A resposta

Sem ação, sem palavras. Era o que me descrevia naquele momento. As únicas ações que eu consegui fazer foram: arregalar os olhos e engolir seco várias vezes. Minha expressão estava completamente hilária e eu sabia disso, mas simplesmente o impacto das palavras que acabei de ouvir não me permitiam sair do estado de choque. 'Esperança, esperança...' era a voz falando em minha cabeça. Harry, diante da minha expressão, desatou a rir. Havia enterrado o som do sorriso dele no fundo de minha mente. Havia esquecido como ele sorria bonito. O sorriso me fez sair do choque e me trouxe espasmos de felicidade. Há muito tempo eu não o via sorrir assim para mim. Finalmente minha boca respondia aos comandos do meu cérebro.

- É... condições você quais são? – isso não foi a coisa mais coerente do mundo, mas era tudo o que eu conseguia falar naquele momento. Com um ar 'encandoramente' risonho ele respondeu.

- Você, nós não tocaremos em qualquer assunto que traga problemas ou que faça referência a nossos problemas até o último dia. Eu quero tentar coisas que nunca tentamos antes e em lugares improváveis, se você me entende – uma centelha de temor, com uma grande malícia passava pelos olhos dele agora. Tentar coisas diferentes, hã? Surpreendente. Como eu não acreditava mais que ele conseguiria ser. Minha reação já estava bastante ridícula e depois de ouvir essas palavras piorou. Devo ter passado minutos ou horas talvez, encarando-o sem saber o que falar. Ele riu outra vez. A segunda vez. Finalmente algo razoável saiu da minha boca:

- Sala, sei lá, lareira. Eu preciso tirar a mesa. – Falei me levantando para recolher os pratos. Isso, definitivamente, foi a coisa mais boba que eu poderia pensar num momento como aqueles. Ele me fez sentar e sacudiu a varinha fazendo tudo desaparecer.

- Depois de ontem, achei que você fosse um tanto mais criativa. Acho que é a minha vez de ter idéias, certo?

- Sim. À vontade. – foi a última coisa sã que eu disse a partir daquele momento.

Parei de pensar e comecei a sentir*

Ele se pôs atrás de mim e começou a roçar meu pescoço com os lábios, lentamente, como num suspense, e ia da esquerda a direita. Sorri, por que estava lembrando o sonho que tive pela manhã. Só que agora eu sabia que era real. Ele soltou meus cabelos e disse:

- Estão lindos. É por minha causa que você os prende? Por favor, não faça isso. – ele aspirou meus cabelos e os afastou do meu pescoço lentamente. Eu desejei encarar os olhos dele ao dizer isso. Queria saber se ele o teria feito se estivesse me olhando nos olhos. Mas outra vez os rastros de racionalidade foram apagados pelo toque dos beijos dele, agora molhados, em meu pescoço. Eu tentava me controlar, mas estava ficando difícil manter a pose. Quando senti a língua dele tocar o lóbulo de minha orelha suspirei alto. Pelos deuses, como era bom tê-lo de novo! Ele encontrou os botões do meu vestido e começou o que para mim é a tortura mais deliciosa que existe. Desabotoou o primeiro e beijou lentamente a pele exposta, primeiro um beijo leve, depois com a língua. Fez o mesmo com o segundo, só que dessa vez beijou a pele exposta do primeiro e do segundo. Eu suspirei um suspiro curto. O terceiro botão foi aberto e me fez sentir uma dormência nos dedos do pé. O quarto botão fez os cabelos da minha cabeça arrepiarem. O quinto botão e a maneira como ele beijou metade da linha da minha coluna provocou dormência e arrepios até na minha alma. No sexto botão meu ouvido não era capaz de ouvir muito bem. No sétimo e último botão eu gemi alto, e já começava a duvidar da integridade do meu cérebro. Ele me virou de frente com os olhos já escurecidos. Naquele momento eu quis saber o que ele estava pensando. Não me contive e perguntei:

- Harry, em qqque está penssando aagora? – minha voz não poderia ter saído melhor, não nessas circunstâncias.

- Que você está vestida demais. Mas vou providenciar para que esse problema seja resolvido. – Meu vestido já estava todo aberto atrás e minhas costas ainda latejavam com os recentes beijos. O que ele fazia atrás começou, igualmente devagar, a fazer na frente. Por todas as fadas mordentes, aquilo estava muito bom, e olhe que ainda era só o começo. Com os resquícios de sanidade que ainda permaneciam em minha mente eu pensei que deveria revidar à altura, mas ainda não conseguia pensar exatamente em que, não com os lábios molhados dele desenhando o contorno do meu sutiã. Ele fez isso repetidas vezes e a cada vez eu sentia algum arrepio diferente. Até onde a minha terrível memória lembrava, eu nunca havia sentido tantas formas de arrepio de uma só vez. Quando ele parou para procurar o fecho do meu sutiã eu o parei.

