Enjoy the Show - Primeiro Ato

Cena 3 - Beat it

"You better run, you better do what you can! Don't wanna see no blood, don't be a macho man! You wanna be tough, better do what you can... So beat it! But you wanna be bad...! Just beat it, beat it! No one wants to be defeated! Showin' how funky and strong is your fight, It doesn't matter who's wrong or right…Just beat it"


O relógio no seu pulso marcava exatamente oito horas quando arrebentou o portão adornado do parque e atravessou-o marchando para dentro do bosque. O vento gelado da noite corria e farfalhava pelas folhas das árvores e seu cabelo açoitava seu rosto, mas ele não parecia ter notado ainda. Alguns passos atrás estavam um menino alto de cabelos flamejantes e uma menina de cabelos ondulados castanhos, encolhidos para que o vento não os esfriasse tanto.

"Harry! Pare e Pense!" Hermione tentou dizer, mas o vento não deixou Harry entender suas palavras. " Você está muito alterado agora, não deixe se levar pelas emoções! E COMO VOCÊ OUSA MOSTRAR ESSE DEDO PARA MIM?!"protestou a garota batendo os pés ao chão.

"Exatamente assim!"Harry virou o rosto furioso coberto pelos cabelos castanhos e roxos apontou o dedo do meio para Hermione, como se desse ênfase no movimento.

"Harry, pare de tratar Hermione desse jeito!" irritou-se Rony e se pôs no meio dos dois com as bochechas coradas, fazendo o vento puxar seus cabelos para trás. "Eu também quero ver Malfoy chorar que nem uma garotinha pendurado pela cueca no mastro da universidade, mas isso não dá motivos para você agir que nem um babaca!"

"EU SEI!"ele gritou desequilibrando-se por causa da ventania.

Harry abraçou seu próprio corpo que já sentia o efeito do frio. Hermione chegou mais perto dele contornando Rony que logo em seguida fez o mesmo. Ela passou o braço pelo ombro do amigo e o ruivo pareceu ligeiramente incomodado com isso.

"Harry... "o zumbido do vento aumentou, piorando a audição dos três.

"O QUÊ?" balbuciou Harry que não tinha escutado.

"EU DISSE 'HARRY'!"Hermione sentiu sua voz sair mais alta da garganta.

"ESSE É O MEU NOME!"respondeu ele aumentando ainda mais o tom de voz.

"SABEMOS!" responderam os dois amigos na mesma hora.

"VOCÊ PARECE ESTAR LEVANDO ISSO MAIS A SÉRIO DO QUE DEVERIA!" tentou Hermione perto do ouvido de Harry exatamente no momento quando o zunido do vento tinha diminuído.

"Muito mais a sério?" ele levantou o rosto encarando-a irritado por trás dos óculos redondos. "Como você se sentiria se uma pessoa por motivo nenhum te lançasse bolas com tinta e sujasse todas as suas roupas?! Me diga, Hermione! Eu não posso morrer sem saber sua resposta!" Rony se mexeu como se fosse interferir, mas Hermione mostrou a palma da mão para ele indicando que não era necessário.

"Eu ficaria irritada, mas você parece muito mais irritado com isso do que de costume! Nem o Ron está soltando fumaça pelas orelhas, Harry! Diga-me, é realmente só isso que te incomoda?"

"Pode parar, Hermione, até onde eu sei você estuda medicina e não psicologia. Não quero mais ninguém me analisando hoje, o.k.?" ele então começou a encarar Rony. "E eu já sei o que vou fazer."

Ron ainda não tinha entendido o significado daquelas palavras quando Hermione puxou Harry pela camisa, fazendo o moreno girar para ela.

"NÃO! Quaisquer que sejam as suas intenções, você não vai pedir ajuda a eles." ela fez uma pausa para respirar e continuou. "Eles são praticamente monstros de tão cruéis! Harry, você não vai pedir a ajuda desses, desses... Seres nefastos!"

"De quem vocês estão falando?" Rony esticou o pescoço para frente para escutar melhor.

"De Fred e George!" exasperou Harry se encolhendo ainda mais por causa do frio.

