Capítulo Três

E pensar que durante todos aqueles anos ainda se imaginava meio apaixonado por Kagome Higurashi. Mais estúpido ainda era que ainda a idealizava como uma dama doce e modesta. InuYasha já conhecera mercenários de carreira mais doces e modestos. Sem falar em menos teimosos.

— Não entendo por que tivemos de partir tão cedo — resmungou ele, quando atravessaram Norfolk. — Mais algumas horas e vai escurecer. Será que teria sido tão ruim passar uma noite em Breckland, dormindo numa cama decente e partir ao raiar do dia com um bom desjejum na barriga?

Mal se haviam passado duas horas desde a audiência com o abade. Na abadia, seus irmãos estariam se sentando agora para o jantar. Com certeza notariam sua ausência, e trocariam olhares e talvez até cochichos, pois a lei do silêncio não era rigorosamente imposta no refeitório de Breckland durante as refeições.

Aqueles que estavam trabalhando nos campos poderiam contar que o viram escoltando um menino até a abadia. Será que o frade Moushi compartilharia sua intrigante informação de que o menino na verdade era uma jovem... uma bela mulher?

Sem dúvida a mulher era bela. Neste aspecto, pelo menos, a memória de InuYasha não se enganara. Podia-se dizer até que ela ficara ainda mais atraente desde a última vez que a vira. Pena que seu temperamento não melhorara para melhor combinar com o rosto e o corpo.

— Eu avisei que precisávamos nos apressar — respondeu Kagome, por cima do ombro. Quero alcançar a proteção da Floresta Thetford antes do cair da noite.

Como ela conseguia se manter sempre na dianteira?, perguntou-se InuYasha.

Ele estava mantendo um bom passo, e isso estava lhe custando caro. Com as pernas mais curtas, ela mal parecia estar se esforçando, e ele continuava ficando para trás.

Não era uma posição que ele apreciasse. O tempo que passara na abadia mitigara o orgulho de InuYasha, mas não o eliminara por completo.

— Se está com tanta pressa, por que recusou a oferta de um cavalo feita pelo abade? Poderíamos ter aguardado até o raiar do dia antes de partir, e ainda chegaríamos antes do que o faremos a este passo.

Hum! Era fácil para o abade Oyakata falar sobre homens e mulheres trabalhando juntos. O abade passara os últimos vinte anos em reclusão. As únicas mulheres que conhecera desde então foram aquelas nas Escrituras.

— Viajar pela estrada? Você perdeu o juízo? — Kagome retrucou num tom que InuYasha duvidava que qualquer mulher bíblica teria usado... exceto, talvez, Dalila ou Jezebel. — Ela cruza parte do território saqueado por Naraku. Se algum dos seus bandidos estiver vigiando a estrada, logo nos roubarão as montarias, se não coisa pior. Prefiro dar a volta, pelo caminho que vim. Pelo menos chegaremos inteiros.

A idéia de uma viagem de três dias na companhia dela o alarmava. Não tanto os dias, quando estariam viajando e fazendo apenas pausas curtas para comer. Mas com relação às noites... A história era outra.

Passara demasiadas noites na abadia revirando-se na cama, tentando impedir que seus sonhos com Kagome Higurashi o assombrassem. Como poderia se conter, com ela a apenas poucos metros de distância?

— Duvida que eu poderia protegê-la, caso fôssemos atacados? — desafiou InuYasha, esquecendo-se do seu voto de abdicar da violência. Forçou-se a apressar o passo, de modo a não ter que fitar as costas da moça, suas tentadoras curvas visíveis ocasionalmente sob o manto em movimento. — No entanto, insiste que sou o único capaz de salvar Harwood e Wakeland do Lobo dos Pântanos? Não percebe a contradição?

— Isso vai ser diferente. Terá uma posição para defender. Um dos castelos, uma mansão, um celeiro. E comandará alguns homens. Na estrada, cercados por três ou quatro adversários, que chance teríamos, quando nem mesmo estamos armados?

— Desarmados? — zombou ele. — Se meu cajado tivesse brios, eles estariam seriamente ofendidos.

Levantando a vara de madeira, ele tirou o capuz da moça, fazendo com que a trança comprida de Kagome lhe caísse pelas costas. Mas ele não contara com os reflexos dela. Antes que a ponta do cajado saísse de seu alcance, ela o agarrou e puxou. InuYasha cambaleou, e mal conseguiu escapar de se estatelar no chão.

Com as mãos na cintura, Kagome gargalhou.

— Seu cajado é capaz de ter mais brios do que você, InuYasha Taisho. Tome cuidado ao me atacar, de agora em diante. Estou avisando que nunca deixo uma afronta dirigida a mim, ou aos meus, passar em branco.