- Acho que é você quem está vestido demais por aqui. E eu vou arrumar isso. – a camisa dele não tinha botões, mas uma idéia surgiu na minha cabeça. Agora era a minha vez de ficar atrás dele e era a minha vez de torturar. Então comecei, lentamente, no mesmo jogo que ele. Alisei-lhe as costas com as pontas dos dedos, do cós da calça à nuca. Algumas vezes massageava os cabelos dele, acho que a terceira parte favorita do corpo dele. Isso me fez lembrar o quanto eu gostava de beijá-lo e afundar os dedos naqueles cabelos. Continuei com os movimentos, enquanto sentia a respiração dele ficar mais rápida. A sensação de saber que eu ainda faço a respiração dele descompassar por tão pouco traz um misto de esperança e prazer.

Lentamente fui escorregando os meus dedos para dentro da camisa e repeti os movimentos de antes, só que com as unhas. Harry adorava que eu acariciasse com as unhas. Eu quase podia ter certeza de como ele me olharia agora. O olhar desfocado e os olhos com um tom de verde um pouco mais escuro que o normal. Depois de anos de tortura finalmente nós dois estávamos nus, da cintura para cima. Comecei uma trilha de beijos do pescoço até o umbigo dele, dessa vez fazendo-o suspirar alto. Minha mão roçou levemente no volume formado abaixo cinto. Ele suspirou e apertou os olhos, então me fez parar.

- Tem uma coisa que eu realmente sinto falta de ver – ele olhou maliciosamente para os meus seios ainda cobertos pelo sutiã preto de renda. Santa Ceinwen ele acabou de confessar que sente a minha falta! Harry procurou o fecho do meu sutiã e rapidamente o tirou expondo os meus seios. Ele ficou observando por alguns segundos antes de tocá-los com as pontas dos dedos. Eu fechei os olhos e minha mente estava quase gritando para que ele beijasse os meus seios. Mas ele estava determinado a me torturar durante horas e assim foi. Quando ele finalmente tocou os lábios no meu seio direito, eu vi estrelas, constelações e o universo inteiro passar pelos meus olhos. Entenda, há quatro meses ninguém, exceto eu, toca aí. Ele sugava e passava a língua em um enquanto acariciava o outro com as mãos. Era como se não quisesse perder nenhum detalhe, nenhuma oportunidade de me tocar ali e me levar à loucura. Ele me deitou sobre a mesa, isso mesmo, ele me deitou sobre a mesa de jantar e dali a alguns minutos nós estaríamos completamente nus sobre ela. Mesa de jantar e sexo nunca foram coisas ligadas na minha cabeça. Iria ser realmente engraçado ver Rony fazer alguma refeição no mesmo lugar em que a pobre irmãzinha inocente dele transou. Enquanto essas coisas sem nexo povoavam minha mente ele tirou rapidamente o resto do meu vestido, deixando-me apenas com uma calcinha preta de algodão (se eu tivesse adivinhado teria colocado algo melhor, mas não importa, estou aguardando ansiosamente o momento de tirá-la) e ele tirou a calça, revelando uma cueca azul beeem volumosa.

- A mesa. Cair não pode? – perguntei. Agora o nexo estava dobrando a esquina e eu não conseguiria alcançá-lo.

- Magia. Eu fortifiquei, quando fiz sumir as coisas de cima. Não se preocupe com absolutamente nada agora. – ele falou me dando o terceiro sorriso da noite.

Ele deitou ao meu lado continuando com os beijos em meus seios, só que agora descendo até o elástico da calcinha, enquanto as mãos passeavam por minhas pernas, indo do lado externo para o interno, subindo até quase tocar o meu sexo. Instintivamente eu entreabri as pernas para que as mãos fossem mais para cima, mas ele continuou com os mesmos torturantes movimentos. Em um deles, começou a descer minha calcinha, lentamente, enquanto descia os beijos, mais e mais. Ele beijou minha perna, do lado interno ao externo, sempre respirando parte da minha parte mais sensível. Sempre provocando, sempre me levando à loucura. E quando finalmente ele tocou com a ponta do dedo o meu 'botão mágico' eu senti que o mundo girou mais rápido. E quando eu achava que todas as sensações estranhas e maravilhosas já estavam sentidas, eis que ele beija meu sexo e depois passeia com a ponta da língua. Merlim, fagulhas passaram pelos meus olhos e se transformaram em estrelas, ou seriam cometas? Enquanto isso eu gemia alto e sentia meu coração saltar e todas as pulsações possíveis do meu corpo foram sentidas naquele momento. Quando se é privada de algo que você ama a sensação de ter de volta é maravilhosa. Quando eu estava chegando ao limite, ele parou e me olhou por alguns segundos. Não consegui atinar bem o significado daquele olhar, mas acho que era um pedido silencioso de permissão. Antes que ele pudesse agir, fui em direção à última peça de roupa que ainda restava nele e tirei. O membro dele estava apenas em minhas mãos quando ele me interrompeu.

