Olá! Como estão?

Finalmente saiu o capítulo! E para compensar a angústia do capítulo anterior, Ted Remus Lupin, aviso que este capítulo tem algo de humor e é um POV de Scorpius. Espero que gostem, mas, antes disso, os reviews:

May Malfoy Snape – Oi! Obrigada pelo teu comentário! Sim, de que seria o mundo se os Malfoys não existissem? Onde estaria a piada da vida? O Harry é GAY, só que há gente que não enxerga. Este bruxinho adorável é a nossa perdição. Eu sei! Concordo plenamente com o teu comentário. Eles irão ficar juntos, querida! Isso garanto! Scorpius é um amor de garoto e Ted é um anjinho, irão terminar juntos! Sou portuguesa, mesmo, e espero que não incomode na leitura e muito obrigada pelas felicitações. Um beijo enorme.

Vanessa – Oi! Obrigada pelo seu review e digo-lhe que não tem que estar envergonhada. Eu apreciei o seu afecto e estou-lhe agradecida. Muito obrigada pelo elogio. Essa não era a minha intenção, mas imaginei o Ted como sendo um menino doce e gentil, ainda para mais tendo em conta quem são os pais. Essa frase acerca do Harry tem muito a dizer sim e fico satisfeita ao saber que aprecia o shipper TedxScorpius. Muito, muito obrigada pelo seu comentário. Alegrou-me tanto! Um beijo enorme, amiga!

Cissy Potter – Ofendeste-me, Cissy. Eu sei que sou isso tudo, mas teve que ser. Era esse o rumo da fic e, por mais que isso me devaste, estou orgulhosa desse capítulo. Saiu um pouco depressivo, mas saiu finalmente. Por quê que parei o capítulo a meio? Porque teve que ser! A reacção do Scorpius, lê este capítulo. Eu sei, a guerra mudou todo mundo e Harry não foi excepção. É assim como eu o vejo e não como a J.K.Rowling retrata no fim. Muito obrigada pelo teu review e não tornes a chamar-me Pandy! Beijos.

Hell's Angel-Heaven's Demon – Oi! Agradeço-lhe pelo review e quero felicitar-lhe pela tua fic "A Próxima Geração"! Está muito boa! Fico satisfeita por se servir da minha para ganhar um pouco de coisas acerca do Ted. Ele não é amoroso? Eu fiquei fascinada pelo Ted assim que ouvi falar dele e, porque não, fazer uma fic dele com o Scorpius? Sempre tive tendências para shippers loucos, e este não seria excepção. Concordo com você, fiz confusão com as idades, todavia, as fics servem para isso mesmo. Podemos distorcer um pouco a realidade e transformá-la em algo bom. Além disso, já li fics em que o Harry, por exemplo, é vinte anos mais velho que Draco. As fics servem para aumentar a nossa imaginação e porque não fazer algo incomum? Mas gostaste, não? Um beijo e obrigada.

E, agora, o capítulo! Beijos e boa leitura!


Chapter Three.: Scorpius Draco Malfoy

Music: «Loving You» by Andru Donalds


- SCORP, TIRA-ME ESSE TRASEIRO DA ÁGUA! HÁ AQUI FILA!

Lentamente, abri os olhos e suspirei. Albus Severus Potter chegava a ser irritante. Só estava a aproveitar o banho, após uma noite complicada. Levantei-me da banheira, agarrei na toalha verde-musgo e embrulhei-a na cintura. Fui até ao espelho e, tal como costumava fazer, empurrei o meu cabelo loiro platinado para trás, tal como usava o meu pai. Sorri ao espelho. Eu amava o meu sorriso cínico; parecia dar vida aos meus frios olhos prateados.

- SCORPIUS MALFOY!

- VAI PASTAR, POTTY POTTER! – abri a porta e preparava-me para resmungar com Albus quando vejo que os seus quatro companheiros de quarto estavam de braços cruzados e com caretas de desprezo. – Oi… Bom dia. Está um dia lindo, não acham?

- Lindíssimo, bela adormecida. – rosnou Potter avançando em passos largos para o quarto-de-banho. Caminhei silenciosamente para a minha cama. Mais valia sair ou acabaria morto. – MALFOY! ESTA ÁGUA DÁ PARA LAVAR CEM HIPOGRIFOS!

- Pois, fala por ti, Potter!

E quem diria que eu, o filho de Draco Malfoy, era o melhor amigo de Albus Severus Potter, filho de Harry Potter? Irónico, não acham? Vesti o uniforme de Slytherin, sentindo, de vez em quando, as miradas de desdém dos meus colegas de casa. Que culpa é que tenho se amo tomar banho? A água fazia bem á minha pele e, principalmente, ao meu belo cabelo.


