IMPORTANTE!

Distúrbio de Personalidade Múltipla (DPM) é, na verdade, um estado pós-traumático. A própria existência dessa doença é questionável e debatida até hoje, e, muitas vezes, a doença e confundida com esquizofrenia, embora haja casos registrados de pacientes que tiveram mais de noventa personalidades diferentes.

Colocando a grosso modo é como se, uma vez sofrido um trauma, a pessoa em questão não conseguisse aceitar ou conviver com ele e, literalmente, se dividisse. Por exemplo, uma criança, ou adolescente, que sofresse alguma forma de abuso físico, psicológico, ou sexual e não conseguisse conviver com o trauma, criaria uma nova personalidade, literalmente outra pessoa, com outro nome, possivelmente outra idade, outras características, até mesmo outro sexo, que a pessoa em questão achasse mais apto para lidar com tal trauma. A pessoa que sofre o trauma, então, simplesmente se esquece dele, quem lembra é a personalidade criada.

Cada vez que uma situação aproximada àquela que causou o primeiro trauma ocorre, devido ao stress, quem assume o comando da pessoa é a personalidade criada. Esta personalidade tem consciência do seu "hospedeiro", que é a personalidade centro, ou a "verdadeira" pessoa. A função primordial da criação de uma outra personalidade é evitar o stress.

Uma vez dividido, fica mais fácil surgirem outras personalidades, que, muitas vezes, conhecem e têm ciência umas das outras. O próprio hospedeiro pode conhecer suas outras personalidades e perceber, ou não, que elas também são parte dele.

Entre os métodos de tratamento, já foram utilizados até mesmo choque e injeções de glicose. Um dos métodos mais conhecidos é a conversa entre as personalidades, para que o hospedeiro aceite e entenda seus próprios traumas e medos e possa "reunir" as partes de si mesmo.

Para efeitos desta fanfiction:

a) Shadow e Harry são duas partes da mesma pessoa. Quem é o hospedeiro, e quem é a personalidade, só mais para frente na fic. O trauma central é, obviamente, o fato de que Harry Potter é mais parecido com Voldemort do que ele gostaria que fosse, e todas as consequências que isso traz.

b) Nem Shadow, nem Harry são, de nenhuma forma, um pedaço de Voldemort deixado para trás. Eles são o Harry Potter

c) Shadow é, de certa forma, mais velho, menos ingênuo e muito mais político que o Harry, porque o Harry só quer viver a vida dele em paz. Shadow quer poder, porque ele tem consciência que nunca, ninguém vai deixar o Harry em paz. A base do Shadow está em "Harry Potter e a Ordem da Fênix", o período mais conturbado do Harry.

d) O Shadow não é, de maneira nenhuma, "ruim", nem quer o mal do Harry. A função dele é exatamente o oposto: proteger o Harry de tudo e de todos – até dele mesmo.

e) Não, os Comensais não viraram os bonzinhos e a Ordem a personificação do mal. É apenas uma questão de visão política: nesta fic, eu estou querendo mostrar o lado 'racional' da força. Não o dos heróis sem medo, mas das pessoas que fariam qualquer coisa para sobreviver e sair ganhando (como os seres humanos num geral, by the way).

f) Sim, Harry vai voltar a aparecer, logo até, e não, ele não vai virar vilão da história, vai continuar sendo quem ele foi nos sete livros (ou assim espero) mas, vamos lembrar que para se "curar" Harry e Shadow terão que se aceitar, se entender, e aprender como serem os dois ao mesmo tempo.

Este site aqui: http(dois pontos)(barra)(barra)www(ponto)facom(ponto)ufba(ponto)Br(barra)com024(barra)dpm(barra) tem algumas coisas muito interessantes sobre a doença.

Era isso. Caso alguém tenha mais alguma dúvida sobre DPM ou a sanidade deste plot, consulte-me XD


Sigilo

Mundo Trouxa: Ameaça Oculta?

Por Daniel Everlast

A comunidade não-mágica descobriu esta semana a respeito da existência dos bruxos. Segundo fontes confiáveis de dentro do Ministério da Magia, a notícia teria vazado pelos pais trouxas de alunos nascidos-trouxas que foram proibidos de frequentar Hogwarts no ano último ano.

