Olá a todos !

Primeiro, eu lamento pela demora, mas foi uma semana complicada, a que se passou, e foi impossível para mim concentrar-me e escrever este capítulo.

Obrigada pelos comentários, e a quem favoritou e seguiu a fic.

N/A: Para aqueles que lêem a minha outra fic, "Walk with Me", eu irei atualizá-la na quinta-feira.

OBS: Quando a letra estiver em itálico, é um flashback.

Adeus. Saudações !


Capítulo 3 - Declarações finais

- Seu nome é Luna Lovegood ?

- Não - ela respondeu, muito séria.

- Então, você poderia me dizer o seu nome ?

Um suspiro escapou de seus lábios.

- Meu nome é Luna... Luna Black Lovegood...

Sua voz soa firme e sem hesitação. Já não é a garota sonhadora que acreditava em criaturas mágicas, muito fortemente lhe afetara a guerra que terminara há bem pouco tempo. Neville, seu namorado no último ano, havia morrido em seus braços.

Ela dirigiu o olhar a todos os que estavam à sua frente. Muitos apertaram as mandíbulas, outros começaram a especular, Draco olhou para ela com os olhos semicerrados, e sacudiu a cabeça negativamente.

- Co... como ? - perguntou o ministro, um pouco hesitante. Só então Luna volta a olhá-lo.

Ela sorri um pouco, ao responder:

- Draco Malfoy é meu irmão. Meio-irmão, para falar a verdade.

Por alguns segundos, o ministro respira fundo.

- Srta. Lovegood, poderia me contar com mais detalhes sobre o que acabou de declarar ?

- Claro. Quando cheguei a Hogwarts, eu não sabia que ele era meu irmão. Algum tempo depois, em uma das excursões que eu costumava realizar com meu pai, ele decidiu que eu deveria saber a verdade, e por isso me contou tudo. No quarto ano, decidi me aproximar dele, obviamente, sem êxito. - olhou para Draco - Eu não posso lhe contar muitas coisas, mas direi que somos irmãos por parte de mãe. Se bem que isso o senhor já deve ter suposto. Depois que meu pai me colocou a par disso, ele me entregou uma carta, que minha mãe não-biológica escreveu antes de morrer, e então eu soube de toda a verdade. Imediatamente eu me pus a investigar sobre minha mãe biológica e sua família.

- O Sr. Draco Malfoy soube disso em alguma oportunidade ?

- Sim, eu mesma contei a ele, quando fui vê-lo, há alguns dias atrás. Ele tinha o direito de saber.

O ministro ficou sério, não esperava por isso. Esperava declarações de acusação, que o ligassem aos Comensais, pessoas que dissessem que tinham provas de torturas.

- Prosseguindo com o testemunho... a senhorita tem algo mais a dizer ?

Então a loira esboçou um daqueles sorrisinhos, bem perigosa, lembrando algo que deixaria muitas pessoas em choque.

- Sim, muito mais coisas, mas o fundamental é que meu irmão é inocente, porque ele só fez o que fez porque Dumbledore lhe pediu, e tinha de manter as aparências. Todos acreditavam que, sendo filho de Lucius Malfoy, ele seria um Comensal, mas isso não se pode afirmar com certeza. Eu admito que não sei de muitas coisas, mas se há algo do qual estou segura, é de que ele nunca teve a Marca Negra.

A loira sustentou o olhar diante do homem ao seu lado. E teve certeza absoluta de que ele não digerira bem a última informação.

- Muito bem, senhorita, você está completamente segura a esse respeito ?

- Sim, estou certa disso, ele não tem a Marca. Eu ameacei Lucius Malfoy. Evidentemente, para ele era mais importante o sobrenome, e ele não deixou que pusessem a Marca em Draco. Eu realmente não sei como ele fez para convencer Voldemort, mas, seja lá o que tiver sido, funcionou.

- Certo... - conseguiu dizer - Muito bem, senhorita, já pode retirar-se caso não tenha mais nada a acrescentar.

Ela levantou-se e foi se sentar exatamente ao lado de Hermione.

- Desculpe por não ter dito nada antes - ela disse, em um sussurro.