Touch, something you do that makes me high

Toque, algo que você faz que me faz voar

Just give me wings and I would fly

Apenas me dê asas e eu voarei

Straight to your heart

Direto para o seu coração

And forever I'll remain

E aí para sempre ficarei

Cry too many tears are not enough

Chorar muitas lágrimas não são suficiente

Expressing to you how much I love

Para expressar-lhe quanto eu amo

Sharing your mind and your soul

Compartilhar de sua mente, e sua alma

Forever and a day

Para sempre e num dia...


O Grande Comedor estava lotado naquela manhã. E barulhento. Demasiado barulhento. E beijoqueiro. Quem gosta de comer quando tens um dos teus melhores amigos aos beijos com uma Gryffindor? Principalmente quando essa Gryffindor é a irmã do teu melhor amigo? Eca! Era horroroso ver como a língua parecia chegar ao estômago. As minhas entranhas revolviam-se. Mas era bom saber que eu não era o único a sofrer com essa visão. Do outro lado, o meu inimigo e os seus amigos tinham rostos pintados de desprezo. Era hilariante ver James Potter esverdeado. Fitei o meu lado esquerdo e vi que Albus comia com tranquilidade, mas com os olhos fixos na mesa de Gryffindor. Não estava a ver a irmã a beijar o estômago do namorado, estava a ver aquele Metamorphmagus pálido, de cabelos azuis-escuros e olhos violetas. Eu sabia perfeitamente o quão protector era o meu amigo com esse Gryffindor, mas nunca vi tanta preocupação como naquela manhã. O que tinha acontecido?

Todavia, estes meus pensamentos matinais viram-se impedidos quando as portas do Grande Comedor se abriram. Gemi baixinho e escutei uma gargalhada seca de Albus. Com isso, Lily Potter e Ryan Zabini, o casal beijoqueiro, passou com os amassos e miraram-me com pesar. Por quê que aquilo tinha que me acontecer? Vi, com terror, como Camilla Zabini corria na minha direcção com um ENORME sorriso e os olhos a saírem das orbitas. Engoli em seco e usei a minha máscara de frieza. Eu detestava aquela garota, tudo bem era a irmã de Ryan, mas era uma lambe-botas do caralho. Ás vezes, pergunto-me como o Ryan a consegue aturar quando estava em casa. Pelo que escutei, tia Pansy, casada com o tio Blaize Zabini, também era assim com ele. Como é que o tio Blaize acabou casado com Pansy Parkinson? Isso era uma pergunta para a qual não tinha resposta.

- SCORPITINHO!

Escutado será dizer que todas as casa, excepto a minha ou talvez não, desataram a rir que nem dementes idiotas e mal da mente. Aquela garota, que eu desprezo, deu-me um abraço apertado e lembrei-me subitamente de Sara, a minha avó materna, cujos braços me asfixiavam. Papá gosta muito de a comparar com Mrs. Molly Weasley, a avó de Rose, quando lhe contava de uma ou quatro visitas á Toca que fazia na época da Guerra. Tentei empurrar aquele pedaço de corpo de cima de mim; precisava de ar! Ela deve ter pensado a mesma coisa, porque me soltou e se sentou no meu lado direito e sorriu estupidamente. Olhei aterrorizado para Ryan, obrigando-o com o olhar a travá-la. Eca! Já estava aos beijos com a Potter! Coitadinho de mim. Mirei Albus mas ele já estava vendo fixamente a mesa dos leões. Que tinha o Lupin de especial? Eu é que preciso de ajuda.

- Bom dia, Scorpius. – Camilla sorriu com todos os dentes. – Dormiste bem? Sonhaste com os anjos?

Sonhar com os anjos é a mesma coisa que dizer: "Sonhaste comigo?" Mirei-a com desprezo e não respondi. Ou talvez tenha respondido se considerarem um escolher de ombros como resposta muda. Mordi a torrada e centrei a minha atenção, tal como Albus, na mesa de Gryffindor. Lá, reparei como Potter e Weasley diziam qualquer coisa a Rose e que esta murmurava ao ouvido de Lupin. Vi como ele os encarava, silencioso, e continuava a comer como se nada tivesse acontecido. Será que ele estava assim por causa…? Era impossível! Franzi o nariz quando a mirada dele se conectou com a minha. Uma frieza invulgar bailava por lá. De repente, o tempo parecia perdido. Eu tentava mergulhar naqueles olhos obscuros, descobrir qual a razão de estar tão monótono naquela manhã. Até que uma jarra alaranjada se intromete no meu caminho e me faz desviar a mirada. Camilla sorria, como sempre.

- Camilla. – Rosnei furiosamente.

- Queres mais sumo, Scorpitinho?

- Parkinson-Zabini… – Comecei friamente. Eu adorava chamá-la pelos dois apelidos. Soava tão desdenhoso! - … não que me incomode muito, mas pela sua saúde não me chame dessa coisa!