O ruivo deu um salto e começou a olhar para os lados procurando qualquer sombra que lembrasse os gêmeos enquanto Harry e Hermione observavam aquela cena deprimente. Não vendo nada, Ron suspirou parecendo profundamente aliviado.

"Assim você me assusta Harry! Mas, hã... o que eles tem a ver com qualquer coisa... Aaah tá."

"Você viu como eles deixaram o Ron?" disse ela voltando a conversa com Harry ignorando completamente o que tinha acontecido. "Só de ouvir o nome deles ele já fica se preparando para entrar em pânico!"

"E isso não seria deliciosamente imperdível se ocorresse com Malfoy? Eu ficaria ao lado dele o dia todo só para vê-lo se contorcer ao ouvir o meu nome."

"Não é essa questão, Harry." encarou-o com preocupação no olhar, o que lembrava muito a Sra. Weasley. "Mas sim a que você, como uma pessoa responsável e adulta, deveria agir conforme a idade e ignorar."

"Isso é porque não aconteceu com você!" reclamou Ron "Eu concordo com o Harry. Esse mauricinho merece o troco. Eu ainda tenho tinta no cabelo o suficiente para pintar uma alegoria inteira de um desfile de carnaval."

"E estamos com onze anos de novo? Vocês só vão provar o quanto são imaturos se entrarem na jogada desse garoto!" ela olhou para Ron e Harry como se esperasse alguma resposta, mas, não havendo nenhuma, se levantou e deu as costas a eles. "Que se danem vocês dois! Escolham o que quiserem! Pensei que vocês eram mais maduros que isso!"

Ela levantou o rosto convencida de que estava certa, passou o cachecol pelo pescoço e começou a caminhar refazendo o caminho por onde eles entraram. Os dois puderam ouvir as palavras de Hermione em protesto antes de outra porção do vento levantar seus cabelos e ela dar um gritinho de humilhação, segurando as madeixas e correndo para fora. Eles seguiram decididos pelo o caminho para os dormitórios masculinos até chegarem ao seu aparente destino de acordo com as informações de Rony.

Rua Polissúco, número 33. Ali estava uma casa rústica e deveras pequena que mais parecia um depósito de bugigangas penduradas no teto, espalhadas pelo chão e distribuídas aleatoriamente pelas prateleiras. A campainha em formato de aranha rendeu um grito desesperado de Ron, quando este não conseguiu retirar suas mãos das garras do pequeno aracnídeo. Duas cabeças idênticas surgiram por trás da porta e iluminaram o rosto de Harry.

"A que devemos a honra da visita?"


O Refeitório da universidade era uma das maravilhas como o Teatro. Não chegava a ser tão chique, mas sim porque nenhum dos alunos conseguiria explicar como poderiam caber tantas pessoas ali e ainda sobrar espaço. O lugar era dividido por várias mesas elegantemente distribuídas, cobertas com algo que parecia lençóis brancos e com todos os talheres, taças, pratos dispostos sobre esta.

Harry, apesar de ter o rosto praticamente todo encoberto pelo cardápio de cor bege em suas mãos, não tinha o menor interesse em qualquer coisa que aquele papel pudesse oferecer. Ele não retirava os olhos da mesa de Malfoy nem por um segundo. Aguardando silencioso, observava cautelosamente cada movimento até...

"AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!"

Malfoy deu o grito mais gay que Harry já ouvira em toda a sua vida. E todos, ao realizarem que fora um homem que dera aquele gritinho, caíram na gargalhada. Draco levantava aos pulos da mesa com nojo de encostar-se a ele próprio, cuspindo no chão com nojo e se irritando quando até mesmo Zabini começou a rir. Ele tinha achado um dos olhos de plástico comestíveis dentro de seu prato e não fazia a menor idéia de quem tinha colocado lá.

