CAPÍTULO III - Face à face com a morte

Porto Alegre, mesma data, 7 horas da manhã

Estava dormindo até que fui acordado pela campainha. Com os olhos inchados observei pelo olho mágico, era Mime, provavelmente atrás de respostas.

- Sim. - Atendi o rapaz com a maior cara de sono e de pijama.

- Ola Kamus... desculpe não queria incomodar, nem sabia que você poderia estar dormindo. Volto outra hora.

- Espere! Por favor, entre. - Fiz sinal para que entrasse. - Sente-se, volto em dois minutos. Café?

- Não, obrigado, acabei de tomar o meu em casa.

- Você veio saber da sua irmã, não é?

- Sim, alguma pista?

- Eu fui investigar na Boate Athenas e a única coisa que consegui como pista foi a ida de Hagen, que ficou no bar durante uma hora.

- Hagen? Mas você sabe como ele é?

- Sim, há uma foto de Freya recortada no quarto, e como averigüei a lixeira do quarto, vi a outra parte da foto na qual estava ele. Levei-a comigo para mostrar aos vigias da boate. Mas Freya não apareceu.

- Meu Deus! O que acontecera com a minha irmã? - Mime fica desolado batendo nas paredes.

- Calma, rapaz. Sua irmã vai aparecer, eu lhe garanto. Farei de tudo pra trazê-la pra casa. - Falei em um tom mais sentimental.

- Com essas palavras, tenho certeza que é o homem certo para essa ocasião.

- O que você quer dizer? - Acabei me embaraçando, talvez Mime tenha notado algo estranho no meu modo de falar. Também achei estranho, nunca falei assim com tanto ímpeto. O que será que está acontecendo comigo?

- E então qual é seu próximo passo? - Decidiu desconversar, mas me olhava zombeteiramente.

- Irei atrás de Giancarlo Rossi, segundo Hilda, ele a procurou para levar Freya à Milão.

- Ele está novamente aqui em Porto Alegre?

- Pelo que li nos jornais, ele viria procurar mais alguns talentos para mandar para a Itália.

- E você sabe aonde encontrá-lo?

- Sei sim, aliás, eu e Giancarlo somos amigos. - Menti ao rapaz, não queria que ele pensasse que sua irmã poderia ser uma das novas garotas do Máscara da Morte.

- Então quanto a isso, não vou me preocupar. Sabe Kamus, a cada vez que converso com você mais tenho a certeza de que você é um cara de bem.

- Fico feliz, Mime. Assim podemos nos tornar bons amigos.

- Kamus, deixarei você descansar mais um pouco.

- Está certo, eu lhe acompanho até a porta. - Levei-o até a porta e voltei a dormir.

Realmente me sinto estranho quando falo nela, nunca tinha acontecido isso comigo. Até peguei outra foto escondida de Mime, quando estavamos a procurar alguma pista no quarto de Freya. A foto não é muito chamativa, mas ela está lá com um sorriso espontâneo, com maquiagem nem tão exagerada quanto as outras que haviam no quarto. Na foto, Freya não está em poses sensuais, era uma foto tirada somente de perfil; não havia aquela expressão de modelo, era uma expressão simples, mais humana do que aquelas provocantes e chamativas que estavam por toda a casa. Gostei muito da foto e decidi trazê-la comigo. Será que eu? Não! Não posso sentir isso por uma pessoa que nem sei se está viva. Não! E se estiver morta? Não! Freya não tinha inimigos, aliás, quem seria louco de ser inimigo desse lindo sorriso? Não posso cultivar esse sentimento dentro de mim. Como eu poderei viver, na frente da casa dela, se não quero cultivar isso? São perguntas que eu não posso me responder agora, pois primeiro tenho de saber se ela está ao menos viva. Droga! Não posso me envolver sentimentalmente com mulheres. Se Aiória volta... e eu estiver com ela, seremos presas fáceis para o "Leão".


