Seus companheiros de time eram... interessantes. Tirando os que James já conhecia do Puddlemere United, a maioria dos outros jogadores tentara fazer de sua vida um inferno na primeira semana de treinamento. Alguns tinham inveja do talento de James e sua crescente popularidade. Outros culpavam James pela não convocação de jogadores mais velhos. James não era o único jovem no time, mas ele era a maior ameaça aos que estavam envelhecendo e já haviam passado de sua melhor forma há muito tempo – e ainda assim insistiam em não se aposentar.
Esse era o maior problema da Inglaterra nos últimos vinte anos, jogadores que já estavam na seleção há tanto tempo que se achavam acima do técnico, quem quer que ele fosse. Mas John Martin estava tentando mudar essa realidade. Ele visava o futuro e planejava pensando lá na frente, algo que não havia sido bem aceito pelos bruxos responsáveis pela Associação de Quadribol inglesa. A instituição era bastante corrupta e os benefícios financeiros recebidos por seus membros eram sempre mais importantes. John não aceitava isso e brigava com todo seu coração para fazer uma mudança definitiva.
James o admirava imensamente, não apenas por isso, mas por tudo que John era. Ele havia sido um ótimo jogador em seus dias e detinha o recorde de mais partidas jogadas por seu país. Pouco tempo depois de sua aposentadoria, John havia sido convidado para treinar a seleção nacional e, ao aceitar, ele havia se cercado da melhor equipe técnica que alguém poderia ter. Seu assistente, Vincent Agthoven, era um holandês famoso por seu sucesso em seu próprio país e em vários outros. Juntos eles haviam trazido novas esperanças aos torcedores e jornalistas ingleses.
E James gostaria de pagar a confiança que ambos haviam depositado nele, mesmo que isso significasse ter que fazer inimigos dentro do time.
Captain Fantastic 2
Capítulo Dois – Mischief
James era mentalmente muito forte, ele conseguia lidar com as musiquinhas e brincadeiras – por Merlin, ele era o rei do mal-feito, o líder dos Marotos. Seria necessário muito mais do que rimas idiotas e esconder suas roupas para deixá-lo minimamente irritado. Na verdade, ele se divertia com a situação. Um bando de homens de 30 anos se comportando como adolescentes bobos era, no mínimo, engraçado.
Seus amigos do United estavam do seu lado, alguns mais do que outros, mas James temia que eles fossem prejudicados por isso.
- Quero que saibam que vocês não me devem nada – ele lhes disse uma noite, quando estavam todos sentados em seu quarto no hotel. – Aqui eu não sou seu capitão e eu não vou usar isso contra vocês quando voltarmos.
- Você é nosso capitão onde quer que a gente jogue, Potter – Mia Simmons respondeu, indignada. – E não ouse questionar nossa lealdade.
Mia era batedora do Puddlemere United, onde fazia dupla com William Fitz. Ela era também o braço direito de James e faria qualquer coisa por seu amigo. James seria eternamente grato por toda a ajuda que ela havia lhe dado e por sua inabalável fé nele. Haviam poucas pessoas que acreditavam tanto em seu potencial, como jogador e como pessoa, quanto Mia. James não sabia, porém, que além da forte amizade, a batedora também nutria uma enorme paixão por ele – algo que ela lutava com todas as suas forças para esconder.
- Jamais faria isso – James rebateu, sorrindo. – Mas vocês não foram convocados por minha causa e sim pelo seu próprio talento. Não quero que seu esforço tenha sido em vão, vocês merecem jogar.
- Nós vamos jogar – Fitz disse. – Não são eles que decidem isso.
- E se eles não quiserem jogar conosco, o problema não é nosso – Ian Ward completou.
O sorriso de James aumentou. Era verdade que se John Martin decidisse escalar os cinco jogadores do Puddlemere United para o time que iniciaria as partidas, eles estariam em maior número. Mas se esse não fosse o caso, aqueles que estivessem no time principal seriam, sem dúvida, alienados pelos outros.
- Um por todos e todos por um – Mia disse, levantando seu copo de cerveja amanteigada. Os outros fizeram o mesmo e, atendendo a pedidos, não falaram mais sobre o assunto.
A estreia na Copa Mundial estava se aproximando rapidamente. James adentrou o vestiário depois do pesado treinamento daquela manhã, louco para tomar uma ducha e ir almoçar. Ele se dirigiu ao seu armário para pegar sua roupa e sua toalha e percebeu que, mais uma vez, sua cueca havia sumido. Revirou os olhos, puxou sua varinha e conjurou uma nova.
"Sério, isso é o melhor que vocês podem fazer?", ele pensou. James não teria problema nenhum em vestir seu shorts sem nada por baixo, e também não tinha vergonha de desfilar nu pelo vestiário. Além disso, ele era bruxo e podia conjurar quantas cuecas quisesse, como estava fazendo naquele momento. Qual era a graça dessa brincadeira, ele jamais entenderia.
Antes que ele pudesse tomar seu banho, no entanto, John Martin entrou, batendo a porta com força e trazendo Mia e Rose McCoy, as duas mulheres do time, consigo. Todos pararam o que faziam, e Fitz, que estava só de toalha, correu para vestir novamente sua camisa.
- Trouxeram à minha atenção um fato curioso que está acontecendo há quase um mês – John disse, sua voz, que tinha sempre um tom amigável, especialmente quando ele falava com os jogadores, agora apresentava um tom sério e irritado. – Aparentemente alguém anda escondendo as roupas íntimas do Potter. Ou será que estão roubando?
