Inu no Taisho olhava para o papel a sua frente sem saber se ligava ou não. Depois de Midoriko não tinha se interessado por mulher alguma e estar com vontade ligar para Izayoi agora o deixava confuso.
-Papai? – olhou para Kagome e sorriu a chamando. Ela se sentou em seu colo. – Está viajando aí?
-Apenas pensando... – viu o olhar dela seguir o papel em suas mãos. O dobrou e colocou em cima da mesa.
-Naquela mulher do almoço de ontem?
-Curiosa você, hein? – ela riu.
-Fiquei surpresa quando a vi na mesa... Você nunca me apresentou mulher nenhuma que não trabalhasse com o senhor.
-E quem disse que ela não trabalha?
-Se trabalhasse você não a chamaria pra almoçar... – Inu riu, na duvida se Izayoi trabalhasse pra ele, continuaria na política de não misturar trabalho e vida pessoal.
-Certo, você me pegou...
-Nunca o vi interessado por ninguém...
-Nunca me interessei por ninguém.
-E a mãe de Sesshoumaru?
-O nosso casamento foi meio arranjado... Todos esperavam que a gente se casasse, então foi o que fizemos. Mas nem ela me amava, e nem eu a ela.
-Hum... Que triste. Por isso Sesshoumaru tem esse complexo.
-Complexo?
-Ele se sente o rejeitado... – Kagome riu, mas Inu não entendeu. Sesshoumaru era a única pessoa que sabia de Inuyasha. Será que tantos anos fissurado no filho morto, o tinham feito esquecer o filho vivo? – E então, vamos jantar?
-Vai indo querida,vou logo atrás... – ela assentiu e saiu.
Inu voltou a olhar o papel pegando o telefone... Fazia tanto tempo que não sentia algo assim, podia valer a pena.
...
-Alô? – Izayoi estava adiantando o almoço do dia seguinte quando ouviu Inuyasha atender o telefone. – Um momento. Mãe!
-Quem é?
-Não sei... Mas é homem. – Izayoi recebeu o telefone curiosa. Homem?
-Alô?
-Izayoi? – a mulher tremeu ao ouvir aquela voz. Saiu da sala indo pra cozinha.
-Sr. Taisho? O que quer?
-Desculpe ter usado o currículo que deixou aqui para ligar... Mas achei que depois do almoço eu poderia fazê-lo. – Izayoi fechou os olhos. O aquele homem queria?
-Sem problemas, mas... O que... Bem, me ligou por um motivo certo?
-Sim... Queria saber se não gostaria de almoçar comigo amanhã...
Ele a estava convidando para almoçar? Por que? Estava prestes a negar quando uma oportunidade apareceu em sua cabeça. Ficando amiga de Inu no Taisho poderia descobrir até onde ele estava envolvido na história da morte de Midoriko e até onde sabia de Inuyasha.
-Sabe que meu horário é curto...
-Pode ser o mesmo lugar e horário de ontem. – respirou fundo.
-Certo. Está marcado.
-Ótimo. Não vou mais tomar seu tempo. Até amanhã.
-Até...
Se apoiou na pia com o telefone na mão e o coração acelerado. Inuyasha tinha falado com pai... Apenas alguns segundos, mas haviam se falado.
-Mãe? – acordou olhando para Inuyasha – Quem era?
-Meu patrão...Avisando de um almoço amanhã.
-Hum... Vamos jantar? – ela assentiu respirando fundo.
...
-Você quer o que? Mas... Certo Kikyou... Que horas? Vou estar lá...
-O que foi?
-Kikyou quer que eu vá buscá-la no colégio... – Miroku riu do amigo – Ela é um pé no saco!
-Então larga o osso...
-E perder um sexo fácil? – os dois riram – Vou fazer um agrado, mas ela que não se acostume!
-Se não fosse ficar de vela ia com você... Tem cada gata naquele colégio!
-Tem mesmo...
-Cara,você fica muito estranho assim. – o hanyou girou os olhos, agora violetas.
