CAPÍTULO III

De súbito, estarrecida e consciente de que estava submissa nos braços de sasuke, sakura separou-se dele e correu para a porta do prédio onde morava. Subiu correndo as estreitas escadas, chegando ao último andar em tempo recorde. Pôs a chave na fechadura, depois de ter tido dificuldade em encontrá-la na bolsa. Só percebeu que sasuke estava bem atrás dela quando abriu a porta.
— Vá embora! — gritou.
sasuke impediu que sakura fechasse a porta em sua cara.
— Per amore di Dio. — Ele olhava para o pequeno e claustrofóbico apartamento, nu como uma cela.
— Não quero você aqui — ela disse.
Arrogante, sasuke empurrou-a e entrou. O espaço era mínimo. Havia uma cama; uma pequena mesa contra a parede, com um fogão portátil de duas bocas em cima; e no lado oposto outra mesa.
Ele examinou tudo com olhar de desagrado.
— É limpo. Você não vai encontrar nenhum inseto por aqui. — sakura estava terrivelmente embaraçada, mas lutava para disfarçar. — Talvez queira fazer uma busca a fim de ver se encontra o produto do roubo do qual me acusa.
— Você se apoderou de um quarto de milhão de libras em operações na Bolsa de Valores. Imagino que tenha escondido tudo em algum lugar seguro. Talvez onde passa seus fins de semana? — sasuke observava-a fixamente, a fim de não perder qualquer mudança de expressão.
— Um quarto de um milhão de libras?! — ela repetiu. E acha que eu moraria aqui, como um pássaro engaiolado, se tivesse todo esse dinheiro?
— Seria loucura de sua parte aparentar riqueza, mas, isto aqui... francamente. — sasuke lançou um olhar ao redor e franziu o sobrolho. — Seu salário na Earth Concern podia ser baixo, porém acredito que você poderia morar um pouco melhor.
— Posso ter despesas que você desconhece. — Assim que ela falou, arrependeu-se. — Um quarto de um milhão de libras — sakura sussurrou, tentada a sorrir sardonicamente ao imaginar como seus últimos anos teriam sido diferentes se tivesse tido acesso a pelo menos uma migalha dessa quantia.
— O que você fez com o dinheiro? — sasuke insistia.
— Nunca tive esse dinheiro em minhas mãos, santo Deus! sakura protestou, irritada por ter de provar sua inocência uma pessoa que se recusava ouvi-la.
— Você depositou cinqüenta mil libras em sua conta corrente. O que fez com o resto?
Cinqüenta mil. sakura lembrou-se de algo. Um mês depois dela ter sido despedida das Indústrias uchia, ficara atônita ao receber o extrato de sua conta bancária informando sobre o depósito da citada quantia. Fora imediatamente ao banco para declarar que houvera um engano, e que o dinheiro depositado em sua conta não lhe pertencia. Incrivelmente, no banco, não se interessaram pelo caso, afirmando que não houvera erro.

Alguns dias mais tarde sakura se perguntara se sasuke havia depositado o dinheiro como forma de acalmar sua consciência, após o modo brutal como a tratara. Mas logo concluíra ser impossível. Ao todo, levou semanas para persuadir o gerente do banco da necessidade de que fosse retirado esse dinheiro de sua conta.
— Mas... como você soube que eu tinha a mencionada quantia em minha conta corrente?
— Possuo meus próprios métodos. E agora, confessa sua culpa?
sakura queimava de ódio. Era coincidência demais. Alguém preparara tudo aquilo. Mas, quem? E como poderia ela descobrir e provar sua inocência? Por certo o banco teria condições de saber quem transferira as cinqüenta mil libra de uma conta para a outra. Mas não discutiria o assunto com sasuke. Sem dúvida ele diria que, por medo da investigação, ela transferira o dinheiro numa tentativa de esconder sua desonestidade.
— Você só trabalhou com Edwin recentemente. O que fez antes? Viajou? Divertiu-se em festas?
Não houvera festas em sua vida nos últimos anos. Apesar dos protestos da irmã, vivera praticamente sozinha. Fazendo alguns trabalhos avulsos, com os quais ganhara algum dinheiro, porém não o suficiente para viver com Susie em Londres.
Enfim, não teve muita escolha. Seria pedir auxílio a sasuke declarando que ele tinha uma filha, ou recorrer a ino e gaara. Entre as duas opções, a família ganhou. Na verdade, sakura preferiria dormir num banco de jardim a dizer a sasuke que ele tinha uma filha. Um homem que a despedira do emprego na manhã seguinte da noite em que passaram juntos, não merecia ser pai.
