Capítulo III

Sobre cabeças-ocas

O Banquete de Abertura transcorrera bem, não houveram muitas novidades. As mesmas carinhas curiosas de sempre e depois muitos gritinhos de ah... oh...Leohnora foi apresentada como a nova professora de Defesa Contra á Arte das Trevas, o que provocou uma onda de aplausos nas mesas e alguns assobios. Ela sorriu e agradeceu numa reverência.

O dia seguinte amanheceu chuvoso. Leoh desceu para o café notando que estava ligeiramente atrasada. Muitos professores já tinham saído para suas salas e apenas Hagrid continuava ali . Ela lhe deu um sorriso e sentou ao seu lado dizendo:

- Acho que dormi demais - E serviu-se de chá e torradas - Não vai dar aula agora Hagrid?

- Não, professora - Ele por sua vez se serviu de mais salsichas - Só a tarde. Creio que você também não é, Leoh?

- Sim – respondeu e sorveu um pouco de chá - Mas vou até a biblioteca preparar aula de hoje. Não tive tempo ontem a noite.

- Sabe, Leoh... Achei que o prof. Snape iria querer continuar lecionando Defesa Contra a Arte das Trevas quando retornou - e dizendo isso comeu a salsicha - Me enganei.

- Azar dele e sorte minha! - ela rebateu dando-lhe um sorriso infantil.

Alguns minutos depois deixou o salão em direção á biblioteca. Achou-a vazia, os alunos estavam em suas aulas e ela poderia procurar o livro que esquecera na Mansão a vontade. Leohnora estava dependurada no último degrau da escada, na ponta dos pés e tentava alcançar o volume de "As Forças das Trevas " de Quintino Trimble. Nesse momento ouviu uma voz fria e conhecida soar abaixo dela. Sem conseguir prestar mais atenção no que fazia, balançou na escada.

- Não devia ficar dependurada desse jeito ,srta...- A voz se calou no mesmo instante, porque Leoh se desequilibrara e rodou nas pontas dos pés mal apoiados caindo lá de cima com o volume nos braços.

Snape só teve tempo de abrir os braços para recebê-la, enquanto ela largava o livro e enlaçava-lhe o pescoço. Eles se fitaram por alguns segundos.E dando-se conta que ainda a segurava em seus braços,ele a desceu suavemente até o chão. Leoh por sua vez desfez o laço de seu braço em torno do pescoço dele e abaixou para pegar o livro ao mesmo tempo que o professor de poções. As mãos se tocaram e instintivamente ela lhe deu um sorriso puxando o livro das mãos dele.

- Obrigada por me segurar, Sevie - Ela se levantou lentamente e endireitou as vestes.

- Não devia ficar dependurada na escada daquele jeito - Ele havia se levantado também e sua voz agora era ríspida como sempre - E por favor não me chame de Sevie. Professor, SaintClair, Professor Snape.

- Tinha me esquecido que gosta de se manter distante e frio. Se esconder atrás de títulos. - Ela o encarou desafiadora - Sabe, algumas vezes penso que é humano. Tem sentimentos... Besteira minha, não é? - suspirou e disse - Mesmo assim obrigada pela ajuda, professor Snape.

Leohnora deu-lhe as costas e foi em direção a saída da biblioteca, deixando para trás um vulto negro em pé entre as estantes.

Três horas mais tarde ela entrava na sua sala de aula. As carteiras estavam cheias e vários pares de olhos haviam grudado nela. Leohnora sorriu, foi até o quadro negro atrás da mesa e escreveu seu nome. Tinha tentado preparar uma aula interessante e achava que havia conseguido algum resultado. Ao contrário do que esperou a aula transcorreu satisfatoriamente bem. Tinha conseguido prender a atenção de seus alunos e muitos haviam participado da aula com perguntas pertinentes ao assunto em questão. O sinal soou avisando o fim da aula e ela pediu que eles estudassem a pag.122 para a próxima aula, e que a chamassem simplesmente de Leohnora.

Deixou a sala satisfeita consigo mesma e foi em direção aos seus aposentos. Para sua surpresa, ao entrar deu de cara com a diretora e o Ministro da Magia. Leohnora entrou apressadamente enquanto Minerva falava.

- Professora, achei melhor esperar-mos por você aqui - disse-lhe ela se desculpando - Não levantaria tanta suspeita. Rufo quer lhe falar e vou deixá-los a sós.- tomou a direção da porta e saiu.

