Mentiras (sexo & safadezas)
Capítulo DOIS: "Sobre a torta de cereja"
O som da água batendo na janela. É algo que eu me prendo, que eu me fixo até ouvir o som da porta ranger.
O barulho ecoou pela sala e eu me viro.
Você está usando uniforme, como normalmente você usaria em outras ocasiões. Nós estamos frequentemente nos encontrando para conversar sobre a guerra.
Eu conto alguns dos meus segredos que na verdade não são segredos. São mentiras.
"Minha mãe fazia tortas de cereja no meu aniversário." – eu conto sério, com você sentada no meu colo. Seu corpo é tão quente que queima sem querer a minha pele.
Eu às vezes me flagro contando quantas sardas você tem nos ombros, quando você sem querer deixa alguns botões da camisa abertos e o pano desliza pela pele sedosa dos seus ombros.
Sorte minha que você é distraída demais para perceber.
Desde aquele confuso momento na beira do lago nós nos aproximamos. É normal para você sentar no colo de um amigo, mas no meu caso, é absolutamente novo ter uma amiga – que definitivamente não é considerada amiga, pequena – sentada no meu colo.
Mas isso não é importante.
"Odeio cerejas" – ela responde pousando sua cabeça no meu ombro, respirando pela boca, seu hálito arrepiando meu pescoço. – "Minha mãe sempre fez tortas de chocolates.
Graciosamente você passa a ponta da língua sobre os seus lábios e eu fico pensando sobre isso.
Muitas garotas sonserinas já fizeram ações simples como essas na minha frente e sem dúvida elas conotavam um sentido pornográfico àquela ação. Mas você fazia sem querer e a deixava muito mais sensual do que se tivesse feito propositalmente.
"Sua família é enorme."
A minha família é pequena demais. Meu pai quase nunca passa as datas comemorativas em casa e minha mãe costuma espera-lo no quarto.
Eu ficava na companhia dos elfos domésticos até ouvir de longe o barulho das carruagens.
Mas ele (meu pai) nunca parecia disposto a sentar comigo na mesa e fazer uma refeição.
E sobre as tortas de cereja, é tudo mentira. Minha mãe nunca cozinhou.
"Eles são adoráveis." – você suspira.
"Você é adorável."
Você afasta sua cabeça de mim e me encara.
"Desde quando você, Draco Malfoy, acha que eu sou adorável?"
Boa pergunta.
Desde quando?
Nota: A sala onde eles estão nesse capítulo é a Sala Precisa. Ignore o que ocorre no sexto livro. Releve apenas aquilo que aconteceu do primeiro ao quinto livro.