— E festas? — sasuke insistiu. — Levava a vida indo a festas?
sasuke jogou a cabeça para trás, e mentiu:
— Por que não?
— Com quem? — ele perguntou, franzindo a testa.
sakura divertia-se com a raiva dele. Sim, sasuke a desejava, achava-a atraente. E ela, apesar de odiá-lo, vibrava quando sasuke a tocava. Ele era um homem terrivelmente sensual.
— Eu lhe perguntei com quem — insistiu sasuke.
— É de sua conta com quem eu saía?
— Quero saber. E quero também saber onde tem ido nos fins de semana durante os últimos anos.
— Eu por acaso perguntei a você o que fez nos últimos fins de semana? — sakura se surpreendeu ouvindo a própria voz ao fazer a pergunta.

— Eu perguntei primeiro — ele retrucou. — Com quantos homens você saiu?
— Com quantas mulheres você saiu?
— Nos fins de semana, com quem esteve, sakura? Com quem?
sakura pensou logo na quantidade de dias que passara na companhia do avô de gaara, um homem que ela conhecera desde os três anos de idade. Baxter Keating era um agradável senhor bastante idoso que dividia sua imensa mansão com gaara e ino. E tinha sempre muito cuidado para não interferir na vida privada do casal.
— Com um homem muito mais velho que você, sasuke.
— Casado?
— Viúvo.
— O homem está querendo se casar com você — sasuke resmungou.
— Casar? Oh, não!
— Mas você vai à casa dele todos os fins de semana... e fica com ele lá.
— Certo — ela disse sem entrar em detalhes, e sasuke proferiu uma blasfêmia. — Se não queria saber a verdade, por que perguntou? — sakura respondeu, satisfeita por não ter precisado mentir. Afinal, passava horas com o velho Baxter. Teve alguma esperança de que sasuke a deixasse em paz depois disso.
Mas, furioso, ele perguntou:
— Foi esse o homem que lhe deu o vestido que você usou ontem à noite?
— Foi! — Enfim, gaara trabalhava para o avô, e tudo o que sua irmã possuía vinha indiretamente dele.
— Com certeza já tinha gasto todo seu dinheiro — insistiu sasuke.
— Sobrou alguma coisa — sakura mentiu. Céus, aquele diálogo estava ficando cômico, ela pensou maldosamente, divertindo-se com o ciúme de sasuke.
— Sem o menor acanhamento você me diz que é uma...
— Mulher de moral duvidosa? — sakura antecipou-se.
— As atividades que você confessa ter são bem próximas da prostituição — sasuke condenou-a com crueldade. — E Harald? Ele está nisso?
sakura ficou pálida. sasuke portava-se de maneira absolutamente cruel.
— Não!
— Madre di Dio... Deus tenha piedade dele. Você não vai mais ter contato algum com Harald daqui por diante. E nem irá mais me ofender referindo-se a ligações desse tipo que por acaso tenha tido.
A conversa agora tornava-se violenta, refletiu sakura Ela se apavorou.
— Eu...
— Nem mais uma palavra — Cesare interrompeu-a. —Dio, por que me contou tudo isso? Não podia ter mentido — Ele blasfemou em italiano e sakura deu um passo atrás. — Não, é melhor que eu saiba a verdade.
— E eu acho que é melhor que você vá embora já. —Ela apontou-lhe a porta.
— Por quê? Justamente agora que vai me informar o preço de seu trabalho?
Sem entender o que sasuke quisera dizer, sakura indagou:
— Que preço?
— Estou disposto a pagar qualquer preço para ter você na minha cama.
sakura mordeu o lábio, e balbuciou:
— Eu...
— Você declarou, sem o mínimo constrangimento, que... — sasuke evitou falar uma palavra ofensiva. — Sabe como a desejo. Faça seu preç quase engasgou no esforço de engolir. sasuke acreditara que ela era uma mulher promíscua, que tinha um amante fora de Londres. Que tinha amantes, não apenas um. Achou que ele iria estrangulá-la. Mas, de um momento para o outro, teve a impressão de que, em vez de assassiná-la, sasuke resolvera negociar seus favores na cama.
sakura ficou perplexa. sasuke a desejaria tanto assim? Fora tão cruel na noite da véspera! Pela primeira vez o via descontrolado. Involuntariamente ficou fascinada pelas emoções vibrantes de sasuke que lutava entre o desejo de matá-la e o desejo de... oh!
— Não sou seu tipo — sakura sussurrou, só para atormentá-lo.
