Capítulo 3- Verdades Incômodas

Era estranha a sensação que sentia. Na verdade, não sentia nada. Sabia que estava acordando, mas não parecia como nos outros dias, em que o sonho simplesmente acabava e ela acordava. Nem sequer tinha sonhado ou, se tinha, já tinha esquecido antes mesmo de acordar direito. Tentou se espreguiçar ou se aninhar mais no colchão, mas até isso parecia diferente. Não se lembrava do colchão daquele jeito.

"Tanto faz".

Supirou profundamente e preparou-se para esquecer que já estava acordando, mas essa sensação de vazio era estranha. Nem um mísero sonho a noite inteira? Bom, agora que reparava melhor, talvez um pouco menos sonolenta, sentia a sua boca mais seca que o normal, embora isso não significasse muita coisa. Pensou em estender a mão para pegar o copo d'água que sempre ficava no criado mudo, mas estava sem forças até para isso.

Mas a sensação de boca seca começou a se tornar mais notável à medida que a cabeça dela também pareceu estranha. Sempre quando estava de olhos fechados perdia o senso de direção e de onde estava as coisas direito, mas nunca lhe parecia estar numa montanha-russa. É, tinha algo realmente diferente.

"Vamos lá, Gina, abra um olho!".

Mas apesar de se esforçar, não era tão fácil assim. Sentia a cabeça pesar muito também, e isso se refletia nas suas pálpebras. Aliás, aquela sensação de vazio e de nada que tinha até pouco tempo já começava a mudar drasticamente. Tinha a leve impressão de que o fato de tudo estar diferente significava alguma coisa a qual ainda não conseguia entender.

Sentiu o colchão se mexer e ela se sentiu mais ajeitada nele. "Bom, colchãozinho, quer que eu volte a dormir profundo...". Ótimo, o melhor era obedecer. Mas, só para constar, desde quando o seu colchão se mexia sozinho? Abriu um olho e tudo o que viu foi o branco do lençol.

"Ok, tudo certo como sempre...".

Bom, talvez não tão certo. Ou a sua cabeça girava muito, ou o lencol subia e descia, subia e descia. Ficou observando isso durante tanto tempo e se sentindo meio dopada, que aquela respiração lenta e calma foi embalando o seu sono novamente...

"Peraí, como assim, respiração?".

Abriu os dois olhos com mais convicção dessa vez e levantou o seu rosto, tentando não gritar. Não estava deitada no seu travesseiro, e sim no peito forte e sarado de Draco.

"Não, não, não, Ginevra, você não fez isso, diga que não fez...".

Fechou os olhos com força, esperando que Draco fosse apenas parte de algum de seus sonhos malucos mas, ou ela estava começando a ter um sonho dentro do outro, ou então começava a se lembrar de coisas que na hora lhe pareceram muito reais para terem sido sonhadas. O pior de tudo, é que a voz que ouvia na sua cabeça era dela própria falando: "Ora, Draco, me importuna sempre e quando tem a sua oportunidade vai fugir?". Céus, isso não podia ser real.

Draco deu um suspiro profundo, fazendo a cabeça dela se movimentar outra vez e lhe provando que tudo aquilo era muito real. De repente, todas as coisas começavam a voltar. A noite maravilhosa que tinha passado na reunião de Narcisa, como Draco lhe trouxera para casa e como ela o fizera ficar, como haviam se beijado e como tinham ido para a cama.

"Burra, louca, desgraçada!".

Com muita calma, levantou-se e ficou sentada na cama. Queria simplesmente se levantar sem olhar para ele, para que o peso na sua consciência não apitasse de novo, mas não resistiu a conferir o jeito sereno como ele dormia. Draco tinha um sorriso calmo nos lábios e parecia estar tendo algum sonho bom. O cabelo louro estava desgredenhado e isso lhe indicava como a noite devia ter sido. Bom, os braços dele marcados pelas suas unhas também lhe diziam muita coisa.

E o pior de tudo é que havia sido bom. Aos poucos estava se lembrando de tudo e lhe subia um arrepio só de lembrar do modo como ele a beijava e segurava seus cabelos pela nuca. O modo como ele arrancara sua roupa e a jogara na cama. Céus, começava a ficar excitada de novo só de lembrar.

