N/T: Todos os personagens pertencem à JK Rowling (o que é muito melhor para muita gente, eu iria logo de cara salvar o Sirius). Essa fanfiction não tem nenhum fim comercial. E por favor, sempre que possível, deixem uma mensagem.

N/A: Gostaria de avisar que eu adicionei um par de palavras para a versão original do livro, no final deste capítulo. Queria que o abuso físico fosse mostrado, pois no livro apesar de sabermos que acontece, não aparece, inclusive o que acontece com ele nos primeiros pares de anos. Essa é somente uma pequena inclusão.

O vidro que sumiu - a professora McGonagall começou a ler.

Quase dez anos haviam se passado desde o dia em que os Dursley acordaram e encontraram o sobrinho no batente da porta, mas a Rua dos Alfeneiros não mudara praticamente nada.

"Hum, 10 anos. O pequeno bebê que eu costumava saltar no meu joelho está quase crescido." Sirius riu, brincando com seu afilhado.

"Cale-se." O adolescente rosnou de volta ficando vermelho.

O sol nascia para os mesmos jardins cuidados e iluminava o número quatro de bronze à porta de entrada dos Dursley; penetrava sorrateiro a sala de estar, que continuava quase igual ao que fora na noite em que o Sr. Dursley ouvira a funesta notícia sobre as corujas. Somente as fotografias sobre o console da lareira mostravam o tempo que já passara. Dez anos antes havia uma porção de fotografias de uma coisa que parecia uma grande bola de brincar na praia, usando diferentes chapéus coloridos

"Harry eu amo a sua imaginação fértil." Dumbledore ponderou. Houve riso ao redor da sala embora alguns soar forçados.

mas Duda Dursley não era mais bebê; e agora as fotografias mostravam um menino grande e loiro na primeira bicicleta, no carrossel de uma feira, brincando com o computador do pai, recebendo um beijo e um abraço da mãe. A sala não continha nenhuma indicação de que havia outro menino na casa.

"Por que não há nenhuma foto sua? Remus perguntou franzindo a testa para Harry.

O adolescente deu de ombros. "Por que sou feio?", Ele meio perguntou e respondeu desesperado.

Snape bufou para si mesmo. Provavelmente os trouxas, tinham notado como o pirralho era mimado e removeram as fotos.

"Por favor, continue Minerva." Rosnou o lobisomem não tirando os olhos de Harry.

No entanto, Harry Potter continuava lá, no momento adormecido, mas não por muito tempo. Sua tia Petúnia acordara e foi a sua voz aguda que produziu o primeiro ruído do dia.

- Acorde! Levante-se! Agora!

"Merlin, todas as mães fazem a mesma coisa? A minha fez." Tonks refletiu, tentando dissipar a tensão em seu namorado.

Harry acordou assustado. A tia bateu à porta outra vez.

- Acorde! -gritou. Harry ouviu-a caminhar em direção à cozinha e em seguida uma frigideira bater no fogão. Virou-se de costas e tentou se lembrar do sonho em que estava. Era um sonho gostoso. Havia uma motocicleta. Tinha a estranha sensação que já vira esse sonho antes.

Sirius cutucou seu afilhado quando a sua moto velha foi mencionada. Corpo do garoto estava tão tenso como uma tábua. Foi quando percebeu que o menino estava muito pálido. "Harry? Você está bem?"

"Podemos, por favor, pular este capítulo?" Harry sussurrou.

"Não." Remus respondeu. Sentiu mais do que viu, Sirius se voltar para ele. Ele sabia que estava recebendo um olhar acusador. "Temos de saber Sirius. Aconteceram mais coisas naquela casa, do que nos foi dito. Se é assim que temos que descobrir, então que assim seja." Ele explicou cansado.

Sirius balançou a cabeça com resignação. Harry nunca iria falar sobre seu passado, a menos que ele fosse forçado. "Sinto muito garoto." Ele sussurrou chegando ao longo da borda sofá para passar a mão pelo cabelo bagunçado. Ele fez força para permanecer em silencio, mesmo quando o adolescente se afastou do seu toque.

"Harry?" Hermione perguntou baixinho, para que mais ninguém ouvisse. "É realmente assim tão ruim?"

Ele soltou um pequeno suspiro, e se afastou um pouco de seu padrinho. "Só embaraçoso." Ele a tranqüilizou.

A tia estava de volta à porta.

- Você já se levantou? - perguntou.

- Quase - respondeu Harry.

- Bem, ande depressa, quero que você tome conta do bacon. E não se atreva a deixá-lo queimar. Quero tudo perfeito no aniversario de Duda.

Harry gemeu.

- O que foi que você disse? – perguntou a tia com rispidez.

- Nada, nada ...

O aniversário de Duda - como podia ter esquecido? Harry levantou-se devagar e começo a procurar as meias. Encontrou-as debaixo da cama e depois de retirar uma aranha de um pé, calçou-as.

"Realmente companheiro, você tinha que mencionar as aranhas?" Ron gemeu fazendo os gêmeos rirem dele.

"Quietos." Molly disse, preocupada com a tensão no rosto dos dois marotos.

Harry estava acostumado com aranhas, porque o armário sob a escada vivia cheio delas e era ali que ele dormia.

Houve um completo silêncio, um silêncio tão ensurdecedor que Harry teve a impressão de ficar surdo. Começou a sentir frio e se lembrou de quando os Dementadores estão por perto. Ele realmente estava meio tentado a lançar um Patrono.

