Pathos – Capítulo 2
"Padecer no Paraíso"

"Ser mãe é andar chorando num sorriso
Ser mãe é ter um mundo e não ter nada
Ser mãe é padecer num paraíso"

Coelho Neto (Henrique Maximiano C. N.),
professor, político, romancista, contista, crítico, teatrólogo, memorialista e poeta. É o fundador da Cadeira n. 2 da Academia Brasileira de Letras e foi, por muitos anos, o escritor mais lido do Brasil. Sua frase "Ser mãe é padecer no paraíso" se tornou praticamente um ditado popular brasileiro.

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Quando Bella ficava observando Benny dormir assim, ela sempre ficava se perguntando como ela podia não ter desejado filhos desde que era uma criança.

Muitas de suas amiguinhas da escola eram daquele tipo de garota que estão sempre com uma boneca, desejando ser "mamães" quando crescessem. Mas Bella não.

Bella nunca sonhou em ter filhos. Bella sonhava em ser uma advogada e se formar na Ivy League... Bella sonhou com conquistas para sua própria vida, mas nunca sonhou realmente em gerar outras vidas.

Os primeiros anos de casamento foram como um conto de fadas para Bella.

Ela realmente não havia pensado que o casamento fosse mudar qualquer coisa em seu relacionamento com Edward. Afinal, eles já moravam juntos há alguns anos e se conheciam muito bem.

Mas, surpreendentemente, Bella logo percebeu que o casamento havia tornado o relacionamento deles ainda melhor.

Eles logo tiveram que aprender a se virar com a rotina meio bagunçada.

Edward tinha seus plantões da Residência e alguns cursos de especializações que ele vivia descobrindo: Massagens, técnicas de parto, palestras sobre viroses infantis que Bella jamais conseguiria entender...

Bella, por sua vez, teoricamente tinha um horário fixo de trabalho. Mas a verdade é que, na prática, a coisa não era bem assim. Ela tinha sim um horário para entrar, mas nunca sabia a que horas conseguiria sair.

No começo, quando Bella ainda atuava mais como assistente, os horários eram ainda mais irregulares. Era ela quem tinha que cuidar das pesquisas, leitura dos papéis... Algumas vezes, ela até conseguia levar tudo para casa, mas na maioria, acabava tendo que ficar até mais tarde no trabalho.

Depois de dois anos morando em Phoenix, Edward era oficialmente um médico: Sua Residência estava cumprida e ele podia escolher o tipo de trabalho que exerceria.

As coisas para Bella também estava mais estáveis. Ela já estava assumindo seus próprios casos e conseguindo controlar melhor os seus horários.

Edward conseguiu a vaga em um hospital. Mas ele não pretendia ficar por muito tempo: Ele estava procurando um lugar para abrir seu próprio consultório.

E foi aí, com as coisas todas certas, que Edward começou a falar sobre ter filhos.

"Quando é que você vai me dar um bebê, hein?" - Ele sorria, acariciando a barriga de Bella, todas as vezes que tinha a chance.

Bella tentou argumentar que eles ainda eram jovens, tinham tempo... Que, com um bebê em casa, tudo mudaria. Que eles não poderiam mais tomar banho juntos sempre que quisessem, nem namorar no sofá da sala, que Bear poderia ficar com ciúme...

Mas Edward... Edward adorava a ideia de ter filhos! E ele não deixava que nenhum dos argumentos de Bella mudassem seus sentimentos.

Depois de três meses de insistência, ele finalmente conseguiu convencer Bella, e ela marcou uma consulta, para conversar com seu médico e parar com as pílulas anticoncepcionais.

Mas Bella fez isso por Edward. Porque ela sabia o quanto ele desejava filhos e ela não queria negar isso a ele.

Quase seis meses se passaram até que a menstruação de Bella atrasou. Edward ficou radiante quando Bella contou que podia estar grávida e correu até a farmácia mais próxima para comprar um exame daqueles de caixinha.