"Pare com isso agora mesmo, Ginevra!", ordenou-se. "Você já sabe no que isso vai dar, então pare de pensar nisso."

Mas o cabelo dele desgredenhado daquele jeito estava tão fofo, e aquele sorriso... Dava vontade de beijar aquela boca novamente. Dava vontade que enquanto ela estivesse o beijando, ele acordasse e lhe segurasse pela nunca novamente.

"Ok, eu já entendi. Hora de cair fora da cama!".

Saiu com cuidado da cama e vestiu uma camisola e um robe que estavam por perto. Certo, não podia acordá-lo e pedir que ele fosse embora enquanto ela organizava seus pensamentos, mas tinha que arranjar um jeito de se acalmar e pensar no que fazer e como reagir a isso.

Cozinhar era sempre uma boa coisa. Era demorado na maioria das vezes e isso sempre lhe ajudava a distrair. Claro que para um café da manhã as coisas não seriam muito demoradas, não o bastante, mas torcia para que ajudasse em alguma coisa.

Fechou a porta do quarto enquanto usava a batedeira e depois disso conferia a porta a cada dez segundos. Queria que Draco lhe desse tempo, pelo menos, de terminar o café da manhã.

"Sabe o que é, Draco? Eu disse que não estava bêbada, mas na verdade eu estava...". Não, definitivamente essa não parecia uma boa fala. "Ok, vamos tentar de novo. Olha só, Draco, que engraçado as coisas que a gente faz quando está bêbado!". É, assim também não dava certo.

Fez as omeletes e a deixou dentro do forno elétrico, para que não esfriassem. Esquentou leite, fez suco, fez torradas, lavou algumas frutas e as colocou na mesa, usou suas xícaras e pires mais bonitos e depois se sentou no sofá, esperando ele acordar. Bom, tudo bem que o bolo ainda não havia ficado pronto, mas já era uma boa hora para ele acordar. Podiam ir conversando durante o café da manhã, e logo em seguida o bolo ficaria pronto e ele comeria um pedaço, dizendo: "É, foi uma boa noite, e eu ainda comi bolo de chocolate no café".

Certo, a quem queria enganar?

Draco ficaria uma fera com ela. Há anos ela lhe dava fora, e no único dia em que abriu uma brecha era porque estava bêbada. Meu Deus, isso não ia prestar. Não ia mesmo.

Ouviu um barulho vindo de dentro do seu quarto e o seu coração disparou. Beleza, tinha chegado a hora. Pelos ruídos, conseguia vê-lo se espreguiçando, sentando na cama, catando o sapato e calçando e vestindo a calça. Apostava que ele apareceria ali sem camisa e com aquele cabelo ainda desgredenhado.

Bingo.

-Bom dia, Gina -desejou ele, parado e com a cabeça encostada na porta.

-Bom dia.

Lindo. Era a definição perfeita. Quase nem parecia errado o que ela havia feito. Como resistir a um cara desses? Estava ele ali, sorrindo que nem bobo na sua direção, com aquele peito maravilhoso descoberto e com aquela aparência sapeca de quem havia acabado de acordar. Ao invés de falar o que sabia que devia falar, sentia vontade de que ele viesse em sua direção, deitasse em cima dela e que começasse tudo de novo.

"Pare com isso, Ginevra. A-go-ra!".

-Quer tomar café, Draco?

Ele sorriu e foi até a cadeira, se sentando e pegando uma torrada. Ela se levantou e pegou as omeletes, colocando-as em cima da mesa. No momento em que ela se aproximou, ele passou um braço pela sua cintura e a puxou de jeito, jogando-a no colo dele e quase beijando-a. Quase. Ela virara o rosto.

O que houve naquele momento foi uma completa paralisia dos dois. Por alguns segundos, ficaram estáticos do modo que se encontravam. Ela, no colo dele, com o rosto virado olhando fixamente para o chão. Ele, com ela no colo, com o rosto próximo ao dela, e no vácuo, olhando para a boca dela que se afastara.

Lentamente, ele a soltou e ela levantou-se, dando as costas por um segundo, mas virando-se para ele em seguida.

-Nós podemos conversar enquanto tomamos café da manhã? -perguntou sem jeito, sentindo-se muito estúpida por isso.