"Professora McGonagall, você poderia continuar lendo?" ele perguntou com a voz mais normal que conseguiu.

"Eu acho que não, Sr. Potter." Ela retrucou com uma voz mais mortífera. Harry franziu a testa perguntando se ela estava brava com ele.

"Não é um grande negócio. Quero dizer, faz soar muito pior do que é." Ele olhou para a Sra. Weasley, que só ficou lá olhando para ele com a boca aberta. Tonks tinha os braços em volta de Remus, quase como se ela estivesse segurando-o de levantar. O ex-professor estava olhando para Harry com um olhar quase de acusação. Ginny e Hermione pareciam que iam chorar.

"Você sabia? A voz que destilava veneno fez com que Harry para chicoteasse sua cabeça ao redor e olhou em choque para o professor Snape. O homem em questão se colocou em frente de Dumbledore." Você sabia? " ele cuspiu.

O diretor balançou a cabeça lentamente. Sua pele era branca e parecia um papel fino, seus olhos estavam azuis maçantes. "Eu queria protegê-lo e as enfermarias de sangue fazem isso... Eu nunca pensei... se supõem que as famílias não devem se ferir."

Snape soltou uma risada amarga. "Você nunca aprende, não é mesmo?. Quantas vezes o mesmo aconteceu?"

Completamente em estado de choque com o comportamento de seu professor mais odiado, Harry abriu a boca e disse que a primeira coisa que veio à mente. "Hei! Sirius, você sabe o que isso significa, não é?"

"Que eu tenho que mimá-lo e tratá-lo como um rei para compensar isso?" Seu padrinho perguntou com uma voz divertida. As palavras soltaram alguma tensão da sala.

"Bom, isso também. Eu estava pensando mais ao longo das linhas, sabe um passe livre de castigos. Sabe quando McGonagall enviar para você uma coruja te dizendo que eu tenho lutado com outro troll ou algo assim, você deixa pra lá. Porque, obviamente, eu já tive uma vida horrível. " Harry sorriu satisfeito com a forma como o homem mais velho parecia estar pensando no que ele disse.

Sirius bufou. "A chances de isso acontecer são quase inexistentes..." Ele começou a dizer, antes de perguntar, incrédulo - Outro Troll?

McGonagall lhe respondeu com um sorriso carinhoso. "Sim, eu acredito que vai acontecer em um par de capítulos à frente."

"Primeiro ano? Troll ... primeiro ano? Sirius balbuciou, virando irritado para olhar o seu afilhado que estava sorrindo querendo parecer inocente.

Já vestido saiu para o corredor que levava à cozinha. A mesa quase desaparecera tantos eram os presentes de aniversário de Duda. Pelo que via, Duda ganhara o novo computador que queria, para não falar na segunda televisão e a bicicleta de corrida.

"Você acabou de dizer bicicleta de corrida?" Fred perguntou com um surto de riso que imediatamente contagiou todos os seus irmãos e Harry.

"Aos onze anos, ele era do tamanho de uma baleia." Harry confidenciou para os adultos confusos. Até mesmo Remus relaxou o suficiente e sorriu com eles.

Para o quê, exatamente, Duda queria uma bicicleta de corrida era um mistério para Harry, porque Duda era muito gordo e detestava fazer exercícios - a não ser, é claro, que envolvessem bater em alguém.

O saco de pancadas preferido de Duda era Harry, mas nem sempre Duda conseguia pegá-lo.

"Isso é verdade, Harry? Você nunca o socou de volta?" Bill perguntou exasperado.

"Me dá um tempo. Isso foi há 4 anos e ele tinha três vezes o meu tamanho. Achei mais prudente correr." Ele bufou.

"Você agiu como um slytherin Sr. Potter." Snape desdenhou, mas sem a malícia habitual, que sempre tinha em sua voz.

Harry gemeu interiormente, lembrando da classificação. Sirius vai me renegar.

Harry não parecia, mas era muito rápido. Talvez fosse porque vivia num armário escuro, mas Harry sempre fora pequeno e muito magro para a sua idade.

"Você ainda é magro, mas eu acho que você cresceu um pouco." Ron admitiu olhando criticamente para seu amigo.

"Eu passo fome durante três meses e depois consigo comer o resto do ano. O meu corpo sofre para se ajustar". Harry respondeu sem pensar, fazendo com que Remus ficasse tenso novamente.

"Eles te fazem passar fome?" Perguntou asperamente.

O adolescente deu de ombros suspirando. "Era um de seus castigos favoritos."

"Mas não era só esse? Era?" O lobisomem pressionou. Vendo o olhar severo de seu tio honorário, ele balançou a cabeça lentamente.

"Moony," Sirius suspirou e coçou a cabeça. "De noite nós três vamos nos sentar e discutir isso. Agora continue com essa droga de livro."

Ao redor da sala muitos respiraram de alívio. Era desconcertante para eles ouvirem sobre as coisas horríveis que o adolescente tinha sofrido. Os outros adolescentes alternavam entre o sentimento de tristeza para seu amigo, admiração, pois apesar de tudo ele era uma pessoa tão boa, e raiva, por ele nunca ter confiado neles.

Parecia ainda menor e mais magro do que realmente era porque só lhe davam para vestir as roupas velhas de Duda e Duda era quatro vezes maior do que ele.

Harry tinha um rosto magro, joelhos ossudos, cabelos negros e olhos muito verdes.