- Talvez torradas?

- Camilla… - Resmunguei perdendo a paciência. Cerrei os punhos.

- Sim, Scorpitinho?

- Vá-se danar e não me chames isso!

Levantei-me, atirei o guardanapo para o meio das torradas e retirei-me majestosamente do Grande Comedor. Consultei as horas no meu elegante, dourado e rico relógio Rolex, cortesia da minha mamã, para não chegar tarde ás aulas. Tinha pelo menos quinze minutos até que o meu pai chegasse á directoria para me levar á mansão. Eu não estou doente, mas a minha queridíssima mãe, Stelle, faz sempre questão que eu vá almoçar lá a casa aos domingos porque: "Sinto falta o meu querido escorpião." O tanas! O dia em que ela sentir a minha falta, Potter torna-se lerdo no Quidditch, os Hipogrifos cantam "I'm Too Sexy" e toda a comunidade se transforma em homossexuais com hormonas. Ao diabo com ela.

Ia eu em direcção ás masmorras buscar a minha capa quando me deparo com uma cena. O Lupin não estava no Comedor? Escondi-me por trás de uma estátua e aguardei. Não pude evitar pensar como é que ele aguenta aquela histérica como namorada. Aquela garota é do piorio! Tudo bem, ela é irresistível e incrivelmente gostosa, mas é completamente aguda! Vê uma aranha e metade de Hogwarts vai parar ás ruínas. Não estou a exagerar! Um Malfoy nunca exagera nas explicações. Quando os vi a passar diante de mim, reparei que o Lupin tinha enormes olheiras nos seus olhos e que a garota estava preocupada.

- Tu não estás bem, Teddy.

- Estou, estou. – Garantiu ele assentindo com a cabeça. – Só estou apenas cansado.

- Tiveste pesadelos? Queres que telefone ao tio Harry para ele vir cá conversar contigo e te trazer uma poção? Não me custa nada…

- Eu estou bem, não preciso do padrinho.

- Tens a certeza?

- Sim.

Ergui uma sobrancelha e perguntei-me como é que ele era tão bom mentiroso. A garota era perfeitamente burra. Lupin estava mal e ela estava a acreditar que ele, de facto, estava bem de saúde. Arregalei os olhos e vi que ela o abraçava tal e qual como a Camilla! Coitado! As jovens de hoje têm os braços fortes e musculados e eu ainda me espanto como é nenhum de nós morre nesses abraços. Notei como ele corava e fiquei debatido entre vergonha, falta de ar e raiva. Qual será a melhor?

- Vicky. – começou ele. Notei apenas desespero. Nada de raiva ou embaraço.

- Oui, Ted?

- Podes largar meu pescoço? Estou asfixiando…

- Claro. Perdon! – Ela sorriu-o e sorriu com vergonha. Pestanejei abismado quando vi o Lupin aumentar o rubor. O que tinha aquela perua de especial? – Queres ir dar uma volta, Teddy?

(Teddy? Que raio de nome era Teddy?) Pensei mirando-os com nojo.

- Hum… Lamento, Vicky, fiquei de… combinar com o Albino dar um salto a Hogsmeade.

O cara era um expert! Mentia perfeitamente! Cheira-me a dedos Potterianos aí metidos nessa habilidade. Papá sempre me disse que Mr. Harry Potter era um idiota que comprava os professores com a sua face de anjo quando na realidade era o demónio em pessoa. Pergunto-me o que quis dizer com isso… A garota, no entanto, sorria estupidamente como se Ted Lupin fosse o mesmíssimo Brad Pitt! O cara muggle participou nalguns filmes bruxos e até era um pouco reconhecido por aqui. Claro que não chegava á fama de Mr. Harry Potter, ou Mrs. Hermione Weasley ou ainda a do meu amado pai, Draco Malfoy, mas havia quem soubesse dele.

- Tudo bem, mon amour. Au revoir et je t'aime!

Ela curvou-se sobre Lupin e saiu aos pulinhos. Balancei a cabeça, negativamente. Raparigas como ela deviam ser expulsas de Hogwarts.

- Bisbilhotar conversas dos outros é muito feio, Malfoy.

Saltei no meu lugar quando escutei a voz profunda de Lupin. O Gryffindor estava no mesmo lugar e não me encarava. Via o vazio. Parecia perdido, abalado. Será que eu tinha sido muito duro?

- Ouve, Lupin, tenho que falar contigo. Acerca de ontem…

- Scorpius.

- Mr. Malfoy.

Olhei o meu pai com ódio. Ele tinha que aparecer ali, precisamente ali? Quando eu estava prestes a dizer ao Lupin que queria falar com ele acerca do que aconteceu ontem?