"Isso funciona mesmo?" - Bella perguntou, um pouco em dúvida se confiava em um palitinho de plástico para confirmar ou não sua gravidez.

"Funciona" - Edward deu de ombros - "Ao menos, na maioria das vezes. Essencialmente, esse tipo de exame detecta a presença do HCG na urina. Normalmente, quando dão errado, é porque a mulher ainda está muito no princípio da gestação"

"Está bem. O que eu faço?"

"Vamos precisar da sua urina" - Edward estendeu um potinho.

"Argh. Isso é nojento" - Bella fez uma careta - "Eu não quero que você veja isso"

"Bella, eu sou médico! Isso realmente não me importa" - Edward riu - "Mas eu não preciso ver: Você faz aqui no pote, pega a pepita do exame e coloca algumas gotas no lugar indicado"

"Está bem"

Bella seguiu para o banheiro e fez tudo o que Edward havia dito. Ela ficou olhando aquele palitinho plástico, imaginando quantas listrinhas deveriam aparecer.

"E aí?" - Edward estava um pouco ansioso quando Bella saiu do banheiro.

"Já fiz. E agora?"

"Esperamos cinco minutos. Se aparecer uma risca, você não está. Se aparecerem duas, você está"

"E o que nós fazemos para não enlouquecer enquanto esperamos?"

"Nós devíamos sair com o Bear" - Edward sugeriu.

"Sair com o Bear?"

"É. Só uma volta. Nós vamos até o parque na próxima quadra e voltamos. Pelo menos não caímos na tentação de passarmos cinco minutos olhando para esse palito"

"Boa ideia" - Bella assentiu.

Bear, que sempre ficava eufórico quando via sua coleira, veio calmamente até Bella e lambeu o pé de sua dona.

"O que você tem?" - Bella estranhou a atitude do cachorro.

"Ih, amor. Acho que você está mesmo. O Bear já está te tratando diferente"

"Ai, Edward. Isso não quer dizer nada" - Bella desconversou, meio nervosa.

Eles caminharam com Bear até o parque. Já era tarde e começava a escurecer, mas algumas crianças ainda brincavam por ali. Edward sorriu, imaginando quando poderia trazer seu filho para brincar também.

Mais do que cinco minutos, eles demoraram quase meia hora para voltar para casa.

"Tem problema ter termos demorado tanto?" - Bella perguntou enquanto eles subiam para o quarto.

"Não. Ele para de reagir depois de um tempo"

"Está bem" - Bella suspirou - "Edward... Se eu não estiver..."

"Não tem problema" - Edward afagou o rosto de Bella - "Nós temos tempo. Você não precisa se preocupar"

"Certo" - Bella tentou respirar calmamente enquanto pegava o palitinho, tentando não olhar o resultado - "Um risco, eu não estou. Dois riscos, eu estou. Certo?"

"Hu-hum" - Edward assentiu, e Bella virou o palito - "E então?" - Ele perguntou, apreensivo, quando Bella não disse nada - "Você está?"

"Eu não sei"

"Como assim? Tem quantas riscas?"

"Uma e uma... Meio fraca" - Bella mostrou o palito para Edward.

"Hum..."

"Isso quer dizer que eu estou?"

"Eu não sei" - Edward confessou.

Eles leram as instruções outra vez, tentando encontrar algo que explicasse aquilo. As fotos demonstrativas mostravam duas listras da mesma intensidade. Ou, apenas uma listra e mais nada. Não havia qualquer referência a uma listra fraca.

"Vamos ter que esperar até amanhã e você faz um exame de sangue"

"Até amanhã? E como é que eu durmo com essa dúvida?"

"Bom, se você quiser, eu posso fazer um exame de toque no seu colo de útero"

"Você está brincando, não é?" - Bella fez uma careta - "Eu espero até amanhã. Prefiro que você me "apalpe" de outras formas"

"Amor" - Edward riu.

