Capitulo Três - Não ria de mim.

Eu quase me descontrolei e ferrei tudo. Quase. Ninguém ia me culpar, qualquer um ia querer matar os caras também.

Meus pés me guiaram para a trilha mais longa por puro instinto, sabia que tinha que falar para ela mas não fazia idéia de como fazer isso. Eu a mantinha bem perto de mim, ela fez uma careta de dor pelo pé cortado. Droga. O que eu deveria cuidar primeiro do pé dela ou de contar tudo para ela? Não fazia idéia.

_Quer que eu te carreguei ?

_O que..?Não, não eu... Ei! – Não tinha tempo para aquilo. A peguei em meus braços, Deus o que ela comia? Ar talvez. Como ela era leve, parecia mais que estava carregando Claire um bebê do que ela a irmã de Jake uma mulher inteiramente formada. Jacob ia ficar fulo comigo. Pensar nisso me fez rir e ela que reclamava em meus braços ficou ainda mais irritada.

_Não ria de mim!

_Não estou amor. – Falei e algo estranho aconteceu dentro de mim, chama-la de amor fez com que um esquisito sentimento de alegria enchesse meu peito. Sentia-me anormalmente completo e satisfeito como se o mundo estivesse estranhamente perfeito. Ela ficou quieta em meus braços e aquilo pareceu ligar um sinal de alerta dentro de minha cabeça. O que ela devia estar pensando? Uma cara enorme que ela mal conhece de repente gruda nela no meio da praia e carrega ela para a floresta, ela devia estar em pânico agora. Merda.

_Eu só quero conversar com você. – Tentei parecer um daqueles caras frescos da TV que as garotas tanto gostam. Ela ainda estava tensa em meus braços por isso parei de andar assim que avistei uma grande pedra. A coloquei sentada sobre a pedra e me agachei de frente a ela.

Seria ali mesmo no meio da mata sem mais rodeios, os lobos do bando não tinha habito de passar por ali então não seriamos interrompidos por eles nem tão pouco pelas pessoas já que poucas tinham disposição para pegar essa trilha.

Ela me encarava. Respirei fundo e tentei pensar em um jeito de contar a ela tudo, sem parecer doido é claro. Aquilo seria difícil, como Jared contou para Kim? Talvez se eu fosse gentil como o Embry ela não me acharia tão doido quando a contasse. É, talvez desse certo se eu fosse assim. Talvez. O problema é que eu não era extrovertido como Jared ou bonzinho como Embry. Eu era o Paul e só. Ela pigarreou chamando minha atenção.

_Olha...Me desculpe? – Gaguejou ela sem jeito. E ela ficava ainda mais linda assim sem jeito. _Eu não sei o que deu em mim lá na praia. Eu não costumo fazer aquelas coisas... Eu quero dizer que eu não costumo acariciar as costas de caras que mal conheço. Desculpe-me?

Ela falava tudo tão rápido que era meio complicado acompanhar. Por que diabos ela estava se desculpando? Eu tentava acompanhar o que ela dizia. Era importante afinal saber o que ela estava pensando. Saber o que tudo aquilo pareceu para ela.

Então o sinal de alerta em minha cabeça ligou-se novamente, ela estava se desculpando por ter me contido na praia, ela estava se desculpando por estar comigo? O que significava que ela não queria estar comigo. O medo me dominou como nunca antes. E se ela não me quisesse?! O que seria de mim?! O que eu faria?!

_Realmente me desculpe... - Ela continuou a dizer – Foi mais forte que eu, sei lá de repente eu senti... Não sei... – Ela divagava confusa e então uma luz se acendeu no fundo da minha mente. Uma esperança desesperada se apoderou de mim. Aquela era minha chance e eu não a deixaria passar.

_O que? – Questionei cortante tirando-a de seus devaneios.

_Eu não sei. – respondeu confusa – Mas parecia...

_Parecia? – A incentivei.

_Parecia... – Ela deu um sorriso nervoso.

_Conte-me? – Tentei esconder o desespero dentro de mim ao pronunciar essa frase, com a voz mais persuasiva que pude.

Aquela poderia ser minha única chance, ali em sua confusão, poderia estar minha oportunidade de explicá-la tudo. Ela me olhou em dúvida.

_Não ria de mim, okey? – Pediu ela enquanto me olhava parecendo envergonhada. Como eu poderia rir ou mesmo debochar dela?

_Nunca! – Falei com sinceridade. Ela desviou os olhos dos meus.

_Eu não sei explicar... – Confessou.

_Tente? - Incentivei ansioso. Ela olhou a mata ao nosso redor, verificando se estávamos a sós.

_Parecia que uma corda me levava até você – Ela riu como se aquilo fosse ridículo demais para ser real. Mal sabia ela o quão ridiculamente real as coisas do mundo eram. Um sentimento de calma me invadiu. Ela podia sentir também de maneira bem menos intensa, porém, estava lá. Aquela mesma intensa sensação: a anormal necessidade, não estava só em mim. Estava também nela.

