Capítulo 3 - Marina Snape
Apenas quando os dedos do professor pressionaram seu queixo, ajudando a fechar sua boca, foi que ela se deu conta da perplexidade que expressava em sua face.
— Já pode fechar sua charmosa boquinha Srta. Granger, ou do contrário vai acabar engolindo uma mosca. Sorte sua o meu nível de exigência não permitir a permanência delas neste recinto. Até porque, pela velocidade com que elas procriam, não devem precisar dos meus préstimos.
Ela estava imaginando coisas ou havia um brilho irônico no olhar dele?
Os dedos ainda não haviam abandonado seu queixo e castanhos e negros travavam uma batalha silenciosa de temor e aceitação.
Hermione não conseguia entender o que exatamente esse homem estava fazendo ali e porque ele entrava em sua vida exatamente neste momento? As perguntas passando velozmente por sua cabeça, deixando-a tonta. Afastou-se dele o mais rápido que pode.
Ainda sem fala, e sem tirar os olhos dele, inconscientemente ela foi afastando-se, passo a passo em direção à porta de saída, se fosse rápida o suficiente, poderia desaparatar dali sem deixar vestígios. Ele nunca a encontraria, mudaria para Marte se fosse preciso. Mas definitivamente, discutir a sua vida íntima, com o temível ex-mestre de poções, não estava em hipótese alguma, na sua agenda deste dia.
O som cristalino de muitos vidros estilhaçando se fez ouvir, e só então ela percebeu que na sua pretensa fuga, acabara esbarrando em uma prateleira coberta de frascos que somente agora, lembrava estar às suas costas.
Permaneceu paralisada, encolhida de cócoras, com as mãos a proteger a cabeça, de olhos bem fechados, esperando ouvir aquela voz inconfundível sibilando os impropérios conhecidos. Estaria o som de seu coração tão alto que a ensurdecera? Um minuto, dois... Nada... Silêncio. Ela arriscou abrir um dos olhos e para sua surpresa a cena que se desenrolava a sua frente era completamente surreal.
O elegante homem torcia-se sobre si mesmo e quase roxo, fazia todo esforço possível para conter o seu riso. Mas ao vê-la reabrir os olhos e encará-lo apavorada, ele não conseguiu mais. Começou a rir primeiro contidamente, para logo passar a sonoras gargalhadas, indo quase às lágrimas.
— O seu caso deve ser bem sério — ele comentou entre soluços de risos, já que ele tentava parecer sério neste momento, sem muito sucesso — se a senhorita precisava com tanta urgência das minhas poções, podia ter falado logo, ao invés de se atirar desesperadamente sobre elas.
Aquilo não estava acontecendo. Sua vergonha era tanta que ela começou a achar que estava sonhando. Era um pesadelo com certeza, mas a dor que sentiu na mão, ao se apoiar no chão para levantar, e o sangue escorrendo mostrou-se ser bem real. Ela acabara de cortar sua mão com o caco de um frasco vermelho escuro, escuro da cor do sangue que agora pingava. A dor logo foi substituída por uma tontura, enquanto o líquido que outrora se encontrava dentro do frasco, no momento misturava-se ao seu sangue e penetrava em sua corrente sanguínea.
E a última coisa que ela viu foi a expressão de preocupação moldando negros.
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Acordou sentindo-se maravilhosamente bem e mais leve. Percebeu que se encontrava recostada em um elegante sofá prata de dois lugares, conhecido popularmente por "namoradeira" e a quantidade de almofadas vermelhas, em forma de bocas e corações, eram as mais macias e aconchegantes que o veludo alemão permitia confeccionar. Ao perceber que a recepcionista lhe trazia um frasco de alguma poção que ela não reconheceu, tentou sentar-se melhor, mas sua cabeça zuniu.