O exame de sangue confirmou que Bella estava mesmo esperando um filho. E a felicidade, não só de Edward, como de toda a família deles, foi enorme.

Carlisle, Esme, Renée, Charlie, e até mesmo Phill, estavam radiantes com a ideia de ter seu primeiro neto. Alice e Emmett mal podiam esperar para serem tios. E Alice até usou o assunto para dar dicas a Jasper sobre quanto tempo eles já estavam namorando.

Mas Bella continuava feliz com a felicidade de Edward. Sem realmente sentir que a gravidez fosse algo para ela.

Edward era um pai incrível. Mesmo antes de ser um pai de verdade. Assim que ele soube que Bella estava grávida, ele jurou cuidar do bebê, assim como sempre cuidaria de sua mulher.

Ele vivia esperando o momento em que a barriga de Bella começaria a crescer. Na verdade, ele jurava que a barriga de Bella já estava começando a crescer.

Só ele achava isso. Mas ele jurava que já podia ver uma pequena ponta na barriga de Bella.

Bella achava que não.

Bella quase não teve enjoos, nem muitos dos sintomas clássicos da gravidez. E isso só contribuiu para que ela parecesse não se dar muito conta do que realmente estava acontecendo em seu corpo.

As coisas só começaram a mudar, quando Bella sentiu o bebê se mexendo dentro dela pela primeira vez.

Ela havia voltado do trabalho, depois de um dia super agitado, e aproveitando que Edward não teria plantão naquele dia, os dois escolheram um filme e comeram pipoca no sofá.

Bear estava deitado aos pés do sofá e Bella repousou sua cabeça nas pernas de Edward. Suas costas estavam um pouco doloridas, então ela acabou se deitando com sua barriga para cima.

Depois de tentar algumas outras posições, essa parecia a mais confortável.

Ela até estava prestando atenção no filme, quando sentiu aquela coisinha estranha batendo em sua barriga.

"O que foi?" - Edward perguntou, quando ela ficou tensa, e ele notou que havia algo acontecendo.

"Eu acho que o bebê se mexeu"

"Oun..." - Edward sorriu, colocando sua mão sobre a mão de Bella, que agora repousava de forma protetora sobre seu próprio ventre.

"Mas... Isso é possível? Eu nem tenho uma barriga direito"

"É claro que você tem uma barriga, Bella" - Edward riu - "E já está na época de você começar a sentir mesmo"

Desde esse dia, tudo mudou para Bella.

O bebê agora existia de verdade. Ela sentia aquele ser se movendo dentro dela, ela conversava com ele e, de repente, ela mal podia esperar para conhecer o rostinho de seu menino.

Sim, seu menino. Porque Bella tinha certeza que estava esperando um menino.

"Como você vai se chamar? Você deveria dar uma dica para a mamãe, sabia? Eu não quero te dar um nome que você deteste quando crescer"

"Eu gosto de Clear"

"Edward, é um menino" - Bella riu.

"Como você sabe? Nós só vamos fazer o ultrassom na semana que vem"

"Eu não sei. Mas eu tenho certeza de que é um menino"

"Está bem, está bem... Eu gosto de Benjamin"

"Benjamin?"

"É" - Edward sorriu - "Você não acha bonito? Nós podemos chama-lo de Ben, ou Benny. Benny Cullen. É sonoro, imponente... Eu acho que seria um bom nome para um presidente dos Estados Unidos"

"Oh, Edward. Não pressione o bebê"

"Não estou pressionando. Eu vou amar nosso filho, seja qual for a profissão que ele escolher. Só estou garantindo que ela seja apto para todas as opções, tendo um bom nome"

Benjamin Cullen. O nome logo foi decidido.

Mas então, a gravidez se complicou um pouco: A pressão arterial de Bella se mostrava alta em alguns momentos e eles tiveram que manter um acompanhamento rígido para que ela não tivesse nenhuma complicação mais grave.