Draco Malfoy era a elegância em pessoa. E a minha cópia, devo acrescentar orgulhosamente. Se ele fosse da minha idade, seríamos gémeos. E foi então que notei que o Lupin mirava MARAVILHADO o meu pai. Parecia… enamorado. Eu sei que o meu pai é irresistível, mas Merlin! Ele saltava-lhe muitos anos. Não tinham nada em comum e ele era casado. E eu, para minha infelicidade, notei que o meu progenitor o mirava de um modo curioso e sorria levemente. Onde é que me perdi?

- Ted.

- Compreendo porque foi tão especial para ele. – De que diabo estava a falar? O Lupin sorriu levemente e começou a afastar-se. – Até breve, Mr. Malfoy. Malfoy.

- Manda cumprimentos meus ao teu padrinho, Ted. – Adicionou o meu pai, anuindo levemente com a cabeça. – Talvez ele me acompanhe a um passeio.

Não compreendi porquê que Ted corou e assentiu com nervosismo. Quando ele se foi embora, fitei o meu pai exigindo uma explicação.

- Desde quando é que tu e Mr. Potter são amigos?

O meu pai sorriu cinicamente, ou isso me pareceu, e colocou a mão na minha cabeça. – A tua mãe está á nossa espera, Scorpius.


You're my desire, you are my pain

Você é o meu desejo, você é a minha dor

You are my fire, you are my rain

Você é o meu fogo, você é a minha chuva

Flowing our love

Fluindo o nosso amor

Take away this world

Tirando este mundo

You're the beauty that remains

Você é a beleza que remanesce

Loving you is so easy to do

Amar-te é tão fácil de fazer

Loving you is so easy to do

Amar-te é tão fácil de fazer

Loving you is so easy to do

Amar-te é tão fácil de fazer

Loving you is so easy to do

Amar-te é tão fácil de fazer


- Detesto almoços de domingo…

- Oh, qual é, cara… Pior é ficar cá a aturar o Peeves

- Prefiro aturar esse fantasma doido que a galinha choca da minha mãe…

- Scorpius, não fales assim da tua mãe. Dá graças a Salazar Slytherin por teres uma do que não teres nenhuma. Nem todos tiveram a mesma sorte que tu…

- Albus Severus! – censuro. – Que mania de meteres sempre o teu pai nas conversas! Todos, inclusive Peeves e os elfos domésticos, sabem o quanto amas o teu pai! Mas não me dês lições de moral. A minha mãe é um aborto.

Ou me irritava com a mãe ou me irritava com o pai. E era o que me faltava para me complicar a vida. Tinha as notas a cair que nem chuva do céu, tinha um lago de baba de Camilla por onde passava e ainda tinha problemas amorosos, segundo a minha consciência. Malfoys não têm problemas amorosos.

Na realidade, não era bem um problema. Pronto, está bem… era um problema, admito relutante. Mas um problema pequeno. Porque Malfoys não têm problemas amorosos. Tudo começou quando o meu melhor amigo, Albus, decidiu convidar aquele amigo Metamorphmagus para assistir ao nosso treino. Confesso que não gostei de o ver lá, podia contar ao Potter mais velho como treinamos, mas até que se revelou coisa boa. E ele manteve a promessa e nós, finalmente, conseguimos ganhar os Gryffindors num jogo. O problema não foi termos ganho o jogo, o problema foi o que aconteceu após o jogo. As coisas complicaram-se!

- Estou preocupado com o Ted, Scorp… - a voz de Albus Severus era só um murmúrio. - … ele não anda bem…

- Hum? Disseste alguma coisa? – perguntei, descendo á terra.

O meu amigo bufou irritado e começou a contar-me que o amiguinho chegou todo molhado, na noite anterior, á Sala Comum de Gryffindor e com o coração quebrado. E depois dessa explicação vieram as inúmeras justificações de Albus para me fazer ver que Ted Remus Lupin não era um idiota apaixonado e choramingas de ontem. O que tinha eu a ver com isso? Nada! Absolutamente nada! Eu não me preocupo com Gryffindors e…

- O que é que ele queria falar contigo ontem? – Perguntou-me Albus.

- Hum? Comigo? Ontem? Não sei de que falas… - Mirei o Salgueiro Lutador, esquivando á mirada fria e séria de Albus Severus. Mas o meu queixo foi agarrado bruscamente e o meu nariz chocou com o do meu amigo. Ergui uma sobrancelha. – Albus, lamento imenso, meu amigo, mas eu adoro-te como amigo, não estou inclinado para esses lad… O meu nariz! O meu aristocrático nariz! POTTER!