21 horas e 50 minutos, mesmo dia e mesma cidade

Bairro Floresta, nem tão distante da Athenas mas em uma rua mais tranquila do bairro ficava a Siciliana, a casa era muito mais discreta do que as que se situavam na avenida Farrapos, era uma mansão antiga sem anúncios, só se entra lá com trajes apropriados, nada que um terno e gravata não resolva. E lá fomos eu e Miro.

- Miro, já que você certamente vai desaparecer pra ver as garotas, quero que averigue pra mim se Freya não está por lá.

- Deixa comigo, chefinho! - Estralou os dedos e foi pra perto da moça que dançava no cano. Moça!? Era um...

- Miro, espera! - Aff, nem me ouviu, mas cedo ou tarde ele vai ver...

Então decidi ir atrás do que realmente fui buscar. Logo achei um homem gigante de terno e gravata com riscos de giz e chapéu, certamente era um dos capangas de Máscara da Morte.

- Err... com licensa. - Cutuquei o homem.

- Sim?

- Você por acaso trabalha para o senhor Maschera?

- Trabalho sim. Algum problema, amico?

- Não, na verdade eu gostaria de falar com ele, ele está por aí?

- Bem, eu posso ver. Logo retorno, porque não se senta no bar enquanto eu vou verificar.

- Boa idéia. Obrigado. - Fui ao bar e sabia que Máscara da Morte estava no recinto, aliás, estava na mesa do cantão da boate, cercado por dois de seus capangas. Fumavam charutos, bebiam whisky e falavam em italiano.


Agora, eu, Miro assumo a narração, já que o Kamus só fica de bobeira lá no bar e não aproveita essa vida de detetive.

- Err, oi. Com licensa... Uau! - Arregalei os olhos quando vi aquela moça olhando pra mim. Ela era magrinha, parecendo aquelas ninfetinhas bem clarinhas.

- Sim? Uau! Nossa que pedaço de mau caminho! - O bom é que ela também me achou bonito. Normal, ainda bem que eu tenho esse dom.

- Oi gatinha, tudo bem? Meu nome é Miro Rosales.

- E eu sou Afrodite.

- Como a deusa, tem um rosto muito bonito.

- Uhuhuhuhu... bondade a sua. - Sorriu.

- Você é que estava lá agora pouco dançando?

- Sim.

- Ah, que pena que eu peguei no final.

- Não importa, por que não vamos lá para o camarim? A moça que está se apresentando saiu de lá e as minhas outras amigas foram embora. - O QUE!? Ela está me convidando assim na maior. AH!!! Finalmente vou tirar meu atraso! E com uma ninfetinha. Ser investigador e ir para essas "casas" tem as suas vantagens.

- Cla-claro! Mas antes... - Ela me olhou seriamente. - Gostaria de saber se não viu uma menina loira, olhos esverdeados chamada Freya?

- Hum, é sua namorada? - se desapontou quando me perguntava.

- Não! Não! Eu sou investigador! - Na verdade auxiliar, né? Mas o que custa se promover pra pegar mulher, hein?

- Bem, respondendo a sua pergunta. Nunca ouvi falar de nenhuma Freya, só aquela garota bonita que está estampada na maioria dos outdoors da cidade.

- É ela mesmo! Então ela nunca esteve por aqui? Tem certeza?

- Não. Nunca a vi por aqui. - Me respondeu seriamente.

- Deixa eu anotar aqui... Ei! Calma! - Me puxou pela mão e me levou para o camarim.


Agora, eu, Kamus, assumo de novo, espero só dividir esse capítulo com você, garoto. Estava eu sentado no bar esperando ser chamado pelo capanga do Máscara da Morte. Acompanhei do bar a sua ida até o seu chefe, Maschera certamente não iria recusar uma visita, mesmo sendo policial, se descobrisse ou subornaria, ou o mataria.

- Moço, o senhor Maschera lhe espera. Vou lhe acompanhar. - E me levou até a mesa do mafioso.

- Senhor Maschera, esse é o homem que veio procurá-lo.