Draco não chegou a respondê-la. Nem quer a olhou. Levantou-se furioso e foi de volta para o quarto, pegar a sua camisa. Gina foi atrás, mas ver as costas dele completamente arranhadas não colaborou para ela ter mais coragem.

-Não, Draco, espere! -pediu, enquanto tentava, em vão, impedí-lo de se vestir- Por favor, não vá agora! Não assim...

Ele a afastou sem ser bruto e terminou de abotoar sua camisa. Não a olhava nem falava nada. Ela estava ficando tão desesperada que já sentia vontade de chorar.

-Por favor, Draco, me ouve só um pouquinho.

O modo como ele a encarou foi tão abrupto e tão intenso que ela se assustou e deu um passo para trás.

-Não precisa, Ginevra, eu lhe escutei. Não precisa se dar ao trabalho de repetir.

Aquele olhar tinha sido tão selvagem que ela ainda se sentia paralisada, e viu ele terminar de abotoar a camisa sem fazer nada. Quando ele pegou a chaves do seu carro e saiu do quarto, ela o seguiu sabendo que tinha que fazer ou falar alguma coisa, mas simplesmente não sabia o quê. Quando ele colocou a mão na maçaneta ela deu um grito.

-Draco, espera!

Ele parou e ficou encarando a maçaneta por um instante, a espera de que ela falasse alguma coisa. Ela sabia que tinha que falar, mas a sua voz não saía e aquele silêncio absurdo continuou por mais um segundo, até que um alarme apitou. Gina deu um sorriso sem graça para ele.

-Eu fiz bolo de chocolate para você.

Ele ainda encarava a maçaneta quando deu um sorriso sarcástico.

-Obrigado, mas pode ficar com tudo.

Gina estendeu a mão para ele antes que abrisse a porta, mas não havia tempo nem forças o suficiente para impedí-lo de partir. Draco bateu a porta com toda a força na sua cara.

Não acreditava que isso estava acontecendo. Como se deixara cair nessa armadilha? Agora tinha que dar um jeito, e rápido, de resolver isso do melhor jeito possível.

-Mas como? -perguntou-se, enfiando uma uva na boca.

Sentou-se à mesa do maravilhoso café da manhã e aquilo tudo lhe parecia muito deprimente. Tudo bem, não esperava mesmo que Draco ficasse e comesse direitinho como se nada tivesse acontecido, mas era realmente horrível ver aquilo tudo preparado para ela comer sozinha. De novo.

A cadeira vazia ao seu lado estava calada, contendo um comentário infeliz que ela já sabia qual era. "Você não precisava estar sozinha", é o que ela diria se Gina não lhe encarasse com uma cara tão feia.

Mas era verdade. Ou não? Não era certo ficar com Draco só para suprir as suas carências, ele merecia muito mais do que isso, e ela não se sentia apta para dar algo mais para ele.

-É isso que você deve dizer a ele... -disse o seu reflexo na xícara de café.

Ok. Era isso que iria dizer a ele. Só tinha que se preparar para isso.

Levantou-se sem comer mais nada e foi preparar a banheira. Precisava se recuperar antes de encarar a nova batalha do dia.

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Gina chegou ao prédio da Green & Silver e ficou parada, olhando para o alto onde sabia que ficava a sala do loiro. Forçava o seu pé a dar um passo, mas ele estava com muito medo de fazer isso. Esperara o dia todo e viera no final do expediente, esperando encontrar um Draco talvez mais calmo. Vamos lá, você precisa... Certo, no três: um, dois...".

Antes mesmo de chegar ao três voltou a andar. Sentia que se terminasse a contagem, não teria forças para ir além. Apertou o botão do andar dele e deu um sorriso amarelo para todos os conhecidos dentro do elevador. Quando saiu, Irene, a secretária dele, lhe deu um sorriso radiante.

-Oh, Gina, eu vou avisar ao Sr. Draco que você está aqui!

-Não, não, não! Por favor, Irene, eu posso entrar sem ser anunciada?

Irene lhe deu uma olhada e de repente tudo fez mais sentido. Achou que a presença da ruiva acalmaria o ânimo nada bom que o seu chefe estava hoje, mas a julgar pelo jeito de Gina, desconfiava seriamente de que ela era a causadora daquele ânimo. E a conhecer a história dos dois, essa suspeita se tornava maior ainda.

