Boot Camp
Por: Snowdragonct
Tradutora autorizada: Aryam
Campo de Treinamento
Capítulo Um: Chegada e Orientação
Terceira pessoa
O ônibus parou na frente de um portão fechado e Duo Maxwell se recostou na janela para olhar melhor o que seria sua casa num futuro próximo. O sinal na entrada dizia: "Acampamento Peacecraft" miseravelmente pintado por cima de "SMS Campo Rockledge". Cercas altas formadas por elo de correntes terminadas com arames farpados cercavam o perímetro, o jovem balançou a cabeça com melancolia. Não deu muito certo o visual de "colônia de férias" que estavam tentando. Riu consigo mesmo, afundando em seu assento.
O loiro à algumas cadeiras na sua frente endireitou-se atento, olhos se arregalando ao ver os guardas nas torres e unidades de patrulha caninas.
Duo sorriu maliciosamente. É, loirinho, prepare-se para acordar pra real. Balançou a cabeça, perguntando-se vagamente o que aquele garoto de aparência angelical teria feito para acabar num ônibus para o Inferno com um bando de perdedores. Deveria ser um engano.
O portão se abriu e o veículo adentrou uma área delimitada por grades. O motorista desligou o motor e esperou os guardas entrarem.
"É isso aí, seus trombadinhas" disse o homem corpulento de uniforme. "Sou o Sargento Troy e estou encarregado de mostrar a vocês nojentinhos o Acampamento Peacecraft. É assim que vamos proceder. Quando eu ler seus nomes, cada um vai para a frente do ônibus e formar uma fila por ordem de chamada. Continuaremos a pé para o centro de orientação. Lá vão nos fazer um strip para serem revistados como já devem estar acostumados e farão um exame médico, receberão um uniforme, serão designados a seus alojamentos e colocarão a tornozeleira de identificação. Haverá o mínimo de conversa na fila. Se tiver alguma dúvida, levante a mão como um menininho educado e um de nós pode até se condescender a responder... o quê?"
Duo, incapaz de resistir a tentação, levantara a mão. "Hum, sim, senhor... só uma pergunta rápida. Como um babaca como você aprendeu a palavra 'condescender'?"
Risadas nervosas encheram o pequeno veículo e a expressão do guarda se fechou. "Então já temos um engraçadinho?" ele olhou para a prancheta. "Tem um nome, espertalhão?"
"Maxwell."
"Ah, sim... Duo Maxwell." Olhou para o rapaz de modo ameaçador. "Mais uma palavra dessa boca grande e serei voluntário para revistá-lo quando estiver nu."
Os olhos de Duo se arregalaram e tapou a boca com a mão.
"Entendeu?"
Duo assentiu com a cabeça, mostrando um sorriso cínico mesmo baixando a bola para evitar a ameaça nada agradável.
"Certo então. Já que não temos mais interrupções, vamos logo com a fila... Ártemis... Barton... Brown..."
Duo ficou atento quando o segudo jovem esbarrou em seu ombro ao passar. O garoto alto e magro tinha cabelo castanho-avermelhado pendendo de um lado do rosto e impressiontes olhos verdes. Ele tinha um leve sorriso conspiratório e assentiu quase imperceptivelmente para Duo, subtamente elogiando sua piada.
O rapaz com trança sorriu de volta. Ah, um parceiro encrenqueiro. Talvez ele possa ser alistado para aquele plano mal feito de fuga. Será que ele sabe alguma coisa sobre sobreviver na natureza?
"Maxwell... Norton... Parson... Pritchard..."
Duo se levantou e se espreguiçou, jogou a trança por cima do ombro e andou com passos firmes até a fila. Mesmo genuinamente temendo a prisão, já era bem familiar com o reformatório e sabia poder aguentar quase qualquer coisa que os rapazes de sua idade fizessem. Ele tropicou quando alguém puxou sua trança por trás enquanto passava e virou-se para lançar um olhar severo para o ruivo de ombros largos observando-o de soslaio. Duo se incinou para o ofensor, olhos índigo acesos em perigo. "Toque a trança de novo e morra" sussurrou suavemente, deixando o outro ver a genuina malícia no fundo de seus olhos.
O ruivo parou de rir e sua mandíbula ficou frouxa. Ele automaticamente assumira que o cabelo longo significava uma natureza efeminada para combinar com a beleza exterior e viu instantaneamente como se enganara. Havia um brilho nos olhos índigo que fazia o rapaz de trança parecer um pouco insano. E de repente o outro soube que Duo era capaz de cumprir sua ameaça. "Você não está brincando, está?"
