Porto de Long Beach, Califórnia, três horas da manhã.
Pouca movimentação presente no local, apenas navios de pequeno porte transitavam, carregando cargas leves. O verdadeiro deslocamento em massa vinha da terra; o chão chegava a tremer por causa da passagem de diversas viaturas. Era uma operação em andamento formado pela parceria do FBI/Nevada e a polícia da Califórnia. Segundo fontes externas confiáveis o alvo seria um galpão no extremo leste do porto; este poderia abrigar um estoque de substâncias ilícitas embaladas em tabletes.
Essa operação foi como um alento para a jovem parceria. Desde a revelação da Ilha Champa nada mais foi encontrado. Literalmente nada. Ao chegarem no pedaço de terra nenhum vestígio de conflito foi encontrado: projéteis, armas, sangue... nem mesmo o corpo de Matthew foi achado. Daphne nunca se perdoou por não ter dado um enterro digno a ele. Seguiram para o "escritório" muito bem construído e escondido no meio da mata; como esperavam, não encontraram ninguém, mas a surpresa maior foram as salas que estavam vazias, sem quaisquer provas que mostrassem o que acontecia lá. Levaram três dias para revirar a ilha, descobrindo que ela estava limpa. Um beco sem saída.
"Não há nada aqui, NADA?!" Berrou o agente com o grupo, quando reuniram-se em frente à construção.
"Procuramos arduamente em toda a ilha, senhor." Respondeu um dos subordinados "Não encontramos um único rastro de atividades suspeitas..."
"Ah, mas que merda!"
Por mais que seu nome tenha sido comprometido com os peixes grandes do bureau, o agente Morgan não desistiu após o aparente fracasso. Passou noites mal dormidas, havia vezes em que nem dormia, tudo para tentar chegar a um lugar do qual não tinha ideia por onde procurar. Chegou a culpar os burocratas pela demora em liberá-los para investigar a ilha, mas sabia que isso seria perda de tempo.
Duas vans da agência e três viaturas da polícia estacionaram num local um pouco afastado, para não chamar atenção de possíveis suspeitos. De lá, seguiram a pé até o galpão 6, como era nomeado de acordo com o registro. Os agentes usaram óculos com visão de calor para fazer o reconhecimento e procurar qualquer suspeito que pudesse estar lá dentro. O portão estava trancado com dois rígidos cadeados. Maçaricos foram necessários para destruir os objetos, levando alguns minutos para a porta ser finalmente aberta. Em seguida, os agentes entraram primeiro, todos portando fuzis, exceto o agente Morgan e os policiais, que carregavam apenas suas pistolas.
Eles acenderam as lanternas acopladas às armas, logo viram que o lugar parecia ter sido abandonado a tempos. Estava empoeirado, com um forte cheiro de umidade decorrente de sua localização em um porto.
"Seria melhor se tivéssemos chamado o esquadrão k9 (canino)." Um policial comentou baixo.
"Não, eles fariam muito barulho; e não sabemos o que vamos encontrar por aqui." Respondeu Morgan.
David caminhou alguns passos, fazendo um movimento com as mãos para que os outros esperassem em suas posições. Girando sua lanterna acoplada em sua pistola para várias direções, e tudo que encontrava eram apenas montantes de caixas. Foi então que se virou e fez outro movimento para que os homens se espalhassem.
Vários minutos após uma busca incansável por diversas caixas e caixotes, nada de útil foi encontrado; não havia drogas, aparentemente. Alguns já murmuravam que aquilo se tornava uma perda de tempo, e David não pode deixar de ouvir. Os agentes, que estavam por perto, comentaram com ele: "Estamos caminhando aqui dando voltas por todo o galpão, mas não encontramos nada! Talvez aquela informação que você pegou estava errada..."
"Caminhando você disse?" o agente Morgan perguntou não prestando muita atenção no que ele falou. E sem dizer nada ele começou a andar pelo o espaço, dessa vez com mais cautela, logo depois começou a dar passos firmes, ouvindo o som do metal. Ele pisava com toda a força pelo chão, e não demorou muito até que percebesse certa diferença.
"O chão está oco, está ouvindo?" perguntou ele, pisando no chão com força sugerindo que os outros o fizessem também.
"Tem razão!" um agente comentou, chamando os outros em seguida.
Dois policiais saíram do galpão e voltaram logo em seguida trazendo pés de cabra e outras ferramentas; e agora a missão era retirar aquelas placas de metal que revestiam o chão, na tentativa de achar o que procuravam. Foi um pouco complicado achar alguma brecha para que eles pudessem usar as ferramentas, e quando finalmente acharam, foi necessário usar muita força para retirar a placa de metal.
Luzes na entrada, a poeira se espalhava ainda mais pelo ar ao abrir o compartimento. Pequenas caixas de madeira foram encontradas, debaixo delas revestimentos de plástico e cobriam algo maior. Foi como o natal para uma criança; lá estavam eles, dezenas de tabletes com substâncias brancas, drogas.
Morgan foi recompensado pelo árduo trabalho. O homem abriu um largo sorriso ao ver aquilo.
"Muito bem, o que estamos fazendo parados aqui?!" Ele disse em voz alta para todos o ouvirem. "Chamem um caminhão, teremos bastante trabalho para carregar tudo isso aqui."
Duas horas haviam se passado desde que o FBI e a polícia chegaram até o local. O barulho agora era notável; um caminhão de tamanho médio foi trazido até o porto para levar toda a droga. David e outros oficiais estavam do lado de fora conversando sobre futuros detalhes, enquanto o resto dos agentes e alguns policiais estavam do lado de dentro, ajudando no transporte. Ainda precisavam revistar todo o galpão na tentativa de encontrar vestígios de pessoas envolvidas.
Antes disso ele ligou para seu chefe, o diretor Grant Wilson. Estava doido para informá-lo sobre o sucesso que obteve e "jogar na cara" do homem que mais foi contra a continuação dessa operação.
"As informações que obtivemos não estavam erradas." disse David.
"Se continuarmos assim, dentro poucos meses, talvez um ano, poderemos enfim acabar com a quadrilha." Uma breve pausa foi ouvida seguida de um longo suspiro "Bom trabalho, David." o chefe falou.
Viu só! Conseguimos! Não era você quem duvidava de mim? Pensou, quase deixando escapar.
"Obrigado, senhor."
Se por um lado conseguiram apreender a maior quantidade de drogas no semestre em apenas um lugar, por outro não encontraram absolutamente ninguém. Em meses de investigação era como se todos os envolvidos fossem fantasmas, uma tremenda decepção.
O agente Morgan desligou o celular, olhando para o grande galpão à sua frente. Suspirou em satisfação e ao mesmo tempo em cansaço. Foi um grande passo dado após um bom tempo sem progressos. Agora, mais que nunca, deveriam estar focados em capturar os responsáveis por essa rede, principalmente os aliados de Michael, como o Banqueiro que acabou escapando de suas mãos.
O homem forte e alto, negro e de cabelos raspados virou-se de costas para a construção. Em breve a imprensa chegaria ali, e ele deveria estar pronto a por sua boca frente um microfone e seu rosto para os jornalistas. Sabia que não poderia falar muitos detalhes sobre o caso, mas também seria a oportunidade em mostrar ao resto da nação o trabalho que estava sendo feito. Entretanto, por mais que estivesse treinando a si mesmo ao estressante momento, nada o prepararia nos instantes seguintes quando se virou: em poucos segundos foi jogado com força para o chão devido à força que a explosão dentro do galpão causara.
