Disclaimer: Cavaleiros do Zodíaco não me pertence, infelizmente, pertence ao horrível desenhista do Masami Kurumada ...
Ah sim, o nome Carlo é de total autoria da Pipe, apenas estamos usando-o! xD
Resumo: Aparentemente, Star Hill School é um colégio comum (eu disse aparentemente). O que será que se esconde por trás desta máscara muito mal feita? MiroxKamus, MuxShaka, AfroditexMáscaradaMorte
Título: Star Hill School
Capítulo003 – A Tragédia de Miro
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Caía uma forte chuva naquela manhã, escurecendo toda a cidade e mantendo-a cinzenta e sem graça. Uma pessoa corria pelos corredores do colégio, atrás de alguma explicação plausível para tudo aquilo, afinal, não podia ser verdade, podia?
Ele chega a sala do diretor com um estrondo na porta, empurrando-a sem o menor jeito, gritando desesperadamente e pedindo a explicação do que ocorrera, o diretor Saga, gentilmente, porém com rapidez e eficácia explica tudo e Miro sai apressado do colégio...
O que diabos estava acontecendo com a sua vida e o que iria fazer de agora em diante?
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Mais um dia amanhecia e este, cruel e irônico, amanhecia ensolarado, convidativo e belo, como que zombeteiro e indiferente.
Miro chega calado no colégio, a cabeça baixa transparecia seu estado de espírito, e embora se esforçasse além da conta para não chorar, quem olhasse em seus olhos lia-o com absoluta e inocente transparência. Acaba assustando a todos que não sabiam do ocorrido, que murmuravam qualquer coisa antes de se afastarem, não querendo ficar tão próximos com a tristeza. Shaka se aproxima e senta ao lado do amigo, gentil e hesita um momento, incerto se seria certo dizer alguma coisa, mas acaba respirando fundo e indo em frente.
-Eu fiquei sabendo do que aconteceu e só quero que você saiba que eu estou aqui para o que der e vier... – Nisso encosta seu braço no ombro do moreno e esse apóia ali sua cabeça, deixa então algumas lágrimas rolarem, sem vergonha ou medo e Shaka o abraça, tentando reconfortá-lo. Mu chega e também dá seus pêsames ao conhecido, sentando por perto para caso sua ajuda fosse necessária.
Naquele dia, Miro foi embora mais cedo, sem se preocupar com mais nada e não é como se alguém ousasse falar alguma coisa a respeito, todos se sentiam compadecidos diante da situação dele...
Ficou o dia inteiro deitado na cama, pensando e chorando, não sentia a mínima vontade de se levantar, queria apenas ficar ali, ficar ali e sumir, matar sua dor e pesar como se mata um ser humano, esmagando sua cabeça sem nenhuma dúvida.
No dia que se seguiu, Miro compareceu às aulas regularmente, mas ainda calado, a falta de felicidade estampada em seu rosto, sempre cercado de seus verdadeiros amigos Shaka, Mu e Afrodite que lhe davam apoio, não importando a situação.
Quando já estava de partida depois da aula, lembrou-se que não tinha ido a detenção com Kamus e nem lhe dado satisfações, respira fundo ao pensar no assunto, mas o cubinho de gelo havia de ser compreensivo, ao menos naquela situação não? Foi em direção da sala de literatura arrastando os pés.
Chegou na porta e bateu de leve, ouvindo um "entra" muito mal-humorado e costumeiramente frio, desprovido de sentimento, entrou já esperando ouvir gritos, mas lembrou-se de que aquele professor era diferente, e o que encarou por um período que pareceu ser realmente longo foi o silêncio, Miro não sentia vontade de nem ao menos levantar o rosto para encara-lo.
-Mon Dieu! Por que resolveu me dar a honra de sua ilustre presença, senhor Takahashi? – Pergunta o homem que continuava sentado à mesa, o aluno tinha quase certeza, sem se dar sequer o trabalho de olha-lo.
-Ahn... – Arranja forças dentro de si para formar uma sentença depois de dois dias de silêncio total, mas a fraqueza ainda parecia domina-lo com sua força arrebatadora – Desculpe-me eu...Achei que devia--
-Você não me deve nada, vamos para as suas obrigações de hoje... – Dizendo isso, o professor se levanta, finalmente encarando o aluno, uma sobrancelha arqueada, desconfiado como de costume.
-Ahn, professor... – Sentia-se tremendamente confuso, seria possível que o ser a sua frente de fato não possuísse nenhuma espécie do chamado coração? Sente a raiva surgir dentro dele, devagar, passando-lhe forças – Na verdade, eu esperava que o senhor me liberasse...Afinal...