_Pareceu mais um cabo de aço me arrastando. – Comentei calmamente.

_Nunca senti algo assim. – Declarou ela.

Rachel parecia não ter noção do que aquilo realmente significava, eu teria que mostrá-la. Contar a ela tudo. Eu peguei as mãos dela, eram tão pequenas, beijei delicadamente cada uma de suas mãos. Respirei fundo e fui presenteado com o cheiro do perfume dela. Tentei me focar no que era importante, mas ter ela tão perto me distraia.

_Acredita em lendas? –A pergunta saiu de minha boca sem que eu percebesse.

_Não. –Respondeu ela. Aquilo seria ainda mais difícil.

_Acredita em amor perfeito? –Questionei.

_Acredito em amor, apenas.

_Se acredita em amor, acredita que ele pode acontecer de formas inesperadas? – Eu não faço idéia de onde vinham essas palavras. Elas apenas fugiam por minha boca, mas deixei que continuassem, pois parecia estar dando certo. Ela me olhou de forma questionadora.

_O que quer dizer?

_Responda-me! – Saiu mais rude do que o esperado. Droga!

_ Toda a forma de amor tem sua beleza e sua loucura. – Sentenciou ela.

O que diabos aquilo significava? Isso era um ponto a favor ou contra, quando se trata de imprinting? Bufei irritado por não saber a resposta de minhas perguntas.

_Acredita em amor a primeira vista então? - Questionei irritado e um tanto impaciente.

_Não. - declarou ela, sem qualquer sinal de comoção. Na verdade parecia que ela estava de repente tão irritada quanto eu. Mas que droga.

_Que mulher não acredita em amor à primeira vista? Achei que todas sonhassem com isso.

_Não acredito em príncipes desde os oito, lamento. – Comentou ela debochada.

Estreitei os olhos para ela. Respirei fundo novamente. Desta vez não me deixei distrair pelo seu perfume. Meus olhos miravam-na determinados, mas não a vi realmente. Estava tomado por minha irritação, minha impaciência. Queria tanto que ela simplesmente aceitasse. Seria bem mais fácil assim. Mas as coisas em minha vida não eram simples. Eu a olhei melhor, ela era linda.

_Lendas podem ser reais. – As palavras me escaparam novamente. Ela riu.

_Prove, então? - Ela falou cética. Eu poderia, mas não o fiz. Não ainda. _O que foi aquilo na praia? –Questionou ela, e eu sabia que não poderia mentir.

_Nada, comparado ao que poderia ter sido – Fugi da resposta claramente.

_E o que poderia ter sido? – Ela estava determinada a saber. Beijei suas mãos.

_Poderia ter ferrado tudo. - Falei.

_Tudo o que? – Agora era bem obvio que ela estava irritada com a minha embromação.

_Tudo. – Ela bufou realmente irritada e parecia prestes a me socar, mas eu a impedi, pois continuei a falar. –O lobo em mim ficou furioso com os idiotas, mas você o acalmou. – Declarei simplesmente.

_O quê? – Ela perguntou totalmente confusa, e me fiz de burro.

_O lobo em mim... –Estava repetindo quando ela me cortou.

_Não sou surda – Falou meio grossa, irritada por estar me fazendo de idiota. – Que história é essa?

_Ora, você estava lá, você viu – Falei continuando a me fazer de idiota. Era mais fácil assim. Notei. Ela estar irritada era melhor que estar cética.

_Não! Estou falando dessa história de lobo. – Questionou ela impaciente.

_Nós descendemos dos lobos – Afirmei. _Achei que a filha de Billy soubesse pelo menos isso sobre a tribo.

_Lógico que sei das lendas. – Disse ela totalmente irritada. Eu sorri.

_Que bom, porque isso nos poupa um bom tempo. – Ela me olhou de forma interrogativa. Eu não disse absolutamente nada. Apenas a olhei, deixei que aquela sensação totalmente estranha e nova me dominasse. Fluísse de mim fosse ate meus olhos. Pude ouvir com perfeição o coração dela acelerando. Ela podia sentir.

_O líder da tribo já havia tido duas esposas. – recitei o trecho tão conhecido da lenda.

_Do que diabos esta falando? – Eu ainda podia ouvir que a pulsação dela estava mais rápida que o normal.

_De tudo. – Respondi.

_Tudo o que?

_Você não queria saber de tudo, amor? –Questionei. Ela estava prestes a falar, mas eu fui mais rápido. _Sabe o que é mais estranho? É que não consigo lembrar como eram as coisas sem você. E o engraçado é que eu também não sei como são as coisas com você, porque mal a conheço.