Albus não sorriu, nem me ajudou nem lamentou. Ficou em pé, muito direito e sério; parecia um guerreiro pronto a atacar. Engoli em seco e levantei-me. A minha mão segurava o meu nariz e eu olhava, com toda a certeza, de uma forma assassina para o meu amigo. Mas não consegui ter coragem para lhe dizer nada ou desferir-lhe um golpe nas mandíbulas como pagamento pelo meu nariz quebrado. Eu sei que sou infantil por me preocupar com o meu nariz, mas desde novo que fui educado a manter as aparências. Uma simples mancha ou um fio de cabelo solto e a reputação estava arruinada. A do meu pai, por exemplo, não se arruinou no seu terceiro ano quando, sensualmente, os seus fios loiros bailavam nos seus olhos prata. Alias, a sua reputação na ala feminina aumentou consideravelmente. Incluso eu admito que o meu pai era muitíssimo bonito quando jovem. Não que ele não seja agora…

- O que eu te fiz, Al?

- Ontem, quando tu foste para o campo de Quidditch, encontrei o Ted. Ele estava desesperado por te encontrar. Não sabia para o quê que ele te queria, tendo em conta que ambos não se suportam e quando nos tornámos a ver, ele não me contou. Portanto, Malfoy, eu vou ser claro, directo e rápido. O que lhe disseste para o deixares em baixo? Numa penumbra obscura? Outra coisa, quanto mais negares, mais socos vais levar. Ted é a coisa mais importante para mim. E eu sei que tu o fizeste sofrer.

- Não sei do que estás a falar! – levei com um soco na mandíbula. Albus falava a sério? – Escuta-me, Al, eu não falei com o Lupin. Nem sequer nos cruzámos! Eu não faço ideia do por quê dele estar em baixo… Está bem? Podes parar de reagir violentamente? – Era nestas alturas que Albus me metia medo. Mas eu nunca admitia. – Eu ontem não vi o Lupin.

- Não viste mesmo? – A voz do meu amigo tornou-se, subitamente, emotiva e preocupada.

- Não. – Menti.

- Não me estás a mentir?

- Não. – Menti, novamente.

- Certo. – Albus cabeceou e ajudou-me a levantar. Olhou o meu rosto com preocupação. – Desculpa os socos. Fui demasiado…

- Tudo bem. Mas vais sentir vingança, Potter.

- Fico para ver, Malfoy. – Albus riu e eu sorri. – Vai á enfermaria. O nariz está a inchar.

- OK.

Fiquei no corredor a ver como Albus se afastava, caminhando com elegância e temor, e sorri. Sim, ele era Slytherin dos pés á cabeça. Também eu dei meia volta e fui na direcção da enfermaria. Só que…


Kiss feels like Heaven's right by my door

Beijo parece que o Céu está em minha porta

Just like your river that overflows

Apenas como um rio que transborda

Though I may drown I don't mind

Embora eu posso me afogar, eu não faço ideia

Swimming in you river

De como nadar em seu rio


Ted caminhava sozinho por ali, com a pasta nos ombros e o olhar cabisbaixo. Via-se mal. Albus tinha razão. Fui duro demais com ele.

"O que queres, Lupin?"

"Eu… Eu… Eu… Eu…" Ted engoliu em seco, respirou fundo. Tentava conseguir coragem. "Eu…"

"Desembucha, Lupin. Posso ser mau, mas não mordo."

"Eu… Eu… Eu…" Suspiro. "Eu… Eu… Eu gost…"

"Tenho que me ir embora." Comecei a caminhar. "Era importante o que tinhas para me dizer? Não pode ficar para mais logo?"

Ted suspirou abatido e pressionou os olhos para conter as lágrimas de frustração. "Tudo bem. Podes ir. Não era importante, mesmo. Lamento se te fiz perder tempo…"

"Não fez."

Vou ser claro nas minhas explicações. Malfoys não namoram com garotos; Malfoys não se enamoram; Malfoys não namoram lobisomens; Malfoys não se apaixonam por Metamorphmagus; Malfoys não se enamoram de Halfbloods, Malfoys têm um apelido a zelar; Malfoys não namoram com gente feia e pobre. Á parte disso, ele é um Gryffindor e eu, um Slytherin. Ainda mais á parte, ele é amigo de James Potter. Mas vamos mais fundo… Ele é o tipo que eu odiei por anos, somos garotos e, por mais estranho que isto pareça, nem eu nem ele somos amigos nem sabemos nada um do outro. Nós não podemos namorar, sem ser apontados. Não podemos dar beijos ou trocar carícias porque os outros se afastam, não podemos fazer sexo porque depois acham que estamos infectados com alguma doença e fazem de todo para nos expulsar. Um momento… Eu não admiti nada! Eu não gosto do Lupin! Problema dele se gosta de mim!

- O que te aconteceu, Malfoy? – Lupin perguntou-me gelidamente.

- Apanhei uns socos.

- Isso já eu vi. – Replicou-me secamente. – Mas não entendeste a minha pergunta. O que te aconteceu para apanhares "uns socos" do Albino?