Ela e Edward estavam lutando por um parto natural, então o médico indicou que ela tirasse uma licença de duas semanas antes de completar os nove meses, para repousar e ver se sua pressão se mantinha mais baixa.

Se a pressão de Bella começasse a subir, isso inviabilizaria o parto natural que ela queria.

Benjamin decidiu que chegaria em um sábado à noite. Edward e Bella estavam jantando na casa de Esme, quando a bolsa estourou.

Bella sempre achou que se sua bolsa estourasse em qualquer lugar, ficaria super tensa. Mas a presença de dois médicos - O marido e o sogro - a deixaram mais confiante. Mesmo que eles não fossem obstetras, eles deveriam poder ajudar, no caso de qualquer emergência.

Carlisle dirigiu até o hospital, enquanto Edward acalmava Bella, no banco de trás do carro. As contrações começaram assim que a bolsa estourou. Mas Bella estava surpresa que elas não fossem tão absurdamente dolorosas quanto haviam lhe dito a vida toda.

O parto foi tranquilo. Bella mal havia chego ao hospital, e já estava com a dilatação quase completa.

Edward havia lido muito sobre tipos de parto e exercícios para ajudar na dilatação, pequenos detalhes para se preocupar no pré-natal, durante o parto, ou enquanto o bebê fosse um recém-nascido... Então, Bella havia feito muitas coisas certas.

Alice estava visitando a loja em Nova Iorque, e Emmett jogando em LA. Renée ainda morava em Jacksonville (mas estava falando em voltar para Phoenix quando Phill se aposentasse, desde que Bella ligou para contar de sua gravidez). Charlie, em Forks, chorou quando Bella contou que ele seria avô.

Mas, só Esme e Carlisle estavam lá quando Benny nasceu. E Edward. Edward estava na sala de parto, segurando a mão de Bella, perguntando tudo e, muito provavelmente, deixando os médicos malucos.

Quando Benjamin finalmente nasceu, e deu seu primeiro choro nesse mundo, Bella descobriu o que era ser mãe, na totalidade de seus sentimentos.

Ele era tão pequenininho e Bella ficou se perguntando como alguém tão pequenininho podia ter gerado tanto amor dentro dela.

Benny era seu bebê. Seu lindo bebê sem cabelo. O filho do amor que ela sentia por Edward, e que nem imaginava que podia ficar ainda maior com esse elo.

É claro que os primeiros dias não foram fáceis para Bella: Ela não sabia absolutamente nada sobre tantas coisas e Benny era tão dependente, chorando o tempo todo.

Por sorte, ela tinha Edward. Um pediatra 24 horas, para tirar suas dúvidas, e ajudar quando ela começava a achar que iria enlouquecer.

Difícil mesmo foi manter a relação de casal. Agora os dois tinham tanto com que se preocupar como pais e tudo estava tão diferente.

Edward não sabia muito bem como tocar o corpo de Bella agora que ela era a "mãe do seu filho" e Bella não conseguia se concentrar em outras coisas, sabendo que um bebê totalmente dependente, podia precisar dela a qualquer momento, no quarto ao lado.

Demorou um pouco até que eles se acertassem nessa área outra vez, mas eles acabaram conseguindo se entender.

Edward vivia comentando sobre ter outros filhos. Na verdade, assim que Benny nasceu, quando Edward o pegou em seu colo pela primeira vez, seus olhos se encheram de lágrimas e ele sorriu para Bella, dizendo: "Ele é perfeito. Quero ter outro"

Bella é que não estava pensando em repetir a experiência tão cedo.

Ela amava tanto Benny. E, sinceramente, ela se sentia um pouco insegura sobre ter outros filhos. E se ela não os amasse todos da mesma forma?

Podia parecer loucura, mas Bella já havia ouvido falar sobre muitas mães que faziam diferença entre seus filhos e, ela amava tanto Benny, que tinha medo de não conseguir amar mais um filho daquela mesma maneira.