Tudo piorou ainda mais quando Malfoy atirou o copo ao chão, cuspindo ainda mais veementemente. Harry tinha posto uma lesma que ganhara de Neville de manhã na tão preciosa bebida de Draco. Entre os ataques de frescura que ele dava, o loiro o encarou com ódio enquanto Potter rolava de rir. Ao sentar-se, imediatamente Draco caiu no chão porque além de tudo aquilo, alguém tinha sabotado sua cadeira e a sua mesa, fazendo com que toda sua comida tivesse um encontro direto com o seu perfeito cabelo loiro e suas roupas mais finas o possível.

Depois do treino habitual da equipe de Hóquei, Malfoy foi o primeiro a correr para o chuveiro como sempre. Saindo de lá encontrou com o time da Grifinória entrando e ignorou-os completamente. Ao ligar o secador de cabelo, foi atacado brutalmente por uma nuvem branca que parecia sair do próprio instrumento. Potter se acabou de rir ao ver a cabeça de Draco coberta de pó branco, mas ainda tinha mais: Malfoy pegara o primeiro boné que tinha visto na sua frente e colocado na sua cabeça para logo em seguida retirá-lo aos berros. Seu cabelo estava recheado com pó E com tinta verde.

Todos que presenciaram a cena não pararam de rir e quando Harry finalmente saiu do Box deu por falta de umas coisinhas muito importantes. Todas suas roupas tinham desaparecido completamente e ele estava usando somente uma toalha amarrada na cintura. Potter saiu praguejando mesmo de toalha para fora do banheiro procurando por algum sinal de suas roupas e só as encontrou estendidas a uns metros acima dele nos fios elétricos entre os postes perto do ginásio.

Porém, Harry talvez nunca tivesse sofrido tanto quando acordou com as pernas cobertas com cera de depilação. Ele tinha total noção de que o único jeito dela sair de lá era levando todos os seus pêlos muito másculos de suas queridas pernas.

Campainhas elétricas nos sapatos, líquido vermelho na caixa d'água parecendo sangue, papéis de 'me chute' nas costas, pedras na mochila, arranhões no carro do Snape, corredor cheio de espuma, caneta que espirra tinta, trotes telefônicos, chantilly... Quando eles viram, já era sábado e isso só significava uma coisa: Hogsmeade.


Uma cidade modesta que possuía ruas largas e abrigava várias lojas diferentes. Acomodado no centro de Hogsmeade, Harry pode identificar o correio, uma entrada simples com uma plaqueta acima da porta confirmando por escrito 'Casa dos Correios'. Ele atravessou a pequena porta e entrou num amplo aposento, claro e ventilado. Andou até o âmago do local deparando-se com um balcão de madeira negra lisa e limpa, para entregar a uma das balconistas sorridentes o envelope em suas mãos destinado ao seu padrinho Sirius Black. Atrás delas, parecia ter sido retirado uma grande pintura já que tinha algumas marcas em volta da parede. Ele acabou de efetuar seu pagamento e, acenando com a cabeça, se retirou, atravessando a rua indo se encontrar com seus amigos.

Não demorou muito para reconhecer a loja à sua frente, afinal não era por menos. Aquela era a loja mais assediada em toda Hogsmeade. O cheiro de chocolate, mel, açúcar e café se espalhavam pelos arredores atiçando os pobres mortais a entrar naquilo que deveria ser o próprio paraíso, ou mais conhecido como a Doceria e Cafeteria Dedosdemel. Ela era grande, mas delicada; bem iluminada e ladrilhada nas mais variadas cores. Ao passar pela porta, uma pequena sineta tocou e Harry viu as três cabeças sorrirem para ele aos fundos da loja.
Neville parecia falar sobre algo muito eletrizante quando Harry finalmente sentou-se. O garoto discutia com Rony sobre como a peça do clube de teatros estava maravilhosa com Fleur Delacour como atriz principal. Rony parecia suspirar apaixonado toda vez que tocavam o nome dessa garota e Hermione ignorava os dois.

"Você tem que vê-la Harry!" disse o ruivo num tom enamorado "Ela é tão... Graciosa!"

"E como ela é?"

"Ela tem os cabelos loiros muito claros, é alta e esbelta, sua pele é clarinha..."