- Não se preocupe, Luna, você não poderia ter escolhido um momento melhor - Hermione sorriu-lhe.


Depois de mais algumas declarações, Draco estava à beira de um colapso. Sentia-se humilhado, e desejava prestar a sua declaração, e deixar a todos calados. Depois do que Arthur Weasley falara, seguido por seu "filhinho", aquele filho de uma... acusou Hermione de ser sua cúmplice, e a única coisa que o loiro podia fazer era apertar os punhos e amaldiçoá-lo. Em sua mente, ele repetia: "Se eu falasse, Weasley".

Mas quando Hermione falou, e declarou a verdade, não podia esperar menos dela, ele sentiu-se afortunado por tê-la. Se bem que ela não falara algumas coisas, ou melhor, não tinham feito-lhe as perguntas corretas, e essas seria ele que responderia. E depois, Luna; sua declaração, de certo modo, voltou a deixá-lo apreensivo, e, mesmo que já soubesse de antemão o que ela diria, ainda era-lhe difícil de assimilar.

- Que se apresente o Sr. ... Blaise Zabini - disse o ministro. O moreno havia se livrado há poucos dias de uma condenação.

Draco desconectou sua mente daquele lugar, e permitiu que sua mente retrocedesse até o que havia acontecido há alguns dias atrás.

- Sr. Malfoy, há uma visita para o senhor - informou um dos guardas, parando em frente a ele - deseja recebê-la ?

- Sim - foi a sua resposta. Aqueles Aurores olhavam-no com asco, e quanto menos contato tivesse, melhor. Além disso, se fosse Hermione, ele desejava vê-la.

- Olá, Draco - uma voz melodiosa chegou aos seus ouvidos. Uma voz que reconheceu, e de alguém que não esperava ver.

Os olhos cinzentos encontraram-se com os azuis.

- Lovegood - ele alçou uma sobrancelha - O que você está fazendo aqui ?

Sem olhar para ele, a loira sentou-se a um lado da cama na qual ele estava sentado, e olhou para o chão.

- Draco, a verdade é que eu não queria que as coisas tivessem sido assim, mas, devido às atuais circunstâncias, é melhor que você saiba de tudo, e também de outras coisas.

Draco deu um sorriso irônico.

- Fale logo, Lovegood, será que você pode ir direto ao ponto ?- perguntou, com a voz entediada.

Ela fechou os olhos por um momento, ignorando o tom com o qual ele havia lhe falado, e respondeu-lhe:

- Draco, você e eu... você e eu somos irmãos - ela disparou de uma só vez.

Ele a olhou rapidamente e depois riu. "Eu perdi alguma coisa ? O que foi que ela acabou de dizer ?", pensou.

- Olhe, Lovegood, é sério, se isso for algum tipo de brincadeira, eu não estou com clima para isso... - Draco se levantou muito aborrecido, afastando-se dela.

- Escute bem, Draco Malfoy... - Luna levantou um pouco o tom da sua voz - , eu não tenho nenhum motivo para te mentir, eu fiquei sabendo disso há muito tempo, e uma das razões pelas quais eu tentei me aproximar de você nestes últimos anos foi essa. Depois desisti porque minha mãe, nossa mãe - disse ela, sublinhando as duas últimas palavras – me disse como você era, e então eu me conformei em apenas te observar de longe...

Draco deixou-se cair novamente na cama, convencido pelo que ela lhe havia dito. De certa forma, ele suspeitava de que havia ao menos um segredo entre seus pais.

- Não pode ser verdade, Lunat... Luna, você eue não podemos... como ?

Ela apenas lhe acariciou a mão esquerda.

- Draco, eu não sei de todos os motivos, é muito difícil ficar sabendo da verdade assim. Que aquela que eu acreditava que fosse a minha mãe, não era. Eu vi Narcisa apenas por duas vezes, e quando ela morreu, eu nem mesmo pude estar no seu funeral, e eu nunca quis perguntar ao meu pai como tudo aconteceu, apesar de ele apenas ter dito a mim que "no coração não se manda, e ele se apaixonou".

- Eu... Merlin ! Por que você está me contando isso justamente agora ?