Atacá-la? Afrontas vingadas? As palavras dela abalaram mais InuYasha do que se ela o tivesse atingido com o cajado. Mal saíra da abadia e já estava se esquecendo de seus votos, revertendo com facilidade perigosa ao modo de pensar de um guerreiro.

Diante dos meses que faltavam para a época da colheita, será que conseguiria resistir à tentação de retomar a vida antiga? E um antigo amor, cuja esperança havia perecido pela sua própria espada?

O homem parecia ter recebido um golpe fatal.

— Qual é o problema, InuYasha? Está doente?

Será que fora por isso que buscara refúgio em Breckland? Explicaria o que um guerreiro nato estava fazendo em um mosteiro. E o estranho comentário sobre parte dele ter morrido em Lincoln.

Kagome sentiu um estranho vazio na barriga, como se não houvesse comido nada na abadia. Não porque se importasse com o bem-estar de InuYasha, insistia em acreditar. Mas pelo motivo prático de que um campeão enfermo seria de menos utilidade para seu povo.

— Doente? Não. — Embora as palavras houvessem sido proferidas em tom de certeza, a respiração de InuYasha parecia ofegante. — Quando trabalho na abadia, trabalho duro, mas muitas horas são passadas na imobilidade das preces, o que em nada contribui para fortalecer o corpo. Não estou mais acostumado com caminhadas como esta.

Pela expressão no rosto do homem, Kagome poderia ter a impressão de que ele estava confessando um pecado mortal. De sua infância juntos, recordava que ele sempre exigira muito dos outros, porém ainda mais de si mesmo. Admitir mesmo esta pequena fraqueza deveria ser um tormento.

— Não falta muito. — Ela apontou um pouco à frente. Depois da elevação chegaremos a um córrego. Quando o cruzarmos, poderemos avistar o limite da floresta. Teremos de seguir mais devagar pelo bosque, mas a proteção das árvores compensará o atraso.

— Muito bem, senhora comandante. — InuYasha endireitou os ombros e respirou fundo. — Mostre o caminho.

Kagome retomou a caminhada, mas reduziu o passo, permitindo que InuYasha a acompanhasse.

— Não entendo por que só aceitou nos ajudar depois que o abade Oyakata insistiu. — Tinha a sensação que não deveria perguntar, mas a pergunta não queria se calar em sua mente. — Ressente-se tanto do fato de o rei ter dado as suas terras ao meu pai? Devia ter sabido que isso aconteceria quando fez a sua escolha. Preferiria ver Harwood nas mãos de um estranho?

Ela se preparou para uma resposta brusca, mas esta não veio.

Em vez disso, InuYasha suspirou profundamente.

— Se as circunstâncias fossem outras, não confiaria Harwood a ninguém além dos Higurashi. Desde que vieram para este país, e antes disso, na Normandia, nossas famílias tinham sido aliadas. Sempre protegemos uns aos outros, trocamos nossos filhos para tutela, e enfrentamos problemas lado a lado.

Será que se esquecera de mencionar os laços de matrimônio entre as antigas gerações de suas famílias? Ou omitira o fato de propósito? InuYasha dera as costas a isso e a tudo o mais que mencionara, em troca de um juramento idiota que todos os nobres foram forçados a fazer, e, em sua maioria, astutos o suficiente para quebrar.

Com dificuldade, Kagome engoliu a raiva que sempre a dominava quando pensava na traição de InuYasha. O abade Oyakata dissera que os dois tinham que trabalhar juntos para o bem do povo.

— Esta é uma oportunidade para os Taisho e os Higurashi lutarem juntos, novamente — ela o lembrou... e a si mesma. — Deus sabe que nossos povos jamais enfrentaram uma ameaça pior do que o Lobo dos Pântanos.

— Não vai ser fácil. Mesmo que consigamos deter Naraku até a colheita ter sido concluída, o que a faz pensar que os bandidos não voltarão no ano que vem, e no seguinte, cada vez mais selvagens por terem sido frustrados?

Será que ele se esquecera?

— E se o fizerem? — Kagome deu de ombros. — Você estará lá para enfrentá-los novamente, mais forte por ter tido mais um ano para se preparar. Além disso, o rei está tentando refrear o demônio que ele mesmo soltou sobre nós, construindo castelos para encerrar Naraku, embora essa medida ainda não nos vá ser de muita valia este ano.

Ela olhou de esguelha para InuYasha. A dúvida estava estampada no seu rosto. Uma dúvida que ela se sentia compelida a esclarecer... para a própria paz de espírito, assim como para a dele.