"Pode parar! Não quer mais saber dessa mulher!" respondeu Harry ao lembrar-se de outra identidade loura. "O que vocês querem comer?"

"Mas, Harry! Você não entende?" perguntou Neville atônito. "Ela é tão delicada, parece uma..."

"Princesa, é, eu já sei. Já aprendi a minha lição, não quero saber mais de gente desse tipo." respondeu ele começando a remoer os dentes. "Eu vou querer uma porção de sapos de chocolate com um cappuccino e vocês?"

"Nós já pedimos." respondeu Neville sem graça.

"Então é por isso que você está tão irritado!" exclamou a menina abaixando seu relatório sobre pneumonia. "Ele é o seu príncipe!"

"O quê?" perguntou Harry não conseguindo ligar os fatos.

"É por isso que você não se controlou, a pessoa que você gostava era a mesma por que você já nutria um sentimento de..."

"Peraí, a gente vai começar com aquele papo de novo do Harry ser gay?" perguntou Rony já vermelho. "Então eu vou dar uma voltinha, quando vocês decidirem parar com essa palhaçada eu..." Hermione puxou o garoto para o banco novamente fazendo este se irritar.

"Não, você não vai a lugar nenhum." ela enfrentou o olhar de Rony com intensidade e depois se virou a Harry. "Harry, a minha suspeita está certa?"

"O Harry é gay?" perguntou Neville boquiaberto.

Harry rolou os olhos antes de começar a longa conversa de como ele tinha sido apresentado ao monstro chamado de Draco Malfoy. Neville pareceu prestar atenção em tudo, Ron revirar tampava os ouvidos para não escutar enquanto Hermione ouvia igualmente atenta.

"Então é por isso que ele está com o cabelo verde. Achei estranho ele aparecer assim na audição, mas como eu..."

"Hã? Audição? Que audição? Audição para quê?" perguntou Harry. Ele tinha certeza de que sabia o horário do loiro de cabeça e nenhuma 'audição' estivera presente nele a semana inteira.

"Ah... Ele faz parte do clube de teatro e é um ótimo ator. Não conseguiu o papel pelo cabelo verde, eu acho."

Os olhos esmeralda de Harry se abriram e ele não pode conter seu cérebro de pensar várias alternativas do jeito que aquela informação tinha sido terrivelmente útil. Ron abafou o riso com a mão e Hermione revirou os olhos.

"Você percebeu o que fez Harry? O garoto não conseguiu o papel por causa de uma brincadeirinha sua." ela fez questão de dizer claramente cada palavra.

"Ele é um ator?"

"QUE BICHINHA!!" soltou Rony não agüentando mais.

Harry e Ron então começaram o Massacre-Malfoy, com piadas baixas, imitações e encenações de Draco atuando. Hermione achou tudo aquilo muito ridículo e voltou ao seu relatório, já Neville sentia seu rosto virar escarlate.

"E qual é o problema no clube de teatro?"

"Relaxa Neville. Não é você de quem estamos falando."

"Mas eu faço parte do clube também, sabiam?" os dois o encararam duvidosos antes de rirem alto mais uma vez. "PELO MENOS NÃO SOU EU QUEM FICA BABANDO PELO MALFOY!"

Todos os sons pararam no mesmo momento e Neville cruzou os braços convencido. Rony olhou para Harry e se afastou um pouco do amigo que fazia as duas esferas verdes estalarem de ódio.

"Isso deveria ser um segredo, então peço que não contem para ninguém."

"Isso é mentira, o horário do clube de teatro é no mesmo horário do clube de Hóquei." contestou Ron.

"Eu ouvi que Draco pediu para Theodore Nott substituí-lo nos treinos enquanto ele está no teatro."

"Por que é segredo, Longbotton?" Harry fingiu desinteresse.

"Parece que o pai dele discorda totalmente dessa escolha. Malfoy não quer que o pai descubra de forma alguma que ele está no clube, ele diz que só conseguiu convencer o pai a estudar aqui com uma ajuda da mãe. O patriarca queria mandá-lo para a Universidade Durmstrang porque lá não tem essa coisa de bichinha."