- Porque é necessário, além disso eu penso em testemunhar e dizer isso no tribunal, e também dizer que você não porta a Marca - disse, tocando-lhe o antebraço esquerdo.

- Quê ? Como você sabe ? - ele levantou-se de um salto.

Ela o imitou e ficou de frente para ele.

- Fui eu quem impediu isso. Ameacei Lucius, e disse-lhe que, se lhe pusessem a Marca, contaria a todos que eu era uma Black, e assim seu sobrenome seria mais do que atingido, não apenas por ter uma esposa que o enganara, como também, que existia uma filha - ela olhou-o, seriamente - Não me arrependo de ter feito o que fiz, você não merecia isso.

- Obrigado - ele sussurrou automaticamente. Abraçou-a, e nem mesmo ele soube porque o fez - Meu pai... sabia da sua existência antes que você o tivesse ameaçado ? Quer dizer, ele sabia que você é minha irmã ? - ele perguntou, depois de terem se separado.

- Sim, ele sabia, e, claro, daquela vez ele me disse que não tinha contado nada a você. Ninguém além de você, eu e nossos pais sabem disso. Além do mais, acho que é o melhor, mas no dia do julgamento todos vão ficar sabendo e não quero que você tente me impedir de falar...

Draco voltou a se sentar e revirou os olhos.

- Não, tudo bem, faça o que você achar mais conveniente.

Ela apenas sorriu.

- Bom, estou indo, nos vemos dentro de alguns dias. Adeus, Draco - deu-lhe um beijo na face.

- Adeus, Luna.

E foi desse modo que ele ficou sabendo desse grande segredo. O fato é que ele não culpava a mãe pela infidelidade, Lucius nunca a amara, e se ela procurou esse amor com outra pessoa, ele não tinha porque censurá-la.

- Que se apresente o Sr. Draco Malfoy.

Com a ajuda de alguma de algumas pessoas, ele pôs-se de pé, já que estava acorrentado pelos pés e pelas mãos, e bebeu a bendita Poção da Verdade...

- Nome completo.

- Draco Lucius Black Malfoy.

- Sr. Malfoy, como se considera depois de tudo o que foi dito ?

Para responder isso, ele teve de respirar várias porções de ar.

- Inocente - as pessoas ali presente começaram a fazer muito barulho, mas Draco continuou, não se importando com aquilo Como disse minha... irmã, Luna, eu não porto a Marca - E, conseguiu, de algum modo, mostrar o seu antebraço, livre de qualquer sinal da Marca - E menos ainda eu torturei inocentes, isso nunca.

O ministro não se surpreendeu.

- Então, no seu caso, foi apenas uma fachada - disse para si mesmo - Li a carta de seu ex-diretor, e ela diz exatamente o que outras pessoas já me disseram, mas gostaria de saber algo: como conseguiu permanecer nas fileiras do Inominável sem portar a Marca Negra ?

Um sorriso amargo formou-se nos lábios do loiro.

- Como consegui ? Foi difícil. No dia em que eu iria recebê-la, meu pai chegou, irrompendo no local em que estávamos, e discutiu com Voldemort. Pelo que eu fiquei sabendo depois, meu pai ofereceu-lhe todo o seu dinheiro, a mansão, tudo o que tinha, contanto que não me marcassem, e Voldemort aceitou, decidiram que para ter uma Marca eu deveria passar por uma prova. Nessa prova, eu devia matar Dumbledore. Eu não fiz isso, e, portanto, recebi o meu castigo. Decidiram que eu não estava apto a portá-la, e me mantiveram com eles, mas eu não podia fazer nada mais do que olhar. Aprender com os outros.

- Entendo - murmurou o ministro - Draco, tenho de confessar que tudo o que disseram sobre você não era o que eu esperava. Também me é necessário perguntar por algo que o diretor deixa claro em sua carta. A quem você está protegendo ?

Benditos fossem os Comensais, seu pai e os outros a quem conhecera. Graças a ele, agora podia controlar a Veritaserum.

- A ninguém. Além do mais, por qual motivo eu iria proteger alguém ? - ele mordeu o lábio inferior, não podia falar, não acreditariam nele.