Rufo Scrimgeour era um homem com cabelos alourados tendendo para o grisalho, espessas sombrancelhas, olhos amarelados, magro e usava um óculos de arame. Assim que Minerva saiu ,ele virou-se para Leoh e a abraçou.

- Senti saudades da minha melhor funcionária - Seu sorriso era maldoso - O Ministério fica sem graça quando você não está lá, sabia?

- Não, Rufus. Não tinha menos idéia. - ela entrou para o quarto e ele a seguiu - O que quer exatamente aqui?

- Dar-lhe uma boa notícia - Ele a fitou com interesse - Malfoy deixou Azkaban hoje de manhã. O que me diz? Gostou ? Fiz o que me pediu... Seu namorado está solto.- Um sorriso de desdém aflorou em seus lábios.

- Ele não é meu namorado, Rufus.- ela rebateu, encarando-o com desprezo - Foi meu noivo, nada mais. Além do mais, com Narcissa presa, Draco precisará de alguém ao seu lado quando for a julgamento. Você sabe disso tão bem quanto eu, não foi difícil pedir uma condicional para ele. Lucius já cumpriu quase toda sua pena. – Leoh agora sorria - Por isso não me fez favor algum, apenas cumpriu a lei.

- Tsi ,tsi, tsi... Você é uma menina má. – Rufus estava alguns passos de Leoh e a segurou pelos braços - Já conseguiu alguma prova da inocência do professorzinho ?

- Não o chame assim. - Seus olhos castanhos estavam brilhantes e cheio de revolta - Vou provar sua inocência, eu lhe disse que faria isso. Coloquei meu cargo á sua disposição caso eu não conseguisse, mas... - ela chegou bem perto de seu rosto sussurrando - ainda vai ter que me engolir por algum tempo - aumentou seu tom e ordenou á ele - Saia agora.

Scrimgeour a puxou novamente e sorriu com desdém.

- Mulheres, como você gostam de homens que se arrastam aos seus pés. - Ele apertava tanto os pulsos dela que estavam ficando roxos - Gostam de poder, não é? Posso lhe dar isso, se quiser... E se for boazinha comigo - Rufo a trouxe a centímetros de distância a ponto de sentir sua respiração.- Posso até inocentar seu professor...

- Você está me machucando - Ela tentou retirar-lhe os pulsos das mãos sem sucesso - Me largue, Rufus! Vá embora!

De repente a porta do vestíbulo se abriu. Leohnora só pode ver um vulto entrando por ela e indo na direção de seu opositor com a varinha em punho.

- Largue-a imediatamente, Scrimgeour - ordenou a voz fria .

- Professor...- as palavras se perderam diante da nova investida da varinha em sua direção

- Não ouviu ? Largue-a - a voz ordenou novamente.

A pressão em volta de seus pulsos diminuiu,e Leoh pode ver que Snape estava em pé ao lado de Rufus tendo a varinha apontada direto para seu coração. O pânico se apoderou dela, num gesto rápido pegou a varinha das mãos dele e mantendo-a apontada para Snape, ordenou a Rufus:

- Saia antes que eu mude de idéia. - Ela estava pálida e arfava frenéticamente

Scrimgeour saiu pela porta sem precisar de uma nova ordem, enquanto isso Snape avançou na direção de Leohnora e retirou-lhe de suas mãos a varinha. Ela o fitou e foi a última coisa que viu, desmaiou em seus braços.

Leohnora acordou uma hora depois estava deitada em sua cama tendo Minerva ao seu lado e Snape em pé no meio do aposento. Ela tentou se sentar, mas seu corpo doía todo, parecia que tinha se atracado numa luta corporal com alguém. Sentiu que as mãos da diretora seguravam as dela, e viu Severus se aproximar lentamente de sua cabeceira. Ele a fitou demoradamente.

- Parece que melhorou - Virou-se para a diretora - Vou até minha sala pegar uma poção para que ela durma mais confortavelmente. Faça companhia a ela até que eu volte, sei que tem que se apresentar no Salão para o jantar, mas Leohnora não pode ficar sozinha.- Foi em direção á porta - Não me demoro

- Pode ir tranqüilo, professor - Sorriu-lhe bondosamente - Eu o espero voltar.

Snape assentiu e saiu com sua capa farfalhando pelo corredor. McGonagall a encarou e deu-lhe um tapinha leve nas mãos.

- O que aconteceu aqui, Leoh?- ela a encarou - O que Rufus queria?