Ron revirou os olhos e Harry tentou não dar um sorriso satisfeito. Hermione pegou uma folha rabiscada de seu caderno, amassou-a e jogou no rosto de Harry.

"Pare já com isso! Você quer ser expulso por acaso? Nem pense em contar para ele! Isso seria mil vezes pior do que ele fez e você sabe disso!"

"Não acho que você chegaria a contar para o pai dele, Harry." uma cabeça ruiva apareceu por trás deles, dando um susto em Ron.

"Você deveria contar para o Malfoy júnior e deixar ele imaginar o que eu poderia fazer com essa informação." completou outra idêntica a primeira aparecendo do lado desta, dando outro susto no garoto.

"Vocês querem parar com isso?!" o mais novo dos Weasley tentava controlar sua respiração, apoiado nos ombros de Hermione.

"Assim você teria o garoto em suas mãos sem fazer necessariamente nada." os gêmeos se espremeram no banco ao lado de Harry de um jeito bem folgado. "Não vamos parar nunca, Roniquinho."

"Não, Harry! Não faça isso!"

"Hermione, não se preocupe. São só brincadeiras." disse Harry com um sorriso nada inocente e se virando para os rostos idênticos ao seu lado. - Vocês têm alguma idéia?

A conversa pareceu se estender pelo resto da tarde rendendo muito mais que uma porção de sapos de chocolate. Hermione desistiu completamente de colocar juízo na cabeça daqueles quatro e voltou a fazer seu relatório. Já Neville se sentia tão aterrorizado com as coisas planejadas por aqueles garotos que recusara falar pelo resto do dia.

Eles retornaram aos seus dormitórios tarde o suficiente para só tomarem outro banho e desabarem na cama. Harry chegou a notar uma porta trancada perto de seus quartos e percebeu que aquela era exatamente a entrada para a varanda que ele tinha visto no primeiro dia, muito cansado deixou para lá e foi dormir.


Domingo era o primeiro dia da temporada de Hóquei, o primeiro jogo era Grifinória contra Lufa-Lufa. Rony parecia mais nervoso do que nunca e Harry estava completamente absorto dos fatos. Em sua cabeça só se encontrava Malfoy, Malfoy e Malfoy. Talvez tivesse sido pela intensidade dos seus pensamentos que fez Harry encontrar o loiro no meio do corredor, conversando pomposamente com sua rodinha de amigos antes de perceber o moreno ali.

"Parece perdido, Potter... Esqueceu de comer o mapa dessa vez?"

"Não sou eu que preciso de meia dúzia de pessoas para me mostrarem qual caminho seguir, Malfoy. O ginásio é para o outro lado, se você não sabe."

"Para quê? Ver o Time da Grifinória ser massacrado pelo Time de retardados da Lufa-Lufa? Isso já é uma reprise Potter, só me interessa ver as novidades."

"Como a Sonserina ganhando de alguém? Isso sim seria uma novidade."

Draco se desfez da mão que o segurava pelo ombro e mandou os outros se dispersarem. Desfilou até a silhueta de Potter com meio sorriso e olhou o garoto de cima a baixo antes de arrastar de propósito a voz.

"Perdão, Potter. Tenho mais coisas para fazer do que perder meu tempo com trogloditas como você."

"Como, por exemplo, no clube de teatro?"

O sorriso de Draco se desfez imediatamente e ele pareceu suar frio. Pigarreou algumas vezes tentando depois, parecer menos assombrado.

"O quê?" ele tentou sua melhor pose de desentendido.

"Eu sei que você faz parte do clube de Teatro, Malfoy. A questão é... Quem mais sabe?" Harry deu um sorriso sacana desarmando Malfoy completamente.

"E o que você pretende fazer? Hein? Espalhar pela escola que eu faço parte do clube? E daí?"

"Não, não preciso espalhar para a escola toda. O que você acha de eu só contar para... Vejamos... Lúcio? Sim, acho que o nome dele é esse."

Harry aproveitou cada momento de pânico nos olhos de Malfoy com gosto. Queria gravar para gerações futuras cada emoção que via passar por aquele rosto tão... Frágil. Pânico, preocupação, dispersão, dúvida, aceitação e, por fim, raiva.