- Tem razão, mas Dumbledore aponta algo a esse respeito em sua carta.

- Não protejo ninguém, eu já disse.

Ele assentiu.

- Você tem algo mais a acrescentar ?

Ele ficou em dúvida, não sabia se falava ou não.

- Eu... eu... - olhou para o seu pai - Ele não a matou - disse - Foram os Comensais, ele tentou impedi-los, mas não conseguiu... No fundo, meu pai não é tão mau quanto se vê. Isso é tudo o que tenho a dizer - olhou para o ministro.

Ele fez um gesto, indicando que Draco podia se retirar. Uma vez erguido, pelas pessoas encarregadas, o conduziram até onde ele tinha estado anteriormente. Ele lançou um olhar a Hermione, e ambos souberam viria em seguida. Uma das testemunhas mais importantes.

- Que se apresente o Sr. Harry Potter.

Harry Potter levantou-se, bebeu o Veritaserum, e três pessoas, no mesmo instante, ficaram tensas.

- Nome completo.

- Harry James Evans Potter.

- Diga-me, Sr. Potter, o que tem a dizer sobre os acusados...

- Tenho muito a dizer, mas principalmente... começo por dizer que Draco Malfoy...


À medida que cada pessoa ia testemunhando, ia se confirmando a sua teoria; uma que tinha começado tomar forma durante a guerra. Surpreendera-se bastante com o testemunho de Ron, já que ele, desde a última vez, havia começado a se afastar deles. Inclusive saindo da Toca.

Muitos outros testemunhos começaram a surgir, mas Luna, sua amiga, era tão especial, sempre notou que ela observava Malfoy e sempre acreditou que ela estivesse apaixonada por ele, mas estivera muito distante de toda a verdade.

E, por último, Malfoy, que todos pensavam que era um Comensal, sem nenhuma contestação; mas a vida dava voltas, e, ao que tudo indicava, nem tudo era o que parecia ser, já que seu ex-inimigo não tinha a Marca, e era um espião fiel de Dumbledore.

- Harry, é a sua vez - Ginny sussurrou-lhe ao ouvido.

Ele levantou-se ainda processando tudo o que ia ter de falar, tinha consciência de que não devia mentir. Controlar o Veritaserum era algo que bem poucas pessoas sabiam fazer. Relaxou e tomou a Poção da Verdade.

- Diga-me, Sr. Potter, o que tem a dizer sobre os acusados...

- Tenho muito a dizer, mas principalmente... começo por dizer que Draco Malfoy...

Fica calado por um instante.

- Draco Malfoy é inocente, mas não o seu pai. Eu cheguei a essa conclusão por causa do seu Patrono, eu não o vi, mas aqueles que viram me confirmaram que era uma lontra, e isso, ainda que com pesar, confirmou aquilo que eu suspeitava. Indiretamente, eu sabia que algo estava acontecendo com Hermione, mas nunca imaginei que tivesse a ver com Malfoy. Se bem que eu devia ter suposto, porque ele já não era o mesmo, isso porque já não nos insultava nem nada assim... houve um dia em que eu me perguntei o que poderia estar acontecendo. Tinha muitas coisas que eu não sabia, para todos, ele era um Comensal, e, além disso... - ele cala-se, não sabe se fala ou não - Hmmm... em minha mente sempre esteve presente uma frase que Hermione nos disse, "Se vocês abrissem os olhos só mais um pouquinho, iriam perceber muitas coisas"; e foi o que eu fiz, e, durante este tempo, me dei conta de algumas coisas, e, como falei, cheguei à conclusão de que ele é inocente - silencia-se por um momento - Se o senhor me perguntar quanto a Lucius Malfoy, eu responderei o contrário. Ele sempre expressou abertamente ser seguidor de Voldemort, e acredito que seja óbvio que ele é culpado de todas as acusações.

- Muito bem. São muitas coisas, as que nos disse. Posso deduzir que ninguém muda a versão sobre Lucius Malfoy, mas com relação ao seu filho, então, há outras matizes. Draco Malfoy mudou, você acredita, que por sua amiga ?