-Outra coisa que me irrita ter que buscá-la.
-Mas ela já te viu assim?
-Não... Vai ser a primeira vez. – Miroku o olhou por um tempo.
-Hum... Outras coisas... Mudam quando você fica humano? – Inuyasha demorou um tempo até entender, estreitou os olhos.
-Isso não te interessa! – Miroku riu.
Inuyasha bufou pelo que seria a quinta vez. Kikyou estava meia hora atrasada e ele já teria ido embora se ela não tivesse ligado para ele esperá-la, que ela teria que terminar um trabalho.
-Eu não acredito! – ouviu a voz feminina e quase caiu ao reconhecer a garota que tinha visto no clube. Instantaneamente a imagem de seus seios apareceu em sua cabeça.
Ela segurava um celular na orelha, o rosto avermelhado pela raiva.
-Sesshoumaru me paga! – continuou andando de um lado para o outro, até tropeçar e deixar o livros e as folhas que estavam no braço cair. Xingou baixo e se abaixou para pegar. Inuyasha olhou para os lados e se desencostou da moto indo ajudá-la.
-Tudo bem? – ela o olhou e ele quase riu quando ela parou de catar as folhas. – Oi?
-Ah, oi... – riu colocando o cabelo atrás da orelha, voltando a catar as folhas – Obrigada...
-Não foi nada – Inuyasha se levantou entregando as folhas pra ela.
-Sou desastrada por natureza, atrasada sou pior...
-Atrasada?
-Meu irmão tinha que vir me buscar, tenho curso agora e... – Inuyasha se encantou a vendo ficar vermelha – Não devia estar enchendo você com isso! – ele riu.
-Numa boa... – olhou pro colégio – Acho que também levei um furo.
-Esperando alguém do colégio?
-Uma amiga... Mas acho que ela esqueceu. – olhou para a moto – Quer uma carona? – ela olhou para a moto.
-Hãn... Não sei se... – ele levantou as mãos como se rendendo.
-Ok – riu – Nem devia ter perguntado, não a conheço... Mas disse que estava atrasada, então...
-É... – mordeu lábio inferior – Não vou atrapalhá-lo?
-Não tenho nada pra fazer. E se quiser pode anotar a placa da moto, ela é minha. – a menina riu fazendo aparecer as covinhas.
-Aceito sua carona... E não se preocupe, minha memória é muito boa, vou lembrar do número... – Inuyasha riu a acompanhando até sua moto.
-Toma – disse entregando seu capacete.
-Você vai sem?
-Não uso nem quando estou sozinho. – subiu na moto esperando que ela subisse.
-Isso não é perigoso? Digo, para humanos... – e riu. Inuyasha ficou curioso.
-Por que? Conhece youkais?
-Meu pai é um. – ele a olhou admirado – Mas eu sou humana mesmo... – riu vendo a cara dele.
-Hum... Se segure e me indique o caminho,ok? – ela assentiu, fazendo Inuyasha tremer com o contato dos corpos.
Ela era filha de um youkai, mas era humana... Como? Queria perguntar, mas isso resultaria em perguntas sobre ele mesmo. E se ela fosse uma daquelas pessoas que acreditava que hanyous não pertenciam a nenhuma das raças? Youkais normalmente não gostam de hanyous, e talvez ela fosse criada assim.
Inuyasha nunca tinha ligado pra isso, mas não queria que a garota tivesse nojo de si. Balançou a cabeça. Estava como humano, e como talvez nunca mais a visse, ficaria desse jeito.
Se arrepiava sempre que a voz dela indicava uma direção, e ficou entre o alivio e a decepção quando pararam em frente a uma escola de dança. Ela desceu e tirou o capacete.
-Viu? Não sou nenhum psicopata... – ela riu lhe entregando o capacete.
-Me trouxe inteira, mas quem me garante que não vai passar a me seguir? Já sabe onde é meu curso...