Usava óculos redondos, remendados com fita adesiva, por causa das muitas vezes que Duda o socara no nariz. A única coisa que Harry gostava em sua aparência era uma cicatriz fininha na testa que tinha a forma de um raio.

"O quê?" Hermione gritou. "Você gostava de sua cicatriz?"

"Bem, isso foi antes que eu soubesse como eu a consegui ou o que isso significava. Eu tinha dez anos, eu achava que era legal." Ele atirou de volta.

Existia desde que ele se entendia por gente e a primeira pergunta que se lembrava de ter feito a sua tia Petúnia era como a arranjara.

- No desastre de carro em que seus pais morreram – respondera ela. – E não faça perguntas

Não faça perguntas – esta era a primeira regra para levar uma vida tranqüila com os Dursley.

"Lily não morreu em um acidente de carro." A voz de Snape cortou o ar como uma lâmina, enquanto os marotos rosnavam.

Tio Válter entrou na cozinha quando Harry estava virando o bacon.

- Penteie o cabelo!- mandou, à guisa de bom-dia.

Mas ou menos uma vez por semana, tio Válter espiava por cima do jornal e gritava que Harry precisava cortar os cabelos. Harry deve ter feito mais cortes do que o resto dos meninos de sua classe somados, mas não fazia diferença, seus cabelos simplesmente cresciam daquele jeito – para todo lado.

Sirius balançou a cabeça, com todas as lembranças que essas palavras trouxeram de volta, mas se manteve em silêncio. Ele não achava que já tivesse tido tanta raiva de alguém na vida, além do rato (Peter), é claro, mas ele podia ver que seu afilhado já estava mortificado por todos os segredos que ele escondeu até agora, e que mesmo que não quisesse estavam sendo lidos para todos.

Harry estava fritando os ovos na altura em que Duda chegou à cozinha com a mãe. Duda se parecia muito com o tio Válter. Tinha um rosto grande e rosado, pescoço curto, olhos azuis pequenos e aguados e cabelos louros muito espessos e assentados na cabeça enorme e densa.

"Ugh, que imagem horrível." Gina disse fingindo vomitar. "Obrigada, Harry. Agora eu vou ter pesadelos."

"Gina". O Sr. Weasley advertiu, sentindo que era seu dever chamar a atenção enquanto, sua esposa ainda estava em choque a respeito do armário.

Tia Petúnia dizia com freqüência que Duda parecia um anjinho - Harry dizia com freqüência que Duda parecia um porco de peruca.

As crianças caíram na gargalhada com estas imagens. "Realmente Harry. Não sabia que você tinha isso em você." Fred ofegou tendo parar de rir.

"Ei, eu sou o filho de um saqueador". Harry respondeu de volta fazendo com que Sirius balançar a cabeça.

"Eu ainda estou julgamento isso." Ele anunciou, fazendo Remus rir e Harry a olhar para ele, indignado.

Harry pôs os pratos de ovos com bacon na mesa, o que foi difícil porque não havia muito espaço. Entrementes, Duda contava os seus presentes. Ficou desapontado.

- Trinta e seis - disse, erguendo os olhos para o pai e a mãe. - Dois a menos do que no ano passado.

Querido, você não contou o presente de tia Guida, está aqui debaixo do grandão do papai e da mamãe está vendo?

- Está bem, então são trinta e sete – respondeu Duda ficando vermelho. Harry, percebendo que Duda estava preparando um enorme acesso de raiva, começou a engolir seu bacon o mais depressa possível, caso seu primo virasse a mesa.

"Merlin". Todos os garotos Weasley, sussurram, sabendo o que aconteceria se eles tentassem isso.

Tia Petúnia obviamente também sentiu o perigo, por que na mesma hora disse: - E vamos comprar mais dois presentes para você quando sairmos hoje. Que tal, fofinho? Mais dois presentes. Está bem assim?

Duda pensou um instante. Pareceu um esforço enorme. Finalmente respondeu hesitante: - Então vou ficar com trinta ... trinta ...

- Trinta e nove, anjinho - disse Tia Petúnia.

- Ah – Duda largou-se na cadeira e agarrou o pacote mais próximo.

"Pode haver algo de bom para se tirar dessa situação Sr. Potter. Se você tivesse sido tratados da mesma forma que seu primo," zombou Snape quando disse a última palavra. "Você poderia ter sido ainda mais imbecil."

"Severo". Minerva repreendeu, mas Harry estava rindo.

"Então você está dizendo, na frente de testemunhas, que eu não sou?" Harry perguntou .

"Dificilmente." O mestre de Poções sorriu.

- Então, está bem.

Tio Válter deu uma risadinha. – O baixinho quer tudo a que tem direito, igualzinho ao pai. É isso aí garoto! - Ele arrepiou os cabelos de Duda com os dedos.

Naquele instante o telefone tocou e tia Petúnia foi atendê-lo, enquanto Harry e Tio Válter assistiam Duda desembrulhar a bicicleta de corrida, a câmera de filmar, um aeromodelo com controle remoto, dezesseis jogos de computador , e um gravador de video.

Estava rasgando a embalagem de um relógio de ouro quando tia Petúnia voltou do telefone parecendo ao mesmo tempo zangada e preocupada.

- Más notícias, Válter. A Sra. Figg fraturou a perna. Não pode ficar com ele.

"Figg?" Sirius murmurou tentando lembrar o nome.