- Para ser sincero, eu acho que ele nunca mudou, me refiro ao fato de que ele sempre soube de que lado estar, mas talvez tivesse medo. E quando começou a ter um relacionamento com Hermione, ela deu-lhe a coragem para fazer a coisa certa. Inclusive, quando seqüestraram a Hermione, a Ron e a mim, ele fingiu não nos conhecer, naquela hora eu não entendi o motivo, mas agora ficou bastante claro. Evidentemente, ele não pôde evitar o que Bellatrix Lestrange fez com minha amiga.

- Algo mais a dizer com relação a Lucius Malfoy ?

Não tinha se falado muito sobre Lucius Malfoy, apesar de não ser necessário; todos sabiam das coisas que ele havia feito. Por isso que o julgamento, aquele julgamento, havia concentrado-se mais em seu filho.

- Creio que não é necessário repetir tudo o que já foi dito anteriormente. Lucius Malfoy jamais foi alguém com quem eu simpatizasse, mas agora, escutando alguns testemunhos, posso dizer que a única boa coisa que ele fez foi não deixar que seu filho recebesse a Marca. Independente de como tiverem sido as circunstâncias.

O ministro teve de reconhecer que essa última afirmação era verdadeira.

- Muito bem, Sr. Potter. Tem algo mais a declarar ?

- Sim - Harry tentaria expressar-se tão claro quanto possível - Antes de a guerra ter se iniciado, chegou algo ao meu quarto. Abri a encomenda, e, para a minha grande surpresa, descobri que eram fios de cabelo, guardados em diferentes recipientes, não havia mensagem. Naquele instante eu não sabia quem havia me enviado aquilo. Quando contei a Ron e Hermione, percebi como os olhos de minha amiga se iluminaram, não sei como explicar, mas sei que ela sabia quem havia me mandado aquilo. O fato é que esses fios de cabelo nos ajudaram a entrar em Gringotes.

O moreno lançou um olhar, o primeiro de todos, para Hermione, e viu como ela sorria. Foi tudo o que ele precisou para comprovar quem lhe mandara aquela encomenda.

- Obrigado, Sr. Potter, já pode se retirar - o ministro releu, em silêncio, alguns dos papéis que tinha sobre a mesa.

Harry levantou-se e caminhou em direção ao seu assento. Ginny, sentada ao lado, apenas esboçou um sorriso triste, ela também já havia testemunhado.


Depois da declaração do salvador do mundo mágico, na sala, improvisada, reinava o silêncio, com todos esperando que o ministro tomasse a decisão.

- Entraremos em um recesso de meia hora para tomarmos a decisão.

A castanha se levantou, apressada, de sua cadeira, chegando o mais perto que pôde de Draco, eles olharam-se nos olhos por alguns segundos, não houve palavras nem gestos, tudo o que eles puderam dizer um a outro, disseram com aquele fugaz olhar.

- Você está bem ? - perguntou uma voz conhecida.

- Sim - ela levantou um pouco o olhar, e Harry lhe sorriu.

- Venha aqui, precisamos conversar - ele disse.

Por ser algo improvisado, Hermione tinha que reconhecer que estranhava o Ministério. Do lado de fora da sala, haviam algumas poltronas dispersas pelo corredor, eles sentaram-se em duas poltronas próximas.

Harry suspirou, e depois de uma eternidade, olhou para ela.

- Eu... Hermione, não sei por onde começar. Sinceramente, isto é realmente difícil, mas quero te pedir perdão por tudo o que você tem passado e por, bom, por meu comportamento naquele dia. Eu não aceitava, e ainda é difícil fazer isso, o fato de que você estivesse com Malfoy; e você não merecia nada do que nós lhe dissemos da última vez em que nos vimos.

Hermione sorriu. Aquilo era o que ela precisava, precisava do apoio dos seus amigos.

- Naquela hora eu soube que não era o momento certo para falar algo, mas Harry, o importante é que você está aqui, comigo, e me apoiando, apesar de tudo. Você é meu amigo, meu irmão. Não há nada o que perdoar - e se abraçaram.