- Sente-se, per favore. - O mafioso foi cordial. - Ancora, grazze Aldebaran. - Pedindo para o gigante sair dali. - Dante, Shura vocês também.

- Obrigado, senhor Maschera por me receber.


Antes de continuar, melhor passar os dossiês dos mafiosos italianos.

Nome: Carlo Mephisto Maschera, mais conhecido como "Máscara da Morte"

Idade: 34 anos

Nacionalidade: Italiana

Profissão: Líder da máfia italiana em Porto Alegre.

História: Carlo Mephisto Maschera é natural de Napoli, Itália. Ingressou na máfia com 17 anos por gosto próprio. Se tornou um grande assassino, sendo conhecido pelos mafiosos como "Maschera della Muorte", logo após ser temido por toda a cidade, Maschera matou seu chefe e se tornou senhor da máfia. Como assassinou um membro da família de um político de grande influência, Maschera se mandou da Itália e decidiu vir para o Brasil e escolheu Porto Alegre para viver. Aqui montou sua própria máfia e sua casa noturna. É casado com Gina Cobretti Maschera, que atua como vedette na sua casa, mas não faz programas.

Nome: Aldebaran dal Toro

Idade: 29 anos

Nacionalidade: Brasileira/Italiana, pela descendência

Profissão: Capanga de Máscara da Morte

História: Aldebaran é descendente de italianos mas nasceu em Bento Gonçalves, cidade da serra do Rio Grande do Sul. Desde cedo teve grande estatura e porte robusto. Conhecido como "Touro" Aldebaran, conheceu Shura em um torneio de atividades campeiras, aonde Shura concorreu nas modalidades de Briga de Facas e Arremesso de Facas, e Aldebaran competiu na modalidade de laçar animais, já que obtinha grande força e se tornaram grandes amigos desde então. Logo ele e Shura decidiram ir para a capital para se firmarem na vida, por sorte ou por azar pegaram um emprego de guarda-costas, recebram ternos e ganhavam muito bem, logo souberam que haviam entrado na máfia e por assim acabaram ficando. Aldebaran apesar do tamanho e de trabalhar pra máfia, não é um cara malvado. Geralmente Máscara da Morte o utiliza apenas para assustar aqueles que cruzam seu caminho.

Nome: Shura Castañeda Cabrini

Idade: 27 anos

Nacionalidade: Brasileira/Italiana, pela descendência

Profissão: Capanga de Máscara da Morte

História: Shura nasceu em Encruzilhada do Sul, sendo descendente de italianos e de espanhóis. Em sua cidade era conhecido como o "Rei do Corte" devido as suas habilidades com facas e outras armas cortantes. Conheceu Aldebaran em uma competição campeira e se tornaram grandes amigos, tanto que quando Shura foi para a capital convidou Aldebaran para ir com ele. Entraram numa fria em um emprego de guarda-costas, mas Shura logo se adaptou por ser brigão e ter certos institntos assassinos, o que o faz o principal assassino de Máscara da Morte.

Nome: Dante di Canio

Idade: 29 anos

Nacionalidade: Italiana

Profissão: Capanga de Máscara da Morte

História: Dante nasceu em Napoli, sendo o único integrante da máfia original de Máscara da Morte. Dante é o mais explosivo dos capangas de Máscara da Morte. Era tido como o principal assassino do bando e tem a admiração de seu chefe, até Shura chegar e tomar o posto, o que gerou uma rivalidade entre os dois. Dante é especialista em torturar seus alvos até a morte, mas Máscara da Morte se agradou mais com a agilidade de Shura.


- Mas me diga, qual o motivo de vir me procurar, signore... - Interrogou.

- Liverault, Kamus Liverault. Investigador particular.

- Ah é francês, ahn?

- Sim, e respondendo a sua pergunta vim lhe perguntar se conhece essa moça.- Empurrei-lhe a foto de Freya.

- Hum... Si! É Freya Morais, estive falando com sua irmã faz algum tempo. Mas nunca mais a vi.