-Sinto muito, Dona Gina, mas é que o Sr. Draco não está de bom humor hoje. Se eu deixar alguém entrar sem ser anunciado ele me come o fígado.

-Certo -suspirou desanimada- Pode anunciar então.

A ruiva ficou observando atentamente a reação de Irene ao falar com Draco, mas ela era esperta e treinada, e não deixou nada transparecer. Tentando não antecipar algo que viria agora mesmo, bateu na porta de Draco e entrou.

Ele estava de costas.

É, realmente ele estava de mau-humor, ajulgar pelo casaco jogado na cadeira. Draco só fazia isso quando chegava, depois arrumava o casaco no canto da sala. Mas se o casaco estivera jogado ali o dia inteiro, então era um mau sinal.

Pelo menos ele tinha ido em casa. Dava para ver isso pelas roupas diferentes, e pelo cheiro gostoso do perfume dele que estava no ar. Ficaram em silêncio, um esperando uma reação do outro. Ela esperava que ele se virasse para conversar com ela, mas ela esperava que ele se virasse para que pudessem conversar. Como estavam meio que num impasse, ela resolveu começar. Afinal, tudo era culpa dela.

-Draco, eu sei que é mais do que justo o modo como você saiu lá de casa, mas nós temos que conversar.

Ele se virou e o olhar dele era tão duro quando pela manhã.

-Eu estou trabalhando agora, Ginevra.

Sabia que ele não estava. Mas não ia contrariá-lo.

-Me desculpe interromper, então. Mas eu posso tomar cinco minutos do seu tempo?

-Só se for cinco minutos.

Ela concordou. Para se sentir mais confiante, veio com o seu eu de sempre. Estava de saia preta até o joelho com uma pequena fenda, um camisete branco com linhas pretas, acessórios pequenos e o cabelo em coque. Sempre se sentia confiante quando estava de coque, embora isso não fosse o suficiente agora.

-Draco, eu sei que essa situação é horrível e sei que eu causei isso tudo, mas eu não posso voltar atrás. E se pudesse, eu só voltaria por sua causa.

O cenho franzido dele lhe indicou um bom sinal de que deveria continuar falando. Ela deu um passo em sua direção.

-Draco, por mais que eu tenha lhe dado fora todos esses anos, eu nunca deixei de demonstrar o que eu sentia por você. Eu sinto um carinho imenso, considero você como um dos meus únicos amigos, talvez o maior e o melhor. Eu nunca ia querer estragar isso.

-Vá direto ao ponto, Gina. Eu só lhe dei cinco minutos. Tenho uma reunião daqui a pouco.

Duvidava que ele tivesse qualquer reunião, mas era mais fácil mesmo se fosse direta.

-Certo. Eu sou atraída por você, ok? Sou e sempre fui. Céus, eu entrei aqui praticamente uma menina e você já tinha todo aquele jeito de garanhão metido a conquistador. Eu atuava na defensiva com você porque achava que se a gente se envolvesse, no final eu me machucaria.

-Gina, você sabe que...

Ela levantou uma mão, indicando que não era para ele lhe interromper.

-Eu não sei dizer quando essa situação mudou, Draco. Mas um dia eu simplesmente percebi que não, se a gente se envolvesse, quem sairia machucado seria você. Você conquistou a minha amizade sincera, e não acho que eu seja capaz de te oferecer mais do que isso. Se você quer saber o que eu sinto por você, eu posso dizer: eu acho que você é o homem mais lindo da face da Terra, e eu nem tenho palavras para descrever a noite de ontem. Mas eu não acho que eu tenho nada mais para te oferecer do que amizade.

Aquele silêncio novamente. Odiava isso.

-Eu não sei se eu devo pedir desculpas por não ter te dito isso antes de te incitar a me beijar, mas se consola, você é o melhor beijo da minha vida.

Draco a olhava tão comprenetrado que ela podia ouvir as engrenagens do cerebro dele matutando a resposta. Ela teve a impressão de que ele já ia responder alguma coisa quando o telefone tocou.

-Sim, Dona Irene, pode mandar Doroffef entrar.