-Dança huh? – ela assentiu sorrindo – É talvez eu passe a te seguir – ela fingiu medo. – Mas não iria querer te matar, não se preocupe... – a viu ficando vermelha e sorriu.
-Posso saber o nome do meu salvador?
-Salvador? Apenas por te dar uma carona? – ela riu assentindo – Inuyasha... Ohoma.
-Kagome Taisho.
-Bonito nome. – ela sorriu.
-O seu é diferente... – Inuyasha gargalhou.
-Um outro modo de dizer feio...
-Não falei isso! – ele riu, Kagome retribuiu – Tenho que entrar...
-Certo.
-Obrigada mais uma vez...
-Não foi nada. – Inuyasha colocou o capacete enquanto ela se virava e começava a andar. Levou um susto quando Kagome deu meia volta, parando a sua frente.
-Não vai mesmo pedir meu telefone? – ele ficou um tempo a olhando sem reação, então riu.
-Achei que estava com medo de eu começar a segui-la. – ela sorriu.
-Telefonar não é seguir.
-Certo. Pode me dar seu telefone? – Kagome riu mais ainda.
-Só se for ligar. – Inuyasha riu achando graça, voltou a tirar o capacete. Ela lhe entregou um papelzinho, o número anotado numa caneta roxa brilhosa, com o nome bem abaixo.
-Vou ter que ligar. – ela o olhou curiosa.
-Como assim, vai ter que ligar? – Inuyasha sorriu de lado. Kagome continuou com os braços cruzados no peito, segurando os livros, enquanto Inuyasha se aproximou, encostando seus lábios nos dela, dando um selinho mais demorado.
-Pra você me devolver isso... – sorrindo colocou o capacete e saiu, ainda vendo Kagome petrificada pelo retrovisor.
...
Kagome entrou na escola assim que desgrudou os pés do chão. Um sorriso se plantou em seu rosto no momento em que a ficha caiu. Ela tinha flertado com um garoto lindo, e ele tinha lhe dado um beijo! Claro nenhum igual ao de Sesshoumaru, mas que a fizera tremer como nenhum dos dele.
-Pensei que nem viria hoje Kagome – a menina olhou para amiga – O que houve?
-Conheci alguém. – Sango arregalou os olhos.
-Onde?
-Na porta da escola... Estava saindo, Sesshoumaru não foi me buscar, e ele estava lá esperando alguém... Sei lá, aí me ajudou com umas folhas que eu tinha deixado cair e me ofereceu carona.
-Você é louca! Ele podia ser um bandido!
-Mas não é – sorriu indo ao vestiário se trocar. Sango a seguiu.
-O que houve pra você ficar assim, tão boba? – o sorriso de Kagome aumentou enquanto se trocava.
-Eu meio que ofereci meu telefone – Sango se assustou de novo – Aí ele falou que teria que me ligar.
-Por que ele teria que te ligar? – Kagome ficou vermelha e olhou para baixo,já trocada.
-Pra devolver uma coisa a ele.
-O que?
-Um beijo.
-Ele te beijou? – ela perguntou com os olhos arregalados.
-Foi só um selinho... Mas foi... – suspirou. Sango gritou e Kagome gargalhou.
-OMG! Acha que ele vai te ligar?
-Espero que ligue! – saíram do vestiário – Agora vamos para a aula.
...
Inu no Taisho não se lembrava a última vez que estivera ansioso por algo e esse almoço estava o fazendo tremer. Izayoi Ohoma estava ocupando seus pensamentos mais do que gostaria, só que não conseguia evitar. Em qualquer espaço de tempo que não tinha algo ocupando sua cabeça, vinha o rosto, o modo de andar, os cabelos e o sorriso dela.
Balançou a cabeça. Estava cedo demais para se encantar dessa maneira por uma mulher. Passara dezoito anos com casos que não duravam mais que uma semana, e estar tão entusiasmado com uma mulher o fazia se sentir um adolescente.
