Bônus.
Nota: Um pequeno bônus enquanto o verdadeiro capitulo não chega. Não está uma maravilha, mas eu realmente espero, de coração, que vocês gostem. Neste pequeno 'presentinho' pra vocês, Sirius terá o prazer de lhes confessar algo.
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' - Ele está...
- Estranho. – Completei. James que estava sentado há meia hora perto do lago, jogava pedrinhas neste, tentando extravasar sua dor. Suspirei. - Acho que é isso que acontece quando se está...
- Apaixonado. - Foi a vez de Marlene completar. - Lily chorou a noite toda. Ela não admite, mas realmente gosta dele. Talvez até ame.
- Amor não existe. É só uma palavra.
- Amor existe para quem acredita.
- Você acredita? - Perguntei, saindo de perto da janela, ao mesmo tempo que Marlene, e nos sentamos no sofá em frente a lareira. Nevava lá fora. Mas o salão comunal estava vazio, exceto por um primeiranista que subia, agora, para seu dormitório.
Era natal. Eu sempre detestei o natal. Não tinha motivos para isso, eu acho. Ninguém na minha família nunca ligou muito para o natal. Era apenas um dia como outro qualquer.
- É manhã de Natal. - Avisou a morena ao meu lado, aconchegando-se nos meus braços. Eu sempre sentia um arrepio quando ela fazia isso, mas nunca imaginei, nunca pensei que fosse exatamente aquilo que eu tentava tanto evitar.
- É, acho que sim. - Eu respondi, sem muita emoção. Como eu já disse, detesto essa época do ano.
- Sirius... - Ela se virou para mim, me fitando com aqueles olhos absurdamente azuis. Eu senti que as borboletas no meu estomago estavam dançando Tango. Disfarcei, é claro. - Vamos fazer um pacto.
Eu estranhei, claro, mas ela pareceu muito certa daquilo. Tanto, que me obrigou a me sentar de frente para ela no sofá, e pegou as minhas mãos, segurando-as com seus dedos finos.
- Que tipo de pacto, Marlene?
Ela apenas sorriu e pigarreou.
- Eu, Marlene J. McKinnon, prometo a você, Sirius O. Black, que quando eu estiver velhinha e caquética, eu matarei a sua esposa, se ela estiver viva, e assarei tortas com seus restos mortais, para que assim possamos morrer juntos, como bons e velhos amigos caquéticos.
Eu simplesmente não pude deixar de rir. Quer dizer, eu havia dito isso a ela uma vez. Ela estava chorando porque Marcos havia terminado com ela. E eu simplesmente disse que, um dia, nos tornaríamos velhos caquéticos e morreríamos juntos, sentados numa varanda, enquanto conversávamos sobre como Lily e James estavam se reproduzindo feito coelhos.
- Muito bem. Eu, Sirius O. Black, prometo a você, Marlene J. McKinnon, que quando eu também virar o velhinho caquético mais sexy do asilo, dentre todas as outras velhas caquéticas, eu escolherei você. E acrescento que nunca mais deixarei Lily levar você à tal peça de teatro, aquela...
- Sweeney Todd. - Riu ela. Eu lembrava. Ela havia nos contado cada detalhe, encantada com a forma como eles cantavam e atuavam. – É sério que vai me escolher dentre todas as outras velhinhas caquéticas sedentas por uma boa noite de selvageria?
- Claro. Afinal, se tenho que pegar uma velha, que seja uma velha que saiba o que está fazendo.
Ela corou e eu percebi o que havia desenterrado. Soltamos as mãos um do outro com rapidez e o silêncio nos atingiu. Não era estranho quando não tocávamos nesse assunto delicado. Bem, vou lhe contar qual era. Naquele mesmo verão, enquanto estávamos na casa de James, Marlene e eu, bem, nos rendemos ao momento, se é que você me entende. Ninguém sabia nada sobre aquilo. Nós estávamos com quinze anos, James e os outros estavam na sala, dormindo. Nós não estávamos com sono. Subimos para nossos quartos, a fim de tentar dormir, mas quando parei na porta do quarto dela, bem, não pude agüentar e lhe beijei. Marlene sempre fora atraente, com seu corpo escultural, seus olhos azuis e seus cabelos negros caindo displicentes pelo busto. Ambos sabíamos que não havia sentimento naquilo. Era apenas, bem, era apenas para saciar aquela sede de, digamos, conhecimento por anatomia. E, acredite, na manhã seguinte, quando finalmente percebemos o que tínhamos feito, rimos. Rimos feito dois idiotas e resolvemos que não contaríamos aquilo à ninguém. Eu jamais contaria. Principalmente porque, desde aquela noite, eu não havia mais conseguido esquece-la. '
E agora, que surpresa, Marlene McKinnon está dormindo, bem aqui, ao meu lado, mais precisamente nos meus braços, me abraçando como se eu fosse algum tipo de ursinho de pelúcia. Ela está sorrindo enquanto dorme, provavelmente sonhando com algo bom. Eu lhe acariciei a face, que se assemelhava muito a porcelana, e tirei de seus olhos uma teimosa mecha de cabelo. Ela se mexeu. Parecia um anjo, deitada ali, apenas apreciando seus sonhos. Eu tive, novamente, vontade de beija-la. Tive vontade de acorda-la e de te-la, e de lhe dizer que ela era tudo pra mim, que eu não podia parar de pensar em seus olhos, em seus sorrisos, que eu não podia parar de admira-la por um único segundo. Queria dizer a ela que não poderia mais respirar se ela não estivesse ali, ao meu lado, para sorrir para mim e me bater quando eu dissesse algo estúpido. Eu precisava dela ali, me ensinando a diferenciar o certo do errado, como minha família não havia feito. Precisava dela para me tratar como alguém especial, como os Black jamais haviam feito. Mas mais do que isso, eu precisava dela ali, para sempre, porque você, Marlene McKinnon, me ensinou o que é amar, mas acho que se esqueceu de me ensinar a te esquecer. Mas, vendo agora, eu acho que isso é bom. Porque um dia, Marlene McKinnon, você vai se casar, ter uma penca de filhos, mas ainda sim, no fim de tudo, serei eu o velhinho caquético que vai escolher você dentre todas as outras velhinhas caquéticas sedentas por uma noite de selvageria.
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Nota: Como eu disse, pequeno e horrível, mas dá pro gasto. Logo vou postar o capitulo. :