- Tem certeza?

- Si! Io non sou de mentir.

- Houvi dizer que Giancarlo Rossi trabalha pra você, e segundo a irmã de Freya ele procurou a recentemente.

- Giancarlo Rossi lavora per me. Ma stá na Itália. - Não revelou ser seu pseudônimo. Decidiu jogar o mesmo jogo que eu. - Ma que parte da França você é? - Mudou de assunto.

- Fontainebleau.

- Ah perto de Paris.


Agora é só abobrinha entre o Kamus e o Máscara da Morte. Voltando ao meu "trabalho". Estava eu e Afrodite na porta do camarim até que ela me empurrou para dentro, mas quando a vi de longe notei algo estranho, uma "ponta" em sua saia.

- Afrodite, o que é isso? - Perguntei de olhos esbugalhados.

- Ah não, agora não! - Se desesperou. Foi aí que me liguei.

- Então, você é ele!? E não ela? - Me afastei apavorado.

- Espera Mirinho...

- Sai pra lá, fui! - Sai dali e fechei a porta, assustado com que vi. Tava bom demais pra ser verdade!

Corri então por aquele corredor, até que me trombei com uma, ou um, não sei! Depois desse episódio, quero mais é ir embora. Alegria de pobre dura pouco.

- Ah, me desculpe. - A moça me pareceu assustada.

- Não foi nada. - Eu havia dito com medo.

- Aspetta. - Ela falou. Agora não poderia escapar. Mas ao reparar no conteúdo corporal, pude ver que a coisa havia mudado pra melhor, muuuito melhor. Tinha cabelos esverdeados, olhos pretos e um corpo irresistível.

- Sim. Posso fazer uma pergunta?

- Si.

- Você é mulher-mulher? Ou é travesti?

- Eu sou mulher, per che?

- É que na minha primeira visita quase acabei na cama com um travesti.

- Com Afrodite? - E começou a rir. - No, io non soi como ele.

- Perdão moça, até me esqueci de perguntar o seu nome.

- Gina e o seu?

- Miro, você é muito bonita Gina.

- Grazze. - Depois disso parti com tudo pra cima da moça, primeiramente tendo de apalpar certas partes pra ter a garantia de que era mulher. Confirmado, é mesmo mulher, e ainda italiana de melhor qualidade. Dessa vez a sorte está sorrindo pra mim. Deus ouviu minhas preces. Obrigado Senhor!


Eu não quero saber de suas aventuras, garoto. Enquanto papo vem e papo vai, Máscara da Morte começou a ficar preocupado com alguma coisa, pensei no início que era comigo, mas se até agora estou sentado conversando com ele, significava que estava tudo bem. Até que uma hora...

- Cáspita! - Deu um soco na mesa. - Aldebaran! Per favore encontre a minha esposa.

- O senhor é casado? - continuei.

- Si. Logo você conhecerá minha esposa.

Aldebaran não demora muito e vem acompanhado de uma moça muito bonita que fica em situação de vexame e Aldebaran segurando um rapazote pelo ombro.

- Ma che se passa!? - Máscara da Morte se irritou.

- Signore Maschera, encontrei esse moleque se esfregando na sua signora nos corredores.

- MA CHE!? - Ele estava irritado, agora estava a ponto de matar o rapaz. - Shura! Acabe com questo maledeto! - Quando prestei a atenção, não tinha dúvidas, era Miro, sobre o ombro do gigantão.

- Espere! Kamus! Kamus não deixa eles fazerem isso! - Vi um Miro desesperado. Eu não podia fazer nada.


Para aqueles que ainda não sabiam...

Nome: Gina "Shina" Vanolli Maschera

Idade: 26 anos

Nacionalidade: Italiana

Profissão: Vedette da casa noturna de Máscara da Morte e sua esposa.