"Nossos filhos sofreram preconceito, ameaças e até mesmo punições dentro dos muros da escola. Ao enviar nossos filhos para serem educados dentro da cultura em que, aparentemente, eles deveriam estar inseridos, nós confiávamos que os dirigentes desta comunidade cuidariam dos diretos deles. Isso não aconteceu.", declarou o pai de um ex-aluno de Hogwarts, que não quis se identificar, "Nós só queremos justiça."

Uma Comissão montada por pais e familiares destes alunos se dirigiu à imprensa e ao Ministro. Entrementes, o chefe da Comissão de Enfrentamento, como se autodenominam os trouxas que exigem ações de seu Ministério, o Sr. Pattinger, declara: "A própria maneira com que nos chamam é desrespeitosa. Queremos medidas, e medidas urgentes. Até mesmo a considerada 'normalidade' da existência dos bruxos deve ser contestada. Se um bruxo tão poderoso surge, e é capaz de dominar toda a comunidade não-mágica, como vamos saber se isso não é alguma espécie de problema genético? Ou que não vamos acabar dominados pelos tais 'bruxos'? Atitudes devem ser tomadas, e a hora para elas é agora."

O Ministro Shacklebolt não quis responder às declarações, afirmando apenas que irá entrar em contato com o Outro Ministro para esclarecimento da situação.

A Comunidade Mágica torce para que tudo se resolva da melhor maneira possível. Afinal, o Mundo Bruxo - que acaba de sair de um revés e parece estar imerso em outro de proporções ainda maiores - merece paz, depois de dois anos de guerra.

(A entrevista supra-citada foi feita sob disfarce, onde o Sr. Pattinger pensava estar falando à imprensa trouxa)

Mais informações sobre os trouxas e suas ameaças passadas à Comunidade Bruxa, na pág. 7.

Por que não podemos obliviar os trouxas? Respostas na pág. 12.

Os olhos de Shadow corriam rápido pelas folhas do jornal e ele sentia o chão fugir sob seus pés.

Há mais de uma semana ia apenas de casa para o Ministério e do Ministério para casa. Ainda não havia recontatado Ron, ou Mione, ou Ginny. Não tinha vontade de se justificar naquele momento. Presenciara todos os julgamentos e passava mais tempo dentro do Ministério do que dentro de sua casa. E, ainda assim, nem uma única vez, ninguém havia mencionado a pequena crise que acontecia bem embaixo de seus narizes.

Apressou-se em sair. Ele e Kingsley tinham assuntos a conversar.

-x-

"É simplesmente irônico que, no fim de tudo, ele ainda tivesse razão."

Lucius Malfoy tomava o café da manhã, enquanto lia o jornal, e tinha um ar incrédulo no rosto. Depois de anos em guerra, de proteger trouxas, de tentar não acabar com eles, como o lado "certo" da comunidade mágica queria, os trouxas iriam se virar contra eles.

Exatamente como o Lorde das Trevas havia previsto.

Irônico, na verdade, nem começava a definir.

Narcissa tentava manter o rosto neutro, mas Draco encarava o jornal com uma expressão muito próxima ao nojo.

"Não é irônico. É horrível. Será que nós nunca mais vamos poder só viver em paz?"

"Nós vamos, meu filho. Desta vez, ninguém vai poder nos culpar por nada e não há ninguém para nos envolver nesta briga. Nós vamos apenas nos manter afastados-", Narcissa lançou um olhar penetrante ao marido, ao dizer aquilo, "- e deixar que as autoridades competentes cuidem de tudo. Tudo com o que nós vamos nos preocupar agora é com reconstruir nossa vida e nosso nome."

Draco ficou em silêncio quando Lucius concordou com a esposa e abriu o jornal para continuar a ler a notícia e informações nas páginas internas, mas seu silêncio não significava que estivesse calmo.

E a coruja que receberam, duas horas mais tarde, não ajudou em nada para que ele conseguisse atingir aquele estado.

-x-

Rodolphus encarava o irmão ao seu lado, enquanto ele lia o jornal, na mesa da casa de sua infância. Haviam concordado em ficar lá e não na casa em que Rodolphus havia morado com Bellatrix. Naquela casa havia fantasmas demais.