E também, tinha o trabalho. Depois que Benny nasceu, Edward organizou seus horários no consultório de forma a ter o máximo de tempo para fazer coisas com o filho. Mas Bella, só estava cada vez mais atolada no trabalho da Promotoria.

Quando Benny era um bebê, Bella teve que se desdobrar - Certas coisas, como a amamentação, tinham que ser feitas por ela. Não tinha outro jeito. E a Promotoria de Phoenix tinha um programa para ajudar as mães nesse período.

Mas, conforme Benny foi crescendo, se tornando menos dependente da mãe, Edward foi assumindo grande parte das tarefas com o filho.

Edward levava Benny à escolinha, Edward buscava Benny na escolinha, Edward levava o filho às aulas de futebol e também às aulas de natação. Os dois tinha toda uma rotina de idas ao parque, e passeios com Bear, e cafés da tarde na casa da Vovó Esme.

Rotina na qual Bella fazia muito pouco. Rotina da qual Bella participava muito pouco.

Ela tentava colocar Benny na cama todas as noites e contar uma história para o filho dormir, mas às vezes ela se atrasava no trabalho, e Edward fazia questão que o filho tivesse um horário para ir para a cama.

Bella logo descobriu o grande dilema das mães que trabalham fora: A eterna divisão entre querer estar com seu bebê, e querer manter o seu trabalho.

"Eu preciso de férias" - Bella suspirou ao se deitar ao lado de Edward.

Sábado sempre era seu dia preferido na semana. Porque era o dia em que ela conseguia entrar um pouco mais na rotina dos dois.

Sim, ela dormia enquanto Edward levava Benny à aula de natação, mas depois, eles tinham o dia todo para ficar juntos. Bella cozinhava, eles comiam na mesa da varanda, passeavam com Bear, faziam programas familiares, e depois, Bella conseguia colocar Benny na cama e contar uma história bem comprida, até ver seu filho pegar no sono.

E como era bonito quando dormia. Ele franzia o cenho e ficava ainda mais parecido com Edward.

Bella tinha certeza de que seria capaz de passar a noite toda ali, observando cada detalhe do rosto de seu menino.

"Eu preciso de férias"

"O que foi?" - Edward fechou o livro que estava lendo e o colocou sobre a mesinha de cabeceira, dando atenção à Bella.

"Você está certo: Eu preciso de férias. Um tempo para nós, para o Benny. Edward, eu mal faço parte da vida do nosso filho"

"Também não é assim, amor"

"Você sabe que é. Faz meses que você vem me falando sobre tirar férias e eu só adio, adio... Mas agora é sério: Eu vou falar com o meu chefe e avisar que preciso de férias. Não vou pegar mais nenhum caso novo e, assim que eu terminar estes de que estou cuidando, eu vou tirar um tempo para ficar com o Benny"

"Você sabe que vamos ficar muito felizes" - Edward sorriu, segurando a mão de Bella.

"Você pode tirar férias conosco?"

"Claro. É só me dizer quando você acha que vai estar livre e eu começo a me programar também" - Edward sorriu calmamente. Ele estava tentando não se animar demais, porque tinha medo que Bella acabasse mudando de ideia na segunda-feira - "Nós podíamos levar o Benny para visitar sua mãe. Talvez dar aquela esticada até a Disney, que nunca conseguimos..."

"É. Disney. O Benny vai amar" - Bella assentiu - "E depois nós podíamos leva-lo a Forks. Até hoje ele não conhece a casa do Vovô Charlie"

"Claro. O Benny vai adorar. Nós podíamos tirar um mês todo só para nós três"

"Eu vou falar com o chefe" - Bella afirmou mais uma vez - "Eu também ando me sentindo muito cansada, sabe? Eu preciso descansar um pouquinho"

"Bella, seu chefe vai entender. Ele sabe o quanto você é dedicada" - Edward ajeitou uma mecha do cabelo de Bella - "Além disso, é seu direito sair de férias"

"Eu sei" - Bella suspirou.