"Potter!" McGonagall gritou. "Por que você não disse para a Arabella, o que aqueles trouxas estavam fazendo com você?"

Harry olhou para ela em confusão. "Quem?"

"Sra. Figg." Seu professor fez um gesto com o livro, impaciente. "Ela é um aborto e ela está ali para olhar você."

Seu queixo caiu, mas seus olhos brilharam com raiva. "Bem, até este verão eu não tinha idéia do que ela era. Ela nunca disse nada. Algo que vem acontecendo muito ultimamente." Sua voz tinha subido até que ele estava quase gritando com ela, fazendo com que Sirius se esticasse e segurasse seu braço.

"Acalme-se filhote. Ela tem garras." ele aconselhou calmamente.

E indicou Harry com a cabeça.

Duda boquiabriu-se de horror mas o coração de Harry deu um salto. Todo ano, no aniversário de Duda, os pais dele o levavam para passar o dia com um amiguinho em parques de aventuras, lanchonetes ou no cinema. Todo ano deixavam Harry com a Sra. Figg, uma velha maluca que morava ali perto. Harry detestava o lugar. A casa inteira cheirava a repolho e a Sra. Figg lhe mostrava fotografias de todos os gatos que ela já tivera.

"Bom, se ela estava lá para cuidar dele por que ela não o tratava melhor?" Ron com raiva perguntou para sua professora.

Foi professor Snape que respondeu. "Se aqueles trouxas achassem que ele estava tendo um bom tempo eles não teriam deixá-lo voltar."

"Isso é horrível." Hermione sussurrou.

- E agora? – perguntou tia Petúnia, olhando furiosa para Harry como se ele tivesse planejado tudo. Harry sabia que devia sentir pena da Sra. Figg que quebrara a perna, mas não era fácil quando lembrava que ia passar um ano sem ter que olhar para o Tobias, o Néris, Sr. Patinhas e o Pompom outra vez.

"Harry". Remus advertiu suavemente enquanto Sirius sorriu.

"Não te culpo filhote. Gatos são criaturas do mal."

"Gostaria de repetir essa afirmação Sr. Black." McGonagall quase ronronou.

O homem de cabelos escuros engoliu em seco. "Repetir o quê?" ele perguntou com sua expressão mais inocente. Enquanto Remus e Harry começavam a rir.

- Poderíamos ligar para a Guida – sugeriu tio Válter.

- Não diga bobagem, Válter, ela detesta o menino.

"Consensual. Acredite em mim." Harry murmurou sombriamente.

"Guida?" Ron perguntou sorrindo.

"É essa?" Fred começou.

"E então você .." George acrescentou.

"Incrível". Todos os três rapazes exclamaram.

"Terceiro ano." Hermione informou o resto da sala balançando a cabeça enquanto sorrindo.

Sirius franziu a testa por um momento antes de levantar as sobrancelhas. "É quando você fugiu?"

Harry ficou envergonhado, e murmurou baixinho, fazendo com que Remus para virar bruscamente para ele.

"O quê?" Sirius perguntou notando a expressão furiosa de seu amigo.

"Mais tarde". O lobisomem respondeu logo.

Com freqüência, os Dursley falavam de Harry assim, como se ele não estivesse presente - ou melhor, como se ele fosse alguma coisa muito desprezível que não conseguisse entendê-los, como uma lesma.

- E aquela sua amiga, como é mesmo o nome dela, Ivone?

- Está passando férias em Majorca – respondeu Petúnia, com rispidez.

- Vocês podiam me deixar aqui – arriscou Harry esperançoso (ele poderia assistir ao que quisesse na televisão para variar e, quem sabe, até dar uma voltinha no computador de Duda).

Fred balançou a cabeça tristemente. "Mas Harry, para isso eles teriam que te deixar se divertir."

"Algo que havia jurado nunca permitir." Seu irmão gêmeo terminou em voz alta.

Tia Petúnia parecia que tinha engolido um limão.

- E quando voltarmos, encontrar a casa em destruída?- rosnou.

- Não vou explodir a casa – prometeu Harry, mas os tios não estavam mais escutando.

"Não, isso seria o meu pai." Ron disparou causando a maioria dos Weasley sorrir.

Molly virou-se para encarar seu marido agora nervoso. "O quê? Quando foi isso?" ela exigiu.

"Molly, querida, eu tenho certeza que vamos ler sobre isso em algum ponto. Por que não deixar o puxão de orelha para o momento apropriado." Voz baixa Kingsley não fez nada para acalmar a mulher irada, mas ela segurou a língua.

Arthur falou um silencioso obrigado para seu amigo.

- Talvez pudéssemos levá-lo ao jardim zoológico - disse tia Petúnia lentamente... e deixá-lo no carro...

- O carro é novo. Não vou deixá-lo sentado no carro sozinho...

"Eles se importam mais com o carro, do que com uma criança." Hermione explodiu em lágrimas de raiva.

Harry suspirou. "Realmente Mione está tudo bem. É quase engraçado agora."

"Não está bem Harry James Potter e você está muito mais danificado do que eu pensava, aliais, do que você pensa que é." Ela se virou para olhando para ele.

"E eu pensei que Ron era o único sem tato." Ginny disse sarcasticamente de seu assento ao lado de Luna.

Duda começou a chorar alto. Na realidade, ele não estava realmente chorando, fazia anos que não chorava de verdade, mas sabia que se fizesse cara de choro e gritasse, a mãe lhe daria o que quisesse.