Haviam sido duas semanas de paz e Rodolphus achava mesmo que era bom demais para ser verdade.

As longas horas sentado ao piano, ou apenas observando Rabastan enquanto ele lia pareciam um sonho idílico e ele tinha certeza absoluta de que não iria durar.

"O que você acha?"

Rabastan tomou um gole de café antes de formular uma resposta.

"Acho que o destino está sendo cruel com todos nós. Porque nós não vamos conseguir nos manter afastados disso."

"Nós não precisamos nos envolver. O Ministério nos prenderia se nós nos envolvêssemos. Por que não apenas nos mantemos afastados?"

"Porque, meu caro irmão, quem planta, espera colher."

Olharam-se, e Rodolphus nem precisaria da carta que chegou algumas horas mais tarde para saber que Rabastan estava certo.

-x-

Entrou no escritório do Ministro como entrava durante as duas últimas semanas, silencioso e observador.

"Bom dia, Harry.", cumprimentou-o King, parecendo incrivelmente cansado, "Não esperava vê-lo hoje, não há julgamentos."

"Eu sei, King. Vim por causa disso."

Ele colocou o jornal sobre a mesa do Ministro e o observou para ver sua reação. Os traços já cansados do homem pareceram cansar-se ainda mais e ele fechou os olhos e massageou a ponte do nariz com uma das mãos.

"Eu li. Estamos tentando lidar com isso, mas... O Ministro dos Trouxas tem estado inacessível nos últimos dias. Não sei como essa notícia vazou para a imprensa."

"E quando você pretendia tornar isso público?"

"Eu não pretendia tornar público. Essa é a questão. Acabamos de sair de uma guerra, queria que as pessoas pudessem ter paz... Não parece ter funcionado."

"Foi exatamente por esconder os problemas que Fudge deixou que a situação ficasse tão mais grave do que deveria ter sido."

Era impossível não notar o tom de reprovação nas palavras de Shadow, ou seu olhar acusatório. King lhe encarou com curiosidade.

"A situação é completamente diferente, Harry, e a imprensa deixa as coisas muito piores do que elas realmente são. Eu pretendia resolver isso com o Ministro privadamente, mas..."

"E você não ia revelar a ninguém, a não ser a alguns funcionários? Você não ia me informar, por exemplo?"

"Por que eu informaria você, Harry?", o garoto o encarou e por um breve momento, Kingsley pensou ter visto um brilho de fúria nos olhos do rapaz, "Quer dizer, eu pensei que você quisesse se manter afastado de tudo isso agora..."

"Eu já quis me manter afastado, Ministro, mas eu não consegui e fui eu quem teve que lutar por todos nós no fim. Já que eu estou envolvido, ao menos eu queria saber em que estou envolvido. E se não por isso, pelo fato de que eu tenho parentes trouxas."

Ele ficou em silêncio alguns segundos, enquanto King lhe encarava avaliativamente, como se só agora percebesse quem estava a sua frente, " O que você pretende fazer?"

"Entrar em contato com o Ministro."

"Apenas isso?", Shadow perguntou, incrédulo.

"Sim.", King lhe deu um sorriso que pretendia ser encorajador, "Nós não estamos em guerra, Harry, é uma questão de conversa e diplomacia. A situação vai se manter sob controle."

"Trouxas são perigosos, King. Não tomaremos nenhuma medida de segurança?"

"Não vejo a necessidade disso, ainda. Se nós não tomarmos nenhuma ação ofensiva, eles compreenderão que nós não temos intenção de perturbá-los, apenas queremos seguir com nossas vidas. É uma questão diplomática e não de conflito. Nem todos os trouxas são como seus parentes, Harry."

"Não, não são.", Shadow sorriu friamente, "Alguns são piores. Alguns conseguem criar monstros como Voldemort."

O silêncio caiu entre os dois, enquanto homem e rapaz se avaliavam, King com a curiosa expressão de quem acaba de descobrir um inimigo.

"Harry, não se preocupe com isso. Aproveite o fim de tudo e viva a sua vida. Deixe que nós cuidaremos disso."