-Afinal? Pode falar senhor Takahashi, eu não mordo. – O homem continuava parado, encostado a mesa de madeira, imponente, de braços cruzados e expressão inescrutável.
-Tenho alguns assuntos pendentes a resolver... – Fala, soando muito semelhante ao homem a sua frente, totalmente frio, quase grosseiro – O senhor entende não--
-Seus assuntos particulares não me interessam senhor Takahashi – Dizia ele lançando um olhar gélido para Miro, interrompendo-o novamente, sem dar a ele a chance de se explicar.
-São assuntos urgentes e não são irrelevantes, diferentemente da sua detenção! – Tentava trazer a tona o assunto em questão, mas toda vez que tentava, esse travava em sua boca, morrendo por lá.
-Como ousa falar assim comigo? Ainda sou seu professor, seu delinqüente juvenil! Meça suas palavras antes de falar comigo. A sua mãe não te deu educação? – O francês parecia aos poucos perder a paciência, colocando a mão sobre as têmporas.
-Seu pedaço de gelo sem coração! Como ousa dizer uma coisa dessas justo agora? Você não tem sentimentos! – A raiva parecia domina-lo por inteiro e lágrimas escorriam de seus olhos, sem nenhuma espécie de filtro para segura-las, mas o rosto voltado para baixo parecia esconde-las.
-Mas afinal do que diabos você está falando? – O mais velho ganhava um tom levemente avermelhado no rosto, de irritadiço – Que eu saiba não disse nada de tão ofensivo assim pra que você fique tão agressivo comigo... – Mas então a surpresa o toma e ele arregala os olhos de maneira quase cômica – mas o que pensa que está fazendo? – exclama Kamus horrorizado ao perceber Miro partir pra cima dele com um olhar de ódio e fúria.
Em um gesto desesperado Kamus agarra Miro pelos pulsos, mas ainda totalmente pasmo acaba se desequilibrando e caindo no chão junto com Miro, por cima dele. Esse se remexe, nervosamente, até libertar-se.
Os dois começam a rolar no chão se estapeando, "como esse garoto é inconvenientemente forte!" pensa Kamus enquanto tenta impedir os safanões de Miro, desviando-se e tentando tomar o controle dos braços do menino. Finalmente consegue dominar o escorpiano, segurando seus pulsos no chão.
Kamus, com sua roupa desalinhada e com seus cabelos cor de esmeralda, jogados desordenadamente sobre o rosto de Miro, fala ofegante:
-O que diabos você pensa que está fazendo? – E é só então que o responsável do recinto percebe lágrimas rolando pelo rosto de Miro. Assustando-se, o aquariano imediatamente o solta e se senta ao lado de Miro, que estava deitado, agora com um braço cobrindo-lhe os olhos.
Alguns segundos se passam antes do mais novo sentar-se e num impulso abraça o professor, deixando-o estático, sem reação. Miro já não mais respondia por suas ações e, procurando por conforto quase desesperadamente, tomou os lábios de Kamus
Mas, diferentemente do que era o esperado, não houve recusa, e sim surpresa ao perceber que os lábios do outro eram tão doces e macios quanto ele pensava, Kamus abriu a boca num convite mudo, e Miro não pensou duas vezes em aceitar, as línguas disputando espaço no local tão pequeno.
Miro então se afasta um pouco e morde o lábio inferior de Kamus, fazendo este gemer baixinho, antes de voltarem a disputa de espaço, se beijaram por um longo tempo, as mãos caminhando pelos corpos desconhecidos, até que finalmente, ofegantes se separaram em busca de ar, deixando Miro desgostoso, enquanto ainda tentava se segurar no de cabelos petróleo, que se desvencilha, levantando-se.
-O que diabos foi isso, pelo amor de Zeus? – Parecia tão completamente surpreso que o rosto estava totalmente vermelho, contrastando com o cabelo escuro.
-Eu é que pergunto, afinal foi você quem começou tudo isso! – Fala rápido o aluno, com a respostinha na ponta da língua, sentindo-se extremamente melhor e mais leve.
-Eu quem comecei? Quem afinal pulou em cima de mim hein? – O homem parecia realmente nervoso enquanto andava de um lado para o outro do local pequeno, em círculos.
-Eu é que não fui! A culpa é toda sua! – Continua o que ainda estava sentado, com um leve sorriso no rosto, sem nem ao menos saber por quê.