"Nós também podíamos aproveitar... E tirar alguns dias só para nós dois" - Edward sorriu - "Um final de semana, que fosse. O Benny podia dormir na minha mãe e nós podíamos... Sei lá. Alugar uma casa na Marina"

"Nós podemos pensar nisso" - Bella sorriu de volta.

"Nós podíamos aproveitar para encomendar uma menininha"

"Edward... Outro filho? Agora? Eu mal consigo cuidar do Benny. Eu mal consigo fazer parte da vida de vocês. Não quero ter outro filho agora"

"Nós daríamos um jeito, amor"

"É fácil para você falar" - Os olhos de Bella se encheram de lágrimas - "Você tem o relacionamento mais lindo do mundo com o nosso filho. Mas e eu? Às vezes, eu tenho a impressão de que eu não passo de uma visita na vida do Benny"

"O que é isso, meu amor? O Benny ama você. Aonde vamos, ele sempre fala na mamãe"

"Mas eu nunca estou lá com vocês" - Bella fungou.

"Ah, meu amor" - Edward afagou o rosto de Bella - "Se isso te machuca tanto, porque você não tenta mudar os seus horários? Talvez... Abrir seu próprio escritório, ou arrumar um emprego no setor jurídico de uma empresa. Alguma coisa que te permita ter mais tempo para estar com ele"

"Mas eu amo tanto o que eu faço, Edward. Eu sonhei com isso a minha vida toda. Eu não quero abrir um escritório para atender só quem pode pagar, ou trabalhar em uma empresa... Eu amo isso"

"Eu sei" - Edward assentiu.

"Eu sou uma péssima mãe, não é?"

"Claro que não. Você é uma ótima mãe. Você não acha que estamos fazendo um bom trabalho com o Benny? Ele é um menininho ótimo"

"Graças a você. Se não fosse por você, eu não sei se teríamos um filho tão maravilhoso"

"Ele tem tanto de você, sabia? Tão justo e bravo!" - Edward riu.

"Você sabe tanto sobre ele..." - Bella suspirou.

"Você também sabe" - Edward apoiou - "Não fica assim, vai. Nós vamos dar um jeito. Lembra quando nós estávamos em Forks, quando o pai do Jacob morreu?"

"Hu-hum" - Bella assentiu, sem entender o que isso tinha a ver com o que eles estavam falando.

"Você lembra o que me disse quando estávamos saindo do velório?"

"Não" - Bella confessou e Edward riu.

"Quando eu te perguntei se estava tudo bem, você disse que sim. E, que o que ainda não estava bem, nós daríamos um jeito de ficar"

"Eu disse isso?"

"Disse" - Edward sorriu - "E eu vou te dizer agora: Está tudo bem. O nosso filho é maravilhoso, você é uma mãe maravilhosa, e eu te amo muito. E, se tem algum detalhe que ainda não está bom, nós vamos dar um jeito de ficar. Está bem?"

"Ai... O que é que eu ia fazer da minha sem você?" - Bella tentou sorrir, mas seus olhos se encheram de lágrimas.

"Ah... Mas eu espero que isso não seja uma opção. Porque não é para você ficar sem mim, nem para eu ficar sem você. Nós dois temos que ficar juntos para sempre. Eu, você, o Benny, e a menininha que eu ainda vou te convencer a encomendar"

"Eu te amo muito, sabia?" - Bella sorriu.

"Eu te amo também. Você é a minha vida" - Edward sorriu de volta.

"Ai... Eu preciso de férias..."

"Vai ficar tudo bem" - Edward beijou sua mulher - "Eu prometo"

"Mãe..." - Benny choramingou da porta.

"Oi, filho. O que foi?"

"Tem um monstro no meu quarto. Alguém tem que ficar comigo"

"Você quer que o papai mate o monstro?"

"Não... Eu quero a mamãe" - Benny reclamou.