- Não... Me deixe... Possuir... você – uh uh ele também estava tão descontrolado quanto eu.

- Sim – eu sussurrei enquanto voltava a posição inicial. Antes de senti-lo completamente dentro de mim ele me olhou profundamente nos olhos. A umidade de uma lágrima estava ali e não entendi o porquê. Gemi baixinho ao senti-lo mover o corpo contra o meu devagar. Me senti plena novamente. Naquele momento estava tirando um pouco da mágoa que está em meu coração desde aquela noite. Naquele exato momento, quando os nossos corpos começavam a se mover, eu soube que valeria a pena qualquer luta para continuarmos juntos, não apenas por nossos filhos, mas por nós. Quando o clímax foi atingido eu tive certeza de que minha existência era completamente dependente da dele e que se eu o perdesse estaria perdendo a parte mais feliz de mim. Harry deitou-se ao meu lado e beijou o topo da minha cabeça. Agora ele deveria estar apertando os olhos e respirando fundo. Mais uma vez lamentei não poder ver essa expressão.

- Gi, eu acho que deveríamos ir para um lugar mais macio. – ele falou com a respiração entrecortada. Harry só me chamava de Gi quando tudo estava bem. Ainda não posso comemorar, afinal apenas começamos, mas já é um passo. Levantei o olhar para encará-lo sorridente.

- Eu tenho certeza que nós devemos ir para algum canto mais macio. Minhas costas estão doloridas e eu sou velha demais para dormir em cima da mesa de jantar.

- Ótimo! – ele me levou aparatando no nosso quarto. Harry me olhava receoso e com certeza não era pelo fato de estarmos completamente nus. Para tirá-lo dessa situação, falei.

- Não precisa conjurar cama alguma, certo? Não por esta semana. – e não pelos próximos cem anos, completei mentalmente. A Deusa-Mãe sabe o quanto sinto falta de dormir com ele, de sentir a respiração dele em meu pescoço ou os braços em volta de minha cintura.

- Tudo bem. – ele timidamente sentou-se e eu tive que fazê-lo deitar. Se tem uma coisa que acho graça nele é que ele não se preocupa com o que normalmente as pessoas se preocupariam. É sempre com o improvável e inusitado, ou seja, o fato de transar na mesa de jantar não o preocupa tanto quanto o fato de deitar-se na própria cama. Não teve segundo tempo, por que ele foi vencido pelo cansaço. Aninhada ao peito dele pensei no quanto tínhamos que percorrer para conseguirmos concordar em tudo, como antes. O sexo foi perfeito, mas não, ainda não estava tudo bem.

* H*&*G*

Os raios de claridade me fizeram despertar um tanto assustada. Procurei por Harry, mas ele não estava mais lá. Quando olhei o relógio, pulei da cama, vestindo apenas uma calcinha. 9h30 da manhã e ainda devia ir para a Toca. Estava terrivelmente atrasada pela segunda vez em menos de uma semana. Isso não era bom. Rapidamente fiz a higiene matinal, vesti qualquer coisa e desci me perguntando o que havia tirado Harry da cama e me deixado dormir tanto. Quando cheguei a cozinha, Harry (vestindo apenas uma calça) estava tentando cozinhar algo que cheirava terrivelmente mal. Ele podia ser um ótimo pai, um ótimo bruxo, muito bom de cama, mas cozinhar era um desastre. Antes que ele explodisse a cozinha, ou o Largo Grimauld inteiro me fiz notar.

- Bom dia e em nome das fadas do bosque não continue com o que quer que esteja fazendo por que não está bom. – falei dando um sorriso.

Ele virou em minha direção devolvendo o sorriso e respondeu:

- Bom dia, era waffles, mas parece que virou sola de sapato sujo. Não quis te acordar, você parecia profundamente adormecida.

- É, mas agora estamos muito atrasados. Prometi a mamãe que ajudaria com as crianças hoje. É... – agora eu havia prestado atenção que tudo estava muito arrumado e que não havia um único vestígio do que fizemos ontem na mesa de jantar. – Harry, o que você fez com tudo, quero dizer, a louça, as roupas? – apesar de ter sumido magicamente ontem eu sabia que tudo estava sujo na pia.