- Sinto muito, Mione - disse ele, ainda, abraçando-a.

- Hermione - uma voz suave, às suas costas, a fez interromper o abraço.

- Ginny... - sussurrou a castanha. A ruiva olhava para o chão.

Ginny respirou bem fundo e olhou-a.

- Hermione, eu também sinto muito, eu não devia ter me comportado daquele modo quando nos vimos - depois ela meneou a cabeça negativamente - Eu reconheço que devia ter te compreendido e não te julgado, por favor, me perdoe.

Hermione aproximou-se e ficou de frente para ela.

- Não há nada o que perdoar, você agiu, ambos agiram como bons amigos - ela sorriu-lhes.

- Obrigada, Hermione - tanto Ginny quanto Harry sentiram-se melhor depois de falar com ela - Também sinto muito pelo que Ron disse, ele... hmm... mudou muito, já há algum tempo.

- Sim, consegui notar, você não sabe o quanto me doeram as suas palavras.

Depois dessas palavras, eles continuaram conversando sobre tudo. Hermione esclareceu algumas dúvidas para Harry e Ginny.

- Cunhada - Hermione virou-se para ver quem tinha chamado-a. Luna encontrava-se às suas costas.

- Luna - disse Harry.

- Olá, pessoal - disse ela, sorridente - Hermione, o recesso já vai acabar.

- Você tem razão, Luna; vamos.

Os quatro entraram, novamente, no local do julgamento, no qual, dentro de poucos minutos, iriam saber qual seria a sentença.


O ministro levantou-se e olhou para todos os presentes.

- Serei sincero com vocês, este foi o julgamento mais difícil que me foi incumbido de realizar. Pensei que já havia escutado tudo, mas como o mesmíssimo Dumbledore me disse em sua carta, "você verá que nem tudo é o que parece", e eu não poderia estar mais de acordo. Aqui foram ditas e demonstradas muitas coisas - releu os papéis e desobstruiu a garganta - Em relação ao Sr. Lucius Malfoy, todos os que aqui testemunharam, concordaram que, sim, ele torturou e matou, mas apenas o Sr. Harry Potter enfatizou o fato de que ele fez a coisa certa ao não deixar que seu filho estivesse nas fileiras do Inominável. Portanto, esta corte sentencia-o a 25 anos em Azkaban, e que não optaremos pelo Beijo do Dementador sob nenhuma circunstância.

Fez-se o mais absoluto e incômodo silêncio, todos acreditavam firmemente que ele seria condenado ao Beijo do Dementador. Hermione apenas olhou para Draco, que continuava a olhar para o chão. Sabia que doía-lhe a sentença recebida por seu pai, embora ele não o demonstrasse.

- Continuando. Draco Malfoy, eu tive com você a maior das surpresas. Muitos testemunharam contra você, e outros, em seu favor. Mas apesar de tudo o que foi dito, a corte tomou a decisão de que você está livre de todas as acusações, uma vez que foi apenas um espião agindo para Dumbledore. O julgamento chegou ao fim.

No momento seguinte, as correntes e algemas sumiram das mãos e dos pés do loiro.

Tudo havia acabado.

Tudo ficaria bem a partir de agora.

Quando deixaram que Draco pudesse se mover, a primeira coisa que ele fez foi abraçar e beijar Hermione.

- Até que enfim - foi a primeira coisa que Hermione falou.

Ela separou-se um pouco dela.

- Sim, enfim tudo isso acabou.

- Draco, eu...

Um grande estrondo aconteceu diante da porta principal, deixando-a totalmente destruída. O pó envolveu o ambiente, e muito pouca coisa se podia ver. Involuntariamente ou por reflexo, muitas varinhas foram levantadas. Um grito sufocante fez-se presente. Hermione mantinha-se ao lado de Draco. A maior parte dos presentes havia formado um semicírculo, cercando a pessoa, ou pessoas, não se sabia com certeza.

Ouviram-se passos ressoando, e com um feitiço não-verbal, o pó foi disperso. Deixando à vista a figura de um... Comensal ?

- Quero que... - ele moveu a cabeça - Não, ou melhor, exijo uma pessoa em particular...