História: Gina nasceu na ilha da Sicilia na Italia, e com 12 anos sua família se mudou para Napoli e lá conheceu aquele que viria a ser seu futuro marido, Carlo Mephisto Maschera, aos 16 anos. Casou-se com 19 anos com o mafioso, não sabendo que era um mafioso. Com a morte de um rapaz, membro de uma família de políticos influentes, Gina veio junto com seu marido para Porto Alegre. Ao chegar, e pela beleza da moça, os novos capangas de Máscara da Morte à apelidaram de "Shina", apesar de que no sul, uma china significa ser uma prostituta, ao longo do tempo quando Shina fazia seus shows seminua, o apelido ganhou fama e muitos vão ao recinto de Máscara da Morte para apreciar a beleza de sua ragazza. Shina não faz programas e quem tentar flertá-la, tem seu destino definido pelo marido dela.


- Kamus, conhece questo maledeto? - Máscara da Morte me perguntou rangendo os dentes.

- Não, nunca o vi. - Fechei os olhos friamente.

- Como não! Eu sou seu auxiliar.

- Como, tuo auxiliar!?

- Signore, ancora me lembrei, questo uomo che stá parlando con te foi o investigador che foi pego com a mulher de Aioria Giannakos! - Dante se manifestou.

- MA CHE!? Então tu trás teu auxiliar pra mostrar pra ele como se pega mulher de mafioso!? Dante acabe com ele!

Então tivemos que lutar. Acertei um chute em Dante que me cercava, Shura veio e lhe acertei um soco na cara. Mas Miro era segurado por Aldebaran e não conseguia se desvencilhar do grandalhão, então pensei...

- Olha lá o travesti transando com um cara na pista de striptease. - Indiquei com o dedo.

- Aonde! Aonde! - Aldebaran olho para os lados.

- Aqui! - Acertei um soco na cara dele.

- Quanto maior, maior é o tombo! - Miro falou em tom de deboche.

- Levantem seus covardes! Vamos! - Máscara da Morte gritava, já que não poderia dar conta de mim e de Miro.

- Ah, cala a boca! - Miro acertou o mafioso.

- Ai! Dio Santo! - Shina falava apavorada.

- Aldebaran, chame os rapazes e vão atrás desses maledetos bastardos! – Gritou Maschera.

- Si! Signori!


Saímos correndo dali. Nem olhamos pra trás. Corremos até o Centro da cidade que era o bairro vizinho e seria difícil de nos acharem ali entre os mendigos que dormiam entre as diversas ruas.

- Miro, você é louco!? - Paramos ofegantes entre o cais do porto.

- Louco eu? Por que?

- Acertou um soco na cara de um mafioso!

- Bom de um jeito ou de outro já estou marcado por ele.

- Eu não teria feito melhor.

- Valeu Kamus.

Foi então que ouvimos um carro cantando pneu e vindo em nossa direção.

- São eles?

- Sim, Miro.

- E o que vamos fazer?

- Correr não é a melhor solução.

- Então vamos pular esse muro.

- Aff... não há outra alternativa. - Pulamos os dois enquanto ouvíamos tiros de metralhadoras.

- UHUU!!! Estamos salvos! - Miro comemorava.

- Acho que não. - respondi rispidamente enquanto ouvia estalos de armas de porte.

- Muuito bem. Soldados! Levem-nos á sala de interrogação! - Respondeu um cara esquisito em trajes militares, li em seu uniforme: "Ten. Jamian".

Fomos levados até uma sala sem janelas, provavelmente uma sala dos tempos da ditadura militar, mas não estava temeroso pois isso havia acabado há quase três décadas. Nos amarraram um de costas pro outro em duas cadeiras. Jamian chegou numa postura de todo poderoso e começou o interrogatório.

- Boa noite senhores. Eu sou o tenente Jamian Cuervo e vocês dois entraram em área militar sem permissão.

- Sério? Não sabia que milico andava de fuzil por aí cercando os outros na rua. - Miro respondeu irônico.