"Dudinha, querido

"O que foi isso? Ela acabou?" Os gêmeos se entreolharam com horror como o resto da sala riu. "Isso é horrível."

"Mesmo eu não tinha um apelido assim." Neville respirou atônito.

não chore, mamãe não vai deixar ele estragar o seu dia! – exclamou, abraçando-o.

- Eu... não... quero... que... ele... vá! – Duda berrou entre grandes soluços fingidos. - Ele sempre estraga tudo! - E lançou um riso maldoso por entre os braços da mãe.

"Um moleque absolutamente mimado." Emmeline rosnou.

"Na verdade, se eu fosse sua mãe, ele estaria sobre o meu joelho em um piscar de olhos." Molly concordou com voz era calma. Seu coração parecia que tinha partido em dois quando ouviu o que tinha sido feito para seu filho adotivo.

Naquele instante a campainha tocou. – Ah, meu Deus, são eles chegando - disse tia Petúnia nervosa, e um minuto depois, o melhor amigo de Duda, Pedro Polkiss, entrou acompanhado de sua mãe.

Pedro era um menino magrelo, com cara de rato. Em geral era quem segurava para trás os braços dos garotos enquanto Duda batia neles. Na mesma hora Duda parou de fingir que estava chorando.

"Claro que ele parou." Charlie zombou. "Ele não quer ser visto como um bebê."

Meia hora depois, Harry, que não conseguia acreditar em sua sorte, estava sentado no banco traseiro do carro dos Dursley, com Pedro e Duda, a caminho do jardim zoológico, pela primeira vez na vida. O tio e a tia não tinham conseguido pensar no que fazer com ele, mas antes de saírem, tio Válter puxara Harry de lado.

- Estou-lhe avisando - disse, aproximando a cara grande e vermelha perto de Harry. – Estou-lhe avisando, moleque, a primeira gracinha que fizer, a primeira, vai ficar preso naquele armário até o Natal.

Rosnados podiam ser ouvidos ao redor do quarto, embora o mais alto fosse surpreendentemente vindo de Ginny. Harry apenas revirou os olhos. "Sério, ficar bravo não vai ajudar nada." Ele brincou, em um esforço para esconder a vergonha que sentia a cada vez que o armário era mencionado.

- Não vou fazer nada - disse Harry -, juro...

Mas tio Válter não acreditou nele. Ninguém nunca acreditava.

O problema era que sempre aconteciam coisas estranhas à volta de Harry e simplesmente não adiantava dizer aos Dursley que não era sua culpa.

"Ohhhh! Harry vamos ouvir falar de sua magia acidental?" Hermione perguntou. Ela se inclinou ansiosamente, assim como Sirius.

Uma vez, tia Petúnia, cansada de ver Harry voltar do barbeiro como se não tivesse estado lá, apanhara uma tesoura de cozinha e cortara o cabelo dele tão curto que o deixara quase careca, exceto por uma franja, que ela deixou "para esconder aquela cicatriz horrorosa". Duda morrera de rir de Harry, que passou a noite toda acordado imaginando o que seria a escola no dia seguinte, onde foi já riam dele por causa de suas roupas folgadas e óculos emendados com fita adesiva.

Na manhã seguinte, porém, quando se levantou, os cabelos estavam exatamente como eram antes de tia Petúnia cortá-los.

Tinham-no deixado preso uma semana em seu armário por causa disso, apesar de sua tentativa de que não saberia explicar como é que os cabelos tinham crescido tão depressa.

"Cabelo Potter." Disseram os marotos.

"Ela deve saber sobre magia acidental." Tonks apontou. "Certamente Lily fez alguma, não é verdade?"

Outra vez, tia Petúnia tentará obrigá-lo a vestir um macacão velho de Duda (marrom com pompons cor de laranja).

"Foi feita a partir do cabelo de uma Umpkilter?" Luna perguntou sonhadora de canto no sofá.

Quanto mais tentava enfiá-lo pela cabeça dele, tanto menor o macacão ficava, até que finalmente parecia feito para um fantoche de dedo, e com certeza não ia servir para o Harry.

Luna balançou a cabeça sabiamente. "Isso geralmente acontece com coisas feitas com cabelo de Umpkilter". Hermione abriu a boca para contestar a afirmação. Rony e Harry seguraram seus ombros para mantê-la quieta.

Tia Petúnia concluiu que havia encolhido na lavagem e Harry, para seu grande alívio, não foi castigado.

"Graças a Merlin." Sirius murmurou baixinho.

Por outro lado, ele se metera numa grande encrenca quando o encontraram no telhado da cozinha da escola. A turma de Duda o estava perseguindo, como sempre e tanto para surpresa de Harry quanto dos outros, ele apareceu sentado na chaminé.

"Caramba Harry, como você chegou até lá?" Ron perguntou em reverência.

" Brilhante". Neville concordou.

"Isso é magia muito avançada." Kingsley, McGonagall e todos outros adultos concordaram.

Os Dursley receberam uma carta muito zangada da diretora de Harry, contando que Harry andara escalando os prédios da escola. Mas só o que tentara fazer (conforme gritou para tio Válter através da porta trancada do armário) fora saltar para trás das grandes latas de lixo à porta da cozinha. Harry supunha que vento devia tê-lo apanhado na hora em que saltou.