- Me infernizar - Leohnora a olhou com olhos cheios de lágrimas - Desde que recebeu um não á uma proposta de casamento e que eu jurei inocentar Severus, ele não faz outra coisa.

- Rufus? Rufus Scrimgeour a pediu em casamento? - Minerva estava horrorizada - Mas veja só que audácia! Você podia ser sua filha.

- Acalme-se Minerva. Ele só pediu, eu não aceitei - Ela fez um esforço para sorrir.

- Não me admira que você esteja agindo tão estranhamente. - A diretora escolheu as palavras - Tão... tão anciosa. Leoh você quase não come nas refeições. Eu vou falar com Dumbledore.

- Ele não pode fazer nada, professora - Olhou para janela, lá fora a chuva caía intensamente - Preciso agir o mais rápido possível.

A resposta veio na voz de Snape que acabara de voltar de sua sala com um pequeno frasco nas mãos e entrava de volta em seus aposentos.

- Não vai a lugar algum por enquanto - falou sério.

Minerva se colocou de pé e disse adeus para Leoh. Foi na direção do vestíbulo e desapareceu. Snape foi até o criado mudo e colocou ali o frasco, fitando-a com curiosidade.

- Porque Rufus a tratou daquele jeito? - sua voz pareceu suave.

- Anda ouvindo atrás das portas, professor? - rebateu secamente.- Como apareceu tão rápido?

- Estava apenas de passagem no corredor e ouvi as vozes alteradas – respondeu com amargura – No entanto, não lhe devo satisfações de onde ou quando ando pelos corredores da escola, srta. Devo zelar pelos alunos de minha casa.

- Então por que está ainda aqui ? - Leoh disse ríspida. – Devia continuar seu trabalho.

- Porque você desmaiou nos meus braços - Ele a fitou incrédulo

- Desculpe se atrapalhei o seu jantar, não vou prendê-lo por mais tempo.- ela desviou o olhar - Pode ir.

- Nunca aprendeu a ter educação, não é mesmo, Leoh? - falou com malícia

- E você nunca aprendeu a ser gentil! - a nota de sua voz era raivosa.

Ele bufou e dirigiu-se para porta, enquanto isso ela suspirou e virou-se para ele.

- Desculpe-me.- sua voz era calma.

- O que você disse? - disse-lhe ele virando e arqueando a sonbrancelha

- Desculpe-me - falou um tom mais alto - Agradeço por você ter intercedido, não sei o que ele poderia ter feito.

Snape se aproximou da cama vagarosamente, analisando a figura ali deitada. Ficou em pé bem próximo a cabeceira.

- O que ele queria?- era a segunda vez que perguntava.

- A verdade? - Ela sorriu infantil - Um sim!

- Como um sim? – perguntou seco.

- Um sim, como sempre dizemos em resposta a um pedido de casamento, Sevie. Só isso, e...- Ela parou fitando-o

- E ? - Ele esperou a reposta

- Parece óbvio, não? - Ela sorriu de novo - Ele não me seguraria daquele jeito se eu tivesse dito este sim . Não vai reclamar de ter-lhe chamado de Sevie?

- Não - Estava pensativo - Ele não é velho demais?

- Você acha? - Leoh o analisou - Nunca pensei por esse lado, sempre o achei horrível.

- Se interessa por beleza, então?- Ele usou de desdém

- Não, não quis dizer isso - Ela segurou a mão dele entre as suas - A beleza sempre me trouxe problemas.

- Matrimoniais pelo que vejo - Crispou os lábios num sorriso irônico

- Nem sempre - Ela devolveu o sorriso - Já me afastou muitas vezes de quem... dos homens.

- Difícil de acreditar - falou friamente – Bonita, jovem, inteligente... - Ele sentiu que ela estava pronta a esboçar um novo sorriso e completou num tom mais frio que o anterior - Dumbledore sempre disse isso a seu respeito.

- Você também acha isso? - ela se viu fazendo uma pergunta tão infantil que ficou chocada consigo mesma.

- Não me parece que faça diferença o que penso, não é? - Ele a olhou com curiosidade. Pegou o frasco em cima do criado mudo, e ntou-se na beira da cama e debruçou-se sobre ela - È melhor você tomar isso agora ,irá relaxar e dormir. Não terá sonhos e nem pesadelos.