Perdeu os devaneios no momento em que a mulher entrou pelo restaurante. A saia justa até os joelhos, uma blusa leve e o terninho por cima a deixavam incrivelmente sensual. E mais uma vez ele pensou se ela trabalhasse para ele, se conseguiria agir profissionalmente. No final, talvez, ela não ter pegado o emprego tenha sido algo bom. Levantou e puxou a cadeira para ela.
-Obrigada. – ela sorriu e ele retribuiu. – Está esperando a muito tempo?
-Não... Acabei de chegar também – respondeu sentando em sua cadeira. – Quero pedir desculpas novamente por ter usado seu currículo para te convidar.
-Não foi a melhor das atitudes, mas nesse caso não há problema. Mas não nego que fiquei bastante surpresa.
-Imagino – sorriu sem graça.
-E não vai matar minha curiosidade? Por que me convidou para esse almoço?
-Sua companhia é muito agradável Izayoi... E é raro encontrar pessoas assim. – sentiu seu coração acelerar ao vê-la corar, lembrando muito Midoriko. Balançou levemente a cabeça, ela não era Midoriko. Não poderia confundir as coisas.
-Bem... Obrigada. – sorriu – Vamos pedir? Meu horário de almoço logo vai acabar.
-Ah claro. – chamou o garçom e logo pediram – Me fale mais sobre você, ontem só conversamos sobre trabalho.
-Hum...
-Claro, só se sentir bem em falar... Não quero...
-Não, tudo bem – sorriu – O que posso dizer? Me pergunte você o que quer saber...
-Mora na cidade a muito tempo?
-Desde que... Bem, uns doze anos.
-E morava onde antes?
-No interior... Meus pais eram donos de um sítio.
-E como veio parar aqui?
-Então, meus pais morreram e eu era muito nova. Uma... Uma mulher muito boa, uma salvadora na minha vida, comprou, construiu uma casa e me deixou ficar lá... Ajudar a cuidar do filho.
-E então, decidiu vir tentar a vida na cidade grande? – ela riu e assentiu.
-Mais ou menos isso. Mas me fale, tem mais algum filho além da menina de ontem?
-Ah... Sim. Tenho um mais velho. – Inu no Taisho tinha uma grande vontade de falar que tinha mais um. Mas só de lembrar de seu filho morto uma nostalgia o invadia, querendo que ele se fechasse em uma concha. – Sesshoumaru. Do meu primeiro casamento. E você? Tem filhos?
-Han... Tenho. Um rapaz já.
-Sesshoumaru já é homem feito... Tem 21 anos. Kagome tem... – o garçom chegou deixando os pratos. Então a conversa se desenrolou amena. Inu no Taisho se divertia muito na conversa com Izayoi e pelo modo como ela sorria e ria das histórias engraçadas, ela também se divertia com ele.
-O almoço foi realmente agradável Inu no Taisho... Mas tenho que ir se não quiser chegar atrasada no trabalho.
-Ah, claro... Tudo bem.
-Vamos dividir a conta?
-Não, de jeito nenhum. Eu a convidei.
-Mas...
-Nada de mas. O que vai pensar de mim se deixa que você pague? Ainda mais que espero repetir esses almoços. Então... – ele sorriu entregando o dinheiro e a conta para o garçom. – Vamos, eu te levo ao seu trabalho.
-Inu no Taisho, realmente não precisa.
-E aí você chega atrasada e não vem mais almoçar comigo... Não mesmo – ela gargalhou e Inu se apaixonou pelo som.
-Você é mesmo decidido quando quer algo...
-Não sabe o quanto. – notou o clima pesado que se instalou depois dessa pequena frase – Desculpe eu...
-Não precisa se desculpar. E... – sorriu – Eu aceito a sua carona.
Inu no Taisho sorriu se levantando e estendeu a mão para Izayoi. Ela olhou para sua mão e depois de volta a seus olhos. Ele chegou a ficar na dúvida se ela aceitaria, mas então sentiu a pele quente na sua e sorriu a guiando até seu carro.