Os olhos de Gina se arregalaram. Ela não achou que ele tivesse uma reunião de verdade, e se era com Doroffef, o assunto seria tenso, porque a grande obra-prima do amigo estava estancada nas prateleiras.

-Não seja duro com ele -pediu.

-Não venha me ensinar a fazer o meu trabalho -rugiu ele.

Droga. Não podia sair dali sem ouvir qualquer coisa dele. A maçaneta girou e um senhor de 70 anos um tanto quanto murcho apareceu meio despenteado na sala. O coração de Gina pesava de dois lados. Doroffef a olhou e ela lhe deu um sorriso amarelo.

-Alexis, eu sei que você e Draco vão conversar agora, mas você pode me dar só mais dois minutinhos com ele?

Draco andou firme na direção do homem.

-Tolice, entre logo. Ginevra e eu já terminamos nossa conversa.

Doroffef olhou para Gina e para o jeito mau humorado de Draco e deu um sorriso fraco.

-Eu vou esperar um pouquinho mais do lado de fora. Me avise quando tiver terminado, Gina.

A saída do homem parecia ter deixado Drao ainda mais irritado.

-Você tirou a minha autoridade, Ginevra -sibilou ele, entredentes.

-Ok, coloque isso também na minha balança de culpas que tenho para com você. Mas eu não vou sair daqui sem ouvir alguma resposta sua.

Draco a olhava com tanta raiva que o peito dele subia e descia pela camisa com violência.

-Você quer que eu lhe dê uma resposta? Bem eu lhe darei uma resposta! Sabe por que eu fique amigo de você, Ginevra? Por dois motivos: o primeiro, óbvio e essencial, é que eu precisava limpar a minha barra com o meu pai, que, na época, estava pior impossível. E o segundo é porque você era gostosa e parecia bobinha e eu realmente tinha intenção de te levar para a cama.

Ele parou de falar e se virou de costas para ela novamente, dando um murro na mesa. Quando voltou a falar, sua voz estava mais controlada, parecia mesmo triste.

-Só que eu gostei de ser editor, e gostei de você. Levei as duas coisas a sério, e nem precisei fingir ou me esforçar muito para isso. Pela primeira vez eu estava fazendo algo legal, que meu pai se orgulhava de mim e eu ainda podia ficar me reunindo com você o quanto eu quisesse. Embora hoje eu ache que todas as inúmeras modificações que eu fiz no seu primeiro livro foram realmente necessárias, na época era só uma desculpa para passar horas conversando com você.

Oh merda, essa conversa estava saindo pior do que o imaginado. Achava que falar a verdade para Draco resolveria tudo, não que complicaria tudo um pouco mais.

-E eu me afeiçoei a você pelos mesmos motivos que você se afeiçoou a mim, Gina. Nós dois jovens, inexperientes, meio assustados, no meio desse monte de gente velha parecendo à vontade por esses corredores. E você era bonita, engraçada, embora desde cedo eu visse essa sua mania de se esconder.

-Mania de me esconder?

Ele a encarou com um sorriso irônico.

-Ora, Gina, qualquer idiota sabe que você criou para si mesma uma imagem de séria e de compenetrada que era só para te ajudar a sobreviver. Eu sei as durezas que você enfrentou na vida e, embora eu achasse que era estupidez ficar com essa pose de séria, eu sabia que quando você se sentisse à vontade, isso mudaria. E olha só a semana passada: eis você de verdade. Ou pelo menos, a sua vontade real de ser tudo aquilo que você nunca foi em toda a sua vida.

-Draco, eu sei que eu te magoei. Mas você está me ofendendo...

-Ofendendo? Eu estou te falando a verdade sobre você mesma que você não quer admitir e nunca quis! Esse seu coque, essas suas roupas sérias, essa imagem de mulher mais velha e mais madura (coisa que você não é) é tudo uma imagem que você criou para si para se sentir mais segura! E sabe por que tudo isso é tão bobo? Por que eu me sentia exatamente como você: perdido e inseguro. Mas ao invés de me esconder eu sempre me mostrei exatamente como eu sou: talvez meio irresponsável e inconsequente no início, mas nunca fingi ser mais do aquilo que eu era. Eu sempre respeitei os meus limites, enquanto você se forçava a extrapolar os seus.