"Realmente Harry, temos que trabalhar em suas desculpas. Você não pode ser um maroto Junior, com esse tipo de resposta." Remus provocou.

Psiuuu - Sirius fez para Remus. "Nós não precisamos que ele aprenda a mentir para nós."

Os gêmeos ficaram boquiabertos com ele. "Você senhor, é um traidor das regras dos brincalhões." Fred informou-o solenemente.

"Não, o que eu sou, é um homem que é responsável por manter seguro, um garoto que só encontra problemas". Seus lábios se contorceram e seu rosto ficou aparentemente devastado. " Mas também concordo, com que ele faça todo tipo de brincadeiras, mesmo causando prejuízos incalculáveis", ele ergueu a mão para acalmar os seus gritos", é lógico, enquanto sua vida não corra perigo."

"Você percebe que ele está sentado ao seu lado." Harry respondeu secamente.

Mas hoje, nada ia dar errado. Valia até a pena estar em companhia de Duda e Pedro para passar o dia em outro lugar que não fosse à escola, o armário, ou a sala com cheiro de repolho da Sra. Figg.

Esse é um pensamento que traz mal agouro. "Bill disse conscientemente.

Enquanto dirigia, tio Válter se queixava à tia Petúnia. Ele gostava de se queixar de tudo: das pessoas no trabalho, de Harry, do conselho, de Harry, o banco, e Harry eram seus dois assuntos preferidos. Esta manhã eram as motocicletas.

-... Roncando pelas ruas como loucos, os arruaceiros – disse, quando uma moto emparelhou com eles.

- Tive um sonho com uma motocicleta - falou Harry, lembrando-se de repente. - Ela voava.

"Estou retirando a minha afirmação anterior." Snape desdenhou. "Você é muito mais imbecil do que seu primo."

Mesmo envergonhado com as risadinhas que ele escutou, ainda tentou se explicar. "É que eu estava muito animado por sair de casa."

Tio Válter quase bateu no carro da frente. Virou-se para trás e gritou com Harry, seu rosto parecendo uma beterraba gigante e bigoduda: - MOTOCICLETAS NÃO VOAM!

Dudley e Pedro deram risadinhas.

- Sei que não voam – respondeu Harry. - Foi só um sonho.

Mas desejou que não tivesse dito nada. Se havia uma coisa que os Dursley detestavam mais do que as suas perguntas, era quando falava de coisas que faziam o que não deviam, não interessava se era sonho ou desenho animado - pareciam pensar que ele poderia arranjar idéias perigosas.

"Forge, acho que acabei de encontrar uma inspiração nova para a nossa genialidade." Fred estava quase pulando em seu assento.

"É verdade Gred, sinto que tem novas invenções a caminho." concordou.

Juntos, eles se voltaram para Hermione e perguntaram. "O que são desenhos animados?"

Era um sábado muito ensolarado e o zôo estava cheio de famílias. Os Dursley compraram grandes sorvetes de chocolate para Duda e Pedro à entrada e, então, porque a mulher sorridente na carrocinha perguntara o que Harry ia querer antes que pudesse afastá-lo depressa dali, eles lhe compraram um picolé barato de limão.

Não era ruim, Harry pensou, lambendo-o enquanto observavam um gorila que coçava a cabeça e se parecia demais como Duda, exceto pelos cabelos que não eram loiros.

"Merlin Harry", Charlie disse enxugando lágrimas de riso. "Por que você sempre compara pessoas com animais?"

Harry passou a melhor manhã ele já tivera em muito tempo. Cuidou de andar um pouco afastado dos Dursley de modo que Duda e Pedro, que ali pela hora do almoço estavam começando a se chatear com os bichos, não recaíssem no seu passatempo favorito de bater no primo.

Almoçaram no restaurante do zôo, e quando Duda teve um acesso de raiva porque seu sorvetão não era bastante grande, tio Válter comprou-lhe outro e deixou Harry terminar o primeiro.

Depois Harry achou que devia ter adivinhado que estava bom demais para durar muito tempo.

Terminado o almoço, foram visitar o alojamento dos répteis. Era fresco e escuro ali, com quadrados iluminados ao longo das paredes. Por trás dos vidros, rastejavam e deslizavam em pedaços de pau e em pedras todos os tipos de cobras e lagartos. Duda e Pedro queriam ver as enormes cobras venenosas e grossas pítons que esmagavam um homem.

Harry se levantou e quase gritou. "Espere". Ele virou e olhou para os marotos.

"O que está errado?" Remus perguntou, preocupado, enquanto Sirius puxava o adolescente que estava hiperventilando para se sentar entre eles.

"Eu... Eu...possofalarcomascobras" Ele tentou falar mas sem levantar os olhos do chão.

"Que tal tentar novamente, mas desta vez com você respirando." Remus sorriu gentilmente para o rapaz que estava claramente perturbado.

"Eu sou um Ofidioglota." Ele praticamente guspiu as palavras de tanta que era a sua ansiedade, quando não houve resposta levantou o rosto e percebeu que os dois homens estavam confusos.

"Harry eu tenho certeza que eles sabem." Hermione disse, continuando quando ele se virou para olhar para ela. "Aquele inseto escreveu sobre isso naquele artigo horrível antes da terceira tarefa."

Quando ele finalmente entendeu, se levantou, se virou para os dois homens estreitando os olhos. "Por que vocês não disseram nada?." Ele acusou e perguntou ao mesmo tempo.