Fiquei a olhar para ele, abismado. Como sabia que tinha sido o Albus a espancar-me? Mas ele não me deu tempo para responder. Pegou no meu braço e levou-me para os jardins. Calma, corta a cena. Era impossível que aquilo estivesse a acontecer! Eu sou um Malfoy. Um Malfoy não é conduzido por gente vil como se tratasse de uma coisa normal. O avô Lucius deve estar a contorcer-se na campa. Eu, legitimo herdeiro dos Malfoys, conduzido por um halfblood Lupin em direcção aos jardins! Ted estava invulgarmente sério e sentou-me delicadamente numa pedra.

- Então? O que fizeste?

- Nada.

- Ele culpa-te pelo meu humor, não é? – Ele tirou a varinha das vestes e apontou-me com ela. – Tem calma, Malfoy. Tia Hermione ensinou-me uns quantos feitiços de cura. Vou curar-te o nariz e a mandíbula e vou dar-te uma pomada para cobrir essas nódoas. Ao aplicares, tudo se esconde e só aparece se apanhares com líquidos. Aplica durante três dias e depois ficas como novo.

- Por quê que me ajudas?

- "Até mesmo os rivais merecem ser socorridos, desde que o nosso pescoço não fique em perigo. Ajuda-o para mais tarde ser ajudado." O meu padrinho Harry disse-me isto quando, no meu primeiro ano aqui, parti uma perna ao andar á luta com um garoto de Ravenclaw por este ter insultado os meus pais. No meu terceiro ano, nas estufas, ele ajudou-me a lidar com uma planta mortífera. Aprende-se bastante com as frases do padrinho. Mas se isto não ajudar… aceita um elegante encolher de ombros e um "Porque me apeteceu."

- Como sabias que foi o Albus que me bateu?

- Cresci com ele. Conheço-o de corpo e alma. Albino é a versão mais nova do padrinho. Dificilmente se irrita. E quando o faz, escolhe a hipótese que quiseres: a. Alguém pode ter tocado na irmã dele; b. Podem ter insultado o pai ou a mãe; c. Podem ter-se metido com o James; d. Meteram-se comigo; e. Porque simplesmente tem vontade. – Lupin fez uma pausa e vociferou os feitiços. Fechei os olhos e vi-me envolto numa calidez bonita. – Está melhor?

- Sim.

Lupin abriu o saco e entregou-me um tubo branco. – Escutaste as instruções, não? – Assenti silenciosamente. – Vemo-nos por aí, Malfoy.

- Lupin! – Gritei, levantando-me apressadamente. Ele voltou-se para mim e os nossos olhos conectaram-se. – Quero conversar contigo. Acerca da outra noite.

- Até breve, Malfoy. – Ele ignorou-me e continuou o seu caminho.

Fiquei ali especado uns momentos e depois retirei-me para as masmorras.


When you are weak girl, I will be strong

Quando você era uma menina fraca, eu seria forte

When you are right girl I may be wrong

Quando você estivesse certa, eu poderia estar errado

You take my breath away

Você me tira o fôlego

And I want you to know

E eu quero que você saiba disso

With every beat of my heart

Com cada batida de meu coração


- Scorpius, vamos jantar… Scorpius…

- Deixa-me dormir… Quero afastar-me do mundo…

- Scorpius, deixa os teus sonhos onde te der gana e vamos jantar. Tenho fome!

- Vai tu.

- SCORPIUS!

- Shh! Não grites, Albino. – Abri os olhos e sentei-me na cama. Albus estava em pé, fitando-me perplexo. – O que foi?

- És mesmo tu? Tu e o Ted não trocaram de corpo?

- O que tem o Lupin a ver connosco?

- Só ele é que me chama de Albino. – Respondeu como se fosse obvio e com um sorriso irritante. Demasiado.

- Hum. – Fiz um gesto de desinteresse. – Peguei o costume. O que queres?

- Vamos jantar.

- Não tenho fome.

- SANTO MERLIN! – Dei um pulo na cama. Albus Severus Potter tinha enlouquecido. – ESTOU POR UM FIO DE CABELO! – Ergui a sobrancelha ao vê-lo pegar num finíssimo fio de cabelo escuro. – PRIMEIRO, AQUELE IDIOTA ANDA A ARRASTAR OS PÉS COMO SE FOSSE UMA MULA E TU, MEU GRANDE PARVO, ANDAS AÍ CHEIO DE SEGREDOS! CHEIRA-ME A COISA! E ANTES QUE ME MANDES FODER, COMO FEZ O OUTRO, DEIXA-ME EXPLODIR PORQUE EU ESTOU FARTO DE SERVIR DE VELA. NÃO SEI QUE MERDA ACONTECEU ENTRE VOCÊS OS DOIS, MAS, MERDA, CONVERSEM. QUEM SABE SE NÃO DEIXAM DE SERVIR OS IDIOTAS COMPLETOS DE HOGWARTS.