"Eu?" - Bella sorriu, toda boba por Benny querer ela e não Edward.

"Você não fica comigo?"

"Fico" - Bella assentiu - "Claro que fico, meu amorzinho"

"Então vem" - Benny falou, virando as costas e saindo em direção a seu próprio quarto.

"Eu disse que ele te ama" - Edward sussurrou no ouvido de Bella, e ela virou para olha-lo.

"Eu acho bom o papai me esperar" - Bella sorriu - "Eu só vou ali, matar esse monstro e já volto para você"

"Hum... Papai espera" - Edward assentiu - "Papai espera o quanto for preciso"

"Acho bom"

"Mamãe!"

"Eu já vou, meu bem!" - Bella se afastou de Edward - "Eu volto logo"

"Não se preocupe: Mate o monstro. O papai vai estar esperando"

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A Bella não é má, ok?
Ela está em conflito - O eterno conflito materno.
Afinal, ser mãe é padecer no paraíso! Rsrsrs

Olha, eu não sou mãe, mas muitas coisas desse capítulo tirei de histórias de pessoas próximas.
E eu tenho mesmo uma conhecida que morria de medo de engravidar de novo e não conseguir amar o segundo filho tanto quanto amava o primeiro.

Bom, acho que isso é a coisa mais controversa que escrevi, mas eu tenho histórias reais para todas as coisinhas conflituosas que escrevi nesse capítulo.

De toda forma, é isso: A Bella precisa de férias.
Vamos ver se ela terá coragem para aceitar as férias.

Agora fiquem quietinhas, que ela vai colocar o Benny para dormir.
Boa noite.
Ou bom dia.

Até quarta-feira.
Vou ali responder minhas reviews.

REVIEWS:

Manuela Susin: Estou eficiente! Rsrsrs – Já aconteço logo tudo no primeiro capítulo, que é para não ficar enrolando.

Carla Garcia: É, tirando os conflitos internos da Bella, está tudo indo muito bem na vida deles.

Phi Cullen: Eu tenho minhas cartinhas na manga. Aguarde.

Gporazza: Já estou no esquema segunda-quarta-sexta. Quantos capítulos? Hum... Eu ACHO que uns 20, como as outras temporadas.

Deh C: Não, não pode roubar o Benny! Ficou louca? O Edward e a Bella vão te caçar até o inferno se você roubar o bebezinho deles.

Daia Matos: Nesse capítulo ainda vimos um pouco de como foram as coisas do passado. E é claro que eu ia precisar de um bebê! Rsrsrs

Mari L: Mas como assim você achou que eu não ia contar da gravidez? Baby Benny muito bem explicadinho. Agora eu vou contar como esse meu menininho cresceu. Chuchu de criança! Rsrsrs

Ssika: Benny ainda vai dar muito o que falar. Esse meu menininho... (Eu estou apaixonada por ele-)

Isa Alonso: Muito mais de Benny. Pode esperar.

JaqueF: Nem tantos anos assim... Acho que o Edward deve ser bom de persuasão.

BabyLovely: Bom, se depender do Edward, a menininha vem o mais rápido possível.

Ferpbiagi: Eu fiz a Bella ficar grávida. Só que já contei logo tudo de uma vez! Rsrsrs

JuliaGTorres: Essa Bella foi toda certinha: Filho, só depois de bem casadinha, formada, com emprego estável...

Carol Machado: Lily já está grande! Já é mãe e tudo mais. É hora de passar o trono das tias para o Benny.

Kathyanne: Ih, cansaço pode ser tanta coisa. E também pode não ser nada... Quem sabe? Rsrsrs

Deh M. Oliveira: Pode deixar que, aos poucos, eu vou contando TU-DO!

Naty Alves: todas felizes com a chegada do Benny. Coisa fofa da mamãe.

Vitória: Ain, eu já sofri demais com essas gestações. Pronto: Já nasceu! Hora de contar o resto da vida! Rsrsrs