"Bem! Caramba filhote, não houve tempo, quando você não era atacado e quase morto por Voldemort, nós tivemos que recomeçar a Ordem e encontrar novos membros, e quando se achava que teríamos algum tempo você volta a ser atacado, só que agora por Dementadores e acaba sendo julgado quase por um júri completo como um criminoso." Sirius respondeu secamente. "Acho que à luz de tudo o que nós passamos, tivemos que priorizar as coisas, o que não é nenhuma surpresa."

"É claro que teria sido bom se você tivesse mencionado isso antes que se tornasse necessário." Remus acrescentou com afeto.

Harry deu de ombros, mas não respondeu voltando a se sentar com seus amigos.

Duda logo encontrou a maior cobra que havia. Poderia dar duas voltas no carro de tio Válter e amassá-lo até reduzi-lo ao tamanho de uma lata de lixo - mas naquela hora ela não estava disposta a fazer nada. Na realidade, estava dormindo a sono solto.

Duda parou, o nariz comprimido contra o vidro, observando as espirais marrons reluzentes. - Faz ela se mexer - choramingou para o pai. Tio Válter bateu no vidro, mas a cobra não se moveu.

- Faz outra vez – mandou Duda. Tio Válter bateu no vidro com os nós dos dedos, mas a cobra continuou dormindo.

- Que chato – queixou-se Duda. E saiu arrastando os pés.

Harry veio se postar na frente do tanque e estudou a cobra com atenção. Não se admiraria se a própria cobra morresse de tédio – não tinha companhia a não ser a aquela gente idiota que batucava no vidro, tentando incomodá-la o dia inteiro. Era pior do que ter um armário por quarto, onde a única visita era a tia Petúnia esmurrando a porta para acordá-lo, mas ao menos ele podia visitar o resto da casa.

"Isso é realmente muito triste, Harry." Charlie disse balançando a cabeça. Depois de crescer na "Toca", ele não poderia imaginar um espaço tão limitado.

A cobra inesperadamente abriu os olhos, que pareciam contas. Devagarzinho, muito devagarzinho, levantou a cabeça até seus olhos chegarem ao nível dos de Harry.

E piscou.

Harry arregalou os olhos. E olhou depressa a toda volta para ver se havia alguém olhando.Não havia. Ele retribuiu o olhar da cobra piscando também.

A cobra acenou com a cabeça na direção de tio Válter e de Duda, depois levantou os olhos para o teto. Lançou um olhar a Harry que dizia com todas as letras: - Isso acontece todo o tempo.

- Eu sei – murmurou Harry pelo vidro, embora não tivesse muita certeza se a cobra poderia ouvi-lo -, deve ser bem chato.

A cobra concordou com uma aceno de cabeça enfático.

- Mas de onde é que você veio? – perguntou Harry.

A cobra apontou com o rabo uma placa próxima ao vidro. Harry espiou.

Boa Constrictor, Brasil.

-Era bom lá?

A jibóia apontou novamente a placa com o rabo e Harry ler : Este espécime nasceu em cativeiro.

-Ah, entendo, então você nunca esteve no Brasil?

Neville começou a rir. "Só você poderia ter essa conversa com uma cobra e não achar estranho."

Como a cobra sacudiu a cabeça, mas um grito ensurdecedor atrás de Harry fez os dois pularem.

- DUDA! SR. DURSLEY! VENHAM VER ESSA COBRA! VOCÊS NÃO VÃO ACREDITAR NO QUE ESTÁ FAZENDO!

Duda veio bamboleando até onde o amigo estava o mais depressa que pôde.

- Cai fora - falou dando um soco nas costelas de Harry. Apanhado de surpresa, Harry caiu com força no chão de concreto.

Houve exclamações ao redor da sala. "Esse menino..." A Sra. Weasley foi incapaz de terminar seus pensamentos.

Sirius estava rosnando. "Harry posso te garantir que nunca vou puni-lo por qualquer coisa que você fizer para aquele menino." Harry e Rony trocaram olhares de surpresa.

"Isso significa que ele vai castigá-lo para outras coisas?" Ron perguntou em um sussurro.

Harry encolheu os ombros. "Como eu deveria saber. Eu nunca tive pais antes."

O que veio se passou em seguida aconteceu tão depressa que ninguém viu como foi: num segundo, Pedro e Duda estavam encostados no vidro, e no segundo seguinte, estavam saltando para trás soltando uivos de terror.

Harry sentou-se e parou de respirar: o vidro da frente do tanque da jibóia tinha sumido.

"Impressionante". Todos os meninos gritaram e até mesmo os adultos estavam sorrindo.

"Isso é realmente uma mágica muito forte Sr. Potter." Kingsley comentou. Ele aparecia impressionado.

"Hmph, porque você não pode fazer isso em sala de aula?" McGonagall perguntou, embora seus olhos estavam brilhando com alegria.

A grande cobra se desenrolou depressa e escorregou pelo chão- as pessoas no alojamento dos répteis gritaram e começaram a correr para as saídas.

Quando a cobra passou rápido por ele, Harry poderia jurar que uma voz baixa e sibilante disse: " Brasil, aqui vou eu ... Obrigada, amigo."

O zelador do alojamento dos réptil ficou em estado de choque.

-Mas o vidro - ele não parava de repetir -, para onde foi o vidro?

"Pobre homem ." Emmeline se condoeu ...