Kamus simplesmente o ignora e sai da sala, tentando não pensar no que acabara de fazer, devia estar ficando louco! Agarrar um aluno daquele jeito, nada justificava aquilo! Miro muito inconformado por ter sido deixado falando com as paredes, o segue.
Miro estava quase alcançando o professor, quando foi interrompido por um decepcionado e histérico Dite, que aparentemente surgira do nada no meio do corredor, gesticulando rápido, coisas totalmente sem nexo aos ouvidos do moreno.
-Ele não gosta de mim! Ele me ignora! Ele é mau comigo, ele me odeia! O que eu faço Miro? Por favor, me dê uma luz, minha vida não tem sentido sem eeeelllllleeeeeeeeeeee!!!! Vô me jogar de uma ponte... – Afrodite sempre fora assim, todas as vezes que queria fazer alguém se sentir melhor falava de assuntos leves ou pessoais próprios com a pessoa, para distrai-la.
Mas agora Milo não precisava daquilo, tudo o que precisava era falar com aquele maldito professor! Respira fundo então antes de virar e dar total atenção ao amigo.
-Calma Dite, respira, o que aconteceu? – Diz, preocupado e levemente emburrado por ter sido interrompido no meio de sua jornada.
-O prof Carlo me ignora completamente! Eu faço de tudo pra chamar a atenção dele, mas não adianta! Ele não me ama! – O menor fazia gestos dramáticos enquanto falava, levando a mão ao peito toda hora.
-Dite, acho que você ta delirando... Você bebeu? – Estava achando graça naquilo, se o menino queria distrai-lo, estava conseguindo!
-Não! – Afrodite grita, ofendido – Álcool faz mal pra pele, não sabia?
Miro bate com a mão na cabeça, inconformado com o que acaba de ouvir, nunca cansava de se surpreender com o amigo a sua frente, tão diferente de todas as outras pessoas que conhecia. Abana um pouco a cabeça antes de voltar a ouvir o outro que agora falava tão rápido que o moreno não conseguia parecer entende-lo.
Mu aparece, virando um corredor e percebendo a saia-justa em que Miro se encontrava, vai a socorro do amigo.
-Miro, vem aqui um pouco, o Shaka precisa falar com você, urgentemente! – Enfatiza a última palavra, tentando ao máximo permanecer sério ao ver a cara de confusão total do moreno, que tentava decifrar o que o delicado Afrodite falava, e esse, quase arrancando os cabelos de tão nervoso que se encontrava.
-Ah tah, estou indo! – Miro se despede de Dite e ao passar por Mu murmura um obrigado sentido para este. Olha uma última vez para trás antes de ir, pensando na encrenca que o coitado ariano tinha arranjado para si mesmo, será que ele tinha percebido isso já?
E de fato, só Mu não tinha percebido a enrascada em que tinha ido parar, mas o grito agudo do menino a sua frente o acorda para a triste realidade.
-Muuuuuuuuuuuuuuu!!!!!! – Dite vem chorando pro seu lado, apoiando-se nele, os olhos grandes e implorativos.
-Sim Dite? – Pergunta Mu com uma gota na cabeça, sentia que ainda teria de ficar ali por muuuito tempo antes de poder ir para casa...
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Kamus corria pelos corredores, entrando na sala dos professores rapidamente, ofegante, tinha conseguido despistar Miro, mas tinha de ir embora rapidamente se não queria que esse o alcançasse. Separa seu material e já estava de saída quando encontra Saga, o diretor na porta, desligando o telefone celular.
-Ah, professor Sugisaki, já está de saída? – O sorriso sempre tão encantadoramente branco possuía algo de malicioso inerente, totalmente sinistro - Então liberou o senhor Takahashi da detenção devido sua situação?
-Que situação? – Pergunta Kamus erguendo uma sobrancelha como de costume, interrogativo.
-Você não está sabendo da morte de sua mãe? – Saga fala, totalmente pego de surpresa – Achei que todos os professores tinham sido avisados...
-Ela morreu? Quando? – Algo como uma terrível realização surgia no peito de Kamus, como pudera fazer aquilo com o coitado aluno!
-Por estes dias – Dá uma pausa, olhando as unhas – Pobre garoto, está muito abalado com isso, nós até andamos liberando ele mais cedo para casa esses dias... – O homem pára, voltando a olhar para as unhas.
Kamus percebe a maldosa mancada que havia dado, e se sentido culpado, com o coração pesado e ansioso no peito, se despede do diretor e vai embora.
O que iria fazer agora?
Continua!