"E como você acha que vai falar com ele, hein? Telefoná-lo por acaso? Marcar uma visita?" Draco parecia fazer um esforço enorme para não deixar a voz alterar tanto de tom.

"Não sei... Por que você não me diz?"

"Você não faria..." disse ele com ódio explícito no olhar.

"Ops! Acho que você se enganou dessa vez." Harry deu um sorriso largo fechando seus olhos.

"Potter, seu filho da..."

"Não, não, não. Me chame de Senhor Potter ou ó majestade, Harry Potter. Se você for bonzinho, eu deixo me chamar de querido Potter" Harry apertou a bochecha de Draco com certa força.

Malfoy ficou com o rosto vermelho primeiro de vergonha depois de raiva, muito mais vermelho que Harry tinha um dia visto Tio Válter ficar. O mais alto deu uns tapinhas no ombro do loiro e fez o seu caminho muito mais satisfeito. Draco pareceu dar alguns chiliques altos o suficiente para inflarem o ego de Harry ainda mais.

Chegando ao campo, Harry ouviu algumas advertências pelo seu atraso, porém se sentiu invencível, indestrutível e inabalável. O Jogo contra Lufa-Lufa estava no papo.


A festa em comemoração a vitória de Grifinória só ficaria melhor se tivesse algo alcoólico para beber, mas ainda sim estava uma maravilha. Harry tinha sozinho massacrado o time adversário tão intensamente que eles quase saíram chorando do campo. Ron não tivera nenhum problema com o gol já que todos os Lufa-Lufas saíam correndo quando Potter se aproximava. Somando os dois fatores com a diversão interna dele, o moreno parecia ter recuperado a felicidade do primeiro dia de aula.

Todos gritavam de alegria e volta e meia jogavam Harry para o alto, recitando versos de vitória. Quando foi a vez de Ron ser arremessado no ar, todos se retiraram de perto dele no momento de pegá-lo fazendo-o cair direto ao chão. No cômodo, entrava uma figura quase cadavérica que Harry reconheceu como Severus Snape, da aula de medicina.

"Senhor Harry Potter." balbuciou a contragosto o professor.

Harry apareceu do meio da multidão indo em direção ao morcego de cabelos escorridos que o analisou até sentir vontade de falar. Potter lembrou imediatamente de que Malfoy tinha rabiscado no carro do professor palavras de baixo calão e assinando com o nome do moreno e se preparou para o pior.

"Dumbledore deseja sua companhia na sala dele." Snape despejou cada palavra com plena angústia e se retirou.

Potter seguiu o mais velho pelos corredores até a sala do diretor. Snape, sem trocar uma única palavra com o menor, abandonou-o ali o deixando um pouco aflito. Harry já fazia idéia de que uma hora ou outra seria chamado na sala de Dumbledore, mas não pensou ir até lá tão cedo. Ele bateu de leve na porta e ouviu uma voz amena do outro lado o convidando a entrar.

A sala de Dumbledore possuía dois andares e era repleta de quadros e livros com uma mesa de madeira escurecida no centro e atrás dela sentado, estava o Diretor. Dumbledore parecia tranqüilizar o clima para Harry, tentando ser o mais descontraído que sua idade podia permitir. Estava se deliciando com um sorvete de limão fazendo com que Harry escondesse o riso quando viu um pedaço da sobremesa escorrer pela barba do outro.

"Você me chamou, Diretor?"

"Ah, sim. Acho que devemos ter uma conversa." ele sorriu e se levantou, contornando a mesa para buscar na prateleira um livro de capa dourada e estendê-lo a Harry. "Página 1433, por favor."

Harry sentou numa cadeira em frente à mesa do diretor e abriu o livro sobre o colo. Folheou o objeto cuidadosamente vendo que cada página guardava fotos dos ex-alunos da universidade. Ao chegar a página dita, sentiu algo preencher seu interior e ele expandiu sua caixa torácica. Estavam naquela página seus pais, James Potter e Lilian Evans futuramente Potter. Viu-se idêntico ao pai, com cabelos rebeldes e um sorriso travesso, mas quando viu os olhos verdes da mãe concordou com todas as vezes que Sirius dissera que ele possuía os olhos de Lily.