— Algum dia, de um jeito ou de outro, talvez quando eu tiver saciado esse meu desejo obsceno por seu corpo, a tirarei de minha cabeça, de meu sangue — ele disse com voz solene, como se estivesse fazendo um juramento sobre a Bíblia. — Então, a castigarei por essa negociação imunda que me reduz ao nível de um animal.
Com a boca seca, achando que imprudentemente desencadeara muito mais do que poderia manobrar com aquele temperamento siciliano, sakura ficou olhando pela janela, não confiando em si, muito menos confiando nele, pois sentia a chama da paixão vibrando no ar, entre os dois.
— sasuke... eu não quis dizer...
— E pensar que eu poderia ter me livrado de tudo isso... — ele murmurou. — No primeiro dia em que falei com você na fatídica entrevista, achei que não deveria contratar uma mulher que desejei despir e jogar na cama mais próxima!
Conduzi uma entrevista que considerei um verdadeiro pesadelo... e você agüentou tudo estoicamente.
— Tentava me assustar? — sakura perguntou, pasma.
— Fui um tolo. Dei-lhe o emprego.
sakura estava cada vez mais perplexa. Cesare se interessara por ela desde o início, ainda que sem demonstrar claramente. Fazia o jogo da espera, entretinha-se com a perspectiva de que um dia sakura se renderia, sem restrições.
E ela fora ingênua como um cordeirinho que caía na boca do lobo. E se perguntara muitas vezes por que Cesare não havia tomado precauções na noite em que Susie fora concebida. Considerando-se que era um homem bem mais experiente do que ela que se entregara após o primeiro beijo, ainda se surpreendia pela falta de consideração de sasuke às conseqüências que poderiam advir. Mas só naquele instante lhe ocorria que, no referente a Susie, não lamentava nada do que acontecera. Não podia imaginar sua vida sem a filha.
— Agora, ao menos, sei bem com que tipo de mulher estou lidando! — declarou sasuke com fúria.
De súbito, sakura percebeu que sasuke estava tão perto que podia sentir-lhe o calor do corpo. Ela já se encostava na janela, tentando evitá-lo. E protestou:
— Você não sabe nada sobre mim.
— Você me excita, o que mais preciso saber?
Os seios de sakura estavam túrgidos, um langor percorria-lhe os membros. Porém ela lutava vigorosamente contra suas emoções.
— Você nem ao menos gosta de mim. Chamou-me de ladra de traidora — sakura sussurrou. — Como pode ainda me...
— Desejar você? Sim. Sexo é um apetite, cara. Quando estou cansado, durmo. Quando sinto fome, como. Quando..
— Cale essa boca, e deixe-me em paz. — sakura começou a tremer, como se estivesse sujeita a uma força magnética. — Não me toque!
— Tem medo disto...? — Com a ponta do dedo, sasuke percorreu a linha do decote do vestido, deixando um rastro de fogo por onde passava. O sangue nas veias dela parecei entrar em ebulição.
— Não é essa uma interessante descoberta? — sasuke murmurou. — Afinal você tem, como todo o mundo, um calcanhar de Aquiles, cara. Esse seu cérebro não pode controlar aquilo que eu a faço sentir, e que, naturalmente, a assusta.
— Não...
— Não o quê? — Com um movimento indolente sasuke colocou as mãos nos quadris de sakura e ergueu-a. — Não quer que a toque porque tem medo que eu descubra como está desesperada por minhas carícias? Não quer que a toque porque pode se entregar a mim em troco de nada? — Ele deu uma gargalhada sonora. — Se entregará, garanto. E, no meu caso, não haverá preço.
— Ponha-me no chão! — skura gritou.
sasuke beijou-a. Beijou-a e sentiu o coração dela acelerar. Beijou-a até ouvi-la gemer como um animal que sofria a dor do amor.
sakura sentia-se fraca, tal qual vítima acidentada, ainda trêmula com o impacto. Dedos longos desabotoavam sua blusa. Horrorizada, ela segurou-lhe a mão, na tentativa de impedi-lo.
— Não! — pediu.
— Você é minha — sasuke sussurrou, afagando-lhe os seios.
Fazia tanto tempo que sakura não sentia esse turbilhão de emoções, que seus dentes rangeram à prazerosa dor da excitação. sasuke quase desnudou-a por completo, descobrindo as curvas deliciosas que sakura tentava esconder.
Com um gemido rouco e sensual, ele acariciou-lhe os mamilos com dedos firmes, observando com satisfação o resultado de seus afagos.
De olhos fechados, ela gemia, lutando para controlar sua reação de prazer evidente.