Shadow riu, um riso seco e irônico que, por algum motivo, fez King sentir frio.

"Eu não tenho mais uma vida para aproveitar, King. A última guerra acabou com a que eu tinha. Mas eu vou me certificar de que desta vez, eu não estarei desprevenido."

Shadow virou-se e já estava saindo do escritório, quando a voz grossa de Kingsley o fez virar-se para encará-lo, mais uma vez.

"O que aconteceu com você, Harry?"

O rapaz deu mais um sorriso frio, enquanto respondia.

"A guerra, King. Apenas a guerra."

Fechou a porta atrás de si e aparatou para Grimmauld Place. Aquele era o início de mais uma batalha. Mas, desta vez, ele teria os aliados certos a seu lado.

-x-

Eram precisamente seis horas da tarde quando Kreacher abriu a porta de Grimmauld Place e ficou muito feliz em ver a família Malfoy parada ali. Conduziu-os até a sala da tapeçaria e teve que pedir milhões de perdões por ter que sair apressadamente para abrir a porta novamente, desta vez conduzindo os irmãos Lestrange até a mesma sala e saindo apressado para buscar café para todos eles.

Lucius cumprimentou os dois outros homens com um aceno de cabeça, mas todos estavam curiosos ou nervosos demais para falar.

Antes que Kreacher voltasse com o café, no entanto, Shadow entrou na sala, vestindo roupas trouxas, camisa e calça simples, os cabelos compridos amarrados para trás, e parecendo mais velho do que realmente era.

Seu olhar encontrou o de Draco antes de qualquer outro e o rapaz lhe cumprimentou, um tanto sem jeito, com um aceno de cabeça. Shadow devolveu o cumprimento da mesma maneira e fitou todos os presentes, esperando que Kreacher terminasse de distribuir os cafés, antes de sentar-se e começar a falar.

"Eu peço desculpas pelo convite apressado, mas penso que estamos diante de uma situação importante demais para levar a etiqueta em consideração. Suponho que vocês tenham lido os jornais?"

Entre acenos e murmúrios de concordância, Shadow sorriu, parecendo satisfeito.

"Irei direto ao ponto. Talvez vocês estejam interessados em saber que o Ministro não pretende tomar nenhuma atitude quanto a essa notícia. Esperar ser tarde demais para agir parece ser uma falha transmitida com o cargo.", todos na sala sorriram levemente ao ouvir a declaração do rapaz, mas Draco o fitava intrigado. Quem era aquela pessoa confiante e fria e onde Potter havia ido parar?, "Eu os chamei aqui porque penso que temos um assunto em comum, a partir de agora."

"O que o homem que matou o Lorde das Trevas e antigos Comensais da Morte teriam em comum, senhor Potter?", indagou Rabastan Lestrange, e Shadow gostou da maneira objetiva com que o homem parecia conduzir seus assuntos.

"Antes de mais nada, antigos Comensais são apenas isso, senhor Lestrange, antigos Comensais. Eu, mais do que ninguém, sei o quanto o passado pode nos assombrar e tenho como lema deixar que ele fique para trás. O que nós temos em comum, no entanto, é que eu notei que nenhum de vocês parecia exatamente estar ao lado de Voldemort durante a última batalha. A senhora Malfoy salvou a minha vida. Eu não os vi lutando contra ninguém. E foi por isso que os ajudei, durante os julgamentos. Por saber que, se lhes fosse dada a escolha, vocês lutariam por vocês, e não pela destruição dos outros. Quem luta pela própria vida luta com mais vontade do que quem luta sob algum comando. E foi por isso que os chamei."

"Para nos cobrar a dívida de ter nos ajudado?", indagou Draco, parecendo levemente irritado. Shadow sorriu com tanta condescendência que o rapaz se sentiu como se fosse a única criança em meio aos adultos.

"Não. Chamei porque haverá uma nova guerra. E, desta vez, eu pretendo estar preparado para lutá-la."

"E onde, exatamente, nós entramos, senhor Potter?"