- De que é que tu estás a falar?

- DE TI E DO TED. E EU APOSTO QUE TU TENS A MAIOR PARTE DA CULPA. TU MENTISTE-ME E TU FIZESTE MAL AO TED. ELE ESTÁ MAL E ESTÁ PIOR QUE NO DIA EM QUE O PAI LHE CONTOU QUE ERA ORFÃO. QUERO QUE ME CONTES TUDO, JÁ QUE UM NÃO FAZ PORQUE NÃO HÁ MANEIRA DE FAZÊ-LO FALAR!

- Primeiro, vamos estabelecer uns pontos. – Comecei calmamente, ainda surpreendido por ver o meu tranquilo amigo aos berros como se fosse um Howler. – Eu não sou surdo, portanto, bate a bolinha baixo. Segundo, não me compares ao Lupin nem uses esses palavreados muggles. Terceiro, de que é que estas a falar?

- Quando eu falo no Ted, tu pareces um Hufflepuff. Quando eu falo com ele sobre ti, ele parece um Hufflepuff. Em que me perdi?

- Eu não pareço um Hufflepuff quando falas desse idiota.

Eu não esperava que Albus arregalasse os olhos e a boca e caísse de traseiro no chão. Parecia que tinha visto o mesmíssimo Voldemort a dançar Swan Lake com um tutu rosa choque, os Death Eater a servir de cenário e o grande Harry Potter como espectador. E depois começou a gargalhar. Parecia um louco! Ele apertava a barriga, chorava e socava o chão. Eu devia ter trocado de mundo durante a noite, toda a gente anda maluco. Principalmente, este idiota que é o meu melhor amigo.

- Para que foi esse ataque?

Dramaticamente, Albus levou a mão ao coração e sorriu malicioso. Eu odeio aquele sorriso. Dá-me estremecimentos. – Como é que eu não me dei conta! – O que tem este idiota em mente? – Eu devia saber! Vocês estão a viver as cinco etapas do amor.

- As cinco etapas do amor?

- Sim! – Albus assentiu freneticamente que eu temi que a cabeça caísse de um momento para o outro. – Tu estás na fase da negação e o Ted está na fase de aceitação.

- Albus, o que é que tu andas a ler?

- "101 Maneiras de Viver a Mitologia" por Luna Lovegood. – Assenti algo deslocado. Albus aumentou o sorriso. – Devias ler, é muito bom. Como eu ia a dizer, tu estás na fase da negação. Isso significa que não queres admitir que estás apaixonado. O Ted está na fase de aceitação, portanto, está a aceitar que é correspondido amorosamente ou está resignado a aceitar que não é correspondido. O que eu quero dizer, com tudo este resumo, é que ambos estão apaixonados. Um pelo outro.

Depois destas palavras, o anormal desata-se a rir. Etapas do amor? Calma! Eu não estou a aceitar merda nenhuma! Pestanejei tentando assimilar e comecei a negar com a cabeça.

- Não, de maneira nenhuma.

Albus parou de rir e mirou-me friamente. Credo, aqueles olhos pareciam o Avada Kedavra. – Scorpius, eu amo os dois de um modo muito intenso e não vos quero ver lastimados. Mas quero que ambos se comportem como adultos. Têm dezasseis anos e uma mente bem desenvolvida para aclararem as vossas diferenças. O Ted adora-te, tenho a certeza, mas se tu não o correspondes, fala com ele e diz tudo o que te vai no coração. Ele tem que saber isso ou sofrerá. E tu, meu amigo, parava para pensar no que o Scorpius quer. Não o Malfoy ou o Scorpius Malfoy. O Scorpius. O Scorp. O que ele quer. Queres ficar com o Ted, fala com ele. Martela-lhe a cabeça! Não queres ficar com ele, explica-lhe o que sentes. Ambos saem bem parados. Mas chega de dramas. Com uma conversa tudo se resolve. Mas ignorarem este assunto só vos lastima. A ambos.

- Albus, tu estás a endoidecer. Eu não gosto dele!

- Então fala com ele e diz-lhe isso. – O meu amigo levanta-se e caminha até á porta. – Não se lastimem.


Loving you is so easy to do

Amar-te é tão fácil de fazer

Loving you is so easy to do

Amar-te é tão fácil de fazer

Loving you is so easy to do

Amar-te é tão fácil de fazer

Loving you is so easy to do

Amar-te é tão fácil de fazer


Era errado aquilo que o Albus disse. Eu não posso amar, não posso apaixonar-me. Não posso gostar de um Gryffindor, de um desgraçado, de um Lupin. Era completa e absurdamente errado. Eu sabia. Eu nunca me apaixonei antes. Não sei o que é o amor. Faz uns anos que conheci verdadeiramente a amizade ao salvar Albus de toda a humilhação ao ser seleccionado para Slytherin. Nunca senti o que era o amor. Sempre tive o que queria com um simples beicinho ou olhar gelado, nunca através de sacrifícios. Nunca lutei por nada, nunca defini nada, nunca abdiquei de nada por segurança de outrem.