Ela chegou a cabeça para frente, inclinando-a e entreabriu delicadamente os lábios. Seus olhares se cruzaram, Leoh percebeu um fundo de inquietação por parte do professor. Ela podia sentir-lhe a respiração. O líquido por sua vez não descia do frasco e as mãos dele estavam paradas no ar. Ela inclinou-se mais ainda, fechou os olhos e o que parecia impossível aconteceu. Sentiu vagarosamente os lábios deles encostarem nos dela.

A sutileza do beijo era tanta que Leohnora sentiu cada parte de seu corpo reagir passo a passo. Viu quando a outra mão dele recolocou o frasco de volta na mesinha e voltou vagarosamente, deitando-a de encontro ao travesseiro. Seu pulso acelerou, a pressão do beijo e das mãos dele em seu corpo aumentaram. Ela esperou por aquele momento desde seus dezessete anos, desde que ele pegara seu livro de poções junto com uma carta e nunca mais a devolvera. Leohnora esperava qualquer reação dele a carta, mas não o total desprezo com que a tratou até o final do curso. Era natural uma aluna se apaixonar por seu professor, mesmo sendo ele um ranzinza, e se levar em conta que Snape tinha apenas uns vinte e três anos... Bom, era mais natural ainda.

Snape interrompeu o beijo bruscamente, afastandose. Leoh abriu os olhos e viu um professor atônito a sua frente.

- Acho melhor pararmos por aqui – disse, desviando os olhos dela

- Você fez isso a pelo menos vinte anos atrás - Ela o encarou fria.

- Você era uma criança – rebateu seco.

- E você um velho... - disse irônica – Não, esqueci, você era o Professor Snape, mais preocupado em aterrorizar seus alunos!

- Já chega, Leoh! – rosnou, fitando-a com ódio - Você não sabe do que está falando.

- Vamos me diga...o que eu não sei? - falou com desdém – Bom, até agora achava que você nuca se importara comigo, mas depois desse beijo...

- Acha que me importo? - sua voz soou cruel e ele se levantou indo em direção a porta

- Sim, acho - Ela levantou-se da cama cambaleando, estava com uma camisola branca curta que deixava sua pele clara a mostra - E acho que vai fugir de novo, s-seu c-covarde!

Snape estacou no beiral da porta e se virou repentinamente na direção dela a tempo de a ver dar mais três passos e cair em seus braços novamente. Ele a ergueu nos braços e a levou de volta para cama. Leohnora enlaçou seu pescoço como fizera na biblioteca mais cedo, e quando ele a depositou na cama ela o puxou para si. Ele tentou desvencilhar-se mas sem sucesso. Ela mordeu seu lóbulo da orelha e sussurrou baixinho: -Eu o amo, sempre o amei, Sevie. Severus a fitou longamente, a camisola tinha subido até os quadris deixando as pernas de fora .Ele afastou os cabelos dela com as mãos e beijou-lhe o pescoço, os ombros. Abaixou as alças da camisola e percorreu suavemente com os lábios o caminho até seu colo Parou voltando até o ouvido dela e com um leve sorriso, sussurrou-lhe: - Nunca me chame de covarde . Leohnora sorriu e retirou-lhe as vestes.

O dia aindanão tinha raiado quando Severus a acordou cobrindo-lhe de beijos. Ela abriu os olhos preguissosamente e sorriu. Leoh retribui-lhe os beijos e minutos depois ambos arquejavam novamente . Ela se aninhou nos braços dele, enquanto ele dizia:

- Preciso ir, já está amanhecendo. - Ele fez menção de sair da cama, mas ela o deteve - Vamos, Leoh ... Eu tenho que ir antes que os alunos comecem a vagar pelos corredores .

- Fez amor comigo só que o chamei de covarde, Sevie? - Ela o encarou com os olhos profundamente castanhos - Vamos, diga.

Ele saiu da cama e se vestiu apressadamente. Por alguns segundos ela provou a mais amarga dúvida que podia existir, foi aí que ele se aproximou da cama e deitou-se sobre ela beijando-lhe os lábios .

- Você acha mesmo que faria isso só por vingança ? - Sorriu-lhe pela primeira vez .

Deu-lhe um beijo na testa e antes de sair da cama se virou perguntando:

- Como foi sua primeira aula ontem? - Ele a olhou curioso - Ensinando um bando de cabeças ocas, suponho?

- Não, Sevie. Definitivamente não são cabeças ocas - Ela sorriu

- Nos vemos no café, srta. SaintClair - Foi para a porta desta vez sem interrupções