— Naraku não é diferente de qualquer outro valentão. Exceto no seu poder e na sua violência. Uma vez que consigamos ensangüentar-lhe o nariz, ele provavelmente irá atrás de presas mais fáceis, deixando nossas terras em paz.

— Espero que sim. — InuYasha ainda parecia ter dúvidas. — Para o bem de todos nós. Farei o máximo para treinar alguém para tomar o meu lugar, mas deixo bem claro que a ordem do abade só me compele a ajudá-la até que sua colheita tenha acabado. Depois disso, devo retornar a Breckland.

— Você o quê? Pensei que tínhamos um acordo, InuYasha Taisho!

Seu campeão sacudiu a cabeça.

— Você me fez uma oferta... enquanto me imobilizava de encontro à pilastra. Eu nunca aceitei nada. Estou aqui pela vontade do abade, não pela minha. E mesmo assim, só até a colheita.

Por que as palavras dele a provocavam tanto?, perguntou-se Kagome. O casamento com InuYasha Taisho e a devolução de suas terras não era algo que ela desejara. Era um sacrifício necessário que estava preparada a fazer para conseguir a ajuda dele contra Naraku. Devia estar felicíssima de conseguir os serviços dele sem ter de entregar suas terras e sua mão.

O tremor que sentia dentro de si não lembrava muito a felicidade. Talvez fosse apenas a preocupação com o que aconteceria com sua família e suas propriedades quando InuYasha os houvesse abandonado... de novo.

— Por que iria me querer para marido? — perguntou InuYasha. — Depois de como as coisas acabaram no passado?

Sob o tom brusco, Kagome pensou ter identificado uma pontada de arrependimento. Ela lhe mostraria o que era arrependimento!

Desde que o encontrara na abadia — e antes disso, quando descobrira que ele ainda estava vivo —, ela reprimira sua fúria com relação ao que ele fizera, cinco anos atrás. Pelo seu povo e pelo futuro deste.

Agora nada que viesse a fazer o libertaria da ordem dada por Oyakata, nem o inspiraria a ficar além desta única temporada.

Kagome virou-se, colocando-se no caminho de InuYasha. Embora tivesse de olhar para cima para fitá-lo, recusava-se a deixar transparecer que ele a intimidava.

— Não se engane pensando que sou alguma pobre tola apaixonada, ainda sonhando com o homem que me abandonou, Taisho! — Ela enfiou o dedo no peito dele. — Meus únicos motivos para me casar com você são puramente práticos. Se não fosse um guerreiro e um líder capaz, não iria querer mais nada com você.

— Foi o que pensei.

Ele a fitou com aqueles olhos tão azuis que pareciam ter sido colhidos do céu de primavera. Se Kagome fosse tola o bastante para o permitir, aquele olhar poderia despertar algo perigoso nela.

— O amor é outro de seus preciosos ideais? — indagou ela com desdém. — Acha necessário que um homem e uma mulher se amem para poderem se casar?

InuYasha entreabriu os lábios para responder.

Um arrepio de medo percorreu Kagome. Medo que ele pudesse dizer algo que a convenceria de uma mentira na qual ela não podia se dar ao luxo de acreditar.

— Bobagem! — gritou, para responder à própria pergunta e antecipar-se a ele. — Casamento é um assunto prático, por demais vital para ser corrompido por alguma fantasia tola.

Lentamente, ele levou a mão ao rosto dela. Kagome estremeceu, como se ele fosse esbofeteá-la. Na verdade, este não era o medo dela. Este homem poderia fazer muito mais estrago com ternura do que com mau gênio.

— Não, Kagome. — Embora InuYasha não a houvesse tocado, ele também não abaixara a mão. — O casamento é um patrimônio por demais vital para não ser consagrado com um propósito mais elevado.

As palavras murmuradas a atingiram com mais força do que qualquer tapa que InuYasha pudesse ter lhe desferido. Elas até a fizeram ansiar pela antiga fé e inocência, agora perdidas para sempre. Elas as fizeram desejar que as respostas às dúvidas de seu coração e a cura para os males que o afligiam pudessem ser encontradas nos braços de InuYasha.

Tudo não passava de perigosas tolices.

— Propósito mais elevado? — Ela tentou rir, mas se deteve por medo de acabar chorando. — Palavras de um homem que se esconde do mundo numa abadia!

Tendo destilado um pouco do veneno que se acumulava no seu interior, Kagome afastou-se de InuYasha e percorreu os últimos metros até o topo da elevação. Recusava-se a deixar transparecer o quanto a deserção dele a magoara. Nem admitiria para si mesma que ele não perdera o poder de magoá-la... ainda mais do que antes.

