O universo já não tinha qualquer mistério para ele… Ele era o seu dono
O universo já não tinha qualquer mistério para ele… Ele era o seu dono!
Ate que um dia, na sua ânsia desmedida, encontrou algo que ainda não possuía. Num recanto do Universo, um pequeno conjunto de planetas permanecia livre, intocado...Pronto para ser seu!
Foi o brilho daqueles planetas que o atraiu; nunca encontrara nada igual. E sentiu-se de imediato seduzido, desesperado para possuir todo aquele brilho, aquele poder.
E então descobriu a sua fonte.
E todos os seus desejos se uniram num só! Já não desejava aqueles planetas; meras sombras quando comparados com aquela luz.
Queria a sua fonte. Queria-a a ela!
- És minha
-Quem está ai?
Bunny olhou para todo o lado. Nada. O seu quarto estava vazio.
-Mostra-te cobarde!
Então uma sonora gargalhada eclodiu. Era sinistra, cruel. Ela conseguiu perceber isso pelo som; e também pelo frio que sentiu.
-Ora… Não te lembras de mim, meu amor?
-Meu amor!? Mas quem tu pensas que és? – Uma dúvida aterradora surgiu no seu congestionado cérebro – Diamante?
Então sentiu-se sufocar. Uma mão invisível apertava o seu pescoço, cortando o ar tão necessário.
-NUNCA! – Disse o desconhecido com uma voz tão negra quando o ódio que sentia – voltes a pronunciar esse nome!
Bunny tentou responder, perguntar o porquê daquele ódio… seria ele Diamante? Ou alguém infinitamente pior?
Estava prestes a perder a consciência…
-Saberás quem sou…- sentiu o bafo da voz na sua bochecha e arrepiou-se de desagrado, de nojo – Brevemente…
Não conseguia resistir mais…Precisava de ar, de respirar! Estava prestes a deixar-se levar para a escuridão, quando ouviu um suspiro quase doce, surpreendendo-se.
-Hora de acordares Navegante da Lua…
Acordou como um afogado que regressa a vida. Os seus pulmões dilatavam–se para recuperar o ar perdido; respirava mais depressa, ofegante, desesperada para voltar à vida que quase perdera. Não pensava no que acontecera, sonho ou realidade, apenas tinha a esperança que ele não voltasse; aquela dor, aquele medo.
Olhou em volta. Era de madrugada. O sol ainda nem sequer nascera. O seu quarto estava na mesma, nada de anormal. Não sentiu qualquer presença e respirou de alívio. Então a sua mente voltou àquele sonho. Teria-o sido? A falta de ar que sentia, a dor na garganta, o desespero fora real.
Precisava de falar com as meninas e com o Gonçalo, eles tinham de saber que um novo inimigo surgira! Mas como explicar-lhes? Que tinha sonhado? Se nem ela própria sabia… lembrava-se de no seu sonho acordar com o despertador, e então ele apareceu… Mas se fora um sonho porque acordara com tanta falta de ar? E então lembrou-se das palavras dele:
Hora de acordares Navegante da Lua…
Ele sabia quem ela era, a sua verdadeira identidade. Saberia a das outras navegantes? O medo acercou-se dela e correu para a gaveta da cómoda onde guardava o intercomunicador. Nunca mais os tinham usado desde a vitória sobre a Galáxia, mas um novo inimigo surgira e era necessário.
Quando tentou falar percebeu que a voz estava muito fraca devido à dor de garganta e então com muito esforço disse apenas numa voz débil:
-Reunião no Hikawa. Urgente.
-Vou matá-la! É sábado! – Rita estava a ameaçar Bunny desde que tinha acordado com o som do intercomunicador. – Mas que raio lhe deu na cabeça para nos chamar aqui de madrugada?! O sol acabou de nascer!
-Calma Rita! – Dizia Ami desde que chegara. Acalmar Rita logo de manha era uma tarefa árdua – Se ela nos chamou é porque tem alguma razão!
-Sim! Uma razão válida para eu a matar!
Maria e Joana olhavam divertidas para as duas enquanto tentavam acordar com uma boa chávena de café.
Ouviram um barulho e quando olharam para a porta viram Haruka, Mariana e Octávia.
-Bom dia! – Disse docemente Mariana
Octávia correu para as meninas e abraçou-as com genuína alegria
-Vês Rita? Devias ser como a Octávia! – Disse Maria divertida
-Eu digo te o que eu deveria…
Foi interrompida por um bom dia mais sério.
-Oh, Bom dia Gonçalo. – Disse Joana – Como soubeste da reunião?
-A Bunny mandou-se uma mensagem, disse que nos encontraríamos aqui.
-Oh claro! Todas para a casa da Rita! Ela nem precisa de dormir bem nem nada, quer dizer ela…
-Oh Rita vá lá, tu apenas fizeste o café, quem trouxe o pequeno-almoço fui eu – disse Maria
-Pois, só tinhas mesmo era de trazer, tu é que és a cozinheira ora essa!
-Eu? Mas que…
-Mas será que elas nunca mudam? – Perguntou uma Haruka carrancuda a uma divertida Mariana – Queixam-se que não dormiram mas estão ali a discutir como se não houvesse amanhã!
E então, farta de discutir com Maria, Rita voltou a sua fúria novamente para Bunny, que como sempre, estava atrasada.
-Oh eu mato-a! Mato-a mesmo!
-Não seria a primeira vez que o tentam hoje.
Fim do capítulo III