"Eles se conheceram aqui. James era o artilheiro do time da Grifinória. Quando viu sua mãe atuar naquele palco dourado pela primeira vez, apaixonou-se e nunca deixou de amá-la daquele momento em diante."

"A minha mãe era...?"

"Uma excelente atriz." Dumbledore se aproximou do livro e apontou para outro canto da página. "Reconhece esses aqui?"

Harry olhou na direção do dedo do diretor e sorriu. Estavam ali Sirius, Remus e Pedro, colegas antigos de seu pai que com ele formavam 'os marotos'.

"Seu pai também era muito bom em pregar peças. Snape sofreu muito naquela época."

Harry correu os olhos pelo livro e identificou o professor de medicina com um rosto emburrado na foto. - Mas sua mãe sempre acreditou no bem das pessoas, Harry. Ela sempre confiou em seu pai e isso acabou por transformá-lo no grande homem que todos conhecemos.

Harry começou a se sentir incomodado. Tinha acabado de perceber os objetivos de Dumbledore e sentia, pela primeira vez, vergonha do que tinha feito.

"Espero que você também encontre a sua Lilian e se torne um grande homem." o diretor se apoiou na mesa para se sentar.

"Me desculpe... Diretor" ele sentiu suas bochechas corarem, mas Dumbledore continuava a sorrir docemente.

"Tudo bem, Harry. É mesmo difícil monitorarmos a nós mesmos nessa idade. Ganhamos muitas coisas e perdemos tantas outras... O importante é que aprendamos com os nossos erros e continuemos a crescer, certo?"

Harry deu uma olhada à sua volta antes de confirmar com a cabeça. O diretor deu o assunto por encerrado deixando Harry levantar. Quando este abriu a porta para sair, ouviu o pedido para que aguardasse de Dumbledore e ficou parado ali.

"Você poderia, por favor, entregar esse envelope para o senhor Malfoy?" a mão enrugada do mais velho estendeu-se para o garoto que pegou a carta com certo desgosto. Deu uma olhada no endereço e achou algo estranho.

"Ah, senhor. Malfoy não mora nesse local. Eu e Rony moramos." Harry estendeu a carta de volta para que o diretor corrigisse, mas este nem se mexeu.

"Ele está acomodado na casa de seu amigo Blaise Zabini no momento, Rua Botão-de-prata número 21. Porém sua real residência é junto dos senhores. Esta carta explica isso, Harry."

Dumbledore deu outro sorriso e começou a rabiscar algo num pergaminho. Harry entendeu que podia sair e o fez, perplexo.


Harry caminhava completamente aturdido pelo corredor. Se ele entregasse aquela carta, seria Draco Malfoy a pessoa com quem ele teria que dividir o mesmo teto e, por mais que não quisesse, não podia decepcionar Dumbledore depois daquele discurso. Pasmo, nem ouviu direito os sapatos de salto fino ecoarem pelo corredor perpendicular ao que estava e, quando reconheceu Pansy Parkinson, se escondeu rapidamente já por hábito.

"Pansy, querida, me escute, por favor." outra voz feminina que ele sabia não ter saído dos lábios de Pansy chegaram aos seus ouvidos. "Essa discussão não vai dar em nada, por que você não me escuta?"

Harry viu uma garota loira de cabelos cacheados e longos se aproximar da primeira. Pansy virou-se para ela, encarando-a como um bicho de zoológico.

"Diga, então, Daphne, estou te escutando."

"Pans, eu já disse, o que rolou comigo e com o Dray foi só pelo calor do momento. Você sabe como ele é e não foi minha culpa se ele te achou sem graça. Eu posso te ajudar nisso, prometo!"

"E por que eu acreditaria em você?" ela colocou uma das mãos na cintura e começou a bater os finos saltos que pareciam mais caros que uma casa inteira.