- Ora! CAAALEE-SEEE! Deixa eu terminar! Bem, como eu estava dizendo... como vocês entraram em área restrita e sem permissão vou deixá-los em cárcere por uma semana. Agora, quem são vocês? Deixa eu ver as identidades... Kamus Liverault... francês... Espere!? O que você está fazendo aqui espião francês?

- Eu não sou espião.

- Quieto! E responda a minha pergunta! - Fiquei calado de propósito. - Vamos responda!

- Você pediu que eu me calasse.

- VOCÊS ACHAM QUE EU TENHO CARA DE PALHAAÇO!!! - Nesse instante me segurei para não rir, ele tinha mesmo uma cara engraçada, e quando aumentava o tom da voz ficava ainda mais engraçado. Tenho certeza que Miro e os soldados ficaram em silêncio para não rir do pobre homem. - Fala diabo! O que faz aqui!?

- Ei! Sua mãe nunca lhe ensinou que quando se fala essa palavra se bate três vezes na madeira?

- E você, senhor... Miro Rosales...

- Espere, repita o nome senhor. - Um dos guardas se manifestou.

- Miro Rosales.

- De onde?

- Hum... São Miguel das Missões.

- Miro! - Então o recruta se aproximou do meu auxiliar.

- Baian! Cara! Quanto tempo! – Miro reconheceu um dos recrutas.

- Soldado Baian, conhece esse insolente?

- Sim senhor. Miro é meu amigo de infância lá de São Miguel. Miro, responda para eu poder livrá-lo daqui: o que vocês vieram fazer em área militar?

- Senhor Jamian, na verdade estamos fugindo dos mafiosos italianos. - Eu respondi.

- Mafiosos italianos!? E desde quando meu quartel é lugar de refúgio pra quem entra em confusões com a máfia italiana!? – Jamian reclamou.

- Era o único lugar que tínhamos para escapar, tenente. Foi assim, ou então achariam corpos metralhados há poucos metros do quartel. - Continuei.

- Muito bem. Então depois disso vou liberá-los. Só porque o recruta Baian lhe reconheceu. Não me interessa saber porque estão fugindo da máfia, logo porque eles podem querer confusão por aqui. Mas se uma próxima vez vocês inventarem algo em meu quartel, nem Baian os salvará de mim. UAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUA!!!

Então saímos pela porta da frente, estávamos caminhando entre a Rua dos Andradas e a Praça da Alfândega em plena madrugada quando fomos cercados.

- Homens, ataquem! - Ordenou Aldebaran aos capangas.

- Ih, é hoje... - Miro suspirou.

Vieram quatro capangas para cima e mim e de Miro. Cada um acabou com dois.

- Caronte! Rock! Jango! Raimi! - Aldebaran se desespera.

- Ué só isso! Pensava que a máfia era um grupo maior. - Disse Miro estalando os dedos.

- Grrr...! Niobe, Iwan, Valentine e Myu, ataquem!

Mais quatro que levaram desaforo pra casa.

- Sozinho Aldebaran? - debochei.

- Vocês vão me pagar! - Vindo em nossa direção.

- Olé! AI! - Aldebaran pegou Miro.

- Hahahaha... Agora eu quero ver você estalar os dedos. Quebrarei todos os seus ossos!

- KAMUS!!

- Pare de gritar feito uma mocinha garoto! Suporte a dor dos seus ossos quebrando.

Então resolvi abusar. Peguei minha Aurora 323 e acertei o braço de Aldebaran que por reflexo teve de soltar Miro.

- Droga. - Disse rangendo os dentes.

- Se tem amor à sua vida, vá embora. Não quero matá-lo. Diga ao seu chefe que isso não passou de um mal entendido e que Miro pede desculpas.

- Se eu for embora o senhor Maschera me mata e aos rapazes também. Homens! Levantem-se! - Somente dois conseguiram se levantar, os chamados Rock e Iwan, que eram tão grandes quanto Aldebaran. Os outros bem que tentaram, mas devido aos machucados voltaram ao chão. - Iwan e Rock ataquem!

- E agora chefinho?

- Corra!