Ela me olhou parecendo espantada. Eu sorri. Você devia ganhar um livrinho, um manual de instruções ou algo assim. Sobre com agir após ter uma impressão. Faria essa sugestão a Sam mais tarde, era uma boa já que isso estava ficando tão comum em La Push. Ela se inclinou para frente ficando com o rosto a centímetros do meu e me dando de brinde uma excelente visão de seu colo. Se um dia eu morresse definitivamente iria pro inferno depois dos pensamentos nada puritanos que me dominaram naquele momento de forma tão fácil.

_O que quer me dizer? – Sussurrou ela parecendo ter medo de que alguém nos ouvisse.

_Que algumas lendas são reais amor, mais que não precisa ter medo. – Ela parecia estar começando a entender. Soltei uma de minhas mãos das dela, apenas para lhe acariciar o rosto._Eu tenho um trabalho – Ela continuava a me olhar diretamente nos olhos. E eu continuei.

_Meu trabalho é cuidar da reserva e do povo daqui, junto com meus irmãos. – Os olhos dela se arregalaram ligeiramente, eu praticamente podia ver as peças do quebra cabeça se encaixando corretamente dentro de sua cabeça.

_Não é possível! – balbuciou ela. Mais para se mesma que para mim.

_Sim! É! – Falei de forma calma e definitiva.

_Não pode ser real – A voz dela estava um pouco mais alta que um sussurro.

_Me diga o que significa ser real para você?

_Eu não sei, real é o que existe, o que faz sentido... – Falou ela um tanto atordoada.

Apertei levemente suas mãos na minha. Estiquei meu rosto até estar mais próximo ainda ao dela. A respiração de Rachel ficou imediatamente irregular. Meus lábios tocavam levemente os dela enquanto disse:

_Eu estou bem aqui amor, eu existo. – Ela suspirou e seus olhos se fecharam. Eu não a beijei. Não ainda. Precisava que ela entendesse tudo primeiro. _Amor – Falei sem afastar meus lábios que ainda roçavam os dela. – Preciso que entenda.

Seus olhos se abriram. Por eles passaram algo que inicialmente não pude identificar. Então ela se afastou de mim. Aquilo doeu. Simplesmente doía quando ela se afastava de mim. Doeu na praia e doeu agora também.

_Pode... Pode me falar abertamente? – Ela pediu e parecia incerta se devia ou não pedir isso.

Ela já havia sacado. Rachel só precisava de uma confirmação uma palavra para que tornasse 'real' suas suspeitas. Ela era cética ate último instante. Isso me fez sorrir.

_ Não ria de mim, okey? –Repeti a frase que foi dita por ela, minutos atrás.

Rachel sorriu e assentiu. Eu me estiquei ficando de joelhos. Meus lábios a centímetros dos dela novamente. Meus olhos fixos nos seus.

_Eu sou um lobo! – Ela prendeu a respiração enquanto eu a puxava para mais perto de mim. – E você... – continuei a falar – É o amor da minha vida.

Tudo o que me importava era ela. Protegê-la, amá-la, cuidá-la. Amigos, família, o bando, a reserva tudo isso era antes preso a mim por pequenos e finos cordões que se partiram no instante em que os cabos de aço me puxaram diretamente para ela. O meu mundo era ela. A ancora que fixava minha vida a um porto. Por um sorriso dela eu mataria ou morreria sem me importa. Rachel era o que importava.

Então finalmente fiz o que desejava fazer desde que a vi na praia: a beijei.


Oi !

Primeiro capitulo de 2010 !

o/

Muitíssimo obrigada pelo reviews, me fizeram muito feliz !

Gente desculpa mais essa capitulo não foi revisado então mil perdões pelos erros

E desculpem também a demora na atualização vou tentar ser mais rápida.

Espero que gostem do POV do Paul.

Ainda tem muita coisa pra rolar na fic viu!

Então continuem acompanhando e deixando reviews.

Bjin

Daniella Reis – Que bom que você gostou, acho eles dois fofos continua mandando reviews ta ? Bjin

Lady Nanah – Uau! Eu tenho uma fã! o/ Adorei que você tenha gostado, me diz o que você achou da visão Paul? Vou tentar não demorar muito a atualiza, pode me cobrar na reviews trabalho melhor sobre pressão he he ! Bjin!

ArcanjaDhaja – Dei outro grito quando viu seu reviews, vou acabar ficar rouca mas tudo bem. E ai que achou do pov do Paul?Adoro seus reviews, obrigada por eles e continue mandando please!!Bjin

Ginny Danae Malfoy – Que legal que você gostou, ai desculpa pelos erros vou tentar melhorar ta? Bjin

Nick Cullen – Legal que você gostou, as vezes é bom sair um pouco das fics do Jacob, Bella, Edward embora na verdade eu leia muito é Leah e Jake (adoro *-*). Então que achou desse capitulo?Bjin

Vlw!!