"Querida Pans, você tem idéia do que podemos fazer juntas?" ela jogou os cabelos para trás dos ombros e também colocou a mão na cintura. "Unidas, teremos o Draco em nossas mãos! Podemos montar um clube para o Dray, o que acha? Ele poderia se chamar... Clube Draco."

"Ou Clube Malfoy."

"Qualquer coisa! Contanto que estejamos unidas!" Daphne segurou uma das mãos de Pansy enquanto piscava os grandes olhos. "O que você acha?"

"Me deixe mais interessante e eu pensarei no seu caso." ela retirou as mãos da de Daphne rapidamente com um nojo no olhar.

"Eu tenho vários planos." Daphne deu alguns saltinhos batendo de leve as mãos fingindo alegria. "Primeiro, temos que eliminar aquele Potter da vida do Dray, ele está começando a fica irritante."

"Concordo.'' disse ela polidamente. "O que você acha de..."

"HARRY! PROCURAMOS VOCÊ POR UM TEMPÃO! O QUE ESTÁ FAZENDO AÍ?!" gritou Neville de repente.

As duas levaram um susto quando viram Neville e Ron se aproximarem delas pelo outro corredor. Harry saiu do seu esconderijo, elas o fuzilaram com olhar para depois darem os braços e saírem como se sempre tivessem sido melhores amigas.
Harry controlou-se para não pular no pescoço de Neville que tinha entregado sua posição. Agora ele tinha Draco Malfoy e suas seguidoras para se preocupar, uma carta que mais parecia um convite dele para que Malfoy arruinasse sua vida. Sem contar que fora persuadido a corresponder com as esperanças de Dumbledore, não podendo mais atacar Malfoy diretamente. Podia sentir uma onda enorme vindo em sua direção, mas não podia fazer nada senão tentar se salvar depois.
Ótimo.


N/A: Cá estou novamente. Tive um pouco de dificuldade em escrever esse capítulo porque bem, nessa primeira parte tenho que explicar todos os fatores corretamente, ligá-los e escrever uma história coerente.

Fiquei espantada com as reviews e não pude me sentir melhor cada vez que eu lia uma! Eu comecei a comparar elas com "as minhas preciosas barrinhas de ouro". Um agradecimento especial à Dora, Amber (eu continue viu? Hehe), Marcia, Mayara, Sky, Nicky e Perséfone. Acho que respondi todas que eu pude. É que algumas deixaram indisponível o serviço de mensagem privada por isso não consegui contatá-las. Estou realmente muito feliz, espero não ter decepcionado ninguém com esse capítulo e aguardo novamente a opinião de vocês.

Dessa vez eu quebrei a linha de raciocínio utilizando uma musica que não pertenceu a um musical, mas justifico esse ato porque não consegui achar outra que melhor se encaixasse no capitulo. Beat it é uma música original do Michael Jackson e sua tradução seria esta:

"Melhor você correr, melhor fazer o que puder! Não queira ver nenhum sangue, não seja um homem macho! Você quer ser brigão, melhor fazer o que puder... Então cai fora! Mas você quer ser mau...! Assim cai fora, cai fora! Ninguém quer ser derrotado! mostrando como é divertida e forte sua briga, Não importa quem está errado ou certo... Só cai fora."

Não muito recentemente o Fall out Boy fez um cover dela e eu acho igualmente boa as duas.

Ah sim, eu tenho uma surpresa para vocês no próximo capítulo, mas ainda tenho que acabar de metalizá-la primeiro. Ia entrar neste, mas eu decidi colocar para o próximo, hehe.

Umas informaçõezinhas inúteis: a casa que eu fiz para os três realmente existe, é a minha. Já a do Zabini e a dos gêmeos eu inventei mesmo. O teatro eu retirei de uma foto de um cruzeiro assim como o restaurante. Arranjei uma beta, mas esse capítulo não foi betado ainda, é que eu tenho que correr um pouco, entende?

Não desanimem esses dois ainda vão sofrer muito.

Aguardando ansiosamente as reviews de vocês...

Aiki.

Beijos, com sabor de sapo de chocolate.