Duo negou lentamente. "O último que achou que eu estava ainda está recuperando os ossos quebrados, gorducho". Deixou um olhar arrogante vasculhar o tenso rapaz dos pés a cabeça. "Estamos entendidos?"
"Uh, sim" murmurou o rapaz troncudo, de cabeça baixa estudando o chão.
Duo se virou lentamente, quase preguiçosamente e ocupou seu lugar na fila. O guarda lhe lançou um olhar meio suspeito, tendo visto, porém não ouvido a conversa no fundo do ônibus. Logo descera os degraus e a espassada fila de adolescentes cansados e enfadados fez seu caminho para o centro de apresentação. Lá, como prometido, foram conduzidos individualmente atrás de telas dificilmente adequadas para se despirem e serem revistados. E quando terminado, entraram, um de cada vez, na sala de exame físico.
Obviamente, após oito horas engaiolado em um ônibus, Duo estava muito baqueado para simplesmente ir com a maré. Ele tinha que badernar assim que tivesse oportunidade. E quando o exame estava quase no fim, ele o fez.
"Olha, eu juro, não preciso de vacina!" insistiu enquanto o doutor preparava a seringa. "Tipo, na real, eles não mandaram meus registros de L2 pra cá? Tomei todas que precisava lá."
"É procedimento padrão, criança" insistiu o médico perturbado. "Não importa o que fez antes. Vai tê-las aqui."
"Odeio agulhas!"
"Então feche os olhos."
"E se você fechar os seus?"
"Que gracinha."
"Oras, obrigado" Duo disse, piscando docemente para o homem de cabelos acinzentados. "Você não é de todo o ruim. Mas não podemos pular a maldita vacina?"
"Se eu tiver que chamar um guarda aqui, não vai gostar do resultado."
Duo lançou seu pior olhar para o homem. "Então tá. Faça do seu jeito. Mas não ache que meu advogado não vai ouvir sobre isso!" Ele virou o rosto e esticou o braço, mal sentindo a picada.
"Pronto. Acabou."
"Sério? Foi só isso?" Duo perguntou, piscando surpreso. Deu ao doutor um sorriso charmoso. "Você é bom!" sorriu.
"Dá o fora daqui e vou considerar uma benção."
Duo carregou um sorriso satisfeito ao pegar o uniforme que ganhara e vestiu-se rapidamente antes de sair da sala, indo para o próximo estágio da orientação... a tornozeleira.
Quando entrou no pequeno cômodo em frente a sala de exame, havia uma mesa com um guarda entediado flanquado por outros dois.
"Nome?"
"Uh... Maxwell."
"Sim... prisioneiro DM02..."
Um guarda se adiantou segurando um pequeno aparelho eletrônico. "Me dê seu tornozelo esquerdo, menino."
Duo o olhou cautelosamente. "Hei, eu nem te conheço, fanfarrão. Não vai nem relar no meu tornozelo."
"Certo. Hei, Johnson, pega o marca-gado!" O guarda escondeu um sorriso olhando para o parceiro.
"Whoa. Isso tem que violar os direitos civis... só pode!" Duo reclamou.
"É, fala pro juiz. Ou pode me dar seu tornozelo."
Relutantemente levantou o pé na cadeira que o guarda indicou, permitindo que colocasse a fina argola de metal. Mas suspirou dramaticamente de qualquer modo. "Eu meio que esperava um piercing no umbigo ou algo mais, bem, sexy. Isso é tão brega."
"Por que sempre pego os palhaços?" lamentou o guarda, endireitando-se e balançando a cabeça.
"Também te amo" Duo sorriu de volta, dirigindo-se à mesa onde lhe foi entrege um cartão dizendo onde era seu alojamento. Tinha uma chave pregada com fita adesiva. "O que isso abre?"
"Seu armário. Tem quatro em cada alojamento e o número da chave bate com o seu." O guarda ergueu de leve o olhar. "Um garoto inteligente como você deve encontrar sem problemas."
"Aplaudo sua fé em mim" foi a resposta ácida que deu, encaminhou-se para uma sala maior onde os outros estavam reunidos.
Outro colega de uniforme da ASMS (Academia da Subdivisão de Mobile Suits) estava próximo à porta, alinhando os rapazes que chegavam. Em seguida, sem nenhuma ordem em particular, foram arrebanhandos para o pátil sujo e organizados em duas fileiras, onde foram instruídos a ficarem parados e de boca calada.