O que estivera fazendo este tempo todo em Breckland? Escondendo-se do mundo? InuYasha mal conseguia se fazer esta pergunta, respondê-la honestamente estava fora de cogitação.

Estivera procurando refúgio de um mundo que se revelara contrário a tudo que aprendera. Um mundo onde a honra valia tanto quanto a insensatez, e onde a palavra de um homem não era digna de confiança. Um mundo onde um homem tentando fazer o que é certo podia repentinamente se ver culpado de um grande mal.

Era doloroso descobrir que a mulher cuja virtude admirara por tanto tempo se tornara uma criatura deste mundo.

— Nenhum ideal é importante para você? — gritou para as costas de Kagome.

— Nenhum! — retrucou ela de maneira desafiadora. — Para me sustentar e aos meus, farei o que for preciso e deixarei os escrúpulos de lado. Qual o propósito deles, se não o de fazer alguém se sentir culpado por ter feito o que era necessário?

Parte dele a invejava. Uma pequena parte. Pelo menos ela devia dormir melhor à noite do que ele. InuYasha forçou as pernas a subirem até o topo da elevação. No pé da longa descida, do outro lado, pôde ver o córrego sobre o qual Kagome falara.

A moça chegou primeiro à margem do córrego. Ali, sentou-se no chão e retirou as botas de couro. Depois, para surpresa de InuYasha, começou a tirar as grossas meias de lã.

— O que está fazendo? Ele esforçou-se para não lhe olhar as pernas sedosas.

Quando ela olhou para ele, InuYasha notou um brilho de malícia nos seus olhos. Ela lhe conhecia as fraquezas e não hesitaria em usá-las contra ele, fosse apenas para se divertir ou para algum propósito mais importante.

De maneira provocante, começou a descer a outra meia.

— Estou fazendo o mesmo que fiz quando cruzei este córrego a caminho de Breckland. Estou tirando minhas roupas para que não fiquem molhadas quando eu fizer a travessia. Sugiro que faça o mesmo — completou ela, olhando para o hábito escuro de InuYasha.

— Mas de jeito nenhum! Não seria cortês.

— Seu cabeça-dura virtuoso! — Kagome enrolou as meias grossas e as arremessou nele. — Me pergunto como conseguiu sobreviver no mundo por tantos anos!

A bola de lã verde acertou InuYasha bem no nariz. Embora fosse macia demais para machucá-lo, o perfume íntimo nela impregnado penetrou suas narinas, que se dilataram para capturar ainda mais do maravilhoso aroma.

Kagome se pôs de pé, a túnica cobrindo apenas até o meio das coxas.

Ela apontou para o córrego.

— Este é o ponto mais estreito por quilômetros a fio, e o único local que dá para atravessar. A água estava absurdamente fria quando cruzei esta manhã. Duvido que esteja mais quente agora.

Considerando a época do ano em que estavam, InuYasha não podia deixar de concordar.

— Se tirarmos nossas roupas, e as carregarmos sobre nossas cabeças, estaremos com muito frio quando chegarmos ao outro lado — prosseguiu Kagome. — Mas as roupas secas e uma caminhada logo nos aquecerão.

— É verdade, mas...

— Se ficarmos de roupa durante a travessia, alcançaremos o outro lado com frio e encharcados. E não teremos chance de nos secar antes do cair da noite.

Droga, a moça seria capaz de convencer até Santo Agostinho!

— Não. — InuYasha se ateve a seus princípios. — Não seria correto.

Kagome pegou as meias do chão.

— Se o que o preocupa é a sua modéstia, sei como é o corpo dos homens. Tem a minha palavra de que estarei ocupada demais tentando chegar ao outro lado sem congelar para espiar a sua bela forma.

InuYasha hesitou. Já ouvira dizer que a água fria extinguia o desejo. De alguma maneira, duvidava que houvesse o suficiente em todo o mar da Alemanha para acalmar o dele.

— Está me pedindo para confiar na palavra de uma Higurashi?

Era algo injusto de se dizer. InuYasha se arrependeu no instante em que as palavras deixaram sua boca, mas não havia como recuar.

O olhar venenoso de Kagome o açoitou.

— Se o povo de Harwood e Wakeland não precisasse tanto de você, eu o empurraria naquele córrego, de hábito e tudo.

Não era só que ela o veria nu e saberia, sem sombra de dúvida, dos desejos proibidos que despertava nele. Afinal, Kagome poderia honrar a promessa de não olhar para ele.

InuYasha é que não ousava prometer tal coisa, pois sabia que seria incapaz de cumprir o prometido.