"Ao meu lado. O Ministro está se fazendo de cego para o problema que os trouxas são. E antes que pensem que eu decidi ser adepto à filosofia de Voldemort, eu afirmo que não quero destruí-los, ou machucá-los - a menos que eles o façam antes. Mas também não quero deixar que nossas vidas, a vida do nosso mundo, acabem nas mãos deles, mais uma vez. Eu estou cansado de deixar que os outros aproveitem o lado bom do poder, enquanto a mim resta apenas lutar. Já chega de termos que esperar para que alguém aja antes de nós. Eu apenas quero aliados, pessoas que possam me ajudar na briga que terei que iniciar."

"Antigos Comensais não inspiram confiança, senhor Potter."

"Mas eu inspiro.", disse com simplicidade, "E quando os trouxas nos atacarem, não pensem que vocês não serão lembrados como os que já sabiam o risco que eles poderiam se tornar. Até que isso aconteça, penso que apenas saberem que estão ao meu lado já garantirá a confiança do povo. Eu apenas preciso de aliados, senhor Lestrange."

"Me chame de Rabastan, senhor Potter.", Rabastan sorriu e Shadow também., "Creio que estou interessado no que o senhor tem a dizer."

"Podem me chamar de Shadow, então.", Draco levantou o olhar novamente e fixou o rosto do seu antigo rival de escola. Shadow?, "E o que tenho a dizer é que devemos agir, antes que o Ministro permita que seja tarde demais."

"E como faremos isso?", indagou Lucius Malfoy, sem perceber a estranheza do apelido que Harry Potter havia acabado de se dar, indicando que também era adepto à idéia.

"Comunicaremos ao Ministro nossa opinião.", disse Shadow, com um estranho sorriso.

A reunião durou ainda mais algumas horas, nas quais os outros cinco haviam se comprometido a ajudá-lo a executar seu plano e encontrar mais aliados.

Quando foram embora, passavam das dez horas da noite e Shadow decidiu fazer seu último contato do dia.

Harry tinha amigos que quereria chamar. Ao menos, lhes daria a chance. Sabia que eles não aceitariam, mas depois, não havia como dizerem que ele não havia tentado.

Pena que aí, seria tarde demais.

-x-

Draco mal havia entrado em casa e aguardava seu pai com um olhar furioso.

"Eu pensei que nós iríamos ficar fora de qualquer outra guerra.", o olhar acusatório era presente também em sua voz e Cissy caminhou lentamente até o filho, acariciando seu braço.

"Foi o melhor que seu pai poderia ter feito. Eu sei o que disse mais cedo, mas nos aliarmos a Potter é a maneira mais rápida de recuperarmos nossa posição."

"Mas não de ficarmos em paz.", teimou Draco, mais uma vez.

"Eu não acho que paz seja algo que nós vamos ter tão cedo, meu filho.", Lucius parecia cansado, e sentou-se no sofá da sala de estar, acompanhado por Narcissa, mas Draco permaneceu de pé, "Além do mais, Potter é a pessoa mais influente do mundo bruxo agora."

"Mas a guerra será contra os trouxas.", ressaltou o rapaz.

"E se há alguém capacitado a nos liderar nela é Potter.", declarou Narcissa, "Se ele derrotou o Lorde em pessoa, ele também conseguirá derrotar alguns trouxas. Enfim, é de Harry Potter que estamos falando."

"Eu não sei se é. Tem alguma coisa estranha nele... O olhar, o jeito... Aquele não parece ser o Potter. Eu não acho que nós possamos confiar nele. Vocês notaram a maneira como ele sorri, como ele fala? Ele lembra o próprio Lorde.", declarou Draco, deixando um pouco de temor transparecer em sua voz, "E Shadow? Ele nunca se daria um nome assim. Sombra? O grande guerreiro da luz, se autodenominando Shadow? Tem alguma coisa errada ali, eu consigo sentir isso, eu convivi com ele por seis anos.", ele encarou os pais, "Aquele não era o Harry Potter que saiu de Hogwarts um ano atrás."