Duo se encontrou ao lado do loiro que notara antes. Do outro lado do loiro estava o garoto a quem Duo já considerava como um co-conspirador; o de olhos verdes que lhe dera um sorriso no ônibus. É, esse lugar pode até dar certo afinal.
Então o diretor carcereiro saiu do prédio de administração e o rapaz de trança sentiu seu estômago afundar. Reconheceria o homem em qualquer lugar... os ombros largos e o andar arrogante... era Treize Kushrenada, anteriormente policial em L2 e agora, obviamente, administrador do lugar em que estava preso pelos próximos seis meses.
O diretor andou na frente dos garotos reunidos, queixo firme e olhos brilhando com malícia. "Vocês, montes de merda, sabem porque estão aqui... esta é a sua última chance de ficar fora da cadeia que mastiga e cospe cretinos como vocês. Então é melhor agarrarem essa chance com as duas mãos ou deixá-la escapar... a escolha é sua." Kushrenada sorriu consigo mesmo em suprema satisfação. Não concordava com a Iniciativa Peacecraft para reabilitar jovens ofensores e pretendia vê-la falhar. Esse 'programa piloto' seria o último se dependesse dele.
Seu olhar passeou pelos prisioneiros irritados e se semicerraram ao identificar um rosto familiar no fim da fila. "Ora, ora" sorriu malicioso, olhos faiscando com ódio. "Maxwell." Encontrara o rapaz uma vez antes, sendo o policial que o prendera pela primeira vez nas ruas de L2.
Os olhos índigo encontraram os dele e o viu ficar tenso e ranger os dentes com raiva. Aparentemente não esquecera o tratamento bruto que recebera e nem a acusação de resistir à prisão por ter lutado com a polícia.
O diretor passou lentamente pela fila até ficar cara a cara com o rapaz. "Duo Maxwell... Estou surpreso em vê-lo aqui."
Duo o fulminou com o olhar. "Achou que ficaria no reformatório?" perguntou sarcástico.
"Não, achei que estaria cumprindo pena agora" zombou o homem. Balançou a cabeça. "Este não é o seu lugar. Você não merece mais uma chance, seu marginal."
"Todo mundo merece mais uma chace" Duo rosnou de volta, ecoando a lição que aprendera do padre no orfanato católico.
O diretor riu. "É uma perda de tempo pra você" ele se adiantou, olhos estreitos. "Você vai dar o fora na primeira semana e vou ter muito prazer em assinar a ordem para te fazer ver o sol nascer quadrado." Seus olhos percorreram dos olhos profundos e expressivos para o rosto cheio em formato de coração, quase feminino, e a longra trança caída até quase o meio da coxa. "Vão gostar de você lá, bonitinho" tirou sarro.
Os olhos indigo se arregalaram e se estreitaram perigosamente. "Não pode ser pior do que viver nas ruas" falou quase em voz baixa, tentando soar como se não se importasse. Mas se importava. Mais do que deixaria transparecer, importava-se. E estava desesperado para ficar fora da cadeia por todas as razões que o diretor tinha citado.
"Pode sim" falou o administrados friamente. "Vou me assegurar disso." Ele virou e indicou a cerca, voltando suas instruções aos prisioneiros. "Como podem ver, temos o que há de melhor em segurança aqui... torres de guarda, cercas, cachorros..." Apontou para as pernas dos jovens. "E tornozeleiras com GPS. Nem pensem em escapar. Não vão."
Continuou a falar sobre as medidas de segurança e o que era esperado dos prisioneiros, mas Duo parara de escutar.
Sua atenção estava agora focada no loiro ao seu lado, quem o lançou um olhar simpático dos grandes olhos azuis. "Não se preocupe" murmurou de modo tranquilizador. "Aposto que vai se dar muito bem aqui."
Duo se virou para ele com descrença. O outro parecia jovem demais para sequer estar em um lugar como esse, com delinquentes juvenis, e ainda tentava animar um experiente rato de rua.
"Meu nome é Quatre" apresentou-se o loiro.
"Uh-huh." Pela primeira vez, Duo estava praticamente sem fala. Ele simplesmente não sabia o que dizer ante o otimisto no rosto do outro.
"De onde você é?"