Dou mais uma volta na cama e miro o tecto. São as duas da manhã. Todos dormem excepto eu. As palavras de Albus fazem eco na minha mente vazia de lembranças. Sigo sem compreender. Por quê Lupin? O que havia em mim para que Lupin gostasse de mim? O que tinha eu feito para que, de algum modo, tivesse ocasionado um enamoramento por parte dele? Desde quando? Mas eu sabia a resposta a esta última questão. O treino de Quidditch. Fora aí que tudo começara. E também sabia que era muito bonito e que fazia suspirar qualquer um, mas Albus também era bonito. Ryan era bonito. Incluso Potter era bonito. Por quê eu? Porque não um deles?

Não consigo definir os meus sentimentos e um mar de confusão abala-me. Não sei o que fazer, não tenho a quem acudir. O meu padrinho, Blaize, está fora e estaria a incomodá-lo. Tia Pansy era péssima em sugestões românticas; Camilla, fora de questão; Ryan estava a formar um charco na almofada e murmurar "Lily" como se estivesse a ser comido por tubarões. Nem falar de Albus, que começa prontamente com os seus resumos de psicólogo. A minha mãe é mais burra que uma porta e o pai… duvido que Draco Malfoy queira ser acordado àquela hora para falar com o filho de homem para homem. Não sei o que sentir nem descobrir-me a mim próprio.

Levantei-me da cama, tirei a Capa da Invisibilidade, regalo do tio Theodore, e fui dar uma volta pelo castelo. Era tarde e duvido que Filch andasse a vaguear por lá.


Oh your smile keeps a lot brightness up my day

Seu sorriso mantém a luz brilhando no meu dia

No matter who made it miles away

Não importa quantas milhas afastado

You're my steady now

Você é meu estimulante

My breath of life

Meu ar de vida


O lago estava silencioso e era uma noite agradável. Sentei-me no mármore e permiti que a minha mão tocasse a água gelada e obscura. Arrepiei-me e engoli em seco. Estava a começar a ficar com frio, mas não queria ir embora. Gostava de ali estar. Fechei os olhos por momentos e debati-me comigo mesmo. Esperava encontrar uma resposta a todas as minhas súplicas internas, saber o que dizer ou o que sentir mediante todas as novidades. Interiormente, amaldiçoei Albus por toda aquela conversa complicada que serviu para me fazer doer a cabeça. Suspirei.

- Está-se bem aqui, não achas, Malfoy?

- Lupin…

E, diante dos meus olhos, surgiu a imagem daquele que me estava a levar á loucura. Tinha as bochechas coradas, os lábios roxos e os olhos lacrimejados. Vestia um simples robe verde-escuro e estava descalço. Não pude evitar pensar em como ele estava bonito. Ele era bonito, eu é que fui burro para reparar. Lerdo, como teria dito Albus. Balancei a cabeça, era errado pensar aquilo. Primeiro tinha que interpretar o que sentia, depois fazia as declarações. Não o fitei em mais algum momento e estava a desfrutar, deveras, do silêncio.

- Tens algum problema, Malfoy? Pareces pensativo…

- Não creio que isso te importe, Lupin…

Escutei uma gargalhada e mirei-o com uma sobrancelha erguida.

- Albino também conversou contigo acerca das cinco etapas do amor. – Não disse nada, mas de alguma maneira ele soube que eu tinha enfrentado aquele tema. – Não percebo como é que ele está tão empenhado em temas amorosos quando está mais solteiro que… que uma criatura qualquer. Mas, todavia, ele só é assim com quem gosta, porque quando se trata dele próprio é difícil enxergar o que tem na frente.

- Hum…

- Em que etapa ficaste?

- Etapa?

- Nas cinco etapas do amor?

- Não é da tua conta. – E não pude evitar de pegar naquela oportunidade. – Por quê que estás a tratar-me amavelmente quando hoje me tratavas com desprezo?

- A tua face está melhor…

- Responde, Lupin! – Ele ficou sério. – Por quê essas drásticas mudanças de humor?

- O que queres que te diga, Malfoy? Queres que te responda "Porque gosto de ti", tal como planeava fazer á duas noite, ou preferes que encolha os ombros e responda "Porque me dá gana". Qual hipótese queres?


Loving you is so easy to do

Amar-te é tão fácil de fazer


Continua…

Próximo Capítulo: Draco Lucius Malfoy

Disclaimer: As personagens pertencem a J.K.Rowling.