O diretor do Zôo em pessoa preparou uma xícara de chá forte para tia Petúnia enquanto se desculpava mil vezes. Pedro e Duda só conseguiam balbuciar. Pelo que Harry vira, a cobra não fizera nada a não ser fingir abocanhar os calcanhares deles quando passou, mas quando chegaram finalmente ao carro do tio Válter, Duda estava contando que a cobra quase arrancara a perna a dentadas, enquanto Pedro jurava que a cobra tentara apertá-lo até matar. Mas o pior de tudo, pelo menos para Harry, foi Pedro ter se acalmando o suficiente para pergunta : - Harry estava falando com ela, não estava Harry?

Tio Válter esperou até Pedro estar longe da casa para brigar com Harry. Estava tão zangado que mal podia falar. Conseguiu apenas dizer:

-Vá... armário... Harry... sem comida - antes de desmontar em uma cadeira e tia Petúnia ter que correr para lhe servir uma boa dose de conhaque.

Muito mais tarde, deitado no seu armário, estremecendo com os vergões que tinha nas costas, Harry desejou ter um relógio.

Molly Weasley ficou pálida e antes que alguém pudesse falar qualquer coisa, correu para fora da sala.

"Eu vou..." O Sr. Weasley falou no silêncio tenso, e seguir sua esposa. Os sons distantes de choro podiam ser ouvidos.

"Podemos apenas continuar lendo ou algo assim?" Harry perguntou, em voz baixa sem se atrever a olhar para cima.

"Desculpe-me, Sr. Potter, mas o livro tem se selado. Seremos incapazes de ler mais até que todos estejam presentes." McGonagall falou calmamente.

"Então". Sirius anunciou em voz alta. "Nós precisamos de alguma coisa." Ele se levantou e se dirigiu para a cozinha.

Remus olhou para o amigo com aborrecimento antes de segui-lo. "Como você pode ficar tão calmo depois de ouvir algo como isso!" ele sussurrou.

Sirius observava como amigos do afilhado ficaram em torno dele e os gêmeos tentaram aliviar o clima, oferecendo a Charlie um dos seus doces. "Por que deveria fazer exatamente desse parágrafo um problema? O garoto já está mortificado o suficiente."

"Isso precisa ser discutido." O lobisomem insistiu. Sua voz era pouco mais que um grunhido e seus olhos eram mais amarelo do que marrom.

O outro homem suspirou. "E vai ser. Entre nós três, como uma família." Suas mãos se fecharam entorno da colher que ele estava segurando. "Droga Moony". A dor que podia ser sentida em sua voz era comovente.

Demorou mais uns 10 minutos para que todos se reunissem de novamente, e muitos dos estavam com os olhos vermelhos.

Não sabia que horas eram e não tinha certeza se os Dursley já estariam dormindo. Até que estivessem, ele não poderia se arriscar a ir escondido até a cozinha buscar alguma coisa para comer.

Vivia com os Dursley havia quase dez anos, dez infelizes anos, desde que se lembrava, desde que era bebê e seus pais tinham morrido naquele acidente de carro. Não conseguia se lembrar de ter estado no carro quando os pais morreram.

"Porque não era um acidente menino." Moody rosnou. Ele se perguntou se havia alguma maneira de poder trazer esses trouxas a justiça.

Às vezes, quando forçava a memória durante longas horas em seu armário, lembrava-se de uma estranha visão: um lampejo ofuscante de luz verde e uma queimadura na testa.

Isto supunha ele, era o acidente, embora não conseguisse lembrar de onde vinha toda aquela luz verde. Não conseguia lembrar nada dos pais.

"O seu padrinho e eu sabemos muitas histórias, que depois vamos compartilhar com você." Remus sorriu tristemente.

A tia e o tio nunca falavam neles e naturalmente tinham-no proibido de fazer perguntas. E não havia fotografias deles na casa.

Quando era mais novo, Harry tinha sonhado muitas vezes com um parente desconhecido que vinha levá-lo embora, mas isto nunca tinha acontecera;

Sirius fechou os olhos com força com essas palavras, sentindo-as como uma faca em seu peito. Remus estava rosnando, olhando fixamente para o diretor.

os Dursley eram sua única família. Ainda assim, ele achava (ou talvez fosse só esperança) que estranhos na rua o conheciam. E eram estranhos muito estranhos.

Um homenzinho de cartola roxa se curvara para ele uma vez quando estavam fazendo compras com a Petúnia e Duda. Depois de perguntar a Harry, furiosa, se ele conhecia o homem, Tia Petúnia tinha empurrado os meninos depressa para fora da loja sem comprar nada. Uma velha amalucada toda vestida de verde uma vez acenara alegremente parta ele no ônibus. Um careca com um longo casaco púrpura chegara a apertar sua mão na rua um dia desses e em seguida se afastara se dizer nada. A coisa mais estranha nessas pessoas era a maneira com que pareciam desaparecer no instante em que Harry tentava vê-los.

"Porque você é Harry-sortudo-Potter." Ron bufou, ganhando um olhar de desaprovação de sua mãe.

Na escola, Harry não tinha ninguém. Todos sabiam que a turma de Duda odiava aquele estranho Harry Potter com suas roupas velhas e folgadas e os óculos remendados, e ninguém gostava de contrariar a turma de Duda.

"Eu acho que seria uma boa idéia por hoje." Dumbledore anunciou olhando em volta para os rostos tensos na sala.

O anúncio foi recebido com aceno de cabeça e vários grupos começaram a saíram da sala.