— Não.., não...
— Estranho... Seu corpo me atrai apesar de saber que seu coração é mercenário — sasuke murmurou, brincando os seios túrgidos. Executava movimentos eróticos usando os polegares.
A um dado momento ela sentiu um ar frio varrer-lhe a pele. Estava nua. sasuke também se despira. sakura lembrou-se então do passado. Passado e presente se mesclavam distintamente. Como se estivesse em transe hipnótico, mergulhou nos olhos de reflexos onix de sasuke, e entregou-se sem restrições.
— Você é tão linda! — ele balbuciou.
sakura quis retribuir o elogio, mas sua voz não saiu. Limitou-se a erguer a mão e roçar contra a pele quente do tórax rijo.
— sasuke... — Foi um gemido de completa rendição.
sakura estremeceu quando ele separou-lhe as coxas e explorou com os lábios o calor e a umidade de seu ventre. Emitiu um gemido rouco de excitação que fez eco ao gemido e sakura, sasuke ajoelhou-se sobre ela, beijando-a com loucura como se com isso confirmasse sua posse total.

Envolveu-a em seguida com braços firmes e, resolutamente, penetrou-a. Houve um momento de dor que a fez morder o lábio e sentir gosto de sangue. sasuke murmurou qualquer coisa em italiano e a sensação que a dominou foi tão violenta que a fez gemer, pelo choque e de prazer.
Mas sasuke penetrou-a de novo, no lugar que considerava somente seu. sakura abraçou-o, num ato de aceitação, e permitiu que ele lhe ensinasse mais uma vez o ritmo primitivo do amor. Atingiu o clímax numa explosão de prazer, sussurrando o nome dele com olhos lacrimejantes.
sasuke vagarosamente escorregou o corpo para o lado, no espaço que sobrava da pequena cama; com um dos braços apertava o corpo de sakura contra o seu, quente e úmido.
Bem devagar ele foi baixando a mão até o ventre dela, e parou de súbito ao contato de uma cicatriz.
— Que problema lhe causou isso? — perguntou, tenso.
Ele já examinava o local com olhos atentos, enquanto sakura procurava algo para cobrir sua nudez que agora, ela mais alerta, começava a incomodá-la.
— Você foi operada? Cirurgia grande? — sasuke indagou de novo.
— Não, apenas um pequeno problema feminino — sakura mentiu. — A cicatriz dá a impressão de que a coisa foi pior.
— O que houve com você? — ele insistia.
— Já lhe disse, um insignificante problema feminino.
— Não está me parecendo insignificante...
— Mas, foi, e sinto muito pelo fato de você estar achando minha cicatriz tão assustadora.
— Você sabe que não foi isso que eu quis fazer, mas fiquei perturbado. E, se foi resultado de problema insignificante, você deve ter consultado um cirurgião de quinta categoria.
sasuke pulou da cama, e sakura pôs-se a pensar no dia do nascimento de Susie. Após longas horas de sofrimento, foi necessário que se submetesse a uma operação cesariana. Porém se lembrava, acima de tudo, da sensação de abandono que sofrera no hospital. Todas as outras mulheres da enfermaria tinham consigo seus maridos ou namorados visitando-as. E sakura sentira-se mortificada pela piedade que causava a todos, visitantes e enfermeiras. Por isso preferiu dizer que o marido havia morrido em vez de confessar que seu bebê era o resultado de uma noite de amor com um homem que não quisera mais pôr os olhos nela.

E agora, depois de tudo por que passara, estivera outra vez na cama com sasuke. Envergonhava-se de si mesma. Virou-se e enterrou o rosto no travesseiro. Não tinha argumentos para apresentar em sua defesa.
Quatro anos atrás ela amara sasuke de verdade e imaginara que agora, talvez mudado, ele desejasse algo mais do que apenas sexo. Em sua ingenuidade enxergara-o assim. Como se enganara!
Um desejo abrasador juntou-os; porém, apagado o fogo da paixão, voltaram a ficar separados. sasuke desprezava-a, tinha uma opinião negativa a respeito de seus princípios morais. Quisera apenas humilhá-la; usá-la como fora usado um dia, segundo acreditava.
Mas... refletia sakura, como pudera ela aceitar e sentir prazer nos braços de um homem que odiava? E como continuar vivendo de cabeça erguida sabendo que, no instante em que sasuke a desejasse, estaria pronta para recebê-lo?
— Mudei de idéia sobre o fato de levar você para morar comigo — disse ele, quebrando o silêncio reinante.
