pensamentos, e formular algo para dizer a Regulus.

Trocou de roupa, colocando uma calça jeans e uma blusa de mangas compridas. Estava bem mais frio que o dia anterior, já que o sol não tinha aparecido. Ela desceu as escadas para a sala comunal rapidamente.

A sala estava quase vazia, em contraste com a noite anterior. Ellie viu apenas uma cabeça. Alguém estava sentado num sofá, de frente para a lareira. Ellie viu apenas cabelos castanhos bem claros e ligeiramente bagunçados. A pessoa estava de cabeça baixa.

Ellie normalmente se movia de forma muito silenciosa. Mas, por ter descido muito rápido, tinha feito um pequeno barulho. O suficiente para a pessoa no sofá ouvir, e olhar para trás.

- Oi. – ele falou. Era Remus Lupin, aluno do quarto ano, e companheiro inseparável de James Potter, Sirius Black e Peter Pettigrew.

Ellie pretendia seguir até o retrato sem paradas, mas a expressão simpática do rapaz a fez parar. Ela olhou para ele, e respondeu.

- Oi.

Ela deu alguns passos na direção do sofá que ele estava sentado e viu o que ele fazia. Ele estava lendo um livro. De História da Magia. O rapaz viu o que ela olhava, e se explicou imediatamente.

- Só assim que consigo tranqüilidade suficiente para ler esse livro. Os sábados de manhã sempre são tranqüilos na sala comunal. Fora que se eles me virem lendo um livro de História da Magia...

Ellie parou perto dele, mas se manteve em pé. E falou.

- Talvez você precise de novos amigos... – ela falou, mas seu tom não era bravo. Ela estava mais brincando que qualquer outra coisa.

Remus sorriu, e respondeu.

- É, talvez eu precise! – ele abriu espaço no sofá, e falou. – Quer sentar?

Ellie se dividiu entre sentar ao lado do simpático rapaz, e ir procurar Regulus. Mas algo no sorriso simpático de Lupin a fez decidir por adiar temporariamente a conversa com o melhor amigo.

Ellie sentou no sofá, e observou o fogo por um instante. Mas Remus logo deu prosseguimento à conversa.

- Elladora...

Ela o interrompeu de imediato.

- Pode me chamar de Ellie. – por um instante ela esqueceu com quem ele andava. E o observou como apenas uma pessoa simpática querendo conversar.

O pequeno sorriso que se formou nos lábios do rapaz mostrou que ele tinha gostado do que tinha ouvido. E ele prosseguiu.

- Ellie – ele disse o nome com um novo sorriso, que murchou um pouquinho quando ele prosseguiu o assunto. – Sobre ontem...

Ellie reagiu de imediato, franzindo a testa. Remus completou imediatamente.

- Eu vi você discutindo com o Sirius na entrada do dormitório feminino.

Ellie suspirou aliviada. Achou, por um instante, que a conversa sobre Regulus tinha espalhado para todos os alunos da grifinória. Ela voltou a prestar atenção no que Remus dizia.

- Sabe, o Sirius é meio... difícil de vez em quando...

- Difícil? Você é bondoso mesmo...

Remus ficou dividido entre o sorriso pelo elogio, mas ao mesmo tempo percebeu que ela queria dizer que ele era ingênuo.

- Bem, ele... ele tem esses problemas com a família. Mas não leva para o lado pessoal, não. Ele não faz por mal.

Ellie olhou para o rapaz ao seu lado. Ele parecia frágil, mas ao mesmo tempo parecia ter muito conhecimento sobre a vida. Ela não sabia exatamente o que pensar sobre ele.

- Ele é um idiota, isso sim é o que ele é. – Ellie falou. Mas não estava com raiva.

Remus deu um pequeno sorriso. E falou.

- Devo admitir que você tenha certa razão. Ele age como um idiota de vez em quando...

