Danny estava batendo a cabeça continuamente na porta fechada do banheiro. Não podia ser verdade. Ele não estava trancado no banheiro de uma suíte luxuosa onde tivera uma longa noite regada a sexo e bebidas. Ele não acordara nu e dolorido, bem dolorido diga-se de passagem, dividindo a cama e um abraço com o chefe.

Claro que tudo não passava de um grande engano. Era só abrir a porta e ele estaria de volta ao hotel onde se hospedara com o pessoal do Five-0. Ele respirou fundo, tão fundo como a dor e ardência em se traseiro vítima de alguma pimenta gigante que devia ter enfiado em si mesmo, e abriu a porta. Lá estava Steve no esplendor de sua nudez expondo a pimenta gigante, quer dizer o membro avantajado que estivera visitando um recanto escondido e desabitado, até a noite anterior, de seu subordinado Daniel Williams.

O próprio Steve estava tentando absorver a ideia de que estivera profundamente conectado a Danny. Agora ele precisava tirar a prova de que a noite anterior fora real. Obviamente aquele monte de vibradores fora usado em alguém, ele precisava saber quem fora o desafortunado ou afortunado, vai saber o gosto dessa gente hoje em dia.

Os lençóis estavam melados de sêmen e sangue. Então uma luz acendeu na mente do comandante, ele havia machucado profundamente o amigo e precisava saber se ele estava bem. Aproximou-se da porta do banheiro e ouviu os gemidos do parceiro.

– Danny?

– O que quer?

– Danny, você está bem?!

– Não basta me foder tem que me encher a porra do saco?!

– Só que saber se está tudo bem?

– Claro! Está tudo ótimo! Passei a noite toda de pernas abertas pra você e tenho câimbras horríveis! Tá bom?!

– Danny...

– Também estou com a bunda dolorida por sua causa e não vou sentar pelos próximos meses. Oh Deus! Tem sêmen e sangue saindo do meu traseiro! Estou sangrando e a hemorragia vai me matar!

– Danny abra a porta!

– É tudo culpa sua! O que enfiou na minha bunda?! Um canhão?!

Steve não pôde conter um sorriso convencido. Então Danny o achava grande. As mulheres geralmente não elogiavam tanto assim. Mas precisava que o amigo abrisse a porta e lhe deixasse conferir o arrombo, quer dizer o traseiro machucado.

Danny estava assustado enquanto sentia os fluídos corporais escorrendo pelas pernas. Flashes da noite anterior assaltavam sua mente. Eles tinham transado naquele banheiro! Sim, ele lembrava e estar apoiado na pia, por isso os esguichos de esperma no móvel que sustentava a pia. No box do chuveiro também havia os mesmos vestígios e na porta do banheiro. Até na banheira, mas nessa hora ele estava de quatro. De quatro?! Oh não! Ele não queria se lembrar!

Escorregou pela parede limpa até sentar no chão melado de esperma pular e com nojo. Obviamente sem sucesso pois escorregou na mesma substância e caiu sentado com estardalhaço. A dor que lhe assolou Foi tão grande que começou a pedir socorro.

Steve já estava irritado com a palhaçada de Danny e quando ouviu o parceiro cair tomou sua decisão. Arrombou a porta e encontrou o loiro nu sentado no meio de uma bagunça de esperma e mais sangue. Ergueu o outro nos braços e saiu do banheiro. Depositou cuidadosamente o amigo sobre a cama, depois de tirar o lençol sujo e o ajudou a deitar confortavelmente.

– Vista alguma coisa pelo amor de Deus!

O ex-SEAL resolveu não piorar a situação e vestiu a calça que estava ao lado da cama. Voltou ao banheiro e procurou por antissépticos e analgésicos para Danny. Encontrou um kit para esses casos e voltou. O outro estava como o rosto virado para o lado oposto a Steve e mantinha os olhos fechados.