Então corremos, e eles atrás de nós. Decidi então aproveitar e ver se estava bom de mira, confesso que não uso a minha arma há muito tempo. Acertei uma das canelas de Iwan, Rock logo sacou a sua arma, mas fui mais rápido que ele atirando em sua perna esquerda. E peguei o celular.

- Kamus pra quem está ligando?

- Espere. - Interrompi. - Sendo caçado, Voluntários da Pátria, imediatamente! - Desliguei. - Vamos, podemos ir enfim em passos devagares.

- Voluntários da Pátria, como assim se nós estamos na esquina do Gaston?

- Vamos até lá, um dos meus informantes irá nos buscar.


Então fomos até o início da avenida que fica na esquina com a Marechal Floriano, a rua coberta pela neblina do inverno.

- Acha que estamos seguros Kamus?

- Tenho certeza, aqui está deserto e com essa neblina ninguém irá nos encontrar.

- O que você acha que aconteceu com Aldebaran e com os outros capangas de Máscara da Morte?

- Estão todos quebrados depois de lutarem conosco. Os únicos que se aguentaram em pé estão feridos e mal podem caminhar. Aldebaran terá de prestar contas à seu chefe.

Centro de Porto Alegre, 25 de maio, faltando 15 minutos para as 4 da madrugada.

E enfim surge na neblina um táxi.

- TÁXI!

- Calma, Miro ele vai parar. É meu informante.

- Kamus! Você me chama ás quatro horas da madrugada e não estou vendo nada de caça por aqui!

- Calma Kasa, no caminho eu te explico. Só preciso que você nos leve daqui antes que sejamos surpreendidos pela máfia italiana.

- O que!? Você andou aprontando com Máscara da Morte?

- No caminho eu explico, agora nos leve para o meu escritório.

- Tá certo, mas vou cobrar.

- Sem problemas. - Respondi.


No caminho pro escritório, contei à Kasa sobre o motivo de sermos perseguidos pela máfia italiana. Voltamos ao nosso "QG", que fica mais ou menos de carro uns 15 minutos do centro da cidade. Sentei na minha mesa e deu um longo suspiro.

- Você está suspirando por que Kamus? - Miro perguntou.

- Esse caso está ficando cada vez mais cheio de nós para desatar.

- O importante é que você escapou cara. - Respondeu Kasa. - E por mais nós que esse caso tenha, aos poucos a coisa se desata ou talvez um nó quem sabe desate todos os outros.

- Talvez você tenha razão Kasa. - suspirei mais uma vez. Todas as vezes que estava resolvendo um caso foi na frieza. Mas dessa vez é diferente, não sei dizer o que está acontecendo, me sinto estranho, diferente.

- Ué Kamus, você nunca foi de suspirar desse jeito? Desde que começou esse caso você está esquisito. - Miro rebateu.

- Devo estar precisando de umas férias isso sim. - Menti.

- Kamus Liverault, de férias? - Kasa ironizou. Sempre estive atolado de casos e sempre me dediquei a resolve-los, entendi o que ele quis dizer. Mas não sairia agora, já que me sinto com interessado no caso apesar dessa dificuldade.

- Bom... Mas antes devo resolver esse caso, nunca fui de deixar caso pela metade. O duro vai ser dizer para os irmãos de Freya amanhã.

- Vai chamá-los aqui?

- Terei de relatar à eles.

- A conversa tá boa, mas eu já vou indo. Até mais Kamus, Miro.

- Boa noite, Kasa.

- Valeu pela carona.

Logo também fui pra casa para descansar. E para cedo convocar os Morais ao meu escritório.


Bom mais um capítulo, postado... Vou deixar para terminar a fic no decorrer da semana, enquanto isso vou postando os capítulos. Fico feliz pelos reviews, tentarei responder o mais rápido que puder, só que agora tô saindo de casa pra comemorar o Ano Novo. Feliz Ano Novo à todos, com muitas felicidades. Continuem lendo e mandando reviews.