Ellie abriu o primeiro sorriso de verdade do dia. Ela nunca tinha percebido como Remus Lupin era agradável. Talvez por ele sempre estar cercado por James Potter, Peter Pettigrew e por... Sirius Black.

- De qualquer forma, não fica chateada, não. Deixa para lá. – ele completou.

Ellie olhou para Remus. Ele estava um pouco pálido. E parecia um pouco doente.

- Você parece um pouco pálido. – ela falou. – Não quer me acompanhar, eu vou descer para tomar café da manhã. Você com certeza vai sentir-se melhor se comer alguma coisa...

Remus sorriu com a gentileza dela.

- Tudo bem, obrigado. Eu vou terminar de ler meu livro.

Ellie levantou e foi caminhando até o buraco do retrato. Mas virou-se novamente para o rapaz, antes de sair, e falou.

- Sabe, você é diferente deles. Você é legal.

Remus sorriu, satisfeito com o elogio. Mas mesmo assim falou.

- Eles também são. Você só não os conhece bem.

Ela sorriu de lado, e falou.

- Boa leitura, então. Até mais, Lupin.

Remus olhou para ela diretamente, e falou.

- Pode me chamar de Remus. – ele falou, repetindo quase a mesma frase que ela tinha dito para ele.

Ela apenas sorriu, e desapareceu pelo buraco.

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Ellie chegou ao salão principal. Olhou para os lados, à procura de Regulus. Nenhum sinal dele. Ela sentou-se, resignada, na mesa da grifinória. Pegou umas torradas, mas comeu uns pequenos pedaços apenas. Mordiscava distraída quando ouviu uma voz conhecida.

- Oi Ellie. Bom dia!

Lily Evans tinha chegado para tomar café. E ela estava cercada pro suas amigas. Ellie cumprimentou as garotas, e elas sentaram ao seu lado. Lily, que se sentou imediatamente ao lado dela baixou dramaticamente o tom de voz, para ninguém ouvir o que ela falava.

- Tudo bem com você? – ela perguntou.

Ellie sorriu, e confirmou.

- Tudo bem.

Lily manteve o tom de voz baixo. Por sorte as amigas dela estavam distraídas entre si, e não notaram a conversa entre as duas.

- Sabe, acho que ninguém percebeu a discussão de ontem. Nenhuma das garotas ficou sabendo de nada, então... isso é sinal de que ninguém percebeu. – Lily completou, sorrindo ligeiramente.

Ellie sempre se surpreendia com Lily Evans. Elas não eram muito íntimas, mas a ruiva sempre era bondosa e simpática, além de educada com todos. Não era por acaso que ela era tão popular na escola.

- Bem... – Ellie respondeu – Uma pessoa notou. Mas acho que não vai falar nada.

- Quem? – Lily perguntou.

- Remus Lupin, do seu ano. Eu o encontrei hoje de manhã, na sala comunal.

Lily franziu a testa. Ela sabia, como toda a escola, que Remus era amigo de Sirius. Ellie completou.

- Ele falou que viu a discussão. Mas duvido que fale para alguém.

- Ele certamente não tem cara de fofoqueiro... – disse Lily.

Ellie sorriu ao lembrar a gentileza do rapaz.

- É... com certeza não.

Mas a conversa das duas foi interrompida pelas amigas de Lily, que perguntaram algo à garota. Quando ela se voltou para falar com Ellie novamente, um pequeno tumulto formado mais à esquerda da mesa chamou a atenção de todos.

Os marotos tinham chegado para o café da manhã.

Ellie pensou que, se fosse furtiva o suficiente, poderia escapar sem ser notada. Ela olhou para os quatro amigos, para ver se eles estavam distraídos. Mas eles olhavam exatamente na direção dela.

"Droga" ela pensou.

Mas, ao contrário do que ela pensava, não era para ela que eles olhavam. Eles olhavam para Lily e o grupinho de amigas. Eles vieram caminhando na direção delas, e só pararam quando estavam exatamente em frente. James Potter parou bem na frente de Lily Evans e sorria triunfante.