Também não protestou quando Steve separou suas pernas e se colocou entre elas para analisar o estrago. Separou delicadamente as nádegas e ficou assustado com o tamanho da abertura. O músculo ainda estava estirado e dava quase para passar um punho por ali. Tinha bastante sêmen e sangue. Era melhor lavar e depois usar os medicamentos.

Voltou para o banheiro e encheu a banheira com água quente. Separou algumas toalhas e um roupão com o emblema do hotel Cesar's Palace. Descobrira onde estava.

O loiro mantinha-se calado durante o banho. Não havia o que dizer, estava morrendo de vergonha agora consciente dos dedos de Steve lhe penetrando com toda a delicadeza possível e lavando carinhosamente o local para tirar o resíduo de fluídos corporais. A dor de ter a ferida cutucada era grande, mas ele não se permitiu expressar.

*()*

Chin escutava com imenso horror todas as palavras do homem repugnante no bar. Detalhes sórdidos de sua noite naquela espelunca o assombraria pelo resto da vida. Ele nunca soubera de seus instintos selvagens com inclinações homossexuais, sobretudo embriagado. Pelo menos não acordara dolorido. Bom, aparentemente sem vestígios de atividades sexuais durante a fatídica noite anterior.

Na saída do bar um outro homem lhe abordou com um sorrisinho insinuante. Segurou o braço do homem e o puxou de volta para tirar satisfações do idiota. Seu queixo despencou e ele soltou o braço do homem, a expressão de seus rosto era apenas asco. Aquele homem lhe dissera ao ouvido as seguintes palavras: "Você tem um gosto ótimo. Uma pena que estava bêbado, me contentei apenas em te chupar."

Voltou imediatamente ao hotel. Já não sabia se queria continuar buscando pistas da ocorrência da noite anterior. Não queria descobrir mais podres seus. O que acontece em Vegas, fica em Vegas. Era melhor manter essas palavras.

Seu celular tocou novamente e no visor marcava o nome da noiva do comandante. Ela obviamente queria resultados da busca por seu noivo.

– Alô?

– E aí? Já encontrou o Steve?

– Ainda não.

– Acho melhor meu noivo aparecer antes de anoitecer. Está difícil conter os convidados. Estão todos ansiosos e especulam para saber do paradeiro do noivo. Eu já não aguento mais responder perguntas!

– Acredite, estamos nos esforçando para levar seu noivo de volta.

Ela desligara o telefone. Ele nem sabia se ela ouvira suas últimas palavras. Na verdade estavam todos cansados de procurar Steve. Ele poderia estar muito bem se esbaldando num cassino ou perdido numa banheira redonda agarrado com uma crupiê boazuda.

Todos se empenhando e Steve se divertindo escondido em algum recanto. Sem contar Daniel. Onde aquele detetive estava? Nas horas em que mais se precisa dele, desaparece.

Os convidados começarem a pressionar a família da noiva sobre o paradeiro de Steve McGarret. Sem respostas e notícias do noivo desaparecido, os anfitriões tentavam remediar o desastre até que alguns convidados impacientes começaram a ir embora. Isso estimulou os outro e em poucas horas, metade das mesas estavam vazias.

Lori estava esplendorosa em seu vestido perfeito, porém não havia nenhum noivo esperando por ela no fim do tapete vermelho, um homem ansioso por torná-la sua esposa e realizar todos os seus sonhos de uma vida feliz ao lado do homem que amava.

Ela tinha certeza absoluta que Daniel Williams estava com o seu homem. Os outros a achariam maluca por pensar assim. Mas ele passou bastante tempo observando os dois. Será que ninguém havia notado que eles se comportavam como um casal? Daniel vazia qualquer coisa para Steve satisfeito. E Steve fazia tudo pela filha do detetive, agradando indiretamente o loiro. Eles moravam juntos e compartilhavam o carro como se fossem casados!