Duo olhou distraidamente para o jovem e para frente onde o diretor ainda palestrava. "L2" falou baixinho. "E não o deixe nos ver conversando" avisou.
"Por quê?" Quatre quis saber.
"Primeiro" Duo sibiliou baixo "não se pode conversar em formação. Confie em mim; já quebrei essa regra várias vezes, então a conheço bem. E segundo, você não quer se associar comigo. Aquele maldito está no meu pé. Não vai querer estar por perto quando ele conseguir me derrubar."
"Maxwell!" ouviu-se o grito rígido e desafinado. Ele andou furiosamente até o adolescente de trança. "Começando bem, não é?" zombou. "-conversando na formação."
Quatre estava prestes a falar e assumir a culpa, quando sentiu o cotovelo de Duo esbarrar no seu em um claro aviso.
"É melhor do que ouvir sua matraca o dia todo sobre como já estamos ferrados" Duo retorquiu com audácia, encarando de igual para igual o olhar raivoso do homem.
O diretor sorriu. "Só por isso, pode me ajudar a demonstrar nossa última medida de segurança." Deu alguns passos para trás e gesticulou para o rapaz sair da linha. "Vá para a cerca."
Duo o olhou cautelosamente. "E se eu não for?"
"Você estará no ônibus para o espaço-porto esperando o transporte para a prisão de L2 antes do anoitecer."
Duo hesitou, então seus ombros cairam em derrota. Olhando de esguelha de modo suspeito para o diretor, adiantou-se tristemente para a cerca de metal. A cerca de três metros até a grade, sua tornozeleira soltou um alto som agudo e ele parou.
"Continue, rato de rua" gritou o administrador, sorrindo.
Duo o fulminou com o olhar mais uma vez, sabendo que o sorriso dele só significava coisas ruins. Suspirando e endireitando os ombros, continuou.
Distante por um metro e meio, ouviu um barulho e sentiu uma corrente de eletricidade que ia de seu tornozelo até a cabeça, percorrendo todo seu corpo em uma onda de dor antes de tombar no chão inconsciente.
"Como podem ver" o diretor falou calmamente "qualquer tentativa de se aproximar da cerca sem autorização prévia resultará em incapacitação imediata." Ele apertou um botão em uma pulseira, que era um controle, em seu pulso e gesticulou para dois guardas pegarem o garoto atordoado. Carregaram-no em direção a enfermaria.
Quatre ficou boquiaberto, olhos arregalados em horror. Era muito injusto! Sentiu uma aflição de culpa por sua tentativa de conversar custar tanto ao outro rapaz.
"O diretor teria o escolhido de qualquer maneira" soou a voz discreta de seu outro lado. Virou-se para ver um garoto de cabelos castanho-avermelhados com uma franja espessa cobrindo um olho. O outro olho era verde escuro.
Quatre conseguiu abrir um sorriso melancólico. "Por que diz isso?"
"Você os ouviu" ele deu de ombros. "O diretor estava no pé do Maxwell. Teria o escolhido de um jeito ou de outro."
"Eu sinto muito por ter dado a desculpa" Quatre murmurou, ainda desconsolado.
"Se não a tivesse, ele teria inventado alguma" insistiu o outro.
Quatre notou que quem lhe falava era mais alto alguns centímetros, esguio e gracioso. O loiro sorriu ainda fracamente. "Obrigado" deu de ombros, sem conseguir se consolar. "Sou Quatre."
"Trowa" respondeu, observando o diretor terminar de dar direções para os guardas carregando o rapaz inconsciente. "E quieto ou seremos os próximos."
Quatre virou-se para frente novamente, fitando fixamente o administrador para ter certeza onde ele estava todo o tempo. Claramente não era alguém para se brincar e era ainda mais óbvio de que podia ser bruto se provocado.
"Mais alguém com piadinhas?" perguntou Kushrenada, um olhar afiado inspecionando a formação. Um escárnio curvou seus lábios. "Como pensei" sorriu. "Bem, então, vocês fiquem em posição e vou passar o show para Capitão Chang da Academia da Subdivisão de Mobile Suits." Virou-se e se foi bruscamente. Em poucos segundos, um homem esbelto de cabelos negros usando uniforme saiu do prédio de administração e se aproximou.
"Boa tarde" os olhos negros percorreram o grupo, quase como se procurassem algo. "Eu sou capitão Chang. Sou o encarregado desse programa. Mesmo sabendo que vocês têm uma idéia do que está envolvido, vou explicar com mais detalhes." Ele começou a descrever o processo que seria aplicado para preencher os requerimentos da Iniciativa Peacecraft.