- Bom dia garotas! – ele falou.

Lily levantou os olhos para ele, com uma expressão de tédio. Mas não disse nada.

Ellie ficou observando o comportamento deles, ficando o mais quieta possível. Potter sentou no banco de forma displicente. Passou a mão no cabelo, e a deslizou até a nuca, a mantendo lá. Ellie achou a pose dele um tanto forçada, mas ela pode perceber que várias das garotas que tomavam café da manhã por perto discordavam completamente dela. Ele continuou observando Lily com um sorriso cínico nos lábios. Lily continuou com seu café da manhã, ignorando a presença dos rapazes ali. Peter logo estava enchendo o prato de guloseimas, Remus olhou e sorriu discretamente para Ellie, e Sirius... bem, Ellie nem quis olhar para o irmão do melhor amigo. Ela na verdade temia que ele fosse tocar no assunto da noite anterior. E se ela pudesse evitar o constrangimento, evitaria.

Ellie quis que eles começassem a conversar logo, para que ela pudesse dar uma escapada. E seus desejos pareciam ter sido atendidos.

- Ei, garotas! – James falou, ainda fazendo aquela pose que Ellie achou estranha, mas que parecia agradar tanto às outras meninas do salão – Vocês já foram convidadas por alguém para ir à Hogsmeade?

Uma das amigas de Lily, uma loira risonha, corou um pouco, e riu bobamente. Provavelmente ela achou que James estava sondando alguma delas. A garota respondeu, piscando muito os olhos.

- Bem, algumas sim... outras não. – Ela desta vez direcionou o olhar para Sirius, que, por algum motivo, olhava distraído para o nada, e tinha uma expressão ligeiramente fechada.

James olhava diretamente para Lily, que continuava ignorando a presença dele ali. Ele falou.

- E você, Evans? Algum encontro? – o tom que ele usou era de quase cinismo. Mas Ellie captou algo a mais naquelas palavras. Era quase como se ele estivesse realmente curioso para saber.

Lily nem levantou os olhos para responder.

- Não é da sua conta.

A amiga loira de Lily a olhou um pouco surpresa, como se fosse algo proibido falar daquela forma com James Potter. Ellie engoliu uma risada. E Sirius reagiu imediatamente.

- Ai! Essa doeu... – ele falou, agora deixando a carranca de lado, e abrindo um sorriso.

Mas James Potter não era de se deixar abalar tão fácil.

- O que foi? Ninguém tem convidou, e você está mal humorada?

Lily ergueu os olhos e olhou para James. O tom de zombaria que ele usou escondeu a real curiosidade em saber se a garota iria com alguém para a vila. A ruiva estava perdendo a paciência de forma visível, e dava para perceber que o café da manhã dela tinha sido arruinado por James Potter.

- Não. – ela falou, ainda calma. – Não estou mal humorada com nada. Só com sua presença aqui, perturbando minha paz numa manhã de sábado.

Desta vez Ellie não conseguiu segurar o riso. As amigas de Lily olharam para ela como se não a compreendessem. Mas Lily ficou satisfeita ao notar que Ellie a apoiava em relação aos marotos.

Só que o riso de Ellie, mesmo que discreto, atraiu a atenção dos rapazes do outro lado da mesa. Sirius, que tinha feito de tudo para ignorar a presença da garota ali, finalmente olhou para ela. E James, que tinha acabado de levar um fora de Lily, resolveu mudar o foco da conversa.

- Eu ouvi dizer que seu amigo Regulus é o novo apanhador da sonserina. – ele falou, e seu tom tinha um leve ar de acusação.

Ellie evitou olhar para Sirius, e encarou James. Ela sacudiu os ombros, e retrucou.

- E daí?

Um olhar muito rápido e discreto foi trocado por James e Sirius. James prosseguiu.