Os olhos de James se arregalaram. Ele olhou para Mia, tentando perguntar se era ela quem havia feito a denúncia. Tony Quinn, Phil Hart e George Swan se olharam, nervosos, e evitaram encarar John.
- Eu não quero saber os motivos, não me interessa nem um pouco saber por que alguém está colecionando as cuecas do Potter. Eu só quero saber quem é.
Ninguém se pronunciou. Um minuto, dois minutos... Nada.
- Nenhuma resposta? Ok, muito bem. É bom saber o tipo de pessoa que eu tenho nesse grupo – John disse, sua raiva cada vez mais aparente. – Vocês, que são tão homens para fazer esse tipo de idiotice, não são homens o suficiente pra assumir a responsabilidade.
Ele gritou pelo que pareceu ser horas. Disse o quanto estava desapontado e como desejava poder escolher outros jogadores, já que aqueles não honrariam nem sua família quanto mais o país.
Quando John saiu, James esperava uma reação negativa dos companheiros, mas nenhuma veio. Os jogadores do Puddlemere United, que não tinham nada a ver com isso, voltaram ao que faziam antes, os outros se reuniram num canto do vestiário, muito chocados. As mulheres se retiraram para o seu próprio vestiário.
- Fui eu quem contou – Rose sussurrou para James quando passou por ele.
Ele não soube o que responder, nem o que sentir. Só ficou olhando para a porta por onde a apanhadora saíra.
James ficou até tarde no campo de quadribol, treinando novas manobras. Caía uma chuva forte e todos os outros jogadores haviam decidido voltar para o hotel, inclusive Mia que ficara por horas ajudando-o. James, no entanto, estava determinado a acertar um movimento em particular e não iria embora enquanto não conseguisse.
De dentro do túnel que levava ao campo, John Martin o observava. Ele se lembrava de ter conhecido James há muito tempo atrás, quando o pai do então garoto o havia levado a um jogo da seleção. James devia ter seis ou sete anos e já dizia para todos que perguntavam que um dia gostaria de ser jogador de quadribol. John o assistira muitas vezes nos últimos anos e sorria sempre ao pensar naquele encontro.
Ele chamou James que, relutantemente, voltou ao chão. John mandou que ele fosse se trocar e depois o encontrasse em sua sala. James assim o fez e se viu sentado frente a frente com o técnico vinte minutos depois.
- Desculpe pelo que aconteceu no vestiário essa manhã – John começou. – Não quis te expor.
- Sem problemas – James deu um meio sorriso. Durante o resto do dia, os colegas de time estiveram muito menos hostis com ele.
- Eu te admiro muito, James – John continuou. – Nada foi fácil na sua carreira, mas a cada novo desafio você volta mais forte.
- Com todo respeito, senhor, mas toda vez que minha noiva me conta sobre as coisas que ela vê e as coisas que as pessoas têm que enfrentar por causa do Voldemort, eu percebo o quanto eu sou sortudo por estar fazendo o que eu amo e eu acho que minha vida é muito mais fácil do que a de muita gente.
John sorriu. Não esperava outra resposta do rapaz .
- A razão pela qual eu te chamei aqui hoje é por que eu quero saber se você aceita ser o capitão da Inglaterra - ele já pensava nisso há muito tempo, mas só agora tinha a certeza que James era o homem certo para o papel.
- E-eu? Wow...
James piscou por vários minutos. Seu coração havia disparado e ele pensava em mil coisas diferentes ao mesmo tempo... Seus pais, Lily, seus amigos, os colegas do Puddlemere United, seu técnico do Puddlemere United, os jornalistas que duvidavam dele, os jornalistas que acreditavam nele...
- A responsabilidade é grande, eu sei, e se você não quiser aceitar está tudo bem. Mas eu realmente acredito que você pode fazer isso.
- Mas é claro que eu quero! Eu só... wow, isso é... Eu aceito, senhor!
James correu para o seu quarto, mal podia esperar para escrever para Lily e contar a novidade. Antes, releu a carta que ela lhe mandara no começo do mês.
Querido James,
Eu sinto muito, muito, muito por tê-lo feito se atrasar para a viagem. Eles ficaram muito bravos com você? Espero que não...
Contei para as meninas sobre o noivado – elas gritaram por cinco minutos no meio do Três Vassouras. As pessoas olhavam pra gente como se fossemos loucas! É muito cedo pra escolher o vestido de noiva? Porque eu acho que já sei qual vai ser o meu...
Ah que saudades de você! Ainda falta tanto pra gente se reencontrar! Promete que vamos ter pelo menos vinte minutos só pra nós dois depois do jogo?
Como estão as coisas aí? Já fez muitos amigos? Cuidado pra não deixar o Sirius com ciúmes dos seus novos coleguinhas.
Te amo!
Lily
Ela provavelmente não tivera tempo de escrever novamente. Para conseguir um mês inteiro de férias, Lily tivera que trabalhar muito, mais do que ela já costumava fazer. James apreciava o esforço dela e pretendia compensá-la num futuro próximo.
Ele sentou-se em sua cama, puxou um pergaminho e escreveu, simplesmente:
ADIVINHA QUEM É O CAPITÃO DA INGLATERRA!
N/A: Olá!
Espero que tenham gostado do capítulo =)
Eu quero muito saber o que vocês estão achando, por favor deixem reviews ^^
Quer saber quem foi minha inspiração pro John Martin? Quer saber como assistir Thor me inspirou a escrever esse capítulo? emotional-latitude (ponto) tumblr (ponto) com/na
Até semana que vem!