— Posso seguir o caminho das pedras.

— Aquilo não é um caminho de pedras. São rochas espalhadas ao acaso. Da margem até a primeira rocha, você pode conseguir atravessar em segurança, e da última até a outra margem, não é nada. Mas de qualquer uma delas até a pedra mais alta no meio do córrego, até mesmo suas pernas compridas seriam curtas demais para alcançá-la.

— Eu pulo.

— Você cairá.

— Eu sou ágil.

— Você é um asno.

A partir de então, nada poderia ter impedido InuYasha Taisho, pois ele fora desafiado.

— Então, me escutará zurrar triunfalmente quando alcançar a outra margem.

Kagome nada mais disse, apenas sacudiu a cabeça e soltou um suspiro que dizia claramente: "Tolo!"

InuYasha ajoelhou-se e desamarrou as sandálias. Depois, colocando-se de pé, as arremessou para o outro lado do córrego. Os pés descalços lhe dariam mais firmeza. Em seguida ergueu o cajado e o arremessou como se fosse uma lança até a margem oposta. Precisaria de ambas as mãos livres. Por fim, prendeu as pontas do hábito no cinto de corda, deixando as pernas expostas até o joelho. Não podia correr o risco de tropeçar na bainha do hábito, ou de limitar seus movimentos.

O orgulho não lhe permitia pedir a Kagome que transportasse o seu manto até o outro lado, e um arremesso errado poderia resultar na roupa acabar dentro d'água.

Ela o ignorou de propósito ao terminar de tirar suas roupas e enrolá-las até formar um embrulho compacto.

Desviando o seu olhar rebelde, InuYasha forçou-se a se concentrar em alcançar o outro lado do córrego, sem se despir.

Como Kagome havia previsto, ele chegou na primeira pedra num pulo só. Achando-a mais escorregadia do que era esperado, InuYasha se agachou e usou as mãos para se firmar. Atrás de si, escutou Kagome prender a respiração ao entrar na água fria.

Um poderoso salto o levou à segunda pedra, embora o pé, momentaneamente, houvesse mergulhado na água. Ele estremeceu diante do frio debilitante.

Pôde perceber Kagome atravessando o córrego a poucos metros de distância.

A terceira rocha ficava a uma distância um pouco menor, mas sua superfície era um pouco mais irregular. Tarde demais para recuar. InuYasha trincou os dentes e pulou. Aterrissou num ângulo estranho, o que fez sua perna protestar de dor.

E que diferença fazia? Fora bem-sucedido. A margem oposta estava a um pulo de distância.

Quando InuYasha deu aquele último pulo, Kagome emergiu da água ao seu lado. A pele estava retesada e com um tom meio azulado, devido ao frio. Ela trazia a trouxa de roupas sobre a cabeça, como uma deusa pagã trazendo uma oferenda.

O desejo tomou conta de InuYasha.

Seu pé atingiu a margem perto demais da borda. A terra ali não agüentou o seu peso e ruiu, e InuYasha não conseguiu manter o equilíbrio.

Ele sentiu-se caindo de lado. Imediatamente antes de ele bater na água implacável, Kagome girou e mergulhou na sua direção.

Mas era tarde demais.

...

sayurichaan - Ainda bem que está gostando! Fico muito feliz. E concordo com você: o Inuyasha é SEMPRE lindo. Não importa a história, não importa a personalidade *-* O que achou desse capítulo?

Srta Kagome Taisho - Obrigada pelos elogios. Estou escrevendo umas história também. Se passa na Inglaterra de 1825. Quando comecei a escrevê-la, foi na intenção de postá-la aqui, mas agora estou meio receosa. Não sei se você me entende, mas tenho ciúme dos meus textos, hehehe. Um amigo meu disse que é besteira, que arte tem que ser compartilhada. Vamos ver, né? E eu espero ler sua história em breve também!

Eu também sou meio compulsiva por leitura. Se eu gostar da história, viro a madruga lendo. Tenho muita vontade de ler Percy Jackson. Essas séries (Percy, Harry Potter, Twilight) os livros sempre são melhores que os filmes, não concorda? :D No momento, estou lendo As crônicas de Nárnia (um volume único com as sete crônicas), mas estou demorando um pouco por causa da escola. Pré-vestibular esse ano, muita coisa pra fazer :S

Estou usando a ferramenta de substituição, sim, mas obrigada por perguntar ^^ Imagina ir trocando de nome em nome, que trabalheira, rs!

Continue acompanhando a história, vou postar um capítulo por dia. E se gostar de romances místicos, comecei a postar outra muito boa chamada Perdido em você. Beijos e até a próxima xD