- As roupas estão no closet, devidamente dobradas e a louça no armário, devidamente limpas. Eu ainda sou um bruxo, lembra?

- Ah ta. Mas faça um favor para a humanidade, se afaste do fogão. Vou fazer algo para nós e enquanto isso você vai se arrumar.

- Sim, senhora. – ao passar por mim beijou o meu rosto rapidamente e sumiu pelo corredor. Enquanto preparava o nosso café da manhã as lembranças da noite anterior tomaram conta da minha mente e me fez lembrar de que hoje teria mais. Eis que uma questão surgiu em minha mente. O que seria hoje? Ele falou coisas diferentes, mas não é tão simples ter idéias pervertidas assim de supetão e hoje os garotos estariam em casa. Morrigan, hoje James e Albus estariam em casa! Nada de sala ou mesa de jantar, jardim ou qualquer outra coisa muito exposta. Para o barulho sempre havia o bom e velho abaffiato, mas minha mente não conseguia ter nenhuma idéia. Com esses pensamentos confusos terminei o café e fui me arrumar. Como hoje estava particularmente quente escolhi algo leve e prendi o cabelo todo.

- Não faça isso! – a voz de Harry me fez ter um sobressalto. Há muito não ouvia ninguém falar comigo enquanto estava no quarto, por isso me assustei.

- O que?

- Isso – ele se aproximou e tirou o broche que prendia meu cabelo. – Estão muito lindos para ficarem presos.

- Mas hoje está muito quente e você não faz idéia do quanto cabelo esquenta.

- Certo, mas deixe um pouco solto. – ele falou aspirando meu cabelo.

- Está na hora de você descer e me deixar terminar sozinha ou não sairemos daqui hoje – ao falar isso, virei-me para ele com um sorriso.

- Ok! Mas deixe só um pouco solto.

- Harry, estamos atrasadíssissimos.

- Certo, certo.

- Se quiser ir comendo só pra adiantar...

- Vou lhe esperar.

Ele saiu me deixando com uma dúvida enorme. Eu mantinha meus cabelos presos por que sabia o quanto este gostava de vê-los soltos. Mas se estávamos no caminho de resolver tudo devo soltá-los um pouco? Queria agradá-lo, mas minha lembrança das nossas brigas ainda bloqueava isso. Queria me entregar, mas não queria sair perdendo, ou baixar a cabeça para as opiniões machistas dele. Por que tudo não pode ser simples? Decidi fazer um coque e deixar apenas uma mecha solta no meio dele. Quanto tudo estivesse realmente bem, voltaria a ser a Ginevra Potter de cabelos soltos.

Tomamos café em silêncio, apesar da minha enorme vontade de perguntar o que ele tinha em mente para hoje à noite. Não perguntei para não passar a idéia que apesar daquela minha ousadia no banheiro, não havia nada planejado. Meu cabelo não foi mais comentado e apenas às 10h30 finalmente aparatamos na Toca.

* H*&*G*

Albus foi a primeira pessoa a corre para me abraçar quando cheguei a Toca, ele é a pequena cópia de Harry, em todos os sentidos. James falou com o pai antes de vir me abraçar de forma a quase cairmos no chão. Estavam quase todos lá. Bill e Fleur, com a minha sobrinha veela Victoire, que era a pequena cópia de Fleur, apenas com a personalidade tão pedante quanto a minha. Ela estava de férias do primeiro ano de Hogwarts. Dominique que era ruiva, mas tinha um pouco daquele encantamento veela e o pequeno Louis, que é um ano mais novo que Albus. Depois de um tempo as cicatrizes que Fenrir Greyback 'deu' de presente a Bill amenizaram e ele estava quase como antes. Percy o mesmo Caxias de sempre, com Audrey e a pequena Molly. Ainda me pergunto como duas pessoas inteiramente diferentes conseguem se casar. Audrey é uma versão mais sã de Luna, quero dizer, não que Luna seja maluca, mas Aud não acredita em zonzóbulos e todo o resto, é só uma garota alternativa e muito divertida. Ela trabalha no mesmo departamento que papai, aquele mesmo que Percy ignorava. Como as coisas mudam, ou como o amor muda as coisas. George e Angelina estavam lá, com Roxanne e Fred, ambos de férias do primeiro e segundo ano de Hogwarts, respectivamente. Rose, a filha de Rony e Mione, estava lá, mas estes ainda não haviam chegado. Teddy Lupin, um belo rapazinho de treze anos, também estava lá. A condição de afilhado de Harry o tornou praticamente um Weasley. Ele era o primo do coração, para as crianças. A família Weasley estava muito grande mesmo e isso deixava mamãe e papai extremamente felizes, apesar de Charlie estar sempre longe e de Fred ter ido a algum lugar além do véu para fazer aquelas travessuras, eles eram felizes.