- Então é verdade mesmo, não é?

Ellie olhou para ele, e respondeu.

- É.

Sirius encarou a garota e falou, olhando diretamente para ela.

- E você vai vestir verde e prata ou vermelho e dourado nos dias de jogo, heim? – ele falou, com um sorriso irônico nos lábios.

Ellie inspirou profundamente. Ela seria capaz de pular por cima da mesa, e quebrar a cara daquele idiota. Mas se controlou. Olhando para ele, ela retrucou.

- Isso é problema meu, não é, Black?

Ellie levantou da mesa, dando apenas um tchau rápido para Lily. Ela não tinha se afastado nem cinco passos quando alguém a fez parar.

- Ei, Ellie!

Regulus estava parado, sorridente, na frente dela. Mais sorridente que o normal. Ellie sentiu um aperto no coração.

Inconscientemente ela virou para a mesa da grifinória, e recebeu o olhar gelado de Sirius Black. Estava na cara que ele estava pensando na conversa do dia anterior.

Ellie voltou-se para Regulus, que a pegou pela mão sem falar nada, e foi conduzindo a garota para o jardim. Durante o caminho ele começou a falar.

- Você precisa ver só o que eu fiz. Fiquei praticando ontem à noite. Vamos lá fora que eu te mostro!

Os dois chegaram ao jardim da escola. Ele estava quase completamente vazio. Regulus enfiou a mão no bolso, e retirou algo de dentro.

Ellie olhou para a mão do amigo e viu o que era.

Uma pequena bolinha, quase do tamanho exato de um pomo de ouro.

- Viu? – ele falou, animado.

Ellie sentiu uma enorme dor. Se o amigo estivesse gostando dela, e, com a conversa que eles estavam prestes a ter, tudo aquilo mudaria. Acabaria para sempre.

- Reggie... – ela falou.

Mas ele nem percebeu como ela estava chateada. Ele pegou a varinha, e disse um feitiço que Ellie não conhecia. A bolinha começou a voar. Mas ela não estava levitando como normalmente faria com um feitiço simples de levitação. A ela estava bem mais rápida, quase como...

- Um pomo? – Ellie falou.

Regulus sorria, satisfeito. Ele estava bastante orgulhoso de si mesmo.

- Eu pensei nisso ontem. Legal, né?

Ellie sorriu. Os dois começaram a tentar pegar a bolinha. Ela não voava muito alto, já que eles não estavam usando vassouras. O encantamento deixava a bolinha sempre ao alcance dos dois. Mas ela era rápida, e logo eles se viram correndo de um lado para o outro, tentando pegar a bolinha.

Quando estavam cansados o suficiente, se largaram na grama, respirando profundamente.

Ellie viu que aquela era a hora. Não podia adiar mais a conversa.

- Reggie...

Regulus estava deitado na grama, com um sorriso nos lábios. Ele apenas virou para a amiga, e respondeu.

- Fala, baixinha.

Ellie sorriu levemente. Apenas Regulus a chamava daquela forma, e, de alguma forma ela sabia que ele era o único que poderia falar aquilo sem ela ficar com raiva.

- Eu queria conversar com você.

Regulus olhou para ela, ainda mais risonho.

- Então você está atrasada, já que, pelo que eu vejo, nós já estamos fazendo isso!

Ellie deu um empurrãozinho de leve nele, que sorriu. Mas ela prosseguiu.

- É que... sabe, nossa visita a Hogsmeade...

- Eu sei. – ele falou, excitado – Estou doido para ir à Zonko's! Vai ser demais...

Ellie suspirou.

- Não é isso... é outra coisa...

Regulus rolou na grama, virando de lado, para poder olhar para Ellie. Ele apoiou a cabeça numa das mãos, e ficou mais sério.

- O que foi, Ellie? Pode falar, você sabe que pode me contar qualquer coisa...