A noiva ficou em pé no palanque que haviam montado para a cerimônia do casamento. O restante dos convidados foi se despedindo um a um até que todas as mesas estivessem vazias. A organizadora veio ao encontro da moça desolada e recebeu autorização para se retirar com a equipe de apoio. Deveria dispensar a equipe que viera para servir os convidados.

Quando a equipe contratada se retirava, uma chuva fina se iniciou. A mulher vestida de noiva não se moveu, continuou imóvel enquanto a chuva desmanchava seu penteado, borrava a maquilagem, encharcava o vestido lentamente. Minutos depois a chuva começou a aumentar gradativamente, ela retirou os sapatos brancos caríssimos, comprados especialmente para a ocasião.

Lori desceu do palanque e se aproximou da mesa onde estava o champanhe que ela e Steve beberiam brindando a uma nova vida de felicidades. Ela abriu a garrafa e despejou o conteúdo numa das duas taças que estavam dispostas ao lado do balde gelo. Bebeu num gole só e atirou a taça ao chão. Repetiu o mesmo processo com a outra taça e bebeu o champanhe no gargalo.

– STEVEN! STEVE SEU MALDITO! OBRIGADA POR ME PROPORCIONAR UM MELHOR DIA DA MINHA VIDA! UMA NOIVA ABANDONADA!

Ela ainda repetiu a frase por algum tempo, intercalando com a bebida até a garrafa ficar vazia e então ser jogada contra o arranjo de bonecos representando os noivos sobre a mesa. A meia fina já estava suja e rasgada, foi descartada igual aos sapato. Depois de extravasar a raiva inicial e beber uma garrafa de uísque, meia garrafa de martíni, ela finalmente se aquietou e passou a noite sentada no tapete vermelho.

*()*

De volta para o hotel Chin estava traumatizado com as ocorrências do dia e avisou os companheiros que não sairia mais aquele dia. Obviamente era para alguém continuar o trabalho de localizar o chefe. No meio da conversa, bateram a porta e ele foi atender. Era um funcionário do hotel com uma caixa enorme.

– Entrega para Steve McGarret.

– Ele não está. Outra pessoa pode receber?

– Sim, apenas preencha o formulário.

– Ok.

– Obrigado.

O rapaz voltou para a sala onde estavam os amigos e depositou a caixa decorada sobre mesa. Não se contendo de curiosidade, resolveram abrir. Era do Cesar's Palace. Fotos e um DVD. Recordações de um casamento. Aparentemente tinha envolvimento de Steve. Afinal por que entregar pra ele? Na capa do DVD tinha uma foto dos noivos.

– Oh my GOD!

*()*

Steve retirou Danno da banheira e levou de volta a cama. Fez um curativo com uma pomada cicatrizante e usou lidocaína spray para anestesiar a dor do outro que já estava extremamente desconfortável em ver o chefe muito concentrado e com o olhar fixo em seu ânus destruído. Quando finalmente a tortura acabou, Danno pôde finalmente fechar as pernas. Manteve os olhos fechados numa vã tentativa de preservar sua dignidade.

Como se houvesse dignidade em se atracar com o chefe num hotel. Transar até sangrar numa cama redonda, na hidromassagem, na pia do banheiro e contra a porta do banheiro. Bastante digno de sua parte. Até o funcionário que trouxe a comida lhe deu um olhar de compreensão e uma risadinha maldosa seguida de um comentário embaraçoso.

– Te ouvimos gritar lá da piscina. Eu no seu lugar evitaria ser visto pelos outros hóspedes.

Steve percebeu que o rapaz estava constrangendo Danny e tomou partido do amigo. Obviamente ele conseguiu apenas piorar tudo, como se eles não precisassem de pessoas curiosas para dar palpites.

– Edaí?! Transamos mesmo!

– Ninguém duvida, senhor. Afinal, vocês estavam na sacada pra todo mundo ver. O queixo de Steve foi ao chão enquanto Danno tinha um ataque sobre a cama.