Gina inflou de raiva. Ela já estava passando dos limites. Apontou um dedo na cara dele e já ia lhe falar uma poucas e boas também, mas ele segurou o seu dedo e ficou tão próximo dela que a inibiu.

-A verdade, Gina, é que você sempre sentiu vergonha de ser bonita e de ser jovem -ele estava tão perto que ela sentia o ar saindo da boca dele, e ele falava tão baixo que ela própria tinha que se esforçar para ouvir- Você queria ser como os grandes escritores daqui e sabia que eles não te respeitariam da forma como você era, por isso sempre tentava parecer mais velha na aparência e na mentalidade. Mas eu estava aqui, Gina. E eu te respeitava exatamente pelo que você era: o talento mais jovem da literatura inglesa dos últimos tempos.

Ele soltou o dedo dela e lhe deu oportunidade de falar, caso quisesse. Mas ela estava sem fala e ele sabia disso. Deu um novo sorriso irônico.

-Eu sempre soube disso tudo, Gina. E eu esperei você descobrir isso por si mesma até que eu pudesse tenar alguma coisa com você novamente. E eis que semana passada estava você, linda e mais jovem que nunca na festa de lançamento do livro de Doroffef. E se sentia mal porque aquelas pessoas a quem você sempre respeitou tanto agora lhe tiravam toda a sua credibilidade e o seu talento só por causa das suas roupas. E quem estava do seu lado novamente: eu!

Foi a vez de ela se virar de costas. Não queria admitir para si mesma, assim como nunca quis, mas sabia que ele estava certo.

-Você veio aqui para me falar a verdade achando que isso resolveria tudo, não era, Gina? Bom, eu também acho isso. Por isso falei tudo que estava entalado na minha garganta durante esses dez anos -ela sentiu ele desamarrar o seu cabelo e viu quando as suas mexas ruivas caíram no seu colo. Um arrepio subiu pela sua espinha quando ele segurou cada um dos seus ombros e sussurrou no seu ouvido- Eu nunca teria chance com a Ginevra Orleans, a famosa escritora, mas se a verdadeira Gina que eu sei que está aí dentro quiser me dar uma chance, eu sei que não vou decepcioná-la.

O fato de ele estar abraçado as suas costas era bom por ela não ter que segurar a sua expressão de espanto, mas sabia que Draco estava a espera de uma resposta.

-E se ela não quiser te dar uma chance?

-Se o 'não' vier da própria Gina, a mulher, e não da escritora, eu saberei encarar isso e continuar a minha vida. Só não tenho certeza se ainda haverá espaço para a nossa amizade.

-Certo. Ela vai pensar...

Gina saiu da sala de Draco sem olhá-lo. Sabia que não conseguiria isso, não nesse momento. Não falou nada a Doroffef nem a Irene, que lhe encaravam atônitos, a espera de uma meia explicação sobre as gritarias dentro da sala e sobre o cabelo desarrumado dela. Não queria falar nada com ninguém, não conseguiria.

Quando chegou na rua, resolveu andar a esmo. Como simplesmente pegar um táxi e ir pra casa, depois de tudo que havia acontecido ali? Céus, sua vida estava uma caos! E o pior era não ter ninguém com quem conversar. Draco era o seu único amigo de assuntos naturais. Seus outros amigos só serviam para as grandes conversas filosóficas. E isso, no momento, era a última coisa que queria.

-O que não daria para ter alguém, uma única pessoinha que fosse, para conversar...

De repente uma idéia lhe passou pela cabeça. Era meio absurda, não fazia sentido nenhum, mas estava meio descontrolada de qualquer forma. Fez sinal para o primeiro taxi que passou.

-Para o Pathernon, por favor.

Estava em outro canto da cidade, e enquanto ia para aquele lugar tão conhecido, via a noite cair e torcia para que essa tentativa também não fosse frustrada, embora absolutamente nada a garantia que fosse dar certo. Quando chegou ao local, ao contrário do que sempre fazia, não entrou, mas foi para a esquina e ficou esperando. Viu vários ônibus passarem, mas não havia reconhecido o número do ônibus que havia pegado anteriormente.

-Será este? -perguntou-se ao ver um que se aproximava.

Mas a resposta veio rápido. Assim que o ônibus parou, ela viu de cara quem procurava, encostado na janela olhando atentamente as pessoas que entravam. Ela ajeitou os óculos e os cabelos, tentando parecer menos descontrolada, e entrou.