- Mamãe, sinto muito pela demora, mas eu dormi demais.

- Tudo bem querida. Fleur e Aud vieram muito cedo e nós conseguimos arrumar tudo. Como você está? – ela me fez esta pergunta olhando profundamente em meus olhos.

- Bem. Angelina me deu uma folga. – sorri dessa vez menos forçado. A esperança renovava as minhas forças.

- Ótimo. – nossa conversa foi cortada quando Hermione chegou e a atenção de mamãe se voltou para ela. A grávida da vez tinha atenção redobrada.

- Você está bem? Parece tão magrinha e abatida. Dormiu direito? Rony tem cuidado de você direitinho? – mamãe perguntava enquanto analisava cada pedacinho de Hermione.

- Sim, estou. – ela respondeu me olhando divertida. Pouco depois vi o olhar dela me indicar a escada. Como eu não respondesse, ela foi até mim e puxou meu braço com tamanha força, que fez com que a atenção de todos os que estavam na sala se voltasse para mim, ou para o meu AI.

- Eu ainda preciso do meu braço, sabia?

- Sabia, mas vai ficar sem ele se não vier comigo agora.

- Ótimo, e por que eu deveria?

- Por que não se nega pedido de uma grávida. – ela sorriu triunfante.

- Sabe que essa é a segunda vez nessa semana que você usa esse golpe baixo?

- Na verdade é a primeira, uma vez que sexta é semana passada e hoje é domingo.

- Ok. O que você quer? – apesar de já saber a resposta eu perguntei.

- Você não vai querer que responda aqui. – ela me falou num tom mais baixo.

* H*&*G*

- Feitiço para detectar logros das Gemialidades? – eu ria alto. Estávamos no meu antigo quarto e Hermione tinha acabado de lançar um feitiço que ela mesma havia criado para bloquear os brinquedinhos espiões que George e Rony inventavam. Óbvio que ambos não sonhavam com a existência de tal feitiço.

- Vamos, me conte como foi?

- Contar o que?

- Gina você não andaria com um único fio de cabelo solto se não tivesse ao menos tentado algo. E Harry não estaria brincando com os meninos com um aspecto mais leve se tudo continuasse como estava.

Sabe qual é a coisa que eu mais odeio em Hermione? Essa mania infernal de prestar atenção em tudo, de todo mundo. Essa mania de saber de tudo.

- Sexo. Uma semana e depois conversaremos. Gostou do que eu fiz com sua idéia?

- Uma semana? – ela estava visivelmente atônita. – Suponho que ainda não conversaram.

- Não, só no fim da semana. Mas ao menos o sexo continua tão bom quanto sempre esteve.

- Quando eu disse conte-me tudo, não estava me referindo a essa parte.

- Certo, mas eu preciso de... – fui interrompida no exato momento que ia pedir ajuda a ela. Mamãe estava nos convocando para o almoço.

Durante o almoço tentei diversas vezes chamar a atenção de Hermione para mim, mas ela parecia muito concentrada em toda aquela deliciosa comida que mamãe havia preparado. Quando deixamos a mesa, fique ao lado dela e sussurrei em seu ouvido.

- Eu preciso de ajuda, urgente. Estou sem idéias quando mais preciso tê-las. – depois lancei um olhar significativo, entendido por ela.

Depois de alguns momentos ela ficou ao meu lado e perguntou baixinho:

- Que tipo de idéias?

- Criativas, coisas diferentes. – respondi enfatizando bem o diferente.

- Vem comigo, vamos visitar Helen. – Helen é prima de Hermione, que sabe que somos bruxos pelo fato de ser praticamente irmã de Hermione. Ela adora o mundo bruxo e é bastante simpática.

- Rony, acabei de lembrar que preciso ajudar Helen com a arrumação do novo quarto dela. Estou indo para lá.

- Quer que eu vá?

- Não. Leve Rose para casa. Gina e eu vamos ajudá-la.

- Uma opinião feminina a mais sempre é bom. – completei, não fazia idéia se Helen tinha um quarto novo para arrumar, mas sabia o quanto eu precisava de ajuda. Olhei para Harry, e ele apenas acenou com a cabeça e fixou o olhar como quem dissesse não demore tanto. Espero voltar para casa com alguma idéia maravilhosa e adaptável a uma casa com duas crianças.