Eles seriam divididos em times de quatro. Haveria um time por barraca, cada um com um líder apontado pelo próprio capitão. Durante a estadia, teriam exercícios diários, aulas e treinamento. O melhor time automaticamente será oferecido um lugar na Academia, enquanto os outros com desempenhos menores podem ou não ter a vaga. Aqueles com performances insuficientes teriam pelo menos cumprido suas sentenças e seriam soltos em condicional.
O único modo de falhar era quebrar uma regra do acampamento ou cometer um crime enquanto no programa, sendo assim, o ofensor seria mandado para uma cadeia em qualquer que fosse sua colônia de origem. Lá, serviria a pena que deveria cumprir originalmente.
Quatre resolveu naquela hora não quebrar nenhuma regra e, apesar de mal conhecer Duo Maxwell, encontrou-se um pouco preocupado se ele conseguiria o mesmo.
No final de seu discurso, capitão Chang apresentou seu grupo de tenentes, que seriam os instrutores em várias aspectos. E abaixo estavam os cabos, um designado para cada time como conselheiro e guia. Já que os alojamentos estavam distribuidos, só faltava a chamada.
"Quando seu nome for chamado, venha aqui pegar uma lista de regulamentos, um mapa do campo e o horário das aulas; depois sigam para seus alojamentos, façam suas camas e terão uma hora para se familiarizar com o mapa antes de irem para o jantar às 18:00 horas." Ele sorriu sem muito humor. "Vocês têm sorte... não haverá ginástica calistênica* hoje, apesar de que após a longa viagem de ônibus faria bem um exercício. Considere este seu último dia de descanso e recreação. Orientação começa bem cedo amanhã." Começou a fazer as chamadas, o último nome sendo "Winner", Quatre teve muito tempo para ficar de sem fazer nada trocando seu peso de pé em pé olhando em volta.
O de cabelos castanho-avermelhados Trowa acabou tendo o sobrenome de "Barton". Deu um leve balançar de ombros e algo próximo com um sorriso antes de deixar Quatre na fila até o final.
O loiro finalmente ouviu seu nome e fez seu caminho até a frente para receber suas tarefas. Quando um tenente entediado lhe entregou os papéis, captou a voz do capitão Chang agitada.
"Por que está faltando duas pessoas da lista?"
"Não sei, senhor. Devo checar com o diretor?"
"Claro! Veja se sabe onde Maxwell e Yuy estão. Odeio sequer sonhar que temos dois fugitivos no primeiro dia!"
"Hum, senhor?" Quatre se manifestou, pegando seus papéis e se virando para o capitão.
"O quê?" reclamou Chang, franzindo o cenho profundamente.
"Maxwell está na enfermaria, senhor."
Os olhos escuros se fixaram em Quatre e um pouco da impaciência do capitão se dissipou. "A enfermaria? Por quê? Ele ficou enjoado com a viagem ou algo assim?"
"Hum... o diretor o usou para demonstrar as defesas do perímetro, senhor" Quatre informou com um leve desagrado.
O capitão lançou um olhar inquisidor para um de seus tenentes.
"Ah, as tornozeleiras, senhor" a resposta foi apressada. "Qualquer um que chegue muito perto da cerca leva um choque."
As sobrancelhas do capitão se ergueram. "Severo o suficiente para causar dano?"
"Pelo que os guardas me falaram, pode derrubar um homem por até meia hora."
A expressão do capitão Chang escureceu. "E estão usando isto em crianças?"
"Já estava aqui quando o lugar foi renovado" o homem deu de ombros.
"Bem, talvez possamos ver se conseguimos remover" murmurou o oficial chinês. Voltou-se para Quatre. "E Yuy?"
"Não sei" encolheu-se. "Só conheci Duo na fila. Tirando ele e Trowa, não sei outros nomes."
O capitão assentiu com a cabeça. "Obrigado pela informação-?" encarou Quatre em expectativa.
"Oh, hum, sou Quatre Winner... senhor."
"Winner, é?" os olhos do capitão se acenderam em reconhecimento e um pouco de surpresa. "Da família Winner? L4?"
"Sim, senhor" Quatre suspirou.
Chang o observou por um momento e então fez um movimento com a cabeça, dispensando-o. "Obrigado pela informação sobre Maxwell, recruta Winner. Pode ir para seu alojamento e se acomodar."