Esperou algum sinal de reconhecimento nos olhos dele, mas isso não veio. E, droga, havia alguém sentado do lado dele. Sentou uma cadeira atrás dele e torceu para que a outra pessoa não demorasse a sair. E realmente foi rápido, ela só teve que esprear a próxima parada. Assim que a outra pessoa saiu, ela se sentou ao lado daquele moreno de olhos verdes.

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N/A: Hello people!! Sorry pela demora, mas a culpa nem foi só minha. Tirando o fato d q fim d período já é um capeta, no dia q eu tive tempo pra escrever, a internet da facul tava fora do ar (para os q não sabem, não tenho pc em casa!rsrsr triste, mas é verdade!Rs). E toda vez q eu ia no laboratório pegar o arquivo, sempre tinha alguem justo no pc q eu tinha deixado o cap lá. Culpem a itnernet fora do ar da UFV por uma semana d atraso!!rsrsr Well, mas se vc tá começando a ler, tá gostando, acha q a fic tem potencial (rsrsr) e quer dar críticas (positivas, hein?rs), sugestões ou simplesmente ser uma boa pessoa, então entre na campanha "Eu faço uma autora feliz!" e deixe uma resenha!!rsrs Bjinhusss, Asuka

Natiez: Ahá, até hj leitores d Absinto se revelando!!rsrsr Q bom q vc já gostou d Baseado, tentarei não decepcionar!! E tentarei atualizar mais rapido tb, mas sabe como é, né? Fim d período é triste...rsrs Bjinhusss

Mirella Silveira: Ah, mas agora vc sabe pq a palavra 'dilema' acompanhará a fic até bem pra frente, rsrsrsrs Bjinhusss

Anna Weasley Potter: Eu tb amo frases feitas! huahuahua Brinco disso o tempo todo...rsrs E q bom q vc achou eles doidinhos e perfeitos...rsrs Pq é o q eles são na minha cabeça!!rsrsr Bjinhusss

Nex Potter: Ah, nem me diga esse Draco...rsrs Ah Deus, eu com um desse tava feita... E espere só, a loucura da GIna ainda vai piorar, rsrsrs Bjinhusss

dessa potter: Ops, acho q é tarde demais!!rsrs Ela até dormiu com o Draco, rsrsrsr E eu naum prometo ser uma autora legal quando se tratar do Draco, simplesmente pq atualmente ele é a descrição perfeita (não no cabelo e cor da pele,rsrs) do cara q eu mais sou a fim, então... É, o Harry vai ter q suar a camisa nessa fic, não vai ser tão fácil como em Absinto conquistar a Gina!!rsrsrs Bjinhusss

Ninha: Ah, eu quero o verdadeiro Draco (muso inspirador) pra mim, isso sim!!rsrsrsrrs Q bom q vc tá gostando da fic, rsrsr vou tentar atualizar mais rapido pra num causar grande espera, rsrsrsr Bjinhusss

Tonks Butterfly: A Gina aqui tem 27 anos, já o Draco (e tb o Harry) 28! Tipo adultos "sérios", srsrsrrs. Ah, eu tb SEMPRE quis ser a Vampira!!rsrsrrs Principalmente pra ter o Gambit pra mim!!rsrsr Bjinhusss

Patty Potter Hard:Aff, dessa vez eu naum cumpri minha promessa d atualizar rapido a risca, mas daki pra frente, tudo será diferente (ou não, rsrsr) E eu espero q eu vire gente e não faça mais nenhum trocadilho infame como este!rsrsrsr Bjinhusss

Eeva Uchiha7: Ah, isso msm, pode contar q leu Absinto q eu fico feliz!!rsrsr Mesmo atrasada, rsrsrs E eu tb AMO a VAmpira, rsrs Sempre quis ser ela, rsrsrs A Gina deu sorte...rsrs Vou tentar atualizar mais rapido, viu??rs Bjinhusss

Tonks e Lupin: Ah, bacana, a Gina não perdeu mto tempo!!rsrsr Foi logo lá dar uma conferida se ela encontrava o Harry...rsrs Tá aí, espero q fique mais ansiosa agora!!rsrs Bjinhusss