— Por favor — disse a moça solicita — beba este antídoto, ele neutralizará os efeitos da poção em seu sangue em pouco tempo. Fique repousando mais um pouco, afinal Hermione, você foi contaminada por uma poção da descontração, e necessita ficar sob observação mais algum tempo.
Que tolice, ela estava se sentido perfeitamente bem, e precisava terminar o que viera fazer ali, afinal não via hora de chegar em casa e ver a cara do marido com as novidades que ela teria. Hoje não haveria desculpas ou quadribol que atrapalhasse sua noite.
— Onde está aquele homem quando se precisa dele? – Hermione indagou a uma surpresa Srta. Annalia, pela intimidade do tratamento.
Ela bem desconfiava que a Sra. Wesley já era conhecida do seu patrão e agora suas suspeitas se confirmavam. Um olhar totalmente maldoso tomou conta da expressão da mulher.
— Pare de sonhar acordada e vá chamá-lo — ordenou animada. Eu não tenho o dia todo para esperar por ele — reclamou Hermione.
Enquanto uma Annalia confusa saía para procurar por Libertine, Hermione começou a analisar e vasculhar por toda a sala, a curiosidade levando-a a romper as barreiras da educação e da discrição. A quantidade de itens ali era maior do que na loja propriamente, não em quantidade propriamente, mas em diversidade. Ao que parecia os objetos estavam agrupados por afinidades: fantasias, livros, DVDs, jogos eróticos, vestuário, cosméticos, acessórios e brinquedinhos adultos. Muitos dos objetos que ali se encontravam eram completamente estranhos e ela não fazia a mínima idéia do que eram ou para o que serviam.
Ela ainda vasculhava o catálogo virtual no computador da mesa, quando Libertine retornou sozinho à sala.
— Eu acredito que deixei ordens expressas para que você permanecesse repousando — o dedo em riste oscilava para ela em franco sinal de censura, mas logo percebendo a sua descompostura profissional, tomando consciência que não era mais seu professor, e, portanto não exercia mais esse tipo de poder sobre ela, corrigiu-se.
— Desculpe, agora é Sra. Weasley, não? – ele retrucou com cara de poucos amigos.
Por um momento ela pareceu não ouvi-lo.
— Desculpe, está falando comigo? —Hermione, respondeu entre risos — porque quando alguém me chama assim, nesse tom todo pomposo – Sra. Wesley... Eu sempre fico procurando onde está a Molly – respondeu fazendo pouco caso do conselho e se dirigindo a uma das prateleiras contra a parede do fundo.
Um objeto em forma de uma borboleta rosa choque chamou a sua atenção. Parecia tão bonitinho, delicado e inofensivo, tanto que ela, não podendo olhar só com os olhos, precisou olhar com os dedos. O sensível objeto vibrou freneticamente ao seu toque, assustando Hermione, que o largou, na mesma hora, surpresa.
— Mas afinal isso é uma borboleta ou uma abelha africana? — Indagou para si mesma, em voz alta.
— Eu estava me perguntando quanto tempo demoraria a insuportável sabe-tudo por suas manguinhas de fora. – ele retrucou.
Como criança pega colocando o dedo na cobertura do bolo, o susto provocado pelo objeto não foi nada comparado ao susto que ela teve quando ouviu a resposta tão perto de suas costas. Ele se aproximara sem que ela percebesse.
O tom da voz não permitia descobrir se isso era um insulto como o antigo mestre fazia ou se era mais uma ironia desta nova personalidade dele, que ela ainda não administrava bem.
Virou-se para descobrir, afinal o dia parecia ter sido dedicado às surpresas sem fim.
— E antes que pergunte, não, isso não é uma abelha africana, mas sim um estimulador clitoriano acionado por controle remoto — ele apertou a tampa de uma inocente caneta esferográfica e a borboleta voltou a vibrar até que ele soltou a caneta.
Ela não sabia o que a confundia mais, a informação sobre a inusitada utilidade do objeto, ou a completa naturalidade com que ele tocara neste assunto.