Claro, pensou sakura, sasuke já conseguira o que desejava, e com o mínimo de esforço. Quanto a ela, seria uma idiota se aceitasse a oferta de morarem sob o mesmo teto, sabendo agora dos sentimentos dele.
— Ser servida por criados num ambiente luxuoso serviria apenas para confirmar que você pode obter tudo o que quer usando como pagamento o sexo — sasuke acrescentou, como se estivesse falando com uma prostituta declarada, cujo pecado fora entregar-se ao amor.
— Quero que você vá embora já — ela enfim falou, com voz abafada, pois continuava com o rosto enterrado no travesseiro. sakura queria que sasuke se retirasse antes dela começar a chorar.
— Quando me disser onde pôs todo aquele dinheiro, então providenciarei um lugar melhor para você morar — declarou ele friamente. — Por agora, procure um trabalho, um emprego respeitável, para não ser tentada novamente a conseguir dinheiro por meios ilícitos.
sakura levantou a cabeça, os olhos pegando fogo, e disse:
— O que quer que eu faça? Que trabalhe como faxineira?
— Não importa o que for, contanto que seja trabalho honesto.
sakura caiu em pranto. Seu corpo todo sacudia violentamente.
sasuke foi para perto da cama, e ordenou:
— Pare com isso!
— Não consigo!
— Tente.
Ela afastou o olhar, não queria mais encará-lo. Por Deus, sasuke a acusara de criminosa, perseguira-a tenazmente até expulsá-la do emprego, impedira que tivesse uma promoção, e ela agora o compensava oferecendo-lhe seu corpo. Santo Deus, o que havia de errado nela? O que estaria lhe acontecendo?
— Não me venha com fingimento dizendo que não me quer, tanto quanto eu a quero — sasuke declarou com crueldade. — E não me confunda com seus outros amantes. Lágrimas de crocodilo não me comovem. Posso enxergar, através de seus olhos...
— Você é cego! — sakura murmurou.
— Sou é mais forte do que você. Mais duro do que você — ele declarou maldosamente. — E temível quando me irrito. Lembre-se sempre disso, e nos daremos bem. — Ele abriu a porta e disse: — As oito, hoje à noite. Até lá você estará mais calma. Eu a levarei para jantar.
— Não diga! — sakura murmurou. —Quer me alimentar para que eu ganhe forças na cama? É isso?
Ela estava mais furiosa consigo mesma do que com Cesare. Perdera completamente o controle nos braços dele. E concluiu que Cesare a usaria até cansar, e depois a deixaria.
— O que há com você? — perguntou ele.
— Nada!
— Pare com essa atitude patética, então.
— Estou cansada. Apenas isso.
Ele já estava na porta e voltou. Com mãos gentis afastou uma mecha de cabelos rosados do rosto dela, e sussurrou, agachando-se ao lado da cama:
— Eu estaria mentindo se dissesse que lamentei o que aconteceu há pouco. E exijo que nunca adquira uma atitude defensiva quando está comigo.
Atitude defensiva?, pensava sakura. Que ironia! sasuke destruíra todas as suas defesas num único encontro, e parecia ignorar o que esse encontro significara para ela.
— Durma agora... Dio mio... Como pode uma pessoa dormir neste caixão? — ele murmurou com repugnância. Segurou-lhe a mão em seguida, entregando-lhe uma chave.
— Pode ficar em minha casa da cidade, mas apenas por um ou dois dias. Mandarei um carro apanhá-la daqui a uma hora. — Ele endireitou o corpo e foi à porta: — Volto para casa as seis horas mais ou menos.
E, naquele instante, sakura leu com clareza o pensamento dele. Encolheu-se toda. Ouviu a porta fechar e um soluço morreu em sua garganta

doída. Nunca mais permitiria que Cesare voltasse a lhe fazer o mesmo. Sairia de seu apartamento para sempre, muito antes da hora marcada. Seria isso fugir como um coelhinho covarde?
Sim, talvez. Mas, com a pouca resistência que tinha quando estava na companhia de Cesare Falcone, somente uma nova vida a salvaria da ruína. Para Cesare ela não passava uma prostituta que merecia todos os insultos que lhe eram dirigidos. Não importava o fato de essa mulher nunca ter tido outro homem... Seu orgulho e inteligência não contavam para Cesare. Tampouco suas emoções.
Mirella sentia-se perdida num mar de dor, cansada de lutar e de se enfurecer. Não se lembrava de ter passado por experiência semelhante, tão amarga, em sua vida. Mas, bem no fundo da mente sabia que, apesar de tudo, fugir não abafaria sua dor. A dor continuaria