"Sim senhor."
Quatre se apressou, soltando um suspiro de alívio assim que esteve fora da vista do soldado de aparência severa. Olhando o mapa, viu seu alojamento estar designado por um 'G' e se situar no fim da fileira de pequenas casas e perto dos chuveiros comunais, portanto seguiu nessa direção.
Ao entrar, recebeu uma agradável surpresa. O rapaz de nome Trowa Barton estava ali, jogando um lençol na cama de cima de um beliche.
"Hei, nos encontramos de novo!" Quatre disse alegremente, sentindo um imenso alívio por conhecer um de seus colegas de quarto.
Trowa cumprimentou com um manear de cabeça, ocupado em arrumar a cama. "Ninguém mais está aqui, então pode escolher a cama que quiser. Tem mais uma de cima e mais duas em baixo para escolher."
"Eu prefiro ficar mais perto do chão" Quatre cofessou. "Acho que vou pegar a cama debaixo da sua." Sorriu cansado. "Vai que o colega que ocupa a outra cama de cima é um grandalhão, vou passar a noite toda esperando ser esmagado quando a armação quebrar."
Trowa riu, mas baixinho, quase um som reprimido, como se não o deixasse escapar normalmente. "Tudo bem pra mim."
Quatre encontrou seu armário e tirou um lençol, travesseiro e cobertor e foi fazer sua cama. "Onde acha que o resto do nosso time está?" perguntou, olhando de relance para as duas camas vazias no outro lado do quarto.
"Perdidos?" Trowa se aventurou, terminando sua tarefa. Subiu em sua cama e cuidadosamente testou seu conforto. Pelo modo em que ele se esticou e fechou os olhos, Quatre percebeu que a conversa estava encerrada.
"Capitão Chang estava procurando duas pessoas na chamada" Quatre acrescentou, quase para si mesmo. "Talvez sejam nossos colegas de quarto." Sorriu ao realizar que isso significaria Duo estar em seu time. Logo em seguida veio uma torrente de culpa. "O diretor não precisava ter ido tão longe com Maxwell para provar seu ponto" falou com nervosismo.
"Não, não precisava" Trowa respondeu com indiferença, claramente sem interesse em continuar essa conversa.
O loiro terminou de arrumar sua cama e, por prevensão, arrumou as outras duas desocupadas; caso seus companheiros chegassem atrasados, estariam gratos por ter algo a menos para fazer. Após ter acabado, seguiu o exemplo de Trowa e se deitou para analisar o mapa e o horário.
"Wow... artes marciais? Educação física... história militar... táticas de batalha com suits... estratégias de guerra..." sorriu de leve. Xadrez era seu jogo favorito e qualquer coisa que envolvesse estratégia e tática era sua praia. Talvez pudesse ganhar algo dessa 'punição' no final das contas.
Continua...
*Ginástica calistênica: são exercícios diários, geralmente matinais para dar vigor (e beleza física). Aqui, no Campo de Treinamento (e no exército em geral), os exercícios são militares nada leves nem apenas alongamentos, mas verdadeiros treinamentos que serão vistos nos capítulos seguintes. Usarei o termo "calistenia" como no original para diferenciar das aulas e outros exercícios que eles terão além do diário/matinal.
Agradecimentos da tradutora:
Obrigada Keiko Maxwell pelo comentário e já arrumei a frase estranha. Essa fic não foi postada – traduzida – em nenhum outro site (por mim pelo menos) então se já leu outra igual deve ser a original em inglês (ou uma com o tema parecido?), mas ouvi rumores de que a estavam traduzindo para o espanhol também.
Dark Wolf 03, que bom que ficou com água na boca! Espero que goste da história. O site está em andamento, não se preocupe! Logo a Illy vai dar mais notícias sobre ele, enquanto isso continuaremos postando as traduções aqui. E muito obrigada pelo comentário, você fez a minha semana! Duo está mesmo numa fria, coitado, e por um tempo as coisas só parecem piorar pra ele. Sobre suas perguntas, espere e verá, mas acredite, nada tão drástico como torturas e lavagem cerebral (dependendo do ponto de vista...), afinal, capitão Chang está com eles. E acho que esse capítulo responde sobre os rapazes com Quatre, e não, não eram Trowa e Heero, aparentemente, são da mesma prisão dele, mas nada tema, tudo será explicado. Aguarde mais capítulos, eles estão chegando!