— Confesse, — ordenou ela — o que você fez com o professor Snape? Onde ele está? Você definitivamente não é o homem que eu salvei na casa dos gritos.
Ele aproximou-se gentilmente e colocando uma mão no seu ombro, conduziu-a de volta ao sofá, sentando-se ao lado dela. Com seu tom professoral explicou:
— Insisto que a senhora deva repousar até que o efeito da poção que está em seu sangue esteja completamente neutralizado, do contrário a senhora continuará experimentando emoções contraditórias a todo o momento. Enquanto estamos aqui, Hermione, porque você não me conta os seus problemas para que eu possa ajudá-la com mais precisão?
Ela acenou com a cabeça, sem palavras nem forças para confrontá-lo.
— Como pode observar, esta sala está abastecida com objetos trouxas, mas devo lembrar que nós bruxos podemos usar mão de outros recursos mais avançados. Tudo vai depender do seu objetivo. Vocês já têm filhos?
Hermione negou com a cabeça, estivera muito quieta enquanto ele falava e isso não era um bom sinal, alguma coisa vinha por ai.
— Que bom — sussurrou Libertine, mas não baixo o suficiente para que ela não ouvisse.
— O que o senhor quer dizer com isso? Ela perguntou entre curiosa e ofendida.
— É que quando existem crianças em casa, elas desviam muito a atenção dos pais, e isso exige outro tipo de abordagem do meu trabalho – respondeu a expressão séria do rosto contradizendo a expressão divertida que perpassou seus olhos.
— Madame deve lembrar que muitas vezes, as pessoas procuram os bruxos atrás de poções mágicas e afrodisíacas para realizar o seu desejo ou esquentar uma relação. Mas nem mesmo a mais poderosa das poções funciona se o desejo for contra as leis da natureza e/ou a pessoa não acreditar que vai funcionar...
— Jamais faça uma poção do amor que possa prejudicar a vida de outra pessoa. O amor imposto não floresce. O amor deve ser plantado na alma e depois na terra — completou Hermione, lembrando perfeitamente da aula de poções do amor que ele ministrara tantos anos atrás.
Surpreso por ela lembrar palavra por palavra de sua aula tradicional sobre poções de amor, ele nada disse, apenas confirmou duas teorias que ele tinha há tempos: que ela realmente era uma sabe tudo, e o que o Weasley continuava o mesmo cego tapado de sempre.
— Por esse motivo... — está me ouvindo professor?
— Libertine. Hermione, pode me chamar de Libertine, e sim, eu estou ouvindo, continue. E acomodou-se entre as almofadas confortáveis para melhor ouvir o relato da cliente. Afinal ela não passava de mais uma cliente. Mas por mais clientes que sua loja atendesse, foi essa, e apenas essa cliente que salvou sua vida.
Continua...
N/A: Mais um capítulo postado no prazo. YAY!! Espero que todas estejam gostando da fic, e claro, continuem lendo e comentando.
Nossos agradecimentos a todas que leram, em especial as meninas que deixaram comentários. Muito, muito obrigada meninas!!
Nancy F. (Que nada, as coisas só tendem a ficar dada vez melhor, rsss...), Gislene Pizzol (Obrigada pelos elogios, flor!! Acho que além do Sex Shop, deveríamos conhecer um Libertine também, rsrs... Eu quero conhecer, e vocês?) , Valki Fanto (eis a atualização... E ai, como está a curiosidade?), Gika Black (Continue acompanhando, as coisas só tendem a melhorar!) e Nathsnape (AHuAUAHuAHUA!! O Rony nunca foi bem provido de nada, o que nos faria imaginar que seria nisso também? AHuaHuaha!! Quanto a Sra Granger... Bem, o que uma mãe não faz pra ajudar a filha, não é mesmo? Rss... Agora, COMO o Sev vai ajudá-la... Continue lendo e descubra. ;D)
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Biiip!
Beijos Sheyla Snape.