"Draco, eu vi aquele rapaz morrer.", disse Cissy, em voz baixa, mas parecendo estranhamente triste, "Eu o vi receber um Avada Kedavra e cair, morto, no chão. Eu o vi acordado minutos depois, porque fui eu quem verifiquei se ele estava realmente morto. Todos nós o vimos lutar contra o bruxo mais poderoso que o mundo bruxo já viu e ganhar. Potter não mereceria confiança se continuasse se portando como uma criança depois de tudo que ele passou. Tudo o que você notou, nós também percebemos - talvez não tão acentuadamente, porque você conviveu com ele durante anos, mas aquele é Potter. Talvez aquele seja o verdadeiro Potter. Que nenhum de nós havia visto ainda."

Draco não estava completamente convencido, mas deixou o assunto morrer por hora. Havia algo mais, além de amadurecimento forçado ali. Mas não tinha porque insistir. Afinal, seriam aliados. Teria tempo de sobra para descobrir o que havia acontecido.

-x-

Aparatar em frente à Toca trazia uma sensação inevitável de nostalgia de tempos que jamais voltariam e que, na verdade, nunca deveriam ter existido. Dias ensolarados jogando Quadribol e conversas preguiçosas nas sombras do pomar. Momentos parecidos saídos de um sonho e que nunca mais se repetiriam. Ao menos, não na vida dele.

Dos amigos de Harry, talvez, quem sabe...

Bateu na porta antes de entrar e foi recebido com um olhar surpreso pela Sra. Weasley, que lhe deu um abraço, no qual ele se sentiu desconfortável. Havia estado poucas vezes n'A Toca depois do fim da guerra e em nenhuma delas conseguira ficar muito tempo.

Por alguma razão, toda a agitação e o ar de vitória do lugar, mesmo que eles tivessem perdido um filho, lhe causavam enjôo.

"Boa noite, Sra. Weasley. Ron e Mione estão?"

"Claro, querido, eles estão no quarto, com a Ginny. Pode subir, querido."

Shadow inclinou a cabeça, agradecendo, e subiu as escadas, indo até o quatro de sua ex-namorada. Bateu na porta e encontrou os três lhe encarando quase assustados quando o viram entrar.

"Harry!", disse Hermione, parecendo muito surpresa e começando a corar. Shadow teve certeza de que tinham estado falando dele, "Não sabíamos que você ia aparecer!"

"É, cara, faz tempo! Está tudo bem?"

Shadow teve vontade de ressaltar que aquela era um pergunta extremamente idiota de ser feita, mas não quis ofender Ron.

"É, faz... Vocês leram o jornal de hoje?", indagou sem rodeios.

"Sim.", respondeu Ginny, "E era disso que estávamos falando... Harry, você não precisa se meter nisso, você sabe..."

"Talvez eu não precisasse, mas já me meti, Ginny."

"O que você fez?", perguntou Hermione, de olhos arregalados.

"Eu fui falar com o Ministro hoje de manhã. Ele não pretende tomar nenhuma atitude. Então eu tomei minhas próprias providências."

"Como o quê?", perguntou Ron, com um ar descrente e abobado.

"Isso, Ron, eu só posso dizer se vocês se juntarem a mim e aos meus aliados."

"Aliados?", repetiu Hermione, levemente ofendida, "Você falou com alguém, antes de falar conosco?"

"Sim. Eu convoquei uma reunião com os Malfoy e os Lestrange, antes, em Grimmauld Place."

"Seus aliados são Comensais?", perguntou Ginny, indignada.

"Ex-Comensais. E sim, eles são. Já que nossa luta será contra os trouxas, eles saberão como nos ajudar."

O silêncio pesou entre os quatro, Shadow muito consciente do olhar de horror que recebia dos antigos amigos. Era melhor assim.

"Harry...", começou Hermione, mas Shadow a interrompeu.

"Pensem a respeito. Eu preciso ir. Se decidirem me apoiar, eu estarei em casa, preparando as primeiras ações. Tenham uma boa noite."

Virou-se e saiu, desaparatando do corredor.

Ao chegar em casa e deitar em sua cama aquecida pelo esquentador que Kreacher havia posto lá, tentou fingir que a lágrima que caiu não havia existido. Fechou os olhos com força e tentou dormir. Teria um dia longo pela frente.

Teria muitos dias longos pela frente.


Revisado em: 06/11/2010


R E V I E W !