Aquela frase a encheu de esperança. Ela podia estar enganada.

- É que eu... ontem eu conversei com as garotas. E elas falaram... sabe...

O rosto de Regulus se contraiu quase imperceptivelmente. E ele falou.

- O que foi? Aposto que a Miller encheu sua cabeça com besteiras...

Ellie viu ali a oportunidade perfeita para entrar no assunto.

- A Sarah falou algo mesmo. Ela disse que toda vez que ela chega perto de nós, você se afasta.

Regulus revirou os olhos, impaciente. Ele falou, sem controlar o que dizia.

- Eu... não vou com a cara dela! Eu acho que você merecia andar com alguém melhor.

Ellie franziu a testa ligeiramente. Mas continuou.

- Eu sei que não posso obrigar vocês dois a serem amigos. Mas ela sugeriu que você se afasta por um outro motivo.

- Que motivo? – Regulus falou. Agora ele definitivamente parecia tenso.

Ellie inspirou profundamente. Aquele era o momento.

- Ela sugeriu que você... que você gosta de mim.

Um tanto de alívio passou pelo rosto dele. E ele respondeu imediatamente.

- Claro que eu gosto! Você é minha baixinha, lembra?

Desta vez Ellie ficou completamente vermelha. Sua voz saiu baixa quando ela disse.

- Não. Ela quis dizer... de outra forma... sabe?

O rosto de Regulus imediatamente mudou. Ele olhou para Ellie, incrédulo. Mas a enorme vermelhidão do rosto da garota confirmou que ela estava falando sério. E ele teve uma reação nunca imaginada por Ellie.

Ele começou a rir. Gargalhar.

- Você... – ele falava, entre gargalhadas – você está brincando! Imagina... nós dois...

Ellie ficou tão surpresa com a reação que abriu completamente a boca. Só quando Regulus viu a expressão da garota que ele notou que algo poderia estar errado. E ele pensou no pior.

-Ellie... – ele falou, e estava completamente sério agora – você não... você...

Ela ainda estava incrédula.

- Quer dizer que você não gosta de mim? Quero dizer, dessa forma? – ela perguntou.

Ele estava agora com medo de ter magoado a amiga.

- Eu... quer dizer... eu gosto muito, mas como amigo... eu...

Ellie olhou nos olhos de Regulus. E viu exatamente o que queria.

Ela viu que ele estava sendo sincero.

Aquilo foi a melhor notícia do dia. Definitivamente.

Regulus estava cada vez mais preocupado. Ele agora achava que Ellie gostava dele, e que ele tinha ferido os sentimentos dela. Ele se ergueu, e ficou sentado, olhando para a amiga.

- Ellie, eu... eu...

Mas a garota não o deixou responder. Ela se jogou nos braços dele imediatamente. Num abraço muito apertado. Regulus envolveu-a com os braços, ainda sem saber o que dizer. Quando ela o soltou, ele viu que ela sorria.

- Ah, Reggie... você não sabe o peso que me tirou das costas!

Ele sorriu, um pouco incerto. Ela continuou.

- Eu adoro você. Você é meu melhor amigo.

Regulus olhou nos olhos dela. A compreensão chegou a ele. Ela sentia exatamente a mesma coisa. Os dois se amavam. Como amigos. Quase como irmãos.

Ele a puxou para outro abraço. Enquanto sentia os braços dela apertando suas costelas, ele falou.

- Você também é minha melhor amiga, Ellie. E eu também te adoro. Nada vai mudar isso.

Ainda com o rosto enterrado no ombro de Regulus, Ellie falou.

- Promete?

Regulus apertou um pouco mais o abraço, e, passando a mão de leve na cabeça da garota, ele falou.

- Eu juro.

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Bem, por hoje foi isso. Espero que todos tenham gostado. E espero que, quem leu, deixe pelo menos uma review, para eu poder acompanhar o que vocês estão achando da fic.

Um beijão!!

Pri.